Sobrevivemos.
Eu tenho um velho poema, no meu livro Arquivo Poético, um primor acredito, mas um fracasso de vendas, porque desisti de tentar ser parte do competitivo e esmagador mundo da escrita comercial: a literatura. Bem, mas hoje pensei vou escrever algo para nós que sobrevivemos a 2 anos de Pandemia... Lembrei tenho algo pronto, na verdade tenho uma longa escrita sobrevivente até a minha desistência de escrever... Então tanscrevo meu poema, da página 50 do arquivo...
"Sobrevivente
depois daquele dia
em que não haveria mais nada
houve outro
dia
ensolarado
ferido e calado"
Eu sou a única pessoa que desistiu de minha própria longa escrita poética, fui vencida pelo cansaço de tentar provar que meu texto é bom, é bobagem isso, tenho meus bons e ruins momentos poéticos.
Agora sobrevivemos mais uma vez, o dia dos mortos nasceu silencioso, com sol aqui, fresquinho, vai esquentar, o vento veio dois dias antes, muitas almas deixaram este plano juntas, cansativo que foi isso, vamos orar por elas e celebrar a vida, a continuidade, não era nossa vez.
Casa do Papel no Brasil, 26 mortos durante planejamento de assalto(atraco), fim de papo, capítulo único, uma bela economia de energia. Esses novos cangaceiros andavam aterrorizando, matando, apavorando, a polícia foi bem, acertou em investigar e coibir o crime que resultaria em cenas de violência, fomento ao tráfico de drogas e toda a forma de crimes, eles reagiram fortemente acredito e foram mortos, que descansem em paz.
Uma vez conheci uma pessoa que queria se tornar outra, o meu lugar será aquele disse, onde este sujeito está, com essa meta firme foi derrubando tudo até estar lá e lá chegando olhou para trás e viu as marcas da destruição que deixou e o solitário lugar do topo ruiu, sem a base ruiu. Deixou de existir o topo, foi terra rasada, assim foi com meu poetar, continuo poetando mas livre.
A uma coisa sobre a liberdade que as gentes não sabem é que ela é cara... Foram anos muito difícieis estes últimos, construímos e destruímos muitas coisas, conceitos, ídolos,ideias, estamos em cacos, agora é seguir adiante, firmes e sem certezas de nada. Somos todos sobreviventes, viventes, a vida podia vir com manual de fábrica, pois repetimos sempre os mesmos passos, "passinho pra frente, passinho pra trás..."
Fernanda Blaya Figueiró
Comments