Tuesday, 12 December 2017

Saudação ao amigo de meus amigos Walt Whitman

Saudação ao amigo de meus amigos, Walt Whitman

Brasil, em onze de junho de mil novecentos e quinze ainda faltava muito para eu nascer, nunca li só agora ou talvez tenha lido e não lembre poemas seus, que sei da grandeza pelos outros. Essa é de fato uma grandeza.
Nos dias de hoje a sexualidade está novamente na berlinda, preocupante, o nu assusta e não deveria, as tribos se chocam com tudo, a burca foi imposta a algumas culturas, em outras não existe.  Não em pano preto, mas um pouco diferente, numa censura velada. Tudo é uma relação de poder, sexo virou poder, como sempre foi. Tudo virou assédio, é uma onda, tem um pouco de exagero de um lado e do outro lado selvageria correndo solta. Selvageria na sua mais pura e violenta expressão confunde o que é com o que não é “liberdade sexual”
“O espírito que dá vida neste momento sou EU” Campos
“Pode o homem se quiser, conduzir seu desejo
por veia de coral ou celeste nudez.
Amanhã os amores serão rochas e o Tempo
Uma brisa que vem adormecida pelas ramas” Lorca
Lendo o poema de Lorca e sua clara separação entre o amor livre e os opressores da carne, me pareceu que isso é bem antigo. O poeta ergue sua voz mas não contra o menino puro e seus desejos, mas contra  os “que dais aos rapazes gotas de suja morte com amargo veneno.” Poderíamos dizer que se aplica a meninos e meninas, meninos meninas, meninas meninos. Pela avalanche de escândalos que não mais escandalizam e que brotam como sarampo recolhido. As relações humanas estão ficando tão artificiais e inflexíveis parece.
Hoje Walt Witman seria aceito? Foi assédio o beijo roubado em Oscar Wilde? Se é que de fato existiu ou foi pura lenda, não sei...  que há muita fantasia na rede...
Mas a poesia sim essa era real e verdadeira. A vida dos outros é um assunto interminável, como rende, muitas dessas coisas foram criadas, outras vividas mesmos, mas o peso que estão ganhando parece ser irreal. Me preocupa que em breve tudo será desenho e nada será vivido por gente. Sabe gente de carne, osso, gente que sente e existe
“E cheira-me o suor, a óleos, a atividade humana e mecânica...
... Sim- eu,franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque nesse momento não sou franzino nem civilizado,
Sou Eu, um universo pensante de carne e osso,querendo passar,
E que há de passar por força, porque quando quero passar sou
                                                                                                     [ Deus!” Campos
O etéreo e abstrato Campos, aquele que não sendo é, imerso em corpórea humanidade.
É tudo uma cansativa retórica, puro impuro, nobre vulgar... prisões
Claro que tiveram assédios sérios e abusivos, mas também uma “criminalização” exagerada das relações criada. E isso é a velha censura voltando. É o desejo dos falsos puritanos, onde tudo é proibido e assim, nas escondidas, é mais excitante. As pessoas sabem quando há um verdadeiro assédio e sabem se defender, sabem até onde aceitam e onde deixam de permitir, quando precisam sair. 
Walt Witman hoje seria indecente... quase duzentos anos se passaram e nada passou...
Poetas e seus poemas não são coisas deste mundo, Campos certamente é o mais concreto e real de todos estes meninos... O que mais profundamente viveu e experimentou a vida corpórea e lúdica.

Fernanda Blaya Figueiró

Notinha: Um pouco de esperança.


Estamos vivendo aqui no RS uma das fases mais violentas da nossa história, são guerras de gangues, assaltos, ataques, mas ontem algo de “bom” aconteceu, ladrões roubaram um carro de uma moça e depois de algum tempo perceberam que havia uma criança de dois anos no banco de trás, pararam o carro bateram na porta de uma casa explicaram ao dono o que estava acontecendo e entregaram a menina a ele, que alívio para todos. Deixar a criança de fora da guerra urbana por dinheiro foi um ato nobre, resgata um pouco de cidadania e ética. Deve ser  o Espírito de Natal que já está agindo, não está fácil aguentar esse monte de notícias sobre violência, então uma coisa assim é alentadora.

Fernanda Blaya Figueiró 

Monday, 11 December 2017

Aquele que não queria ser pobre.

Pequeno exercício de literatura, ando cansada da realidade, não tenho quase assunto então invento,

Aquele que não queria ser pobre.
Ninguém, em sã consciência, quer ser pobre, a pessoa é por traição do destino, alguns convivem mais pacificamente com essa condição e alcançam a saída mais rápido, mas talvez se acomodem, outros lutam, sofrem, batalham e deixam a pobreza bem longe, nunca mais param porque no caminho do enriquecimento quem para sucumbe. Aqui no sul muitas famílias que tinham um pedaço de chão ou um trabalho no campo perderam seu lugar, perderam o paraíso, muitas de nossas canções falam deste sujeito que evadido do meio rural vive do passado, ou vive num passado que nem se quer conheceu, só na vaga informação de que um dia tiveram raízes no campo. E muitos que viveram no campo nos tempos antigos, mas que não eram o Patrão se sentiam injustiçados, tinham raiva e revolta por não ser o dono da terra, pois esse nosso personagem de hoje era assim, vivia no campo, era filho de capataz, então criou para si um lugar imaginário onde era ele o dono, onde era o Patão, onde as danças eram suas vinganças contra esse passado danoso. Não é preciso ser o Patrão, basta ser, e não é preciso não ser o pobre, basta ser, ele não aceitava isso. No seu mundo mandava, era seu pedaço de chão, tamanho de uma quadra de futebol sete, tábuas sólidas davam a acústica do poder, tudo no maior capricho, tudo aprumado e um pouco de luxo nos pequenos detalhes faziam seu sorriso de vencedor brilhar. Venceu a pobreza e nunca mais parou, viajava freneticamente como quem precisa mostrar a que veio. Gastava com a sabedoria de fincar os pés no chão e dar um pouquinho de inveja, mas não a ponto de comprometer nada. Tinha um velho amigo dos tempos duros da fazenda, era franzino, seguidamente se encontravam em eventos e seus trajes modestos chamavam a atenção, seu jeito de contar as mesmas velhas piadas e a alegria com que falava das brincadeiras “daquele tempo”, parecia a ele que o amigo em nada havia evoluído. Um dia depois de correr mundo e virar conferências encontraram-se numa festa de sua cidade natal. Evento comemorativo de grande porte onde estavam todos os velhos conhecidos reunidos, cada um contando suas histórias. Seu amigo com as mesmas lembranças, o mesmo jeito de rir das tolices...  Ele achava sua conversa um pouco cansativa, pouco instruído pensava tentando não demonstrar. Depois das entradas e petiscos  o prato principal só podia ser a tradicional carne de panela, algo que na campanha é quase tão usual quanto o churrasco, há muitos anos não sentia o aroma vindo da panela, acostumado com pratos finos de restaurantes pelo mundo, foi surpreendido pela felicidade ao reconhecer os sabores tão remotos, ao seu lado o amigo comia sem cerimônia como se não entendesse a magia do momento. Há anos não comia assim, as sensações o deixaram meio em devaneio, o amigo riu e comentou que nos dias de hoje ninguém mais apreciava a simplicidade. E a fazenda? Perguntou meio encabulado. Queres ir até lá? Hoje a estrada está sequinha em dez minutos chegamos. Ficou um pouco em dúvida, não sabia bem como seria rever o lugar de onde saiu ainda guri, mas o convite foi tentador. Pediu para acondicionar umas garrafas de cerveja, o amigo riu, não precisa disso comentou, os tempos mudaram, lá tem cerveja gelada e luz, disse no tom de brincadeira. E o Patão, ainda é vivo? Não, vendeu tudo aqui já faz muitos anos, mudou para o norte, os filhos foram estudar e não voltaram, depois que a Patroa faleceu, foi embora, ela está ainda enterrada aqui perto, ele viveu até os noventa quase faleceu por lá mesmo, quem dava notícias suas era o padre, mas isso faz muito tempo. O tempo passou só que o caminho era o mesmo, a vegetação, os sons da noite, o pó da estrada, tudo parecia igual. A porteira, o açude, os galpões, meu Deus pensou, não mudou nada, logo apareceram novos e potentes silos, equipamentos modernos de lavoura descansavam no campo. No alto da coxilha a casa da estância, exatamente como se lembrava, viu a escada do seu passado, estava bem cuidada e iluminada a propriedade, um pouco atrás as casinhas dos trabalhadores, quase pode ver o pai com um sorriso largo esperando por ele para ir ao açude, a mãe colhendo os ovos. Havia todos os sinais de prosperidade e abundância, ficou perplexo pensou que encontraria um lugar em ruínas, estava feliz e surpreso. Vamos entrando que a casa é sua, disse o amigo, abrindo a pesada porta da frente, mas os donos não vão se incomodar de ter visita assim sem aviso. O amigo riu, fica tranqüilo que aqui é tudo meu, fiz um bom pé de meia disse calmamente, fui comprando um pouquinho de cada vez e hoje a fazenda antiga é toda minha. Mas por que nunca me contou isso? Porque o amigo nunca perguntou,respondeu, eu sempre fui muito quieto, gosto do que faço e de ter ficado aqui. Acho que daquele tempo só sobrou eu, todo mundo foi embora, buscar espaço, fazer a vida, e tinha muita vida aqui para ser feita. Eram amigos de anos e não se conheciam pensou, foi soterrado por suas ilusões de grandeza, não sabia o que falar, abriu uma cerveja e ouviu pacientemente as velhas histórias, elas eram parte dele, ele era parte delas. Disse mais uma vez o nome da fazenda e a figura do Patrão apareceu em sua lembrança... Sentiu um cansaço de tanto correr, precisava voltar, voltar a seu mundo seguro e denso, aquela fazenda doía muito, era uma assombração.

Fernanda Blaya Figueiró  

Sunday, 10 December 2017

Terra Santa ou Terra Sangrenta?

Terra Santa ou Terra Sangrenta?
Jerusalém vive no imaginário de muita gente, para mim é só um nome antigo de um lugar antigo, fonte de fé e de conflito. Parece que lá ninguém quer viver em paz, deve ser o espírito combativo da cidade que cria a constante tensão. Trump está desviando a atenção do mundo de seus problemas, uma eleição que pode ter sido fraudada, usa a questão entre Judeus e Palestinos para criar um foco de conflito, talvez uma guerra e assim ter algo maior, mais importante e sangrento. Começar uma guerra parece algo bem fácil, talvez o mais difícil seja reencontrar a paz, Jerusalém ou Tel Aviv? Não faço a menor ideia do que vai mudar, vão, por acaso, os Israelitas proibir as peregrinações e o acesso de parte da humanidade a locais sagrados e históricos? Se houver uma verdadeira grande guerra será esta parte do Planeta Terra bombardeada? Acredito que não, que vai haver alguns focos de  rebeldia, algumas mortes estúpidas de inocentes e a vida vai continuar como antes. Com o tempo acredito que as capitais e seus capitaneados serão virtuais, com o tempo Jerusalém será como todos os lugares um holograma, todos poderão estar lá em qualquer momento de forma instantânea e etérea. Seremos os bisbilhoteiros do futuro, um fato será transmitido ao vivo para todos que quiserem ver, claro que tudo poderá ser falso. Como é falso achar que uma cidade, só por ser muito antiga, só por ter criado muitos mitos é mais importante do que as outras, não é, só atrai mais atenção e desejo de posse, qualquer lugar é sagrado ou para quem nega o sagrado qualquer lugar no Mundo é razão. Essa nova pequena fonte de conflito que foi gerada vai ao longo das semanas criar medos, receios, vai fomentar ódios, sentimentos de injustiça, revolta, outros de vitória, de superação, de ganho. Nada disso é novo. A boa nova, o velho tratado estão sempre fomentando as discórdias. A Terra é um lugar de conflito e de entendimento, a vida está indo, está consolidada, daí vem um furacão, um terremoto, uma seca ou forte nevasca, um tolo assume um grande lugar, um esperto toma outro e está o bicho homem diante o desafio de tecer a realidade. E esses povos antigos pensam que são mais do que os outros não são, só se apropriaram de retóricas para construir sentido e gerar renda. O “Grande Conflito” desta semana é só uma pequena página para dar emoção a vida, sem conflito não há drama, então criamos conflitos para entreter multidões. Oh!! E Agora?? César tomou posse de Jerusalém!! Que lamento!!  Que danação!! Um Messias!! Deus, nos dê um Messias!!...
Ouça
Tim Tim Tim
Vrum vrum vrum
Siii siii siii
Brum brum Brum
AAAAAAAAAAAAAAAAAAA
UUUUUUUUUUUUUUUUU
HHHHHHHHHHHHHHHHH
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
Truuuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmm
Como previram os antigos sempre é preciso estar atento ao fim.
A possibilidade de tudo acabar, a angustiante possibilidade da morte.
Mães que trouxeram filhos ao mundo podem os ver partir antes, e a possibilidade dessa dor horrenda aperta o coração, dói na alma, assusta... Pais que trouxeram filhos ao mundo  temem que se percam ou que troquem de lado, que se voltem contra si, que virem o inimigo.Filhos que vieram ao mundo precisam decidir quem são se cordeiros ou lobos, se semente ou raiz, se os velhos contratos servem ou não... Jerusalém ou Tel Aviv ? Será isso  um fato desencadeador de dor e miséria?
Se hoje os anjos do Senhor descessem e buscassem um justo e se Sodoma e Gomorra deixassem de existir, como aconteceu, isso mudaria alguma coisa? Será essa metáfora um lembrete para nós? Será que a perdida Atlântida ou a esquecida Machu Picchu tem algo a dizer sobre o quão volátil é a construção humana da realidade. Quantos sonhos soterrados, esquecidos, destruídos? Quanta esperança renovada, quanta humildade conquistada e perdida?
As guerras são necessidades humanas tanto quanto as pazes... Essa é a vida. Nem Santa nem Sangrenta, só um canto do Mundo, um pedaço de chão batido.

Fernanda Blaya Figueiró 

Saturday, 9 December 2017

Crônica Artifícios para a longevidade.

Artifícios para a longevidade.
Ontem fui buscar uns exames de rotina  e quando voltava, passando na rua Princesa Isabel, mais ou menos uma quadra antes do Hospital Cardiologia, passei num posto de gasolina, peguei uma água e logo em seguida uma senhora muito magrinha,que vinha no sentido contrário, caiu bem na minha frente, tropeçou em alguns pedregulhos soltos na calçada de um edifício em construção. Muito assustada ela ficou alguns segundos entre um poste e o muro, recobrando as forças, perguntei se queria um gole de água, estava muito quente o sol, ela disse que só queria sair dali. Aos poucos começou a levantar, fui ajudando meio desajeitada, porque tinha um monte de coisas nas mãos,  um senhor veio e a apoiou por trás do braço, o que foi muito bom, assim ela levantou bem. Teve uma leve escoriação no joelho, nas mãos e bateu o nariz, sua grande preocupação, não estava tonta, mas seu olhar era de muita dor e apreensão. Disse que era a segunda vez que tropicava no mesmo local, perguntamos se queria que a acompanhássemos e ela respondeu que não, que estava bem, o senhor que a ajudou estava indo na mesma direção que ela, então voltei ao meu caminho e não sei mais nada sobre esse incidente. Seu olhar assustado ficou em minha memória, o constrangimento de ter caído e ser ajudada por pessoas estranhas, a revolta com os pedregulhos soltos e a angustiante fragilidade dela. Meu tio uma vez me disse algo assim, apontando um pacote com vários remédios: Isso é uma licença médica para continuar vivo. Nossa sociedade está envelhecendo e poucos cuidados estão sendo tomados para que a energia renovadora da juventude conviva em paz com a escassez de energia da maturidade, os jovens obreiros que estão erguendo o novo edifício, onde antes devia ter uma casa, raramente passo por aquela rua então não sei apenas imagino, nem ficaram sabendo do que aconteceu na calçada. Eles precisam tocar a obra, cumprir prazos, seguir o projeto, pagar suas contas, então no “corre corre” da vida não lembraram de varrer os pedregulhos soltos. A senhorinha vinha atenta, usava sapatos muito baixos, confortáveis, adequados a suas limitações físicas, mas mesmo assim tropeçou e sua preocupação com a batida no nariz era real, pois é um local sensível. Por sorte acredito que nada de mais aconteceu, foi só um pequeno incidente numa cidade que não para nunca. Algumas pessoas são naturalmente um pouco mais longevas outras artificialmente, como disse meu tio, elas precisam de uma licença medicamentosa para continuar. Algumas pessoas, mesmo seguindo todas as recomendações para uma longa e tranquila vida encontram pedregulhos soltos e tem que superar os obstáculos, já outras precisam conviver com suas escolhas e estilos de vida, seus próprios pedregulhos, tem que recorrer ao artifício da medicação para manter a maquininha funcionando bem. O Brasil precisa retomar alguns princípios de vida em comunidade, antes de entrar para o seu dia a dia é preciso olhar a calçada, verificar se nada ficou solto e pode causar problemas para quem nela transita. Essa avalanche cansativa de escândalos deixou todo mundo com um certo cansaço, uma falta de esperança, mas é preciso retomar o caminho do desenvolvimento e ao mesmo tempo ter atenção aos detalhes, o engenheiro ou o proprietário desta obra nem sonha que uma senhora caiu em frente ao seu projeto, que podia ter tido um acidente mais grave ainda se batesse a cabeça, então segunda feira, ao ir para seu posto de trabalho lembre um pouco dessa mini história e verifique se está tudo no lugar certo, isso pode mudar a vida de alguém. As cidades são de todas as pessoas, elas têm vida própria, um fluxo de energia constante e precisam de atenção, não só dos órgãos públicos, mas de quem nelas vive.

Fernanda Blaya Figueiró  

Wednesday, 6 December 2017

Vou contar sem contar

Vou contar sem contar
Era uma vez uma pessoa, que não era eu, era muito diferente de mim, sua história soube e vou contar tentando não dar seu nome ou quem foi, porque tudo anda muito chato em literatura, se um poeta decide prosear, há um turbilhão de reclamações, se um poeta decide citar a outro há muitas acusações de ser esnobe ou prolixo, ou falsamente erudito. Coisa que definitivamente não sou, talvez falsa, mas erudita não. Talvez algum robozinho destes enxeridos que vasculham o lixo dos outros, que mapeiam acessos e pensam saber tudo, pense que sabe quem é esta pessoa. Sua pele foi bela, seu cabelo foi longo, sua estatura foi um pouco alta, seu peso variou, sua nacionalidade foi o Planeta Terra, teve sim documentos e eram sim válidos, mas parava pouco. Quando era viva assustava as outras pessoas, hoje só resta sua voz em lindas melodias e canções que são poemas ou hinos. Os poetas podem errar, podem se iludir, podem criar utopias e depois serem soterrados por elas, os cientistas são menos feliz com isso, porque tem um compromisso com a realidade e com a verdade, se um cientista erra o dano é medonho... Poeta nenhum tem. Descobri porque não gostei de alguns poemas, porque olhando daqui de 2017 eles me pareceram ilusórios e tomados por uma falsidade enorme, algo que foi sendo deturpado e corroído, mas voltando a minha pessoa, ela foi capaz de contar como era ser ela, não foi nada fácil, não foi sem desdém ou sem olhares repreensivos. Sabe aquele tipo de gente que anda de ônibus, que não pergunta muito e vai tocando a vida? Era assim, não pedia muita explicação,  fazia suas coisas, nasceu, foi crescendo, vendo o mundo, sentindo, aprendendo onde ficavam as coisas, não se iludia muito com as igrejas, as casas, as delegacias, ia tangenciando passando e cedendo o lado, sabe, um cumprimento rápido, um olhar sem medo, mas sem desafio, fumava só, falava pouco e tocava a vida, foi aprendendo a técnica que a melodia existia em si naturalmente... Então assim já adolescente, já mulher, já sábia foi mostrando seu cantar, foi enfrentando os desafios da vida, a falta de dinheiro, os amores complexos, os filhos criados com pouco, as noites de embalar o sonho dos outros. Um dia gravou e o povo gostou, foram muitos longos anos para a carreira consolidar, mas lá no fundo do olhar era a mesma de sempre, com um olhar que assustava por dizer com graça as mazelas da vida e assim ensinava as outras pessoas, denunciava sem denunciar, falava sem falar, cantava sem esforço. Já depois de muita, mas muitas cantigas, brigas, reconhecimentos, conquistas, derrotas partiu, como todo mundo parte. As coisas todas que cantou vez por outra voltam a acontecer e alguém uma hora ouve suas canções e usa, que é mesmo para usar, para mudar o vento, para lembrar que a vida é essa passagem do saber de um para o outro... Minha pessoa é tão bela e forte e tão inesquecível que dá uma certa esperança de que lá depois daquele rio, ou daquele lindo edifício haja uma estrada que nos leva longe e nos trás de volta... Disse ela uma vez, ou talvez não tenha dito, não sei: O que pensarão sobre minhas canções a gente lá do futuro se é que elas lá chegarão, mas saibam que não anulo uma só, não modifico, nem escondo, pois eu gosto de abrir os olhos pela manhã e dar uma espiadinha até costumar o olho com a luz do sol...  Ainda está tudo aqui? Minha pessoa, suas canções poemas chegaram aqui a esse presente que rapidamente se torna passado, mas que para ti é o tão projetado futuro... Hoje são mais necessários do que nunca, tudo está voltando tão assustadoramente igual que parece que o dia não virá, mas ele vem. Eu não tinha nada para contar mesmo, peço a quem se incomodou que pense qual pessoa não cabe na minha pessoa?

Fernanda Blaya Figueiró

Tuesday, 5 December 2017

Como a Venezuela caiu na armadilha da ditadura de esquerda?

Como a Venezuela caiu na armadilha da ditadura de esquerda?

Há anos as notícias vindas da Venezuela são muito ruins e demonstram um processo de degradação econômica e social, as pessoas achavam que com o fim do governo Hugo Chávez as coisas melhorariam, mas com Maduro só pioraram, 18 anos parece pouco mas foi o suficiente para aniquilar aquele país. O Brasil que não quer mais governos de esquerda tem que entender o que aconteceu lá para evitar que essa mesma destruição das instituições aconteça aqui. 2018 tem que sepultar esse enorme erro que foi o Lulopetismo e a união entre partidos no que foi chamado de cleptocracia, isso tem que ficar no passado para retomar o crescimento e a geração de renda. A esquerda no poder na América Latina foi um horror, um erro, piorou muito o bem estar social e fomentou o narcotráfico. Já há uma visível mudança no discurso, as pessoas estão percebendo que o enorme aumento da violência urbana tem relação direta com a ideologia deste período. Os escândalos aqui foram tantos que a população entrou num estado de torpor, em que as notícias perderam o interesse porque parece que nada vai adiantar, que os mesmos políticos e partidos corrompidos vão continuar aprontando e desviando o dinheiro que é de todos. Eu não quero viver novamente numa ditadura, muito menos uma de esquerda, que é tão danosa ou pior do que de direita, espero que as coisas evoluam e que as pessoas percebam que não precisamos cair nessa armadilha. Lula foi o pior pesadelo do Brasil, espero que não concorra mas se, por falha do sistema, conseguir escapar que seja esmagado nas urnas, caso contrário vai terminar seu projeto de enriquecimento próprio e destruição do Brasil. A mídia está “Torturando” a população com essa falácia de Lula isso, Lula aquilo só para manter a audiência e o ódio entre os brasileiros. Ninguém mais se importa com essa onda de ‘pesquisas’ viciadas, gostaria de saber se neste tipo de “manipulação” há também propina, pixuleco ou propaganda enganosa. Claro que pode esse “Urubu na carniça, que se tornou Lula Jararaca” se eleger, então teremos que infelizmente voltar a conviver com a ditadura, como a Venezuela e Cuba, só que desta vez será mais severa do que o período anterior onde ele usou a falsidade das eleições para parecer um Presidente Legítimo. É horrível pensar que algo assim aconteça, a volta do totalitarismo, mas é preciso prevenir e evitar.
Lula Jararaca Nunca mais, 13 Nunca mais!! Ele ainda tem o apoio da intelectualidade de esquerda,  isso é uma coisa muito séria e sem sentido, ou é planejado para chegar ao comunismo,  a Ditadura do Proletariado?  A intelectualidade de esquerda brasileira quer de fato a ditadura? Agora é a hora de desmascarar a falsa idéia de bem estar comum, eles querem é poder, dinheiro  e submissão através das armas. Ainda é 2017 tem muita coisa para rolar mas essa bandidagem de “pesquisas apavorantes” precisa ser investigada, as pessoas querem tocar a vida e tá difícil com essa ladainha de Lula Jararaca e Bolsonaro. Quem pode fiscalizar isso? 
A questão da Previdência vai ser resolvida, se a reforma não funcionar com congelamento ou  desindexação do salário mínimo, talvez seja o caminho mais fácil. Está desgastante, os políticos só pensam em si, ainda não perceberam que as coisas vão mudar que mataram a galinha dos ovos de ouro.Que algo precisa acontecer, a economia está andando apesar deles e vão ser soterrados pelo Brasil que quer dar certo, se consolidando como um mercado próspero e ativo.


Fernanda Blaya Figueiró


Saudação ao amigo de meus amigos Walt Whitman

Saudação ao amigo de meus amigos, Walt Whitman Brasil, em onze de junho de mil novecentos e quinze ainda faltava muito para eu nascer, ...