Totos os texto do Blog que não são poemas e contos
Textos do blog que não são poemas ou contos.
Reuni os textos do blog que não são contos e poemas, porque muitos arquivos não haviam sido salvos. Hoje acho que a escrita é uma coisa só, o correto seria manter a mistura entre prosa e verso, prosa literária, crônicas e pequenos textos, mas fica pouco interessante manter tudo junto. Também pensei que estes textos talvez precisassem ser corrigidos, mas são o meu jeito de escrever. Ninguém diz, por exemplo, que um pintor surrealista não sabe pintar, mas que retrata a forma e a realidade a sua maneira. Já na literatura exigisse um rigor no uso da palavra que é irreal, acho que este é o meu jeito de escrever, não é certo ou errado. É, simplesmente, é. Publico tudo de novo neste
formato, só a escrita que não chamei de poesia nem de conto, em alguns posts havia colocado poemas e contos como anexo e optei por manter a maioria deles. Foram os assuntos que
me interessaram, talvez esta organização nova sirvam para algo ou talvez não.
Fernanda Blaya Figueiró
Textos do Blog – 2009
Ouro, incenso e mirra.
Nesta época do ano somos levados a refletir sobre os eventos do Natal, neste texto gostaria de focar na necessidade que temos de adorar e reverenciar. Sem a conotação pejorativa que algumas vezes estas palavras acabam tendo e também sem uma conotação dogmática ou religiosa, abordando o tema sob uma ótica de Jesus histórico. Os Três Reis Magos seguem a estrela de Belém até encontrar a Sagrada Família e prestar sua homenagem com seus tesouros, que são o ouro, o incenso e a mirra, identificando em Jesus uma pessoa especial. Três pessoa dotadas de sabedoria viajam pelo mundo até encontrar um ser humano especial. Tão especial que dividiu a história da humanidade em duas partes, para uma grande parcela de historiadores e por um longo período de tempo. Se três reis magos fossem nos dias de hoje procurar um homem especial, como seria este homem e quais seriam os tesouros oferecidos? Esta é uma das perguntas que surgem nesta reflexão. Passados dois mil e nove anos ainda enfrentamos as mesmas questões sociais, o evento recente da menina humilhada em uma faculdade por usar uma saia curta, por exemplo, lembra a prostituta apedrejada e salva por Jesus; o Império Romano que dominava grande parte do mundo, lembra, resguardadas as proporções, o Império Americano. Computador, petróleo e o Carro do ano poderiam ser oferecidos hoje como os bens mais valiosos da nossa sociedade, os presentes dignos de um rei, que representam o ápice de nossa tecnologia. Um ser humano especial seria aquele que conseguisse conduzir a um novo tempo, como a estrela que levou os reis a manjedoura. Nietzsche enfatizou em vários textos que o homem precisa ser superado, é preciso nascer um novo ser humano, para ser adorado. Novos paradigmas devem sustentar este novo milênio, tão tenro ainda, esse novo ser humano dorme no coração de cada um de nós. Dorme nas palavras sábias de Ghandi, de Jesus, de Buda, de Jacó, de Maomé, dos Orixás, de Madre Tereza de Calcutá, de Paulo Freire, de inúmeros homens ( homens e mulheres) que pregaram, cada um em seu tempo e sua linguagem a paz. O que eu gostaria desta nova sociedade é que houvesse lugar para adoração, sem opressão. Que houvesse lugar para as diferenças, mas não houvesse para a injustiça social. Que permitisse o surgimento de ícones, mas não permitisse a exploração de outros seres. Se não conseguimos pensar, ainda, em uma estrutura social sem impérios, então que estes impérios sejam justos, bem administrados e atendam os direitos humanos universais. A Natureza dá ao homem tudo o que ele precisa para sobreviver, que o homem saiba retribuir, colocando sua Sabedoria a serviço da natureza e da vida. Esta seria nossa jornada pelo deserto, seguindo uma estrela e chegando a um novo ser, nascido da luz do pensamento e da sabedoria dos homens. Quanto ao Jesus Divino, é uma questão de fé, eu acredito, mas respeito aquele que não acredita. Que possamos juntos admirar Jesus, Deus ou Homem.
Fernanda Blaya Figueiró
Viamão, 9 de dezembro de 2009.
Pessoas que não gostam do Natal
O Natal é uma festa maravilhosa, que mexe com as emoções das pessoas, por isso, como tem aqueles que amam esta época do ano, tem os que odeiam. Sentimento que pode ser gerado por diversos motivos, que incluem a saudade de entes queridos que não estão mais aqui, a frustração de achar que não realizou nada ao longo do ano, ou da vida e ainda um profundo cansaço. Nesta época somos praticamente obrigadas a ser “feliz” e esse embate com a felicidade pode ser altamente desgastante. Lojas cheias, cartões e mensagens vindos de toda a parte invadem nosso cotidiano, além dos planos para o próximo ano, para as festas e a busca por presentes e uma felicidade artificial. Uma boa forma de lidar com estas questões é tentar dar a elas uma conotação mais real e menos imposta pela “cultura da felicidade”. o Natal é o aniversário de Jesus Cristo, os presentes são uma homenagem ao aniversariante, a ceia uma forma de confraternização e a felicidade uma opção de cada um. Podemos não gostar do Natal, podemos ficar melancólicos nesta época e ter saudades de algo que nem precisamos saber bem do que se trata. Talvez uma saudade milenar da idéia de um paraíso perdido. Para mim estar neste mundo, fazer parte da vida do Planeta já é estar no paraíso, os obstáculos, que todos passamos ao longo desta maravilhosa experiência, são fontes de crescimento e possibilidades de autoconhecimento. O que me entristece nesta época do ano é perceber que há milênios convivemos com as mesmas questões sociais, essa consciência da impotência para resolver os grandes problemas da nossa existência, como o fim da fome, dos maus tratos, das guerras, da opressão, além da falta de resposta para o quem somos, o que viemos fazer aqui, para onde vamos, isso exaure a mente. Eu queria, até o fim de minha passagem por aqui, chegar a um tempo em que fosse totalmente abolida a necessidade de fazer “caridade”, de doar alimentos no Natal, pois não haveria mais fome, esta palavra faria parte de um museu de palavras que a humanidade superou. Em seu lugar estaria uma nova cultura de Natal, hoje brindei meu irmão com um sorriso e ele me agradeceu com o braço estendido, juntos atravessamos a rua e nos despedimos com alegria, felizes por que vivemos num mundo cheio de beleza. Haveria uma certa tristeza, pois ela também faz parte da vida.O que me alegra é saber que um dia isso pode acontecer, pois a sociedade é uma construção humana e eu acredito na capacidade de superação da humanidade, na capacidade de criar a harmonia, palavra esta que um dia verei enaltecida e compreendida.
Esta é minha Mensagem para o Cartão Vivo de Natal, que cada um tenha a liberdade de viver este momento como quiser, um Feliz Natal , ou um Melancólico Natal.
Fernanda Blaya Figueiró
Viamão, 7 de dezembro de 2009
Um minuto
Silenciar por um minuto pode levar uma eternidade
O Universo já respondeu todas as minhas preces. Sou muito Grata!
Quase todos os que conheço são superiores a mim, nisto consiste a minha felicidade: estou entre os pequeninos e nos reconhecemos. Entre meus defeitos estão um antigo hábito de amar a vida, comer carne, beber vinho, falar com os animais e sonhar acordada. Fica acordado, então, que não represento nenhuma ameaça a vossa grande sabedoria, querido leitor imaginário, meu mundo é perfeito. Estou recolhida aos aposentos de minha mente.
Viamão, 3 de junho de 2009.
Fernanda Blaya Figueiró
Ela não tinha este direito!
A gente não deveria se manifestar sobre tudo! Mas a vida continuou superando, em muito, a arte! A notícia, de ontem à noite - uma mulher que mata o marido, a irmã e a sobrinha e tenta o suicídio - parece uma continuação da história da mãe que tirou a vida do filho.
Um motivo totalmente paranóico e egocêntrico. Essa mulher se achava “dona” da Vida destas pessoas. Achava-se oprimida por “sustentá-los” e cobrou um pesado imposto.
Perguntas: - Há vida, depois de uma falência? - Eles sobreviveriam sem ela? - Ela os “sustentava”, ou “manipulava” suas vidas? Quem sustentava quem? Quem era dependente de quem?
Que jogo estranho!Tirando a criança, não há vítimas, só algozes.
Isso não é amor. Amor é uma coisa diferente, que faz com que todos estejam juntos, nas horas difíceis e nas horas fáceis. Amor ajuda a superar dificuldades, não cria dificuldades.
Essa “Rainha”, criou um mundo falso e se perdeu nele. Uma Tirania!
A medicina perdeu esta batalha?
A loucura deve ter iniciado muito antes, quando as "contas" ainda podiam ser acertadas.
Esse sistema social, no qual vivemos, está caduco, mesmo que isso sempre tenha existido. Reis que acabam com descendências, de outros ou a sua própria, por se acharem em “missões divinas”, ou com o poder sobre a vida do outro.
Faltou amor, sobrou loucura.
Viamão 16 de abril de 2009
Fernanda Blaya Figueiró
As poderosas imagens do Domingo
A arte imita a vida! - um jargão que aos poucos incorporamos e esquecemos o que diz. No último domingo fui ao Teatro, assistir a uma ótima peça. Antes, passei no MARGS, para conferir a exposição de artistas gaúchos. Não entendo nada de obras de arte, só o fato de que gosto de olhar. Vou aos museus olhar a vida.
Entre as várias maravilhas expostas parei, por alguns segundos, diante de um Touro, (talvez pela leitura do poema de Garcia Lorca, no último sarau) obra de autoria de Xico Stockinger. Inicialmente, o Touro me pareceu estranho, com pernas muito curtas, mais parecendo um porco. Só quando vi o “bicho de frente” entendi sua fúria, tanta, que o dorso inflado parecia explodir. Não eram cinco horas da tarde, mas quinze e trinta. Eram cinco horas da tarde, em alguns relógios, e Dona Morte andava fazendo o que lhe cabia.
Fiquei triste, ao ler, na segunda feira, sobre a passagem do grande artista. Mas, pensei, Domingo de Páscoa, oitenta e nove anos bem vividos e a tristeza dissipou, ficou a admiração, não só do Touro, mas de inúmeras obras: uma mulher com o filho no colo, os guerreiros, os poetas...
Precisava chegar a Alberto Bins, caminhei por ruas quase vazias. Na Senhor dos Passos, tem uma praça, igualmente vazia, próximo a ela um jovem se aproximou de mim e disse: - Tem... Pulei: - Não tenho nada e apressei o passo. – Eu queria a água. Já havia cruzado por ele. Tinha, nas mãos, uma garrafa plástica com algo parecido com meio copo de água. Retorno? Não! Decidi, imediatamente, estamos em frente a uma praça que deve ter água. Seria este jovem Cristo? O Senhor dos Passos? Dom Feliciano?
Os jornais destes dias foram estranhos, tinham um peito inflado, parecia que iam explodir. Desolação no olhar da mãe que tirou a vida do filho, as lágrimas da mãe que retoma a filhinha adotiva, o ataúde no museu, os três filhos de uma mesma família... Meus passos pesaram.
Pesar!
Eu devia ter olhado aquele menino nos olhos e entendido o seu pesar, a sua sede. O que me cegou foi o medo e um ego forte, ou o instinto de sobrevivência? Espero do fundo do meu coração que o menino tenha encontrado água e não uma esponja cheia de vinagre e sal.
Esta é uma história que ainda estou digerindo.
Viamão, 14 de abril de 2009.
Fernanda Blaya Figueiró
Ser mulher, ser homem, ser humano.
“Em todas as lágrimas há uma esperança.” Simone de Beauvoir
O Dia Internacional da Mulher existe para nos lembrar das lágrimas vertidas pelas mulheres ao longo da história da humanidade. E, para nos trazer a esperança de que um dia ele não precise mais ser um dia de protesto, mas um dia de comemoração pelo fim da desigualdade entre os seres humanos. Infelizmente a nossa sociedade ainda convive com a discriminação e a violência contra as mulheres: baixos salários, prostituição infantil, pedofilia, violência doméstica, drogadição, ainda fazem parte do dia-a-dia de muitas famílias. Neste cenário é dever do poder público criar mecanismos de assistência, amparo, educação e proteção das mulheres.
Ser mulher em Viamão, ou em qualquer lugar do planeta, é fazer parte de um todo chamado humanidade. Um todo em que os homens estão inseridos. As conquistas das mulheres são as conquistas da humanidade, as derrotas das mulheres, são as derrotas da humanidade. Homens e Mulheres não são rivais, mas sim partes uns dos outros. Retirar direitos e conquistas de um ou de outro é como dar um tiro no próprio pé: vai doer, sangrar, impedir a continuidade da caminhada e pode até levar ao óbito.
As mulheres sempre desempenharam importantes papeis na sociedade, inclusive o de ter que lutar por seu lugar ao sol. Hoje ocupam uma posição fundamental na economia de qualquer comunidade, como geradoras de renda, consumidoras, administradoras, lideres políticas, e como tal merecem respeito.
Em tempos de globalização e aquecimento global a luta pela sobrevivência da humanidade passa por uma tomada de consciência do indivíduo de sua função e responsabilidade com o todo.
Mulheres e Homens constroem juntos a sociedade, se hoje ainda temos injustiça social, miséria, fome, degradação do meio ambiente, violência, é porque aceitamos que isso exista. A comunidade está se formando o reformando o tempo inteiro, é nosso dever encontrar formas de superar as desigualdades sociais. Instituições como a Coordenadoria da Mulher ainda são necessárias, principalmente para ajudar nesta tomada de consciência, da importância de cada indivíduo na construção de uma comunidade.
Com estas palavras lembrei do mestre Paulo Freire e do quanto valorizava o ato de ler e o amor como força de mudança. Educação e amor podem mudar uma sociedade.
Precisamos amar mais e ser mais amadas. Amem seus amigos,companheiros, filhos, pais e irmãos, sabendo que são humanos e imperfeitos como nós mesmas e a sociedade na qual vivemos. Quem sabe assim não modificamos esta história?
Viamão, 28 de fevereiro de 2009.
Fernanda Blaya Figueiró
Textos do blog 2010
Vazio é possibilidade
A loucura tem um lado muito sedutor. Só quem já beirou a ela, quem já trilhou o chão sem chão, já parou o tempo, já viu o que ninguém mais vê. Só quem já duvidou, profundamente. Quem sentiu a dor no peito, a garganta seca. Dizem que os loucos se reconhecem e afirmo que isso é verdade. Pior do que se permitir uma loucura é se abster dela. Andar entre eles e fingir. Fingir que também é um. Pior disso é reconhecer neles, os não loucos, alguma coisinha de loucura. E querem enganar a mim. Ficam dizendo, olha! eu não sou assim! Viu? Eu só tô brincando... Você sabe, né? Oh!, digo, sei sim. E dou corda. Com ela não se brinca. Então eles vão indo, indo, indo e quando ela os pega , mas pega pra valer, ficam pelos cantos como cãezinhos que colocaram o focinho na tomada. Dizem, louco? Eu? Não! E sem saber se bandeiam para o lado de cá. Só que ela é terrível, os abandona. Eles ficam cheios de uma razão, racional. Então, nós, os autênticos ficamos olhando, olhando. Eles passam e dizem não os conheço. Como não se contraria os loucos respondemos, não! Nos aventuramos dentro de nossa loucura, nos entregamos a ela e fazemos reverência quando aparece.
Eles se desesperam, se agarram a sua razão e sua sanidade. Nós? Não! Ela tem muitos desejos e vai embora quando quer, volta quando quer. Não bate a porta, não manda anúncio. Não cobra nada, nem dá também. Quem matou Abel? Todo mundo sabe, foi Caim! Abel era um de nós. Caim um deles! Os novos loucos deste centro tem um atributo, a maldade. Com essa é bem difícil de lidar. Com essa é preciso saber o limite. As forças ficaram desequilibradas. Em breve um de nós tomará o lugar de Abel. Olhando bem acho que estou te reconhecendo...
24/12/2014
Fernanda Blaya Figueiró
Eu desejo
Um dos maiores mistérios que temos a desvendar é o nosso desejo. Nosso desejo cria a realidade, ando um pouco sem palavras, elas sempre me ajudaram a mover meu processo criativo, que depois de algum tempo parece ter chegado a exaustão. Escrevi muito nos últimos tempos e essa produção parece que se tornou repetitiva. Também a produção do livro parece que cria um fim imaginário de um ciclo. De uma cadeia produtiva e acredito que seja mesmo isso, cria uma dimensão, uma barreira ilusória. A sensação que fica é a de que direi tudo novamente. E direi. Não sei se isso pode entusiasmar algum futuro leitor, mas creio que direi as mesmas coisas com um pouquinho mais de clareza, ou talvez cerceadas por esta autocensura. Resolvi falar sobre isso como uma redoma que preciso estilhaçar. As relações interpessoais são como meus textos de alguma forma repetitivas e similares, isso nos leva a erguer barreiras, para que padrões repetitivos não retornem. É cansativo iniciar uma nova interação sabendo que dela virão muitas etapas conhecidas. Toda a relação inclui expectativas, frustrações, ciúmes, alegrias, tristezas, fofocas... Blablabla... Essa invisível redoma que interpomos entre nós e o mundo impede o acesso a novas e reais experiências. O novo e o real vão vir exatamente como era o velho e o irreal. Mas, para além da redoma, algo realmente desconhecido está para ser revelado. Estilhaçar o vidro e ampliar a percepção independe de nós. Sempre vamos procurar manter o chão firme sob os pés e, é esse chão firme, que na verdade não existe, que mantém tudo acomodado. Até um tombo, que também não depende de nós, nos desequilibrar e nos obrigar a restabelecer o real. Criar um texto é estabelecer uma relação com um objeto, cada palavra tem um peso e um impacto num terceiro, o leitor, categoria na qual o próprio escritor se coloca, ao “reler” seu trabalho. Um poema, um quadro, uma música, uma atuação forma um triângulo. Envolve quem escreveu, o que foi escrito e quem lê. Deste triangulo surge uma idéia que passa a vagar sem dono. Essa idéia é um “desejo” , uma vontade, um mistério, gera raiva, amor, ódio, paixão, sabedoria, ignorância... Esses sentimentos retornam em palavras e elas, as palavras, criam a realidade e tecem a estética. Todo artista quer dizer algo novo, mas não precisa. Quando conseguimos dizer já não é mais novo é parte do velho. Mas, prepara o próximo passo. Por isso o “andar” está sempre tão presente na arte, nos mantemos conscientes desta aquisição pré histórica, para entender a vida. No texto Roteiro de Linna Franco, coloquei uma metáfora que sempre me acompanha desde pequena – Porque as preás atravessam a estrada? Isso sempre me incomodou ao ver um animalzinho morto na beira de uma estrada. Porque eles continuam tentando a travessia? A personagem responde : - Porque as pessoas vão de um lugar ao outro?- Essa é uma das minhas maiores questões. È o tema da minha poesia e prosa. È algo muito simples e todavia bem complicado, é uma velha indagação. De onde viemos, para onde vamos, etc... As hipóteses de resposta a esta questão são longos discursos. Estou com os pés no chão e preciso levantar a perna, inclinar o dorso e voltar a andar.
Escolhi hoje desejo, ou ela se apresentou a mim esta estranha palavra, que precedido de um pronome vai recriar meu mundo.
Eu desejo flutuar, ou fluir.
Fernanda Blaya Figueiró
22/11/2010
Agradecimento!
Agradeço, em nome do Movimento Cultural ICV- Instituto Cultural Viamonense, o convite para a cerimônia de entrega da obra de restauração do prédio do Museu de Comunicação Hipólito José da Costa. Ontem ao entrar na sala de exposições tive a grata surpresa de encontrar um local iluminado por cores radiantes e uma bela exposição sobre a história da comunicação e da palavra. A sala mesmo estando completamente diferente foi mantida e preservada, achei isso muito educativo em termos do que significa nos dias de hoje restaurar um prédio. Uma das últimas mostras que visitei, antes da obra de restauração do prédio, foi sobre a história do Hospital São Pedro, na exposição havia fotografias, documentos, objetos que deixavam a forte impressão de um lugar sombrio, assim como parece sombrio o próprio conceito de saúde mental. Ontem uma das frases que mais me chamou a atenção falava sobre a importância das cores para nosso bem estar. Não recordo a frase literal, mas guardei o conceito, as cores influenciam na nossa percepção do mundo. Um pouco antes estive passeando pela Casa de Cultura Mario Quintana e escrevi esta breve reflexão; “ Preso ao Quadrado – O ninho da pomba me pareceu feito no lixo, estranhei este fato e fiquei comovida por ela, imaginei como sobrevivia entre os restos de reboco molhado pelo chuvisqueiro. Na beirada do telhado ela não entendeu minha solidariedade. Não havia nada de errado com seu pequeno ninho. Ela estava adaptada ao que o meio podia lhe oferecer.Talvez por esta estranha possibilidade que a Pomba seja o símbolo do Espírito Santo. Por esta outra dimensão que abrem, elas são urbanas e rurais, vivem no litoral ou na floresta, como nós, humanos. Estou presa a determinadas estéticas e conceitos. As pessoas combatem as pombas para não perceberem que se pode viver naquilo que chamamos de sujeira. As pombas são as mendigas das aves. O mal das pombas assusta as pessoas, será que o mal dos humanos não assusta as pombas? Não devemos temer tanto , o temor cria o quadrado no qual nos aprisionamos”. Resolvi escrever um pouco sobre este impacto que os lugares causam no processo criativo. Não importa se é uma grande reflexão, importa que mesmo uma pomba na beirada de um prédio público tem algo a dizer. Retornando a exposição sobre o hospital escrevi na época um texto, estava participando de uma oficina promovida pela Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul em parceria com o Sesi e trabalhamos um texto de Guy de Maupassant . Escolhi as imagens da exposição para produzir um texto sobre a sensação que as fotografias me deixaram. Aproveito para divulgar hoje, havia o projeto de uma publicação que acredito não deva sair porque já faz um ano. Mas os textos foram produzidos e merecem ser aproveitados.
Muito obrigada pelo convite
Fernanda Blaya Figueiró
TEMA ADULTO
O Fantasma Parisiense
Isabelle nunca tinha ido a Paris, mas sempre via o mesmo fantasma. Seus relatos a levaram a viver confinada em uma pequena cela, com janelas de grades torneadas, uma cama de ferro... E um odioso colchão duro. Todos os dias ganhava duas horas de liberdade, logo depois da sesta, o homem grandalhão vinha, todo vestido de branco e a levava até um frondoso jardim, com uma invejável coleção de palmeiras imperiais, lá ela podia ouvir o canto dos pássaros e passear pelo gramado. O Conde só aparecia quando ela sentava no branco de pedras, usava uma boina preta e um bigode fino e engomado, seus longos cabelos cobriam os ombros, o que dava a impressão de que sua estatura era ainda menor. Isabelle era uma mulher forte, encorpada, usava os cabelos presos com um lenço e tinha um belo sorriso. O conde ficava parecendo um garoto ao seu lado, ela não entendia como um renomado pintor podia ter mãos tão alvas e suaves, seus olhos brilhavam enquanto contava suas aventuras pelos salões parisienses, seus longos passeios solitários pelas infindáveis exposições... Isabelle podia sentir o cheiro da tinta a óleo, a magnitude das peças entalhadas, a suavidade do veludo usado pelas madames. Discutiam muito, o conde era absolutamente contra esta loucura moderna de encarcerar a arte em um museu: - A arte precisa viver, respirar, ser! Ser parte das cidades. – Mas, e a violência, os saques e depredações? - ela tentava ponderar - O que fazia com que ele inflamasse como se fosse explodir de raiva. – Prefiro um quadro meu destruído pela chuva do que embalsamado em uma parede fria e sem vida, iluminado por raios de sol do que ofuscado por luzes artificiais... Isabelle sabia que isso era só uma rebeldia passageira, uma esquisitice de artista. Ela calava, ria, chorava, gesticulava... Até o sino da igreja bater, chamando para a Ave Maria... O homem grandalhão voltava. Ela tentava não ir, mas ele era forte, se ela resistisse apanhava e vinha mais um, às vezes eles usavam a “camisa”. Isabelle agüentava tudo, menos a “camisa”. Naquele dia tinha tentado dizer a doutora o que acontecia. Ninguém acreditava. O homem grandalhão chegou como sempre e disse: - Então, seu pintor veio hoje? Ela já sabia que ele estava só debochando, não respondeu, ela estava com fome e uma sede que cola a boca por dentro, enquanto caminhava ao seu lado viu a doutora entrando no carro vermelho, como era lindo, ela, sem o avental, parecia uma das pinturas de que o Conde falava. Seus olhos ficaram embaralhados, não entendia porque uma pessoa tão boa não acreditava nela. As portas foram fechando e a grama sendo trocada pela pedra dura. Ela entrou e o homem grandalhão trouxe a sua sopa e o copo com água... – Está com fome? – indagou – Isabelle não respondeu. – Vem aqui! – ele ordenou enquanto soltava o cinto – Isabelle não se mexeu e os insultos dele começaram bem baixinho – Você tem que comer... Vamos que eu tenho outros pacientes para servir... Enquanto dizia isso ele jogava o corpo de Isabelle no colchão, penetrava por trás, enfiava as mãos em seus seios e gozava como um animal... Ela gritava e ninguém acudia. Depois disso podia comer e beber. Contou tudo, muitas vezes, e a doutora?... Quando a porta fechou O Conde apareceu, vindo de Paris, cheio de novidades sobre os salões. O homem grandalhão veio buscar a bandeja, Isabelle tremeu, ele tinha nas mãos a “camisa”... A “camisa”!!! Ela sabia o que ia acontecer, o sorriso dele contava, não reagiu e ficou de quatro, não adiantava reagir, só que desta vez quando ele fez, contraiu os glúteos e arremessou o corpanzil dele contra a porta, o homem urrou de dor e daquele dia em diante nunca mais chegou perto da cela. Isabelle nunca mais viu o jardim, nem as palmeiras, só o Conde.
Autoria: Fernanda Blaya Figueiró
Culto à juventude
Muitas pessoas que vão ler este texto não irão concordar com ele. Digo que elas têm suas legitimas razões, peço apenas que leiam sem preconceito. Eu sou uma pessoa que acha belo o ser humano em sua completude, desde pequena adoro olhar e sentir as pessoas mais velhas, elas tem algo que eu não tenho, um conhecimento profundo da vida que aos poucos estou começando a perceber. Quando eu tinha uns cinco anos, mais ou menos, tinha o hábito de freqüentar o galpão de meu avô Rômulo, só para admirar uma das pessoas mais belas que conheci e de quem já falei inúmeras vezes “Tio Ilhodoro” , pelo menos era como ouvia seu nome. Ele era alto, negro, levemente encurvado e tinha a cabeça coberta com belos cachinhos brancos, usava esponjas nos chinelos para dar conforto aos pés cansados. Suas mãos eram longas e amareladas com calos nas articulações dos dedos, formados provavelmente pelo trabalho. E o mais incrível era que ele brilhava. Não falava nada, existia. Não impunha nada a ninguém. No meu universo infantil ele foi uma das pessoas mais belas que conheci. Porque as crianças não cultuam a juventude, as crianças têm o dom de perceber a beleza que transcende no outro. Este “olhar” para a humanidade de uma forma despojada de conceitos e julgamentos é muito libertador. Não há nada de errado em envelhecer. Não há nada de errado em ganhar alguns quilos ou perder. Tomei uma decisão, a de não mais colorir os meus cabelos, isso gera um olhar espantado nas outras pessoas, que também tem alguns fios de cabelos grisalhos e um verdadeiro horror ao processo natural de envelhecimento. Fui pesquisar na rede sobre este assunto e me deparei com frases como : - “É preciso manter a mente jovem! A Idade está em sua cabeça! Mantenha sua juventude usando tais e tais métodos...” Para mim isso é um erro conceitual. Não há nada de errado com o pensamento maduro. Quando eu era jovem ouvi muitas vezes: vocês deve agir assim, assado, ensopado, deve emagrecer, deve esticar os cabelos, deve fazer fortuna, deve tirar notas altas, é feio ser assim, é feio, feio, deve, deve. E a cada coisa que procurava para satisfazer os outros algo em mim murchava, pois nunca serei perfeita nem aos olhos dos outros nem aos meus. Minha exigência comigo mesmo era grande demais, perdi muito tempo com vergonha de existir. Hoje eu sei que a grandeza de meu amigo
de infância era essa sabedoria. Não era rico, não era jovem, não era escolado, não era nada do que todo o mundo dizia que era importante para se alcançar a Felicidade. Por muitos anos “Tio Ilhodoro” foi meu amigo estando eu na cozinha da fazenda de meu avô tomando café com bolachões ou em qualquer outro lugar. Cada vez que a realidade me parecia dura de mais era com ele que eu falava, esse “ele” que alguns chamam de Preto Velho, outros de Nossa Senhora, outros de “Eu”. Hoje digam o que quiserem os outros, sei que por estarem presos a um único paradigma de felicidade, eu sou uma pessoa que encontrou a beleza em si mesma. Perdoo as “Fernandas” mais antigas que não conseguiam se libertar da prisão de ter que ser como todo mundo, mesmo não sendo. Hoje, aos quarenta e dois anos, sei que jamais serei uma Barbie, ou uma princesa de contos de fada. Graças a Deus!
14 de agosto de 2010
Fernanda Blaya Figueiró
O galho
Já comecei tantas coisas sem terminar, hoje mais uma conexão rompe. É o vício de andar só. Ou de só andar. Todas essas pessoas tem um diferente motivo para estar aqui, o rapaz arruma a boina na cabeça como se acomodasse a vida. O jornal esconde as preocupações do velho senhor. As moças batem os pés sentadas em uma muralha e riem. Como as mulheres riem em público e entristecem em privado. As pessoas não querem saber de grandes teorias, só querem continuar sendo, vivendo em bandos, idolatrando alguns ícones de carne e osso. Querem que alguém conte sobre suas vidas e mortes. Tem um galho sendo arrastado pela correnteza, talvez sejam os restos mortais de uma grande e imponente árvore, ou somente um galho que anonimamente se deixou levar. Mas estou eu aqui lamentando a falta de uma máquina para registrar este impressionante fato. Para que? Uma foto, um quadro, uma cantiga , um relato reafirmam a vida. Talvez todos estes pássaros, que não consigo ver, mas que ouço claramente, estejam cantando para o galho dançar dentro do rio. Acho que foi o sol que convidou toda esta gente para participar deste pequeno espetáculo a céu aberto. Talvez eu esteja aqui só para registrar toda essa beleza e deixar para algum futuro a lembrança desse dia. O dia em que os pássaros cantavam, o rio servia de palco para a dança de um galho livre e o sol brilhava no céu, não podemos esquecer que estava frio. Preciso ir e isso rompe esta bela conexão de alguns minutos com o rio, o galho, o sol, o pássaro, o rapaz, as moças, o senhor, sem teoria.
Fernanda Blaya Figueiró
26 de julho de 2010
O lado Bom!!
Ontem participei de um Sarau Poético (promovido pelo Ponto de Cultura VivaPalavra do GHC Grupo Hospitalar Conceição - durante 9º Congresso da Rede Unida de Saúde). E encontrei um lado bom do SUS. Isso foi muito gratificante, pois normalmente ouvimos reclamações do serviço, problemas enfrentados por uma rede de pessoas que incluem médicos, funcionários, fornecedores, pacientes... Lembrei imediatamente de minha amiga a poetisa Jane Peixoto que tem participado de um curso de esclarecimentos sobre a Tuberculose, aqui em Viamão. Essas ações de qualificação e reflexão sobre o Sistema de Saúde são muito importantes e devem ser elogiadas, as vezes pequenas ações tem um grande resultado. Uma das atividades que achei mais interessantes, entre os vários stands que estavam participando da pequena feira no Parque Farroupilha, foi uma série de postais coloridos e informativos sobre pequenas atitudes que melhoram nossa qualidade de vida, palavras como: Amor, respeito, autonomia, cuidados, exercício, alimentação colorida, alegrias, tristezas,harmonia... Foram usadas para motivar e reciclar o entendimento sobre o que é ter uma boa saúde. Entre as várias frases escolhi uma para reproduzir: - Encontre o seu jeito de cuidar com amor. O amor! Sentimento que fundamenta a maioria dos textos sobre Educação, através dos teóricos da pedagogia e da psicologia, vem agora se tornar um acessório da saúde. Como é bom ter boas notícias para variar um pouco. Boas notícias até de uma longínqua cidade que todo o Brasileiro ama e admira, já que foi nossa capital por muito tempo e é um dos cartões postais que representam nosso país pelo mundo afora: O Rio de Janeiro. Quem sabe não estendemos esse conceito para nossa cidade: precisamos encontrar o lado bom da Velha Capital Gaúcha. Promover ações que ajudem o povo a amar a sua cidade e ter orgulho dela. Li na edição passada do Correio Rural que a Brigada Militar está iniciando uma operação para melhorar a segurança em nosso município. Usando novamente as frases do SUS do Rio, escolhi para finalizar esta prosa uma frase que cai bem para nosso momento histórico: - “Podemos viver com menos violência e mais harmonia.”... Podemos incluir na nossa vida os valores fundamentais da paz: escuta, solidariedade, cooperação, gentileza, respeito.” estas são dicas, quem diria, de saúde pública . Maiores informações www.saude.rio.rj.gov.br/promocao.
Vamos buscar o lado bom das coisas !Ontem foi o Dia do Amigo, aproveito para agradecer todas as belas mensagens que recebi.
Fernanda Blaya Figueiró
Uma oração para Eliza!
O Brasil está triste com os fatos envolvendo o desaparecimento de uma moça, os detalhes assustadores, envolvendo tortura, seqüestro e sua provável morte. Tudo pelo motivo mais antigo de todos: o dinheiro. Acho que neste momento deveríamos orar por ela, cada um dentro de sua fé. Por ela e por todas as outras pessoas atingidas pela violência. Se existe Deus, vida após a morte, alma. Isso é uma outra questão, deveríamos rezas, mesmo assim, crendo ou não. E nessa conexão com algo maior poderíamos tentar imaginar, em que momento as coisas poderiam ter sido evitadas? Para mim este é um ponto crucial em uma oração, ou reflexão. Tenho assistido a muitos documentários, filmes e releitura da segunda guerra mundial. Toda a vez que termino de assistir me vem duas imagens , a primeira é como seria o mundo hoje se esses fatos não houvessem acontecido. Quem teriam se tornado aquelas pessoas que morreram. E a segunda é como podemos identificar os caminhos que levaram aquela cadeia de ações, para evitar que essas coisas aconteçam novamente. Um homem que mata a amante por dinheiro não é uma novidade. Um grupo de homens que tortura uma pessoa por prazer também não. Nem uma mulher que sabe de tudo e cala. Em que momento da vida dessa moça o trem descarrilou? Em que momento na vida deste jovem ele passou a acreditar que tinha o poder de destruir uma vida? Qual a dinâmica que levou um grupo tão grande de pessoas a agir com tamanha crueldade? Senti uma imensa vontade de orar por essas pessoas todas, para que uma luz iluminasse o caminho delas. Principalmente para que preenchesse o coração deste menino, rejeitado pelo pai, órfão de mãe e que provavelmente é o único que sabe a verdade. Já que a mente entorpecida dos demais deve ter distorcido muito esta história. Acho que a lição que tiramos deste evento é que ele pode voltar a repetir, com outra pessoa, mas em algum momento uma palavra, uma ação eficaz de alguém pode mudar o curso dos fatos. Nós estamos o tempo todo criando o mundo. Se hoje ele está tão feinho é porque pensamos ele assim. Vamos pensar um mundo mais fraterno para que ele se torne uma realidade.
Viamão, 10 de julho de 2010
Fernanda Blaya Figueiró
Copa do mundo não é várzea
Na minha humilde opinião o Brasil perdeu para o “olho gordo”, mal do qual muitos times sofrem... Caso não sejam os “queridinhos” de alguns figurões. Para qualquer povo seria uma honra ter estado entre os melhores do mundo e ter lutado bravamente. Aqueles que repetem exaustivamente: - Eu já sabia!!! Deveriam ler ou ver o filme “O Segredo” , quem sabe da próxima vez não "secassem" tanto o Brasil, o técnico e até os bodes expiatórios dos jogadores. A “culpa” é de fulano, ou de beltrano? Ou teria sido esta densa onda de negatividade que derrubou os bravos jogadores brasileiro?Onde foi escrito que não se pode ser eliminado de uma competição desta envergadura? Eu quase não sei nada de futebol, mas de olho gordo entendo um pouco. Ele é capaz de secar a bela lavoura do vizinho. Ou quebrar a tigela de leite doce que alguém queria ter a sua disposição. Esses jovens deveriam ser recebidos com admiração. Foram e lutaram, venceram e perderam. Deram esperança e alegria para um povo trabalhador. Perderam porque quando se entra em campo corresse este risco, e eles aceitaram o desafio. Quem sabe sem eles não teria sido muito pior. O futebol nem sempre é justo, ou a seleção de 1982, por exemplo, não teria perdido pois era considerada a favorita. O Brasil tem que aprender a respeitar seus cidadãos, seus trabalhadores, inclusive os ligados ao mundo do futebol. Se ganhar copa fosse fácil esta competição não teria o menor valor. Parabéns a toda a equipe que esteve na Àfrica do Sul defendendo as cores de nossa bandeira. Valeu o espetáculo!!!!
Viamão, 02 de julho de 2010
Fernanda Blaya Figueiró
Um verso de amor
“O amor é um pássaro rebelde
Que não se pode aprisionar” Habanera-Bizet
Mil prosas do cotidiano tentam de tudo para apagar a beleza da poesia. Estas palavras emendadas boicotam o silêncio que existe entre um verso e o outro. Tive um lapso de memória, depois lembrei de tudo e não era nada que importasse, mas mesmo assim a breve ausência da informação me deixou uma sensação de vazio. Passei a gastar a tinta da caneta para desbloquear as emoções e tudo o que escrevi não servia para nada, não podia ser lido para uma platéia, nem poderia gerar um livro, um filme, um curta. Não podia ser fotografado ou visualizado. Não tinha valor monetário. Nada que não possa ser convertido em cifras tem importância neste mundo. O amor, a dor e mesmo a solidão, só ganham atenção quando convertidas em produtos. Se eu fosse investidora compraria ações de pobreza, porque parece que nada no mundo dá mais dinheiro do que a pobreza humana, material ou espiritual.
O produto da minha passagem pela vida é essa prosa feiosa, que ninguém quer ouvir. Quero manter minha mente aberta, livre de memórias ruins, vazia das maldades antigas. Para ser grande é preciso amar incondicionalmente. Sendo que este incondicionalmente já é uma condição.
Para amar é preciso manter o olho bom, aquele que vê no outro o que ele mantem de melhor. Não aquele que chega nas casas e procura a sujeira escondida, o mofo causado pelo tempo úmido. O olho que entende que o mofo também é vida e tudo é efêmero, este é o olho do amor. Fica dentro do peito. Semana passada contei a história do Patinho Feio em belo lugar, perguntei ao meu atento público, de pequenos ouvintes, qual o livro que mais haviam gostado de ler e um menino de olhos vivos me contou sobre um livro chamado “Filho do coração”. Não conheço este livro, mas li em seus olhos que se tratava de uma autêntica história de amor. Aquele menino estava contando uma história viva de amor. Falava sobre este pássaro rebelde que não se pode aprisionar. É preciso saber encontrar o cisne que existe em cada um e aquele menino havia encontrou o seu. A luz em seus olhos refletia isso. Ele falava de um sentimento que não se pode mensurar, não se pode quantificar ou comprar e vender. Agadeço por ter testemunhado este sublime momento de verdadeira doação. Esta onda de consumo um dia há de passar e a arte vai voltar a abrir as asas e voar livremente, migrando de um ponto ao outro do planeta, e o amor será livre de condições.
Viamão, 21 de junho de 2010.
Fernanda Blaya Figueiró
Embotamento
Essa falta de energia, que estou sentindo para escrever, vem da total similaridade entre os fatos e eventos do mundo. Por exemplo: projetou-se o turismo em massa e a “cultura do lazer” como um futuro próspero para o mundo. Essa massificação fez com que o lazer e o turismo perdessem o seu “brilho”, seu inusitado. Ambos viraram fontes de uma grande chatice generalizada, lugares lotados, filas e estradas entupidas... Sem falar na padronização de estilos e uma estética estéril. Diversões que não divertem. Entretenimento que não entretém. O precioso tempo livre que o Homem sempre sonhou tornou-se um fardo a carregar, definido por horas de congestionamento ou de embotamento diante de um tubo de imagem, seja passiva ou ativamente. Com a escrita acontece algo semelhante. Ando lutando para vencer este obstáculo imaginário e transcender. Virar a página. Encontrar um novo capítulo. Uma nova combinação de palavra, uma nova realidade. Mesmo tendo a perfeita noção de que há um limite para a criação humana. Um limite humano de entendimento e de apreensão das experiências.
Você vai se perguntar: O que eu tenho a ver com isso? Nada. Peço de antemão desculpas por esse “parênteses”. Não há uma culpa , apenas uma constatação. Sofro de uma: “Síndrome de Manchetes”. Não consigo dar muito tempo para um autor, tenho que pular e abrir outra notícia que não noticia. Acho que por isso também não tenho dialogado ao vivo, pois meu texto de ontem já foi. Não consigo mais fixar nele, mesmo relendo, não consigo quebrar as dobrinhas das patas da lagosta e chegar a carne, ao centro do que escrevi. Algumas horas depois de ter terminado, sinto que aquela escrita ficou estranha. Aquele debate ultrapassou. Mas não transcendeu. Quando transcende a gente sente a luz, o calor, a beleza. Esse embotamento causa uma asfixia e uma densa nuvem de frio. Mesmo assim tenho orgulho de todos os meus textos mesmos os extremamente óbvios e corriqueiros. Porque um dia vou voltar a eles e reconhecer cada passo de minha transcendência artística. Sei que um dia virá, assim como todos sabemos que um dia morreremos. Mas o que vem com isso é que deixa a gente agoniado. Até lá vou continuar com meu papinho furado.
Tudo é tão brilhante e perfeito que resta tomar um cafezinho olhando para tempestade que se forma, enquanto o sol tira uma sonequinha, num raro momento de autêntico lazer. Ou fazer um pouquinho de turismo na lua e esquecer as manchetes doidivanas e repetitivas dos seres humanos. Quando será que os jornalistas vão cair do pedestal, que um dia foi ocupado por pensadores, cientistas, artistas, deuses. Quem será a bola da vez... Os importantes.Essa idéia estava "dando sopa" captei, daqui a dois minutos um montão de gente vai captar e vai se tornar uma velhice piegas.
Viamão, 26 de maio de 2010
Fernanda Blaya Figueiró
Sinais
O Brasil é um país pacífico, onde cristãos, judeus, muçulmanos, ciganos, budistas e toda as profissões de fé e etnias sentam e comem juntas sem nenhum problema. Eu não acreditava no fim do mundo até ver as últimas fotos de nosso Presidente brincando com fogo. Acho que este é um daqueles “momentos históricos” em que a população tem que “abrir bem os olhos”. Senhor Presidente não traga o terrorismo e os atentados para nossa comunidade, pois já há outros problemas sociais muito graves para solucionarmos. Quando algo muito ruim está para acontecer uma sombra percorre o mundo e os animais são os primeiros a perceberem isso. Então, caros amigos, fiquemos de olho em nossos pássaros, répteis, mamíferos, peixes e anfíbios, pois eles nos alertarão sobre os sinais de que algo não está bem. Vamos deixar o fogo para outros povos mais acostumados com ele, olhem só o que aconteceu no nosso orgulho, fiquei triste em ver os cientistas tentando salvar o Butantã e preocupada com o que significa isso.
Alguém sabe se Nostradamus proferiu algo sobre este desastre?
Viamão, 20 de maio de 2010
Fernanda Blaya Figueiró
Pão e circo – Uma velha receita
Se houvesse uma trilha sonora para esse texto seria o toque de baquetas em um velho tamborete de guerra. Aconteceu que ao entoar a antiga cantiga o jovem garoto liberou um forte espírito combativo que estava adormecido. Foi hipnotizado e descobri-se mão de obra das antigas guerras, ou bucha de canhão, entorpecido perdeu a noção da realidade. Agora me chamo Spartacus disse para a mãe, que não entendeu nada. Você ouve a corneta? Você sente a energia da batalha que se aproxima? Quem foi esse? Perguntou a mãe. Um grande guerreiro. Mas, ela disse sorrindo, não existem mais guerras! Hoje vivemos em Paz! A mãe riu das bobagens ditas pelo filho, sem entender que havia entre os homens aqueles que ainda eram guerreiros. Isso não era bom, nem era mau. Era algo que o menino era. Spartacus era seu sonho de bravura e sua indignação com algo que a mãe não compreendia. Nem o delegado. Nem a diretora da Escola. Nem os outros meninos. Não que se diga que alguém houvesse que aceitar, mas compreender, alguém deveria ter compreendido. Uma vez que alguém houvesse compreendido, esse alguém deveria, junto com o menino, reinventar o seu herói e encontrar uma forma de fazê-lo viver esse conto inverso ao de fadas. Esse conto de guerreiros. Porque ainda existem muitos guerreiros em potencial e na falta de uma reinvenção das coisas eles ficam assim como que perdidos. Basta uma corneta e um bater de baquetas para que eles se desesperem e acessem a seus ancestrais instintos. Esses meninos são no fundo mal entendidos. Com quem será que esse menino de arma na mão queria se parecer? Nossos heróis? Nossos heróis são dotados de super poderes para ganhar a única coisa que nossa sociedade respeita...
Esses meninos,algumas vezes, são a mão de obra de uma guerra que não aconteceu. Não que se queiram reviver as guerras, o que devemos é inventar uma maneira destes meninos viverem em Paz. Se por acaso nascesse um Spartacus perto de mim eu o deixaria brilhar e ter a ilusão de que é um herói. Um herói da engenharia, por exemplo, ou do golfe. Um gladiador de uma arena fofa e uma espada cega.
Viamão, 13 de maio de 2010
Fernanda Blaya Figueiró
Reconstruir o próprio futuro.
As notícias do Haiti são desoladoras e preocupantes, lembrei de uma metáfora antiga, a Estatua de Sal de Ló, os sobreviventes de uma catástrofe que são obrigados a sair de seu povoado sem “olhar para trás”( sem o sentido de que a catástrofe seja um castigo divino). O mundo quer ajudar os haitianos a reconstruírem sua comunidade, mas acredito que passado o susto, o povo haitiano deveria ser convidado a “pensar” junto esta reconstrução, para que esse processo seja feito com a responsabilidade e a ação deles. Uma ação externa pode criar o sentimento de incapacidade, o que seria muito ruim e colocaria em jogo a soberania do povo e a identidade cultural. Pensar em crianças sendo adotadas provisoriamente por outras culturas pode levar a uma confusão de identidade, como estas crianças retornariam a suas origens depois de ter contato com uma cultura totalmente diferente e estabelecendo vínculos afetivos com as famílias que as adotam provisoriamente. Acredito que adoção é um ato permanente e não transitório. Tenho na minha memória a lembrança de Navios chegando da África com refugiados que foram acolhidos pela França, estes refugiados encontraram abrigo, proteção, mas enfrentaram grandes problemas. Na minha humilde opinião a ação externa deveria ajudar a fortalecer as famílias haitianas e estimular que, na medida em que a sociedade volte a ter sua infra-estrutura básica retomada, os órfãos haitianos sejam adotados por famílias haitianas. O próprio trabalho de reconstrução pode ir, aos poucos, reestabelecendo a comunidade, gerando emprego e renda. A comunidade pode gerar lideranças positivas e grupos de cidadãos que façam um “mutirão de reconstrução”. O Haiti precisa “respirar” e se tornar agente na reconstrução de sua comunidade. Fiquei em dúvida se deveria escrever sobre isso, pois muitas pessoas tem uma competência muito maior para pensar e opinar sobre estas ações. Tudo o que ficamos sabendo é através da imprensa e a impressão que fica é de que a população local está alijada do processo.
Fernanda Blaya Figueiró
A corrupção como indicativo do fim de um tempo !
A corrupção e a falta de ética estão tão impregnadas na nossa sociedade que nunca vão acabar. O cidadão ou o grupo que reclama é considerado pela gestão pública como um “opositor” e passa a ser evitado, como se não existisse ou em alguns casos vira motivo de chacota. A perseguição política é tão comum que funcionários em Cargo de Confiança parecem não sabe que não podem deixar de atenter a um cidadão ou uma entidade por não fazer parte de sua “patota política”. Um gestor público é um funcionário a serviço da comunidade e não pode cometer perseguição a pessoas e entidades. Não pode "usar a caneta” para beneficiar amigos e prejudicar opositores. A maior parte das questões envolvendo a corrupção passa por falta de ética e compromisso com a verdade, se um deputado ou um ministro podem faltar com a verdade o que sobra para os outros servidores da gestão pública? Chegamos a esta situação porque não adianta nada ficar indignado. Nada vai acontecer pois tudo é normal e corriqueiro. Então sobra ao cidadão de bem se afastar das esferas públicas e “tocar a vida”... Se reclama é perseguido, se aceita é conivente. Só resta saber se é possível viver a vida inteira sem esbarrar na monstruosidade que se tornou a “gestão das coisas públicas”? Corrupto significa o que sofreu corrupção, que foi adulterado, viciado, desmoralizado, errado. Um ato corrupto é um ato imoral, desonesto. Quando um sistema está tão contaminado significa que pertence a um organismo a beira da falência. A estrutura muito podre cede ao peso do corpo doente e desaba. Só então um novo organismo aflora, como o flor de lótus nasce do lodo... Esse "monte' de denúncias e ações fraudulentas, que os jornais despejam no cidadão todos os dias, indicariam então a aproximação do fim de uma forma de sociedade e o surgimento de outra melhor. Tomara! Ninguém mais aguenta isso...
Fernanda Blaya Figueiró
Os Maias
Vamos acabar descobrindo que os Maias tinham razão: algo nefasto está acontecendo As pessoas estão reclamando no Mundo inteiro, parece uma onda de insatisfação e desconforto. Acordei a uma e cinquenta da manhã ouvindo uma voz falar sobre combate a corrupção. Era o rádio que estava ligado. As pessoas estão dedicando suas preciosas horas de sono para discutir a corrupção. Ela está impregnada em todos os âmbitos sociais e em todas as coisa que acontecem. Ontem assisti a uma partida de futebol onde os jogadores tiravam a bola do gol com as mãos e “aos olhos do árbitro” isso era legal, pelas “leis do futebol” só o goleiro pode pegar a bola com as mãos. Podemos concluir que o árbitro achou legal ser ilegal. Será que os antigos Maias previram estas coisas ou elas acontecem de tempos em tempos?
Fernanda Blaya Figueiró
A nova censura.
Nos dias de hoje os textos de literatura são censurados por dois mecanismos: o mercado editorial e o conceito de politicamente correto. Um autor para entrar em circulação tem que atender a estes dois “censuradores”, tem que escrever coisas que possam ser vendidas e de ampla aceitação, tem que enquadrar seu texto nas artificiais classificações de prosa, verso, adulto, infantil... Tem que se restringir a sua condição como se cada macaco tivesse que ficar no seu galho. Então só magros falam sobre magreza , gordos sobre gordura, mulheres sobre condição feminina, homens sobre condições masculinas, homossexuais sobre homossexualismo, negros sobre negritude, brancos sobre branquidade, pardos sobre mestiçagem, bons sobre bondade, ninguém fala sobre maldade como se ela não existisse ou não passasse de uma sombra. Os felizes sobre a felicidade, os tristes sobre a tristeza... Ninguém nunca ficou bravo ou cometeu um deslize: (leia-se Poema em Linha Reta – Fernando Pessoa) . Para chegar nas mãos do leitor o texto é fervido, resfriado, selado hermeticamente e guardado em condições ideias para não ser contaminado. Caso, mesmo assim, o sabor não seja de gosto do fregues então é retirado do mercado, ou remodelado. Mas acho que isso, pensando bem, não acontece só com os livros não. Acontece com tudo o que consumimos atualmente. A censura foi maquiada em pré requisito para atingir a “qualidade do produto”. Ler um livro virou fast alguma coisa, quando o consumidor termina de consumir o produto não sabe bem o que sente.
Fernanda Blaya Figueiró
12 de novembro de 2011
Ainda sobre o bueiro
Esses emaranhados de fios são longos, puxei um lado e estrangulei o outro, então tenho que frouxar e reiniciar. Alguns amigos ficaram incomodados com a frase “As oficinas de literatura estão matando a arte poética em Porto Alegre, porque encurtam o caminho, retiram da arte a dor e os calos nas mãos.” do meu texto anterior. Eu penso assim - e “Graças a Deus” - vivemos em uma sociedade em que as pessoas podem divergir. Aceito e respeito quem pensa diferente. Da minha experiência como todas as partes , observadora, oficinanda, oficineira, leitora, acho que não são uma boa para a literatura. Posso estar errada? Certamente que sim, assim como também posso estar certa. Usando uma metáfora: no caso da existência de Deus , eu acredito nela, mas respeito quem não acredita e sei que posso estar certa ou errada . Não quero criar um movimento pró ou contra... Apenas expressei uma idéia. E acho muito bom que as outras pessoas tenham a sua própria opinião. Isso tira a dialética do papel e coloca ela no cotidiano. Graças a Deus, exista ele ou não, que vivemos num país onde uma pessoa tem a liberdade de expressar uma idéia e a outra de não concordar.
Essa é minha opinião pessoal, não necessariamente uma verdade ou uma mentira. Falo muito nisso no texto fragmento A palavra mente, o que mente, mentira verdade... Vou para por aqui pois isso leva a um outro nó e difícil de desbaratar e as vezes é bom deixar o nó, aceitar que o fio liso já não existe...
Bom findi !!!!
Fernanda Blaya Figueiró
11/novembro de 2011
Porque desconfiar!
Eu sou uma pessoa desconfiada, desconfio de algumas coisa. Minha mãe trabalhou no IEL, mais ou menos em 1978, um dia chegou indignada com o processo de seleção das obras. Disse: veio o livro com um carimbo - Publique-se!. Continuou - Nem precisa porque o livro era bom! Não quero ser injusta, minha memória não é das melhores, mas era o livro de alguém que se tornou um dos grandes. Uma outra vez encaminhei a este instituto o livro “Fragmentos” que não era uma boa obra admito. Mas estava fazendo uma oficina com o poeta Ronald Augusto e comentei: tenho um livro aqui para apreciação. Ao que ele respondeu: Esquece! Guardo a carta de 23 de dezembro de 2002 ofº617/02 assinada pelo senhor Cláudio Levitan em nome do IEL. O livro queimei! A correspondência era endereçada ao senhor Fernando Blaya Figueiró( acho que devo ter disortografia, segundo dr. Google) , tenho um tio Fernando Blaya, mas este senhor Fernando Blaya Figueiró, não existe. Numa outra oportunidade inscrevi o livro “Ecos da América”- uma bomba, um texto que não se definia nem como prosa, em como verso. Mas ao mesmo tempo inscrevi um livro de minha amiga Jane Peixoto, acredito que já em meados de 2005, meu livro era confuso, surrealista, doido. Mas o da Jane era impecável. Levamos bomba! Nós duas. Para me vingar escrevi um texto: “Marco Zero” e eliminei os outros. Comecei de novo e exclui a sigla- IEL- da minha vida, esta careta nem guardei. Publiquei de forma independente o livro “Ano Novo e Textos escolhidos”. Um verdadeiro drama, pois escolhi uma gráfica de Viamão e no dia do lançamento o livro parecia uma aberração, fiz até uma queixa na delegacia de polícia, pois descobri que a gráfica tinha o CNPJ inativo e não poderia estar atuando. Consegui reaver a entrada e que os exemplares fossem destruídos. Depois fiz o livro por uma boa gráfica, de forma independente, com o devido depósito legal. Ano Novo ficou um livro imaturo, minha ansiedade fez com que editasse sem o devido preparo, o mercado editorial é muito exigente. Todo meu trabalho infanto-juvenil publiquei no blogue, acredito que esta é uma fatia do mercado mais exigente ainda, é melhor não fazer um livro infantil de qualidade de impressão duvidosa. Reuni alguns textos sobre o Título Descontos – Contos e Poemas, com a intenção de fazer um livor , mas como ainda misturava prosa e verso optei por publicar como e-book. Esperei um tempo e organizei o livro Arquivo Poético, escolhi uma excelente gráfica, que me indicou uma editora para fazer a diagramação e a editoração. Agora apareceu esta oportunidade, inscrever o livro num concurso, pensei estou fora! Mas começou a “chover' e-mail em minha caixa de entrada de divulgação do edital. Li o edital e percebi que meu livro se encaixava direitinho, até parecia que o edital havia sido feito para o meu livro. Fiquei em dúvida sobre o item Depósito Legal, entrei em contato com a Biblioteca Pública do Estado do rio Grande do Sul e perguntei se o registro no EAD da Biblioteca Nacional correspondia ao depósito legal. Recebi uma confirmação da Morgana, diretora da biblioteca, e só então preparei o material e enviei o livro. Mas o “-publique-se!”, que guardo na memória deste de meados de 1978, o – esquece! Do poeta. Estão presentes na nossa vida. Falamos em cidadania, falamos em inclusão e parece que alguns circuítos são fechados. Eu criei este problema colocando o livro a “prova dos nove” , ele vai ser avaliado, mas que seja de forma justa. Se há uma lei federal, assinada pelo ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ex ministro Gilberto Gil , que exige o “Depósito Legal” Lei nº 10994,de 14 de dezembro de 2004, só o que espero do Estado do Rio Grande do Sul, pelo seu instituto, é que exija o cumprimento da lei. Vou ficar conhecida como encrenqueira? Melhor do que ficar conhecida como “ovelha”.
Removi o post anterir e republiquei o texto aqui
Fernanda Blaya Figueiró
Alguns Bueiros
Quando se destampa alguns bueiros é preciso ir longe na limpeza, na real catarse, é preciso descobrir onde está o entulho. Sem remover o entulho a energia não volta a fluir, mexendo no lodo da memória, por força das circunstâncias, lembrei que eu sempre tive problemas com o entendimento da língua portuguesa e com “motricidade fina”. Nunca aprendi a desenhar, bordar, costurar, tremo ao tentar colocar a linha no buraco da agulha, não sei até hoje passar a roupa, deixo frisos e não acerto as linhas. Nunca acertei uma mosca ou barata. E tenho muita dificuldade em entender e decorar as regras da língua portuguesa, mas sempre adorei a leitura e a magia das palavras. Como alguém que sempre foi ruim em português decide escrever? Acho que por que a escrita artística é muito mais ampla do que respeitar um conjunto de regras e de “acertos” na grafia de alguns códigos. É possível amar também os erros, ou os códigos diferentes. Minha média ao longo da minha vida escolar foi de mais ou menos setenta por cento de acertos e trinta por cento de erros, por isso consegui passara pelo buraco do funil do ensino regular, consegui chegar do outro lado do buraco da agulha, como um fio desgrenhado, mas passei. Ao pesquisar sobre meus erros de digitação e ortografia, que estão se acentuando, enquanto deveriam estar sendo superados, já que cada dia escrevo mais, descobri o termo disortografia e acho que descobri o que me afeta há muito tempo. Muito tempo, tenho quarenta e três anos e tenho consciência de minha dificuldade desde a “quinta série do primeiro grau”. Nunca tinha percebido como as histórias que contamos tem um fundo de busca de entendimento, de autoconhecimento . Sempre conto esta história: “ Eu ganhei a quinta série no choro.” Isso mesmo! Quando eu estava na quinta série, estudava no colégio Leopoldo Titebohl, em Porto Alegre. Acho que fiz o jardim de infância no colégio João Neves da Fontoura, os três primeiros anos no colégio Roque Gonçalves , em Cachoeira. O quarto ano no Luciana de Abreu, já em Porto Alegre. O quinto e o sexto no Tietbohl. Sétimo e oitavo no Roque novamente em Cachoeira. O Terceiro grau quase todo no Barão de Rio Branco e o fim do terceiro ano no Colégio São José, em Porto Alegre, já era casada e mãe do João e da Luiza, meus gêmeos. Voltando a quinta série, na minha vida apareceu um anjo. Não lembro seu nome, só lembro que era uma senhora gordinha, com um fofo colo de “vó” e que me salvou, era minha professora de português, ela passou o ano todo tentando me ensinar, lembro que olhava aquelas tabelas enormes no quadro e de conjugações e pronomes e não decifrava. Para mim era como se tudo estivesse em grego. Na pedagogia falei sobre isso e conclui que na quinta série eu não tinha estruturas cognitivas prontas para entender o conteúdo, que para mim era muito abstrato. Quando chegou no fim do ano peguei recuperação e as aulas eram em períodos, só deveríamos ir ao período em que em tínhamos pego recuperação. Cheguei na escola no segundo período e a aula havia terminado. Quem faltasse uma aula de recuperação seria automaticamente reprovado. Entrei, literalmente em pânico, minhas pernas tremiam, meu corpo todo tremia, corri para o banheiro e vomitei muito, tinha uma grande amiga, alias sempre tive grandes amigas, muito intelige boa aluna, que não havia pego nenhuma recuperação e que estava na escola só para me encontrar e irmos a biblioteca. Ela chamou minha professora e explicou o que havia acontecido, eu não conseguia falar e fui tomada por um ataque compulsivo de choro. A minha impressão era a de que não sairia viva daquele banheiro. O fracasso, a humilhação a perspectiva da derrota fizeram com que eu paralisasse. Minha professora, que também não lembro o nome veio até o banheiro, me abraçou com um colo fofo de “vó”, me acalmou e disse que me daria uma aula extra. Ela havia passado o ano todo tentando me ensinar, me usava até como personagem em jogos lúdicos, em que eu deveria passar algo a um interlocutor e disser: - Eu estou te dando isso! Como o interlocutor tem que responder?... Para que eu entendesse o uso de pronomes. Marcou uma aula em sua casa, em que fui e me “treinou” para a prova final. Lembro que havia uma parede branca recoberta com belas obras retratando coloridos casarios antigos e que tudo era muito bonito e arrumado. Acho que foi a primeira vez que visitei uma “galeria” de arte. Passei, sofridamente pela quinta série, com a Graça de Deus e a ajuda de seus anjos. Mas a informação “- Eu não sei português!” Passou a me perseguir. Um ano antes eu tive uma grande vontade de morrer, como se a morte fosse uma solução para enfrentar a vida. Talvez eu magoe algumas pessoas escrevendo isso, mas é preciso, para tirar o entulho e a energia voltar a fluir. Meu irmão pegou uma lata de ervilha sem avisar, meus pais ficaram muito bravos, não com o ato, mas com a ocultação do ato. Não lembro muito bem, mas acho que delatei meu irmão. Morávamos no sexto andar de um apartamento na Olavo Bilac, e meu irmão levou uns “sopapos”, como era comum nestes tempos. Fiquei muito triste e sentei no beiral da janela: minha vontade era de pular. Mas o chão era muito feio, escuro, úmido, cheio de garrafas e um quartinho, acho que onde ficavam os bujões de gás do edifício. Porque mexer neste lixo todo? Porque toda a minha escrita é uma só escrita. Todos os meus problemas são um só problema: tenho dificuldade de entender a vida. Desde muito pequena. O texto fragmentos , que publiquei esta semana foi escrito a primeira vez quando eu estava na oitava série. O professor Cláudio de língua portuguesa, leu ele para todos os meus colegas e me disse: esse texto é muito bom, mostra a teus pais. Indaguei: mas, professor e os erros? E ele respondeu os erros alguém corrige e com o tempo eles vão diminuindo. Eu não tive coragem. Cheguei em casa e piquei o texto. Escondi! Há alguns anos minha depressão piorou e fiz terapia, com uma ótima médica, então voltei a escrever o texto. Construí, destruí, piquei, reescrevi e os erros continuam. E o “escondido” atulha a minha energia. Acho que meu maior problema é um bloqueio, é acreditar que algo me impede de saber, de crescer. Isso tudo dá pano para manga. Essa cantiga “negra, preta, feia da rua” me atormenta desde meus primeiros anos, é mais antiga. Esses dias falei da “Tamanquinho' uma mendiga que havia em Cachoeira, puxando um saco, era linda usava umas saias enormes e tinha o cabelo cor de fogo. Meu apelido de infância é Nega. Não tenho nenhum problema com ele, gosto mais do que Sapoca ( mistura de sapo com porca) . Tenho problema quando se transforma em “Nega, preta , feia da rua”. Porque ganha uma dimensão insuportável. Escrever literatura não é escrever textos bonitinhos para vender livros bonitinhos e engordar a conta de alguém. Literatura é arte! Não é gramática, não é comércio, não é pasteurização. Já comprei uma briga e compro outra. As oficinas de literatura estão matando a arte poética em Porto Alegre, porque encurtam o caminho, retiram da arte a dor e os calos nas mãos. Já falei sobre isso também tenho preconceitos com as oficinas porque uma vez meu tio José Blaya leu um lindo Conto de Natal, de sua autoria. No final disse: a minha professora de oficina não gostou deste texto pois não acontece nada, para ser conto tem que ter alguma cosia, um fato. Fiquei triste com isso pois o texto era lindo. Falava de um menino que na noite de Natal saia de casa com sua pesada caixa de engraxate e corria a cidade inteira, sem conseguir um só serviço. Não podia voltar para casa sem dinheiro, pois seria maltratado: Vai a graxa!, ele dizia. Quando estava quase desistindo e aceitando sua sina vê no alto de um morro uma enorme bota e ouve:hó hó hó. Como isso não é um conto?
Fernanda Blaya Figueiró
10 de novembro de 2011
Trecho do projeto de livro Frgmentos de minah autoria e escrito aproximadamente em 2001.
Cristal
Estes são Fragmentos não como os de um mosaico, que é criado da combinação de diferentes peças, mas sim de um objeto ,que ,por distração, tenha quebrado e emprega sua força na busca de uma forma seja ela qual for.
O que fiz eu de errado?
Para que me roubem o sol antes do meu desejo de que ele se vá .
Por hoje chega.
Mesmo que deseje mais e mais sol.
Por hoje chega.
A vida escapou por entre os meus dedos.
Quis segurar , mas foi escorrendo e se perdendo entre as pedras .
Ficou uma casca estilhaçada ,enquanto o suco , se transformou em vida .
Muita vida, em formas e manifestações diferentes.
Em cada parte o todo, no todo o nada, no nada o absoluto.
Porém, sempre restará o sol.
Amanhã tem mais.
Não perca o ponto, mas se por acaso perder olhe os fragmentos.
A última de Joana .
Aqui se despede Joana,
uma música suave e meiga ...
Como se a vida não pudesse esperar nem mais um minuto.
Não existe nada de ti ,nem nada de mim, nem nada do que passou, talvez nem o amanhã exista mais , é parte agora do que passou e passou tão levianamente que não deixou marcas.
Como é estranho entrar num lugar vazio, restos de café e pão duro; quem daqui partiu, partiu abruptamente; deixou pasta de dente na escova e teias de aranha em toda parte.
Uma revista, revela como viviam os habitantes daqui, o que comiam ,como se mantinham vivo;. tudo documentado através de fotografias, filmes, uma inumerável quantidade de objetos, utensílios , aparelhos eletrônicos, rótulos de alimentos, roupas exóticas ,cremes , enfim.
A porta foi deixada aberta.
Sumiram em poucos minutos.
Os últimos minutos de consciência, minutos gloriosos de revelação.
Tanta meditação, adoração e reflexão.
Dobrar-se sobre si inúmeras vezes ,por esses minutos de elucidação.
Quantas palavras elimino...quanto afirmo ,do amor ,do desamor?
Repousaria minha cabeça na terra e beijaria os pés do futuro.
Tolice é apenas um quadro retratando o hoje.
Hoje saí de casa com muita pressa; a campainha tocou enquanto escovava os dentes; não havia nem recolhido o café ou as teias de minhas amada aranhas; tive poucos minutos para me vestir ,revirei todo o armário procurando minha roupa preta. Deixei caídas no chão as fotografias, na máquina um novo filme, deveria enquadrar o espectro desta manhã.
Me contaram de ti. Meu belo pássaro.
Mente .
A palavra mente me remete ao que mente.
Como o intuito de abrir a mente para a mentira, para a verdade , será justo que se viva tão cerceado de possibilidades ?
Há que se duvidar da mente, lhe comprimir, lhe domar.
Algumas mentes são tão preguiçosas, que quando lhe sugerem algo novo e complicado se escondem no vazio.
Já aqui tens uma que propositadamente busca sabotar, escolhendo palavras sem nexo só para te confundir e achares que são profundas, quando que não passam de trapaça; teimosa não quer te brindar ,acha que pode, através de falsos ensinamentos, projetar-se em um novo universo; sua necessidade de perseguir lhe coloca plantada pensando em coisas vagas.
Acho que essa mente é no fundo uma demente não boicota, mente .
Se pudesse agora se infiltraria no topo do relógio, onde está a estátua, roubaria à força sua forma e sempre ligada ao bloco de concreto vigiaria do alto toda a terra; não haveriam mais recantos e becos ,todas seriam avenidas largas e bem iluminadas, onde marchariam as outras mentes.
Mas que mente, perversa , desprovida de cortesia, entraria nos teus olhos e te saquearia os pensamentos, já que está no vazio.
Estar suspenso no vazio é ,de início ,muito incômodo ,mas, ao longo, se notares os detalhes, verás que há muitos pensamentos ,que de armas em punho estão prontos, para arrebatar a mente lhe dominar e fazer com que se renda .
Vigiar.
Que crueldade.
Nunca mais o privado .
Um único momento de solidão.
A solidão em companhia.
O terceiro olho se abrindo no meio da testa, julgando cada pensamento atroz.
Até o que não foi pensado.
Quão? Quão bom? Quão mau?
Quão útil, ou inútil?
A espera pelo juízo final.
O severo julgamento das forças celestes.
Liberdade vigiada?
Me pedes agora uma solução para tão vasto problema?
Gostaria de lembrar que meus ombros são pequenos para suportar um fardo muito pesado.
Um cesto de palha praticamente vazio ,que colocas sobre minhas costas ,e me parece tão fácil.
Na medida em que caminho o cesto parece de chumbo.
Veja.
Minhas pernas estão engrossando, meus pés estão achatados.
Minhas costas curvas como um arco ; não tenho mais pescoço.
Vou jogar no rio esse cesto.
O que contém ,esse cesto para me deformar?
Roubou minha beleza e juventude.
O desconhecido.
Um dia abri uma página proibida.
E lá estavam inúmeras verdades.
Histórias minhas sobre mim, dos outros sobre mim.
Pior foi que nenhuma me causou o menor espanto ou surpresa.
Tudo o que foi dito ou pensado acerca de mim. Enchia um longo caminho de letras; daria para viajar por toda a terra por mais de cem vezes .
Lembra aquela vez em que pensou em se infiltrar na estátua......, quando se infiltrou na estátua........ foi ai que eu achei que havia enlouquecido. E a conversa sobre ler os pensamentos ..........vigiar, vigiar cada pessoa. Coisa de louco. ......
..... uma forma de fugir da realidade......... se achava um anjo apocalíptico ........leu a Bíblia demais..., pensava que carregava um cesto, Aquele monte de incenso......... O jeito que olhava para agente, que mulher indiscreta .no dia em que me infiltrei na estátua ,...... me tirar até está certeza....... humano é um ser social por natureza, não sabe viver isoladamente......a união das classes...
.......... o isolamento causa o desajuste.....desconsiderou tudo ....o bem comum, a manutenção do interesse do todo..... o grupo.........a formação de normas éticas até as... leis que..........a convivência social .......rompeu ...a ordem e o crescimento uniforme.......duvidou até da fé........o controle do público sobre o privado........que pecado...nunca deu ouvidos ......... .o direito à propriedade.... uma moça que parecia tão direita......a regeneração do infrator....no fundo uma ameaça ....o fim.
É pra amanhã.
Agora eu queria um lugar tranqüilo para sentar, ouvir o som do mundo.
Porque duvidas tanto assim da minha bondade?
Duvidas ainda mais da minha maldade .
Então ,para que tanta ideologia?
Um purgatoriozinho a mais ou a menos não faz tanta diferença.
De posse dos meus horrores me entrego, não importa mais.
Não quero mais reagir, que seja, que se torne infinito o sofrimento.
Irreal é o teu mundo ,não o meu.
Tuas pessoas se dissolvem no mundo de consumo ,o mundo do ambiente controlado, sem odor, sem moscas, mundo artificial , da luz a felicidade.
Eu sou muito antiga, prefiro uma bela peça de ouro.
Que delicia, um belo objeto de ouro.
Uma coroa, um cordão ,um relógio.
O tempo marcado em ouro.
Meu Deus.
Que maravilha, que tentação.
Que pecado.
Descobri.
Sou idólatra do ouro.
Que minha pena não seja severa demais.
Teu crucifixo também é todo do mais puro ouro.
Não te pedirei piedade, nem justiça.
Esta estória que começou de um jeito tão abstrato ,necessita, agora, de um pouco de concreto, roubado é lógico da materialidade da estátua.
Talvez não fosse bom que as crianças permanecessem na sala.
Se bem que as crianças sempre permanecem ;elas nos surpreendem nos momentos mais inadequados ,surgem do fundo do coração trazendo todas suas superstições e medos , procura em ti o que te mantém mais longe do universo infantil e te protege com toda a convicção do sólido mundo adulto.
Do pouco que sei é realmente sólido o mundo.
Do alto da estátua decidi gastar meu precioso tempo observando:
Um belo dia me deparei com um ícone..
Olhando no fundo dos seus olhos se via uma grande fortaleza,
Como eram sólidos seus princípios, como pareciam reais as palavras por ele proferidas, uma figura masculinamente bela, sem as amenidades do feminino.
Mãos fortes, olhar enigmático.
Deus não passa de uma invenção dos homens!
A alma não existe, depois tudo se acaba.
Meu caro , se não existe a alma ,como pode existir a vida?
Somos apenas animais como os outros, um dia vamos perecer.
Tudo o que não pode ser explicado são projeções da tua mente doente.
Então, como sentir o sol, a fome, porque trabalhar como um escravo ,todo santo dia?
O que justifica, acordar ,trabalhar, comer e dormir.
Procriar.
Tem que haver algo maior.
Só o mecanismo orgânico não basta.
Clara..........a mente é uma parte do organismo que cria a realidade. Sozinha.
Como ter certeza das verdades que me vendem?
E se agora eu duvidar da materialidade da terra?
Que me respondes, é mesmo sólido o mundo?
Os sentidos ,hipocrisia , se eles servem para provar o material, também servem para provar o imaterial, os espectros.
A razão.
A dúvida ,abrimos com ela, lembra? É preciso duvidar da mente.
Ser racional dotado de faculdades mentais ,no dia da decadência passaste a acreditar no nada.
E aí, vieram tantas verdades absurdas sobre ti.
Se soubesses o ninho de cobras que habitavas, todas te idolatrando mas ansiando pelo teu fim, uma imagem forte .
Esperavam como os seres reles, que tu morresse para poder pisar sobre tua cova ,amaldiçoar os dias que viveram sob tuas asas, mas como sentem falta do teu domínio, da tua opressão.
Não sabiam nem virar para o lado.
Tontos, foram caindo, um por um.
Que falta sentiram do olhar maroto, o sorriso falso, a grande mentira ,que nem um mal lhes alcançaria , te adorar, viver o medo :que faz tão sólido o mundo dos homens.
O mundo podia ter sido violentamente cor de rosa.
Não fossem as subversões, os cochichos, os conchavos, o silêncio , a culpa.
No vazio busco sinais, o mar grosso?
Como saber.
Entrar na sala pé por pé que ele está dormindo.
Melhor ,não entra .
Não chega perto ,hoje ele está de mau humor, talvez mais tarde.
E assim, vão se formando, os mitos sobre cada um.
Nunca foi respeito ,nem medo ,mas descaso, conveniência..
Prega em tuas paredes um altar a tua imagem., como eu sou feliz, é tão fácil.
Como te temiam.
Sozinho no teu elevado mundo , bem podias estar sofrendo.
Mas é um touro muito bravo ,sai fogo das ventas quando estufa o peito ,como enfrentar?
Só esperando a fera se acalmar sozinha.
Mesmo assim te amavam.
O medo tira a responsabilidade. A tirania isenta de culpa.
E sem ela em quem irás buscar abrigo ,quando o supremo mal te assolar.
Tu que rastejas , escondido da tua própria sombra.
Que tem nos olhos o brilho da veneração.
Venera teu opressor, por que no fundo só permite te oprimir na medida em que te serve.
Ele morreu.
Uma profunda dor , silêncio.
Da estátua me pareceu que as pessoas que rodeavam este ícone tinham tido um misto de sentimentos, alegria , tristeza, paixão, medo ,conheceram o vazio.
Mas logo preencheram com muitas idéias.
Belas, muito belas, tanto acerca da bondade quanto acerca da crueldade de que falavam, até com nostalgia , tudo pareceram flores.
E passaram a procurar um novo opressor ,o que foi deveras fácil. . E lá estavam de novo os conchavos ,as meias palavras ,as grandes deduções.
Parte do mundo .
Parte da solidez do mundo.
Garantindo ,assim ,a manutenção do real.
De repente, com um tropeço, cai da minha posição privilegiada e habitei mais
uma vez o peso do meu corpo.
Volto a minha história então.
Como tem passado, Clara?
Passado.
O passado é cheio de ambigüidade.
Incertezas.
Minhas histórias me parecem absolutamente falsas ,de cada uma pus fora o cerne.
Não reconheço .
Lembra de quando eu te vendi aquele sonho?
Perdão, tu querias de doce de leite .
Foi minha ,então a bagunça , passaste a vida comendo goiabada.
Me vê um sonho?
Clara........cadê .meu sonho?
Clara Mente.
_A Clara trabalha numa banca , ela é totalmente sem graça.
Uma criatura meio desligada , não vale a pena perder tempo com a história dela, é uma daquelas pessoas que só passam pela vida.
Consegue imaginar uma daquelas bancas, balcão de madeira, com tampo de vidro, salgados e sonhos nas gavetas embutidas , ovos em conserva, e uma cafeteira , no canto um grande e barulhento ventilador .
Vive perdida em pensamentos, acho que é pela monotonia do trabalho.
Imagina sempre a mesma chatice, mesmas conversas, outra , ela acha que é parte de uma maldição?
_Que maldição ?
_Ela acredita em maldições, sério, um dia fui comprar um sonho e ouvi ela falando com o seu Marcos, tinha que ver, patético. Disse que foi amaldiçoada.
“ uma ciranda de crianças, que me persegue e atormenta, com uma cantiga , que não consigo esquecer
Nega, preta , feia da rua,
Nega , preta ,feia da rua.
Como se fosse hoje , a casa , com suas paredes altas manchadas pela umidade, os quartos interligados, dos quais não conseguia sair pois retornava sempre ao mesmo ponto. Sem saída, o corredor, trancado por um portão.
O poder avassalador da palavra , da maldição, do desprezo, do medo , do ridículo, de não poder fazer nada.
A maldição, retornando sempre, com força , na forma de uma lâmina fria, que rasga a carne, faz brotar gotas de sangue vermelho, vibrante, que corre pela pele morena.
Clara é só uma tentativa desesperada de fugir do que não se pode evitar.
Há que se cumprir toda a jornada ,a profecia, a maldição.
Ela gosta do gosto do sangue.”
_Por que tu te interessou por ela ?
_Sei lá, falta de assunto. Sempre achei ela um pouco pancada, meio fora do ar, mas um dias desses eu tive no mercado e achei ela diferente.
_Então tu conhece a banca?
_Sim.
_Por que me perguntou?
_Te perguntei se tu conhecia ela, não pedi uma ficha técnica.
_Olha lá, parada na frente da praça ,o que será que ela tá fazendo?
_Ouvindo.
_Ouvindo o que?
“o barulho das roldanas do balanço, indo e vindo, indo e vindo, ao fundo conversas alegres, riso , algodão doce, um universo, de maças do amor, música, quem sabe até peixinhos coloridos em um lago artificial.
Estou só.
Com muito calor.
Passar mais uma noite
A brisa que refresca a noite me convida a caminhar no escuro, procurando a fonte.
A razão vai me permite sonhar com uma enorme fonte de águas límpidas, cercada de pedras, uma relva muito macia, onde poderia refrescar o corpo, dormir suavemente sob a luz do luar, sonhar com os anjos e acordar com o canto dos pássaros.
A gota de suor percorrendo a espinha vai lembra que o calor é insuportável, o colchão cola na pele, uma golfada de mosquitos invade o quarto
Não me cobre coerência, este universo pesa muito, às vezes esqueço que o corpo aprisiona a alma e a sociedade me cobra a existência.
A vida é a distância entre dois pontos. Antes deles, o infinito, depois deles, o infinito.
Um dia vou voar ad infinitum.”
_Quem sabe a gente chama ela?
_Ficou maluco, essa deve ser daquelas que cola no cara.
_Tu acha?
_Bom, se tu quiser ........só que eu vou cair fora.
_Calma, que fobia.
_Outra, dizem que ela tem pavor de Ciganas.
_De Ciganas?
“As ciganas
Tenho medo de ciganas, com seus vestidos rodados, cheias de colares, pulseiras, pinturas .O olhar, a fala alucinada.
Não sei de onde tirei esse olhar , um jeito de investigar os olhos dos outros
Foi a bruxa .
A bruxa tomou de assalto meu espelho, pôs fios brancos entre os meus cabelos, secou a minha pele, tirou o brilho dos meus olhos.
Tenho medo de ser feliz , o calor do meu mundo , pode despertar a ira
As ciganas ,são elas que lançam as maldições, são elas as bruxas....”.
_Não brinca, uma mulher adulta com medo de Ciganas.
_Sério, o pior é que dizem que ela mente pra cacete..
_Mente sobre o que?
_É uma história meio louca, ela faz um curso na Federal de noite, e lá ela diz
Que se chama Maria.
“O Sonho de Dona Maria é estar num lago.
Com água azul um pouco escura , areia na beirada, os pés tocando uma vegetação muito fina.
O silêncio da paisagem, uma brisa leve, o sol terno do fim de tarde.
Imaginando o que há de real nesta vida?
Feche os olhos e sinta.
Que intensidade, a vida é uma experiência solitária.
O corpo inerte frente ao lago, indiferente ao tempo, indiferente ao frio. Para que lado ir? Caminho curto, caminho longo?
Até ser tomado pela perplexidade e descobrir que todos os caminhos são solitários…esprema a essência da solidão, ou compartilhe meias verdades.
Música para meus dias serem assim suaves.
Maria!
Sai desta placidez atônita, pega nas mãos as rédeas do futuro, não vê o que te espera, a experiência, que queres com ela? Não vai te levar a lugar algum.
Acorda de manhã ,enfrenta o dia, briga com o leão ,finda o dia com o rei posto e te erguerão monumentos ,te brindarão com o melhor dos vinhos.
Na exaustão da noite ,tuas pernas irão doer ,teu corpo destruído não suportará.
A razão satisfeita, contará vantagens sobre os sentidos: olha tudo que construíste, vê agora como foi bom te tirar do lago.
Durante a noite, o lago invadirá teus sonhos, os pés repousando ,a brisa, a cor, o perfume que perdeste.
Tudo o que tens deves ao sentido prático que imprimiste à vida, aquela experiência solitária que te cobra ,um dia depois do outro, os caminhos que escolhestes.
O gado mugindo ,as ovelhas se reunindo em grandes bandos, saindo do lago gostarias de encontrar um belo caminho florido, uma cabana em um bosque encantado onde reinasse a magia ,um sorriso...
A vida ,lembra, o espaço entre dois pontos.
Eu queria ser a Dona Maria ,uma pessoa que eu já fui, a um tempo atrás, casada,com filhos , um bom emprego.”
_E alguém já contestou essa história?
_Não, por que parece que ela já foi casada e já teve filhos, só que ela fala como se isso fosse no presente e não no passado.
_Complicado .O que aconteceu?
_Ninguém sabe, só faz um ano e meio que ela mora aqui, é como se ela tivesse fugido.
_Que triste.
“Triste é seu Marcos, comendo sonho para encher o tempo.
Minha vida é como uma capa, vou me cobrindo com ela.
Para que desnudar? Gosto das capas, não têm pretensão .
Cada parte da capa é uma mentira embutida de verdades ,ou uma verdade distorcida pela percepção.
A verdade ,a grande capa. Feita de mil retalhos ,bem larga para ajustarmos como queremos.
A capa é cruel, injusta, profana. Não agrada a razão nem os sentidos.
Sem pretensão alguma ,sem curso de corte e costura, em mal traçadas linhas, junto pedaços de razão ,percepção ,interação.
Ao costurar a capa ,sem querer, me perdi entre o tecido e o forro.
Agonizo.
Há pouco a agulha perfurou a palma de minhas mãos, gotas de sangue brotaram, e a linha riscou fininho até o outro lado, o outro ponto cruzou a palma da mão de alguém.
Vivo um lapso de tempo; o mundo está caoticamente distorcido, restou pouco para se admirar.
Há uma linha que me liga, está tão fraca.
Será o fim de uma era ,o declínio do império, ou mais um período de
entre-safra ,onde não há nada a fazer a não ser esperar.
Dói, costurando a linha traz partes de todos e de nenhum.
Onde reside o real na luz ou nas sombras?
Por que ser prisioneiro do medo de ser do lado torto, quando no fundo não há lado?”
_Dizem também que ela tentou cortar os pulsos e foi socorrida pelo chefe, até queriam que ela se aposentasse, mas como é muito nova não deu.
_Como é que tu sabe tudo isso?
_Eu vi as marcas e perguntei pro pessoal do mercado.
_Tem marcas?
_Cicatrizes.
_Vamos tomar mais uma?
_Eu tenho aula, mas só mais uma não vai fazer diferença.
“Tem uma bruxa no meu espelho
_Clara?
_Me permita?
_O que?
_Suspender o sofrimento.
_Não.
_Por que?
_O sofrimento faz parte, até da paz...apartada do rebanho, vou achar que sou um lobo, quando encarar os olhos do lobo, vou ser dona do meu sofrimento, se buscar o lobo de perto corro o risco de seus dentes se entranharem em minha carne, senão, corro o risco de morrer só.
_Bruxa!....... sai do espelho!
_Pobre Clara. Acreditar em bruxas.
_As bruxas existem no fundo dos olhos ;um dia vou saber porque a cada dia há menos luz no fundo dos meus .Não viu os dois desocupados, enchendo a cara e contando aquele monte de besteira, o que tu achou?
_Ignora que passa, tu já não está acostumada, quem que se dizia dotada de uma mente que podia vigiar?
_Pelo olhar de bruxa que tu me impõe.
_As bruxas são teus desejos secretos, Clara.
_Bem que gostas de percorrer ruas sinistras ou encantadas com pedrinhas coloridas .Habitar palácios e casebres, beber vinho e água fétida.
Que me diz?
Se o real existe ,por que o irreal não?
O suor na nuca fala do real, do beijo que perdeste em sonho.
Buscas um lugar, um toque suave ,música, um suspiro.
Vendes sonhos, mas e os teus, os teus buscas na fonte.
_Tens algum segredo ,Clara?
_Não!
_Que triste. Mergulha no lago!
_Mergulhei .A água estava muito fria, aos poucos ,foi escurecendo, o peso do corpo e o impulso tornaram a decida profunda, não encontra o fundo, preciso do fundo. Quanto mais fundo mais escuro, o peso da água comprime os ombros. É preciso girar o corpo com rapidez, dar a volta, tenho pressa, não há tempo a perder. As mãos em concha separam a água, as pernas se debatem, um raio de luz surge, pressão nos ouvidos, Ar, preciso de ar, o corpo adormece, não tenho força. De onde vem, chego à superfície e descubro que não havia o que descobrir, é apenas um lago, não esconde nenhum mistério.
_Fostes ao fundo à toa? E na fonte, encontraste algo?
_Não.
_Então, o que procuras?
_O início do fim. É sombrio. O Desejo covarde de salvar, não me permite, quero sufocar mas não consigo. E sabe do que mais? Eu bem que escondo alguns segredos.
_Segreda para mim?
_Escondi tanto que não encontro, fiz tanta força para esconder que acabei por esquecer. Só que levaram junto meus sonhos. E agora não sonho mais. Minhas vísceras estão em alerta.”
_Tu viu aquilo?
_Não.
_Não viu o que ?
_Aquela mulher com sobretudo preto atravessando a porta da casa da Clara.
_Então tu viu?
_Não, eu imaginei. Também com essa tua conversa.
“A morte esteve na casa de Clara para avisar que seu relógio está por demais adiantado, ainda não está na hora.
Se aquiete ,coração acelerado; um dia ainda há de voltar, não precisa chamar.
Há um grande marcador, cada um tem sua hora. Viva em paz os dias que são seus e de mais ninguém.
Aproveitou para tomar um cafezinho, já que anda tão ocupada, e estava só de passagem, trouxe notícias também, estão todos bem.
Apareceu- lhe em sonho sentada em uma cadeira confortável, de respaldar de vime, ao fundo um castelo de areia erguido em frente ao mar, os mesmos olhos, só que muito tranqüilos, lábios finos, pele branca, disse que já não precisa de reza.
De saída, deixou-lhe a paz.
Não como presente ou despedida, nem como promessa, a paz, mais nada.
Boa pessoa, a Morte, agora precisa seguir.
‘Ciranda, cirandinha vamos todos cirandar, vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar. O anel que tu me deste era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou.
Por isso, Dona Morte, entre logo nessa roda, diga um verso bem bonito, diga adeus e vá embora:
A paz esteja convosco. Adeus.’
Quanto à Clara, trilha um caminho cheio de pedrinhas coloridas”
Como uma alma penada, ou uma alma que pena....
Do exílio .
É do exílio que te falo agora.
Não estamos em tempos de guerra, isso eu bem sei.
Estou no exílio por minha ordem.
As correntes que carrego são pesadas, foram feitas de ouro, contornam todo o meu corpo .
Roubei da vida o brilho.
Da morte, o tempo.
Uma guerra pessoal, por construir uma imagem , muito próxima do ouro e das meias de seda.
Estou com a vassoura na mão, para recolher meu lixo; as grades do meu exílio se tornam cada dia mais altas.
Não vá logo concluindo que eu tenha de fato tomado posse de tanto luxo.
Meu lixo é que contém muito ouro.
Do trigo ao ar puro.
Foi a ferro e fogo ardente que me marquei.
O ferro queimando ,como ao gado, foi tão fundo e tão sistemático...as correntes preenchem agora cada sulco na pele.
Pelo excesso, pela inércia.
Somos todos exilados nas grandes cidades.
Ruas sinistras, onde só tem acesso os eleitos, os guetos.
Meu jardim.
Cercado e selvagem jardim, habitado por adoráveis animais .
Daqui ,então, que te falo agora.
Esta missiva tem a pretensão de propor dias melhores.
_A senhora aceita um chá?
_Um chá ?
A casa de Dona Antonieta
Nos fundos da propriedade há um caminho que há muitos anos não se trilha .
Os moradores da casa têm todos suas valiosas atividades e quem não as
tenha ,inventa.Coisas para a elevação da alma, arte, exaltação, esportes ,poder.
Um enorme pátio cerca toda a casa ;na frente, entre a calçada e a casa, há aproximadamente trinta metros, de um belíssimo gramado, no meio um caminho de pedras leva até à porta principal, uma alameda de flores coloridas e um cipreste, de cada lado, completa a paisagem. Há ainda nas duas laterais da casa faixas de gramado que ligam a frente aos fundos, deixando a casa como que solta ,com muito sol e ar livre circulando. Nos fundos, mais espaço, um quintal separado, onde fica a parte de serviço, e uma pequena casinha, que servia para o caseiro, mas que se mantém fechada. Mais próximo à casa , a piscina e a área de lazer, construídas bem depois da casa, que deve datar do início do século XX,
As garagens e a passagem para o caminho, que não é usado.
Com as mudanças urbanas a propriedade foi ficando muito ostensiva, despertava uma certa inveja e acabara se tornando de manutenção muito cara.
Os impostos e reformas ,que seguidamente se faziam necessárias , traziam dúvidas quanto à manutenção pela família.
Só que a avó não abria mão de morar na casa; afinal havia ,nascido nela.Os outros é que moravam com ela , dois netos, e uma sobrinha.
Só que, com a manutenção da casa, a velhinha estava gastando todo o seu dinheiro, que não era pouco, mas que poderia ser melhor utilizado.
Os filhos e netos contavam com o dinheiro para realizar seus projetos de vida.
Mas a velhinha era linha dura, quase noventa anos e dirigia sozinha seus negócios, e no fim das contas a casa estava valorizando. As propostas de compra melhoravam a cada ano, mas a avó resistia.
Chegaram a lhe levar a uma casa de repouso cinco estrelas ;poderia ser considerada como um hotel, médicos, nutricionistas , recreacionistas e todo o tipo de serviço.
Mas Dona Antonieta ficou ofendida só com a hipótese de terem lhe levado até lá.
Em retaliação, um dia ,quando não havia ninguém em casa, chamou o seu advogado e anunciou que iria mudar seu testamento. Ele avisou os filhos, pois não queria se comprometer.
A família consultou um psiquiatra, quem sabe se com uma avaliação não conseguiriam interditar a velhinha. Afinal mudar o testamento?
Isso não é coisa de gente certa.
Só que a avaliação foi positiva .
O jeito era agüentar as manias dela e por sorte.
Mesmo sendo um desperdício, a casa foi acalmando, e a velhinha firme, reformou o jardim, e contratou um caseiro.
A família foi contra ,mas , como sempre, teve que aceitar.
O caseiro ficou incumbido de cuidar do jardim, limpar a casa por fora, a piscina e atender a porta, pois dona Antonieta é quem fazia estas tarefas.
Porém ficou absolutamente proibido de cruzar pela passagem que dava acesso ao caminho.
A proibição despertou sua curiosidade, mas como não tinha nada com isso, se manteve calado. Fazia suas tarefas e cuidava de tudo muito bem.
Uma coisa despertou a curiosidade do jardineiro , sempre que os netos e a sobrinha se ausentavam a velhinha passava pela passagem e ficava lá em torno de umas duas horas, depois voltava, limpava os sapatos, colocava no sol e calçava os chinelos.
Quando alguém lhe perguntava o que tinha feito, nunca mencionava os longos passeios.
Depois, por vezes sentava na varanda e se colocava a olhar fotografias muito antigas .
Um dia o caseiro resolveu seguir a velhinha em seu passeio.
Esperou que todos saíssem, esperou que ela lhe enchesse de tarefas , calçasse os sapatinhos e se dirigisse para a passagem.
Como uma sombra , cuidando para não fazer barulho, passou por um portão de ferro, uma trilha levava a mais um jardim, pequeno, em torno de uma fonte, da fonte corria um fio d’água, que caía entre pedras e era absorvido pela terra. No fundo tinha uma pequena construção, que se assemelhava a uma capelinha , e era lá que a velhinha ficava, então era isso, devia rezar .
Porém, não satisfeito , resolveu olhar dentro da construção, e viu a senhora sentada em frente a uma cruz, no chão o piso havia sido removido e um pequeno canteiro de flores crescia ,bem onde havia a cruz, a senhora estava ali sentada rezando e mexendo nas flores.
A capela tinha uma imagem de Nossa Senhora, sobre um pequeno altar, uma Bíblia e uma prateleira cheia de objetos, roupas, utensílios domésticos , fotografias, no meio um caldeirão de ferro vazio, com uma espada encostada.
Por pouco que a velhinha não lhe descobriu .O caseiro conseguiu sair antes que ela lhe visse, e quando ela voltou para a casa o homem estava fazendo as suas obrigações.
Curiosidade mata.
Não conseguia mais agir com naturalidade, quem estaria enterrado lá?
Por que todo aquele sigilo, e o caldeirão, será que Dona Antonieta era Bruxa?
A partir daquela noite passou a ter pesadelos horríveis. Sonhava com uma mulher muito bonita, ela lhe sorria e mexia no caldeirão com a espada e de repente caía morta. Foi ficando cansado e ineficiente a ponto de chamar a atenção .
Dona Antonieta lhe pediu que consultasse um médico. Sua aparência era de uma pessoa doente .O rapaz disse que estava cansado e pediu para tirar uns dias de folga, ao que foi atendido.
Quando retornou as coisas estavam na mesma .Até que um dia o Prefeito em pessoa foi visitar a velhinha e lhe propor um negócio irresistível, só que tinha urgência quanto à resposta.
E dona Antonieta nada .
A família fez uma reunião, não dava mais para agüentar, tinha que ter um mecanismo legal , que fizesse o bom senso prevalecer. Era gente entrando e saindo .
O Advogado saiu para fumar um cigarro e acabou desabafando com o caseiro:
_A Dona Antonieta vai acabar deixando todo mundo louco.
_Nem me fala, depois que eu descobri aquele cemitério, com coisas de bruxa, não consigo mais dormir, tirei uma semana de folga e não adiantou....
_O que você está falando?
_ Acho que até é segredo.
_Que segredo?
_O senhor promete que não diz que eu que lhe contei?
_Mas é claro.
_Um dia ,eu segui a velhinha até o fundo da casa e descobri que ela fica horas num tipo duma capelinha. Lá tem um túmulo........Coisa de arrepiar.
_E o pessoal da casa não conhece?
_Não que eu saiba.
Era tudo o que o advogado precisava, um motivo para decretar a insanidade da velhinha e liberar a verba para todo mundo.
Uma tragada maravilhosa lhe trazia a chance de desenrolar aquela história. Acendeu mais um cigarro e fumou tranqüilamente, enquanto bolava uma forma de ganhar com aqueles dados novos.
Primeiro, chamou o filho mais velho e lhe perguntou se tinha conhecimento dessa coisa.
_A mamãe sempre nos proibiu de passar por aquela passagem .Pra falar a verdade, eu só fui lá uma ou duas vezes quando pequeno e escondido. Pelo que eu lembro tem mesmo uma salinha , mas vivia fechada, até achei que tivesse sido derrubada .Não sei no que poderia ajudar.
_ Se realmente há coisas escondidas, nós podemos investigar e pedir uma nova avaliação psicológica. Ou talvez se descubra o motivo dela não querer se mudar e assim ter argumentos para convencê-la.
_ Essa obstinação é meio esquisita mesmo.
_Uma inspeção sanitária.
_Como assim?
_Nós vamos dizer para ela que o município está inspecionando todas as casas antigas e que o prefeito veio lhe comunicar. Aí eu te pergunto pela área total da casa e tu deixa bem claro que existe aquela área e assim a gente tira uma temperatura das reações dela. Que tu acha?
_ Vou agora mesmo chamar o prefeito.
Com tudo combinado a reunião recomeça, sendo sabedores do plano o filho o advogado e o prefeito.
_Bom, já que a senhora não quer mesmo conversar, eu estou retornando para a prefeitura. Aproveito a ocasião para comunicar os presentes sobre a inspeção sanitária. Hoje mesmo virá até aqui um inspetor.
_Inspetor ?
_Pois estamos inspecionando a rede sanitária das casas antigas, para adaptar às novas normas de construção. Então primeiro é feito um levantamento e depois um relatório sobre as mudanças .Mas não se preocupe, que será dado um prazo bem razoável para as obras, se necessárias, evidente. O filho mais velho aproveita a deixa:
_Isso é louvável, é bom que os técnicos não deixem de inspecionar o pátio dos fundos, que está fechado há anos.
_Mas, meu filho lá não tem nada que envolva rede sanitária.
_Tudo vai ser inspecionado, até canil e piscina , justifica o Prefeito, é o risco da dengue, fazer o que?
_Mas eu não autorizo ninguém a mexer na minha casa.
_Ora, Dona Antonieta, não vai levar mais que duas horas, tenha a santa paciência.
_Isso é o cúmulo, uma arbitrariedade , no meu pátio ninguém entra.
_A senhora por acaso tem algo de ilícito a esconder?
_Eu?...Não, só acho falta de respeito.
A velhinha tremia da cabeça aos pés, o rosto ficou transtornado, começou a balançar a cabeça de um lado para o outro e a balbuciar coisas ininteligíveis, sua respiração foi ficando acelerada, não havia o que lhe acalmasse. O médico foi chamado as pressas, mas não chegou a tempo , uma convulsão fortíssima lhe provocou uma parada cardíaca, morreu antes mesmo de ser medicada.
_Pobrezinha. Uma morte bonita ela teve, pelo menos não sofreu.
Antes do fim do velório o testamento já estava aberto. Ficou só a curiosidade,
A tal capelinha ,que segredos guardaria?
O caseiro foi convocado a ajudar, dentro do sapatinho foi encontrada uma chave, com ela os homens abriram a porta da capelinha. O caseiro trouxe alho amarrado no pescoço, um crucifixo e a pá para abrir o túmulo.
Nas prateleiras roupas antigas, livros e montes de bugigangas, o caldeirão continha umas quantas argolinhas , onde estavam gravados alguns apelidos, cada um com uma corrente e uma fitinha já poídas pelo tempo, e tinha mesmo a tal espada encostada.
O túmulo tinha uma cruz de madeira.
_ E agora abrimos , ou chamamos a prefeitura?
_Abre e pronto.
Com a abertura do túmulo foi descoberta uma grande ossada, os homens ficaram apavorados e saíram correndo .Nem o advogado tinha visto tanto osso junto. A velha devia realizar rituais satânicos ou algo do gênero.
Quinze minutos depois o lugar estava infestado de pessoas, o velório que corresse sozinho, mulher louca.
Já corria a boca pequena que a velha decapitava as pessoas e usava o caldeirão para ferver os ossos e o sangue, e com a espada imersa no caldo fazia as piores bruxarias, por isso era tão rica. As roupas ela ia usando em feitiços menores e mantinha no fundo do caldeirão um codinome para cada pessoa que havia matado.
Uma verdadeira bruxa, e como tinham violado seus segredos um grande mal pairava sobre a cidade.
Tributo.
A dor de não ti ter mais.
_Meu bom Deus, me devolve meu menino.
Eu não quis a guerra, o que é preciso para me perdoares?
Quatorze anos e uma metralhadora, o levaram para os céus.
Uma vala comum, uma vala comum.
Só te peço, me leva.
Eu não usei drogas, não roubei ninguém, não saqueei, não produzi miséria.
Eu só nasci no século errado .
O Brasil.
Por que meu Senhor? Por que?
_A senhora , tá fazendo o que?
_Rezando.
_Essa região esta sendo considerada área de combate ,a senhora tem que procurar um campo de refugiados, ou pode se alistar.
_Meu filho está nessa cova, eu não quero sair daqui.
_Minha senhora, a alma do seu filho é o que importa, aí não tem mais nada.
_Viva a revolução!
_A senhora mantenha a calma. Se alguém lhe ouve falar assim....
_Viva a ........ Revolução.
O soldado sacode os ombros da mulher.
_Dona Dolores, sou eu o Joca, filho da Maria do Carmo .Eu to tão triste com a morte do Léo quanto a senhora, mas a gente tem que continuar....fica calma.
_Não,......meu filho não.......me dá um tiro e termina com isso, por favor....
_Que tá acontecendo ,Soldado?
_Essa senhora tá com febre, ela tá delirando, perdeu o filho.
_...Viva ......a revolução!
Um olhar do Sargento , uma sentença, uma ordem. E o Joca filho da Maria do Carmo, com uma terrível tarefa, ..... um tiro .
_Mas ela não tá dizendo coisa com coisa.
_Se esse grito ecoar, quantos não vão se levantar, a situação é muito precária.
Morreu muita gente aqui, que não tinha nada com nada. Se começar um tumulto, muito mais gente vai acabar morrendo.
_........não pode ser outro? .........fui na casa dela muitas vezes.
Com um tiro certeiro na nuca o sargento resolve o problema.
Que merda de guerra.
O Joca volta a caminhar, os refugiados baixam a cabeça e se dirigem para os campos, aos poucos o grupo cai no mais absoluto silêncio e marcha , como gado, ordenadamente.
Que Nosso Senhor do Bonfim Abençoe o Brasil.
Fragmentos.
Na verdade era uma caixa feita de cristal , como um cubo .
As pontas onde as partes se encontravam estavam um pouco descascadas e a tampa, apresentava uma falha, talvez fruto de alguma batida, um objeto singular, sem sombra de dúvidas.O interior, todo almofadado e revestido de veludo vermelho. Uma caixa de espelhos , com o interior revestido de veludo almofadado. De quem seria aquela idéia esdrúxula?
É subitamente interrompido pelo vendedor :
_Mais alguma coisa?
_Sim, na verdade eu estou atrás de um prato de porcelana inglesa, eu trouxe um pires do mesmo padrão, será que você me consegue?
_É um pouco complicado, mas eu posso ficar com a peça e lhe dar um retorno em alguns dias.
_A minha esposa conseguiu derrubar, e ficou faltando só esse .
_Era da sua família ou o senhor comprou em antiquário?
_Da família da minha primeira esposa.
_Quem sabe o senhor me deixa seu telefone?
_Pois não. A caixa eu já vou levar.Com o pingente .
O presente perfeito logo na primeira loja, isso é que é sorte. Para completar , uma gargantilha , com um pingente de rubi, combinando com o forro.
A esposa do seu melhor amigo merecia um presente especial. Ingrid é uma bela mulher...nada que se compare com a jovialidade de Samantha.
_ Alô ?....
Eu estava procurando um presente para o aniversário da Ingrid, é hoje, lembra que eu te avisei?....Me esqueci do teu ensaio, quem sabe a gente almoça junto......Tu que sabe....Uma caixa de jóias de um antiquário.
Sábado, vinte para a uma .A jovem esposa ocupada até a noite, os filhos viajando , os netos no clube, e agora?
Veleiros ou Hípica? Que dilema.
Hípica.
_Marcos? É Dr. Campbell. Gostaria de reservar uma mesa , e de avisar que estarei visitando a hípica.....Uns quinze minutos.......Sozinho.
_Dr. Campbell, como tem passado?
_Bem, obrigado.
_Posso lhe ajudar em algo?
_Tem alguém da confraria aí hoje ?
_Sim, o Dr .Karl, está lhe aguardando.
_Obrigado.
_Karl, como vai o marido da nossa aniversariante?
_Fugindo dos preparativos.
_O que é uma excelente idéia.
_E a Samantha?
_Envolvida com a apresentação de balê.
E assim a tarde passa rapidamente, muitos elogios, boatos e trocas sigilosas de segredos do mercado financeiro...E lógico, os garanhões. Belíssimos P. S. I. e Árabes.
Samantha estava deslumbrante, o vestido longo contornando sua silhueta ,as formas bem definidas, esguia ,o rosto de boneca contornado pelo longo cabelo ruivo.
E Ingrid, a beleza madura, elegantemente vestida .O brilho dos olhos. O perfume.
A festa correu maravilhosamente bem, tudo perfeito.
Um toque de genialidade, do menu a decoração. Cada detalhe projetado.
Quando os convidados se retiraram, Ingrid não conseguia dormir, os preparativos e a festa em si, tinham lhe tirado o sono. Karl dormia como um anjo.
Foi agradecer aos empregados e dispensar a turma, que havia trabalhado muito.
Resolveu abrir os presentes, não sabia o que faria com tantas coisas, perfumes, jóias ,peças raras ,chocolates.....
No final uma caixa de cristal, linda,...........Samanta e Jack Campbell.
Que mimo, Ingrid ficou encantada com o presente, teve a impressão de lembrar de um objeto semelhante. Levou para o quarto, colocou sobre a mesinha de cabeceira e antes de dormir abriu e descobriu um pingente de rubi.
Nossa ,que extravagância, típico do Jack.
Aquela caixinha, o pingente, parecia que eram suas a muito tempo. Como se
fossem objetos perdido ou algo assim.
No dia seguinte logo que o horário fosse apropriado, ligou para agradecer o presente.
_ Dr.Campbell?
_Ingrid
_Jack? Liguei para agradecer.....adorei.
Um encanto.O cristal, parece que reflete tudo com mais beleza....Um beijo para Samantha.
_Já no telefone ,Ingrid?
_Olha só o presente do Jack.
_E da Samanta
_Poupe-me....
_O que é?
_Uma caixinha de cristal , com o pingente...
_Se não fosse do Jack, eu iria morrer de ciúmes.
_Bobo.
_Vem cá que tu ainda não recebeu o meu presente.
_Karl ! É lindo.....
Ingrid parecia uma criança , com seus presentes e comentários sobre a festa, os convidados.
O almoço hoje era com os netos, alegria da sua vida.
A caixinha não lhe saía do pensamento.
_Que caixinha bonita, vó.
_É linda, ganhei ontem.
_Não quer me dar?
_Bruninha, é falta de educação dar um presente que se recebeu, um dia eu te empresto, tá?
_Tá. Posso brincar com o cachorro?
_Pode, mas cuidado, vou pedir para a Margô te acompanhar.
_Mamãe , não devia deixar a Bruna brincar com o cachorro, vai se sujar toda.
_Deixa, se ela não puder se sujar agora imagina quando crescer?
_O Mano ligou , eles não se atrasar.
_Era de esperar.
_A vovó não tinha uma caixinha igual a essa?
_Desde ontem que eu tenho a impressão de que já vi esta caixinha.
_Ela deixava sobre a cômoda, com um rosário de pedras vermelhas.
_De rubi?
_Ela dizia que o rubi lembrava as pétalas de rosas e o sangue de Jesus.
“Fica sempre um pouco de perfume, nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas....”
_O que foi feito das coisas que eram da vovó?
_Foi tudo doado ,pela tua tia , acho que para o asilo da paróquia.
_Então? Vai ver que é a mesma caixinha da vovó.
_Jack me disse que adquiriu num antiquário. Devem ter transformado o rosário em vários pingentes.
_Uma vez eu deixei cair a da vovó e lascou uma pontinha da tampa, ela ficou furiosa. Tá aqui, a lasca. É a mesma caixinha sim.
_Meu Deus, que coincidência.
Karl achou a conversa enfadonha.
Nesse momento Bruna invade a casa seguida pelo enorme dinamarquês, Caterpilar. Que corre espalhafatosamente em direção a Ingrid, e com um
movimento do rabo, lança para o outro lado da sala a caixinha de cristal da vovó.
Ingrid corre, mas não consegue nem se livrar do beijo do cão ,muito menos salvar o objeto, que se estilhaça em mil fragmentos.
No chão o cristal parece desenhar um quadro sobre o fundo de veludo vermelho, na mistura de pedaços de cristal, tecido e pedra.
Um pequeno pedaço de papel de seda, dobrado com delicadeza , trazia a inscrição:
Para minha amada Beatriz do sempre seu Thomaz .Uma lembrança do nosso amor,neste dia tão mágico e feliz, cuide bem de nossa pequena Ingrid. .
Rio, 17/10/1932
Nada é proibido.
Marta atravessou a linha.
Lavou os pés.
Trocou as vestes .
Sentiu um toque suave em suas costas.
Virou e não encontrou mão alguma.
A lua estava muito alta, muito cheia.
O barulho das ondas convidava.
Ofertou a flor que trazia nos cabelos à Senhora.
O fim dos tempos foi chegando assim, devagar, em silêncio.
As coisas como eram antes já não existiam mais.
Vem pro mar, Marta.......Vem!
Os primeiros raios de sol
Abriram tempos novos.
Marta acorda com a água do mar banhando suas coxas.
Pés descalços.
Volta com ânimo renovado.
É inacreditável o que um pouco de liberdade é capaz de causar.
Sente-se leve.
Feliz.
Deixou todos os problemas nas águas.
Só precisa de uma boa hidratação.
Um desjejum com frutas frescas e cereais.
Alimentar os peixes e voltar a rotina.
Sente um solavanco.
O que está acontecendo?
Um homem segura seu braço.
Marta ainda esta deitada na beira da praia.
Não pode ser.
O braço cai pesadamente.
O homem cobre seu corpo com a saia do vestido.
E fazendo o sinal da cruz vai embora.
A Senhora devolve a flor
O destino existe para explicar o inexplicável.
O incompreensível .
É muito reconfortante saber que tudo já havia sido escrito, decidido.
Que os fatos acontecem assim por que tem que ser assim.
Marta acreditava em destino.
Ela acreditava que uma noite iria morrer no mar.
Imaginava as ondas lhe chamando :
_Vem pro mar Marta ...vem!
Ao amanhecer um homem ,destes que rolam pela praias, acharia seu corpo.
Marta tinha muita curiosidade, queria ter com Deus logo.
Só que nunca atravessava a linha que separa a tentativa do ato.
Não sabia bem por que.
Imaginava, desejava, anunciava, mas não fazia.
Levava a vida assim acreditando no seu destino.
Poucas eram as pessoas que acreditavam , quando ela tocava no assunto um certo constrangimento se fazia notar.
As pessoas mudavam de assunto.
_Marta quando tu for velha onde tu gostaria de morar?
A Marta só ria, ela velha?
Que coisa tola, ficar velho é coisa para louco.
Respondia uma bobagem qualquer.
Não enxergava nos velhos sabedoria, experiência, afeto, como as outras pessoas .
Via decrepitude e tristeza.
Dores e uma vida sem sentidos.
Talvez por que ainda faltasse muito para sua velhice.
Comprou uma casa numa praia pequena, bem em frente ao mar.
Vivia sozinha lá.
Pegava a estrada todos os dias, trabalhava, comia , bebia , namorava ,voltava.
No verão a praia era inundada por pessoas freneticamente tentando dar um sentido para suas vidas.
Precisavam se divertir, precisavam se esquecer de si mesmos.
E .
Lá estava Marta.
Com a teoria do destino , da necessidade de morrer jovem, com toda a energia e a beleza , a sensualidade da juventude.
Virava a madrugada, com uma fala eloqüente, fazia amigos, flertava, amava homens, quase infantes.
E o verão passava, os turistas iam embora.
A praia sossegava.
Marta também.
Só não contem para ninguém que ela não viu que aos poucos envelhecia.
E o destino?
A bela morte no mar?
No outro verão, em meio a muitas taças de vinho, defendia sua tese.
Quando um belíssimo garoto de olhos esverdeados, lhe perguntou:
_mas a final Marta quantos anos tu tem?
_a idade é uma coisa relativa, esta na cabeça da gente.
_e o relógio biológico não conta?
_pois saiba que eu nasci a vinte e oito anos.
_daqui a dois tu faz trinta, e aí tua teoria termina.
_velho é aquele que tem vinte anos mais do que tu.
Naquela noite Marta ia para casa parou em frente ao mar e ouviu uma cantilena assim:
_vem pro mar Marta... vem.
Oi, gente!
Inscrevi meu livro, Arquivo Poético, no Prêmio Moacyr Scliar promovido pelo IEL-RS, quando fui conferir a lista de livros inscritos tive uma desagradável surpresa: o prazo de inscrição tinha sido prorrogado, até aí tudo bem, pois aconteceu a greve dos correios e isso pode ter prejudicado alguns concorrentes. Mas uma outra coisa me chamou a atenção foi revogada a exigência de Depósito Legal, sem nenhuma explicação plausivel. Fiquei triste , pois eu na época em que publiquei o livro tomei o cuidado de cumprir com esta exigência.Ontem fui a feira do Livro e peguei um folder sobre: O que é o DepósitoLegal? "o depósito Legal pode ser definido como uma exigência da lei, de remessa a Biblioteca Nacional de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional, por qualquer meio ou processo"... Escrevo em blog há seis anos e as vezes faço coletâneas para salvaguardar meus Direitos Autorais, mesmo que todo o post tenha seus direitos autorais garantidos, pelo que sei. Muitas coisas ainda não registrei porque publico novidades praticamente de duas a três vezes por semana, no meu "túmulo internáutico" como algumas pessoas consideram os blogs de literatura. Não entendi a revogação da exigência no concurso e a impressão que fica é de que estamos diante de um "jogo de cartas marcadas". É Triste!Como as regras do jogo podem mudar no meio do campeonato??
Fernanda Blaya Figueiró
Lapidando a palavra
Meu trabalho
De uma vida inteira
São estes versos brutos
Cada novo poema
è um antigo poema
Refinado ou
Embrutecido
Tecido com sentimentos
Estamos vivendo um período
Corrupto da história do Brasil
Reúno meus versos
Para preservá-los da
Vilania
Fernanda Blaya Figueiró
5 de novembro de 2011
O olhar do espectador comum
Ontem fui a um ótimo painel sobre artes visuais - Um Ponto de ironia – organizado pela Fundação Vera Chaves Barcellos, onde falaram os professores Paulo Silveira e Felipe Scovino. Achei muito interessante a explanação e senti como faz falta a educação do olhar. O espectador comum, como eu, tem pouco conhecimento sobre o que esta vivenciando. Há muito tempo que desisti de entender a arte, adoro visitar exposições, mas como uma experiência sensorial, como comer um bolo. Não busco num bolo o seu significado, mas o sabor, a textura, a cor, o aroma, a sensação. Sempre penso: já que vou engordar com este bolo, pelo menos busco engordar com satisfação , detesto comer um bolo ruim, não vai me trazer a satisfação que eu queria e vai restar só os quilinhos a mais. É preciso comer o bolo ruim para apreciar o bolo bom. Fernando Pessoa já dizia “come chocolates, pequena … Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes...” em Tabacaria. No caso da arte não sei o que é bom e o que é ruim. Mas sei que algumas experiências me deixam leves e outras pesada. Por exemplo, ontem alguém citou o trabalho de Goya, e me veio uma lembrança: há alguns anos houve uma exposição de gravuras dele, eu soube pelo jornal, li só a manchete, então imaginava que iria chegar no museu e encontrar enormes telas com belos retratos coloridos e fui surpreendida por uma enorme coleção de gravuras do horror, que retratavam uma sociedade doente, malévola, deformada. Sai do museu e olhei para a rua, havia um grande jogo , acho que da Copa Libertadores da América, Porto Alegre estava transtornada, num clima de agitação, as ruas lotadas - pego o ônibus na Mauá - e por ali passavam legiões de ônibus lotados e cheios de um povo que parecia estar indo para uma batalha, batiam na lataria dos coletivos, soltavam gritos de guerra e foguetes. As imagens do museu pareciam ter tomado as ruas, o centro da cidade cheirava a adrenalina, pólvora, urina, fuligem. Pude imaginar os calabouços medievais sendo abertos. O impacto sobre mim foi muito forte, como uma pancada , como um desvelamento, tudo isso ainda acontece. É de nós que emana aquela energia e deformidade. Ou nossa natureza esconde também um pouco do horror. Será que nós não sentimos o odor dos presídios, a sua crueza, a sua barbárie e não desviamos o olhar, como deviam fazer os nossos ancestrais medievais? A mórbida etiqueta num corpo desconhecido para mim é uma denúncia, a ironia é que a gente não se choca mais. Como na poesia, quando tudo é permitido acabamos perdendo os parâmetros e ficamos livres para sentir. Voltando a um pequena confissão, sou natural de Cachoeira do Sul e a poucas semanas estive no museu visitando os trabalhos da bienal e ao entrar numa das salas voltei no tempo, ouvi uma velha canção entoada e me deparei com as “Águas Dançantes”, as vozes da minha infância, a beleza, a magia da minha terra estava ali. Senti na pele o calor e os pinguinhos do que a exposição não podia mostrar, quando o vento bate nas águas elas banham o espectador. Para mim ali tinha um encantamento. Não sei qual era o objetivo, qual era a proposição , mas este “Bolo” para mim foi surpreendente. Ganhei o dia, como dizem os trabalhadores. Acho que quando se escreve ou se expõe algo sempre há uma intervenção. As vezes só precisa um pouco de vento.
Fernanda Blaya Figueiró
Quem é o inimigo?
O mundo esta protestando! Em várias partes do planeta pessoas se reúnem para reclamar. E desta vez o inimigo não é um ditador, uma ditadura, um partido, uma tendência ideológica, um determinado país e sim um sistema político, social e econômico: as corporações. As pessoas estão se sentindo ameaçadas pelos bancos, bolsas de valores e pelas mega-empresas, ou corporações. O que está em jogo: a liberdade a segurança e o emprego. Liberdade de escolher onde, como, quando e para quem trabalhar. Como vivemos e fomos construindo a realidade deste forma, a globalização, uma ação e uma tomada de decisão de uma grande corporação ou de um banco afeta o mundo todo. Vamos “tomar” um exemplo: Coca- Cola. A que país ela pertence? Em que partes do mundo ela é consumida? Quantas pessoas dependem direta ou indiretamente de sua “riqueza”. Coca-cola tem vida própria. Saber quem as pessoas estão tomando por inimigo é algo fundamental para entender o processo sociopolítico que estamos vivendo. Judiciário, legislativo e executivo não estariam perdendo o seu formato? As mudanças que o mundo pede são mais voltadas a um grande remanejamento da forma de gerenciamento das grandes empresas do que uma questão de decisão do presidente de uma república, dos seus agentes legislativos ou judiciários. Os “soldados” desta batalha são os gerentes e administradores. Mas a principal força motriz deste novo fenômeno é a renda, o mundo não está pronto para enfrentar uma nova onda de pobreza, isso causa um grande sentimento de insegurança. Nem a desistir da autodestrutiva sociedade de consumo. Vamos sentar à mesa, tomar uma coca-cola e pensar sobre isso com clareza. O que precisa ser feito, (incluindo o poderoso marketing e os meios de comunicação), para que estas pessoas voltem a confiar que as coisas estão no rumo certo? Que suas vidas estão em segurança, que terão a liberdade de escolher e participar de seus destinos e principalmente que terão renda suficiente para viver bem?
Fernanda Blaya Figueiró
A Árvore da Vida – O filme
Ontem assisti ao filme “A Árvore da da Vida”, adorei! Não é para pessoas que gostam de filmes de ação , mas sim para quem entende que o cinema também pode, como sempre aconteceu, ser uma arte de reflexão. As imagens são arrebatadoras, como uma obra de arte, a sonoplastia é fantástica e a história muito bem contada. Eu fiquei encantada com o filme e o quanto , sem a falsidade da máscara da modéstia, minha poesia se aproxima dos conteúdos das artes de outras formas de expressão. Meu texto não é nenhuma grande obra, mas está longe de ser "desconectado" com o resto. Venho, de uma forma empírica, doméstica, livre, direcionada para o leitor comum, discutindo conteúdos que o mundo está discutindo. As transformações da nossa sociedade, a nossa relação com o universo e com deus. E as vezes parece que estou “fora de órbita” mas ao ver um filme como este, me sinto conectada com a arte. Sim! Minha arte é pequena, desconhecida, efêmera, inútil, mas encontra par nas outras coisas produzidas. E a rede é uma grande aliada nesta construção de um novo olhar sobre as coisas. A luz que abre e finda,no filme e mostra as transformações na vida do planeta em paralelo com a vida de uma mulher, de uma família mostram que somos pequenos sim, mas parte da vida do planeta. Me sinto com relação a minha poesia como aquela mamãe dinossauro, apertando a cabecinha do filho contra o chão, diante da eminência da morte. Ou como a mãe que entrega o filho ao Universo. Decidi republicar um poema meu que está no blog e também no meu livro, pois encontrei no filme uma correspondência com o poema e ampliei meu entendimento sobre ele. Megalomania? E daí! Chamem do que quiser! Como coloquei no poema Doce Delírio: A poesia é prima irmã da loucura. Poeta que não acredita em sua produção literária, não tem consciência de sua jornada e deixa a sua luz findar antes do tempo. Mesmo que nenhum poema fique ou seja lido, ele existe no momento em que é escrito. Não sei em que poema usei a expressão "Clara viscosidade do mundo". Mas foi assim que me senti no cinema mergulhada na clara viscosidade do mundo como dentro de um ovo.
Fernanda Blaya Figueiró
28 de agosto de 2011
Eis o meu antigo poema:
Fim da Contemporaneidade
Venho por meio deste poema informar que é finda
A Contemporaneidade
Vivemos a estética do todo, a Totalidade, idade do Todo
Nela não cabem mais fronteiras geográficas, étnicas, culturais, lingüísticas
O Todo é o ser humano novo, consciente de sua integração universal e cósmica
Lembrando que há ainda em cada um de nós a pré história, a antiguidade, a idade Média, a modernidade e contemporaneidade
A Totalidade não exclui nem nega as facetas de suas origens
Admite e respeita o homem ancestral e seus conhecimentos
Entende-se como partícula de um organismo maior chamado Planeta Terra
Que por sua vez é partícula de algo que não conhecemos ainda de forma precisa
Chamado, momentaneamente, de Universo
Entende que tudo o que sabe está limitado por sua capacidade cognitiva de perceber
Na medida em que a Totalidade for sendo vivida os segredos serão desvendados
Veremos o que sempre existiu: "A Árvore do Conhecimento”
E saberemos que é infinita, como são as nossas possibilidades de permanência
Os dinossauros vivem entre nós, transmutados em embalagens plásticas
O ser humano viverá no futuro transmutado em poeira cósmica.
Viva a Totalidade!
Viamão, 13 de janeiro de 2010
Presunto Gordo!
Não sei exatamente porque penso nisso nos últimos dias. Uma vez, há muito, muito tempo atrás como gostam os contadores de histórias, fui ao supermercado, a pedido de uma pessoa. Com uma missão, supostamente simples: comprar meio quilo de queijo e meio quilo de presunto. Hoje eu meço um metro e cinquenta e sete, com os cabelos esticados, então na época devia medir um metro e vinte. Cheguei no supermercado e fiquei na fila, que andava e ninguém me enxergava, até que a fila terminou e fiz o pedido. Para meu desespero a missão não era das mais simples. A moça me perguntou sem muita paciência gordo ou magro? Ei garota! O presunto quer do gordo ou do magro? Imediatamente disse: magro. Eu era gorda e ser gordo era algo odiável, desprezível, medonho. Quase um crime contra alguma imagem pré estabelecida. Quando voltei ouvi toda a forma de insultos: - Mas como presunto magro, isso é horrível! Não dá para nem para cumprir uma simples ordem. Onde já se viu isso é cosia de pobre( segunda coisa mais desprezível depois de gordo). Bom, voltei e tive que desfazer o engano. Como eu poderia imaginar que no caso do porco e do presunto ser gordo era uma qualidade? Lembro dos porcos na fazenda de meu avô confinados num chiqueiro pequeno e imobilizados pelo peso e de como os adultos falavam orgulhosos do peso que tal raça atingia, da cor rosada de sua carne, do lucro que gerava. Lembro da delícia que é um torresmo quentinho e da enorme quantidade de gordura que resulta. Nunca imaginei que um adulto que venerasse a magreza pudesse idolatrar o presunto gordo, e fazer dele o grande ingrediente de suas poderosas iguarias. Outro dia escrevi sobre a vontade e mais a necessidade de se desfazer das histórias tristes e incomodas. Mas, de tempos em tempos elas retornam a mente da gente. Como pode, algo que talvez tenha acontecido há trinta anos, tomar uma força e uma sensação de presença tão forte. Acho que isso é uma armadilha da mente. Pensei se deveria ou não escrever sobre isso. Inicialmente achei que não, mas deixaria esta “lembrança” voltar par seu lodo e ficar lá remoendo. O que mais me incomodou neste episódio, na época, foi a minha paralisia, a minha falta de reação. A minha falta de mecanismos de defesa. Hoje acho que presunto gordo é bom e o magro é mais saudável... Refleti um pouco sobre isso e me veio a imagem do fim do livro A insustentável leveza do ser. “- Missão , Tereza, é uma palavra idiota. Eu não tenho missão. E é um alívio imenso perceber que somos livres, que não temos missão.” Milan Kundera. Mas, naquele dia fui até a praia, para chorar um pouco, o mar estava tão lindo à luz do entardecer, que o presunto caiu num “falso” esquecimento. O mar me devolveu para a areia e disse: “Vai dar tudo certo!” E até hoje confio nele. Por pior ou mais nublado que o tempo esteja no fim vai dar certo e o sol vai aparecer. Sei lá se foi certo escrever sobre isso, ou se vou me livrar desta memória absurda...
Fernanda Blaya Figueiró
O Futuro é Maleável
Uma criança me fez a seguinte pergunta: Como eu imagino o futuro? Na hora disse que via um futuro belo e mantenho a minha opinião. Na minha opinião questões como sustentabilidade, manejo de resíduos, obtenção de matéria prima, adaptação as mudanças naturais e artificiais no planeta, etc... Serão facilmente vencidas pela humanidade, com eficiência e criatividade. O que mais me preocupa com relação ao nosso futuro e do planeta é a nossa dificuldade em compreender e aceitar as diferenças, nos dias de hoje nossas crianças estão sendo artificialmente padronizadas. Todos tem que responder a um padrão muito estreito de comportamento, as que desviam um pouco do “normal” já no berçário são monitoradas e taxadas. Isso me preocupa pois no futuro talvez faltem crianças com mais ímpeto e criatividade por terem sido tolhidas desde pequenas e enquadras num tipo específico de comportamento “calmo” e “submetido” pela educação ou pela medicação. Procurando cabelo em ovo? Pode ser! Nos dias de hoje a busca por “proteger” e “controlar” o comportamento e a vida das crianças com super estímulos e uma pressão muito grande em direção ao sucesso pode estar criando uma geração padronizada, sem permitir que as diferenças apareçam. Serão estas crianças que modificarão a sociedade e estão crescendo em um ambiente hiper controlado e dominado pelo medo. Alguma novidade? Pouca já que o medo tem sido utilizado como forma de controle ao longo da nossa história.
Hoje foi afastado o diretor de uma agência internacional que teve a coragem de retirar um "A" dos Estados Unidos da América, pense bem o presidente do país passou um mês inteiro dizendo: se não fizermos mudanças não teremos como pagar as nossas contas. Alguém chega e diz: senhores investidores vocês ouviram o que este presidente e sua comunidade está dizendo? Como punição por verbalizar aquilo que todo mundo já tinha ouvido ele foi afastado. Aqui na nossa comunidade há poucos dias um motorista de ônibus dirigia embriagado e o seu colega cobrador chamou a polícia e o denunciou. Um repórter perseguiu o cobrador indagando: Porque você foi fazer isso com seu colega? Como se o cobrador fosse um alcagüete. Ele fez o que era certo, provavelmente salvou a sua vida, a dos passageiros, a dos pedestres e a do motorista. O futuro esta sendo construído por nós o tempo inteiro. Acredito que as nossas crianças, adultos de amanhã, vão saber diferenciar o que é certo e o que é errado, vão saber moldar a realidade e inclusive vão superar o molde que as limita. Acredito que entre as nossas crianças nascerão as soluções para os problemas do mundo. Certamente nascerão novos problemas, que necessitarão de novas soluções e assim vamos caminhando. Talvez no futuro se diga algo como: imagina eles tinham “Bolsas de Valor” , “Mercado”, “Estados”, “Ônibus” , “Escola”, Fábrica”, “Museus”, “Bibliotecas” , “Arranha Céus”. Provavelmente tenham sido visitados por Ets, o Homem da antiga “Contemporaneidade” não teria condições intelectuais para algo tão desenvolvido e ao mesmo tempo tão autodestrutivo.
Mas, fechando, para mim o futuro será melhor e pior, ou talvez exatamente igual, tomara que esta transição seja lenta e gradual e que a Humanidade não precise passar por uma nova “Idade Média” uma idade de "Trevas" que separa os tempos de "Iluminação".
Fernanda Blaya Figueiró
23 de agosto de 2011
A culpa
Um dia desses uma jovem me disse assim: - Estou cansada de colocarem a culpa dos problemas do mundo nos pobres. - O pobre não é um problema! Continuou. Respondi a ela que o pobre realmente não era um problema, mas que a pobreza era algo que precisava ser vencido pela humanidade. Acho que minha resposta foi um pouco ingênua, porque muitas vezes vemos e ouvimos a associação entre os problemas de uma comunidade relacionadas ao pobre. Como se a sujeira das nascentes, por exemplo, fosse culpa dos moradores de periferia. Os incêndios provocados pelos gatos e construções irregulares. Os crimes pelos marginais, o pobre que não se encaixa no sistema. Os deslizamentos são culpa do tipo de construção das casas onde o pobre habita. Alguém tem que levar a culpa: o pobre. E a equação fica resolvida e quem não é “o pobre” vai trabalhar na formação de uma consciência. Talvez a consciência de que não resta ao pobre outra realidade. Ele mora onde “sobra” lugar, o talvez onde “falte” lugar. Quem é esse sujeito: O pobre? A super lotação do mundo, as falhas do sistema de educação, saúde, cultura, segurança, existem porque “O pobre” tem muitos filhos? A jovem com quem falei tinha razão: o pobre, no mundo atual, tem umas costas largas. Acho que para vencer a pobreza teríamos que desvendar a natureza humana, com mais cuidado. A velha máxima “Conhece- te a ti mesmo” deveria ser resgatada, não que em algum momento tenha sido esquecida, mas quem é o ser humano? Será que conhecemos nossa humanidade tanto quanto deveríamos? Porque a pobreza é tão intrínseca à sociedade? Tão humana? Com essa jovem eu gostaria de aprender. Na minha visão curta e ingênua do mundo estamos caminhando no rumo de coisas melhores, estamos nos adaptando, criando e destruindo o tempo todo. Tento trabalhar a minha própria consciência, quem eu sou e represento neste complexo todo. Como classe média minha condição é intermediária entre os mundos do “rico” e do “pobre” , posso transitar entre eles e fico longe dos dois extremos os “mega ricos” e os “miseráveis”. Só que o sol é o mesmo para todos nós. A água é a mesma. A jornada é a mesma. A vida e a morte estão presentes da mesma forma.
Fernanda Blaya Figueiró
29 de junho de 2011
A Ponte
Essa é a história de um limão. Bem, porque ela se chama de ponte? Porque a ponte é uma coisa que liga um lado ao outro, normalmente passa sobre a água. O que isso tem a ver com a nossa história? Ainda não sei bem, talvez você possa me ajudar a encontrar algum sentido nisso. Pois bem, o limão era um cara muito azedo, vivia de mal com a vida, pendendo de um galho de árvore, ele achava que seu azedume era culpa do limoeiro, ou da jardineira. O que ele não sabia era que todo o limão é azedo e que quanto mais azedo mais vale. Isso mesmo imaginem só se tudo no mundo fosse docinho como mel? A vida seria um pouco sem graça, você não acha? Mas, voltando ao nosso personagem, ele vivia muito emburrado, até que um dia foi colhido, com todo o carinho, por uma senhora toda encurvada, que andava muito gripada, ela olhou para o limão e disse: - Meu filho, você vai salvar a minha vida... Como assim? - pensou o limão, sem entender nada. Eu, azedo desse jeito, vou salvar a vida de alguém? Pois é! A Jardineira pegou um espremedor, um bule, uma concha e uma peneira. Além de uma pequena faca. O Limão não entendeu nada. A boa senhora foi explicando tudinho, acreditem que ela falava o tempo inteiro com o bule e até com o chuveiro... Que chuveiro? Ah, esqueci, antes de mais nada o limão tomou um banhão, depois ganhou uma massagem, foi partido pela faca, espremido diretamente no bule, onde estavam as folhas frescas de agrião. Com a concha a jardineira mexeu bem o conteúdo e juntou um pouco de água e no final uma colherada de mel purinho. Atchim!!! Ainda disse ela. Pois bem nosso antigo limão agora estava transformado em um rico xarope doce, nutritivo e quentinho. E a peneira? Com a peneira a senhora faceira, coou o maravilhoso e perfumado límão, que viu ficarem para trás seu bagaço, suas sementes e sua casca. A senhora bebeu todo xarope e deu “Adeus!” a gripe. O limão? Atravessou a ponte, como eu contei lá no início. Vem cá que parte você perdeu desta história?
Fernanda Blaya Figueiró
14 de junho de 2011
Convivendo com a diferença na linguagem
Estou muito feliz com a flexibilização da ensino da língua portuguesa. As línguas são vivas e estão em constante mudança. Hoje em dia acho que nem poderíamos falar em “uma” língua portuguesa falada no Brasil, mas nas várias línguas faladas no Brasil. E mesmo nos estados há diferenças fundamentais, dependendo as vezes da origem das pessoas que compõem as cidades, a forma do ensino e de comunicação. Eu, particularmente, sempre tive muitas dificuldades em entender algumas questões da língua portuguesa e sempre achei o ensino de português cansativo e enfadonho, mesmo assim conseguia minha média sete e “fui levando”. Mas, em contrapartida, sempre adorei a palavra escrita e a leitura. Assim como gosto de ouvir as diferentes formas de falar. “Certo ou errado” são conceitos que estão sendo vencidos, que bom, assim poderemos progredir. Na minha opinião a língua poderia ser simplificada, mas isso levaria muito tempo e quando se decidisse qual era a nova norma culta, o povo já teria inventado alguma outra coisa. O culto estaria sempre correndo atrás do popular. Então acho que este conjunto de regras e exceções que compõe a língua deve continuar por mais algum tempo, enquanto ainda conseguimos nos comunicar. Já a comunicação na internet está mudando gradativamente a escrita, ninguém tem tempo para esperar os dedos em sua defasagem com relação a rapidez do pensamento e a urgência das outras coisas. Fiquei preocupada com meus erros, que estão ficando muito freqüentes, e cheguei a uma conclusão ao buscar informações na rede: não sou só eu, os erros estão se tornando muito comuns. Inversão de letras, subtração ou uso inadequados de palavras e a conjugação, estão acontecendo muito! Desde pequena ouço que quem lê muito aprende melhor a usar a língua escrita, desconfio disso. Para mim a leitura abre uma outra dimensão, dificilmente noto a grafia das palavras, ou a conjugação, me atenho ao conteúdo do que está escrito,a beleza, o medo, a emoção que sugere. Uma palavra para mim vira um som e uma imagem, descola do livro ou da tela. Agora se for chato e pesado fica grudada ao papel e então indecifrável. Há diferentes, leitores, escritores, faladores. Há diferentes formas de se relacionar com a língua falada ou escrita. E uma não é mais certa do que a outra: é diferente. Não quero cometer um erro mas acho que essas idéias são de Emília Ferreiro e Paulo Freire. Eles absolveram alunos, que como eu, ficam na média sete e até os que ficam com uma média menor. Outro mecanismo que eu acho que vai se instalando é o “efeito calculadora”, como o word corrige os erros de digitação, passamos a não nos preocupar mais com eles, como não fazemos mais cálculo nenhum, assim não enxergamos mais. Meus erros acabo notando, muitas vezes, só depois que já enviei a mensagem, ou já postei um poema. Além é claro de fazermos muitas coisas ao mesmo tempo e dividirmos a atenção entre as inúmeras janelas abertas. A sorte é que como nada , na rede, é fixo, pode ser rapidamente corrigido. Acho que sempre se errou muito, senão os jornais e editoras não teriam revisores e mais revisores. Da minha parte estou feliz, ainda nos entendemos! Acho que os professores devem continuar tentando manter a unidade da língua e encontrar formas divertidas de ensinar. Mas, entender as diferenças e encontrar lugar para estas diferenças na sala de aula, no mercado de trabalho, nas artes, nos grandes meios de comunicação. Os diferentes usos da língua portuguesa falada no Brasil.
Fernanda Blaya Figueiró
17 de maio de 2011
1ª Avaliação
Hoje na Cataventus fizemos o primeiro teste da atividade proposta. Durante o trabalho do grupo no Projeto Usina da Educação, na Usina do Gasômetro.
Achei muito bom, misturamos leitura de poemas, Contação de Histórias , desenho e um bom bate-papo. Surgiram ideias muito boas, a gurizada primeiro disse seu nome completo, sua idade e o bairro em que morava ( não escrevemos pois eles tinham um crachá que já dava essa informação, eles foram convidados a pensar sobre seu nome, seu bairro, sua escola. Trabalhamos o poema Terra Viva – Viva Terra e eles interagiram com o material visual. Cobraram a “falta de verossimilhança” : O gato muito maior do que a girafa , num dos painéis. Combinamos que era apenas uma representação simbólica e com esse acordo a coisa fluiu muito bem. Depois fizeram a atividade gráfica e apresentaram para os colegas. Nesta etapa cometi um erro bem comum, o grupo que terminou antes não tinha o que fazer, esse tempo ocioso acaba levando a uma pressão em quem ainda não terminou e a bagunça no resto do grupo. No fim iniciamos as apresentações e nem todo o grupo tinha terminado. Então a parte mais importante que seria ouvir o outro acabou um pouco prejudicada. Mas, o grupo terá novos encontros e neles poderão reapresentar e comentar a experiência.
A frase “A Sala de aula na minha vida”, teve bastante impacto. Acho que cumpriu com a sua função.
Para uma primeira tentativa a atividade foi muito boa, o material ficou na Cataventus e será iniciado um Álbum com esses registros, já como atividades de preparação para o Forinho 2012.
Na minha avaliação teríamos que pensar em dois momentos . “A sala de aula na minha vida” e o outro “ Terra Viva- Viva Terra”. Acabou sobrando tempo. Gastamos +- 45 minutos em toda a atividade.
Combinei que postaria algumas fotos no blog, tiradas pela Fernanda Contadora de história que trabalha com o grupo, e a Cataventus também irá postar.
Foi muito legal, obrigada turminha da Escola José Loureiro da Silva.
Fernanda Blaya Figueiró
Oi, gente
a Pedido da Cateventus pensei num atividade bem simples que pode ser utilizada em outros grupos também, vamos praticar o desapego...
Proposição de atividade lúdica com alunos, contadores de história e professores.
Proposição: Solicitar ao grupo que está sendo trabalhado que escreva todo o seu nome, sua idade e o nome do local em que vive e trabalha. Pedir a essas pessoas que olhem um pouco para estes dados e logo em seguida pensem sobre sua trajetória. Então pedir que cada um faça o relato da sua história sob o seguinte mote:
“A sala de aula na minha vida”.
Aí alguns vão perguntar como assim? O que eu tenho que fazer? Eu não entendi direito?... Aqui devemos cuidar para não induzir o pensamento e propor que cada um fale sobre suas experiências como aluno, como educador ou contador de histórias. A ideia seria despertar na pessoa uma consciência sobre o seu fazer diário. Estou lendo o livro “Qual é a tua obra? Mario Sérgio Cortella” - editora vozes, é de fácil leitura e muito interessante. Não custa muito, R$ 21,00 e é bem fácil de conseguir. Poderíamos sugerir como leitura caso alguém queira dar continuidade à reflexão. Ou que a biblioteca da escola ou centro comunitário tenha um exemplar. Até pensei em doar o meu para a Cataventusm, só que com o tempo terei que adquirir novamente e isso acaba se tornando caro.
Outra boa pergunta seria: Como fui me tornando um Contador de histórias?
Importantíssimo seria preparar o grupo para ouvir o outro e não só contar a sua história “Gente arrogante se relaciona com o outro – por conta do dinheiro que carrega, por conta do nível de escolaridade, por conta do sotaque que usa – como se o outro não fosse outro. Fosse menos. “ Mário Sérgio Cortella.
Dentro da ideia de permacultura, que o pessoal do meio ambiente usa, quem quiser pode desenvolver no seu grupo, na sua cidade. A ideia surgiu ao pensarmos sobre desenvolver uma atividade com professores no futuro Forinho, que talvez aconteça em 2012, acho ótimo pois é o ano que temos que cuidar bem da Terra, parece que ela vai "renascer" neste ano. Há uma comissão trabalhando nisso e meu contato com esta comissão é a Cataventus: cataventus@cataventus.org.br. Mas, há um endereço específico para essa organização que é: forinho2012@cataventus.org.br. Qualquer dúvida, sugestão, crítica cronstrutiva deve ser enviada e eles e será bem recebida tenho certeza pois o "grupo" é de feras, gente que já faz trabalho voluntário há muito tempo..
Beijos
Fernanda Blaya Figueiró
9 de maio de 2011
A minha Catarse até já fiz, publiquei depois retirei o post, achei que estava meio longoe um pouco chato.
Mas publico movamente
Memória - Literatura, Política e Educação...
Nunca imaginei que um dia sentiria falta da linguagem da inesquecível Dercy Gonçalves e nem da crítica afiada do saudoso Paulo Francis. O que os dois tinham em comum, não eram nem um pouco comuns. Política e educação são dois assuntos que gosto de observar com uma certa distância, mesmo sendo formada em pedagogia e convivendo com muitos professores, minha mãe era professora, faço contação de histórias e leituras em escolas e centros culturais, trabalhei em uma editora especializada sobre o assunto, no setor de vendas. Sempre achei que era atribuída a educação um poder de transformação muito maior do que o real, acho que isso ajudou a criar alguns mitos entorno do assunto. Já com a política mantenho uma reserva por acreditar que tenho um entendimento muito limitado e por desconfiar de seu poder de envolvimento. Diria que ambas as profissões esbaram em “fogueiras de vaidades”, não mais nem menos dos que as artes e a comunicação. Uma das minhas primeiras grandes decepções com a política aconteceu num ano peculiar, 1982( ano em que a seleção brasileira tinha um dos melhores times do mundo e perdeu o título) e aqui no Rio Grande do Sul Pedro Simon perdia as eleições para Jair Soares por 1% dos votos, além de termos a morte abrupta de Elis Regina, eu era fã incondicional dela. Eu tinha 14 anos e nada entendia de política, de futebol e de educação, mas havia terminado de ler o Tempo e o Vento ( algo que hoje acho que foi precipitado, principalmente a parte do Retrato, em que através do personagem Dr. Rodrigo, Erico Veríssimo dá uma verdadeira aula sobre política, história, educação e diria também de filosofia e alguém com 14 anos não tem como processar toda aquela vasta informação, acredito que eu tenha “lido” mais a parte romântica, que é linda, sem conseguir entender a complexidade das reuniões e diálogos entre os personagens, lembro de ser amplamente discutida a questão do pensamento positivista, entre outras) além de estar lendo A idade da razão e o Muro, de Sartre, abordando assuntos dos mais diversos possíveis da existência, a morte, a guerra, sexualidade. Fiquei profundamente abalada com todas as derrotas e descrente de algumas coisas. Foi no ano seguinte que li alguns fragmentos de Zaratustra e muitos romances, incluindo Lia Luft, Clarisse Linspector. Li uma das melhores cronicas de que tenho recordação Homem da Guerra quem és? De Saint Exupery, nunca mais encontrei o livro que continha este. Na poesia só lia Drumonnd e Manoel Bandeira. Isso tudo na biblioteca do Colégio Roque Gonçalves e na biblioteca municipal de Cachoeira do Sul. Quando entrei no segundo grau tive um sério problema com a literatura, aos livros eram obrigatórios e o estudo voltado para o vestibular. Lá fiz minha primeira opção errada, optei por Laboratório de Análises Químicas ao invés de Auxiliar de Escritório, porque meus amigos todos estariam na química. Perdi a grande chance de aprender datilografia, até hoje “cato milho” e digito olhando para o teclado o que me faz passar muita vergonha, as vezes passo mensagens e publico textos cheios de erros graves, e perder agilidade, além de enrijecer as articulações. Em 1985 casei, aos dezessete anos, casamento que já completou bodas de prata, meu marido estudava direito na PUC e jornalismo na UFRGS, falo pouco nele por sua solicitação. Tive gêmeos João Gabriel e Luiza, que hoje já são ambos advogados. Diretas Já! Tancredo e um Brasil eufórico. Eu estava totalmente mergulhada em fraldas. Me inscrevi no vestibular de psicologia na PUC, que então tinha um teste psicotécnico, no qual não passei, mas onde conheci Tânia Simon. Uma parte da dinâmica era realizada em duplas e eu fiz com ela. Foram apenas alguns dez minutos, mas impressionantes, nunca havia conhecido alguém tão fascinante. Eu na época não teria mesmo como bancar a PUC e acredito que o curso não era para mim. Na verdade eu não sabia exatamente o que queria cursar, algo muito comum entre os jovens. Prestei o vestibular para Pedagogia na UFRGS, passei. Foi uma experiência maravilhosa o curso, principalmente na minha relação com meus filhos e seus amigos, mas no quarto semestre tinha que decidir, continuar, largar, optar por séries iniciais ou por educação pré-escolar. Rodei em uma cadeira e acabei ganhando um semestre para pensar. Optei por concluir o curso com habilitação em educação pré-escolar, acho que em em abril de 1992. Escolha pautada por gostar de contar histórias e da parte mais lúdica da educação. Nos anos seguintes tive pouquíssimo contado com a literatura, só com literatura infantil,em virtude do trabalho. Fiquei atuando pouco tempo como educadora, sentia vontade de fazer algo mais livre. Além de me envolver muito com as situações familiares das crianças, seus problemas, seus conflitos, viravam meus problemas e conflitos, além é lógico de ter meus próprios “leões para abater”. A eleição do Collor e a derrota do Lula foram outras grande decepção para mim e para muita gente. Nunca fui petista mas achava que era um partido sério e votava na legenda e em alguns candidatos. Sempre votei em Jussara Cony (engraçado que não sabia na época de sua ligação com a literatura que hoje nos aproxima nos Saraus), Pedro Simon e Lauro Hagemann. Mas sempre mantive com a política a distância regulamentar, sempre achei que era algo complicado de lidar. Ao retomar o contato com a literatura comecei a construir a idéia de ser uma escritora parei de eliminar meus escritos e passei a mostrar, depois de um período de terapia, outra coisa muito comum. Neste caminho é quase impossível não esbarrar com a política. Porque os conteúdos não se separam eles se tangenciam. Escrever é um ato político. Escrever é um ato pedagógico e com reflexos na sociedade. Se eu quiser realmente escrever de uma forma livre tenho que encontrar em mim a sabedoria de Dercy Gonçalves e de Paulo Francis, não que eu vá atingir a genialidade deles, mas tenho que chegar perto da força expressiva e da coragem. E quem for atuar na política tem que encontrar em si os grandes políticos, quem os levou a este palco? Se alguém me perguntasse: Alguma vez tu pensou em ser comunista? Eu diria que não. Mas já votou no partido, respondo que sim. Eu diria eu sou muito antiga voto nos homens e não no partido, mesmo tentando entender que estes partidos representam uma idéia de mundo e que os homens representam as idéias de seus partidos. Que idéia eu esperava da política e da educação: a Poiésis Socialista, que aprendi lá com o professor de Filosofia de Educação Balduíno Andreóli. A idéia de educação que levasse o homem a ter no trabalho uma gratificação e uma superação, associada a um tempo livre para aproveitar a vida. Uma política que levasse a uma sociedade justa, sem abismos entre classes e sem a privação da liberdade. Pelo menos foi o que pude apreender da leitura das cartas de Antônio Gramsci , isso já faz tempo, pra lá de vinte anos, talvez eu tenha entendido tudo errado... Teria que reler tanta coisa. “É demasiado tarde!” Erico Veríssimo. Ainda bem que inventaram a outra... encarnação... uma parece meio pouco. Ou tudo não passe de peso morto, devo enterrar meu amigo cadáver e seguir mais leve. Lembrei Milan Kundera, tenho na gaveta.
Fernanda Blaya Figueiró
29 de março de 2011
O Fóssil!
Era uma vez uma antiga e abandonada Carteira, que vivia perdida e empoeirada no fundo do fundo de um armário, sob pilhas de papéis, fotografias e documentos. Até que um dia ela viu a luz amarelada da escrivaninha. Com o coração batendo aceleradamente, as faces ruborizadas e um olhar enigmático sua dona a contemplava. Ao abrir o documento e vislumbrar a antiga fotografia ela quase não se reconheceu. Hesitante partiu com o documento na bolsa para seu importante compromisso.
-A senhora tem experiência neste ramo?
-Não!
-Porque a senhora decidiu procurar esta empresa?
-Porque ando cansada de trabalhar por conta e gostaria de mudar um pouco.
-Por conta?
-É. Eu produzo e vendo produtos artesanais e conto histórias.
-A senhora pode começar segunda?
-Como assim, eu consegui o emprego??
-Sim! Vamos fazer um contrato de experiência... A senhora quer mesmo trabalhar?
-Mas é claro... é que todo mundo dizia que eu não ia nunca conseguir... Que ninguém ia me contratar para nada.
-Segunda então, fica bom?
-Ótimo!
-A sua carteira, por favor!... Se a senhora não largar eu não posso pegar...
-Claro, eu tenho que largar, né? Será que eu não tenho que fazer outra?
-Não, esse documento não vence... Aqui tem o registro de seus outros empregos... A senhora pode largar?
-Posso!... É que tá guardada há tanto tempo.
-Sei!... Olha! Que bela foto, a senhora hein!!
-Isso faz tempo!!!
-Então sua carteira vai passar a contabilidade... Vejamos se tem todas as folhas...
-Tem todinhas!
-E esse caroço?
-Caroço? Onde? Deixa eu ver!
-Parece uma traça... Ou o fóssil de uma traça...
-Nem tinha notado!! Isso estraga a carteira?
-Não!... Mas eu nunca tinha visto algo assim!
-Posso ficar com o fóssil?
-Pode, mas a senhora vai fazer o que com isso?
-Guardar de recordação... Sabe mocinha que muita gente tem vergonha de trabalhar... Você não imagina o que eu já ouvi por estar procurando este emprego... Parece que eu tô cometendo um crime...
-Eu que sei! Comecei aqui limpando o chão... estudava no turno inverso... fiz mil e quinhentos cursos e passei por quase todos os departamentos. Eu entendo bem a senhora! Mas, nunca esquentei a cabeça com isso... Agora estou aqui gerente de RH de uma das maiores empresas do estado. No fim deu tudo certo. Sempre dá tudo certo!
-Sabe duma coisa? Vou jogar esse fóssil pela janela e libertar ele e a mim mesma.
- A senhora faz muito bem!
Minha homenagem a todos os trabalhadores, formais ou informais, e a todas as formas de trabalho. Em especial a uma grande amiga que me emprestou este relato(ou algo semelhante a ele) mas que não quer ser identificada, admiro muito sua coragem e capacidade de reação.
Fernanda Blaya Figueiró
22 de abril de 2011 para o Dia do Trabalho
Textos do Blog – 2012
O Gnomo é nosso!
A poderosa imprensa britânica volveu seus olhos para o Brasil, falando mal de nosso Gnomo.
- Haha, huhu, o gnomo é nosso! Eles que vão buscar elfos em suas esquecidas florestas. Não entendo nada de economia, mas se os ingleses estão incomodados é por que algo na politica econômica do Brasil está correto. E vale tudo na busca do investidor perdido. Quando tem capital em jogo é bola pro mato...Acho que baixar os juros vai aquecer a economia, mas é preciso investir na qualidade dos serviços públicos, sem onerar a folha de pagamento. Como? Modernizando as repartições públicas, qualificando o funcionalismo e trazendo da iniciativa privada conceitos como o de qualidade, eficiência e tantos outros programas desenvolvidos pelos estudiosos dos recursos humanos. Com menos impostos, na minha opinião, diminuirá o espaço para a corrupção, haverá menos dinheiro nas esferas públicas e mais na iniciativa privada. Os gestores públicos terão que aprender a criar parcerias e trabalhar solidariamente com a iniciativa privada. Cabe a o empresariado evitar as velhas armadilhas da corrupção, como fraudes e esquemas nas licitações, por exemplo. Quanto a grande mão de obra brasileira terá que ser de alguma forma reeducada, com cursos de formação, programas de recolocação e “pasmem” uma reforma na legislação trabalhista. Hoje é quase um suicídio para uma empresa contratar funcionários, pois parece que a legislação olha para o empresário como se ele fosse um bandido. Grande parte da mão de obra está manhosa e viciada. Uma grande parte da força motriz do pais não quer mais um trabalho e sim um encosto. É preciso mudar isso, ou a Previdência Social vai entrar em colapso. Claro que há também bons trabalhadores, responsáveis e bem qualificados, contratados a peso de ouro, em todas as profissões. Além de um contingente de estrangeiros que estão de olho no promissor mercado de trabalho brasileiro. As migrações vão acontecer neste cenário de crises e de falta de emprego. E isso é fantástico, diria até que é parte da natureza, criar um movimento no planeta para desacomodar as etnias e fortalecer as futuras gerações, digo que com a vinda de haitianos, nordestinos, colombianos, que estão entrando aqui no Rio Grande do Sul principalmente na construção civil, em cinco anos estaremos com nossas creches lotadas de novos “gauchinhos”, com sotaques diferentes e culturas importadas. Essa renovação cultural é saudável mas precisa ser percebida, para que as cidades e o estado consigam lidar com as diferenças, com as expectativas e dar saúde, segurança, educação, moradia, acesso a bens culturais, esportivos, turísticos, tudo com qualidade. Então senhores poderosos jornalistas ingleses: - O gnomo é nosso e não abrimos mão! Procurem em suas florestas um para vocês.
Fernanda Blaya Figueiró 30 de dezembo de 2012
Uma nova perspectiva
Acabou o calendário Maia, aqui na minha Terra com uma renovadora chuva de verão, parece que já há uma nova perspectiva de fim para dois mil e dezenove. Esse fim do mundo foi dos “mais dez”, rendeu muito, deu o que falar gerou literatura, música, cinema, pousadas, estoque de mantimentos, piadas... Fica um certo sentimento de vazio, com esse futuro imensurável pela frente. Mas também pode servir para uma reflexão sobre viver um fato histórico. Para quem for pesquisar sobre esse fato daqui a uma década por exemplo, pode ficar a impressão de que todos nós estivemos envolvidos intensamente com esse fato e que houve de fato pânico, muito medo, uma verdadeira crença apocalíptica. Já nas crianças esse período ficará marcado como uma ameaça real. Isso nos pode levar a rever a nossa visão da História da Humanidade, será que os fatos foram realmente como imaginamos? Os fatos não iriam se deformando com o tempo? Assim como as personalidades da história, como seriam? Como os antigos sentiam a possibilidade da eminência do fim e como nós sentimos? Quanto de verdade e quanto de criação artística ou artificial existe numa narrativa? Como será o mundo depois do dia em que não acabou? Qual passo nos aguarda? A conquista da vida fora do útero da terra? Tenho para mim que o Homem ainda não foi de fato até a lua, mas que o fato histórico da ida a lua modificou o discurso das autoridades e despertou para a necessidade do cuidado com a natureza. Talvez uma tomada de consciência sobre a nossa fragilidade e a impossibilidade de nossa sobrevivência fora da Terra. Dependemos dela e ela não depende de nós. O leitor pode estar um pouco enfadado e achando que esse texto é mais um monte de blablabla sobre o extenuado assunto o fim do mundo, confesso que não ia escrever nada, mas fui vencida pela vontade do texto de ser escrito. Não sabemos nada, nem a quanto tempo estamos aqui e nem até quando estaremos. Nosso conhecimento é construído assim, contado e recontado. Vou dizer algo que pode parecer crueldade, mas não é, é só uma reflexão. Essa semana ouvi uma notícia sobre um casal que conseguiu escolher entre doze embriões seus, dois saudáveis e tiveram um lindo bebê, o outro embrião implantado não sobreviveu e os outros dez? Imediatamente pensei o ideal nazista foi repaginado. Os médicos diziam que precisamos vencer alguns Tabus e permitir maiores manipulações genéticas. Vamos assim novamente brigar com a natureza. Vamos chegar a uma humanidade pura. Pura de pulga. Não vamos mais transmitir geneticamente algumas doenças, depois serão algumas características físicas, de personalidade. A natureza irá criar novas doenças, novas personalidades, novos problemas. Isso irá evitar muito sofrimento afirmam os cientistas, tenho minhas dúvidas sobre isso. Estamos acostumados a pensar que gera sofrimento o pobre, o desvalido, o doente, o bandido,o desajustado. Os maiores sofrimentos deste ano foram provocados pela fúria da natureza, que sempre existiu.Por “pessoas sobre pressão” quantas explosões de homens bomba ocorreram, quantos massacres? Sandy furacão, Sandy local de Infanticídio. Vamos colocar nossas vidas em perspectiva.Talvez um jovem brincando e rindo numa aldeia pobre de alguma parte do mundo seja mais feliz do que o jovem que morava num belo bairro americano e que se “suicidou” levando com ele outras vidas, como fazem os jovens que servem ao tráfico ou a grupos fundamentalistas. A tragédia é a mesma. Abram os olhos amigos, estamos aqui no período histórico em que o ser humano está se transformando geneticamente,artificialmente. Precisamos pensar sobre isso. Precisamos nos adaptar a isso. Precisamos contar essas histórias, sob um grande prisma. Não é mais ficção, é realidade. Outro dia soube de um local no México em que são armazenadas diversas sementes de milho e outros grãos, com a intenção de preservar as espécies. Na ficção científica existe já imagens de seres humanos entubados, ou conservados no gelo. Acho que em breve isso será verdade.Vinte e um de dezembro de dois mil e doze foi um dia qualquer e ao mesmo tempo foi um dia surpreendente. Querendo ou não, iminente ou não o fim esteve em pauta. O mundo não será mais o mesmo depois de hoje.
Fernanda Blaya Figueiró
PS: Escrevi este texto no meio da tarde, quando fui publicar o computador trancou... Essa maquininha tem coisa de quinze dias. Buenas, tentei tudo ligar novamente, tirei o plug da tomada, nem precisava pois tinha bateria, control + alt.+del nada, esc, nada... Liguei para minha filha e ela disse_ Calma, não é o fim do mundo ( Será?) . Desliga tudo e quando eu chegar eu resolvo... A máquina mortinha da Silva. Como é longe Uruguaiana! - O fim do dia chegando , eu com o texto pronto e a máquina paradinha da Silva. Fui fazer outras coisas e minha filha chegou apertou quinze segundos o botão e eis que? O bichinho reviveu... Quinze segundo o trem leva para responder, quem diria???
21/dezembro de 2012
Passando a régua
Nessa época do ano parece que sentimos a necessidade de passar a régua, revisar perdas e ganhos. Resolvi dar uma olhada no meus blogs pessoais. Meu blog, no endereço www.fernandablaya.blogspot.com foi criado em quatro de maio de dois mil e oito. De lá para cá publiquei 377 postagens que tiveram as seguintes visualizações:
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Mas a impressão que tenho é de que não há leitura, quem seriam estes trinta mil, cento e sessenta e cinco curiosos? Muitos desses acessos são meus mesmos pois quando quero encontrar algo uso um fragmento de frase e meu nome e o google encontra rapidinho o texto.
O blog de minha personagem Linna Franco www.linnafranco.blogspot.com está praticamente inativo e tem um público um pouco diferente.Aqui foram 97 postagens infanto juvenis. Decidi não escrever mais para o público infantil, a última postagem deste blog foi em janeiro de 2011.
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Bom estes são os números de acessos, não significam necessariamente leitores, mas alguns leitores existem. Fazer esse tipo de balanço de fim de ano é legal , lembrando que são números de dois mil e oito para cá, pois dá uma noção de “completude”. Zera o marcador para um novo início. Ontem conversando com minha amiga Léris comentei que acredito que nós, escritores ou poetas independentes, temos que escrever, escrever, escrever, publicar,publicar,publicar, até que em algum momento as pessoas vão acabar lendo, nem que seja por curiosidade. Nos dias de hoje ocorre um fenômeno estranho cada mídia tem suas “estrelas” cada editora os seus “talentos” assim como os grupos e associações tem suas “vedetes” pouquíssimos nomes se tornam universais. Poucos artistas são conhecidos pelo conjunto da sua obra, sendo conhecidos no pequeno grupo ao qual pertencem. E isso não é nem bom nem ruim, é uma característica dos dias de hoje, ou talvez sempre tenha sido assim. Provavelmente em dois mil e treze eu reescreva toda a minha escrita. É uma boa perspectiva. "Entre mortos e feridos, salvaram-se todos!" Fico imaginando quantos blogs existem e que maravilha e essa energia toda navegando no universo virtual...
Fernanda
PS: Notei que a expressão "passar a régua" não é tão comum assim... Que eu saiba e neste sentido uso o termo significa fechar a conta, soma ou subtração, os números antes do traço são parte da equação e os após o traço ( passada a régua) são o resultado.
Uma prece!
Hoje teremos aqui em Viamão a IV edição do Cartão Vivo de Natal, uma evento comemorativo organizado pelo Fórum Permanente de Cultura de Viamão, composto por artistas locais. Há pouco assisti na televisão belas imagens da Avenida Paulista enfeitada para o Natal, que bom, nem tudo lá está perdido. Nós vivemos dizendo que a verdadeira arte não tem uma função, um sentido ou não serve para nada, mas esse “não servir” transforma o mundo. Todos estamos de Luto pelo infanticídio ocorrido nos EUA e tentamos entender uma ação tão absurda. Rezo para que as famílias encontrem a Paz, no meio de tanto horror. Que lembrem de seus filhos sorrindo e brincando, pois acredito que foi assim que chegaram lá no céu. Pelo jovem agressor tenho um sentimento de pena, o que teria acontecido de tão horrível a ele que o levou a agir assim? Nunca saberemos. Talvez tenha sido iludido pela ideia de Fim do Mundo e tenha perdido a esperança. Mas, a verdade é que agiu como um ser do mal, tomado por um ódio irracional. Vamos para a praça com o coração apertado, a vida continua. O mundo continua com todas as suas incógnitas. O evento que aconteceu lá poderia ter acontecido em qualquer lugar. A arma de destruição poderia ser de fogo ou branca. Poderia ser uma pedra, um porrete... As vezes tenho a impressão de que no fundo uma parte de nós ainda está nas cavernas. E que o infortúnio pode nos alcançar a qualquer momento. Desejo a toda aquela comunidade que não perca a fé na humanidade, que consiga se reerguer e caminhar novamente. É preciso continuar acreditando na bondade do homem e na possível existência de Deus.Louco ou malvado? No último fim de semana ouvi a seguinte historinha: dois meninos brincavam com um videogame e um torcia pela derrota dos inimigos o outro olhou e exclamou: - Que jogo é esse? Não se faz isso com as pessoas!Não acho que um seja um menino mal e o outro um menino bom, mas nos dias de hoje os jogos e as mídias interferem na educação das crianças. Por um lado estamos superprotegendo as crianças e do sobrecarregando de informações. Meus filhos já são adultos, logo não sou diretamente responsável pela educação de ninguém no momento. Acredito que a palavra que mais precisa ser entendida é a que simboliza a justiça, o equilíbrio no fiel da balança. Nossos filhos, para sobreviver nas cavernas de hoje, precisam ser competitivos, mas não muito; responsáveis, na medida certa; inteligentes, mas com respeito a capacidade intelectual do outro; atléticos, mas respeitando a limitação física do outro; rebeldes, mas dentro de um limite; livres, com consciência da suas decisões. Claro que esse seria o ideia e vivemos muito longe dele, pois nós temos também pensamentos mesquinhos, ideias e ações imaturas... lembro que quando estudei pedagogia uma das questões mais delicadas de definir era o limite entre ser autoridade e ser autoritário. Hoje acho que o fiel da balança pendeu para a permissão ser “durão” ou ser permissivo? Eu acredito em Deus, mesmo sabendo que ele pode não existir, respeito aqueles que não acreditam, eles podem ter razão. Assim como acredito que o Mundo pode melhorar e que um dia ele vai realmente acabar. Até lá vamos dividir esse pequeno planeta e testemunhar coisas boas e ruins. Chorar pelas ruins e sorrir pelas boas. Um bom fim de semana par todos nós
15/12/2012
Fernanda Blaya Figueiró
São Paulo! Terra sem lei?
Aqui no Rio Grande do Sul tivemos um Gre-Nal cheio de problemas e briga entre irmãos, não foi nada bonito, os times foram punidos e as torcidas esperam que os próximos sejam mais tranquilos e equilibrados. Já na noite de ontem o São Paulo e o Tigre protagonizaram um espetáculo lamentável. Lamentável também é a sensação que ficou, parece que a imprensa provoca uma rivalidade artificial entre Argentina e Brasil, pelo menos aqui no sul isso não existe.Os times de outros países são respeitados e seus povos também. A imprensa e as autoridades de São Paulo deveriam refletir e levar a sério o incidente de ontem, as notícias da maior cidade do País são assustadoras e agora parece que nem o esporte se salva. São Paulo? Que cidade é essa? Morrem policiais nas ruas, ônibus são queimados com pessoas dentro e os títulos são conseguidos à arma de fogo. Em vez de ridicularizar o time adversário a imprensa deveria estar averiguando junto com as autoridade competentes o que realmente houve. O título do São Paulo é legitimo ou foi no “miau”? Não tenho uma boa memória esportiva, mas parece que estamos falando da Colômbia nos seus piores dias, quando os carteis de drogas dominavam tudo. Gostaria de dar parabéns ao time paulista e valorizar o título se ele realmente foi adquirido com legitimidade e no campo, não na paulada. Além disso sera que a torcida paulista que está no Japão saberá ter grandeza e educação no jogo da decisão? Ou vão parti para a ignorância? O Brasil quer se tornar grande e para isso é preciso pensar e agir como um país grande com um povo educado. O futebol é um símbolo da cultura brasileira e deve ser um exemplo para as crianças e jovens de como agir e pensar. É uma pena que essas coisas estejam acontecendo e
seria bom que mudassem logo, para que até a Copa o Brasil seja visto como um lugar seguro e bom para visitar. Para ser digno de participar de libertadores,mundiais e até do campeonato brasileiro um time tem que saber receber bem seus adversários e saber ganhar o jogo no campo, dentro das quatro linhas e dar condições para que os onze contra onze possam trabalhar em paz. E a imprensa? Que vergonha venderam patrocínio de um jogo inteiro e apresentaram meio, será que o investidor vai pagar inteiro ou meio? E o assinante de TV a cabo? E o consumidor que pagou o ingresso? Em pouco tempo os times Argentinos não vão mais querer vir ao Brasil e vice-versa. Quem ganha com isso?
13/12/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Ser “lá de fora”
Ter tradição ou viver a tradição gaúcha, dentro da minha história pessoal, não tem relação com a música, as danças, a indumentária do folclore gauchesco. São memórias e lembranças de infância. Meus avós paternos tinham duas propriedades em distritos rurais de Cachoeira do Sul. Ontem estive visitando as antigas estradas e caminhos e toda uma “coleção de lembranças”. Ser de fora ou "ir pra fora" para mim tem uma relação imediata com a terra, com poeira,com os animais, com atoleiros. com as condições das estradas ou dos rios. Fizemos o caminho longo, que chamávamos de “a volta”, cruzando o Rio Irapuá e voltamos pelo caminho curto chamado de “pela barca”, atravessando o Rio Jacuí. Durante toda a minha infância, aos finais de semana íamos para o campo.As férias eram divididas entre ir para fora e ir para a praia, na casa de meus avós maternos. Campo, cidade e mar são para meu imaginário a mesma coisa. São um. Ouvia Teixeirinha em Capão da Canoa e Chico Buarque lá fora e para mim tudo está certo. Só sei dançar livremente, seguindo melodias que só eu percebo e como eu entendo. Todos os lugares são mágicos e igualmente importantes. Minha filha Luiza fez algumas imagens de nosso passeio em que foram também meus pais, meu filho João Gabriel e meu marido . As fotografias vão retratar um pouco da vida do campo nos dias de hoje e do quanto a memória e as ações presentes estão interligadas. Viver a tradição gaúcha é uma questão muito ampla e em constante processo de transformação. A energia elétrica chegou lá fora quando eu era adolescente, então sou do tempo da vela,do candeeiro, do motor, de puxar a água no poço com corda e balde, de banho aquecido no fogão de lenha... De brincar na lama no inverno e tomar banho de chuva no verão. De ver os tachos cheios de geleia, os potes cheios de bolachinhas.Para mim há três butiazeiros, que são um simbolo de resistência, desde que me lembro de ir para fora eles estão lá e são belos. Sou do Tempo Antigo, de temperar o peru com agulhas e engordar porco na encerra. Já comi as gemas de ovinhos sem o ovo posto. Os problemas lá são o carrapato que ataca o gado, os graxains que comem galinhas, os fede-fede que comem os tomates, os bugios que atacam os pêssegos... A seca e a chuva. Mas fui criada na cidade e amo o mar. E tudo isso, além de muita literatura é para mim parte do ser “de fora”, do ser uma mulher gaúcha.
09/12/2012
Modismo ou excesso de policiamento linguístico?
Não consigo entendo o que está acontecendo com alguns segmentos no Brasil, ontem a presidente Dilma foi vaiada por usar o termo “portadores de deficiência física”, que eu saiba esse era o “Termo Politicamente Correto”. Pesquisei na rede e constatei que existe essa expressão. Para quem escreve e fala no Brasil o excesso de “policiamento” corre o risco de criar uma “paranoia linguística”. Não sei quem cria e recria esses termos da moda, mas algumas discussões ficam restritas a um meio tão pequeno e tão excludente que se tornam alienadas do resto da sociedade. Já na contracultura as mulheres viram “cachorras”, os bandidos “os caras”... Acho que estamos precisando de equilíbrio
em vários aspectos. Quem sabe uma cartilha da evolução dos termos e dos motivos que levaram as modificações não ajudem as pessoas comuns e também nossa chefe maior a entender esses novos termos. O que deve e o que não deve ser dito? Da minha parte, como escritora não gosto desta discriminação e do preconceito que algumas palavras estão ganhando, o brasileiro sempre primou pela liberdade de expressão pelas diferenças regionais e pela criatividade na linguagem. A presidente tem que garantir a melhoria no acesso, o direito de ir e vir de todos os cidadãos, trabalhar para que haja uma melhoria nos serviços públicos ou privados,um transporte eficiente, saúde, educação, cultura, segurança, cidadania para todos os brasileiros. Sou contra o excesso de puritanismo linguístico, pois acredito que possa levar a relacionamentos falsos. Todos precisamos ser respeitados, sim. Mas sem cair na falsa ideia de que proibir o uso de alguns termos vai acabar com a discriminação ou com o preconceito, na minha opinião pode levar a um alienamento e afastamento ou segregação de grupos. Se eu tiver medo de uma palavra não vou mais usá-la e o grupo ou ser que a ela estiver ligado vai desaparecer do meu foco, do meu universo. Não será parte da minha vida, não será um assunto meu. Eu preferiria ter mais liberdade de expressão inclusive entendendo melhor o que levou as pessoas a abominarem um termo e elegerem, momentaneamente, outro. Quanto a vaiar é uma expressão legitima e também acredito que deve continuar existindo. Assim como é legitimo a presidente se desculpar, agora os que vaiaram devem refletir na vaia e os que foram vaiados também. Em pouco tempo, se as coisas continuam assim, a literatura brasileira vai empobrecer e a linguagem também, porque as possibilidades de uso da palavra vou ser tolhidas. Nomes, características, particularidades de personagens e de tramas vão desaparecer.Não teremos mais rosto,só uma máscara facial indefinida, perderemos nossa bela diversidade, seremos o que usa tal marca, o que come tal produto, o que está com tal perfume, maquiagem,tipo de cabelo, dentro de tal veículo . Exagero? Talvez.
Um exemplo de notícia do futuro: pessoa da melhor idade, usando uma bolsa de fibra sintética, importada da china, atravessava a avenida fora da faixa de segurança. Quando uma pessoa jovem que circulava em sua bicicleta defasada, ou seja sem a manutenção adequada dos freios, colidiu no poste e sua placa de identificação ao se soltar atingiu a bolsa da outra, que devido ao calor do impacto teve escoriações no braço. Ambos foram conduzidos a uma delegacia de polícia para a autuação... A autoridade policial( talvez delegado caia em desuso) deverá buscar informações sobre a procedência da bolsa, a situação legal da bicicleta e as infrações cometidas por ambas as pessoas. A Presidente optou pela prerrogativa de poder ficar em silêncio, já que devido a gravidade do ocorrido... Em outra localidade 80 pessoas foram vítimas de uma mesma execução, fato antigamente chamado de “chacina” , o gabinete optou também pelo silêncio.
Fernanda Blaya Figueiró
Sensação de véspera
Ontem parecia véspera de tempestade, o céu ficou escuro e tudo estava armado, mas a chuva não veio... Continua nublado, quente e nada da chuva. É péssima esta seca antecipada, há pouca chuva a terra está ressequida e a grama amarelada. Escrevi uma frase e não consegui continuar a ideia: “Há um mundo não oficial que transpassa a cidade.” Ficou perdida nas minhas anotações e ao assistir ao filme “O Moinho e a Cruz” parece que algo clareou a minha mente. O que será que está acontecendo e que não conseguimos perceber? O filme desloca a cena da Paixão de Cristo e aborda a vida dos figurantes da obra de arte “A Subida do Calvário”, numa época da humanidade em que divergir era motivo de massacre. Pensei imediatamente na realidade que estamos vivendo as execuções de bandidos e de policiais. O que está velado nisso? Policiais e criminosos estão se confundindo. A população tem mais medo do criminoso do que confiança na segurança oferecida pela instituição policial. A cadeia degenera e não regenera. Porque? A rotina, diz o filme. Para se auto preservar a comunidade desvia o olhar. Há algum tempo encontrei uma trabalhadora apavorada, ela disse: - A senhora soube? Perguntei o que? Mataram um rapaz que devia para traficantes e penduraram o corpo numa árvore. Todo mundo que passou pelo “beco” viu. Eu não sabia. Logo ela disfarçou e percebi que ela não deveria ter comentado e eu não deveria saber. Meu caminho não é o do beco, nem da floresta do lobo mau, nem o do calvário. O que está acontecendo no Brasil é o mesmo que sempre aconteceu na humanidade. É parte do nosso modo de agir. O ser humano é essencialmente bom? O ser humano é essencialmente mal? As duas coisas o Ser Humano é essencialmente um sobrevivente. Vive entre a chuva e a seca, a calmaria e a tempestade. Vive entre o bem e o mal. Cristo é ainda espancado e morto em praça pública, seja ele quem for, em que época a história aconteça. Voltamos a cantar e dançar porque é o que nos faz continuar vivos.
Hoje escrevo meu último texto em um computador de mesa, passo para o portátil, com um pouco de saudosismo. Parece que não é a mesma coisa. Ainda uso o papel e a caneta para começar uma ideia e passo para o computador. O primitivo e o evoluído em mim coexistem. E acredito que na sociedade como um todo essa coisas são assim. Uma roda da vida e da morte. Como diria nosso Cartola “Ouça-me bem, amor. Preste atenção, o mundo é um moinho”. A cruz antecede e perdura a Cristo: o início, o meio e o fim. O meio é a grande questão. Quem ler este texto pode hoje aplaudir e amanhã apedrejar, terminando suspenso com uma corda no pescoço. Quem apedreja este texto hoje pode amanhã aplaudir, termina usando esta palavras para chicotear seu irmão. Meu irmão. A cena do artista dentro de casa desviando o olhar e fingindo que não ouve o estalar do chicote diz da obra o quanto pesou sobre si. Não há inocentes no mundo. Na verdade eu queria ter escrito um poema, por isso escrevo essa prosa para ver se emerge um poema das profundezas.
01/12/2012
O fim de um período histórico
Talvez seja ingenuidade minha, mas parece que o julgamento do “Mensalão” está para definir o fim de um período da história da política do Brasil. O PT não inventou o mensalão, apenas expôs algo que já existia, talvez os envolvidos tenham ido “como muita sede ao pote” e abusado , imaginando que estariam livres da punição. E nos dias de hoje? Essa prática foi erradicada? Como esse “esquema” funciona na gestão das Cidades e dos Estados? Será que esse desvelamento e essa discussão toda vai geral uma mudança no exercício da cidadania e no modo de administração dos bens públicos? O Brasil estará, se conseguir melhorar a gestão dos recursos públicos, deixando definitivamente de ser
subdesenvolvido? Nosso olhar está mudando, hoje conseguimos olhar para um bairro mais pobre e enxergar mais do que uma população “desprivilegiada” olhamos e enxergamos uma camada da nossa sociedade que está ascendendo e criando alternativas de geração de renda e de auto-suficiência. As classes mais populares brasileiras estão criando por si só a sua transformação, o que é maravilhoso. A classe mais alta, que tem nas mãos o capital, capaz de corromper, vai colocar na sua balança o peso do risco assumido. A corrupção está cara demais e ineficiente, logo leva ao prejuízo. Quando o corruptor perceber isso a tendência é de exigir que a máquina pública realmente funcione como tem que ser. Esse pensamento meu não tem nem pé nem cabeça, é só uma conjectura absurda e desprovida de sentido. Mas ouvi uma autoridade falando na televisão que é preciso atacar a fonte de renda dos bandidos, no caso lá de São Paulo. Bem o mesmo poderia acontecer na política se a corrupção se tornar muito cara “corromper” será prejudicial, a corrupção não dará retorno financeiro. O Brasil tem como fazer com que as coisas funcionem bem e que as instituições reencontrem a sua legitima função. Quem sou para imaginar essas coisas todas, uma pessoa comum que olha para o sistema de fora,que ouve o senso comum. Em que país o brasileiro quer viver? Será que por ser historicamente uma nação construída na base do “jeitinho” o Brasil está fadado a não transformações culturais na forma de pensar e agir coletivamente?
Fernanda Blaya Figueiró
13/11/2012
As cotas
Assunto dificílimo! O que pensar sobre isso? Não pretendo pensar, apenas divagar. Espero que as autoridades saibam o que estão fazendo. Inicialmente eu era contra as criação de cotas para o ingresso no serviço público, nas universidades e etc... Porque achava que iria criar uma barreira entre as pessoas, hoje acho que a barreira, infelizmente, já existe. Na semana passada ouvi uma pessoa comentando sobre isso e enquanto ela falava comecei a ver o sangue brotando nos cantos de sua boca e a sua expressão já era de um “vampiro” mais do que de um ser humano. Precisamos estar atentos para que esse “discurso” aparentemente inocente, de ambas as partes, os que são a favor e os que são contra a criação das tais cotas de acesso, não reavive a antiga rivalidade racial recentemente “superada”. Sou a favor das cotas, acho que devemos, como Nação, dar condições iguais a todos, para que todos sejamos de fato iguais, respeitando nossas diferenças. Quanto ao serviço público acho que deveria ter uma ampla e verdadeira reforma, quem sabe se o ingresso de uma força de trabalho, que antes não teria condições de ingressar ao serviço público, não traga uma maior competitividade e eficiência para uma máquina que está defasada? A iniciativa privada vai ganhar, hoje os profissionais mais qualificados, sem distinção alguma, estão no Estado, que através de disputados concursos seleciona os melhores alunos recém saídos das universidades públicas e privadas, atraídos por bons salários, férias remuneradas, assistência médica e estabilidade no emprego. Só peca na falta de estímulo para que esses trabalhadores continuem sendo “os melhores”.
Não sei o que acontece no dia seguinte a aprovação no estágio probatório, mas a impressão que fica, de alguém que olha totalmente de fora, é de que o "peso" dos anos vindouros cai sobre o indivíduo como uma "pedra": nos próximos trinta anos ele estará ali, sob a pedra, estático. Enquanto que na iniciativa privada o sujeito que entra em crise encontra com a porta de saída, já que para sua “indesejada posição” tem dúzias de profissionais mais qualificados prontinhos para engolir o seu “peso” e carregar a sua “pedra”, quem escorrega cai certamente e não se levanta mais. Que venham as cotas e que o povo brasileiro saiba administrar bem isso, sem cair na “conversa fiada” de uns ou outros. No Brasil somos todos iguais, com cotas ou sem. Não vamos brigar por coisa tão sem significado. Vamos aproveitar essa onda e ter um lugar melhor para viver, ter mão de obra mais qualificada fará bem para todos. Vamos chegar ao ponto em que, com a maioria da população tendo seu diploma na mão, teremos um motivo a mais para comemorar. Teremos mais profissionais qualificados e uma competitividade maior para os “grandes empregos” e uma maior eficiência nos “pequenos empregos”.
28/10/2014
Fernanda Blaya Figueiró
A Sanfona?
Deixei o menino tocar sanfona em paz. Afinal se tocar sanfona é antiquado ter uma “Dinastia Real”, não seria também? O que é antiquado e o que é tradição? Quem critica o uso da sanfona desconhece a formação cultural do povo brasileiro e principalmente dos gaúchos. Música Pop é a cultura do povo. E o povo pode ter a cultura que quiser. Se vai ou não gradar é uma outra questão. Agora condenar uma estética ou uma inovação é uma coisa um pouco duvidosa, já que a estética muda e os paradigmas também. Tenho orgulho de Michel Teló e de sua alegria, pois é a maior conotação de seu trabalho trazer alegria para um povo que precisa dela. Fazer rir um jogador de futebol depois de uma tensa partida onde muito dinheiro rola, uma garçonete depois de um dia longo de trabalho... um gari ou uma advogada, um médico ou um sapateiro. A música tem essa característica ser soberana em diferentes territórios. O som não escolhe ouvidos, nem idiomas. E a internet mudou a forma como as coisas acontecem. “Abre a gaita, seu gaiteiro! Que o baile vai começar!”
Fernanda Blaya Figueiró
14/10/2012
A repetição
Outro dia eu falava com uma amiga sobre a sensação de que minha poesia empacou, parece que é repetitiva e do quando ando um pouco sem perspectiva para o trabalho com a palavra. Sei que muitas pessoas ainda acham que só é trabalho uma ação que gera renda e que transforma o meio. Então mesmo não sendo “trabalho”, essa coisa antiga, a arte gera uma energia diferente, gera uma reflexão livre. O artista é livre para expressar o seu pensamento mesmo que seja ultrapassado, errado, ou teoricamente errado. Esses dias estive na biblioteca da PUC só para conhecer, achei muito legal. E lá encontrei o Livro de Cantos de Ezra Pound, não é um livro muito difícil de achar, na Biblioteca Pública do Estado tem, mas fazia muito tempo que eu não via e lendo pequenos fragmentos pensei será que isso é poesia já que parece tanto com prosa? O que é poesia? Meio tarde para perguntar isso? Para mim é essa possibilidade de divagar. Ontem fui ao MARGS e passei por objetos construídos pelos presos para se defender ou para atacar e fugir da cadeia, a maioria do presidio central, é impressionante a criatividade dos objetos, mas daí pensei isso não é arte é trabalho, um trabalho para a morte ou para a sobrevivência. Juntos e no contexto viravam arte, dentro da instalação se tornavam arte. Lá fora a chuva caía e o “pau comia”. Entrei em um bazar e a dona da loja disse que estava fechando pois uma onda se alastrara pelo centro, um arrastão. Eu, que não sou trouxa, “piquei a mula”. Não consegui uma palavra, uma sensação, nada para minha página em branco. Hoje escrevi um poema e claro pensei que não era um poema. Agora tenho certeza que é um poema. Fiquei pensando que o camelódromo virou uma ratoeira, fiquei imaginando a tensão que as pessoas todas lá dentro passaram. Imediatamente lembrei das jibóias dos presos e a ginástica que, para algumas pessoas, é a sobrevivência. Poesia é isso: percepção e desvelamento. É uma licença para exercer a loucura. Alguns especialistas podem reclamar, mas e daí?
10/10/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Uma história
Procurava uma história e encontrei outra e no fundo a mesma. Ando um pouco curiosa sobre o papel do espectador na escolha dos repertórios, seja na dramaturgia, na música, nas artes visuais, na literatura, na moda, na gastronomia e por aí vai... O leitor cria junto a literatura, na hora em que para e foca. Na hora em que lê e comenta, se indigna ou adora. Assim a obra é multifacetada e toda a obra pode ser escrita, pois em algum momento acaba reinventada. Quem escreve cria um personagem: “o escritor” o “poeta”, assim como “o leitor”. Eu decidi hoje não falar sobre um determinado assunto, só que o assunto acaba entrando na escrita, acaba se intrometendo. Então mesmo que eu “escritora” busque mascarar o assunto ele “assunto” se impõe no meu foco. Todos os poemas que eu leio são demasiado pesados. Todas as melodias que eu ouço são cheias de drama, os filmes que assisto são cheios de contraditórios. A não ser que eu mude o foco. E as vezes eu mudo. Todo o escritor conta sempre a mesma coisa, isso não é novidade. A gente diz que os velhos falam sempre a mesma coisa, mas não são só “eles”. O assunto é o seguinte: “quanto nós realmente conhecemos sobre o mundo que nos rodeia? Calma! Só do nosso micro cosmos, não tem nada a ver com Deus, nem com nossa origem. Só o que nos rodeia.
04/10/2012
Fernanda Blaya Figueiró
O Livro Perdido de La Boheme
Ontem fui assistir a uma brilhante montagem de La Boheme, na Puc: adorei! Sempre achei muito instigante a história da peça, sempre achei que o dilema principal, salvar a obra ou a vida, era mais profundo. Ontem tive uma grata surpresa com o desprendimento com que o livro vai ao fogo, o próprio cenário da mansarda, que me pareceu mais iluminado e alegre, esperava tons cinzas na retratação do quarto e andrajos. Fiquei com uma nova impressão,os personagens eram boêmios por opção ou por imposição? Sempre imagino qual era a história que foi queimada, que obra não aconteceu, claro que tudo remete ao próprio texto, a tragédia da morte prematura de Mimi, vitima da tuberculose, da pobreza. Fiquei impressionada com a quantidade de atores em cena no segundo ato e na leveza que trouxeram, não entendo nada de dramaturgia ou de música, mas no fim da apresentação alguém soltou um: Bravo. Com o qual eu concordo. Como é importante que ainda façam estas montagens de grandes clássicos e que nós possamos aproveitar, imagino a quantidade de horas de trabalho que levou até chegar a estas duas horas de encantamento. Como a “casa estava cheia” acredito que a curta temporada tenha sido um sucesso. Fiquei com a imagem da vela e da oração do final da peça no meu imaginário. Cheguei em casa e soube do falecimento de Hebe Camargo e fiquei triste. Ela foi uma grande artista. Para mim não há separação entre arte erudita e arte popular, cada um teu seu público, sua função social, seu valor. Teatro, televisão, circo, praças,livrarias, museus, se igualam e se completam. Todas as formas de arte são válidas. A dificuldade de transformar o trabalho artístico em renda é um problema ainda muito presente nos dias de hoje. Como o artista faz para “dar valor monetário” ao seu trabalho? Continua sendo um problema, muitas gente ainda acredita que os artistas “não passam de um bando de vagabundo”, “boêmios”, “hipongas”, “desocupados”... “Porque não trabalham de verdade?” Naquele universo escritor, poeta, músico, pintor, musa,varredores de rua, milionário, garçom, vedete, vendedores de bandeirinhas... coexistem. Nos dias de hoje pouca coisa mudou. Os atelies em lugares improvisados ainda existem. A tuberculose virou AIDS. Ainda é preciso, para algumas pessoas, atear fogo na sua obra para chegar ao raiar do dia. Nunca conheceremos a história que havia no manuscrito queimado, só a bela história em que se transformou. Fiquei inicialmente em dúvida se deveria ou não “meter minha colher” nesse angu, pois apreciar uma obra assim é coisa para especialistas. Resolvi arriscar, o mundo não pode ser descrito só por especialistas, senão fica tudo muito “nas alturas” é preciso também a percepção do espectador comum.
Fernanda Blaya Figueiró
30/09/2012
Cultura nos dias de hoje
“Pelas Igrejas do Brasil pode-se julgar de quanto seria capaz este povo se os meios de sua instrução fossem multiplicados e tivessem alguns bons modelos para orientá-los”. Auguste de Saint-Hilaire, datadas de 19 de junho de 1820.
O viajante francês escreveu esta frase referindo-se a Igreja Nossa Senhora da Conceição em Viamão, há cento e noventa e dois anos, isso nos leva a pensar se o desmantelamento da cultura não tem uma função ideológica. Estou acompanhando, pelos jornais, mais uma vez a polêmica do fechamento dos serviços públicos durante o “Feriadão”, o município parou por quatro dias seguidos, durante o feriado farroupilha. Refletindo um pouco sobre esse fato que se tornou corriqueiro, em pleno período eleitoral, penso que a atual administração privilegia os funcionários e deixa de atender a comunidade ou como ouvi de um popular, tanto faz estar aberto ou fechado, não tem atendimento mesmo. E essa realidade não é de hoje o município não consegue usar toda a verba destinada para a educação e a população não tem creche suficiente. Um feriadão desses não acaba aprofundando a crise na educação? Será que o município consegue atingir o número de aulas obrigatórias do ano letivo? E as aulas tem o turno inteiro ou são pela metade? Ouvi o último debate dos candidatos e parece que a maior preocupação com a educação é com o lanche das crianças. Não ouvi uma só linha sobre propostas pedagógicas, assim como na saúde o importante é ter um posto, não necessariamente ter um posto que atenda bem a comunidade. Quanto a cultura só tenho a lamentar e acredito que a atitude de desrespeito com os artistas da comunidade é uma atitude ideologicamente pensada, para que a população local não se reúna, não reflita, não se fortaleça. O Brasil está mudando e a administração pública tem que mudar também. Os pais tem que estar presentes nas escolas, acompanhando o ensino que é oferecido para os seus filhos, além é lógico da merenda. As comunidades devem antes do feriado “abrir o berro” e exigir que os serviços públicos funcionem, depois não adianta. Assim como devem notificar a falta de remédios, de médicos, de fichas para o atendimento. Os funcionários públicos deveriam também cobrar melhores condições de atender a comunidade e de fazer o seu trabalho. Os administradores do município deveriam servir a população e não se servir dela. Bibliotecas, teatros, cinemas, salas de audição, atelies livres não são “luxurias para pessoas snobes” são equipamentos de exercício da cidadania. São locais em que o povo gaúcho pode se tornar mais instruído e expressar a sua cultura, a sua ideia de mundo, que deve ser respeitada. O Teatro André Ribeiro Cancella, antes de ser fechado, atendia uma população heterogênea, do guardador de carro ao empresário, dos saraus de literatura as apresentações dos "Talentos da Terra", lembro de assistir ao falecido Augusto Biglia, que não era nenhum magnata, a saxofonistas, grupos de samba... “ O gato toma leite, o rato come queijo e eu sou um palhaço”, essa frase ouvi no filme: “O Palhaço”, resume o drama existencial do filme, mas que também reflete a dúvida de quem se dedica a arte. Poderia citar também o filme “Saneamento Básico”, assim como os Muppets, que se separam devido ao fechamento de seu teatro. Ao Zé Colméia que luta contra a tentativa de loteamento do seu parque. No mundo mágico as coisas se resolvem na vida real fica o dito pelo não dito, o barco segue em frente e a população que se vire ou não adoeça durante do feriadão, que isso é falta de respeito. Claro que poderiam recorrer ao pronto atendimento vinte e quatro horas, inaugurado as pressas para que a “oposição” não reclamasse. Então eu pergunto e o Estado e a União, bem estes vão dar as caras por aqui em um ano e meio para as eleições de deputados, senadores, governador e presidente. Viamão tem grandes e fortes escolas estaduais, umas um pouco abandonadas é bem verdade, tem muitos alunos, alguns já votantes.Tem alunos que estudaram a vida toda na rede pública e conseguiram passar no vestibular, formaram-se e são hoje bons profissionais nas áreas que escolheram para atuar. Tem um dos índices de violência mais altos do estado, mesmo assim não tem "delegacia das mulheres" e o movimento das mulheres foi "abafado". Tem dois grandes parques administrados pelo estado mas pouco disponíveis para a população local. Um índice alarmante de “imobilidade urbana”. Mas precisamos ser, como vive afirmando um amigo: “Otimistas acima de tudo”. Só não podemos mais ser ingênuos, vamos votar com consciência e independentemente do resultado das urnas vamos aproveitar os debates e modificar a cidade, com a fiscalização que existe: os Meios de Comunicação, a Câmara de Vereadores, as Conferências, Fóruns, Conselhos de Cidadania. Vamos fazer essa máquina “pegar no tranco...” O gato... o rato... e eu escrevo. Cada comunidade tem os políticos que elege e as condutas que aceita.
26/09/2012
Fernanda Blaya Figueiró
O Voto
O voto é um ato de confiança, quando votamos em alguém estamos delegando a essa pessoa a tarefa de agir em nosso nome. Nós somos o Povo, infelizmente na cultura brasileira ainda há resquícios de antigas políticas que tornavam o voto um produto. As pessoas trocavam o seu direito de votar por um benefício pessoal, as vezes até por comida, por um “cargo” no governo. Acho muito importante as campanhas que estão circulam nos meios de comunicação de educação para o exercício da cidadania, o voto não é “negociável”! Mesmo que alguns políticos ainda usem esta artimanha para chegar ao poder. O Brasil passou por uma longa ditadura, dos ano sessenta aos oitenta, depois passou por uma euforia, o retorno a democracia, depois por várias decepções, incluindo os inúmeros escândalos envolvendo a corrupção, o “impeachament” de um presidente. Isso tornou corriqueira as más ações com relação as coisas públicas. Em todas as esferas o jeitinho tomou conta das isntituições, não por maldade, mas por “cultura” ou pela falta de cultura. Os partidos que chegaram ao poder foram repetindo as mesmas ações dos partidos que estavam no poder antes. Levando a um descrédito do voto e nas instituições políticas, como isso pode mudar? Com um amadurecimento da “Nação Brasileira”, já vencemos a ingenuidade de achar que só ser uma democracia resolveria os problemas. Não basta! Precisamos melhorar o país sem a ilusão de que de uma forma mágica, com uma varinha de condão, os problemas irão desaparecer. Alguns problemas sérios precisam ser enfrentados com sabedoria, por exemplo a questão da “estabilidade” no serviço público, será que isso é saudável para a gestão pública e mesmo para o funcionário público? Outra coisa o hábito que se criou de gerar “cargos de confiança” ou seja o inchaço da máquina pública com pessoas que não são concursadas e que estão ali por “apoiar” algum candidato. Será que há necessidade de tantos “CC” e há uma forma de limitar isso? O Brasil é um território imenso, com isso a administração dos Municipios tem que ser melhor, a administração dos Estados tem que funcionar bem para que a União possa ser administrada de forma eficáz e atingir a toda a população. Claro que isso não vai acontecer de uma hora para outra, a cultura do uso errado do voto está entranhada na mente da população. Se "todo mundo faz" não tem problema. Não podemos nos iludir imaginando que iremos ter uma “terra de leite e mel”, como um paraíso ou nirvana, mas podemos construir um país melhor. Um lugar com mais segurança, saúde, cultura, educação, renda... para mais pessoas. Isso inclui um país que controle questões como das drogas, do desmatamento, da violência nas comunidades de baixa renda, das populações carcerarias, da corrupção, da mobilidade urbana, do uso responsável dos recursos naturais... Muita coisa já me melhorou no Brasil como nação, mas muita coisa ainda tem que ser feita. Não brinque com o seu voto, faça dele um instrumento de transformação da realidade, sem a ilusão de que essa transformação será mágica.Na construção de um país melhor não há mágica há um processo de tomada de consciência da função de cada um com relação ao todo.
Fernanda Blaya Figueiró
23 de setembro de 2012.
Monteiro Lobato: Uma crise artificial
Fiquei um pouco preocupada com essa “crise” envolvendo a obra de Monteiro Lobato, aprendemos que ele foi um dos maiores escritores brasileiros. Vamos supor que ele de fato tivesse algum pensamento racista, em que contexto isso aconteceu? Existiram pessoas racistas no Brasil? Houve escravidão? Será aceitável condenar sua obra com os paradigmas de hoje? Esse policiamento me parece mais uma crise artificial e um puritanismo disfarçado, uma negação que houve um pensamenteo racista e que ele era aceito, que foi superado e como tudo que foi superado tende a retornar. As pessoas precisam conhecer para não permitir que retorne. Será que ele não retratou uma sociedade que realmente existiu? Parece que até escrever sobre isso é meio “tabu” algo proibido. O racismo realmente foi extinto? Ou está dissimulado? Os afrodecendentes são vítimas ou protagonistas de suas conquistas? Foram libertados ou conquistaram sua liberdade? Outros povos sofreram escravidão e racismo?Se ninguém mais puder falar nessas coisas elas vão ir para baixo do tapete, não vão ser solucionadas, serão escondidas. Hoje todos somos iguais perante a lei, essa é a grande conquista. Todos os homens são livres e tem o direito de ir e vir. Nem sempre foi assim. Todos tem o direito a votar e ser votado. Por isso temos que lutar, para garantir essa realidade. Vivemos numa sociedade profundamente desigual, mas já foi muito pior. Negar a arte, a história, ocultar os erros e os costumes não vai servir de nada. Talvez seja importante criar um pensamento crítico e uma refelxão sobre a sociedade e sua evolução,mas não negar ou fingir que sempre foi assim. Acho que se os textos de Monteiro Lobato incomodam devem ser colocados no Museu, como parte da história, mas não devem ser reescritos para parecer aquilo que não são. Polêmico em vida, polêmico sempre! Acho que deveríamos gastar mais tempo cultivando a união entre as pessoas, a alegria de viver num país livre. A vida é tão curta e todo mundo se já não errou, vai errar um dia. Vamos contar os acertos e aprender com os erros.
19/09/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Há um futuro para o livro?
Sim! Algumas pessoas me indagaram como que eu uma leitora, blogueira e escritora desacreditava no livro. Para evitar mal entendido explico o meu pensamento, sempre haverá lugar para livros, livrarias, bibliotecas, o que há é uma necessidade de adaptação ao mundo virtual. O livro, no meu modesto entendimento, já virou um artigo de luxo, algo que damos de presente, que nos auto presenteamos. Então acredito que haverão cada vez mais coletâneas, livros ilustrados, biografias, livros de fotografia... No mercado infantil o livro é quase um brinquedo. Mas literatura mesmo a arte da palavra, sobreviverá a margem disso, nos blogues, que algumas pessoas chamam de “lixo literário” ou “lixo cultural” porque com a liberdade de auto editoria cada um pode se tornar o que quiser, escritor, poeta, músico, artista plástico, cineasta, bailarino,ator, ou seja todo mundo pode ser artista. O mercado editorial não deveria ficar chateado comigo pois eu sou a consumidora, eu compro livros. Ultimamente comprei uns oito livros, assisti a Fausto, A Beira do Caminho, Violeta foi para o Céu, Na Estrada, Batman, Para Roma com Amor,A velha dos fundos, entre tantos outros filmes... Vou muito pouco ao Teatro, é longe, eu não dirijo, normalmente começa tarde, durmo cedo... Exposições aprecio muito também, até senti uma pontinha de inveja dos paulistas, receberam a arte francesa com exclusividade. Já voltando ao livro como produto, não sou contra, sou realista, não vou gastar dinheiro produzindo livros que não consigo vender, por menor que seja uma edição custa uma “grana preta”, sou péssima vendedora de livros, uma das poucas profissões em que tive a carteira assinada... Os escritores hoje tem que fazer como os músicos cada um faz a sua própria memória, divulga como pode e não espera nada em troca. Essa “crônica” aqui, em pouquíssimo tempo estará defasada, por isso não vejo muito sentido em guardar crônicas de jornal pois, como os jornais, passa de um dia para o outro e atualmente de um post para o outro. Os novos nomes da literatura brasileira, ou até mundial, já estão na rede, se formando, se deformando e se transformando rapidamente. Eu acredito no meu trabalho e no processo de dissolução que vai passar. Assim como nos jornais os que se adaptaram estão cada dia mais fortes os outros tendem a perecer. Um jornalista que não for blogueiro não existirá, e um escritor que não estiver na rede não resistirá. Então faço minhas próprias coletâneas virtuais e vou “salvando” o que acredito que seja salvável e esquecendo o que acredito perecível. Mas permanente sei que não tem nada, o que vai permanecer será fruto da seleção pouco natural, a construção de ídolos. Heróis e Bandidos. Castos e Escandalosos. Acho que isso põem os pingos nos “is”.
18/09/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Ovelhas não é para mato!!!
Diz o velho ditado gaúcho que ovelha não é para mato, pois lá tem graxains, lobos, cachorros, jaguatiricas, todos grandes apreciadores de uma gorda costelinha de ovelha. Então o jeito é criar na beira das casas, perto do galpão, no capão cercado e protegido pelo pastor. Só que quando bate a fome pastor e lobo se tornam muito parecidos e lá vai o “Cordeiro de Deus” para o abatedor seja pra saciar a fome do pastor, do lobo ou do banco. Pois usando essa metáfora podemos dizer que a Política não é para qualquer um. Cordeiro nenhum sobrevive neste mato fechado. Descobrir quem é lobo, quem é pastor e a hora de abrir o berro é a grande questão. Uma coisa é muito verdadeira o destino de todos é o mesmo, com uma leve diferença de tempo. Sempre evitei me envolver diretamente nas questões políticas, como muita gente tem preferido, por desgosto, por achar que não faz diferença. Só que agora acredito que faça toda a diferença. Os partidos políticos, como todo organismo social, tem um ciclo de vida, acho que por isso alguns partidos que começam bem vão tomando rumos obscuros, trilham matos fechados e acabam lanhados. Quantos partidos existem hoje no Brasil? Quais as ideologias que representam? Esses dias falando com uma amiga comentei que não encontro mais uma identidade nos atuais partidos e ela me disse: - Então crie o teu. Achei muito radical e exagerada a ideia e acho que esse pensamento tem permeado muitas organizações. São criados novos partidos de correntes diferentes de um único, além dos partidos serem altamente fragmentados. Quem elogia A está contra B, que se alia a C e combate A . Isso parece o corriqueiro das instituições. Só que mesmo com todos estes fragmentos parece que não há mais uma verdadeira oposição de ideia, só uma retalhação entre segmentos. Só os lobos sobrevivem, mas é preciso lembrar que andam em matilhas. Acho que a Democracia Brasileira precisa amadurecer, precisa voltar a aceitar a oposição de ideias, de pensamentos, para voltar ao diálogo e a construção de uma sociedade melhor. Se sobrar apenas uma opção mascarada por diferentes siglas estaremos caminhando para uma sociedade “totalitarista” ou uma “pseudo-democracia”. Que autoridade tenho para falar sobre isso? Nenhuma, só a autoridade de ser cidadã brasileira. Não é preciso criar novos partidos para mudar o cenário político, na minha opinião, é preciso apertar o cinto e questionar os atuais partidos. Apertando a fiscalização social podemos diminuir o espaço para promessas não cumpridas, administração ineficiente, corrupção. Acho que a condenação dos protagonistas do “Mensalão” será muito didática para a construção de uma nova relação política, uma nova forma de entender e fazer política. Tenho tentado acompanhar os votos dos ministros, que são extremamente técnicos e difíceis para o espectador comum. Mas talvez, no final disso tudo, algum estudioso consiga “digerir” esse angu e tornar mais palatável, ou mais simples de entender. Como o cidadão comum, que não é nenhuma autoridade, pode auxiliar nessa transformação da realidade? Pensem comigo, se o Brasil, que amanhã comemora sua independência, não seria muito mais forte e altivo se todo o dinheiro que foi gasto com corrupção fosse empregado em melhorias na qualidade de vida de todos. Se as obras dos planos de desenvolvimento do governo fossem bem administrada muito do caos urbano já poderia ter sido solucionado. Ir trabalhar de metrô e não de carro, por exemplo, diminuiria muito o estresse das grandes cidades. Criar boas vagas de emprego em cidades menores fixaria no interior pessoas que hoje vivem em condições precárias nos grandes centros urbanos. Não pretendo criar um novo partido ou ingressar nos que existem, mas tenho sim o direito de pensar sobre a realidade e escrever sobre ela. Essa escrita pode ser considerada “crônicas do cotidiano” ou “Devaneios de uma dona de casa”, ou “ A culpa é da: Dona Fernanda!!!!” “Loucuras de uma poetisa suburbana”... Tem tanto nome para dar, basta ter criatividade. Quanto a política, quando eu crescer e for lobo talvez um dia chegue mais perto. Com meu índice de massa corporal não chegaria nem perto do mato. Desisti a muitos anos de fazer dieta, viu no que dá!!!
Fernanda Blaya Figueiró
06/09/2012
A origem do problema
Hoje resolvi escrever um pouco sobre a origem do problema entre a prefeitura e a comunidade artística, no meu ponto de vista tudo começou com o fechamento do Teatro André Ribeiro Cancella, em 2007. Os artistas, usando seu legítimo direito de reclamar fizeram um protesto, uma “Marcha Fúnebre” saíndo do Cemitério e percorrendo as ruas principais da cidade e um acampamento de vinte e quatro horas na praça, no qual ganharam a adesão de muitas pessoas, na minha memória protagonizaram este movimento Niltamara, Jorge Felber, Paulo Fontes, Renata, Fernandão, Carol, entre tantos atores e atrizes.Com o protesto o Teatro voltou brevemente a funcionar, inclusive com uma oficina do Sesi promovida pelo ator Fábio Cunha, da qual eu participei. Logo após o teatro foi novamente fechado, a secretaria de cultura já havia sido retirada da Casa Rural, sob protesto dos funcionários e a Biblioteca Pública Erico Veríssimo foi fechada. Em abril e maio de 2009 fizemos um abaixo-assinado pelo “Cultura em Moviemento” que se tornaria o Movimento ICV – Instituto Cultural Viamonense www.icviamonense.blogspot.com , pela reabertura da biblioteca, pois circulavam notícias de que seria fechada para sempre. Depois de muito tempo a biblioteca reabriu, porém não mais na Secreetaria de Cultura e sim na de Educação. Foi também em 2009 que a Secretaria de Cultura e Esportes não articulou a participação na II Conferência Nacional de Cultura, chamando a etapa Municipal. Um grupo de artistas contatou os facilitadores do Minc e a Câmara de Vereadores, que fez a Conferência, como consta no Relatório. Na época foi criado o bloghttp://cuturaviamao.wordpress.com/ Na Conferência foi instituido o Fórum Permanente de Cultura de Viamão, que articulou junto as autoridades a criação do Conselho Municipal de Cultura e da Conferência, e que em 23 de novembro de 2011 tornou-se o atual FCV, uma associação sem fins lucrativos para preservar a caminhada do grupo e manter a mobilização veja no blogwww.forumpcv.blogspot.com . É lamentável que tudo no município seja tão difícil de se fazer. Lembro de uma autoridade dizendo algo como “ nenhum Conselho em Viamão funciona, vamos tomar cuidados para que o CMC não se torne mais um entre tantos que não fazem nada”... Ao acompanhar as dificuldades que o CMC está enfrentando é possível entender porque outros conselhos acabaram desativados, como o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio, criado em 10 de dezembro de 1993, ou o FUNCULTUR, criado pela lei nº2557/96, que seria administrado por um Conselho de Administração, acredito que essa lei é ou foi extinta ou esta em desuso . Mas na cultura vamos continuar pressionando para que as coisas funcionem bem, tendo um efetivo Sistema Municipal de Cultura e um Plano Municipal de Cultura que atenda as demandas das duas últimas Conferências.
02/09/2012
Fernanda Blaya Figueiró
O Dilema de Fausto
Fui assistir ao impressionante Fausto o personagem criado para o Teatro caiu perfeitamente na Telona. Os primeiros minutos mostram a autópsia de um corpo em decomposição, revolta o estômago. Muito diferente dos episódios de Dr. G e outros programas que abordam o dia-a-dia dos médicos legistas. A imagem da decomposição fica gravada e aos poucos o próprio Fausto vai se desfazendo diante do olhar do espectador. A forma como é dominado pelas forças demoníacas e a sua falta de consciência do lodo em que vai afundando percorrem toda a trama. O idioma Alemão, tão pouco comum ao nosso ouvido parece tornar o filme mais obscuro. Mefistófeles um assustador, porém sedutor, demônio joga com a vaidade do protagonista e a realidade vai sendo aos poucos distorcida. Bem, mal, certo, errado. Existe Deus, não existe? Existe o Demônio ou não? A vida segue após a morte? Onde fica a alma? Ludibriado pelo demônio Fausto comete todos os pecados mata, rouba, cobiça as mulheres alheias, mente, come... Em determinado momento o demônio aguarda em uma rua sombria, convida Fausto para num obscuro passeio pela miséria e de fraque e cartola leva a trama ao momento derradeiro da assinatura do contrato. O personagem troca a própria alma por uma noite de prazer. Não há mais retorno! A decida é rápida e degradante. Nem cicuta adianta mais. O personagem preso ao desespero rasga o contrato e apedreja o demônio, mas está eternamente preso num deserto de vozes do passado. O filme é maravilhoso e caiu para mim como uma luva. Elevei minha alma ao me dar conta que tudo sempre se repete. “Acabou! Como se nunca houvesse acontecido!” diz o personagem querendo decretar aquilo que não lhe pertencia mais o direito de escolher. Foi além do Livre Arbítrio e pagou sua pena. A degradação da alma é tão chocante quanto a do corpo. Que belíssima metáfora. As vezes só a arte para nos libertar.
Fernanda Blaya Figueiró
1 de setembro de 2012
Meu voto
Vou fazer algo que ainda não havia feito na vida, diante da falta de competência dos administradores do município em que moro, Viamão, vou abrir meu voto. Talvez eu não esteja correta, uma vez que não sou da área do direito mas acredito que o período eleitoral serve para que os cidadãos avaliem a forma como as coisas publicas estão sendo administradas, neste ano revisamos a administração municipal elegendo prefeito e vereadores. Bom estou insatisfeita com a atual administração, principalmente no que diz respeito à cultura, porque acredito que os gestores públicos agem contra a vontade da comunidade artística, moro em Viamão a quatorze anos, e desde então já acompanhei quatro mandatos do mesmo partido, acredito que tenham aspectos positivos e negativos. Mas especificamente na cultura, não recordo o tempo antigo de grandes políticos como Tapir Rocha, acompanhei ao desmantelamento do teatro André Ribeiro Cancella, que era forte no tempo do governo Ridi, as inúmeras tentativas de fechamento da Biblioteca Pública Érico Veríssimo, que foi tirada da Secretaria de Cultura e Esporte e entregue a Secretaria de Educação. Do fechamento da “Casa de Cultura” Da Sala da Memória, da Sala De Curtis, cujo acervo tem endereço incerto... Ao abandono do museu, ao desrespeito aos funcionários. Viamão merece muito mais do que isso. Depois do debate pensei muito e resolvi que votarei para prefeito no senhor Bonatto e para vereador no professor Bennech, no primeiro pela tentativa de trazer para a gestão pública a eficiência da administração privada, pois como todos sabem é um ótimo empreendedor. No segundo pela eficiência de gestão como diretor de uma grande escola pública , a EE Valter Jobim. Quem vai vencer a eleição é uma outra conversa, mas mesmo que seja o partido que está atualmente no poder, espero destes senhores que tenham um pouco mais de respeito pelo cidadão. Inclusive digo que não tenho nada de pessoal contra o atual prefeito ou secretário de cultura, mas sim contra a forma com que administram alguns assuntos, principalmente a recusa de aderir ao SNC, algo que seria maravilhoso para impulsionar a cultura no município e a falta de atenção para com as demandas das conferências e para com o Conselho Municipal de Cultura, que foi eleito e empossado em 17 de dezembro de 2011, foi instalado só em final de março e ainda não teve seu Regimento Interno publicado. Falar em política não é feio, nem é politicagem, falar em política é um direito do cidadão.E essa é justamente a época de cada um fazer a sua própria reflexão. Pois para desgosto de algumas pessoas vou continuar ainda morando aqui, comprando aqui, escrevendo aqui.
Fernanda Blaya Figueiró
31/08/2012
Educação: Mais compreensão e menos drama!
Os problemas da educação popular não são de hoje e muito menos só brasileiros. O desafio de educar a maior parte ou até a totalidade de um povo são antigos e altamente complexos. Começando pelo mito de que todos devemos aprender as mesmas coisas? Será mesmo que isso é verdade? Não que eu queira dizer que algumas pessoas não devam receber educação formal, mas que a educação formal deve se adaptar as diferenças e as características das comunidades. Algumas realidades são tão duras que não permitem o mesmo aproveitamento do que outras. A criança que vive em um bairro que convive com violência doméstica, criminalidade, falta de recursos financeiros, falta de comida, amor, saúde, segurança, não vai tirar da experiência de estar na escola o mesmo proveito que um aluno que tem em sua vida estes itens atenuados. Uso esse termo porque todas as crianças de uma forma ou de outra tem seus desafios, assim como todas as comunidades. Acho que os números do desempenho escolar estão alarmantes, em parte, porque uma nova camada social está sendo incluída no sistema formal. Com os programas de assistência do governo, alunos que antes evadiriam, acabam ficando na escola, isso diminui a média, sim. Mas, alguma coisa boa estes alunos estão aprendendo. Talvez seja preciso estratificar os números, sem criar “monstros de discriminação”. O importante é que a escola saiba como trabalhar com esse aluno que vem com menos condições para o aprendizado e como não prejudicar o aluno que consegue estar acima da média, dando a ele reais condições de competir com os alunos de escolas particulares ou de escolas públicas de bairros mais estruturados. E também de vencer um pouco a ingenuidade e criar boas oportunidades de emprego e renda para a parcela da população que por alguma circunstância não tem tanto conhecimento teórico. É preciso criar “cursos” de qualificação também para tarefas mais práticas do que abstratas. Voltando para a minha própria formação nunca fui uma aluna exemplar, sempre tive dificuldades, principalmente em português, mas tive bons professores que acreditaram em minha capacidade, claro que tive também professores preconceituosos e que não tinham paciência de esperar pelo meu tempo de aprendizagem, que nunca foi dos melhores. Uma vez lembro de ter ido ao aniversário de quinze anos de uma amiga e todos os convidados escreveram mensagens para ela, eu também, como convivo com a disortografia, cometi um erro de português, minha amiga pegou o livro e mostrou a uma outra pessoas e as duas desataram a rir, fiquei “roxa de vergonha”, disfarcei um pouco e fui embora da festa. Mas não desisti de continuar escrevendo, nem de seguir estudando, para minha auto-estima foi péssimo, mas não acabou com ela. Trinta anos depois desse evento sou uma escritora, continuo tendo problemas em alguns momentos, como os “gagos” se eu estiver muito cansada, irritada, distraída, sob pressão ou muito criativa erro muito mais. Hoje opto por continuar escrevendo e corrigindo assim que encontro o erro, ou passando meu texto para um revisor, o que raramente faço, pois para mim as vezes a revisão interfere no sentido do texto. Algumas pessoas gostam do que escrevo outras não e eu entendo que isso é um direito delas. Mesmo com todas as minhas dificuldades iniciais hoje consigo ser ouvida e respeitada na minha comunidade e tenho um padrão de vida ótimo. Minhas amigas que eram bem melhores do que eu, na época, optaram por diferentes profissões e cada uma tem o seu valor e a sua função num contexto maior. Não vivemos uma sociedade só de doutores, tem lugar e espaço para todo mundo e demanda de diferentes “competências”, até para os loucos tem um lugarzinho. Fiquei preocupada com o discurso derrotista de algumas pessoas diante de alguns números, a educação brasileira precisa melhorar? Sim! Mas muita coisa boa tem sido feita também. A educação vai melhorar seus índices quando toda a sociedade melhorar. Não antes e nem depois, junto.
29/08/2012
Fernanda Blaya Figueiró
O movimento de retorno nas artes
Outro dia estive visitando o Atelier do amigo Fernando Penna de Moraes, a seu convite, entusiasmado ele dizia que depois de um longo jejum estava novamente pintando. Para minha surpresa enormes painéis de madeira descansavam sobrepostos, uma imaginária loja de flores tomou conta do meu olhar. A magia de passear por um lugar que não existe é indescritível, cores exuberantes convivendo com formas e figuras primorosamente desenhadas. A fusão entre o fazer do artista e do artesão tão inseparáveis me pareceram uma síntese das possibilidades de expressão do momento. Não quero usar o termo contemporâneo pois nosso “tempo contemporâneo” muda tão rapidamente que parece um movimento estático. Assim como na moda, nos costumes , nas ideias, os estilos e estéticas vão e vem, são construídos e destruídos. Mas alguns traços não nos abandonam nunca são nossa essência, não importa como “nomeamos” uma fase da expressão de um momento, importa a emoção que transmite. Fiquei com a impressão de estar diante de um homem apaixonado pela vida, ou encantado pelo próprio desejo de pintar. Bom, ruim, novo, antigo perdem totalmente o sentido quando um artista expõe o seu pensar, ou pulsar. Toda a arte é uma expressão de um espírito. Quem serão todas aquelas formas femininas? Talvez sejam um passeio pelo desejo pulsante do artista pela vida. Ou uma vontade da forma e da figura de aflorar, se libertando das catacumbas do esquecimento. As Belas Artes estariam revoltadas??? Já o descaso com a cultura este sim é revoltante. Penna abriu seu arquivo, uma velha pasta, onde adormecem antigos desenhos e pinturas e disse, algo assim: - “ Eu não sei o que fazer com isso, a quem destinar.” Homens de ombros largos gravados em giz de cera, paisagens e um desfile de técnicas tomadas pelo pó. Arte engavetada por falta de espaço de preservação. Esse é o mundo descartável.
26/08/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Minha percepção sobre o Debate.
A comunidade artística de Viamão mostrou que tem força e boa índole durante o debate da apresentação das propostas dos candidatos a Prefeito de Viamão para a Cultura e Arte. Foi emocionante ver a resposta do público ao chamamento para o debate, os mais variados segmentos estiveram presentes, além de lideranças comunitárias de praticamente todos os Bairros, diversos partidos políticos e associações e não houve nenhum incidente ou desentendimento. Tenho recebido de muitas pessoas a seguinte pergunta:- Como os candidatos se saíram? No meu ponto de vista todos se saíram muito bem e o objetivo principal do debate foi atingido: - Ouvir dos candidatos a promessa de que irão se comprometer com “Políticas Públicas para a Cultura”. Todos demonstraram saber que existe um Conselho Municipal de Cultura - CMC, que existe um Sistema Nacional de Cultura, que ao que tudo indica Viamão já fez a adesão. Os candidatos demonstraram que já conheciam o Fórum Permanente de Cultura de Viamão, que organizou o debate, do qual me orgulho muito de fazer parte. Mas uma coisa é certa “ganhamos, não o dia como dizem os trabalhadores, mas a noite”. Ao que tudo indica Viamão deu um passo a frente para fortalecer a cultura que será mantido, e poderá alavancar melhorias em todos os níveis da comunidade. Uma cidade que conhece a sua origem, valoriza sua história e investe nas manifestações artísticas de sua comunidade pode sonhar com uma vida melhor e transformar a realidade. Um povo feliz adoece menos, uma criança que ouve histórias aprende melhor, uma cidade que oferece espaços para a população se manifestar cresce e atrai um público novo. Jovens que são valorizados em suas ações participam mais da vida em comunidade, foi lindo ver estudantes preocupados em conhecer os candidatos, frequentar o ambiente da Câmara de Vereadores, saber que eles estarão também votando nos Vereadores. Viamão tem lindos espaços para o desenvolvimento do turismo, as pessoas precisam ter contato com a natureza e aqui ela é exuberante. As pessoas precisam de espaços públicos permanentemente abertos para ter contato com a arte, com a história, com outras pessoas. O ser humano é um ser que vive em sociedade. Vou me abster de comentar as propostas de cada candidato porque cada pessoa que esteve lá ou que ouviu pela rádio, leu comentários nos jornais, nos blogues tem o direito de formular a sua própria opinião. A participação de representantes dos partidos políticos também foi importante, conversava com uma amiga que me disse, algo parecido com isso: “- A democracia não existe sem que existam os partidos, eles são fundamentais ao processo eleitoral.” Isso demonstra que o debate não se encerrou ali, nas considerações finais dos candidatos, ele seguiu pelas ruas e na mente das pessoas. Então nesse sentido acredito que foi uma ação cultural e política no sentido mais amplo e verdadeiro.Uma coisa é certa a comunidade vai cobrar do futuro prefeito que estas promessas sejam cumpridas e não esquecidas na correria do dia-a-dia. Esta é minha opinião pessoal, não corresponde ao pensamento do grupo pois nossa avaliação coletiva será só na próxima quarta-feira, mas como escritora me sinto a vontade para escrever este breve comentário. Duzentas e dezoito pessoas estiveram lá e assinaram as listas de presença, muitas só der uma "passadinha", outras tantas viram o movimento de longe, sem falar em quantas ouviram e leram... Então acredito que o debate teve um grande exito.
17/08/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Brincando de “Nostradamus”!
Assisti no jornal que a presidente Dilma aprovou uma licitação para a elaboração de um projeto em que a Inciativa Privada é convidada a investir na “malha ferroviária”. Enquanto no cenário federal o governo chama a iniciativa privada para ajudar no PAC, aqui no Rio Grande do Sul o governo está retirando as Praças de Pedágio dela. Eu gostaria de entender que lógica há nestas ações que parecem tão opostas? Brincando de Nostradamus podemos imaginar que “Em poucos anos o Governo Federal acabará retomando as ferrovias e que o Governo Estadual recorerrá a iniciativa privada para recuperar a “malha rodoviária”. Entender como e para onde está se dirigindo a gestão pública é quase impossível. Agora a sensação que causa é a de paralisia, poderiamos navegar um pouco, mas daí o caldo entorna mesmo. Tem o transporte aéreo é bem verdade, mas para ele é preciso de aeroportos? Quem vai mexer nos aeroportos? A iniciativa pública ou a privada? A privada tem que tomar cuidado com as descargas da pública... Só para brincar um pouco com isso, porque entender é difícil. Hoje na rádio Santa Isabel eu comentava que a classe política precisava voltar a ser valorizada, mas bem que eles podim dar uma ajudinha, né?
Fernanda Blaya Figueiró
15 de agosto de 2012
Empresa Gaúcha de Rodovias??? Plebiscito , já!!!
Ontem estive em uma reunião social em que o assunto acabou girando em torno das praças de pedágio, as opiniões se dividiram como normalmente acontece. Resolvi escrever a minha opinião sobre isso: - Acho um absurdo!!!! O país está mergulhado em uma crise ética, com fraudes saindo como coelhos da cartola, golpes e escândalos procriando para todos os lados. Nesse cenário apocalíptico a ideia de criar uma Estatal para cobrar para administrar estradas, que já são públicas, que tiveram que ser entregues à iniciativa privada porque não conseguiam ser mantidas pelo estado é um absurdo retrocesso. Então acabem de vez com os pedágios e usem o dinheiro dos pesadíssimos impostos do combustível e dos veículos (e das multas) para fazer a manutenção das estradas. Quanto vai custar para o Rio Grande do Sul criar essa empresa? Quantos novos cabides de emprego, ou melhor Cargos de Confiança, serão criados? Ou haverão concursos públicos para suprir as necessidades de mão de obra da tal empresa? Esses servidores públicos terão estabilidade no emprego??? E os atuais concessionários serão indenizados por quem? Estatizar o que já é estatal e que foi privatizado por ineficácia da gestão estatal, parece brincadeira. Não sei qual é o mecanismo para pedir um Plebiscito, mas acho uma afronta ao cidadão, que é quem vai pagar por toda essa geringonça, criar uma “Coisa” dessas sem pelo menos por uma consulta pública. A gente olha para uma notícia assim e fica pensando: - Que maracutaia é essa???? Mensalão, mensalinho, mesadinha de quem???
12/08/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Nunca antes foi tão necessário aplicar uma pena exemplar
Estamos assistindo, no cenário nacional, ao julgamento do Mensalão, um dos mais perigosos jogos de corrupção que a nossa sociedade já viveu. Marcos Valério, José Dirceu e companhia já tinham caído no esquecimento, ninguém mais lembrava deles, porque o povo brasileiro quer a paz e a prosperidade. Aqui são aceitas as diferentes religiões, os diferentes pensamentos políticos, as diversas etnias e culturas, todos vivemos bem. Então a corrupção acaba de alguma forma sendo esquecida, não sendo punida. No Brasil são punidos os “ladrões de galinha”, traficantes, assassinos, infratores que se criam a margem da sociedade, por questões financeiras ou morais. A corrupção não é combatida nem punida, acaba ficando um crime menor, do qual muitas pessoas participam pela sua “normalidade”. “Todo mundo faz assim!!!' então não é algo errado. A esposa de um “suposto criminoso” tentou na semana passada subornar um Juiz de Direito e isso virou notícia. Me peguei pensando: será que ela não levou o suficiente? Olha só o absurdo. Nossa mente está tão contaminada que ao invés de ter ficado orgulhosa do Juiz que não se corrompeu, instintivamente pensei que algo no “esquema” não tinha sido feito certo. Logo em seguida me envergonhei de ter pensado assim. Mas este pensamento reflete uma coisa bem mais profunda, estamos duvidando que haja entre nós pessoas do “Bem” , estamos aceitando que a corrupção tem ganhado o jogo, que o errado está triunfando sobre o certo. O Povo Brasileiro é composto de uma mistura de povos que já passaram por terríveis guerras e que por isso preserva a Paz, muitas vezes “fechando os olhos” para algumas realidades distorcidas. Por isso acredito que este julgamento pode mudar pacificamente a forma como as pessoas irão agir e pensar. Se essas pessoas que usaram seus mandatos, o direito de falar e agir em nome do povo, para comprar votos, corromper e ser corrompido, forem punidas, sendo responsabilizadas por seus atos, talvez o cenário político do Brasil mude. A respeitabilidade das instituições precisa ser retomada, pois com ela vem uma mudança na base da sociedade. Se os “medalhões” forem punidos , as “medalhinhas” vão entrar nos eixos. Se a corrupção vai acabar, duvido muito, mas vai voltar para uma porcentagem bem menor, já que a sociedade vai continuar sendo uma sociedade humana, com seus defeitos e qualidades. Ninguém age contra si mesmo se souber que haverão consequencias, se essa moça, esposa de um “suposto bicheiro” soubesse que seria presa ela teria pensado melhor. Se esses políticos que estão sendo julgados soubessem que seriam punidos teriam pensado em seus atos e no que eles representam. A certeza da impunidade, que culturalmente se instalou no país levou a essas distorções. Eu pergunto quem de nós nunca jogou no bicho??? Jogar no Bicho é crime??? Tenho um antigo texto em em determinado momento o personagem diz: “ Nada é mais sério no Brasil do que o jogo do bicho”. Todo mundo sabe que se jogar no bicho e for premiado será agraciado com o prêmio, sem “sujeira”. Não seria aceitar a “normalidade da ilegalidade do jogo do bicho” a mesma coisa que aceitar que “compra-se juizes” “compra-se votos”, “compra-se eleições”... “compra-se maconha” “compra-se craque( a droga)” “compra-se resultados de partidas de futebol”... Tenho que terminar esse texto porque ele se autodestruirá em alguns minutos. Parece que hoje vai dar zebra na cabeça. Brasil vamos deixar a hipocrisia de lado e virar o jogo, não vamos mais aceitar a corrupção em nenhum nível. Respondendo a minha própria pergunta eu nunca tive a coragem de jogar no bicho, sabe porque? Porque eu fui criada durante a ditadura e tinha medo dessas coisas. O meu medo é irreal e exagerado, o que não é nada saudável, mas um pouco de medo ou de respeito é fundamental para a sobrevivência. Porque não tenho receio de escrever estas coisas todas? Porque ninguém lê no Brasil.
Fernanda Blaya Figueiró
5 de agosto de 2012
Quanto vale um Real!
Enquanto no mundo todo trabalhadores protestam pela falta de emprego e por uma apavorante recessão, no Brasil os trabalhadores públicos e da iniciativa privada pedem aumentos salariais. Isso nos leva a perguntar qual a realidade em que se encontra o Real? Quanto realmente vale o Real? Será que o salário do brasileiro acompanhou o aumento do custo de vida? E daí voltamos a nos perguntar se a corrupção, desvio de verbas, superfaturamento de produtos não está dando uma falsa noção sobre a realidade. Alimentação, transporte, segurança, educação,moradia estão muito mais caros do que antes, viver em cidades brasileira esta caro e difícil. Talvez o item que menos tenha encarecido nos últimos anos tenha sido os remédios, porque tem a possibilidade do uso do genérico. Agora parece que a carne vai entrar em oferta devido a falta de consumo no exterior. Ao brasileiro cabe fazer ginástica com o dinheiro que tem, precisamos aprender a pechinchar, atrair o preço para baixo naquilo em que for possível. Consumir nos períodos de liquidações e ofertas e valorizar o Real. Porque ele foi uma das melhores coisas que aconteceu no País. A estabilidade da moeda trouxe uma segurança para as pessoas, a segurança de saber: Isso está muito caro! A noção de saber que um produto ou serviço tem um determinado valor. Ou de saber que as compras da semana sairão por um determinado valor e com isso poder organizar o orçamento. Todas essas notícias de greves e reivindicações de aumento de salário deixam a impressão de que a moeda forte do Brasil não está mais tão forte assim. Ou que as pessoas não estão mais conseguindo manter o mesmo padrão de vida, logo de consumo, com o que recebem. Ou não se sentem bem dentro da sua colocação profissional, esperavam receber mais pelo que estão fazendo, para os cargos que conquistaram. Será que o País tem como acomodar esta insatisfação sem comprometer a estabilidade do Real? Sei que este é um assunto para especialistas, que não é de fácil solução. Mas as notícias são públicas e a pergunta é livre. Ainda bem, podemos olhar para o mundo e fazer indagações. Se haverá uma respostas, não depende de quem formula a pergunta. Como sou muito supersticiosa acredito que lançar perguntas é muito importante pois alguém pode acabar tendo o mesmo pensamento e com uma competência maior responder a elas e levar a diante.
Fernanda Blaya Figueiró
31 de julho de 2012
Exercendo a cidadania
Prezado candidato como o senhor pretende combater a corrupção em seu governo? Estava preparando algumas perguntas para um debate que pretendemos fazer, no município em que moro Viamão, sobre as proposta dos políticos locais para a cultura. Mas acredito que a coisa que mais tem incomodado o eleitor brasileiro é a corrupção. Sabemos que é quase impossível acabar com ela, mas ela pode ser “domada”. Quem sabe se neste período de eleições municipais não é possível um tipo de movimento de conscientização de eleitores e candidatos? Os políticos estão conseguindo se tornar figuras abomináveis, como personagens malvados de novela, mas são um “mal necessário”. Alguém tem que se dedicar a gestão das coisas públicas, a servir a comunidade. O que aconteceu para que a classe política ficasse tão desgastada? A pergunta incomoda, porque a resposta leva a tomada de consciência do tamanho da corrupção e do descrédito dos governos. Quem sabe se as pessoas voltarem a se envolver com a política as coisas não melhoram. Não com a política partidária, mas com a política como a atuação de cada um no meio em que está inserido. Qual a sociedade que queremos, o que está bem e o que precisa melhorar? Todo o cidadão tem direito a pensar sobre isso, refletir, discutir, perguntar, buscar informações. Agora é a hora de perguntar porque a senhora ou o senhor quer ser vereador ou prefeito? Quais os seus objetivos, qual a sua visão? Talvez assim a sociedade ajude os próprios candidatos a clarearem as suas mentes. Será que ela ou ele sabe o que tem pela frente, os desafios, compromissos, a responsabilidade? E o seu compromisso com o partido qual é? Pode parecer uma grande tolice este texto, mas não há mais filosofia, sociologia nos programas de ensino. As convenções políticas são quase “campos de batalha”, são marcadas por conchavos mais do que por discussões e depois de eleitos parece que alguns políticos se isolam, blindados por uma parede de “aliados”. O senhor Tiririca levantou uma verdadeira realidade, muitos candidatos não sabem o que estão fazendo, nem o que espera por eles. Bem como o cidadão também não sabe mais exercer a sua cidadania. Mas aos poucos a realidade pode ser modificada. Acho que o Brasil está vivendo realidades que outros países já viveram, lembro que quando eu era pequena a Itália era dominada pela mafia, que matava juízes, mandava e desmandava. Mas depois isso foi mudando, pelo menos para quem olha de longe. Outro dia assisti a um programa que falava que as cidades norte americanas já tiveram “cracolândias” e já tiveram bairros que “morreram” dominados pela violência e que isso foi superado. Então acredito que o Brasil ainda vai atingir níveis melhores de desenvolvimento ético e não será preciso uma atitude muito drástica, basta que professores ensinem, médicos curem, advogados defendam, pedreiros construam, políticos administrem bem as coisas públicas. Aos artista sobra o papel de criticar, sonhar, mostrar a sociedade sua face.
Fernanda Blaya Figueiró
26 de julho de 2012
Catarse ou profecia
As religiões são um elo entre a humanidade e a sua origem, buscam criar um sentido para a nossa existência. Como a explicação mais aceita e respeitado no momento é a vinda dos meios acadêmicos cria esta sensação de que é a única. Sendo a única possibilidade se torna dogmática e fechada. Não tenho nada contra a ciência , bem pelo contrário, acho maravilhoso estar aqui neste momento e poder testemunhar este mundo. Um mundo em que não há mais Profetas e sim Projeções. Não há mais Visões e Oráculos, há Planejamento e Relatórios. Mas, o mundo continua o mesmo e o futuro a Deus pertence, mesmo com toda a tecnologia e “avanço” da nossa forma de viver, ainda não temos o Destino nas nossas mãos. Ninguém sabe exatamente qual é o nosso fado, a que estamos fadados. Nem se há ou não um sentido nesta caminhada, que ainda é o movimento que melhor define a existência humana sobre o Planeta, uma jornada de ação e transformação da natureza. Talvez a nossa natureza seja a de brigar com as forças da natureza. Não aceitamos a nossa humanidade e a nossa condição animal. O mito de que "ser humano" é mais e melhor do que ser uma pedra, um vegetal ou um outro animal perpassa os tempos. Nesta caminhada construir e destruir é parte da ação e da interação do fazer. Antigamente plantava-se para colher, alimentando a tribo. Hoje é para alimentar uma longa cadeia de coisas absurdas. Nesta semana morreram centenas de Pinguins na costa gaúcha, os cientistas acreditam que tenha sido de frio e fome. Acabaram as sardinhas, estão todas enlatadas e em breve, assim que vencer a validade, irão para o lixo e os pinguins morrem de fome. Fora as outras espécies que não foram morrer na praia, que estas provavelmente estão desaparecendo das redes de pesca. Mas o pescador tem que viver! Tem em harmonia com o mar. Que não está para peixe. Uma profecia atual é a de que em breve, muito breve, não haverão mais pinguins, peixes e pescadores. Haverá um grande “Dilúvio” pois as águas sem vida vão evaporar mais e vai chover mais e as cidades litorâneas, como Atlântida, serão perdidas. Todas perdidas. Mas Deus, ou alguns núcleos de estudos, salvará alguns genes de pinguins, de peixes e de pescadores, numa grande arca e quando o dilúvio passar, depois de uns quarenta anos ou séculos, a vida renascerá. Talvez com o mesmo erro do antigo “Dilúvio” que foi o de ter salvo junto um ser autodestrutivo. Ou isso foi obra do destino? Seria esse o destino da humanidade acabar com as outras espécies e com a sua própria alimentação? Ah! Sim! Neste entremeio haverão guerras, gripes, mortes e fomes. A espécie saiu do controle e a natureza está reagindo tentando tomar as rédeas. Tudo isso, como todo o resto é sabido, não é fruto desconhecido. A nossa percepção só tem paradigmas para perceber o revelado, por isso teme e nega o obscuro. As novas relevações são irrelevantes. Estamos vivos para matar e morrer. Viu o quanto fica complicado levantar o holofote para a ideologia? Melhor mesmo é “deixar quieto” o bicho homem caminhando na escuridão.
Fernanda Blaya Figueiró
22 de julho de 2012
Cultura : O que é bom permanece!
Sentei no sol para escrever sobre o trabalho, um complexo assunto tão debatido. O que significa esta palavra hoje? Não é bom pensar e escrever sobre essa ideologias, porque toda palavra pode ser deturpada. Estou no pátio do museu, entre cachões Farroupilhas. No terreno ao lado trabalhadores estão batendo estacas, provavelmente fazendo a fundação de uma nova construção. O triângulo de ferro que serve de base lembra os grilhões que há dentro do museu para lembrar do tempo do trabalho escravo. Um gato de pelagem comum, dorme ao sol como se fosse uma esfinge faraônica, lembra muito a Brigite, uma linda gatinha que eu tive, um amor antigo. Não devo me ocupar com o trabalho, vi isso ao passar pelas terríveis argolas do tempo da escravidão. Estranhamente o silêncio ocupa o espaço e o sol mostra toda a sua força. Alguém se aproximou e comentei como estava bom de ficar no sol, ganhei uma autorização para permanecer com um: fique a vontade. Penso que talvez os bancos não fossem para sentar. Se o gato pode eu também posso. Antes passei pela exposição Haiti- Arte e resistência. Arte. Resistência. Transformação. Perenidade. Trabalho. Dorme nos canhões o tempo antigo. O antigo tempo das guerras. As árvores tomam os muros. Um pássaro rompeu o breve silêncio e um galho cai lentamente no chão. O trabalho das aves é o mesmo a Milênios. O dos seres humanos também. Os complexos sistemas que criamos para definir nossa ação no mundo são apenas amontoados de palavras criando ilusões. Uma formiguinha vermelha procura comida no meu papel. Quem vai inventar as novas formas do trabalho será o povo. Que é quem trabalha. Os intelectuais vão fazer o seu trabalho e nomear as coisas. O gato tem plena consciência de todo o seu poder. Tanta arte e ele foi fotografado. Quantas vidas será que estes canhões tiraram? Quanto poder veio de suas entranhas? É preciso trabalhar essa paz, mesmo que ele seja tão precária. Tim, Tim, Tam... Tim, Tim, Tam... O som do tempo ecoa sem parar. Meu amigo destes poucos segundos vai continuar aqui no sol. Nada de novo acontece no Universo desde que estamos aqui, eu e ele. A ideia mais bonita que a humanidade teve foi a ideia de Deus. Quanta bela arte foi feita em seu nome? Quanta guerra e paz?
Atualmente resolvi cair em devoção pela poderosa Deusa Ciência. Ela é a atual Grande Mãe, maior que Eva, Sara, Maria, Kalunga, Ísis, Atena, Afrodite, Kali, Tara, Pachamama... Isso é cientificamente comprovado. O Corpo dessa deidade é luz e energia, suas feições são virtuais, etéreas. Seu dogma o Método. A Ciência da arte é definir um entorno ao que foi feito. Uma síntese do que artista-objeto-espectador sentem. Na literatura leva a alguns absurdos cortes, violentos, feitos com navalha afiada... Há um tipo de lírio branco que está na sombra, atrás do banco do gato, está chateado por não ter sido citado, neste texto. Acho que os bancos e mesas de pedra também. Dizem que o gato e os canhões viram protagonistas e que eles são apenas moldura. Protesto. No meu texto nada disso será cortado e o lírio deve sentir-se tão ator quanto o gato. Soam os sinos da Catedral, acho que já “aluguei” o espaço público tempo demais. Podem confundir estes fragmentos de percepção com algum tipo de loucura. Antes de sair me deparei com a “máscara mortuária”. Uma antiga forma de arte. Passei pela praça e dois cães aproveitavam o mesmo sol do gato, admirando as esculturas de cães. Seus donos notaram minha percepção deste fato. Entrei no Teatro e estava cheio de crianças. Deve ser por causa das férias. Devo dizer que foi Divina a apresentação do grupo Tholl, o repertório belíssimo e a execução das peças mágica. Tem um discurso na cultura de que se deve dar acesso a cultura e que ela está em todos os lugares. É verdade, mas é preciso este ponto de contato, em que o que é feito por um encontra o que é feito pelo outro. Essa convivência cria o novo, recriando o antigo. Piercingis, corpos tatuados em roupas de festa e uma excelência na performance ligam o jovem ao que foi legado pelos antigos. A nova expressão com a antiga em coexistência pacífica. Esse será provavelmente o design do novo-capitalismo-socialismo. Quem teve fôlego para vir até aqui deve se perguntar se esse texto tem algum sentido e eu devo dizer: Não. Estou apenas aproveitando um dia frio de sol, enquanto ainda tenho dias e esse é o segredo de viver. Além do arco-íris...
Fernanda Blaya Figueiró
A Importância dos Pontos de Cultura
Quarta-feira, dia 11 de julho de 2012, o Fórum Permanente de Cultura de Viamão- FCV fará um debate sobre a importância dos Pontos de Cultura, um Projeto do Minc que agora está sendo ampliado com parceria com o Governo Estadual. O Fórum recentemente se tornou uma associação sem fins lucrativos, com o objetivo de conseguir participar de editais de fomento a cultura e de ser respeitado pelo poder público. Bom, infelizmente não poderemos participar, ainda, devido ao pouco tempo de existência, o que de um lado é ótimo porque ajuda o grupo a amadurecer e a aprender a trabalhar em equipe, mas por outro é ruim pois adia nossos sonhos. O Fórum nasceu , informalmente em 2009, como fruto da II Conferência Nacional de Cultura, etapa municipal. De lá para cá estamos, exaustivamente, tentando convencer a administração municipal a fazer a adesão ao Sistema Nacional de Cultura - SNC. Isto está registrado no relatório da conferência municipal enviado ao poder público, está registrado no Programa da Conferência Municipal de Viamão de 2011, onde veio uma representante do Minc, Carla Ribeiro, palestrar sobre a importância dos municípios integrarem o sistema e ainda comentou sobre os Pontos de Cultura. O Conselho Municipal de Cultura de Viamão foi eleito, empossado, está trabalhando, com o prazo para aprovar seu Regimento Interno acabando. O documento está pronto só esperando a assinatura do senhor Prefeito Alex Boscini. O Termo de adesão ao SNC está nas mãos da Secretaria de Cultura, os Conselheiros participaram do Iº Encontro de Conselheiros de Cultura do RS. Tudo tem sido feito para tentar agilizar o processo, mas nada acontece. Os associados do Fórum estão cansando de esperar uma tomada de atitude. O governo não tem como dizer que não sabe que existe um SNC, pois fazia parte da plataforma eleitoral fazer a adesão. Então fica uma pergunta: O que foi feito pela cultura em Viamão nos últimos dezesseis anos? Fico pensando, esta é minha opinião pessoal, será que vale a pena o senhor prefeito aderir ao SNC no último minuto do segundo tempo, já que o processo eleitoral está em pleno andamento, será que o seu sucessor daria continuidade a um compromisso tão importante? Se houvesse um verdadeiro debate essa seria uma pergunta a ser feita a quem sai e quem pretende entrar. Quanto aos Pontos de Cultura acho que são importantíssimos instrumentos que o Governo Federal vem disponibilizando para fortalecer as comunidades, gerar renda para os artistas, preservar a cultura, desenvolver as potencialidades dos jovens e de todos aqueles que querem fazer a diferença. Na última reunião fiquei incumbida de saber se afinal Viamão vai ou não integrar o SNC, mas tenho verdadeiras dúvidas quanto a concretização deste sonho da comunidade. Sexta-feira estava um tempo fechado, a boa chuva tão aguardada para acabar com a seca, veio com frio e rajadas de vento, faltou luz no meu condomínio e eu estava convidada para um Sarau na Escola Açorianos. Antes de sair de casa liguei para confirmar se realmente haveria a atividade, com a chuva haviam poucos alunos, mas verdadeiros guerreiros, foi maravilhoso ir até a escola e presenciar um lindo trabalho de literatura. O Livro “Eja Poético” uma apostila feita de xerox e encadernada é emocionante, as palavras nele vibram com a força da autêntica poesia. Essa experiência me fortaleceu para continuar com a preparação da atividade do dia onze, não sei se em Viamão teremos alguma associação que preencha todas as exigências do Edital, mas o Fórum vai batalhar para divulgar a iniciativa e talvez as associações tenham que aprender a somar esforços e nesse sentido entendi um pouco a questão de ter um Comitê Gestor para o Ponto de Cultura, pois uma andorinha só não faz o verão. Então com este pequeno texto convido a comunidade para dia onze as dezenove horas ir até a Câmara de Vereadores de Viamão, para conhecer o edital e ver se a comunidade consegue pelo menos um Ponto de Cultura.
Fernanda Blaya Figueiró
Nesta crônica inicialmente havia o epígrafe:
“ Fazer de conta que tudo está bem, quando isto não é verdade.
Para que eu possa acreditar que tudo vai melhorar”*
Ângela Reis - Livro Eja Poético da Escola Açorianos- Viamão
*Recebi a informação de que a aluna citou um
poema de Charles Chaplim, então ao que tudo indica a frase é atribuída a ele. Para evitar problemas deixo aqui este comentário e solicito aos amigos que por ventura tenham
publicado a crônica que façam a retificação.
Obrigada
Fernanda em 08.08.2012
Fui convidada para este sarau por Zaira Cantarelli do grupo VivaPalavra.
08/06/2012
O que me dá alegria!
Ontem participei de um encontro em que abordamos esta expressão: “ O que me dá alegria!”. Eramos apenas cinco mulheres reunidas em torno da palavra Alegria, quase um pentagrama. Tivemos cinco respostas diferentes, mas todas muito simples o canto dos pássaros, a música erudita , o nascer do sol, as viagens, a vida das casas. “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos” Saint-Exupéry , lemos um fragmento do Pequeno Príncipe e a cada uma remeteu a uma memória diferente. E esse é o grande mistério da literatura, as diversas possibilidades que um texto tem. Outro dia estava lendo um fragmento da autobiografia de Agatha Cristie e ela dizia que é preciso ter consciência sobre o tipo de escritor que se deseja ser. Diz ela mais ou menos que sabe que é uma escritora profissional e que como tal atende a determinadas normas e formatos. Isso para mim foi importantíssimo porque eu, neste caso, escrevo para mim mesma. Ou talvez escreva publicamente para mim mesma. Nunca vou ser uma escritora profissional e isso é maravilhoso, mesmo assim tenho alguns poucos leitores “cativos” e alguns “críticos”, pessoas que gostam, ou não, do formato ou do conteúdo da minha escrita. É normal, não só na literatura, mas em qualquer interação. As pessoas formam grupos dos mais variados, de literatura, arte, religião, política, ecologia, esporte, gastronomia, moda, exoterismo... E passam a exigir do outro que seja aquilo que é esperado dele e não aquilo que ele é. Uma pessoa me convidou para um evento e delicadamente me advertiu, mas tem que ser só a “elite”, não queremos misturar as coisas. Eu não sou e nunca serei da “elite”, sou uma pessoa comum que cultiva hábitos comuns,não gosto de cerimoniais muito exagerados e principalmente admiro as pessoas comuns e suas sabedorias. Poderia dizer que minha erudição é popular, se isso for possível. Meu gosto não é refinado, prefiro os ambientes mais “fora de moda”, informais. Mesmo assim irei ao compromisso da “elite”, mesmo que isso seja uma incoerência. Acho que isso nos leva a pensar que a literatura se elitizou, se estratificou, a tal Literatura e literatura. Isso com toda a certeza não me dá alegria, não fala ao coração. É preciso saber equilibrar a alegria e a tristeza e isso só se consegue ouvindo o próprio coração. Acredito que sou uma pessoa comum e quem se aproxima de mim achando que irá encontrar uma pessoa da “elite” vai se frustrar, mas o que os outros pensam e esperam é um problema deles. Tenho procurado diminuir minhas próprias expectativas com relação aos outros e a mim mesma, esse é um difícil aprendizado, mas que evita muitos transtornos. Assisti ao filme “O Corvo” , sai do cinema um pouco sem saber o que havia achado, mas logo me dei conta de que é só um filme, uma abordagem fictícia sobre um grande poeta. Se eu fosse abordar o poema teria sido de uma forma totalmente diferente. O filme é uma diversão e atinge seu objetivo como distração, é bem feito, prende a atenção, não elucida, não desvenda nada de novo. Como o nosso encontro de ontem, falamos um pouco sobre nossas alegrias e junto vieram algumas tristezas, não sei se chegamos ao coração uns dos outros, se atingimos as expertativas, mas isso não importa. O que importa é que naqueles poucos minutos paramos e olhamos para nós mesmas. Porque fazemos isso? É um dos mistério do trabalho voluntário. Deveria ser o ponto de partida de cada ação social: - Estou promovendo este momento porque... .
Fernanda Blaya Figueiró
25 de maio de 2012
Viamão perde casas antigas - Uma Casa portuguesa com certeza!!!
Encontrei hoje a Conselheira de Cultura Sônia Aguiar Machado e ela me disse: “Lembra a casa que fotografamos outro dia?” E apontou para um espaço vazio, sua preocupação acabou se tornando realidade, a antiga fachada não existe mais, como muito casarios antigos de Viamão. Como o município não tem uma lei de proteção do patrimônio cultural nada pode ser feito para evitar que as poucas edificações antigas sejam destruídas. Acredito que talvez seja possível pedir o tombamento por outras vias, como patrimônio estadual ou federal. Agora estes proprietários devem ter permissão das autoridades para a demolição. Entendo a preocupação da Soninha e sua vontade que o conselho de cultura possa atuar junto a outros órgãos na defesa da identidade cultural de Viamão. Há um documento que se chama “Inventário Participativo”, se não me engano, que foi feito durante a gestão do prefeito Ridi e do Secretário de Cultura Vitor Ortiz, que serviria de documento, mas não de livro tombo. É preocupante que nada seja feito para garantir a memória da cidade, de seus antigos prédios. O Senhor Newton Vaz Coelho, Presidente do Conselho Municipal de Cultura vem alertando sobre a preocupante situação em que se encontra a “sala da memória” ou museu, que parece que teve parte de seu acervo destruído pelo fogo, parte estaria mal acomodada pegando poeira, correndo risco de desgaste. Uma grande cidade precisa saber cultuar suas origens para não perder a identidade. É importante crescer, sim. Mas, para progredir não se pode destruir a memória. Como saber agora que data a construção tinha, que valor histórico ela guardava? Esta casa de fachada vermelha se foi, bem na frente da prefeitura, imaginem as outras???
Fernanda Blaya Figueiró
22 de maio de 2012
Saudade
A Bessie, nossa cachorrinha estava muito velinha e precisando de muitos cuidados então passei a ter sentimentos e sonhos estranhos. Queria tê-la para sempre comigo, mas não queria mais vê-la sofrendo, com dor, com dificuldade para andar, comer, beber, levando “tombos” a toda hora, precisando de ajuda o tempo todo, chamando no meio da noite e sem a a possibilidade de falar, só com o olhar e o latido rouco de quem tem pouca força. Há algumas semanas sonhei que havia enterrado uma pessoa viva, noutras que não conseguia respirar. Acho que isso é normal e hoje encontrei um artigo sobre esse “luto antecipado ”http://revistaseletronicas.pucrs.br fiquei contente pois relata sentimentos e pensamentos que eu tive. Não por um ser humano, mas por um cão. Amor é amor, não sei se há separação entre ser humano amado ou ser vivo amado. A hora mais complicada para mim não foi o sepultamento, foi a hora de dar comida aos outros cães. Tem um pote a menos para servir. Uma caminha a menos para arrumar. E a sensação de alívio por ela não estar mais sofrendo e a culpa por esta sensação, foi substituída pela amarga realidade de que ela não está mais aqui. Como a Drª Cristina estava junto e atestou então sua morte foi real, não foi enterrada viva, com meu sonho me atormentava. Esse encontro com a “dona morte” sempre nos lembra que ela vem para todo mundo, mais cedo ou mais tarde. Com dor e um longo padecimento ou repentinamente. Quem fica aqui tem que aproveitar o sol, por aquele que partiu e não pode mais. Tem que “latir” para dizer: - Estou vivo, não enterrado vivo. Achei que não deveria escrever sobre isso, mas outras pessoas podem aproveitar o texto, nem que seja para achar que é uma grande asneira e um sentimentalismo bobo. Que pensem!
18/05/2012
Fernanda Blaya Figueiró
O Ciclo da Vida
Esta semana fui ao Cartório de Viamão para encaminhar alguns documentos, estava na fila quando surgiu entre dois senhores o tema do “dia das mães”. Um disse: “Minha mãezinha, que Deus a tenha, não está mais entre nós". O outro respondeu algo assim: “Pois olha! Preste a atenção. Quando eu nasci me colocaram no colo da minha mãezinha e ela veio a morrer no meu colo. Veja bem como são as coisas.” Seu Moacir que estava ali, do outro lado do balcão disse, mais ou menos: “ Isso daria uma novela, colocando algum recheio, um pouco de lingüiça no meio, alguns desencontros e a novela estava pronta”. Fiquei pensando que deveria escrever este testemunho, depois achei que seria meio “fofoca”. Mas se eu não escrever essa bela metáfora pode acabar sendo esquecida, não sei os nomes dos senhores que travaram este diálogo para dar o devido crédito, então vou registra aqui nestas páginas a minha impressão, já a verdade teria que ser buscada lá no cartório, lugar certo para as verdades. Os textos de ficção são uma mistura de verdades e de interpretações. O mais belo dessa história não tenho como passar, o olhar do senhor e a suavidade de sua voz ao falar de sua “mãezinha” provocaram uma breve comoção digna de um grande momento poético.Tudo isso entre um ou dois minutos, num local público , na fila de espera.Os dramas acontecem o tempo inteiro. Quanta coisa aconteceu entre estes dois atos: a mãe ter recebido no colo a vida do filho e o filho ter entre os braços a hora da passagem da mãe. O amor! Talvez ele só tenha percebido o peso do amor de sua mãe na hora da passagem.Às vezes os filhos não percebem a fragilidade da vida e nem as mães. O momento mágico do primeiro abraço, de ouvir o primeiro chorinho e o sopro mágico de Deus. E o desprendimento do retorno a ele. O que acontece entre estes dois momentos é único para cada ser vivo. Com este pequeno testemunho desejo um “Feliz dia das mães!” para todo mundo, que tem ou teve sua mãezinha consigo em algum momento da vida, nem que tenha sido só o tempo mágico de gestação.
12/05/2012
Cachê do Gabriel Pensador
Fiquei sabendo pelo telejornal que o cantor e escritor Gabriel Pensador receberia cento e setenta mil reais para ser o patrono de uma feira do livro, fazendo um show e a venda casada de livros, contratado pela prefeitura de uma rica cidade gaúcha: Bento Gonçalvez. Os outros escritores “gritaram”, com razão, devido a grande diferença entre os seus cachês e o do astro da literatura. Para mim a única pergunta que cabe é se este valor todo seria realmente para o artista, se assim for não vejo problema, a prefeitura usou o dinheiro público para bancar a vinda de um grande nome, isso acaba soando como normal. Agora o problema sério seria se o “contrato” fosse duvidoso, talvez o artista nem tome conhecimento disso, mas alguns “agentes culturais” compactuam com a corrupção, dando recibos em valor diferente para “molhar a mão de alguns”. Isso assusta e preocupa, pois o país inteiro está debatendo a corrupção e tentando acabar com ela. O Pensador veio e vai se apresentar sem cobrar cachê, então a “gritaria” resolveu, mas ele saiu prejudicado. Parece que durante a Feira do Livro de Porto Alegre há um piso, todas as atrações pagas recebem o mesmo cachê, os não pagos se apresentam voluntariamente, pelo prazer de ter um espaço na feira.
Existe uma disparidade de remuneração entre um jogador de time do interior e um grande jogador, ou no cachê de um astro internacional e um nacional. Assim como a hora de um médico famoso é muito mais cara do que a hora de um iniciante. O metro quadrado num bairro de periferia custa três vezes menos do que nos bairros nobres. É a nossa realidade: cobra quem pode, paga quem quer. O que estraga este “mercado” são as fraudes. São noticiadas fraudes em todos os setores da nossa sociedade e isso leva a desconfiança,a literatura não esta livre dessa realidade. Porém houve uma terrível inflação nos “serviços prestados”. Eu gostaria de saber quanto custava uma apresentação dele há dois ou três anos? E se este inflacionamento tem base real. Pelo menos tem alguém ganhando para escrever e se apresentar, isso é bom, o dinheiro não fica só no futebol.
Pimenta nos olhos dos outros não arde, acho que os escritores estão certos em gritar, a pimenta foi nos seus olhos, assim uma hora todo mundo vai ser mais respeitado grandes e pequenos escritores. Que isso sirva de alerta também para os "Prêmios Literários" e outros valores e títulos que acabam sempre nas mesmas mãos.
25/04/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Pensamento acelerado
Hoje estou com a sensação de que meu pensamento está acelerado, pesquisei sobre isso e aponta para um monte de coisas entre elas stress. Acho que abordei assuntos muito polêmicos ultimamente e este tipo de assunto traz uma gama de dicotomias e sentimentos estranhos. Um assunto polêmico é permeado de versões e de possibilidades e fica muito longe de uma unanimidade, acredito que isso acontece internamente também em quem se dedica a pensar. Pensar cansa! Pode parecer absurdo mas não só os grandes, os pequenos pensamentos podem levar a uma sensação de fadiga. Não que eu seja uma pensadora, mas sou uma pessoa que se atem aos seus próprios pensamentos e os alimenta.
Estou pensando em uma frase que eu sei que é incômoda, que vai trazer aborrecimentos, mas gostaria de libertar as minhas ideias,(ou minhas minhocas), não que eu tenho muita certeza de que isso é correto. Já ouvi dizer que o melhor para evitar uma cadeia de pensamentos seria reprimi-la logo que aponte. Só que ideias reprimidas tendem a voltar. Talvez seja bobo e enfadonho este “pensar em público”. Com certeza é uma exposição desnecessáia ou talvez imprescindível para a escrita. Bom a frase é : “ As tentativas de uma sociedade comunista fracassaram por se parecerem com a sociedade da escravidão!” . Joguem as pedras! O comunismo que aconteceu até os dias de hoje foi totalitário, militarizado e fracassado. As pessoas que viveram e ainda vivem nestas sociedades trabalhavam por obrigação e sem estímulo nenhum, trabalham à força, por coação, pelo menos é o que aparenta. As pessoas precisam ter a ilusão da propriedade, seja ela de um bem, de uma ideia, de seu próprio corpo, de seu trabalho, seu pensamento, sua arte, seu tempo. O Comunismo e a escravidão retiram do sujeito esta sensação de pertencimento, de posse e de liberdade. O capitalismo também, só que investe na ideia de que pelo seu próprio esforço e possibilidade de escolha o sujeito molda o seu mundo, escolhe quem vai ser, como e até onde pode ir. Isso é ilusão e ao nos defrontamos com as barreiras da realidade estamos vivendo submersos num sentimento de incapacidade e frustração. Com certeza alguém já deve ter escrito sobre isso e talvez eu já tenha lido sobre isso. Ou escutado esta frase. Mas para mim esta ideia se apresenta como minha, que bobagem. Se é uma hipótese plausível? Talvez seja, assim como pode ser simplesmente uma distração de uma mente cansada e suscetível a divagação. Ser dono, ser proprietário de algo dá orgulho e um falso sentimento de superioridade, de construção. Eu estou modificando o mundo com a minha ação, eu estou fazendo parte do mundo com a posse de algo. Eu tenho!É preciso mudar isso. Ter é bom, crescer é importante, mas não é tudo, não é preciso ter tudo ou ter sempre mais. Uma hora é preciso parar e usufruir. Acho que este texto não servirá para nada, só para ordenar o meu próprio pensamento, pois a sensação de aceleração já passou, momentaneamente. Tenho evitado passar todos os meus textos pois os poucos leitores que tenho já estão cansados. Então publico e jogo ao Universo sem a preocupação com receber o retorno. Claro que tudo retorna eternamente, mas talvez não imediatamente. Outra coisa um pouco absurda, tenho tentado imaginar como o texto é recebido pelo outro, essa é uma verdadeira “paranóia” porque o texto pode causar várias coisas, inclusive a indiferença. Não é porque outras pessoas podem se magoar que tenho que deixar de pensar livremente sobre algo. Livremente não é bem o termo. Nenhum pensamento é livre, ele é condicionado a vários fatores e a pré requisitos. Viu como uma cadeia de pensamentos não é algo linear é mais próximo da divagação do que da reflexão... Tenho assunto para mais horas de monólogo mas vou para por aqui.
Fernanda Blaya Figueiró
16 de abril de 2012
Aborto - O Germe da Autodestruição
Todo organismo carrega em si o “Germe da autodestruição”, não apenas o Capitalismo, os as religiões, as ideologias. Como diz o clichê : Todo nascimento leva indubitavelmente a morte. A menos que seja abandonada a ideia de nascer e morrer. Agora é fato: o aborto no Brasil é permitido, em três casos, cabe a médicos e mães e os pais? Se um homem engravidar uma mulher e não quiser o feto, como fica? Ouvi uma reportagem falando sobre o quanto na Europa e nos Estados Unidos este “Tabu” já foi vencido. Parece que lá todos os problemas existenciais já foram resolvidos, nossos evoluídos colonizadores devem estar nadando na felicidade, por isso as notícias de lá são tão belas. Voltando a “vaca fria”. Ah! lá na evoluída Europa parece que ninguém come vitela, porque é uma barbárie, nem vaca louca. Lembro que quando era criança achava horrível a mitologia romana, grega, egípcia pelas imagens de pais devorando os próprios filhos, sempre tive muito medo de Cronos. Esse Deus com medo de ser destronado - parece que antes havia castrado o próprio pai, a pedido da mãe - devorava os filhos assim que nasciam. Parece que Saturno fazia o mesmo, bem como o humanissímo Herodes que mandava matar crianças inocentes por medo de perder o poder. Agora são as mulheres que por medo de perder o poder, a carreira, um corpo delineado e sedutor, eliminam os próprios filhos. Depois dizem por aí que a humanidade anda evoluindo a passos largos. Atualmente os filhos, que conseguem nascer, dominam seus pais. Vivemos o reinado das crianças, o Filharcado. As crianças ainda não mantém as famílias financeiramente, a não ser alguns ricos astros infantis, mas decidem como o patrimônio familiar vai ser administrado, o que a família come, o que veste, onde serão as férias da família, em que bairro vão morar, etc... A mídia despeja “desejos de consumo” neles . Os filhos muito planejados são verdadeiros reizinhos, são poucos, ocupam toda a atenção da família e são incontestáveis. Deles se espera que sejam belos, inteligentes, bem sucedidos, atléticos...Pobrezinhos! Lembrei de uma cena do filme “Estão todos bem”, em que o Pai diz algo parecido com: - "Crie os filhos para não serem ninguém." É preciso criar os filhos. Só criar. Passe os seus princípios e crenças e não espere que eles aceitem tudo passivamente, nem que sejam melhores ou piores do que nós mesmos.Eles são donos de si mesmos.A família é um lugar de coexistência, para mim há um ponto de convergência, enquanto a família está reunida e um ponto de divergência na individualidade de cada um. Cada membro da família tem a sua própria história e a memória coletiva, que é um espectro de lembranças deturpadas. Eu pensei em escrever um poema sobre a maternidade como um ato de amor, mas todo ato de amor pode se tornar também um ato de ódio. Ou talvez uma fonte tanto de esperança quanto de frustração, pois ao dar a vida se dá junto a morte e morrer é natural. Por isso eu continuo acreditando que existe uma vida anterior e uma posterior a este lapso de tempo, Cronos, que nos dá a possibilidade da vida e também nos tira ela. O tempo é nosso germe de autodestruição e atingi a tudo o que o ser humano cria, seja uma vida ou uma ideia de vida.
Fernanda Blaya Figueiró
14 de abril de 2012
Fábrica de Crianças Perfeitas
“ O mundo fabricará pessoas geneticamente modificadas,como fabrica, atualmente, alimentos geneticamente modificados”
Eduardo Galeano, em “O teatro do bem e do mal” pg82
O Brasil está discutindo a questão da interrupção da gravidez de fetos com anencefalia, uma rara doença que pode levar ao óbito. Eu tenho uma opinião bem formada sobre isso, acho que o feto é um ser vivo. O motivo do meu texto de hoje foi uma entrevista que assisti com uma das autoridades que está envolvida neste complexo assunto, ele afirmava, com preocupação que sua opinião era sobre fetos com anencefalia, não com outras anomalias. Entendo perfeitamente a preocupação das autoridades e recentemente li um artigo do escritor uruguaio Eduardo Galeano com a frase que utilizo no início do texto e fico pensando até que ponto vai ir esta manipulação da vida. As três da manhã perdi o sono pensando nisso e algumas imagens se formaram na minha mente pensei em escrever e já são quatorze e trinta e ainda estou remoendo, parece que a decisão das autoridades foi adiada. A primeira coisa que imaginei foi um tipo de “Fábrica de Filhos Felizes”, mas ter cérebro não garante em nada a felicidade. Do artigo do escritor uruguaio retirei mais uma ideia , segundo ele, no futuro, não muito distante, os pais poderão escolher as características dos filhos, claro que de acordo com sua possibilidade financeira. Então imaginei uma clínica do futuro oferecendo aos pais no mínimo três planos básicos plano C para a classe média, plano B para a classe média alta e plano A para a classe de pais triplo A – AAA – Pais com renda compatível, lastro em ouro ou ações do mercado flutuante, comprovadamente ricos. Bom o plano C seria no caso de uma gravidez com defeito de fábrica, incluindo a falha da pilula ou o furo na camisinha, a mãe poderia entrar com um pedido diretamente no hospital mais próximo de sua casa, com um custo bem acessível e pagamento em suaves prestações mensais. Plano B incluiria a indução a anencefalia para legalizar a interrupção, a falsificação de exames, a mãe em questão daria entrada em clínicas para fazer um procedimento padrão, limpo, rápido e sem sequelas. Neste plano a mãe ainda ganharia gratuitamente uma lipoaspiração, com direito a drenagem linfática. No Plano A a gestação em questão jamais teria acontecido. A mãe, além dos benefícios do plano B, ganharia uma assessoria para a escolha de material genético de primeira linha, não necessariamente seu ou de seu parceiro(a), além da garantia de qualidade com a entrega de um produto, seu filho, exatamente como o demonstrado em catálogo e a imperdível possibilidade de ter um ano de garantia. Se no final da garantia o produto não fosse aprovado a consumidora teria o direito a "recall", com a destruição, por indução a anencefalia, do produto com defeito. Isso tudo pago no seu Personal Cartão Exclusivo AAA da Fábrica de Crianças Perfeitas.
Fico preocupada com a minha próxima encarnação, como poderei encontrar um lugarzinho nas mães do futuro? Para isso haverá a classe D, os Pobres do Mundo, lembrando que nas próximas encarnações talvez não hajam mais países e que o mundo esteja mesmo totalizado, desculpe, globalizado. Com um pensamento destes no meio da noite acordei sonhando que estava no Titanic, quem sabe se nas minhas antigas encarnações eu não tenha naufragado... Agora espero que as autoridades brasileiras saibam o que estão fazendo. A preocupação no rosto deles já era com os possíveis pedidos futuros usando a lei como parâmetro. Como diz um velho ditado popular do futebol – A cabeça de alguns juízes é uma caixinha de surpresas, nunca se sabe o que acontece lá dentro!
Eu não deveria escrever sobre isso pois vou me incomodar bastante, mas sono perdido não tem recuperação, melhor desengasgar e salvar a próxima noite.
Fernanda Blaya Figueiró
12/04/2012
Xingu- Um ótimo filme
Oi, gente!
Hoje fui ao cinema, na sessão das onze e trinta, só estava eu na sala... Uma pena porque acho esse horário uma ótima alternativa,essa é uma das grandes vantagens do cinema, poder funcionar em qualquer horário e atende um público muito mais amplo. Fiquei surpresa com a excelente qualidade do filme Xingu, tanto na forma envolvente da trama quanto na qualidade de imagem, som e na excelência do elenco. O cinema brasileiro ganha com um filme assim. Lembro de muitas manchetes envolvendo a construção da transamazônica e a questão da dificuldade que os índios brasileiros passaram, os inúmeros anúncios do Projeto Rondon, as notícias de pessoas que saiam de seus municípios de origem para "povoar" o interior. Os conflitos e conquistas de uns e outros, índios e grileiros, mas tudo isso acontecia muito longe, muito "maquiado". Saí do cinema com orgulho tanto dos personagens principais, os irmãos Villas Boa, mas também da visão dada do envolvimento ativo dos caciques e líderes políticos indígenas, achei que o filme resgata um pouco da dignidade destes povos, sua capacidade de interferir na própria sorte. E uma frase me marcou muito , em determinado momento o protagonista diz: +- - Algo morre para sempre neles sempre que entramos em contato! E isso explica muito do olhar de desconfiança que muitos brasileiros tem. Algo morreu para sempre em nós quando fizemos contato pela primeira vez! As crianças e mulheres do filme tem algo parecido comigo. Eu já escrevi várias vezes sobre isso, me sinto 100% Brasileira, acho que tenho nas veias todas as raças mais antigas que fazem a mistura que é o povo brasileiro. Um povo bonito e forte, que lutou muito para formar uma nação. O filme, para mim, mostra o quanto é importante fazer parte da história, ajudar a moldar a sociedade. Algumas pessoas fazem a diferença, algumas modificam o curso da história para melhor ou pior. Modificam para sempre!
Antes do filme rabisquei uma ideia para desenvolver, tem ligação com meu último poema, e agora acho que meu rabisco, que não poli, pode completar essa crônica:
Os jovens
Cabe a eles e
Não a nós
Criar uma nova visão do mundo
A nós cabe contar os
Problemas das antigas ideias
Para ajudá-los a criar
Coisas verdadeiramente novas
Se eles vão nos ouvir...
Alguns, como sempre
Mas são estes alguns os que
Norteiam os muitos
Fernanda Blaya Figueiró
07/04/2012
Todas as criaturas de Deus
Todas as criaturas de Deus são parte da Natureza. Hoje minha cachorrinha estava latindo muito, fui ver o que era e no lado de fora da cerca havia um bichinho agonizando. Fui até lá levei uma caixinha, coloquei luvas para não sujar as mãos e tirei o bichinho de lá. Neste momento passavam os funcionários do condomínio, mostrei a eles e disse que achava que era um bichinho silvestre, um preá ou gambá, pois na frente da minha casa tem uma área de mata nativa. Eles me disseram para deixar o bichinho no mato e mais nada. Contei para meu marido e descrevi o bichinho e ele disse preá não tem rabo, então devia ser um rato! Fiquei invocada e fotografei o bichinho e não deu outra, ao que tudo indica é mesmo um ratão, nunca pensei que os ratos ficassem tão grandes. Então fiquei pensando que ele era mais ou menos como Barrabás. Ao consultar o nome retirei esta informação da Wikipedia (do aramaico: Bar Abbas, "filho do pai"). Eu sabia que Abba era pai e hoje é Sexta-feira Santa então acredito que não tenha problemas em socorrer um bichinho que todo mundo odeia. Meu marido disse que isso vai virar um tipo de piada entre os funcionários do condomínio, isso não me incomoda porque quem ganha, num dia santificado, a oportunidade de salvar uma Criaturinha de Deus? Seja um preá, um gambá ou um simples rato. Decidi chamá-lo de Barrabás e há pouco um urubu sobrevoava a mata, então acredito que a Mãe Natureza vai resolver logo o conflito.
Uma Feliz Páscoa!!!!!!!
Fernanda Blaya Figueiró
6 de abril de 2012
O custo ano da Corrupção no Brasil
Será que alguém sabe o quando, aproximadamente, do dinheiro público do Brasil é perdido, por ano, com a Corrupção ? Além do custo do travamento da “Máquina Pública”, ou porque qualquer coisa que vá ser feita que envolva a gestão pública é morosa, ineficiente, travada? O que é preciso para modernizar e agilizar o funcionamento do País? Qual é a qualidade do Serviço Público no Brasil? Será que a população tem acesso a esses dados e consciência de que poderia ter uma qualidade muito maior a um custo muito menor. Se a educação, saúde, segurança, cultura, transporte,rodovias, ou outros serviços públicos fossem mais eficientes quanto uma família de classe média poderia economizar, ou ainda quanto um aposentado poderia investir no seu bem estar? Talvez se as pessoas tivessem uma maior noção dos impactos que estas ações e deturpações das atividades públicas tem no seu dia-a-dia exigissem mais e de forma mais eficaz que as coisas públicas fossem bem administradas. Isso nos leva a pensar que é preciso saber votar! Mas também é preciso investir em “candidatos” que saibam o que significa ser um político, para que estes candidatos , o dia em que forem eleitos saibam montar uma equipe eficaz de governo, não só um “cabide de empregos” mas um “Capital Humano”, (a palavra “capital” anda um pouco desgastada, talvez a alguns lembre a antiga “pena capital”). Acho que a impunidade é o maior causador do descrédito no qual os gestores públicos estão caindo. Como ninguém é punido, os escândalos não escandalizam mais e tudo passa a ser permitido. Se ninguém vai para a cadeia é como se a regra ou norma não existisse, então não é preciso se preocupar com ela. Desde as coisa mais simples as mais complexas. E isso vai entravando o mecanismo todo. Como será que se sente um funcionário novo, recém concursado e louco para mostrar serviço? Ou um novo político cheio de boas intenções e vontade de trabalhar? Ou ainda o jovem que fez seu “Título de Eleitor” e tem a primeira oportunidade de exercer a cidadania e olha para o vasto leque de partidos e candidatos e pergunta.: Tá e o que cada um pode oferecer ao eleitor? O que significam as siglas dos partidos a que ideia se ligam, que princípios seguem? Que critérios os partidos usam para escolher seus candidatos. Como os partidos acompanham e fiscalizam a atuação de seus afiliados na esfera pública, em cargos eleitos e cargos em confiança. Pode um partido ser responsabilizado pelas ações de seus afiliados? Eu diria a um jovem assim que a população brasileira é de uma beleza e de uma diversidade étnica, cultural, moral que tem como reverter este quadro alarmante que “assusta” ao cidadão comum. É possível mudar isso! Como? Esse é o ponto! Como? Reclamando, refletindo e participando da vida da comunidade, transformando velhos problemas e vícios em ações eficientes e
modernas. Parece uma coisa muito ingênua e talvez seja , mas se dita pode um dia se tornar verdade. É preciso levar para a gestão pública conceitos novos. Principalmente a conscientização dos gestores e funcionários públicos de que sua ação reflete imediatamente em toda a sociedade, reflete em como o Brasil é visto pela sua população e consequentemente pelos outros países. Como um investidor olha para as cidades e coloca na sua decisão de investir ou não o custo da corrupção , do travamento, da ineficiência, da imparcialidade. É isso, escrevo este texto mais para organizar a minha própria noção de como vejo o descaso com a gestão da coisa pública do que para tentar criar uma consciência coletiva. Mas atualmente acredito que lançar a ideia é mais importante do que ser autor da mesma, gera mais movimento porque outras mentes se conectarão um dia e formarão um conhecimento mais profundo e embasado sobre o mote. Eu sei que sou vista como “ Persona non grata” em algumas “rodinhas”, mas isso é muito importante, porque liberta para a visão crítica sobre muitos assuntos delicados, nos quais ninguém toca para não se ferir. As vezes é preciso quebrar algumas hegemonias que parecem indestrutíveis, como a ideia de que o “jeitinho” é tipicamente brasileiro e imutável. Será mesmo???
Fernanda Blaya Figueiró
29 de março de 2012
PS.: Encontrei facilmente na rede dois números R$ 82 bilhões( site da Revista Veja) e ou entre 41 e 69 bilhões por ano segundo outro site brasileconômico ( seria um dado da Fiesp) . Então acho que não há um dado único, mas uma certeza é um montão de dinheiro...
Com permissão !
“Agora que ele e andorinha dormem,que só a Velha Coruja está acordada, permito-me filosofar um pouco. É um direito universalmente reconhecido aos Contadores de História e devo usá-lo pelo menos para não fugir a regra geral”
Jorge Amado
em “O Gato Malhado e Andorinha Sinhá”.
Com a permissão de Jorge Amado, coisa pouca, deixo aqui meu parabéns a todos os Contadores de Histórias, mesmo que poucas pessoas percebam sempre que se conta uma história há uma fogueira no meio de uma capoeira e uma tribo que, com os ouvidos abertos, os olhos brilhantes e o coração palpitando escuta. Escuta! Que eu vou contar para vocês que tudo no mundo é uma bela contação de causos. Uma “charla”, não é por acaso que no princípio era o “Verbo” e estava com Deus e era Deus e se fez carne e habitou entre os homens, digo assim de memória, mas quem quiser busque os alfarrábios e corrija esta velha sentença. Os budistas entoam mantras, os pajés cantam para o céu, as benzedeiras abençoam com sábias e antigas palavras, os Pais e Mãe de Santo evocam com tambores e velhas orações a sabedoria do mundo, os judeus passam de geração para geração as sábias palavras sagradas, os cristãos, de todas as fés, recitam o que disse Jesus... Os ateus o que disseram velhos filósofos e os cientistas o que contam:: o que conseguem comprovar. Provado é de novo reprovado e testado. Contar uma história, por mais simples que seja, é um ato de humanidade. Eu sou uma contador que gosta de contar pequenas histórias, para poucos ouvintes, que me assusta uma grande platéia, assim como todas as multidões, e o som dos espetáculos de grande monta. Ontem um senhor magrinho, bigode branco, costas encurvadas, pesava um ou dois tomates e eu esperava na fila, eis que disse ele: - Meu filho não quis trabalhar aqui, porque havia os Domingos e Feriados... Fez curso largou currículo por tudo e acabou foi “ralando” em obra... Mesmo meu antigo ofício... Respondeu-lhe a senhora, magrinha, cabelos longos presos em rabo de cavalo, olhinhos brilhantes: Eu estou aqui vai fazer dois anos e meio, ( o orgulho estufava seu peito) e nunca faltei um só Domingo! Ainda nas minhas folgas faço faxina na casa do Patrão. Disse o senhor o pobre tem é que fazer o que aparece e ser feliz. Ela continuou: - Aqui é assim eu sei que se precisar o Patrão me ajuda e ele sabe que eu sempre vou estar aqui. Todo fim de mês tenho meu dinheirinho e ajudo os filhos a cuidar dos netos... Talvez não tão textual tenha sido o diálogo, mas pesei meus legumes. A única coisa que me restou a dizer sobre o complexo pensamento foi: É verdade! Se dessemos uma real oportunidade ao povo de se manifestar acho que eles diriam: - Vamos fazer o que tem para ser feito! - Recebemos pelo feito e tudo se resolve. E talvez o povo tenha razão e as coisas todas do mundo são fáceis de se faz e resolver. O rio está sujo, vamos limpar. O sol está forte, vamos trabalhar a noite. A lua fica muito longe, vamos fazer poemas para ela. E assim a vida segue tranquila e todo mundo fica feliz. E tem final melhor que este para uma bela história?
Parabéns a todos os Contadores de Histórias grandes e espetaculares ou pequenas e populares!
Fernanda Blaya Figueiró
17 de março de 2009
Que vergonha!!!
A Presidente, o Governador, o Prefeito estão indignados, imagina a metade do Rio Grande, mais todos os gaúchos além fronteira. Para quem não sabe o Beira Rio foi construído pelo povo gaúcho!Tijolo por tijolo.
Ou pela metade dele, a outra metade esta também "Peliando",para construir o seu. Que vergonha!!!!!!!!!!!!!
Só resta uma pergunta existe Ministério Público , existe Judiciário, no Rio Grande do Sul?
Vamos salvar este Estádio, ou seria este Estado, antes que a vergonha deixe o povo roxo de raiva. A gente começa a achar que as corporações tomaram conta do Mundo.
Não se cutuca onça com vara curta!
A única vez, na minha vida, em que eu me recorde, que briguei fisicamente com alguém foi lá por 1979. Por causa de um Gre-Nal, eu morava na época na rua Chile com a rua La Plata, chamávamos o apartamento de “Ovo”. Meus pais tinham ido passar o fim de semana em Cachoeira do Sul, minha cidade Natal, eu fique na casa de uma amiga, que morava no apartamento superior ao meu, não recordo seu nome. Mas, no Domingo houve o jogo e minha amiga era Gremista, pelo que lembro o Inter ganhou e comemorei junto com as outras crianças do edifício no pátio. Ela achou que era uma traição, pois eu havia ficado em sua casa. Furiosa pegou um taco, do tipo de beisebol, acho que era usado para o “jogo de tacos”, que tinha umas “goleiras pequenas” e uma bola de borracha e veio em minha direção. Ela era muito maior do que eu, o que é muito fácil, pois sempre fui baixinha... Na hora que vi sua raiva reagi, segurei seu dedo do meio e torci contra a palma da sua mão. Ela urrava de dor e eu só larguei quando ela largou o taco e saiu correndo para dentro do edifício. Resultado: quebrei seu dedo. Isso tudo foi resolvido “em casa”, naquela época as coisas eram assim. Não aconteceu nada, fizemos as pazes e logo em seguida minha família se mudou para Cachoeira e nunca mais nos vimos. No outro dia ouvi uma senhora falando no elevador: “ - Vocês viram, que horror, o que aconteceu ontem? Duas mocinhas brigando como bichos!!” Só então percebi que havia participado de uma coisa horrível e fiquei tomada de vergonha e arrependimento. Logo em seguida a Paixão pelo time me deixou. Mas, eu conheço a Paixão e sua devoradora vontade. Não se brinca com coisa séria. Não sei se nos dias de hoje a Mônica continua arremessando o Sanção no Cebolinha e no Cascão, mas quando vejo as pessoas falando sobre as brigas nas escolas como se fossem novidades acho que existe um pouco de exagero e de hipocrisia, porque as gerações antigas também brigavam. Acho que aquela senhora no elevador mudou o rumo da minha vida, aquele comentário me despertou para aprender a controlar meus impulsos e ser menos “furiosa”. Essa história do Beira Rio está ficando ridícula para a torcida, a imprensa, os dirigentes do clube e da empresa e agora acionou os políticos. Usando uma metáfora “meio mafiosa” acho que alguns dedinhos vão acabar sendo quebrados.
Fernanda Blaya Figueiró
01 de março de 2012
Mudar as regras do jogo no meio do campeonato dá confusão
Quando mudaram o edital do concurso Moacyr Scliar eu fiquei muito furiosa, depois achei que poderia ter exagerado na minha reação. Ao assistir as confusões no Carnaval de São Paulo, fiquei muito aliviada, minha reação foi humana. Agora imaginem a decepção de todos aqueles que estavam esperando o resultado do carnaval, quanta energia envolvida, quanto dinheiro em jogo e substituem-se dois jurados na véspera da competição. Carnaval, literatura, futebol, concurso de miss, festival de música, de dança, de capoeira, de bolinha de gude, nada disso é brincadeira. As pessoas investiram tempo, dinheiro, energia, sonhos para produzir um grande espetáculo, que foi transmitido para o mundo todo e alguém decidi brincar com o povo. Com o povo não se brinca! Bola paro mato que o jogo é de campeonato! O velho ditado popular cabe direitinho a toda esta confusão, erraram os torcedores, errou o rapaz que estraçalhou os documentos, sim, mas o furo é mais embaixo, errou quem tomou decisões levianas. Ser convidado para ser jurado é coisa séria, criar regras é coisa séria, fazer um acordo é uma coisa séria. Pessoas foram presas, patrimônio foi queimado, o tumulto se generalizou. Sabe o que fica disso tudo? As pessoas estão cansando da corrupção. É preciso ouvir isso, ver estas atitudes e sentir que está passado da hora de enfrentar a corrupção de frente. Existe uma constituição é preciso respeitá-la. Existe uma norma é preciso cumpri-la. Existe uma exigência é preciso preenchê-la. Se quem deveria fiscalizar e acompanhar estas coisas se omite, a bagunça toma conta. São Paulo tem uma Escola Campeã que foi prejudicada por não poder comemorar e todas as outras prejudicadas pela dúvida. Todo mundo saiu perdendo.
22/ 02/2012
Ferreira Gullar é o primeiro vencedor do Prêmio Moacyr Scliar
Fiquei muito feliz com o resultado, apostei no cavalo certo. Bom, para quem não sabe sou uma poetisa independente, nova, aos quarenta e três anos, nova na arte da poesia. Nova na escrita, velha leitora. Acho que foi maravilhoso que um grande poeta tenha sido reconhecido. Mas, vou registra aqui meu protesto, já escrevi sobre isso, quando saiu a notícia do concurso fiquei com “um pé atrás”. Minha poesia não se dá bem em concurso participei de dois ou três e me desiludi. Um poema meu “A fonte do desejo” foi mal classificado num concurso, de uma pequena editora. O outro, inscrevi no prêmio Lila Ripol há a alguns anos e quando recebi o livro percebi que minha poética não era alinhada com o que estava ali fiquei triste por não ser classificada, mas contente por ter um poema diferente. Eis este antigo poema:
Sonhos!
Linhas cruzadas
Indo e vindo
Sou aquele que sempre esteve
Sou aquele que nunca vai
Meus ossos saltam miséria
A feiúra de minha face assalta
Só pedi um sorriso
Um único sorriso
Negando
Júlia
Eternizou meu
Suplício
Tenho a data de dez de julho de dois mil e sete. Este poema aconteceu, fui ao Parque da Redenção com minha filha e cruzamos por uma pessoa esquálida e, não sei bem porque, ele olhou em minha direção e sorriu, como se encontrasse um velho conhecido. Atravessávamos a rua e meu instinto me fez baixar o olhar. Vi seu “desmoronar” , escrevi o poema e entendi que só diz respeito a duas pessoa eu e ele. Depois inscrevi um outro poema sobre Fernando Pessoa “Dentro e fora” já sabia qual seria o resultado, mas fiquei compelida a escrever e inscrever. Buenas, como diz o gaúcho, encurtando o causo, quando saiu o Prêmio Moacyr Scliar, do IEL_RS, a tentação foi grande, um prêmio de cento e cinquenta mil reais mexe com a imaginação ou com os sonhos e desperta alguns desejos. Pensei, depois de receber inúmeras vez o edital, em inscrever meu livro “Arquivo poético”. Havia uma exigência, o “Depósito Legal” da obra, conforme lei, o meu livro tinha. Pois o edital do concurso foi modificado e esta exigência retirada. Fiquei muito ofendida e me senti enganada, pois a mudança parecia feita “sob encomenda”, reclamei ao instituto e recebi uma resposta dúbia. Pedi um parecer ao Ministério Público e recebi a resposta
“Ausência de ilicitude nessa
decisão administrativa, uma vez que o depósito permanece obrigatório por força
de lei,
apenas não mais como pré-requisito do certame especifico".
E um prazo para recorrer.
Resolvi que para mim o assunto terminava, mas fiquei muito chateada, deprimida até.
Escrevi para o IEL e solicitei a anulação da minha inscrição.
Quando saiu a lista conferi se meu pedido havia sido acatado e descobri que sim, para meu alívio.
Mas logo no" F"
esta Ferreira Gular, pensei: temos um vencedor.
E torci para que ele fosse contemplado com o prêmio.
Não sei se seu livro tinha o tal “Depósito Legal”, mas certamente deve ser um ótimo livro.
Meu sentimento sobre isso coloquei no papel em dois poemas e
algumas crônicas.
Fico feliz pelo desfecho, mas acho que na próxima edição do concurso, de contos, as regras devem ser
claras e cumpridas. Mudar as regras com o jogo em andamento fere a ética.
Quanto a literatura gaúcha? Não sei o que pensar. Sei que todos os escritores
independentes não fazem
parte dela, são a gordura que bóia na tampa da leitura, ou melhor da leiteira, o
que fica na peneira e essa,
meu filho, é a nata, que faz a manteiga, que engrossa o molho. A Literatura
Gaucha é feita de leite
pasteurizado, não tem lugar para nata batida. Acho que devemos nos esconder e ir para casa com o
"rabinho entre as pernas", como guaipecas que somos.
Não se preocupem, ninguém lê. Essa crônica vai ficar aqui mofando. Para que eu
lembre de nunca, nunca
mais inscrever nada meu em concurso nenhum, mesmo que a “cenoura” seja
gorda como esta.
Fernanda Blaya Figueiró
Vício de origem
O que estava soterrado
Apareceu na beira do Grande Rio
Ao encontrar a luz do sol
O corrupto corpo
Incomodou só um
Pouquinho
Cheirava mal
Deixa pra lá e
Feche a porta que a
A festa é privada
Nesta corrida
Ganha sempre o mesmo
Cavalo
A pedra que havia
No caminho era a mesma
Que jogaram no
Passarinho
Fernanda Blaya Figueiró
Meu Repúdio
Dedico este poema a todos os corruptos!
“De ferro,
de encurvados tirantes de enorme ferro tem de ser
a noite, para que não a estourem e destampem
as muitas coisas que meus abarrotados olhos viram,
as duras coisas que insuportavelmente a povoam”...
Jorge Luiz Borges , poema insônia , livro: “o outro, o mesmo”
Não valem o meu sono !!
Perdi a batalha no campo da lei dos homens
É meu vermelho e denso sangue
Que estes vermes querem
Saibam que eu sei
Eu sei
Quem são eles
A escória
As portas de dois
Mil e
Doze
Como demorei pra perceber
É o Fim do mundo que se aproxima
Que venha!
Poemas publicados no E-book Poemas do Deserto, neste blog.
Fernanda Blaya Figueiró
15/02/2012
“Dores da Colômbia” ? E a Bahia como vai?
Esta semana assisti a uma exposição maravilhosa de obras do artista plástico Fernando Botero, no Centro Cultural Erico Veríssimo CEEE. Acho que a população deveria prestigiar este momento singular para a cultura gaúcha. Entrei por acaso, ou melhor por um cafezinho e fiquei surpresa com a exposição, confesso que não sabia nada, nem da obra, nem do seu autor. Mas o que é bom é bom! Bom pela qualidade artística e de denúncia.
Conheço poucos colombianos, mas quando se pergunta por seu país costumam sacudir a cabeça, surpresos e constrangidos: - Não vai bem. E a possibilidade de diálogo fica concluída e parece que a exposição diz: - Não vai bem! Colômbia pra mim é Ajiaco, alegria, música... Ficamos sabendo os horrores que acontecem e que aconteciam por lá como quem ouve falar de um vizinho que mora longe e com o qual nos solidarizamos, mas só até o ponto de virar a página do jornal e trocar de notícia.
E a Bahia como vai?- Não vai bem, teríamos que responder. Eu nasci em 1968 então só sei os fatos que levaram o Brasil a uma onde de opressão, tortura, cerceamento dos direitos, da liberdade por ter nascido nela, não por acompanhar os fatos que levaram a ela. A polícia são os homens de bem, o lado forte do BEM, polícia não pode assustar, intimidar, matar inocente, enfrentar o Estado, ela é o Estado... Polícia tem que proteger, seja ela civil ou militar, de um governo de “direita ou de esquerda”( acho que isso não existe mais). Ver a polícia sendo “Bandida” fere os olhos do povo. Assim como a obra do artista colombiano fere o olhar, pois a morte cavalga corpos saudáveis, homens, mulheres e crianças, no meio de muita luz e cor. A morte, domina a vida, elimina a esperança e triunfa nos quadros. Vamos até o centro de cultura olhar para isso e lembra que a Dor da Colômbia é a dor da América. Os sequestros, execuções, torturas, aconteceram e acontecem pelo mundo todo, nós não podemos mudar o mundo, mas podemos mudar nossa cidade, nosso País, nosso vizinhos.
Ditadura, nunca mais! Acho que os governos deveriam fazer um “Programa de Demissão Voluntária”, com incentivos para que o policial que quer deixar de ser policial deixe, saia da corporação por vontade própria. Além de um programa de valorização do policial que quer ficar, com salários dignos, bons equipamentos, segurança para trabalhar, treinamento e politicas de restabelecimento da confiança da população para com estes servidores públicos. Na minha humilde opinião a ditadura de Fidel, em Cuba, é tão medonha quanto a que vivemos aqui no Brasil de 1964 a 1985, não difere da ditadura de Kadafi ou de qualquer outra. O que esperamos de um governo democrático é que seja firme mas justo e neste sentido acho que a fala da Presidente Dilma sobre a greve foi perfeita: “Estou estarrecida!”.. “ É preciso manter a Ordem, ou teremos uma bagunça”... Não é a frase literal, mas aproximada da fala da presidente.
Gostaria de acrescentar queremos sim a intervenção do Exército para restabelecer a ordem, para manter o Brasil funcionado, para garantir a Soberania Nacional, guardar as fronteiras, pacificar as zonas de conflito, mas como exército e nunca mais como governo. É muito saudável para o país ouvir da presidente, que um dia foi revolucionária, que a ordem precisa ser restabelecida, como foi no episódio da invasão da Assembléia Legislativa da Bahia. Está mais do que na hora da população civil voltar a confiar nas forças armadas e de entender qual a sua função. Assim como está na hora das polícias se entenderem, saber quem são e qual a sua função. Talvez desta crise sai uma grande e produtiva mudança para melhor, com uma tomada de consciência por parte de todas as pessoas. Pois a mesma necessidade de auto entendimento é necessária para as outras profissões. Quem tiver uns minutinhos deve parar e pensar. Eu, como falei no início de texto, não sei bem o que levou ao golpe de 1964, mas estas imagens de motins dentro da polícia, prédios públicos invadidos, conflitos em ônibus, não são boas, parecem reprise de filme ruim.
Fernanda Blaya Figueiró
09/02/2012
Escuridão?
Ganhei essa palavra e não sei bem porque , num repente “escuridão” minto “Darkness”. Não falo inglês, constantemente inverto letras e cometo erros e essa palavra caiu assim, na ponta do meu lápis, perfeita, em outra língua... Segunda feira fui ao centro de Porto Alegre e não consegui aguentar o calor, tive que voltar para casa. Passei antes na praça e um pregador gritava palavras, cuspia ameaças e senti que mesmo com seu discurso ofensivo tinha o direito de estar ali. Em um determinado momento disse que esteve no parque e que viu Buda ladeado de estátuas de dragões e serpentes. Dizia ele: olhe Buda é do Diabo, pois está na Bíblia que a cobra é o diabo... E pensei em escrever algo, não saiu nada, rabisquei a folha e a única frase que saiu foi: “O Comércio de Deus continua”. Rasguei esta expressão junto com as demais anotações, números de telefone, dados para atas e nomes.
Hoje revirei tudo em busca desta frase e de entender de onde veio este Darkness, acho que das propagandas de filmes... Hoje é quinta-feira, dia de Iemanjá, a mãe das águas, um dia de festa e louvor. Tem um silêncio, uma quietude e nobreza na escuridão, que não entendemos! Para Budistas a serpente é simbolo da energia vital, é um bom símbolo. Luz e sombra sempre encantam as pessoas. Porque esse pregador precisa atacar as divindades alheias? Porque ameaçar as pessoas com a imagem do Diabo? Porque ele transformou Deus em seu produto, sua mercadoria e as outras religiões em seus concorrentes. Precisa criar, como fazem os vendedores, a necessidade de Deus através do medo. Precisa provar que seu Deus é o cara, melhor do que o Deus dos outros. Não sei porque essa palavra caiu na minha mente, mas olho para ela sem medo algum. Antes disso tudo passei pela vitrine de uma loja e a etiqueta de um vestido me chamou a atenção: R$ 997,00. Quase mil reais por um vestido? Olhei novamente! Gente! Estamos no Brasil, um vestido por mais “bonitinho”, que era isso que ele era, não pode custar isso! Então eu pensei pode, se tiver alguém que pague por isso.
Se eu tivesse uma sineta agora tocaria forte e diria: - Olá! Vamos acordar!!! O mundo está em crise! O Brasil está indo num caminho que o mundo já experimentou e que não deu certo: o caminho do endividamento coletivo e individual. Se você tem uma casa própria, um carro, um campo, um salário, um brinco valioso, não use este produto para pagar por um vestido um valor que ele não tem. Claro que estou usando uma metáfora, mas diria algo assim, querida classe média brasileira: não hipoteque sua casa para pagar dívidas de banco, não faça leasing de seu carro para comprar um sonho vazio, não use sua aposentadoria para comprar remédios milagrosos, ou sua terra para tirar um papagaio, não penhore seus brincos por mais alguns hambúrgueres e quilos indesejáveis. O mundo está na escuridão por comprar coisas, por endividar-se além da medida. Não pague a um produto o que ele não vale, nem pegue emprestado o que não cabe no seu bolso. Deus não está a venda, cada um pode ter sua ideia e sua fé sem ter que pagar por ela, desconfie destes “vendilhões a porta do templo”.
Quem sou eu para escrever tudo isso? Sou uma marionete das palavras elas são minhas chefes. Eu bem que tentei evitar esse texto, mas sei lá, ando com vontade de escrever. Acho que no fundo dessa verbalização das últimas crônicas, tem um segredo, é a poesia descansando ou uma abertura no meio da testa que faz a gente ver o que ninguém dá a menor bola e associar as coisas. O terceiro olho do terceiro mundo. Pode também ser só retórica, mas se servir para algo que bom, se não servir de nada vai ficar aqui no blog e pronto. Logo a nuvem que está sobre a cabeça das pessoas vai se dissipar e a crise lá fora vai passar, então se formará em outro lugar pois a crise e a bonança são passageiras e ilusórias.
Fernanda Blaya Figueiró
02/02/2012
Questões de Gênero
Normalmente evito falar diretamente sobre questões de gênero, mas me perguntei sobre isso e resolvi escrever especificamente. Para mim as conquistas femininas e ou feministas são conquistas da humanidade, não só das mulheres. Assim como entendo que a superação da escravidão é um avanço de toda a sociedade e não só das populações que eram escravizadas. Não concordo muito que as mulheres antes eram “inferiores” as de hoje e nem que já não exerciam poder, as mulheres sempre tiveram poder, talvez não o poder político como entendido hoje. Superar uma barreira como por exemplo a da escravidão, depende de uma ação conjunta de toda a sociedade e até de quem se opõe a mudança. Eu me vejo como uma mulher que escreve, não como uma mulher feminista que escreve, porque concordo com alguns pontos e discordo de outros do movimento feminista. Acho que sem este movimento não teríamos hoje as oportunidade que temos, mas o pensamento feminista não pode se tornar um dogma ou uma obrigatoriedade, não pode minimizar a opção das mulheres que preferem viver de uma outra forma. Nem toda a mulher precisa ser “poderosa”, tem que se assegurar o direito a liberdade de expressão e de escolha. Se os ideais feministas, os quais conheço pouco, forem um imperativo vão falhar com as mulheres da mesma forma que falharam o patriarcado, o matriarcado, as formas convencionais de poder. É preciso respeitar a mulher que não quer ser mãe, tanto quanto a que quer ser. Assim como é preciso assegurar a mulher os direitos sobre o seu corpo, mas também o direito de um bebê de nascer, de uma criança, menino, menina, homo, hétero ou bissexual de vir ao mundo. Esse é o ponto no qual o feminismo mais se distancia de mim e eu dele. Sou absolutamente contra o aborto, por entender que o feto, mesmo minúsculo é uma vida. Sou a favor de prevenção da gravidez indesejada ou acidental, mas entendo que a mãe não tem o direito sobre a vida do filho, assim que ele é concebido, não é mais parte do seu corpo, é um novo indivíduo, um cidadão. Sou espiritualista, com formação católica e defendo o direito da ideia de Deus, e com ela o direito a vida. O argumento de que muitas meninas morrem nas mãos de “carniceiros” fazendo o aborto ilegalmente não justifica a legalização do mesmo, assim como a quantidade de jovens que morrem por acidentes de moto não justificaria o fim das motos, ou a legalização das drogas, devido ao índice de violência que gera... Legalizar o aborto e ou as drogas, só pioraria as coisas, no meu ponto de vista. Acredito no acesso aos meios anticoncepcionais, na prevenção com educação sexual, na esterilização pelo sistema único de saúde a quem queira, tanto para o homem que não quer filhos, quanto para a mulher. Eu tive meus filhos, um casal de gêmeos, aos dezessete anos, e não me arrependo, fui uma mãe jovem, casei e continuo casada até os dias de hoje. Na época da minha gravidez fui indagada sobre a possibilidade do aborto e decidi que sob hipótese alguma tomaria este caminho, meu marido concordou, casamos e seguimos a vida, com os caminhos livres e os trancos e barrancos que toda a relação longa tem. A vida tem altos e baixos e é feita de decisões. Todos os dias decidimos coisas importantes. Todos os dias travamos novas batalhas. Decidimos que não teríamos mais filhos e cuidamos para que isso não ocorresse. Sempre brinco que quando eu pensava “em quem sabe uma gravidez” acabava ganhando um cachorrinho, passarinho, ou gatinho, a família aumentava, minha vontade de ser mãe passava e todos ficavam contentes, acho que isso foi ótimo. Tenho amigas que abortaram e respeito a decisão delas, mesmo não concordando. Tenho amigas que se separaram e acho que essa para elas foi a melhor decisão. Tenho amigas que trabalharam a vida toda, outras lideres políticas, religiosas, diretoras de escolas, empresárias. Tenho amigas donas de casa, que adoram ser donas de casa, e acho isso louvável. Já trabalhei fora, já deixei de trabalhar, hoje acho que trabalho em casa, pois vejo a minha escrita como trabalho... Trabalho para mim não é só o resultado de uma ação remunerada é uma ação que transforma. Nas esferas do poder vou até um ponto, quando qualquer ambiente fica muito competitivo pulo fora, quando acho que é autodestrutivo não continuo. Me acho, talvez eu não seja, uma pessoa moderada, não tenho o perfil da política e acho que numa organização só de mulheres os mesmos jogos de poder se estabelecem, algumas atitudes humanas são inerentes ao poder, alguns esteriótipos são reproduzidos incansavelmente por homens e mulheres. Gostaria de chegar a um ponto em que as pessoas lessem um texto e pensassem sobre ele independentemente de ter sido escrito por uma mulher ou por um homem, por um pobre ou um rico, um branco ou um negro, um ateu ou um religioso, um jovem ou um velho, um famoso ou um anônimo. Ler o que está escrito sem a preocupação de vincular a um grupo ou uma ideologia. Respeito muito a história do feminismo e das feministas, mas defendo a liberdade de cada pessoa de tomar suas decisões, homem, mulher, homossexual, transsexual... Este é o mesmo cuidado me mantém sempre com uma postura crítica com relação ao pensamento do conceito de “sustentabilidade” e o discurso “eco”, que acredito que seja muito importante desde que não se torne mais uma forma de segregação e de poder, onde o “discurso” acabe se tornando único e opressor. Defendo o direito de ser vegetariano, onívoro ou carnívoro. Na prática acho que sou uma pessoa acomodada e consciente disso e acho que ser ou pensar assim não é nenhum “pecado” ou “alienação”. Sou submissa a alguns conceitos e momentos e subversiva em outros e essa dicotomia faz parte de mim e se reflete na minha escrita. Não sou uma pessoa coerente, sou volátil. Tenho um poema, “A loucura como uma metáfora poética” que diz algo assim: “... Digo nos verdes prados dos meus olhos Dormem a gazela e o leopardo Nunca sei bem qual deles há de acordar Primeiro”
Se eu pudesse escolher um termo seria humanista, não machista ou feminista, gostaria de me ver como ser humano, gosto e admiro os homens e suas opções e gosto e admiro as mulheres e suas opções.
31/01/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Forinho 2012
Hoje organizei um livro artesanal, dentro das minhas possibilidades, com os pensamentos e mensagens que as pessoas que passaram pelo “Espaço da Poesia” deixaram. Mesmo bastante rudimentar acho que ficou um trabalho bonito.
Para mim a mensagem maior que ficou destes dias foi que as pessoas estão unidas e caminhando na direção de uma vida melhor. O que é uma vida melhor? Acho, pelas conversas, que é simplesmente a possibilidade de viver num mundo seguro, em paz, com saúde, alimentação, moradia, educação, cultura para todos e o respeito a diversidade de pensamentos e a liberdade de escolha. “Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental”, fiquei um pouco invocada com essa frase, acho que a crise é geral, não é só do capitalismo, vou escrever algo que é minha opinião pessoal: os sistemas socialista e comunista também fazem parte do capitalismo. A China e suas questões sociais, por exemplo, afetam o mundo todo. A desvalorização dos produtos feitos com uma “mão de obra” pouco remunerada, para não usar a palavra “escrava” pois é um conceito que não devemos nunca mais aceitar, desequilibrou a economia. Os produtos falsificados desvalorizaram os produtos autênticos, que talvez estivessem super avaliados. Não sou economista, nem socióloga, sou apenas uma observadora, mas me parece que essa crise é passageira e necessária, para que as pessoas pensem sobre a vida novamente. O mundo hoje produz coisas que são totalmente desnecessárias e que não tem mercado, sobram produtos inúteis por todos os lados, comida, roupa, artefatos... Talvez o Tempo da “Produção” tenha terminado, é preciso gerar riqueza com menos produtos e adequar a produção a necessidade real da população. Quanto a nossa interação com o Planeta Terra acredito que ainda não temos consciência do nosso papel, não sabemos quem somos, mas aos poucos estamos descobrindo.
29/01/2012
Fernanda Blaya Figueiró
O futuro do mundo
Tenho ouvido bastante as pessoas falarem que no futuro o mundo será destas crianças e nós vamos deixar para eles algo... Para mim o mundo já é deles e eles já são parte ativa do mundo, assim como nós somos. Nosso trabalho voluntário é uma troca, damos a eles um sorriso, uma brincadeira, uma história, um poema, uma desenho, um enigma... e eles nos dão a possibilidade de contar uma história, dar um sorriso, brincar, desenhar, rimar... A humanidade é uma parte maravilhosa da vida do planeta, uma parte que cria e recria sentido o tempo todo. Capitalismo, socialismo, comunismo, feminismo, ateísmo, espiritualismo, “sustentabilismo”, cooperativismo... são palavras, conceitos que usamos para definir a nossa participação e entendimento do mundo. Tudo isso só existe inserido no pensar e fazer humano. Um mundo melhor só é possível se pensarmos, fizermos e dissermos: - O mundo é:... Para você querido amigo leitor: - O que precisa melhorar? - Do que você não abre mão? - Como é o seu mundo melhor? Hoje observei muitos momentos de conversação e fiquei imaginando, dizem que o som não morre ele viaja pelo Universo, nossas conversas vagando por aí e cada vez mais acredito no poder criativo da palavra. Quando estava indo embora passei por um monumento e decidi fotografá-lo então finalizo o post com uma imagem bela da qual podemos fazer diferentes leituras, me passou um pouco da grandeza e da capacidade do ser humano, eu acredito que o mundo já está melhor, mesmo que esteja passando por um momento de transformação.
Fernanda Blaya Figueiró
27 de janeiro de 2012
Forinho 2012
Publico hoje algumas fotografias do Forinho 2012 e da atividade da AGEI no Fórum Social Temático que participei representando o Grupo “Marias, Amélias e Camélias” . Sãos fotografias dos primeiros dias, hoje fiquei sem bateria. Para mim o Fórum está indo muito bem. Eu sou uma pessoa que não gosta de se vincular a uma só ideia, gosto de ter a possibilidade de ver o todo e de ver as partes . Gosto de ouvir e de falar. Escrevo muito e poucas coisas são lidas e isso cria uma retórica desconexa da realidade, mas amplamente ligada a realidade pela observação. O observador que vira ator acaba incomodando, tem uma reserva muito grande de coisas e fala muito. Hoje uma senhora me fez a seguinte pergunta, não recordo seu nome pois sou ruim em decorar: - Tu é mais a favor da reciclagem ou da incineração? Ela havia lido um poema meu e todo o espaço do Forinho está voltado para a reciclagem. Pisei em ovos inicialmente: respondi sou a favor de que os recicladores, os catadores tenham uma forma de sobrevivência, mas acredito que a atividade de catador está com os dias contados e a questão do “lixo” ganhou uma face de poder, ao ter agregada a si um valor econômico. Ela me respondeu é isso que eu penso e conseguimos estabelecer um diálogo, conseguimos concordar, discordar e interagir. Concluímos que as duas sonhamos com um tipo de máquina que faça a separação automática do lixo, destine corretamente cada resíduo para seu reaproveitamento e que a população toda ganhe com isso. Que haja novas formas de trabalho para todos nós. Então comentei meu texto de dias atrás, sobre “Andarilhos e mendigos não são a mesma pessoa”. Ela concluiu dizendo que era também andarilha e que trabalhava quando precisava e quando queria, não precisava acumular e vive bem desta forma. Talvez eu tenha precisado falar com ela para me compreender e para digerir a minha própria escrita. Capitalismo e comunismo são duas faces da mesma moeda, um surgiu em oposição ao outro, são partes de um mesmo bloco que agoniza. O que virá depois disso já está acontecendo mas somos cegos e não percebemos, não temos referências para identificar o desconhecido. E quem vai “sacar” a jogada são as crianças.Para mim o Fórum, tem um discurso oficial nas "altas esferas" e esse debate na base da sociedade que não é oficial mas que transforma e permite que a pessoa comum expresse seu pensamento.
As fotografais "contam" também uma história...
Fernanda Blaya Figueiró
26 de janeiro de 2012
Vida
Estou pensando em traçar um paralelo que talvez não interesse a ninguém, mas vou fazer igual.
Em dezenove de fevereiro de 1954 nascia no Brasil o jogador de futebol e médico Sócrates, em 24 de fevereiro de 1955 nascia nos EUA o inventor, empresário e magnata Steve Jobs. Em dois mil e onze o mundo perdia estes dois grandes homens, o doutor com 57 anos e o inventor com 56 anos. Estes homens tão diferentes estiveram aqui quase no mesmo período, viveram emoções diferentes, tomaram decisões diferentes, deixaram memórias e legados diferentes. Cometeram erros e acertos, conheço pouco a biografia dos dois, mas desde a notícia de seus falecimentos fiquei com a impressão que podem elucidar um pouco sobre o sentido da vida. Eles ajudaram a mudar o mundo e precisaram de pouco tempo por aqui. Algumas de suas declarações ficaram marcadas para mim, ambos falaram abertamente sobre a possibilidade de morrer, achei uma atitude de coragem. “Ninguém quer morrer”. Neste momento estamos todas aqui, aproximadamente sete bilhões de pessoas, dividindo um tempo da vida do planeta, uma fatia de tempo. Sete bilhões de pessoas vivendo, comendo, sonhando, trabalhando, construindo, destruindo, consumindo, modificando a realidade. Steve Jobs foi muito feliz ao ter a coragem de falar na face renovadora da morte, Sócrates foi muito feliz ao admitir que o uso do álcool contribuiu para que seu corpo adoecesse. Ambos tinham consciência da finitude, do limite, mas continuaram vivendo e lutando até o último minuto, modificando o mundo.
As vezes quem escreve tem um pouco de medo da repercussão do que escreve, do olhar do leitor, da interpretação que o outro tem condições de fazer e da sua própria capacidade de expressar as ideias claramente . Medo de estar errado, dissonante. Mas a possibilidade do erro é o risco que o escritor assume, o risco de ser risível, odiável, adorável, de modificar as coisas, interferir no pensamento do outro, de ser piegas, de ser repetitivo, brilhante, enfadonho... Não escrever é não encarrar a morte e saber que uma hora ela vem. Eu tenho uma crença, isso mesmo! Não é uma teoria, é uma crença. Acredito, com a fé cega das crenças, que cada ser humano tem um tempo para estar no mundo. Nenhum ser, nem o que viveu apenas algumas poucas horas morre antecipadamente. Mesmo o ser que ficou aqui poucas horas teve uma inexplicável experiência de vida. E que cada um pode viver a vida de um jeito diferente da do outro. Por isso gostaria de entender os moradores de rua e suas vivências, aceitar suas opções, suas jornadas e acho que mesmo na mais "degradante forma de vida" algum motivo tem para que aquele ser tenha chegado naquela condição. O pior dos assassinos não deixa de ser um ser humano e carrega com ele algum mistério da nossa existência. Existem muitas teorias sobre isso, eu sei. Mas gosto de pensar e de escrever o meu pensamento, mesmo correndo o risco de estar dizendo bobagens. São as minhas bobagens...
Fernanda Blaya Figueiró
20 de fevereiro de 2012
Crônica recorrente
“O usuário de craque acaba se tornando um zumbi”
Esta frase ouvi ontem num programa de televisão, um zumbi é um morto que saiu do seu túmulo e deve a ele retornar... declarar que um ser vivo se tornou um zumbi é quase como declara seu óbito antecipado, pode levar a um entendimento de que aquela vida não vale mais nada. Que aquela pessoa, seja criança, jovem, adulto ou velho, não tem mais esperança nenhuma e pode ou deve ser eliminado. Acho isso muito preocupante, uma declaração assim não seria a mesma coisa que dizer, por exemplo, que os índios e os negros não tinham alma e por isso podiam ser escravizados? Ou que as mulheres não tinham condições de votar ou de serem responsáveis por si mesmas por sua “fragilidade”. Não sou contra uma tomada de atitude sobre a população de rua, acho muito triste a situação em que vivem e preocupante o número que está atingindo, só acho que esse debate não pode virar uma “Cruzada”, ou como muitos estão falando uma Guerra. Colocar estas pessoas como mortos-vivos é coloca-las numa situação de precariedade maior ainda, torná-las alvo do desprezo, do desamor, torná-las uma “vergonha nacional”, uma coisa da qual temos nojo. Esta população que está a margem da sociedade tem que ser recolocada de alguma forma dentro do sistema social. Outra declaração um pouco alarmante é por exemplo: quem usou o craque uma vez não tem mais volta, isso torna todos os usuários mortos-vivos. Lembro do aparecimento da AIDS e do desespero que criou, mas com o tempo apareceu uma solução, muita gente de fato morreu, mas muitos se salvaram. O Brasil vem saindo de uma pobreza muito grande, de muitos anos, que gerou uma enorme população sem acesso nenhum as instituições da sociedade, sem escola, saúde, cultura,segurança, religiosidade,esporte. Muitos destes usuários já nasceram nas ruas, já nasceram inseridos no meio do tráfico de drogas, em comunidade com a ausência total do Estado, dominadas pelo medo e pela corrupção. Vamos combater o uso de drogas sem tornar esta “população usuária de craque” culpada por todos os problemas de falta de segurança, de “falta de higiene” que nosso país tem. Eles são feios, ameaçadores, sujos, violentos, mas são pessoas que precisam ser compreendidas e que foram jogas no mundo muitas vezes sem “pai nem mãe”. As “cracolandias” acabam lembrando os terríveis guetos, esta população foi empurrada para lá , só que sem Deus, sem o conceito de “lar”,de “família”, de esperança, sem nada além da possibilidade de fazer uso de uma substância química e de se tornar objeto do ódio do não usuário. Vamos tratar este problema com amor, como imagino que diria Paulo Freire.Zumbi dos Palmares rogai por eles.
Fernanda Blaya Figueiró
20 de janeiro de 2012
Andarilho e mendigo não são a mesma pessoa
Ontem comprei um arco e flecha de artesanato de uma jovem mãe índia, no centro de Viamão. Uma senhora olhou o bebê enroladinho e deitado sobre um pano e ficou horrorizada, disse: - A gente cuida tanto de um bebê! Outra pessoa respondeu a ela:- Mas eles se criam bem e com saúde... E eu falei:- Temos que entender que é uma outra cultura. A mãe índia estava trabalhando, devia ter por volta de quinze ou dezesseis anos, alguém produziu o material, com qualidade, o mesmo tipo de adereço que seus ancestrais trocavam por espelhos do “Homem Branco”. Quem ensinou o seu povo a trocar foi a civilização que hoje condena a sua ocupação dos centros urbanos. Eles viviam livremente por aqui, colhiam, pescavam, caçavam. O arco e a flecha garantiam sua existência. Vender artesanato não é mendigar, na minha opinião. Se não queremos ver estas mães sentadas nas calçadas devemos encontrar soluções urbanas, espaços próprios para que elas possam comercializar seus produtos, mas que respeitem sua autonomia, sua cultura, as mães indígenas levam seus filhos para o trabalho e estão sempre com eles próximos do corpo, até que possam andar sozinhos. Trabalham no horário que querem, na medida em que necessitam, são andarilhas, pertencem a toda a América e transitam por ela. Já os mendigos também sempre existiram, precisamos compreender isso, sem nos escandalizarmos: algumas pessoas, em algum momento quebram o elo com a “civilização”, quem são elas, o que acontece e que direitos tem? Os drogados também sempre existiram, querer tirá-los das ruas à força é um paliativo, não uma solução. Quem são os drogados, como acabam na situação de viver nas ruas e roubando para sustentar o seu vício? Usuário de droga também é gente, não é coisa para ser removida a laço! Essa ocupação do espaço público deveria ser entendida de uma forma mais ampla. As cidades precisam de espaços públicos, de teatros, bibliotecas, museus, igrejas, templos, centros de convivência, praças, ruas e de um gerenciamento pacífico e inteligente das diferentes ocupações e funções destes espaços. O Brasil está crescendo, resolvendo alguns graves problemas sociais e tende a se tornar cada vez mais um bom lugar para viver.Precisamos ajustar algumas coisas, sem cair num controle excessivo sobre o outro. Na minha opinião o Ser Humano aceita as regras sociais, o Estado de Direito, mas precisa de “válvulas de escape” para a pressão, isso não é nenhuma novidade, é um conceito bem fundamentado, mas que não tenho como dar referência, pois as perdi na memória. Tenho acompanhado com estupor alguns programas sobre a retirada dos “usuários de crack” das ruas, a eliminação dos “fumantes”, a discriminação contra os “alcoólatras”, logo teremos contra as prostitutas, os “diferentes” entre eles os religiosos, as pessoas que não tem ou não usam a cor da moda, a sexualidade permitida. Isso já foi superado, não podemos sob hipótese alguma deixar que retorne. Não quero o retorno a um pensamento discriminatório e excludente. Não que eu ache que a senhora que olhou a mãe índia estivesse sendo preconceituosa, mas as vezes nos horrorizamos com coisas que não são horríveis, são diferentes. Já recebi diversas vezes um e-mail, que fala que Cazuza foi um ídolo idiota, pois morreu drogado e não serve de “modelo”. Cristo seria nesta ótica um idiota, já que também morreu jovem? Vejamos outros : Joana D'arc, Elis Regina, Raul Seixas, Amy, Janis Joplin, Michael Jackson, Edith Piaf, Van Gogh... São tantos que fica difícil de enumerar. Cazuza eu te amo, mesmo que tu tenha sido diferente. Cazuza eu queria saber melhor quem foi este menino, porque sua memória causa tanto medo e horror em algumas pessoas? Deixem válvulas de escape, pois senão o mundo estoura como uma panela de pressão cuja válvula estragou. Um bom Fórum Social Temático para todos nós! Estarei lá...
Fernanda Blaya Figueiró
19 de janeiro de 2012
Energia perdida?
Eu ia começar este texto dizendo que tenho uma bela Dog Alemã chamada Bessi Patrolinha, mas ter não é a palavra correta. Bessi tem a avançada idade de treze anos, para um cão de grande porte significa estar aqui a mais tempo do que a expectativa de vida. Em novembro de mil novecentos e noventa e oito estávamos procurando um cão de guarda pois mudaríamos de um apartamento para nossa atual casa, tínhamos uma ovelheira, Gorducha da Água Doce, que só faltava falar. Fomos até a Morungava, um bairro de Gravataí, quando chegamos o portão foi aberto, entramos e fomos cercados por uma enorme família de dogues. Estávamos em dúvida se ficaríamos com um dos cachorrinhos e a proprietária nos olhou e disse: - Vocês não vão levar um dos filhotinhos? Nos olhamos e a Bessi estava entre nossos pés puxando e mordendo os cordões dos sapatos. Gorducha olhava apavorada de dentro do carro então precisávamos decidir logo, acho que fomos escolhidos por ela. Com a singela quantia de 150, 00 reais ( acho que o Brasil já tinha esta moeda) colocamos a “filhotona” no porta-malas. Gorducha andava há anos de carro e nunca havia descoberto que o porta-malas era ligado a frente por uma “portinha”, Bessi precisou de dois minutos para dar uma cabeçada e abrir o forro, assim descobrimos seu temperamento forte e imperativo, mas profundamente meigo e fiel. Com o tempo Gorducha nos deixou e muitos outros cães dividiram a vida conosco e cada um teve a sua história, sua personalidade e suas próprias características. Mas todos foram fiéis e nos amaram incondicionalmente. Na semana passada nossa “velhinha” teve uma desidratação devido ao forte calor, ficou cansada, lenta, sem conseguir se levantar sozinha, mas lutando bravamente pela vida. Enquanto estou escrevendo este texto ouvi seu chamado e fui levá-la até a grama para fazer suas necessidades, primeiro puxo seu dorso até que firme as patas dianteiras, depois empurro seus quartos para que fique em pé e assim seguimos. Até quando? Não sei, mas com a Bessi aprendi a viver a vida passo a passo, ela sempre exigiu muito da vida e sempre conseguiu tudo de “seus humanos”, retribuindo com cuidado, amor, carinho e dedicação. Nunca deu um passo para trás se adquiria um privilégio não abandonava mais, seus paninhos, sua cama dentro de casa, suas “manhas”. Vou sentir muito a sua falta o dia em que não estiver mais aqui, mas sei que lá no céu dos cachorros vai ser uma correria danada para deixar tudo como a Bessi exige. Algumas pessoas tem dificuldade em entender a relação entre as pessoas e seus animais de estimação. Somos seres sociais e nossa sociedade está deficiente, está deformada pela competição excessiva, o individualismo e o egocentrismo. Recebemos muitas mensagens, que na minha opinião contradizem nossa natureza, de que para ser feliz é preciso ser “autônomo, livre, poderoso, forte, independente”. O Homem da atualidade é assim... a Mulher é assado. Ficamos muito ocupados em tentar ser “de determinada forma” e acabamos não sendo nada. Já a nossa relação com os animais é autêntica, eles são quem são e nós podemos ser quem realmente somos: algumas vezes amorosos outras irritados e sem paciência; algumas vezes alegres, outras tristes. E nossos amigos animais sabem disso e não nos cobram falsas atitudes. Bessi aos poucos perde sua energia vital e uma hora vai partir, mas até lá vai vivendo com sabedoria. Não tem como explicar, para quem não entende, esse amor.
15/01/2012
Sábio Sabiá laranjeira
Um enorme e bonito sabiá laranjeira ficou preso nas tesouras do telhado do salão onde escrevo, ele fica pulando de um lado para o outro e não consegue encontrar a saída, que fica poucos metros para baixo, no vão da janela pelo qual entrou. Não bastasse toda este grande problema uma pombinha acabou batendo no vidro, para evitar que também ficasse presa a recolhi e coloquei na árvore, para que recuperasse a energia. Tive que prender os cachorros que do chão estão de olho no Sabiá. Os pássaros que estão na rua ficam chamando mas ele está atormentado. No alto do telhado não tem comida nem água então coloquei uma banana na beirada da janela para ver se o aroma o atrai para a saída. Não sei se dará certo, mas sei que é praticamente impossível escrever qualquer coisa com um pássaro preso e angustiado. Espero que ele encontre logo a saída, mas tenho certeza de que esta experiência jamais irá esquecer.Fico pensando quantas vezes não estamos há poucos metros da janela aberta e não nos debatemos presos as tesouras e ficamos pulando de um sarafo para o outro e ignoramos os chamados angustiados da rua?
05/01/2012
Fernanda Blaya Figueiró
Textos do blog - 2013
Cápsula do tempo - 27/12/2013
Ontem passei pela propaganda política na televisão e nos poucos minutos que assisti um político, não gravei o nome ou a sigla partidária, falava algo como: “O Brasil, na verdade, vive uma ditadura”, nem parei para ouvir a explicação. Achei a expressão leviana. Por mais problemas que o país tenha enfrentado ao longo do ano usar o termo “ditadura” para tirar algum lucro político da instabilidade que aconteceu é um absurdo. Quantos países passaram por problemas parecidos com os do Brasil? Todos são “ditaduras”? Aqui está fazendo um calor memorável e isso atrapalha um pouco o sono, no meio da noite acordei sonhando que alguém me entregava uma “cápsula do tempo” com dados do ano em que nasci 1968 e a pessoa dizia: isso foi uma ditadura. Então posso afirmar que a fala politiqueira atrapalhou meu sono. No sonho não vi o conteúdo da tal cápsula, mas sei que naquele ano o mundo era outro. O discurso político no Brasil precisa melhorar. O eleitor de hoje não quer mais engolir sapos, ouvir banalidades ou barbaridades e ficar quieto. Tudo no mundo de hoje é massificado, jogar uma expressão assim na massa é colocar o nome de todas as instituições no lodo. As instituições estão corrompidas? Sim! Mas não estão perdidas. O maior desafio que enfrentamos é “em quem votar”, o povo perdeu a confiança nas pessoas que estão atuando na política. O jogo político baixou o nível, o discurso está ultrapassado.Se as pessoas aprendessem a protestar civilizadamente não haveria problemas de repressão. Em qualquer lugar do mundo alguém que ataca um policial, civil ou militar, está atacando o Estado e vai ser reprimido. Protestar é um direito de todos, mas tem suas regras. Se vamos viver num mundo desregrado então a conversa muda, o “poder paralelo” com o qual o Brasil coexiste, acontece em todo o mundo. A exagerada violência urbana não é privilégio do nosso país, a dificuldade de controlar o mundo das drogas e da pirataria também não. O jogo econômico também não é brincadeira, quais os mecanismos que estão ocultos na “busca pelo capital estrangeiro?” O valor das coisas é artificial, é produzido de forma artificial. Acho que os políticos terão que ampliar um pouco a sua visão: não existe mais o meu país, meu estado, minha cidade, sem conexão com os outros países, com outros estados ou departamentos, outras cidades. Mas uma coisa pode ir melhorando a paisagem começando por valorizar a nossa democracia, palavra difícil começa com Demo, de povo mas também de demônio. Precária, frágil mas democracia. É a que temos, precisa melhor e muito, mas usar “o fantasma da ditadura “ofende a quem ainda tem a ilusão de viver em liberdade. De quem tem passaporte, cidadania, infraestrutura básica funcionando, que tem a liberdade de falar e escrever... O mecanismo oculto é o medo. O medo de expressar sua visão. Os pedagogos adoram a expressão paradigmas, parece que vivemso uma crise de falta de paradigmas. Basta assitir aos filmes americanos ou recorrer a literatura para encontrar tudo o que se vive aqui em outros países. Na semana passada assisti novamente a um velho filme "Sonho de liberdade" e as atrocidades que foram denunciadas esta semana pela OEA sobre a situação caótica que o sistema penitenciário brasileiro está enfrentando estão lá, sem a terrível superlotação, mas as guangues, a violência, o abuso de autoridade, a corrupção. Tudo está lá. E nós estamos ficando com medo desta realidade ela está muito próxima, então ouvir que estamos numa nova foram de ditadura é tão preocupante.Não queremos que a ditadura volte, queremos corrigir a democracia que está ai. Nem que para isso seja preciso encontrar novos lideres, novos políticos, novos discursos, novas realidades.
Fernanda Blaya Figueiró
2013 um ano histórico
Como saber quais são os fatos que fazem parte de uma mudança histórica? Este me pareceu ser um ano que vai ficar marcado pela mobilização, o movimento das massas, para mim um movimento artificial, mas para muitos não. Conseguimos pensar nisso sem fechar a porta para a outra possibilidade. Pelas revelações sobre a espionagem e pela uniformização do mundo. Todos espionam e são espionados. Tudo envolve dinheiro, logo poder. No Brasil acho que estamos mais perto de um amadurecimento da política. O mensalão vai ficar na história, mas o partido dos trabalhadores, mesmo desgastado, sobreviveu ao furacão e antigas e respeitadas siglas voltaram ao cenário. Os partidos e seus políticos não são descartáveis. Muito otimismo para uma pessoa só? Pode ser. Mas a Constituição prevaleceu, combateu a “tentativa” de mudanças radicais e não muito fundamentadas e discutidas. Nossa Constituição mostrou que veio para ficar. Modificá-la não vai ser “barbada”. A proliferação de siglas partidárias temporárias acho que vai passar. O que significa na presente conjuntura ser capitalista, socialista, comunista, social-democrata, democrata, republicano, anarquista, sustentabilista? Já vivemos a globalização e os impactos das ações de uma nação são sentidos na cadeia toda. A cena é complexa, mas está funcionando. Nosso desafio para os próximos anos será o de entender como o mundo está funcionando. Onde o dinheiro está e como ele está girando? Humanitariamente resta saber como erradicar a fome? Como tornar os seres humanos mais iguais sem a divisão geográfica e política. Como tornar os direitos humanos, direitos de todos os humanos. Como convencer as novas gerações que nada do que existe hoje foi conseguido com facilidade e sem energia. A paz de hoje foi construída, não veio de graça. Acho que este foi um ano que nos fez pensar.
Fernanda Blaya Figueiró
O que mais me assusta é o fanatismo. Esse é o grande perigo em qualquer lugar, seja em qualquer religião. Muitas vezes nos colocam em um pedestal, até em uma idolatria. Eu sou um ser humano. É o que eu explico para as pessoas. Todo ser humano. Eu passo por dor. Nunca escondi de ninguém."Padre Marcelo Rossi
21/12/2013
Nota sobre o depoimento de padre Marcelo
Achei importantíssima a entrevista do Padre Marcelo ao Fantástico, quem sofre com o peso e com a rejeição dos outros a sua imagem por ter alguns quilinhos a mais tem muito a agradecer a ele. O policiamento dos outros e a não aceitação da diferença, de que uns somos mais altos, outros baixos, uns mais magros, outros mais gordos, pode levar mesmo um homem adulto, com boa formação moral, intelectual entrar numa "dieta maluca" em busca de uma imagem irreal e construída por propagandas para vender roupas, carros e uma felicidade falsa. Quando diz: "o que mais assusta é o fanatismo" expõe o maior perigo que nossa sociedade enfrenta e que pode atingir qualquer instituição, qualquer ideologia. Espero do fundo do coração que ele se recupere e vença a depressão e o possível distúrbio alimentar em que acabou caindo. Quando eu tinha vinte e poucos anos fiz algo parecido uma dieta em que só comia laranja, foi o pior momento da minha vida, cheguei a 49 quilos que para mim era muito pouco e passei pelo "vale da sombra e da morte"... Não desejo isso para ninguém. Hoje estou com setenta quilos e todos meus exames clínicos são bons só a minha figura incomoda algumas pessoas mas aprendi que o problema é delas não meu.Fernanda Blaya Figueiró
09/12/2013
Uma nota, uma pessoa distraída, um menino.
Para minha amiga Susana Araujo de Quadros...
Esta semana aconteceu a 10ª Feira Literária de Viamão, estive na Praça Cônego Bernardes em frente a Igreja Nossa Senhora da Conceição onde o evento aconteceu. Bem fiz algumas fotografias e andava de um lado para o outro, com a chuva a “Sala de jogo de xadrez” veio parar em frente ao nosso stand do CMC e ALVI e o do Patrôno, o professor Flávio Ledur que esteve o tempo todo presente, o que deu uma vida para a feira. Encurtando caminho na nossa história em determinado momento, que não lembro em qual dos três dias foi, coloquei a máquina de fotografias no bolso e o troco da venda de um livro, uma nota de cinco reais. Na minha distração puxei a máquina e nem lembrava mais do troco. Quando percebi um menino, talvez com onze ou doze anos, que jogava ou assistia ao jogo de xadrez, não tenho como precisar, tocou meu braço e me estendeu a nota que havia caido no chão. Agradeci olhando em seus olhos e tive o impulso, que contive, de dar a ele a nota. Mas imediatamente pensei "se eu der a nota a ele vou estar corrompendo seu ato justo e honesto de devolver o troco que caiu no chão". Cinco reais daria para ele comer um sanduiche e tomar um refrigerante. Ele não pediu o troco, seu ato foi gratuito e verdadeiro. Simplesmente voltou ao jogo. Então acredito que fiz bem em conter a minha vontade de premiá-lo por fazer o que era certo. Quem sabe nos olhos limpos do menino não está um novo lider como o que o mundo perdeu nesta semana? Então todo o esforço de fazer uma feira de literatura, de ensinar xadrez, de ter livros, palestras, contação de histórias, teatro, atores, de ter cultura na praça se justifique. Esse menino vai ter muitos cinco reais de retorno do universo. Faz o que é certo por ser certo e não para se beneficiar. Hoje discutisse a vida de Mandela, assisti ao filme sobre sua biografia em Joanesburgo na semana passada em inglês, sem legendas, então assitirei novamente assim que aqui for lançado. A cena mais bonita do filme para mim é o momento em que há a transição entre a vida do menino e a vida do homen. No rito da passagem. No correr livre no campo aberto. Uma vida longa e cheia de desafios o esperou daquele ponto em diante. Cheia de vitórias, de derrotas, de humilhações, de reverências. Entre as muitas entrevistas que assisti uma me chamou a tenção, não sei bem em que canal e isso pouco importa. Mas um entrevistado que também não guardei o nome disse algo que me marcou, parecido com isso: “ a corrupção não foi um problema na África do Mandela já presidente, a corrupção é um problema de todo o sistema. A aproximação entre dinheiro e política é o problema.” Quem corrompe são as grandes empresas, são as pequenas pessoas do dia-a-dia do mundo. A política já encostou na igreja e não foi bom nem para uma nem para a outra esta aproximação. Agora a política está de mãos dadas com o dinheiro, o próprio entrevistado diz que talvez sempre tenha sido assim. Religião, Política, Dinheiro. É preciso amar a Deus, para quem nele acredite, como o menino que estende a nota, para quem não acredita é preciso respeitar a crença do outro e ser respeitado em sua ideia da não existência dele, como o menino que volta ao jogo. É preciso atuar na Polis como o menino que diz olha você deixou esta nota cair, tenha mais cuidado, você está sujando o chão com esta nota, ela pode te faltar um dia, ela é um símbolo. A nota é preciso respeitá-la e saber o que ela significa, são simples cinco reais, mas eles podem corromper e podem beneficiar. Se o dinheiro do mundo fosse bem distribuido ele poderia salvar a rainha e não colocá-la em xeque mate. Nada sei de xadrez, pouco sei da política, do dinheiro, da religião. Mas a praça e a igreja foram testemunhas desta historinha que agora eu conto para vocês. Um milhão de pequenas histórias estavam acontecendo e algumas passaram desperecebidas, algumas aconteceram no palco principal, outras nos palcos menores e até fora das cortinas imaginárias feitas de meio-fio. Estávamos na praça quando soubemos que Mandela faleceu e ele deu mais um linda lição. Seu povo comemora com alegria ter tido um dia a presença desta linda pessoa, seu povo canta e dança em sua homenagem. Então por mais moderna que a África seja ela mantém a essência de seus ritos de passagens. O ser essencial da África está em nós esta semana. Está no foco da nossa atenção. Se eu não tivesse colocado a nota com a máquina esta histórinha não existiria, então estava certo. Tudo deu certo.Encontrei minha amiga Susana e ela disse: "Estou esperando o que tu vai escrever no blog sobre o Mandela". Isso me encheu de alegria pois eu nem sabia se deveria ou não escrever pois tanta coisa bonita está sendo dita sobre ele. Por isso este texto vai para ti,Susana, com carinho!!
07/12/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Adão e Eva eram Africanos
Estive no Berço da Humanidade e descobri que todos nós temos um único casal de ascendentes. Em algum momento tudo começou na África, o paraíso foi perdido, o homem e a mulher nasceram e de lá para cá caminharam pelo planeta espalhando a vida e a morte. O ser humano é capaz de tudo. De plantar uma metrópole no meio do nada, de abrir sulcos na terra para traçar novos caminhos em busca de ouro, de petróleo de energia, de riqueza. Produz junto a ela a mais profunda miséria. Quanto fui a Cordilheria dos Andes, na bela Santiago queria encontrar o ser humano nativo. A cor da terra e tudo me pareceu artificial. Agora percebo que vivo também num artifício. Numa cidade que invadiu o campo e moldou a vida. O mundo está assustadoramente igual, superficialmente. Basta andar e andar e andar que se encontram as essências da vida. O pasto nativo, a cor do sol, as feições dos seres antigos. Nós e eles somos a mesma pessoa, os filhos de uma antiga mudança repentina. Tive pena do grande Urso Polar preso a uma piscina e tentando furar o plástico como quem fura o gelo em busca de peixe. Olhei no fundo dos olhos do grande gorila e ele olhou no fundo dos meus, toda a vida se me explicou. Tá ceto, o urso, o jacarandá, o anoni a estrad, a bela emílai, os lírios, a falta de baobá e os vinheiros nas encostras da cordilheria. Tá certo o ouro removido, a terra rasgada, o rio contido. A Floresta tropical que aqui não mais existe. Há um plano. Deve haver um plano. Tá certo o longo período de guerra e a longa paz alcançada. É no fundo do olho do gorila que tudo se encontra. Troquei algumas letras na caminhada mas aprendi com Os cantos que isso é parte. Eu sou parte. E não vou mudar meus erros pois eles são parte. A escrita é viva como é viva a sociedade e lá está o velho latim e aqui está o novo idioma. Ho,Um, Hum... Tche,tche,tche... Ha,bha... e todos nós nos entendemos .Obrigada! Nesta foto foi a única vez em que tive certeza: eu estou na África. Pouca gente vai entender esse texto e isso faz parte...
30/11/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Direto da África do Sul
Quando uma blogueira viaja é certo que tudo vai virar algum tipo de história.
Anoiteci num continente e amanheci em outro. Voamos sobre as nuvens. Não vi o mar escondido na escuridão, mas sei que lá esteve durante a noite. Sua grandeza pode muito bem ser sentida. Chegando aqui fui muito bem recebida com um lindo buque de rosas amarelas, pela Luiza e o Gustavo. O tempo urge e tinha muita vontade de marcar esse vinte de novembro de uma outra forma. Então envio as fotografias para contar uma história, pelo que percebo no berço da humanidade o novo e o antigo coexistem, há uma arte milenar e uma nova arte. Há um olhar para a África e uma áfrica que existe. Entrei em solo africano ouvindo a boa música de Miriam Makeba e essa mistura de antigo e novo já me surpreendeu.
20/11/2013
De como o universo funciona
Em dois mile onze escrevi um poema em homenagem a semana de Consciência Negra, não fazia a menor ideia de que um dia iria até a África. Bem amanhã embarco para ir conhecer Joanesburgo, graças aos meus filhos a Luiza
Figueiró Salzano que está lá ao João Gabriel Figueiró Salzano que correu para fazer as coisas burocráticas e ao meu marido Nico que patrocinou.
Bem no poema digo dia vinte contarei , agora posso acrescentar dia vinte na África estarei!!!
Acredito muito na máxima que diz que o universo acha um jeito de fazer as coisas para nós.
18/11/2013
Quais foram os impactos do Mensalão na vida do povo brasileiro?
Com a prisão de alguns dos envolvidos no esquema de compras de votos feito lá em dois mil e pouco fiquei com uma grande dúvida. Talvez até já tenha sido tratado o assunto mas eu não tenha prestado a devida atenção. Os votos que, agora comprovadamente, foram manipulados artificialmente com o pagamento de propina alteraram, se não me engano, os sistemas Previdenciário e Tributário. Ou seja mexeram no bolso do povo, das empresas, do comércio na aposentadoria e nos impostos. Essas mudanças foram aplicadas, mesmo que na época pairasse dúvidas sobre sua legitimidade ou foram paralisadas? Este ano foi marcado por uma grande fala sobre a necessidade de uma reforma política, mas depois caiu no esquecimento. As grandes reformas são necessárias, de tempos em tempos, pois a sociedade é um organismo vivo, que vai mudando com o andar da carroça. Será que há seriedade nas propostas de mudança e um verdadeiro estudo sobre elas e sobre o impacto que terão na economia, na relação do brasileiro com seu futuro?
São apenas algumas considerações sobre as coisas que estamos vivendo. A ação dos políticos modifica a vida das comunidades. Esta história toda vai impactar muitas e muitas gerações. Vai definir como as pessoas percebem o seu país, a confiança que terão nas decisões sobre o que é de todos, sobre as regras do jogo, no contexto que estamos inseridos.
“Uma vez investigadas as coisas, seu conhecimento tornou-se completo.Sendo completo seu conhecimento, seus pensamentos foram sinceros. Sinceros que foram seus pensamentos, seus corações corrigiram-se. Corrigidos os corações, suas pessoas foram cultivadas. Cultivadas que foram as pessoas ordenaram-se-lhes as famílias. Ordenadas suas famílias, foram justamente ordenados seus Estados. Justamente governados seus Estados, todo o reino viveu tranquilo e foi feliz.” Confúcio em o Pensamento vivo de Confúcio, pg 58. Não temos reinos, sim uma democracia republicana, mas a antiga ordem pode ainda ter alguma lógica. Vamos então investigar as coisas, o impacto na realidade que "os corações alterados" gerou. Qualquer um pode errar, qualquer um pode “pisar na bola” mas uma vez que o erro foi encontrado é a hora de buscar o reparo, buscar o acerto. Para que toda a energia envolvida neste fato posso de fato gerar uma mudança nos corações de todos nós, pois todos somos, de alguma, foram partes deste processo. Somos expectadores, mas também somos atingidos por ele. O tributo no Brasil anda pesado, a aposentadoria anda esmagada. Como as coisas serão daqui para a frente. Em que momento chegaremos ao todos viveram felizes para sempre???
17/11/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Presos por mal fazer político.
Não entendi o gesto fascista dos presos do escândalo do mensalão. Alguém pode dizer o que significa a arrogância do gesto? O topete levantado e o peito estufado? Estes homens se achavam intocáveis, que poderiam fazer do país o que bem entendessem! Pela república foi muito bom que mesmo que os gestos dos mal políticos indiquem uma injustiça, a Justiça está sendo feita. Que as prisões de ontem, dia 15 de novembro, mais do que um simples feriadão de estradas lotadas, lembrem um dia de celebrar a república. De lembrar ao povo que vivemos num estado organizado democraticamente. Os presos por corrupção, desvio de verbas públicas são presos comuns, como os funcionários concursados que desviaram verdadeiras fortunas no escândalo dos alvarás em São Paulo, ou os presos por problemas de licenças ambientais aqui no Rio Grande do Sul. Um preso político é alguém que é perseguido por suas ideias, por exemplo se um grupo decidir destituir a presidente da república por meio de uma força armada e tomar o poder para evitar que o país caia na desgraça então teremos presos políticos. Agora pessoas que desfalcaram o Brasil, que são do partido que está no poder há onze anos e que não foi arbitrariamente extinto, não são presos políticos, são presos comuns! Mandar o povo brasileiro “ se catar” em pleno dia da república vai ficar marcado na memória do povo. Quando você assume um cargo político, um cargo público, quando abre uma empresa, cria uma ONG, assume a um espaço público na rede, num blog, no rádio, na TV, nos jornais impressos você tem direitos e deveres. Você ao assumir a direção do carro, ao atravessar uma rua, ao entrar em um supermercado, ao passar por uma vitrine, tem direitos e deveres. Os presos de ontem tem o direito de se expressar e de agir como acham que devem mas nós, povo, não precisamos aceitar a expressão deles sem crítica. Salve a república. Acho que num futuro ainda remoto viveremos sob outras regras e normas, mas no momento as regras e normas são essas, quem usa indevidamente seu cargo, seja ele administrativo ou político, vai ser responsabilizado por isso. E o que a justiça fez foi justamente cobrar de maus agentes da política o que está escrito que seria cobrado. E que eles ao aceitarem os cargos que ocuparam sabiam que iria acontecer se fizessem as “artimanhas” que fizeram. A corrupção no Brasil estava fora de controle, alguém tinha que por um freio na bagunça. Que de agora em diante os políticos atuem de forma mais honesta e com mais responsabilidade, sabendo que o cargo que ocupam precisa ser respeitado. A forma de fazer a política pode melhorar se as instituições se fortalecerem. Acabou a gandaia, ou pelo menos aos poucos vai ir acabando.
16/11/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Uma viagem ao fim dos anos oitenta: “O Verão do Skylab”
Ontem assisti ao filme “O verão do Skylab” adorei, foi como voltar no tempo, toda a caracterização do filme é muito bem-feita. Em setenta e nove vivíamos aqui aquela ilusão colonialista de que tudo nos Estados Unidos ou na Europa era melhor do que aqui, vivenciar na tela as mesmas coisas que aconteciam aqui num cenário de uma pequena cidade francesa foi muito bom e desmistificante. As reuniões dançantes com as mesmas músicas e os mesmos conflitos. Lembro da moda dos macaquinhos de algodão, que faziam o maior sucesso e dos papeis de parede, objetos de decoração, os desenhos animados na programção da TV. As mesmas angústias, dúvidas e claro sempre alguma forma de apocalipse eminente que permeia a história da humanidade. Viagens de trem, uma coisa que para nós brasileiros ficou no passado, uma aventura da nossa época. Aqui o final dos anos setenta foi um período de muita euforia e esperança de que o futuro seria muito melhor. O filme tem um olhar do rebanho na carcaça de um cordeiro, que é muito simbólico. Cordeiro de Deus. As memórias das guerras e da tirania presentes nas entrelinhas dão um gosto amargo no meio do caminho. Toda a ideologia da época está presente nos diálogos e nos pequenos e grandes conflitos que a trama trata com a banalidade de quem está vivendo o momento.
O filme me ajudou a amadurecer uma ideia que tenho daquele tempo, havia um “banzo” dos tempos antigos. Por exemplo ouvíamos: a escola de antigamente é que era boa, o inverno de antigamente é que era mesmo um inverno frio, o verão de antigamente é que era um verão tórrido…. A literatura antiga era…. Essa criançada não sabe nada, não tem base, não tem acesso à cultura…. O tecnicismo vai acabar com a educação e com o conhecimento. Bom era o tempo do Ginásio, onde se aprendia “latim”. A calculadora vai deixar a mente deles preguiçosa e muitos outros mitos sobre a nossa época. Como se tivessem sido tempos perdidos, entre a geração antiga e a futura. Um tempo sanduíche. Não fomos a luta. Mas enfrentamos a transformação da guerra em violência urbana. Somos testemunhas de um tempo marcado pelo terrorismo e pela explosão demográfica. Saímos de pequenos mundos, como os que o filme retrata, para as grandes metrópoles. Se o futuro ficou melhor? Nem melhor, nem pior. As mesmas coisas continuam acontecendo. Comprei na feira contos de Júlio Cortázar, inicialmente achei um pouco simples, esperava algo diferente, confesso que não conhecia seu trabalho, sempre ouvi muita propaganda. E não gosto muito de propaganda na literatura. Acho que vou ter que tentar esquecer a propaganda e situar este autor no seu tempo e o filme me mostrou isso. Talvez para quem não tenha tido onze anos justamente em setenta e nove o filme passe batido e até seja chato. Talvez eu tenha que ler os Contos "de novo" e "de novo" até conseguir situar a obra e ser justa, ficamos exigentes de mais. Comprei também os Cantos de Ezra Pound, li pequenas partes desse livro, sempre em bibliotecas e nunca entendi direito. Sempre o volume um, não sei se tem um volume dois em portugues. Não encontro o canto nem a poesia mas gosto muito de toda a prosa. Para mim estes Cantos, são como curtas do dia a dia. Esses são os de antigamente, os que são muito melhores do que nós, ensinados no tecnicismo. Ensinados não a pensar mas em saber fazer algo. Desenvolver uma técnica. Para uma divagadora como eu ficar presa na forma de uma técnica é uma violência. Talvez por isso que mesmo sem entender muito eu goste de Ezra Pound, parece, para mim que sou leiga, que não tem técnica, não tem fórmula. Ainda bem que a técnica não precisa de mim e mesmo assim me atende. Se não fosse o tecnicismo será que o mundo teria conseguido mudar? Eu era como aquela meninas que pulava doidamente no meio do salão, nunca aprendi a dar passinhos e imitar o ABBA, nunca usei bobs. Quando virei careta? Simples quando a vida decidiu que era a hora de crescer.
07/11/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Escrever por escrever
Há pouco falava com a poetisa Angelita Sores, por mensagens instantâneas, sobre como mudei meus objetivos com a literatura. Antes escrevia pensando em um dia tornar os escritos em livros, participava de saraus, badalações. Hoje cansei, escrevo por escrever, publico no blog, em paginas sociais e é isso. Ando cansada até de escrever bobos “e-mail”. A literatura já me deu muitas coisas entre boas e ruins, muitos sentimentos e uma voz, antipática para uns simpática para outros. Porto Alegre vive mais uma Feira do Livro, a cidade é tomada por um frenezi cultural muito positivo. O mundo dos escritores e poetas é muito competitivo e na minha opinião atende a duas grandes correntes: a literatura comercial e a literatura política. Para tornar-se uma voz expressiva o poeta ou escritor tem que ser bom em uma das duas correntes, ou vende bem ou se torna uma força política. Eu acho que optei por trilhar as margens da escrita,(não falo em literatura, pois muito do que é escrito fica muito longe de ser literatura. Incluíndo a minha própria ação com a palavra) é um bom lugar para ficar. A feira é um momento especial da vida do Rio Grande do Sul, pois vem gente de toda parte para estar nela. As pessoas aproveitam a feira para ver velhos amigos, circular entre os livros, comprar, viver o momento. Acho que ser uma blogueira é ótimo pois alivia o peso da sua opinião. O seu peso no mundo. Uma pessoa que não precisa atender a uma demanda comercial ou política é muito mais livre para ser quem quiser inventar ser. A gente inventa e depois desinventa. Nesta brincadeira já fui “presidente” de associação, locutura de rádio, roteirista de rádio novela, contadora de histórias, declamadora,blogueira... Tanta coisa já fui, tanta coisa deixei de ser e esse movimento é a vida acontecendo. É bom ser volátil.
02/11/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Ninguém concorda com o erro, mas ele é humano.
Ontem morreu um jovem baleado por um erro de um policial, a população indignou-se: com razão. A reação ao erro do policial foi violenta e aterrorizou todo um bairro em São Paulo: sem razão.
Agora vou propor um exercício, imagine-se sendo um policial e atendendo a um chamado num bairro violento de uma grande cidade, luzes acessas, sirene ligada, você não tem como saber como será recebido. Você terá poucos segundos para avaliar a situação e tomar uma atitude. Nesse caso o policial errou, engatilhou a arma sem necessidade. É horrível imaginar perder um filho por erro de um policial. Por erro de motorista. Por erro de médico. Por erro de juiz. Por erro de jornalista. Por erro de promotor. Por erro de professor. Por erro de cozinheiro. Por erro de psiquiatra. Por erro de porteiro. Por erro de diarista. Por erro de engenheiro. Por erro de veterinário. Por erro de político. Por erro de biólogo. Por erro de mãe. Por erro de meteorologista. Por erro de músico. Por erro de poeta. Por erro de religioso. Por erro, por erro, por erro. Eu já fui professora de pré-escola, uma vez um menino colocou na boca um reloginho de plástico e a fivela se soltou. Peguei o menino virei no banheiro e sacudi, no mesmo momento voltou a respirar, mas eu não voltei a sala de aula. Meu erro foi permitir que um objeto que pode obstruir a respiração chegasse as mãos de uma criança pequena. Por sorte, mais do que por juízo, meu erro daquele momento não resultou no óbito do aluno.Então cada profissão tem seus riscos e seus desafios. A população enfurecer e linchar o policial que errou ou um outro não vai retificar o erro, só vai piorar a tensão para a próxima abordagem. Você que está lendo este post nunca errou na vida inteira? As vezes é preciso refletir, é o momento em que uma profissão tem que ajudar a outra, mediar a relação entre uns e outros. Como diminuir a tensão: contando com o acerto, de cozinheiros, de músicos, de juízes, de policiais, de médicos, de jornalistas…. E assim por diante.
30/10/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Adaptando-se a nova conjuntura sócio-política.
É preciso adaptar-se aos “protestos”, pois parece que eles vieram para ficar, como são atos políticos a ação do estado parece ineficiente, como se fosse um Mito. A manifestação por ser política pode ser violenta? Para mim não há nenhuma diferença entre os ônibus queimados e a morte de policiais que aconteciam no ano passado, nas grandes cidades com estes ataques que estão acontecendo agora. Ônibus queimado, barricadas com fogo, obstruções de estradas já são rotina há muito tempo. Teria que ter paciência para acessar os dados fornecidos pelas instituições públicas e o que a imprensa publicou para ter uma noção real de quando esse ciclo de ataques começou e quem é a mente por trás disso. Para a população comum resta driblar essa nova forma de ação, evitando horários de confusão, desviando os caminhos, procurando se informar sobre onde, como e quando acontecem. Para as empresas talvez seja a hora de mudar, o tempo de belas vitrines de vidro pode ter acabado, é preciso proteger melhor os clientes e o patrimônio. Usar alarme, cortinas de contensão com gás lacrimejante, cerca elétrica, câmeras de monitoramento, chuva de esprei de pimenta, sei lá o que vão inventar para evitar o saque aos produtos. Caixas eletrônicos viraram chamariz, talvez os bancos não os tenham mais, voltaremos a só sacar em dinheiro durante um determinado horário... Quanto ao transporte público, onde não estiver funcionando, talvez seja hora das empresas contratarem vans, ou funcionários que morem perto de seus postos de trabalho, ou fazer escalas com horários alternativos. O poder público parece está engessado, imobilizado. Fica muito difícil saber qual a real situação do Brasil com a falta de coerência de dados. Quem anda pela rua não vê quebradeira e transtorno, para a grande maioria da população a vida continua normalmente. Assusta mais a violência ligada a assaltos, a drogas, a sequestros que é parte da realidade das cidades e muitas vezes afasta o público dos jogos de futebol, dos restaurantes, da vida noturna . As pessoas estão se fechando mais em suas casas e descobrindo o quanto a programação do rádio, das televisões e da internet está ruim. Sera que isso é bom para as comunidades? Para ficar em casa você não precisa de boas roupas, não precisa de maquiagem, de cabelo arrumado. Espaços públicos violentos e inseguros desestimulam a população a andar pela rua. Quanto menos a população comum frequentar um local público mais violento ele se torna. Quanto a insatisfação dos nossos tempos? Que insatisfação é essa? Como está o Brasil com relação ao resto do mundo? Nossos problemas são só nossos ou são globais?
Só estou falando sobre isso porque não tem mais nada para falar, pois é um assunto esgotado. Estou escrevendo por escrever e talvez este seja uma nova conjuntura para a escrita. Acho até que é uma coisa boa.
29/10/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Descobri um dado interessante eu sempre tenho seis acessos imediatos e todos nos Estados Unidos, fui corrigir uma palavra e lá estavam eles 'os seis acessos". Mudei o template e eles continuam!! Acho que é um robô quem me lê!!
Evitando o pensamento fundamentalista
As pessoas comuns estão muito assustadas com a violência, não sei se isso acontece só no Brasil, mas as últimas informações sobre a situação desumana que encontram-se os presídios e a liberação de presos perigosos por falta de local para mantê-los deixam uma sensação de impunidade muito grande. Quem são e o que fazer com os indivíduos que ultrapassam a linha e enveredam para o crime? Há crimes nobres e crimes não nobres? A cadeia é uma punição eficaz? Não teria como mudar esse sistema de controle social?
A vida é uma atuação, uma ação no mundo, ao longo da nossa existência vamos moldando a realidade, vamos nos transformando e escolhendo caminhos. Claro que nem sempre a escolha é nossa, em alguns casos o mundo atua na nossa vida. A violência sempre existiu, sempre esteve presente, de uma ou outra forma. De tempos em tempos ela cresce e vira guerra. Quantos por cento de nós são violentos e quantos não são? Será que realmente há um crescimento ou a escalada da violência é proporcional ao crescimento da população? Porque estamos nos sentindo tão inseguros e ameaçados. Porque imaginamos que há um paraíso em algum outro lugar. Uma terra de leite e mel, um lugar de fartura onde o sol é menos escaldante, onde a água é pura e limpa. Onde os homens são todos irmãos e não há escravidão, fome, violência, nem maus tratos... Há uma utopia, e a crença nela torna extremamente fácil tornar-se um fundamentalista em qualquer coisa.
Imaginamos que agindo de uma e de outra forma estaremos seguros, protegidos. Que seremos parte de um grupo privilegiado ou melhor do que os outros grupos... As pessoas precisam acreditar em alguma coisa e desta necessidade surgem as obsessões e o enclausuramento das ideias e dos conceitos. Um fundamentalista não tem olhos para mais nada do que para a sua própria atuação. É capazes de matar ou morrer para consolidar a suas ideias e perpetuar a sua existência. Como coexistir com o fundamentalismo e não cair nele? Abrindo a mente para outras possibilidades. Quando discutir, ponderar, criticar, dialogar ficar impossível temos um sinal de alerta. Quando a impossibilidade de permitir outro ponto de vista acontecer o fundamentalismo se faz presente. Será que o fundamentalismo cresceu ou sempre foi assim? Escrevi este texto segunda feira e fiquei com ele no papel, pensando se deveria ou não dar forma e refletir sobre esse assunto. Mas ele parece estar em todos os lados, ao longo da semana, então resolvi “soltar a fera”.
Como diria o mestre Raul “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo... Sobre o que é o amor... Sobre que eu nem sei quem sou”...
Antigamente dizia-se que com os loucos não se discute, hoje é com os radicais... Não sei se há diferenças entre uns e outros.
25/10/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Dê um tiro em sua televisão
Queridos leitores eu gostaria de propor que se, ao longo desta semana, algum jornalista iniciar a sua fala dizendo: “ uma manifestação que começou pacifica... Antes do mente jogue uma pedra ou dê um tiro na sua televisão, ou uma alternativa menos cara troque de canal. Parem de mentir sobre isso, as manifestações que ainda estão acontecendo tem um só objetivo acabar com o pacificamente. As manifestações tem o objetivo de terminar em pancadaria, desde o primeiro minuto.
Estive visitando uma pequena parte da Bienal do Mercosul, achei muito interessante. Se eu fosse dar uma palavra seria ausente. Os museus foram desnudos, principalmente o Memorial e o Margs e essa nudez é muito democrática porque faz a gente ver o mundo como ele já foi com janelas abertas para a rua, com luz entrando, com parquê bem lustrado. Imensos espaços ociosos transportam ao passado e o vazio joga para o futuro. O presente se faz ausente de alguma forma. Quanto a ideologia apocalíptica da autodestruição da natureza humana, tudo bem gurizada, se vocês acham que é assim, eu aceito. Fiquem tranquilos. Assisti pela segunda vez ao Tempo e o Vento, gostei muito da montagem que foi feita, a obra de Érico Veríssimo foi muito bem retratada, parece que algumas pessoas criticaram a música final do filme, que falta de coisa para criticar. O tempo não para e a música final, em inglês, liga os personagens ao presente, o vento continuou ventando. O elenco se superou ao dar vida ao imaginário do escritor. Quem puder deveria ir ao museu e aproveitar o espaço livre entre as engenhocas e as estruturas de papelão. Há uma floresta de eucalipto escondida em todo o papelão.
20/10/2013
Fernanda Blaya Figueiró
P.S. em 16/10/2013
"Os extremos são a fronteira além da qual termina a vida e a paixão pelo extremismo; na arte e na política, é uma velada ânsia de morte."Milan Kundera
Para os amigos que não gostaram da minha crônica, eu respeito a sua opinião... E sinceramente esperava essa defesa acirrada. A beleza da democracia é essa possibilidade de divergir!!! E por ela nós temos que sempre lutar.
Beijos
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Ando um pouco invocada com os acessos do blog. Esses são os dados das últimas vinte e quatro horas:
Estados Unidos
225
Brasil
29
África do Sul
5
Acho muito pouco provável que alguém tenha lido o texto, talvez minha filha, que está na África do Sul, tenha acessado uma vez. Se mudo o template os números caem drasticamente e acabo voltando ao atual.
A crônica de ontem foi uma experiência para saber se assuntos polêmicos são mais acessados e posso dizer, que com toda a certeza, que sim. Acesso não significa leitura.
Mesmo assim mantenho o conteúdo da crônica, acho mesmo que o discurso eco ganhou um status de religião, ficou em alguns casos dogmático e fechado ao olhar do outro. Isso faz surgir alguns extremismos e uma defesa insana dos princípios do pensamento. Não é regra mas está acontecendo em alguns níveis. Nós artistas deste tempo estamos ganhando a possibilidade de pensar sobre esse assunto. Os ativistas eco políticos, ou eco religiosos, mais radicais podem estar se tornando terroristas, como o grupo que “pirateou” um navio na Rússia e foi preso. Em seus olhares parece haver um brilho de desafio as autoridades como o dos “santos guerreiros”. Eles parecem felizes com o martírio. Agiram em nome dos mandamentos do pensamento eco. Acreditam que seu pensamento é superior ao que já existe e que lhes dá autoridade para burlar a lei.
Aqui no Brasil a caminhada do movimento começou como uma espécie de “conscientização” baseada na ameaça: se as pessoas não mudarem o mundo vai acabar, claro que com a ajuda dos quatro cavaleiros do apocalipse. As crianças foram alvo deste pensamento, eu mesma já escrevi um longo trabalho sobre isso “As Aventuras de Linna Franco” e outros textos. Depois virou um “fetiche” publicitário e paralelamente foi sendo construída uma plataforma política. Não sou contra o pensamento eco, sou contra a dogmatização e faço a minha leitura sobre o assunto e sua evolução. Já caímos na conversa fiada dos “trabalhistas” que fariam um governo transparente e sem corrupção e que assim que chegaram ao poder se tornaram aquilo que combatiam. Acredito que não será diferente com os “eco”. Mas isso é a minha opinião, não é uma “verdade” nem serve como termômetro do que acontecerá. Provavelmente a Dilma se reelege e daqui há alguns anos essa corrente ganha força e assume o País. A democracia brasileira tem que se solidificar e aprender a conviver com antagonismos e com o jogo político. Mas cobrar dos partidos que tenham coerência e uma plataforma política confiável. Que os partidos sejam responsáveis pelos atos dos seus filiados, que os políticos sejam minimamente honestos com a população sobre as suas intenções. A população tem que amadurecer e trabalhar na construção de uma realidade mais justa, mas sem se deixar levar por promessas que não tem como serem cumpridas. A melhor composição seria que houvesse um equilíbrio, uma sociedade pronta para crescer sem colocar em risco o capital natural. Quanto a experiência em si acho que não valeu muito, vou esperar os desdobramentos. Pois tenho quase certeza que entre todos estes acesso há alguns leitores, incluindo jornalistas. Pois estes adoram ideias que caem na rede. Seja de grandes escritores ou de meros blogueiros. A “blogosfera” é um mato que tem que entra de “perneira”. E por mais que se negue os blogueiros são lidos, principalmente por quem cria a realidade: a mídia oficial.
14/10/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Se há um futuro?
Mas é claro, como a luz da aurora e nele estarão todos os elementos que compõem o agora. Será poluído, depredado e escuro? De jeito nenhum! Perdi a ilusão de que o amanhã será pior do que o hoje, ou do que o ontem. Esse "papo eco" recria as mesmas coisas que sempre limitaram a humanidade “medo e culpa”. Esse é o mecanismo básico. Sem a crença num diabo para atormentar os adultos ou um bicho papão para atormentar a infância, a lacuna foi preenchida pela possibilidade da auto-destruição: “ o consumo excessivo”. Reinventamos os sete pecados capitais ou os dez mandamentos, para introjetar medo e culpa. Não somos culpados de existir, a realidade existe para nós, apesar de nós. A natureza vai sobreviver ao ser humano. O ser humano é uma parte da natureza, a parte nociva? Talvez. Assim o mais grave dos erros precisaria acontecer, o mais preciso acerto também. A única questão da vida é viver. Quem pensa diferente seja bem vindo. Se você pensa que para dar sentido a sua vida precisa construir um longo bloco de ideologia: seja feliz assim. Se achar que deve impor isso como verdade saiba que será contestado. Viver, não necessáriamente viver intensamente, verdadeiramente, apaixonadamente, ou transloucadamente. Viver. Ou talvez viver intensamente, verdadeiramente,apaixonadamente, transloucadamente. Não há regra. Não há fórmula matemática. Isso aqui é uma experiência. Alguns rios ficarão limpos e cristalinos outros morrerão pela podridão. E no futuro, quem sabe, ambos se encontrem e um precise do que o outro tem.
13/10/2013
Fernanda Blaya Figueiró
A palavra na arte
Esta semana assisti a uma bela montegem do balé o Lago do Cisne, na televisão, achei lindo. Normalmente prefiro artes que façam o uso da palavra, por exemplo entre o balé e uma ópera prefiro a segunda, assim como entre a música vocal e a instrumental também opto pelas cantadas. Mesmo nas artes visuais prefiro uma obra que conte uma pequena ou grande história, uma imagem que leve a imaginação a descobrir palavras, a encontrá-las no contexto.Como se na arte as palavras fossem seres e não a representação dos seres. Nestes dias ando um pouco sem inspiração, sem motivação para escrever. Estes são os preciosos tempos de ler o mundo e absorver a realidade. Fui ao memorial Erico Veríssimo, recentemente inaugurado no centro de Porto Alegre, fiquei encantada com o trabalho dele com a palavra. Os originais com inúmeras correções e mudanças mostrando a parte oculta ao leitor, as opções que o autor toma ou longo do processo de escrita. Nos dias de hoje isso está muito mais mecanizado, basta selecionar e deletar e o “erro” ou melhor a primeira opção desaparece. Jornada seria o primeiro título pensado para a trilogia “O tempo e o Vento”, que no fundo é uma jornada pelo tempo e o vento, toda ela parece alicerçada na primeira frase de Ana Terra. A população deveria aproveitar bem aquele espaço para que ele se torne realmente permanente. A cultura e todas as políticas públicas passam por uma problema constante: “cada novo governo tenta apagar o que o outro realizou e marcar a sua presença”, como um cão que faz xixi nos cantos para marcar o seu “território”. Quem mantém as coisas acontecendo é o povo. Os espaços, ideias, projetos, monumentos só permanecem se a população se apropriar deles. Caso contrário eles fenecem. Cada nova gestão, seja pública ou privada, tenta desfazer o que a anterior havia feito, como se educação, cultura, memória fossem instrumento de “lavagem cerebral”. Há pouco tempo sai uma noticia sobre um material didático, que custou uma fortuna para os cofres públicos, que foi aposentado antes de ser utilizado. Caixas e mais caixas de livros novos descartados, neste caso parece que houve uma intervenção da justiça determinando que o material fosse utilizado. E está certo. A educação e a cultura não são palanques nem “cabos eleitorais” de uma ou outra ideologia. Tenho observado a jornada de muitas associações e iniciativas e parece que alguns grupinhos preferem assistir a morte de uma instituição do que abrir mão do controle sobre ela. Como se iniciássemos coisa para nós mesmos e não para que elas existam além de nós. Neste sentido cada ano que passa a Feira do Livro de Porto alegre, a Flip, a Jornada Literária de Passo Fundo, os Desfiles Farroupilhas, o Carnaval ganham uma importância maior, são maiores do que a comundiade que os criou. Quem resolveria terminar com o carnaval e resolver que agora ele se chama por exemplo “Festa Nacional do Samba”? Carnaval é carnaval. Desejo desta forma que o memorial de Erico Veríssimo torne-se permanente. Vida longa ao Rei!!!!
06/10/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Baronesa de São Lucas
E pensar que nestas terras um dia houve um baronato. Um barão e uma baronesa. A estrada sepulta terras antes férteis de lavouras antigas. As palmeiras e coqueiros são o que restou deste antigo tempo de beleza e mansidão. De guerras e de contendas. De longas saias de seda e perfumes vindos de além mar. A vida, meus amores, é esse continuo de pequenas batalhas. De nós ficará só o pó da estrada, da figueira que nasce no butiazeiro ficará o testemunho de uma tentativa de controlar a natureza. Vai sim ganhar a forte árvore é o princípio da floresta. O butiazeiro ali está para servir. Um servo da grande figueira. Pouco é sabido e quase ninguém essa história interessa. Há apenas um túmulo com uma lápide e nada mais. Algumas esquecidas palmeiras e um velho casarão, que brevemente já não mais existirá. Chimango. Eu tinha uma avô chimango e um avô maragato. Quem não tinha nestas terras grandes do Sul? Quando uma contenda acontece são todas as contendas acontecendo. Quando uma paz se alcança são todas as pazes que se alcança.
O fato de uma baronesa ter vivido aqui é só um fato pouca coisa tem a ver com a história que agora vou contar. Haverá um tempo em que nem um só de nós restará. Todos já teremos partido e haverá aqui um povo. Esse povo vai saber que um dia aqui morou um barão e uma baronesa. Se foram felizes, se eram bons, se,se,se Não importará. E esse povo vai brigar e muito e vai encontra a paz e muito. Porque essa é a natureza daqui. Essa é a natureza do ser humano.
Bom vinte de setembro para todos os gaúchos e gaúchas de todas as nações.
19/09/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Fim do Mensalão como “Notícia”
Notícia é algo novo, uma novidade, a revelação de algo que estava escondido. O jornalismo brasileiro vem massacrando o povo com a chatice que se tornou o “Mensalão”. Os noticiários parecem ter virado um jogo sadomasoquista. Vou propor um boicote a essa coisa chamada “notícias do mensalão”, que tem distraído a atenção pública, tirem essa “pavonisse” toda do ar e só volte a falar ao público quando algo novo acontecer, daqui a alguns meses. Quanto os mensaleiros se atirarem para dentro de uma embaixada e fugirem do Brasil disfarçados de galinhas em propaganda publicitária ou se elegerem novamente teremos notícia. Ate lá saiam de dentro das redações e procurem saber o que está acontecendo de novo. Espionem. Encontrem novas cuecas cheias de dinheiro. Políticos em festas com menores. Sei lá! Deve ter algo acontecendo. Quanto mais distraída a mídia estiver com o mensalão mais pobre fica a realidade brasileira. “- Peguei nojo!! Como diria um comediante.
19/09/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Petróleo é a palavra da crise
Iraque, Turquia, Síria, Venezuela, Brasil quem no mundo tiver um copinho só do líquido mais precioso do mundo será espionado, monitorado, acompanhado de perto. Os países do mundo estão de olho uns nos outros. As empresas estão de olho umas nas outras. Soberania, privacidade? Seriam coisas do mundo pré virtual? De um mundo que não existe mais. O Brasil vai precisar investir em Sistema de Segurança, estratégias de proteção dos dados e das empresas. “Anti vírus” e “guerreiros” do mundo virtual. A verdade nessa coisa toda é que não sabemos o que estamos vivendo. Quando sentamos na frente do computador e olhamos para ele, ele olha para dentro de nós. O novo abismo. “Quem lida com monstros monstro se torna?”. Fazer beicinho para um país, o mais poderoso dentre eles, que pode invadir os outros e subjugar seria a atitude mais sensata? Eles precisam de nós? Sim.E nós precisamos deles? Sim. O Brasil é santo e nunca espionou ninguém? Acho que foi certo endurecer o jogo mas também é preciso saber quando e como voltar para a trincheira.
É quase como uma pessoa muito bonita que se despe na beira da praia e não quer ser olhada. O país está mergulhado em escândalos, em notícias de corrupção, de verbas mal utilizadas, de atraso nos programas de aceleração do crescimento. Tem um mercado enorme emergente e mal gerenciado e não quer que as empresas que querem vir para cá conheçam a realidade do país. Estamos belamente nus na beira da praia acenando para todo o mundo e não queremos ser investigados, não queremos tirar o fotoshop, as marcas de cirurgias plásticas, os cabelos tingidos etc...
18/09/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Queridos leitores!!
Recebi a notícia do fechamento total do muro na rua Tarumã, um Beco de servidão utilizado pelos moradores do Condomínio Cantegril a mais de vinte anos. Então fui lá fotografar para levarmos a nova evidência ao conhecimento da prefeitura. Estamos aguardando o parecer do Ministério Público sobre o assunto.
Ao passar pela rua ouvi um grito: "Dona Fernanda, a senhora é sócia (do clube)que eu sei". De fato sou sócia do clube, quem acompanha meu blog sabe disso pois escrevi no primeiro texto sobre o assunto. Estou muito incomodada pois o direito de ir e vir , meu, de outros moradores, funcionários, diaristas, taxistas está sendo prejudicado.
Não me senti intimidada por este comentário solto no ar. Sou sim associada do clube, pagamos mensalidade aproximadamente desde mil novecentos e noventa e oito. Assim como pago taxa de condomínio e IPTU.
Acho que devemos solicitar urgência na reunião que estamos tentando marcar com o prefeito. Fico imaginando os constrangimentos pelos quais a Adriana tem passado, pois é moradora da rua e é contra a construção do muro.
Obrigada pela atenção
Fernanda Blaya Figueiró
14/09/2013
A novela do muro ainda continua, estamos aguardando uma solução para o problema.
Quanto já custou para nós o Mensalão?
Segunda pergunta quanto vai custar mais uma semana deste “suspense”. Ontem assisti a um maravilhoso filme: O Sequestro de Heineken. No filme um magnata é sequestrado e descobre que no seu Universo existem coisas que ele desconhece totalmente, “normas não escritas”. Bem poderíamos, por exemplo, perguntar a presidente Dilma ou aos responsáveis pela segurança pública no Brasil se eles mandaram matar Amarildo. Eles responderiam: Não. E não mentiriam. Mas se perguntássemos: Vocês sabem que acontecem mortes suspeitas no país? Eles teriam que responder: sim. Nós brasileiros sabemos. Essas são as “normas não escritas” de que o filme fala. Porque uma blogueira, metida a poetisa e escritora desconhecida escreveria sobre isso? Porque cabe aos loucos e aos artistas dizerem o que não é dito. Entre o delito “mensalão” e o dia de hoje já passaram mais ou menos seis anos. Essas pessoas “colocaram a mão na bufunfa”, esse já foi um grande custo. Foram investigadas, um outro custo, foram julgadas mais um custo... Será que alguém tem noção de quanto dinheiro foi envolvido nesse processo todo? Infringente: “Aquele que desrespeita, transgrede, viola, deixa de cumprir determinado preceito legal, desobedece.” No filme existe uma solução infringente e um desfecho amargo, usa as normas não escritas. Não existe nenhum santo, só muitos demônios. Na calada da noite cada um enfrenta os seus demônios, as suas tragédias.o Brasil vai dormir uma semana mais esperando para ver se a novela termina ou se continua e como será o desfecho. Dorme com um barulho desses...
14/09/2013
Fernanda Blaya Figueiró
A força da Lei
Vou escrever agora sobre algo que tenho pouco domínio logo com total liberdade de especulação, deve ler só quem está disposto a perder alguns minutinhos. Há alguns anos inscrevi um livro meu num concurso de literatura realizado pelo IEL, no edital de lançamento do concurso constava a exigência de que os livros inscritos tivessem o devido depósito legal. Bem o edital foi prorrogado e a exigência retirada, fiquei muito indignada na época e retirei meu livro do dito concurso, porque eu achava um absurdo o Governo do Estado não cumprir uma Lei Federal. Na minha cabeça a lei deveria ser cumprida. Estamos realizando pelo Fórum Permanente de Cultura de Viamão um estudo sobre a legislação do município referente a cultura e encontramos um número enorme de leis, a maioria sem ser aplicada. A conclusão que chego, lembrem que é a conclusão de uma leiga e não de uma especialista, é de que as leis não são feitas para serem cumpridas. Então eu pergunto teria como cumprir todas as leis do Brasil? Se alguém resolvesse levar o negócio da legislação a sério e colocar em aplicação todas as leis o que aconteceria? Para que servem as leis se não é para serem cumpridas? Depois do episódio do IEL eu desisti de fazer livros ou registrar as coisas que escrevo junto a Biblioteca Nacional, porque perdeu o sentido. Outro dia uma senhora me indagou se eu faria livros novos. Respondi: não. Começamos nosso levantamento no início do ano e de lá par cá tem seis novas leis. Seis meses seis leis relativas a cultura. Chegamos ao título da crônica: que força tem essas Leis todas?
Amanhã vamos fazer uma Sessão Especial na Câmara de Vereadores sobre este tema. Ainda teremos que solicitar mais leis, para adequar o município nas exigências do MinC para a efetivação do Sistema Municipal de Cultura.
As pessoas estão falando muito numa reforma política e acho que esta cultura de ter lei para tudo e de no fundo não ter leis efetivas deve ser abordado. Falo em Viamão porque moro aqui, mas acredito que essa realidade deve acontecer em outros municípios, nos estados e mesmo na união. Acho que para termos uma legislação forte ela deveria ser bem estudada e embasada para não precisar ser substituída quase que imediatamente a sua publicação. Essa reforma política deveria pensar também na formação dos legisladores, não que tenham que ser acadêmicos, mas que para ser candidato um político tenha pelo menos dois anos de formação, em legislação, em administração de coisas públicas, ou outra forma de acesso a educação e cultura política. Também o eleitor deveria ser informado sobre o que pode esperar de vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e de um presidente.
A nossa cidadania está amadurecendo mesmo estando longe de ser um ato consciente. Algumas pessoas não gostaram das minhas opiniões sobre as recentes manifestações, mas continuo achando que a maioria dos manifestantes não sabia bem o que estava fazendo. Talvez sempre tenha sido assim.
Perguntamos: Que leis nós temos? Que leis queremos? Que leis devemos cumprir? Que leis tem de fato força de lei? Quais assuntos são objeto de lei? Entramos nisso meio por acaso e aos poucos fomos sendo tomados por um desânimo. São muitas leis e parece que no fundo não tem lei alguma.
27/08/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Valorize o seu Real!!
Com a recente alta do dólar e os tumultos gerados pelos “manifestantes” as lojas foram obrigadas a fazer grandes promoções. Ao consumidor ficará a tarefa de valorizar cada um dos seus reais. Ontem comprei um sapato por cinquenta por cento do valor que custava, claro que estamos nas liquidações do estoque de inverno, mas isso demonstra que as lojas tem uma gordurinha para gastar. Uma vez ouvi uma história que era mais ou menos assim: uma mulher adulta quando criança foi criada com muita severidade, mesmo tendo uma condição financeira boa era privada, assim como os irmãos, de pequenas regalias e era tratada pelos familiares como uma pessoa feia. Ela incorporou isso a sua pessoa e levou estes “stigmas” para a vida adulta. Em sua infância havia sobre uma bela mesa de madeira de lei um pote cheio de bombons finos, mas era absolutamente proibido as crianças. Só para as visitas e nas datas muito importantes ele podia ser aberto, mas sua degustação deixava na boca um gosto amargo. O gosto da rejeição, da proibição e da menos-valia. Bem essa pessoa passou a vida toda lutando, com uma boa vida, mas sempre envolvida em eventos financeiros desastrosos. Atualmente, devido a algumas brigas, tem uma grande quantia de dinheiro depositada em juízo e não pode acessar a ela: “O pote de bombons”. Como se ela não pudesse usufruir dos benefícios a que tem direito. Bem o “Real” é a nossa tampa do pote de Bombons, com ele estamos podendo consumir coisas que antes estavam ali mas eram inacessíveis, como casa própria, carro, roupas, alimentação, saúde, cultura, educação etc... O brasileiro precisa manter o pote aberto e aprender a consumir com moderação e responsabilidade os bombons. Não seria esse movimento todo que estamos assistindo um “auto-boicote”, como se não fosse nosso direito construir um País melhor, como se fossemos feios e menores do que os outros. As crises na Turquia, Egito e outros países devem nos servir de alerta: tem coisas erradas no Brasil: Sim. Mas vamos ir corrigindo dentro de um “Estado Democrático de Direito”. Não vamos cair na armadilha de ter a democracia, mesmo que precária, ameaçada por um pequeno grupo que está criando um transtorno para vender fotos e vídeos. Os grupos depredam patrimônio público e privado e depois pousam para fotografias, expõe provavelmente em seus perfis públicos, como troféus. A polícia está acuada, imobilizada pelo politicamente correto e sem saber como agir. O caso Amarildo levanta uma questão que todo mundo sabe a tortura e o abuso de poder se infiltraram na nossa sociedade assim como a corrupção. Vai levar tempo para que estas atitudes acabem e será preciso uma grande mudança cultural. Nós brasileiros merecemos um tratamento melhor, não somos feios ou piores do que as outras pessoas. Se valorizarmos o nosso “Real” modificamos a nossa realidade. Quanto aos tumultos é preciso saber como os outros países que passaram por movimentos parecidos, com a ocupação da praça onde fica a bolsa de valores nos Estados Unidos, conseguiram acabar com a baderna.
18/08/2013
Fernanda Blaya Figueiró
ndignação no Condomínio Cantegril
Hoje recebi uma carona de uma amiga e soube de sua profunda indignação quanto ao fechamento da Rua Tarumã com a rua Ospa, a mais antiga entrada para o condomínio Cantegril, de uma hora para outra um grupo de moradores decidiu fechar o acesso. Fechar uma rua pública com um muro, é possível e legítimo uma barbaridade dessas? Já havia lido via facebook o relato de uma outra amiga sobre a arbitrariedade da atitude, mas como o condomínio é separo por fases e moro "na dois", sendo este acesso na "fase um" resolvi não me envolver. Nossa fase já vive conflitos sistemáticos e isso torna a convivência bem chata entre os moradores, até gostaria de saber quantos processos e denúncias há na justiça. Parece loucura um pequeno grupo decidir e conseguir impedir o acesso dos moradores porque “não gosta do barulho”, direito de passagem que tem mais de vinte anos. Um “Espaço Público”. Uma rua. Muitos funcionários entram e saem por essa entrada. Além de todos os moradores que optam por não ser associado ao Clube Cantegril, que como todo clube privado cobra uma mensalidade. Restou apenas uma alternativa a entrada do Beco dos Cunhas( retificação: Beco dos Soares), que para os moradores das fases um, dois e três, fica a quilômetros. Morar no Cantegril sempre foi uma coisa boa, havia uma harmonia entre as pessoas e de um tempo para cá está quase se tornando um pesadelo. Basta andar pelas ruas internas e ver a quantidade de placas de “vende-se”. As pessoas não percebem que estão desvalorizando o próprio patrimônio. Minha amiga relatou que já fez uma queixa na prefeitura e uma no Ministério Público. Passamos por lá hoje o muro foi derrubado, porém um portão e muitas pedras impedem a passagem. Como sou associada do clube não utilizo esta entrada, mas o fato está criando tanto transtorno que a comunidade deveria se unir e reverter esta situação. Hoje estive na Biblioteca Erico Veríssimo e soube que o Centro de inclusão digital voltou a funcionar. Havia um grupo de pessoas utilizando aquele local. Na época em que a biblioteca foi fechada nos reunimos e fizemos um abaixo-assinado para garantir a sua reabertura, fizemos bem. Hoje as pessoas podem utilizar tanto a biblioteca quanto o centro de inclusão digital. Essas “brigas” nos desgastam um pouco, mas são necessárias num país democrático e na manutenção de todas as conquistas que a sociedade brasileira conseguiu. O melhor seria fazer uma comissão para ir até o prefeito e discutir isso além dos muros, além do nosso “microcosmos”. Pode ser que assim a paz volte para as pessoas que sempre utilizaram a rua Tarumã para exercer seu direito de ir e vir. Para fora o pessoal usa o termo “servidão” para um lugar que serve de passagem entre uma propriedade e outra. Ou com o tempo o condomínio ira se isolar tanto que será um lugar morto, um lugar fantasma.
12/08/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Deus! Nem vivo, nem morto. Livre!
O Rio de Janeiro está de parabéns pela bela recepção que fez aos jovens católicos e ao Papa Francisco. Mesmo com os problemas, que são normais a um evento popular, tudo transcorreu bem, até o momento. Algumas pessoas vão protestar pelos gastos públicos que a cidade fez, como se só pudesse usar o dinheiro público para um tipo de público, sem levar em conta que estas pessoas todas também pagam impostos e movimentam a economia brasileira. Já ouvi adeptos da Deusa Ciência irados por ver uma manifestação legitima e popular que contraria seus decretos que Deus estaria morto. Acho que nosso milênio será marcado pela liberdade verdadeira de escolha. Deus está Morto para uma parte da humanidade e Vivo para outra. Tem inúmeros nomes e formas de manifestar-se e tudo bem! Se aprendêssemos a respeitar a diversidade de relações entre os seres e suas crenças talvez perdêssemos menos tempo brigando. Estamos aqui no mesmo período de tempo, dividindo a mesma experiência humana de viver. As pessoas estão livres para pensar por si só e acreditarem no que quiserem. Uma nova foram de relação está se estabelecendo entre as pessoas ainda não sabemos bem qual é e de onde vem, porque é nova, mesmo assim será construída sobre antigos alicerces, antigas formas de pensar e reagir. Um Papa fala para seu povo, não para toda a humanidade, é preciso entender isso para respeitar a diversidade de pensamento e de discursos. Um Professor graduadíssimo fala para seu público, não por toda a humanidade e é preciso ser respeitado tanto quanto um Papa, um Dalai Lama, um Pai de santo, um Pastor, um Pajé, um Mufti, ou qualquer outra autoridade que professe sua fé e represente um grupo, ou uma etnia. Se os políticos tiverem que criar estruturas para receber um congresso, um encontro, um fórum, laico ou religioso, que isso seja feito, porque também é parte do exercício da cidadania. Quanto a pobreza e principalmente a miséria só serão vencidas quando decidirmos que será. Pois está nas nossas mãos a tomada de decisões sobre a forma como as pessoas vivem e se relacionam sobre a Terra. Foi muito bom que o Brasil tenha recebido bem o Papa e seus seguidores.
28/07/2013
Fernanda Blaya Figueiró
A desmetropolização do mundo.
Quem já está com as pedras nas mãos pode jogar agora e abandonar o texto ou ir até o fim e jogar lá na ideia, ou jogar fora. Não joguem em mim pois o que vem volta e minha mira é boa. Há alguns anos a educação já pensava sobre as mudanças que a internet faria no mundo, uma das previsões era de que as cidades ficariam menores e mais ágeis, porque sem a necessidade física de ter escritórios com grandes aglomerações de funcionários os problemas de pico de movimento, de superlotação das lojas, bancos, etc, seria solucionado. Uma maior divisão das jornadas de trabalho também melhoraria a afluição nas grandes cidades. No interior as pessoas hoje tem acesso aos mesmos benefícios que nas metrópoles. Esse movimento já está acontecendo, tenho vários amigos e eu mesma que não precisam mais passar pelo stress dos horários de pico. Acho que um dos maiores problemas das nossas cidades é que mantém a mesma lógica de antigamente. Com o incentivo que o governo está dando, polêmico é bem verdade, para que hajam mais médicos no interior a tendência é de que as cidades ganhem com isso. Médicos gostam de ir ao cinema, ao teatro, a restaurantes,comprar em boas lojas, etc... Uma cadeia de serviços acaba sendo movimentada e a população local tende a se sentir mais valorizada e atendida em suas necessidades básicas. Claro que terão que haver investimentos em hospitais, maquinário mais sofisticados de exames e um vínculo entre estes profissionais e os grandes centros na forma de seminários, cursos de qualificação, de aprimoramento. Quem vai largar as metrópoles e ir para o interior? Como acaontece em quase todas as mudanças na nossa história irão os pioneiros e os mais necessitados. Existe uma parte da humanidade que é livre e gosta de migrar e outra que é fixa, não sai do seu lugar por nada, mesmo que as condições piorem no lugar em que estão. Eu acho que sou da segunda parte e não voltaria para o interior. Parece que de tempos em tempos a humanidade muda, mudam os conceitos de cidade, de país, de governo, de propriedade, de Estado, de família. Parece slogan de propaganda, mas: “a humanidade caminha, se coloca em movimento e reestrutura as relações ciclicamente”. Estamos há muito tempo num só ciclo, numa só solução. Talvez não seja hora de ampliar as cidades grandes, construíndo mais coisas nelas, e sim de descentralizar e capacitar as cidades pequenas. Criar vias de acesso entre o interior e as capitais e dar aos profissionais que tem o espírito de migrante bons motivos para irem para o interior. Na Grécia, pelo que ouvi no noticiário, estas mudanças estão sendo compulsórias, parece que estão lá recolocando os profissionais sem que eles queiram, isso tende a dar errado. Aqui o governo deveria usar uma palavrinha no novo projeto de incentivo para que os médicos se mudem para o interior: Optativo. O médico, não classificado nos cursos de pós-graduação como as residências, que quiser poderá ao final do curso prestar dois anos de serviço no interior. O compulsório é uma agressão ao profissional, o optativo não. Com o tempo vai ter médico brigando por um “lugarzinho ao sol no interior.” Porque viver no interior pode acabar se tornando muito melhor e mais seguro. Quanto as metrópoles? A única coisa que não pode acontecer com elas é o abandono pois onde o dinheiro sai entra uma subeconomia que eleva os índices de violência,podendo causar uma desvalorização do trabalho e uma depreciação dos imóveis . Outra coisa que tende a acontecer, já falei sobre isso, é a queda das fronteiras geográficas e das “bandeiras” mas isso já é para mais tarde.
17/07/2013
Fernanda Blaya Figueiró
É a vez do Chile.
Hoje assisti ao filme de Pedro Almodóvar "Amantes Passageiros" depois de dar muitas risadas fiquei meio sem saber o que tinha sentido. Como era previsto a onda de protestos já se mudou para o Chile e a Copa do Mundo nem será lá, o governo e a imprensa parece que ainda não perceberam que a onda passou. Mas vendo o filme e todos os esteriótipos que desfilam percebi que não tem como levar as coisas muito a sério. O Brasil deveria rir de si mesmo como fez o diretor de “Amantes Passageiros”. Nossos corruptos não são mais corruptos do que os de outros países, nossas pendências também não. Enquanto o mundo “em desenvolvimento” briga e entra em crise os países ricos correm por fora e se recuperam , misteriosamente. Misteriosamente? Será que são os melhores e mais seguros lugares para o dinheiro do mundo? Sim, lá não tem nanifestantes furiosos nas ruas, prontos para derrubar os governos, lá não tem corrupção, nem instabilidade! O belo, limpo e bem desenvolvido Chile entrou na roda. O orgulho da América do Sul, com seus maravilhosos vinhos,frutas e demais atrativos. É hora dos brasileiros aproveitarem o desvio de atenção e voltar a trabalhar. Como ouvi uma senhora falando:- As contas da gente não param de chegar!
12/07/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Aldeia Virtual Global uma nova realidade
Edward Snowden é um nome que já faz parte da história da humanidade, parece um garoto sapeca que desafiou o pai e fugiu de casa. Agora sobrou para o Brasil, que teria tido uma base de espionagem americana em Brasília próximo ao ano 2002, as pessoas esquecem muito rápido os detalhes da história, neste ano o mundo estava lidando com o trauma da queda das Torres Gêmeas, ou o fatídico onze de setembro. Havia uma paranoia e uma cegueira quanto a encontrar um inimigo, definir o que estava acontecendo. Os países colaboram uns com os outros, se falam e se espionam, sempre foi assim, recentemente no atentado de Boston foi publicado que o governo Russo havia informado ao governo Norte-americano que os dois suspeitos de fazer os atentados eram perigosos, ninguém se perguntou: - A Rússia espionou dois jovens que tem a cidadania Norte-americana? Eu pergunto como será que as polícias do mundo atual vigiam e investigam os traficantes de drogas, os corruptos e os outros suspeitos de atos ilícitos? Quantas vezes os repórteres se fingem de policiais e se infiltram em salas fechadas filmando tudo e divulgando na TV? Quanta audiência o bisbilhotamento dá? Teremos que aprender a viver num mundo sem fronteiras físicas, o mundo virtual tem uma outra lógica e ela está sendo definida ao mesmo tempo que “a rede se fecha”, o velho jargão cai como uma luva. Eu imagino o futuro, bem próximo, como um lugar sem políticos e com outras estruturas sociais, para mim logo viveremos em grandes “Conglomerados” ou condomínios e os Síndicos e Gerentes ocuparão o atual lugar dos prefeitos e vereadores, o CEO das corporações serão os Senadores e Primeiros Ministros e as fronteiras físicas cairão. Não teremos mais países, presidentes ou soberania para “atravancar” os negócios. E o povo? Vai se ferrar é lógico. Eu não digo que isso será bom ou que será ruim, acredito que todos os problemas da humanidade serão reproduzidos roubo, estupro, corrupção, assassinato, invasão de privacidade(se é que ela ainda existe), excesso de autoridade, escravização, tudo existirá bem como seus contrários honestidade, heroísmo, benevolência... E o Brasil já bisbilhotou alguém? Há um abismo bem na nossa frente, o próximo passo tem que ser dado com muito cuidado pois “os tigres atacam a noite” e o mundo como era antes deixa de existir. Todo mundo bisbilhota todo mundo e nós seres humanos adoramos uma fofoquinha... Seja ela midiática, estatal ou familiar.
09/07/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Fogo no mercado: será coincidência ?
Na mesma semana colocam fogo em duas viaturas da Brigada Militar , encendeiam containers de lixo e o Mercado Público, o prédio mais querido de Porto Alegre o Coração da Cidade, pega fogo do nada, após o fechamento. As pessoas tem achado que minha escrita é um pouco confusa, mas acho que é na verdade meio esquizofrênica, acaba vendo os truques e as artimanhas que os “pseudo normais” negam. O Fortunati deveria pedir ajuda de outros estados para investigar isso, parece que o povo daqui vai estar muito cego pela raiva e vai deixar de ver com clareza. Nas horas graves, é preciso ver com o coração, já nos dizia o principezinho, mas nosso coração queimou então teremos que pegar o de outras instituições emprestado. Ontem eu perdi o sono antes da seis com um tipo de sentimento ruim, essa noite perdi o sono de raiva. Como só tenho TV a cabo então não acompanhei as imagens locais, mas fiquei pasma igualmente. Em Viamão foi uma noite de muitos raios e trovões e o barulho não deixou ninguém quieto e sossegado. As bruxas estão soltas e voam por aí. Nem todas são más. Mas as que são, realmente assustam. Despertar o ogro da guerra é uma coisa fácil, colocá-lo a dormir novamente é uma outra história. Me sinto como as crianças más do filme "A Fita Branca": a energia ruim que o movimento das massas trás abre a porta para as pequenas maldades, como a de derrubar o médico do cavalo ou de espancar o filho do dono da quinta. Pode ter sido uma mera coincidência? Sim! Pode ser que não tenham sido jogados coqueteis no mercado como os que foram nas viaturas. Pode ter sido um acidente? Pode, mas também pode não ter sido. E as câmeras de segurança da guarda municipal e dos azuizinhos, o que tem para nos contar? Já aos manifestantes pacíficos: tomem cuidado para não se tornarem as eternas vitimas, não se tornem presos a um ciclo de sofrimento e nem reféns buscando um sequestrador.
07/07/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Terrorismo Virtual
Ontem os sistemas de três bancos brasileiro sairam do ar em pleno dia de pagamento, isso nos leva a uma grande conclusão o país está sendo alvo de um tipo novo de ataques o “Terrorismo Virtual”. Lembrou o episódio muito recente da liberação antecipada do “bolsa família”, que a Caixa Econômica ainda não conseguiu explicar direito e que pode ter sido o germe da atual crise que estamos vivendo. Pode um grupo estar deliberadamente criando medo e uma situação caótica? Os Estados Unidos há pouco tempo atrás acusou a China de fazer espionagem virtual e logo em seguida foi acusado por um cidadão seu do mesmo delito. Ao final do dia o serviço voltou a normalidade e os responsáveis acalmaram as pessoas dizendo que tudo estava bem. Será que o Brasil teria condições tecnológicas para combater uma ameaça virtual? De onde ela partiria e a quem interessaria? Sonhei que o governo americano havia invadido o terminal russo em que o seu inimigo está e teria dado a ele o mesmo tratamento que foi dado a Bin Laden. Assisti ontem ao filme Truque de Mestre, em que um novo tipo de assalto a bancos e contas é realizado como um grande show, a história é muito bem construída e mostra uma conspiração, que não é teórica. Ilusão, hipnose, trapaça e vingança. O filme parece mostrar como é fácil iludir e manipular uma grande massa. Bem uma entre tantas outras teorias que me chamou a tenção nesta questão dos protestos nas ruas brasileiras foi uma que ouvi de que seria uma tentativa de vingança devido as “investigações” da Comissão da Verdade, ou seria mais correto falar em Comissão da Vingança? Ou seja aquilo que todo mundo já sabia, que houve tortura durante a última ditadura militar, pode ter levado a uma nova revolta e consequentemente a uma onda de violência. Mas será que um grupo alimentaria o sentimento de vingança por tanto tempo? Mais de quarenta anos para revirar o lodo, essas histórias precisam ser contadas? Sim, mas como um aprendizado e para uma superação, uma elevação do espírito, um perdão mútuo, não para alimentar o ódio. A população da época também chamava os “guerrilheiros” de “vândalos”, uma forma simplista de explicar as coisas que se repetem, seria o Carma Nacional? Viver de golpe em golpe. Tentei encontrar mas não consegui, pois tenho pouco conhecimento da história brasileira, qual foi o maior período de democracia contínua que o país já viveu desde a queda da Monarquia? Acho até que foi este em que estamos, não afirmo por preguiça de pesquisar.
06/07/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Que “Deus” salve a Dilma!
Terei que morder minha língua, a “solução” dos conflitos no Egito foi um velho e bom Golpe de Estado, fechamento do congresso, suspensão da constituição, deposição do presidente e o fim da violência nas ruas, escolha de um presidente novo e reescrita da constituição. Você lembra de algo parecido? Levou apenas um ano para que o povo que viveu uma longa ditadura acabasse no colo de uma nova. Nossa democracia já tem trinta e tantos anos, passou por poucas e boas, provavelmente vai aguentar essa revolução social. Tomara que a gente chegue a próxima eleição com a constituição valendo e inteira, ou melhorada. Mas a situação realmente importante do dia de ontem foi o autoritarismo que fez o avião do Presidente Boliviano Evo Morales parar. Aqui no Brasil uma quadrilha de ladrões assassinou um menino boliviano no colo da mãe porque ele ficou com medo e começou a chorar implorando pela própria vida. Ver o presidente sentado com as mãos sobre os joelhos enquanto o seu avião era revistado em busca de um terrorista norte-americano foi quase como olhar para o menino morto no Brasil. Que país vai aceitar receber o “inimigo número um” da maior e talvez a única potência do mundo? “- Eu não quero morrer!!” foram as últimas palavras do menino antes de levar um tiro a queima roupa no meio da testa. E o povo brasileiro nas ruas em festa. Os Russos estão com a batata quente nas mãos, devem entregam o terrorista e dizer: “Eles que são americanos que se entendam.” A Turquia e as Coreias perderam o lugar na mídia parece que tudo foi magicamente resolvido. A degradação das instituições ganhou uma aceleração tão grande nestes últimos dias que devo pensar novamente sobre o risco de uma nova ditadura. Já ouvi que a próxima a cair é a Dilma, ou seja o próximo país a se tornar novamente uma ditadura será o nosso. Quem assume? Eu se pudesse escolher preferiria ficar com a Dilma, que foi legitimamente eleita, até as próximas eleições e continuar nessa frágil democracia, com pequenos justes na nossa constituição. Mas se a solução egípcia prevalecer estaremos entrando numa nova era de governos autoritários.
04/07/2013
Fernanda Blaya Figueiró
m título com gosto amargo.
O Brasil não tem motivos para comemorar a conquista da Copa das Confederações mesmo que o futebol tenha proporcionado um espetáculo em campo, as imagens dos protestos mostram que as coisas estão saindo do controle. É muito preocupante o rumo que as manifestações políticas estão tomando, porque não tem uma demanda específica e estão colocando na rua a parcela mais violenta da população que busca o enfrentamento com a polícia e não respeita absolutamente nada. O Egito, informam os noticiários, continua com protestos violentos, com inflação em alta e turismo em baixa. Quem vai visitar um país que está praticamente em guerra civil? Que estas notícias abram os olhos dos brasileiros para o futuro que estas manifestações podem tomar, cada vez mais acredito na “teoria conspiratória”, como alguns chamam, de que este movimento é articulado por forças exteriores para desestabilizar o país, como fizeram em outras partes do planeta. É uma nova forma de guerra fria, em busca de investidores e uma competição pelo capital estrangeiro. O Brasil pode se tornar, se souber agir com inteligência, no “celeiro” do mundo. Criar um conflito social tão artificial como este num país que é democrático e que está em expansão econômica serve aos interesses de quem? Quanto a parcela da comunidade que se diz “pacífica”, mas que se beneficia da ação dos “não pacíficos”, principalmente pelas imagens geradas de bombas, saques, espancamentos que vendem e viajam pela rede, deve parar com esse discurso de que é ingênua e amorosa e assumir a responsabilidade pela instabilidade que os protestos vem gerando. Se os protestos decaírem para uma guerra civil ou uma onda de terrorismo, os “pacíficos” devem saber que são coautores da violência e cúmplices do vandalismo. O gigante acordou: que bom! Agora cantemos para que ele adormeça novamente em berço esplêndido e que sua valorosa população não seja manipulada por alguma “inteligência artificial”. Quanto aos outros países do Mundo prestem muita atenção pois o próximo golpe destes espertinhos pode ser aplicado no seu país, com a sua população. O Brasil é só “a bola da vez”. A “Copa do Mundo” é só o estopim, o combustível para um discurso plantado e maléfico. Comecem já a garimpar e conhecer este novo “inimigo comum” a todos os países. Tudo o que o Ser Humano cria acaba tendo dois usos um para construir coisas boas para todos e outro para destruir e aterrorizar, com a Internet a dinâmica não seria diferente. Quanto as autoridades brasileiras procurem agir logo encontrando a fonte que alimenta esta confusão e desarticule logo, para evitar que no Brasil a degradação sociopolítica- econômica que ocorreu no Egito se repita. Quanto a imprensa tenha a sua responsabilidade também e pare de alimentar o ego dos “manifestantes pacíficos ou terroristas”. Não busque as respostas nas ruas, busque na rede.
01/07/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Risco zero para uma Ditadura
Gostei da reação dos nossos juristas, conseguiram reverter rapidinho a tentativa do governo de “mudar a constituição a machadada”, as pessoas agora começam a se preocupar com o risco de uma nova ditadura militar, que no nosso caso depois de todos estes anos de “esquerda” no governo tenderia mais para uma ditadura “A la Cuba”, com restrições econômicas e tudo o mais. Não acredito nisso porque a conjuntura exterior abomina qualquer tentativa de impor uma ditadura. A democracia é uma obrigatoriedade e bem vinda. Acredito que o risco maior seja de descambar para uma guerrilha “A la Colombia”, as guangues e quadrilhas de traficantes são muito fortes no Brasil. Em Porto Alegre os “arrastões” que estão acompanhando as passeata demonstram uma revolta contra o que está estabelecido, contra a propriedade. Saques e arrastões tendem a aumentar e dai eu pergunto: o que a classe média vai querer? Recentemente um grupo de jovens de uma comunidade de favela foi para as ruas e acabou com a polícia matando sete pessoas, entre elas dois inocentes. Agora é preciso entender a reação da polícia, se eles não contém a ação dos traficantes o que pode vir a acontecer? Uma jornalista de olho roxo causou muito mais comoção entre as pessoas do que sete mortos na favela. A jornalista tem mais direitos do que os favelados? O lider da comunidade disse algo como: alguns jovens envolvidos com drogas fizeram os arrastões e a comunidade pagou a conta. Há pouco tempo atrás houve na Bahia um preocupante levante de policiais insatisfeitos com seus salários, foi um cenário bem ruim de homens armados nas ruas, saques e sequestros feitos por aqueles que deveriam proteger a população. É preciso muita calma nessa hora!!!
26/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Nossa Constituição
A Constituição é nossa "lei maior" precisa de algumas mudança de tempos em tempos para acompanhar as necessidades do País. Só que com muito cuidado e zelo. Em uma das inúmeras reportagens que assisti sobre os conflitos e protestos uma me chamou a atenção: um rapaz protestava com seu cartarzinho e um repórter perguntou a ele o que acha que deveria ser feito, ao que ele respondeu “-Isso é com os cabeções(ou seja os antigos sábios) eu só estou aqui protestando!” Essa frase resume o pensamento da grande maioria, ou seja algo tem que ser feito com urgência só que ninguém sabe bem o que. Ontem a Presidente Dilma falou em fazer uma mudança na Constituição Brasileira sem a participação dos políticos, isso é muito perigoso, pois vai chamar apenas os seus “cabeções”, ou seja algo tão importante como uma reforma política pode acabar tendo uma orientação unilateral. Há dois meses assinei um abaixo-assinado que reivindicava uma reforma política, porque acredito que ela é necessária. O documento é de mil novecentos e oitenta e oito e restaurou a democracia no Brasil, acho absolutamente normal que ele seja repensado para melhorá-la, mas não substituído.
Em algum momento da fala da presidente ontem ela disse aproximadamente que: “Os políticos não vão votar itens contra eles...” Eles e nós! A presidente esqueceu que é também uma política e que está atualmente no governo, logo os protestos são contra ela também. E ela aprovaria mudanças com as quais não concorda ou usaria o poder da caneta para impor a sua vontade? Precisamos de uma reforma política: sim. Que reforma? Bem precisamos chamar os “cabeções” de todas as correntes para nos informar e podermos decidir. Pois como disse o rapaz nós somos o movimento, talvez caótico, e eles vão agora ordenar as coisas. Esperamos que o governo não aproveite a situação para nos fazer engolir mudanças que favorecem somente a um lado.
O foco mudou da falta de mobilidade urbana, do alto custo da mesma e da insatisfação com a corrupção para uma agenda do governo. Não sou contra, acho que as mudanças são necessárias e urgentes, antes das próximas eleições, mas não podem ser feitas no oba-oba. Tudo tem que ser feito de forma legal e transparente, para não usar a energia do povo contra ele. Uma reforma administrativa é tão vital quanto a política, o serviço público brasileiro é mal preparado e ultrapassado, temos um funcionalismo público lento, uma máquina pesada e defasada, que muitas vezes atrapalha o crescimento do país perdido em corrupção e burocracia. A gurizada não cansa de dizer que quer mais educação, mas quando são criadas vagas de cursos de qualificação profissional não são preenchidas, mais educação só faz sentido se em algum momento essa gurizada quiser trabalhar. Talvez baste um melhor gerenciamento dos recursos da educação pois eles existem, são fartos e mal utilizados.
Se um especialista, vamos supor de um japonês (cidadão morador de um país símbolo de boa administração) olhasse para a grande quantidade de recursos financeiros que o país tem e a pouca eficiência em solucionar problemas talvez pudesse nos dar uma luz. Fico até imaginando:
“ Brasileiros faças assim: Limpem tudo, organizem tudo, descartem o que não serve, faça primeiro o essencial e utilize bem seu tempo e seus recursos”. Em poucos meses essa máquina já funcionaria melhor.
25/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Quer um protesto pacífico? Fique em casa.
Impressiona a forma leviana com que a imprensa brasileira está tratando os “Protestos”, parece que o Brasil está em festa, as pessoas estão aparecendo sorrindo, entoando marchinhas... E “um pequeno grupo de vândalos” vão destruindo tudo pela frente. Acorda Brasil a população está sendo manipulada como um bando de cordeirinhos indo para o abate. As Seleções Estrangeiras estão querendo ir embora e deveriam mesmo. Você que precisa do turismo para sobreviver deve pensar nos impactos das imagens no mundo afora, quem vai visitar um País em situação de caos social? Quanto já custou liberar toda a população antecipadamente, quantas horas de trabalho foram perdidas? Quem vai pagar por isso? E do dia trinta ao dia cinco haverá como pagar a folha do País inteiro? Foram lindas as imagens do povo nas ruas? Sim! Belíssimas mas como não tem uma reivindicação, pois o movimento foi plantado por meia dúzia de intelectuais,( lembrei que há poucos dias recebi via Facebook um vídeo de um “artesão” que exaltava todas estas demandas, iniciava com a internação compulsória dos viciados e terminava coma Copa 2014, também assisti a um grupo de teatro de rua que tinha exatamente o mesmo discurso como um bloco uniforme) como vai ser atendido? Vou ser bastante criticada, mas a melhor reação seria não liberar ninguém antes do horário e nas cidades em que as seleções estrangeiras estão colocar a polícia nas ruas e um “toque de recolher”. O rebanho faz o que o pastor decide e estamos cada vez mais próximos dos lobos. As mães estão levando os filhos para ver como é bonito, cuidado para não se tornarem futuras mães chorosas que perderam seus filhos para guerrilhas. O Amor à Pátria é uma coisa linda e maravilhosa, adorei as cenas das pessoas cantando o Hino e caminhando por um Brasil melhor como se fosse uma antecipação do carnaval ou um grande São João. Agora bandeiras rasgadas, patrimônio destruído, não! Quem quer o fim da violência deveria voltar para casa. A imprensa deveria tratar a questão com mais seriedade e menos incitação a desordem, porque chega um ponto em que não terá mais volta. Queremos uma grande ruptura? Sim, mas qual será? Uma vez que o movimento, teoricamente, não tem uma plataforma política. Tem sim tarifa zero significa que querem tudo de graça, ou seja o fim do capitalismo, o discurso contra a copa é uma tentativa de atacar as instituições estrangeiras. A ideia é articulada fora daqui, por antigos lobos que estão de olho no Brasil, de olho no crescimento do país, nas empresas que atrai, ou seja no capital, na possibilidade do País se tornar uma potência. Que País você quer? Você não entregaria o Brasil de bandeja para os estrangeiros, não é?
21/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Entendendo os protestos: Eco-feliz x Eco-guerrilheiro
As pessoas estão tentando entender a onda de protesto no Brasil, para mim ela tem uma clara base o movimento: Occupy Wall Street e as discussões dos últimos Fórum Sociais Mundiais. Participei de algumas edições mais como observadora e já havia uma clara distinção entre um grupo que defende a sustentabilidade, os cuidados com o meio ambiente, dividido entre pacifistas e ecoguerrilheiros e a corrente mais partidária, sindicalista, mais revoltada. Para mim esta reação popular vem se avolumando há mais tempo e as atuais manifestações tem uma relação com uma nova forma de pensar a sociedade, o que ainda não consigo entender e visualizar é que outra forma de relação entre remuneração, trabalho, benefícios sociais e de gerenciamento das coisas públicas surgirá. Estariamos diante do fim do presidencialismo e da república? O que entraria como opção de ocupação do poder? Ontem eu postei uma opinião de que a presidente Dilma deveria convocar as Forças Armadas principalmente para apaziguar o Rio de Janeiro, onde foram vistas imagens de “manifestantes” espancando policiais e destruindo prédios históricos, fui “vaiada” mas quando foi preciso chamara as forças armadas para “pacificar as favelas” ninguém achou que houve excesso ou que era uma coisa errada, porque era “fora do centro” e combatendo “o crime organizado”. Há manifestantes que não querem a violência e há também os que querem a guerrilha. Bem o governo precisa sim se preparar para ter que fazer uso das forças armadas para retomar a ordem, caso a coisa saia do controle, principalmente para garantir a Democracia. Soube que o Rio de Janeiro e outros estados pediram o auxilio da Guarda Nacional e fizeram bem. Eu não tenho uma boa memória mas guardo imagens de coisas bem parecidas que aconteceram há pouco tempo no Uruguai e na Argentina, na Inglaterra, além da Turquia que pede quase as mesmas coisas, com a diferença de que aqui tudo é muito maior, temos uma grande população e com o evento da Copa das Confederações “a oportunidade fez o ladrão”. Lembro também que houve um outro evento no Rio de Janeiro, em que antes de tudo foi feita uma “pacificação” com a presença de tanques nas favelas e um grande efetivo policial nas ruas, quando aos gastos com a copa no meu entender a reivindicação é tardia, pois ninguém pensou nisso antes, é só um pretexto para criar mal-estar político, só agora esse discurso apareceu meio que “plantado". O Brasil faliria por causa da Copa? Duvido muito, falirá se continuar permitindo o individamento indiscriminado da população, dos aposentados, se negligenciar a modernização das vias de escoamento da safra, se usar a ocupação territorial como plataforma política e tirar a força produtiva do campo, se “matar a indústria” onerando com impostos e não oferecendo infraestrutura básica. Por exemplo agora foi instituído o Vale-cultura, uma maravilha cada empregado, dependendo de uma faixa de salário, receberá um vale de cinquenta reais para gastar com cinema, teatro, livros etc... Só que cinquenta reais muitas vezes é o valor pago de outras tarifas que as empresas não conseguem pagar. Onde acabará este vale? No preço final do produto, logo no aumento da inflação. Eu também quero mudanças só não sei quais e como serão e acho que elas já estão acontecendo, a poeira vai baixar, até porque deve chover nos próximos dias e tudo vai voltar a normalidade. Depois disso é preciso entender que forças estão envolvidas nesse movimento e que ações serão tomadas, agora, mais uma vez na minha opinião, não é um movimento só brasileiro, tem uma base, um discurso político externo e interno ou seria global? Mas a grande maioria é de pessoas comuns que não entendem bem o que estão buscando e estão sendo manipuladas ingenuamente.
19/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Quero a Copa do Mundo aqui em 2014.
Vamos supor que a FIFA também acorde e decida que, devido ao apelo popular iniciado pelos estudantes e seus professores, a Copa não será mais no Brasil? Como ficam as coisas? Os estádios já estão em construção do meio para o fim, ou seja o dinheiro já foi gasto, as obras de melhorias tirando os aeroportos estão em andamento, pararia tudo. E os investimentos feitos pela iniciativa privada, como ficam? Qualquer país da Europa está pronto para fazer o evento amanhã, então falta de outra opção não haveria. Imaginem a Espanha, que bate um bolão lindo de se ver, recebendo a Copa em 2014, gerando renda atraíndo o Capital Estrangeiro, que certamente vai ir correndo para casa. Como ficam os times que investiram na modernização dos Estádios e quem vai pagar a conta? A Presidente Dilma simplesmente está quieta, com uma conversinha de que é legitima a manifestação. E de fato é, mas se estamos numa democracia não podemos aceitar um pensamento uniforme e unilateral. Não tem ninguém no Brasil que quer a copa aqui? Quanto ao transporte a gurizada quer tarifa livre, beleza!! Quem vai pagar o combustível, os funcionários, os cobradores, a limpeza, a renovação da frota? E vão querer também “bóia” livre, vão querer andar de tanga? Pelas mochilas da Nike e Adidas que predominaram nas imagens, os Tênis Rebook, as camisetas de R$ 200,00, os rostinhos lindos sem uma manchinha de sol, que as mamães protegem com muito fator 60 e a pele de quem toma mamão com granola no café da manhã e muita cenoura e abóbora, além da maquiagem cara, dá para perceber que eles compram bem e gastam muito. Vamos sim protestar contra o Mensalão, contra a paralisia do Judiciário, contra a morosidade do Legislativo, contra o preço da passagem de ônibus e da crescente inflação, contra o fim do Bolsa, até contra a Copa, mas com consciência das consequências dos atos. Quem inicia uma manifestação “pacífica” não pode impedir que os “não pacíficos” façam parte, pois eles também tem o direito de se manifestar e de achar que o caminho é outro. Assim como as pessoas que querem a Copa aqui e que investiram nessa ideia também tem o direito de se expressar. Essa é a real Democracia. Queremos ver a Presidente se manifestar e dar garantia de que o País vai superar isso. Queremos a Maria do Rosário defendendo os policiais que foram espancados no Rio de Janeiro. Ou ela vai pegar um taco e bater na polícia também? O PT agora é governo, talvez alguém deva lembrá-los disso. Quem não gostar deste texto saiba que eu respeito a sua opinião e o seu direito de divergir.
18/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Manifesto da Passagem, será?
Não sei bem porque continuar nesse assunto, talvez porque seja um terreno muito fértil. O evento “Manifesto da Passagem” pode ser só um velho ranço dos antigos movimentos revolucionários. Há muito tempo que venho falando sobre isso na crônica “Quem é o inimigo?” já abordava o assunto, mas sou pouco lida pela maioria por uma minoria acho até que sou “figurinha batida”. Vamos lá então: os protestos são contra “O Capital”, sabemos que o atual sistema está moribundo e que a única alternativa que as pessoas conhecem é essa da luta de classes, ou do proletariado contra a burguesia. O conceito de sustentabilidade se assemelha mais ao de Nova Era, movimento Hippie... A volta a uma sociedade sem moeda, onde a troca e a produção retorne a comunidade e em que a paz é alcançada de forma natural e mantida eternamente, quase um Nirvana ou Paraíso ou a Casa dos anões de Branca de Neve. Parte do pressuposto de que o ser humano é essencialmente bom e que não vai oprimir mais seu semelhante e vai viver em harmonia com a natureza. Fala sério! Coloque um punhado de dinheiro na mão de um ex-pobre e o verá se transformar num poço de arrogância e ele fará de tudo para manter seu benefício e se sobressair sobre os outros, imaginar que é superior. Meu tio tinha uma frase que era mais ou menso assim: quem nunca foi comunista quando jovem não tem coração, quem continua sendo não tem cérebro. É um pouco preconceituosa, mas realmente há um temor de que o comunismo retorne, para mim capitalismo-socialismo-comunismo são “farinha do mesmo saco” enquanto um existir os outros dois também existirão, se um está em crise os outros dois também estão. O que ainda não se delineia bem é o que o futuro guarda. Hoje somos impossibilitados de ver com clareza uma outra forma de relação entre produção, trabalho, segurança, rentabilidade... Como vamos viver e de que forma será? No atual momento isso se chama ainda “profecia”, ou adivinhação, não há um novo pensamento ideológico audaz o suficiente para superar este grande bloco de ideologias. Se terminar “O Capital” termina também o “Proletariado”. No caso das manifestações em Porto Alegre, Rio e São Paulo, um eixo forte na história política brasileira, as coisas estão acontecendo sem uma orquestração, só revelam uma insatisfação e uma vontade de expressar ideias e de romper com a monotonia. Poderíamos pensar numa ligação com os Movimentos Revolucionários Internacionais e com as primaveras do mundo a fora. Talvez com a percepção de que há uma turbulência e uma incitação a violência e a aceitação pela população da necessidade de que algo aconteça no “front” estas correntes mundiais olhem para nós. Ainda bem que não temos programas de armas nucleares e assim ficamos livres de ser uma real ameaça. Temos a maior floresta do mundo, um grande capital em petróleo e outros bens naturais e um povo tranquilo e pacífico, uma coleção de condições que podem atrair uma cobiça externa. Além de as “Mentes Brasileiras” terem parado no passado, parece que os meios acadêmicos ainda estão presos a o discurso dos anos sessenta. Quanto a reação policial se um jovem norte-americano, ou inglês jogasse uma pedra na polícia o que aconteceria? As pessoas amam dizer que os países do primeiro mundo são muito melhores em suas soluções do que os “emergentes” então vamos imaginar que o que aconteceu aqui fosse lá, os jovens não seriam punidos? O que está faltando aqui, talves seja o queestá sobrando lá: vigiar. Rastrear redes sociais, telefones, e-mails... Não só para encontrar fraudes bancárias e desarticular gangues em presídios, aos revolucionários falta entender que o tempo da barricada passou. As coisas vão mudar com toda a certeza e não será sem dor e sofrimento, alguém vai ganhar, alguém vai perder, os tempos ficarão momentaneamente sombrios e logo, logo tudo retorna ao seu estado normal. Parece que o termo para isso é resiliência. Eu desconfio que ainda estamos longe de uma grande ruptura e que a atual relação socio-política-econômica ainda tem muito pulmão e ainda vai longe. Quem vai acabar com a "baderna" serão os patrocinadores, os anunciantes e os publicitários. Mãos a obra!!
15/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
A diferença entre vandalismo, terrorismo e exercício da cidadania.
Tudo depende de quem conta a história e de onde ela acontece: a população ateia fogo em protesto nas marginais é terrorismo; os jovens estudantes da classe média depredam o centro da cidade é exercício da cidadania; alguns são presos é vandalismo. Acho que a democracia brasileira vai passar por uma prova de fogo nesta questão do “Manifesto da Passagem”. O que essa gurizadinha quer? Além de ter uma boa história para contar a seus descendentes? “Durante o governo Dilma nós tomamos as ruas e protestamos contra o terrível aumento do valor da passagem, eu levei um tiro de bolinha de gude e corri pelas ruas fugindo dos cavalos da brigada e de suas flamejantes espadas afiadas. Bombas de efeito moral criavam um clima psicodélico e naquela batalha vencemos: 0,25 centavos de real ganho por cada manifestante. Para comemorar assistimos ao estonteante nascer do sol numa Rave que durou três dias e três noites, de muito sexo, suor e cerveja. Os quarentões e demais a este ponto já estão muito chateados porque três dias de festa depois de uma longa peleia só para quem tem dezoito anos. Plagiando Maiakovski e Brecht: “Primeiro As Forças Armadas foram chamado para pacificar a favela, eu não sou favelado, não fiz nada; depois foram chamados para pacificar os índios, eu não sou índio, não me importei; depois foi para conter os manifestantes, eu não sou manifestante, aqueles meninos não são meu filho; agora a conjuntura internacional mudou e o exército bate a minha porta.” Não que eu realmente ache que é para tanto, mas pergunto que diferença há entre os atos de queimar ônibus com pessoas dentro para libertar presos dos que tomam as ruas esta semana? Qual é o pensamento que sustenta suas ações e de onde vem a motivação deles? Até que ponto estão conscientes do que seus atos representam? Ontem eu fui ao oftalmologista reclamar de um tremelico no olho e ele me disse o que sempre ouço dos médicos: é ansiedade. Então me perguntou: o que lhe aflige no momento? Nada especificamente respondi, mas a pergunta ficou. O que me aflige? A falta de sentido da atual realidade, uma certa descrença nas questões da humanidade, na capacidade de construção de um mundo melhor. Uma degradação acelerada das estruturas no sistema econômico e social. Uma falta de entendimento do que está por vir. O mundo transferiu a guerra para o mundo virtual e o Brasil ainda gatinha construindo barricadas e preso a uma retórica antiquada e superada. Preço da passagem de ônibus? Ônibus? Os estudantes já pagam a metade ou tem passe livre em alguns lugares, o estado paga a passagem, as empresas pagam a passagem, os idosos não pagam, pagante comum deve ser uma meia dúzia. A gurizada quer limite. Não tem na escola, não tem na universidade e não tem na família. Eu vejo bem, não tenho nada fora um leve embaçamento no olho esquerdo, mesmo sendo o direito que tremelica. Fico pensando na real dimensão de imagens tão parecidas que assistimos na televisão como na Turquia, na Espanha, Grécia, Inglaterra... Será que são assim como aqui ou são mais graves? E como são intermediadas pelos governos. Não sou contra protestos só contra ações impensadas e infantis.
14/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Djine e eu aceitamos o desafio de trabalhar um texto em roteiro e esta foi a minha produçao, publico aqui para tornar público.
Fernanda Blaya Figueiró
Exercício: Transformar o poema A Flauta-Vértebra de Vladimir Maiakóvski em uma cena para representação
Título: Porque Maiakóvski?
Roteiro de Fernanda Blaya Figueiró
Personagens -
Compradora – Mulher aposentada
Vendedor – Homem mais velho
Ladrão – Jovem viciado que rouba para sustentar o vício
Faxineiro – Homem que observa a cena
Porteira – Mulher meia idade persegue o ladrão
Cenário – Uma bancada de livros em local público
Sinópse: Durante feira uma mulher compra livro e logo em seguida é roubada, mas negasse a entregar o livro.
Cena única
Ao abrir as cortinas no palco os atores estão parados como se estivessem em uma fotografia, o vendedor atrás do balcão, a compradora na frente a cena é vista pelo público de lado. O faxineiro aparece no canto do palco com um rodo de limpeza e um balde.Coloca o pano no balde e descongela a cena.
Compradora
- Boa tarde! Só há livros sobre dramaturgia?
Vendedor
- O simpósio é sobre isso, então os livros são selecioandos... Não adiantaria...
Compradora
- E esse?
Vendedor
- É um coringa... sempre trago e sempre vendo... Custa...
Compradora
- Eu, vou levar!
Faxineiro
Aproximasse e toca com o pano no sapato da compradora
- Desculpe-me!!
A mulher consente com a cabeça sem olhar para ele. A cena congela novamente, só o faxineiro movesse e recita os primeiros Versos
Faxineiro
“A FLAUTA-VÉRTEBRA
A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e
[ celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.”
Coloca o pano no balde e o movimento retorna
Vendedor
- Vocês ouviram???
Compradora
- Parecia “ A Flauta-vértebra”... senti um frio repentino...
Vendedor
- Sim, mas o livro está fechado... Ouvi os versos de Vladimir Maiakóvski!
Compradora
- Com toda a certeza pareciam os seus versos...
O faxineiro movesse e não é percebido até mergulhar novamente o pano no balde no momento em que o ladrão esgueirasse no canto do palco.O jogo congela novamente.
Faxineiro
“Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.”
No jogo do balde a cena retorna
Compradora
- Aqui está!! O senhor está brincando comigo??
Vendedor
- Não senhora... não sei o que está contecendo imagino que seja uma peça...
Compradora
- Uma peça de algum gaiato??
Vendedor
- É um simpósio de dramaturgia, lembra?? O seu livro...
Compradora
- Obrigada, essas crianças estão a brincar com os velhos... Pensam que somos tolos... Ultrapassados! Rabugentos a contar velhas histórias...
A compradora deslocasse pelo palco e bate no balde, novamente a cena congela como numa brincadeira só o faxineiro destacasse
Faxineiro
“Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.”
O Ladrão entre em cena e anuncia o assalto
Ladrão
- Velha!! passa tudo duma vez... Eu tô armado!!!
Compradora
- Tome( passa a bolsa e tudo o que tem menos o livro)...
Ladrão
- O Livro!!!
Compradora
- Não!!! O livro não!!! o que você vai fazer com um livro???
Ladrão
- Não é da sua conta, velha nojenta, passa logo...
O ladrão empurra a compradora e pega o livro, a porteira entra em cena e esbarra nele, puxando o livro; o jogo do balde congela novamente a cena
Faxineiro
“esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.
Vladimir Maiakóvski”
O faxineiro deburra o conteúdo do balde e a cena descongela, a porteira persegue o ladrão a compradora volta para a banca, o vendedor observa
Faxineiro
- Porque Maiakóvski?
Compradora
- Por acaso
Vendedor
- Porque vende
Porteira
- Porque é belo
Ladrão
- Porque preciso de dinheiro
Faxineiro
- Ninguém entende seus versos
Compradora
- Não é verdade
Vendedor
- Isso é mentira
Porteira
- Tanto faz
Ladrão
- Não faz sentido
Faxineiro
- São só palavras
Vendedor
- Eu sempre trago
Vendedora
- Eu comprei
Porteira
- Eu recuperei
Ladrão
- Eu perdi
Faxineiro
- Poque não???
13/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Sem correspondente
A poesia desnuda a alma em cartas abertas lançadas o esmo, não anônimas mas sim abertas. Toda a minha escrita vem por mim assinada ou assassinada. É sempre o meu olhar. Meu olhar observando a ti leitor ou a mim escritora, há mensagem superficial e subjacente e uma voz. Uma voz humana ou sobre humana? Não passam de um amontoado de palavras que descrevem imagens e sensações. Não há necessariamente um pensamento mas sim um olhar, um sentir a realidade. Nossa sociedade está sem limites definidos, os contornos do real estão nebulosos, tateamos no dia a dia buscando um porto seguro. A arte nunca nos dá essa segurança ela apenas aponta horizontes. O pêndulo pendeu muito para o lado do libertino, vivíamos uma sociedade onde nada era permitido e agora estamos no lado oposto em que tudo é permitido mas falta um referencial. Estou a conceituar? Porque não? Porto Alegre deve estar em festa pois iniciou uma caminhada pelo não aumento da passagem e agora ela cresceu e toma conta de São Paulo, a revolução contra o preço da passagem deve estar deixando alegres todos os seus mentores e depois? Quando os jovens estiverem com a cabeça mergulhada na água do sanitário, ou pendurados em varas tomando choque nas partes íntimas. Você dirá: mas não era isso que queríamos, era uma revolução pacífica. Nenhuma revolução é pacífica. Porque a revolta, remove coisas consolidadas e abre o solo para o plantio de uma nova cultura. Ação-reação-ação. Belos hinos fazem a guerra, nobres ideias alimentam a morte, o espetáculo dos raios e trovões antecede o da tormenta. Tudo renova nos dias que se seguem, sim, mas com um sabor amargo. Não acredito muito no que está acontecendo acho que é só uma acomodação mais do que um grande período de rupturas, o mundo ainda não parece pronto para romper com o atual sistema. Há muito o que ser consumido ainda. Usando uma metáfora que faz parte da minha formação cultural: está o universo a procurar um justo entre ímpios? Não que seja uma questão moral mas uma falta de paradigmas, de limites. Você quer transporte e não quer pagar por ele o valor que é necessário, você sabe da inflação mas nega que ela altera os valores; você quer ser remunerado e não quer remunerar; você quer férias mas não quer dar férias; você quer consumir e não ser consumido; você quer ser louco mas não ser chamado de louco; você quer usar drogas e não quer a violência das drogas ou a sua dependência; você aceita a miséria mas quer que ela respeite sua fortuna; você quer ser um revolucionário e não quer o retorno a repressão; você quer trair mas não quer ser traído, quer fazer greve mas quer receber pelos dias parados; quer ser amado e não quer amar. Ação-reação-ação. Minha escrita é um jeito de olhar e não necessariamente coerente ou revoltado, é um olhar que nem sempre vai ao fundo do poço. E a sua revolta que medida tem? O “Ogro da guerra” quando desperta não tem controle, ele é autômato. Leva as coisas ao seu modo, com sua energia própria, que vem de uma ancestralidade destrutiva. Uma guerra é uma guerra, quem busca essa energia tem que estar pronto para o que ela traz, muitas vezes destrói tudo e salva apenas as baratas e ratazanas que se escondem e sobrevivem. É justa a nossa realidade? Nem um pouquinho justa. Como ajustar? Vamos levar a realidade a costureira.
12/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Depois da possibilidade da Morte de Deus
Com o amplo acesso as informações vivemos num mundo cheio de notícias, a maioria tratando das desgraças e da escalada da violência. Não sei se há de fato uma maior violência do que nas Eras anteriores ou se é apenas uma outra forma de violência e a maior e mais agil divulgação dos atos. Antigamente, acredito eu, o papel de moldar o ser humano e de torná-lo “socializado” era desempenahdo pela família, a religião e a escola. Hoje é pela mídia. As notícias entram na nossa roda de conversa, compõe o nosso imaginário. O grande “Olho de Deus”, hoje é o computador. Há pouco ouvi que os governos estão vigiando as pessoas, pelo telefone, e-mais, sites de relacioamento. Toda a ação que um indivíduo faz pode ser rastreada. Por exemplo, se você foi ao restaurante tal e usou seu cartão, depois colocou gasolina, foi a uma festa: tudo isso deixa rastros. Se por acaso no meio tempo algo acontecer e você for interrogado, é bom ter a memória boa e confessar logo pois o Padre já vai estar sabendo da missa mais do que a metade. Aqui no nosso país, uma garota de quinze anos matou a mãe e tentou ocultar o cadáver. Só porque a mãe não aceitava o relacionamento com um bandido, e tinha um plano de seguro de vida. O “namorado” auxiliou no macabro plano. A filha de Michael Jackson tentou o suicídio porque a mãe não permitiu que fosse a um show de rock, pelo menos segundo as informações dadas pelos jornais. Parecem duas histórias saídas da mitologia grega: pais que matam os filhos e filhos que punem os pais atentando contra a própria vida. Essa é uma parte da nossa atual realidade, mas que repete padrões antigos, de antes da possibilidade da morte de Deus. Na falta de um inferno para enviar os malfeitores foi construído um inferno aqui. Com possibilidade de dor, de medo constante, de suspensão dos direitos de ir e vir. Uma autoridade há alguns meses disse que preferia morrer a ir parar num presídio. A menina que matou a mãe deve ficar no inferno dos adolescentes no máximo três anos, pois tem quinze e é considerada menor de idade, logo não pode ser presa. As mídias poderiam ter explicado que o beneficiário de um seguro de vida não pode matar o assegurado para por a mão na “bufunfa”, provavelmente ela teria matado a mãe mesmo assim, mas sabendo que seu ato não seria remunerado. Somado a todo este caldeirão, temos a sombra da volta da inflação. O terrível monstro que por anos dominou a nossa comunidade e assombrou pobre e ricos. Mais aos pobres do que aos ricos. O país “teoricamente” parou de crescer. O mundo “teoricamente” parou de crescer. As coisas não são estáticas, os conceitos na sociedade vão e vem, os esteriótipos se repetem de tempos em tempos. Precisamos com urgência de um gênio da lâmpada que realize nossos desejos e diga: “O pós capitalismo-socialismo-comunismo será assim:...” Com direito a uma boa margem de erro e o direito de contestação. Pois a melhor aquisão da atualidade é a possibilidade de divergir sobre qualquer assunto. Enquanto essa liberdade for mantida, é possível modificar a realidade. O ser humano continua se mantendo na linha através do medo, um dia será por que é bom ser bom.
07/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Porque não torna-se violento?
Ontem fui ao cinema assistir ao Faroeste Caboclo, adoro o Renato Russo e a Legião Urbana, mas desta música nunca gostei muito, é quase uma ópera roque, mas sempre achei cansativa. Adorei o filme, foi muito bem-feito e conseguiu retirar da música a história inteira. Dá para dizer que a música foi clarividente e que o “faroeste” continua entre nós, ou poderíamos também dizer que é uma releitura brasileira do “Poderoso Chefão”. O filme é violento, um pouco desalentador mas atualíssimo, fico me perguntando se João de Santo Cristo não houvesse roubado “duas balas”, que poderíamos comparar ao “pão” de Vitor Hugo, seu pai não tivesse morrido em consequência e não houvesse secado a água do poço, teria o personagem uma outra sorte? - “Não sei se fui eu ou se foi o destino?” Ele responde antes da derradeira hora. E a menina? Porque a atração por um bandido? É só um filme, mas reflete o momento que o Brasil vive. Deveria passar na Europa e teríamos menos turistas subindo o moro. Fico pensando no que buscava o turista alemão que hoje está entre a vida e a morte, lutando para sobreviver.Na semana passada assisti ao filme “Artigas: La Redota” outro grande filme que também fala em luta, poder, violência e transformação. João de Santo Cristo e Artigas um personagem fictício e o outro real, ou dois personagens fictícios e dois reais? As velhas fronteiras estabelecidas a força bruta estão caindo pelo mundo a fora. Antigamente a guerra ficava no front, hoje não há mais front, ela ocupa cada esquina de cada cidade do mundo. Todas as barbáries que a comissão da verdade está encontrando ainda acontecem em outra dimensão, não em casernas mas nas prisões e nas “bocas”.
Aqui no nosso estado esta semana foram soltos os responsáveis pela tragédia ocorrida na boate Kiss, onde muitos jovens morreram. A televisão transmitiu a indignação dos familiares das vítimas e a revolta em seus olhares. Em nome dos jovens que morreram é preciso diferenciar o sentimento de vingança do de justiça. Erraram os responsáveis: muito. Foram negligentes?Além da conta e de forma infantil. Provavelmente não pensaram nas consequências de seus atos e acreditaram que isso só acontece com os outros. Mas não é por isso que devem ser brutalizados, linchados ou mortos na surdina. Se você fosse um deles? Ou se um dos seus filhos fosse um deles? Esse exercício de tentar ver o outro lado pode amenizar a raiva, diminuir a revolta. Se os parentes das vítimas quiserem continuar sendo pessoas de bem devem conter o impulso e aguardar. É muito difícil mas neste momento ainda é preciso confiar no Estado. Existe um sistema que precisa funcionar bem. Caso contrário os pais e amigos das vítimas vão se tornar os algozes, os carrascos que infligem na carne a punição, cobram “olho por olho” e “dente por dente”. Roguemos a “Nossa Senhora Medianeira” que ilumine os corações dos familiares e que os liberte da dor e da “Guerra”.
Porque não vale a pena.
02/06/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Susto no “Bolsa”
No resto do mundo o que assusta são sobressaltos na bolsa de valores, aqui no Brasil foi no “bolsa família”, para quem não acompanha é um programa assistencial do governo. Fica uma pergunta e se! Se fosse verdade? A população está tão acostumada ao benefício que entraria realmente em pânico e convulsão social. Acho que o governo fez bem em criar o programa e em manter, mas não fez a outra parte que seria preparar a população para a emancipação, criando “bolsões de emprego” “bolsões de capacitação profissional” e de autonomia financeira. Já há algum tempo fico imaginando o que aconteceria se faltasse verba para manter o programa e de onde vem o dinheiro? Mas, quando se observa a enorme quantia de dinheiro envolvido na corrupção, a verba do “bolsa família”, “Brasil Carinhoso”, “SUS” que atende gratuitamente a população inteira e outros programas assistenciais não parece exagerada. Eu não tenho estes dados alguém deve certamente ter: quanto custa e de onde vem a verba para manter estes programas? Ou se eles tem um planejamento quanto a duração.Grotescamente olhando o abismo entre as classes sociais parece ter diminuído, ficando longe de erradicar a miséria, que seria a proposta dos programas. Os programas geram riqueza mas incentivam a informalidade, isso é sustentável a longo prazo? O retorno a calma deve servir de alerta: “Jornalismo é uma coisa, boataria é outra”. Um boato pode destruir a vida de uma pessoa, de uma família e derrubar um governo. A facilidade de informação não deveria ser usada para gerar o medo. Onze estado souberam, ao mesmo tempo, do boato. Muita gente correu para bancos, como ficaram sabendo tão rápido? Me chamou a atenção numa das imagens transmitida pela TV a raiva das pessoas, a revolta. Uma outra notícia informa que o índice de endividamento das famílias está enorme, numa economia baseada no consumo, como a que vivemos, isso é um “nó” que precisa ser desfeito. É preciso aprender com a experiência de outros países que já passaram por isso para não cair nos mesmos erros. Dá para crescer consumindo menos e economizando? Quanto as empresas que dão “crédito para negativado” elas tem como sobreviver? Ou viveremos uma “quebradeira de financeiras”? Sustentável! Palavrinha da moda, mas é isso nossa economia precisa se tornar sustentável. Com políticas públicas fortes (não confundir com totalitária), retomada da capacidade de compra das famílias, valorização do trabalho em todas as suas formas, valorização e eficiência do serviço público. Um PAC desempacado. Aqui na cidade que moro estamos insistindo em conseguir a adesão ao Sistema Nacional de Cultura, uma das reformas que a administração pública fez e vem sendo implantado acho que a dez anos. Já ouvi pessoas cultas, vividas, dizendo que não vai adiantar nada. Chega um momento em que a gente meio que desacredita nas coisas. Por exemplo dados estatísticos no Brasil parece que dançam conforme a música, como um emaranhado de coisas desconexas que levam a burocracia e facilitam as fraudes. Como se algumas ações fossem feitas para não dar certo. A ajuda às cidades que sofrem catástrofes, por exemplo, sai um dado que o governá destinou um valor “x” para o socorro das vítimas ou para a reconstrução das cidades. Mas pouco tempo depois o “x” virou -5 “x” ou se perdeu no meio do caminho e o socorro não chegou, só a nova tragédia. Ou um determinado Ministério vai investir tantos milhões em uma ação e o investimento não acontece, ou acontece parcialmente e toda a verba destinada perde o sentido. Achei preocupante esse episódio do Bolsa Família.
20/05/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Uma boa música!!
Hoje encontrei meu velho amigo Antônio Penai para colocar os assuntos em dia e ouvir um recital ao vivo... Fazia muito frio no centro, mesmo que o termômetro não concordasse muito, mas o vento era de "renguear cusco". Penai estava lá no seu novo lugar de recital, do lado de fora do prédio da Câmara de Vereadores há uma escada de serviço e ali ele toca soberano. Todo mundo conhece a admira seu Penai. As pessoas passam, param, olham, aplaudem e seguem em frente! Logo após tomamos um cafezinho e caminhamos até a praça da Matriz Nossa Senhora da Conceição. Como diz o Penai; -" Espiritos de Luz não se despedem marcam um novo encontro!" Então ficou marcado.Eis alguns registros :
18/05/2013
Patrimônio Histórico é preciso mudar a cultura com urgência
Aqui em Viamão estamos revisando algumas leis e fico pensando em quanta coisa a cidade já perdeu, há alguns anos escrevi um texto em homenagem ao poeta e músico popular Antônio Penai, ele tinha o hábito de ao meio dia tocar flauta do alto da janela da antiga e extinta “Casa de Cultura” que funcionava no Calçadão Tapir Rocha e abrigava a Secretaria de Cultura. Lá por dois mil e sete a Casa de Cultura foi desativada, o prédio precisava de reforma, principalmente no telhado. Na época procuramos a administração para tentar preservar a fachada e os ladrilhos, mas todo mundo dizia que nada podia ser feito por que não havia uma lei de tombamento na cidade. Hoje sabemos que havia sim esquecida não só uma lei específica e diretrizes na própria lei orgânica do município. A janela que o seu Penai usava já não existe, a madeira foi substituída por vidro temperado e acredito que alumínio, a fachada foi pintada com o desenho das escolas, como se a Educação marcasse seu território e mostrasse o quanto é mais poderosa do que a Cultura, falamos sobre o livro do Inventário Participativo e não adiantou, o prédio foi modificado e não restaurado, pelo poder público... Agora há uma lei chamada “Chanela da Cultura” que dispõe sobre a valorização do artista local. Meio esquecida mesmo sendo bem mais recente, hoje passei pelo centro e vi um local que conseguiu ser Tombado como Patrimônio Histórico, a Rua ou Travessa dos Carreteiros, ao lado da Igreja Nossa Senhora da Conceição, não há nada que sinalize que ali foi um dia um lugar importante, nada que informe que aquela quadra toda é Tombada e que é importante para a preservação da memória. Uma das fachadas está quase caindo e nos fundos cresce um assustador e provavelmente enorme edifício, provavelmente uma garagem com entrada pela rua de trás. Quem fiscaliza isso? Quem pode ir até lá e verificar se a construção é regular, licenciada, se os proprietários sabem que tem nas mãos uma parte da história da Cidade? Bem fica a pergunta será a lei ignorada neste caso também? O tempo passa e parece que as coisas se repentem e isso vai cansando a gente, vai tirando a energia. Quem será que lutou para que a rua dos carreteiros fosse tombada? Essas pessoas precisam ser ouvidas e alguém tem que dar seguimento pois tevem ter se cansado.
13/05/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Intolerância a Lactose ou a Ureia e Formol?
Nosso Estado anda sofrendo com uma onda de escândalos como as fraudes nos licenciamentos ambientais. Impostantes e respeitas siglas como a FEPAM, que deveria proteger o meio ambiente e outras instâncias do serviço público e da iniciativa privada foram desmascaradas. Hoje saiu uma grande notícia sobre fraude na produção de leite, onde alguns gananciosos bandidos podem por como suspeito um respeitado mercado como o do leite. Quantas pessoas vivem desta atividade do campo até a mesa do consumidor? Há quanto tempo nossas crianças e muitos adultos estão sendo “envenenados” silenciosamente? De um tempo para cá ouço muita gente dizendo que descobriu ter intolerância a lactose, será que é mesmo a uma substância natural do leite ou um aditivo químico? Um ponto positivo deste “quadro negro” é que existe uma atuação da polícia ou de algum órgão fiscalizador. Alguém está de olho! Que isso sirva para que o empresário, ou o mercado, se cuide mais e o bandido tenha medo de ser pego. O Mundo cresceu muito e a demanda está cada vez maior, essa demanda vai atrair cada vez mais “lobos” . Eu tenho um lema aqui em casa: “É melhor gastar no supermercado, comprando bem, e economizar na farmácia”. Antigamente era assim a pessoa que tinha uma boa alimentação normalmente tinha menos problemas de saúde. Estamos perto do dia das mães, fico pensando na angústia das mães que tem filhos pequenos. Como saber se o alimento do seu filho é confiável? Produzir leite é caro e o retorno financeiro é baixo, com isso aos poucos os “Tambos de Leite” foram diminuindo, os campos foram ocupados pela soja, pelo trigo, pelo gado de corte, pelo eucalipto, o pinheiro. Essa é a lógica do mercado e não está errado o agricultor que migra pois se não muda de atividade não sobrevive. Imagine você produzir um bom produto e descobrir que “no meio do caminho” ele foi adulterado? Você construir um nome de um produto e descobrir que vende algo que está fazendo mal para o seu consumidor? Ou que você colocou na sua prateleira algo que não é o que diz ser? São tantos desdobramentos que a gente fica triste. E não venham com aquela conversinha de que na Europa não seria assim, pois lá vendiam carne de cavalo no lugar de gado; ou que nos Estados Unidos isso não aconteceria, lá ontem descobriram três mulheres sequestradas há mais de dez anos. Parecem os personagens da novela que está quase acabando e na qual todos os bandidos serão presos e o problema termina. A ganância e a maldade são coisas humanas. Confiança! Precisamos voltar a ter confiança na nossa sociedade.Como?
08/05/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Rejeição à Copa no Brasil
Ontem assisti a uma manifestação artística, uma peça de teatro de rua, que propunha refletir sobre a realização da Copa do Mundo no Brasil. O elevado custo da copa e os desvios de dinheiro público eram a principal crítica que o grupo fazia ao evento e transmitia uma nítida rejeição a sua realização. Não sei se isso acontece em outros locais, em outras edições, em outros países. Me pareceu que o brasileiro( principalmente da classe média) rejeita o sentimento de nacionalidade. Aqui no Rio Grade do Sul pela herança da Guerra dos Farrapos sempre houve uma vontade de separação do resto do País, e também como somos um povo formado por várias etnias de imigrantes que mesmo tendo sua origem respeitada busca mostrar-se mais como imigrante do que como brasileiro. Inclusive muita gente boa torce contra a seleção e contra o amor que a Seleção Brasileira tem pela maioria do povo.
A peça ontem me incomodou, não pela denúncia de que existe um abismo entre as classes sociais, mas por usar essa diferença para criar um mal estar. Porque o Brasil não pode fazer uma grande festa do futebol? Fazer a Copa aqui ou participar dela em outros países cria a pobreza? Que ideologia está escondida nessa “rejeição”? Não assisti a peça inteira, primeiro porque era muito longa,um “recorta e cola” que não parecia ter uma história. Temos sim que discutir e refletir sobre as coisas mas "ser contra só por ser" é um pensamento pobre e derrotista. Eu amo ser brasileira e acho que posso e devo expressar isso, assim como quem não ama ou tem vergonha da nacionalidade também pode dizer mas não esperar que o público aceite.
Quanto a viver na favela ou ser da favela não há nada de errado nisso, gostar de futebol ou torcer para a seleção também não. Quando um grupo decide falar em nome do povo a coisa sempre complica. Normalmente o que acontece é uma sangrenta revolta e uma reacomodação das coisas com o povo invariavelmente perdendo.
Com Copa ou sem a corrupção está aí, hoje mesmo estourou um grande escândalo aqui no Rio Grande do Sul envolvendo licenças ambientais.A favela não vai deixar de existir de uma hora para a outra, até porque não deve, a favela é uma solução popular para moradia, ofende, agride ao olhar, mas existe, está sendo modificada de dentro para fora. A violência é um grande e assustador problema, mas não é um privilégio brasileiro é uma realidade global, a realidade é global. Ser do contra o tempo inteiro é muito fácil. Cansei um pouco disso, talvez o grupo tenha razão e eu esteja errada. Isso é bem possível e parte da democracia. Fiquei com a impressão de que havia mais preconceito do que um pensamento na performance.
Uma apresentação artística seja uma peça, um filme, uma escultura, um poema pode dizer coisas mas não precisamos concordar com elas. Quanto a Copa vai acontecer, tudo vai dar certo e a corrupção estará presente, pois ela faz parte da sociedade. Ou das sociedades. Acho que o tempo da arte engajada está passando e a arte está se libertando da ilusão de que transforma e liberta.
29/04/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Perdendo um pouco de tempo.
Passei hoje por uma biblioteca e tive a grata satisfação de encontrar poemas de Bertol Brecht pude passar alguns minutos imersa num outro mundo. Guerra,fome, delação permeiam a escrita. De alguém que entrega seu vizinho para ter sossego e tem que lidar com o trágico espancamento na escada, ao próprio poeta que se indaga porque seu nome deveria ser lembrado, quando talvez devesse ser esquecido. A antiga luta humana contra a opressão. Porque devemos revisitar momentos sombrios de nossa história? Porque eles nunca deixam completamente de existir.
Quanta coisa acontece neste momento que simplesmente ignoramos? Para que em nosso “edifício" haja um pouco de sossego?
Escrever, pensar, fazer arte não são tarefas ingênuas, o entendimento do escrito, do pensado e da arte feita independem de seu criador. O reclamar, o clamar fazem parte de todas as comunidades, a forma como as coisas vão acontecendo não. A magnitude que uma ação ou uma ideia vai tomar é uma parte da construção do futuro que ninguém controla. Uma simples abertura de um livro e a leitura de um poema abre uma fenda que pode gerar um pequeno deslocamento de neve na superfície ou uma profunda mudança na estrutura da montanha que acabe num cataclismo, que nos soterre. É um nome presente e impactante Bertold Brecht nos dia de hoje, nos fala que havia uma resistência, uma oposição e um sentimento profundo de humanidade. Eu ando um pouco desligada e prefiro ler assim fragmentos, em poucos minutos, vigiado pelo atento olhar da bibliotecária. Não sei essa leitura é minha ou se é do meu tempo. O poeta narra a prisão de um homem por distribuir panfletos de uma ideologia e a angústia de um juiz que não queria prendê-lo pois era pai de muitos filhos e um deles já havia morrido de fome... Pergunta a ele se não havia sido corrompido por uma ideia o homem responde que seu filho tinha sido corrompido pela fome. Se o menino do poema não houvesse morrido teria mudado o curso da História? Ou a História tem seu próprio curso, entre altos e baixos, e nossas ações não interferem nela? Tenho em casa um livro dele de poemas e canções escolhidas, não sei por quem, mas são bem diferentes dos que li hoje. O bom dos poetas é isso eles apresentam coisas diferentes, os prosadores são mais retilíneos, acho. A verdade é que ando um pouco sem ideias e essa falta do que ter para dizer me causa um certo incômodo e uma sensação de que tudo o que trilhei até aqui foi em vão. Mas isso é tentar descobrir se será ou não lembrado e porque ou por quem, é uma certa necessidade de controlar a arte. Um controle impossível de algo que independe de mim, mas que também assombrou outras pessoas. A sombra do esquecimento é tão dolorosa quanto a do possível reconhecimento. É difícil viver o próprio tempo, escrever no próprio tempo, ler o passado e não tentar prever o futuro. A Escrita, talvez como a História, siga seu próprio curso. Se os grandes podiam pensar sobre o peso do seu escrito eu também posso. Isso me deixa mais humana e próxima da minha limitação. Peço a quem por acaso ler esse texto que não me venha indagar sobre ele. Certamente estarei numa outra sintonia e não vou compreender suas indagações e as imagens construídas. Minhas ideias fenecem muito rápido e depois voltam a impressão que tenho é de que este é um velho texto meu que voltou das férias. Quantas histórias sobre crianças exploradas e famintas há no mundo? Porque isso volta a acontecer? Porque mesmo onde não há crianças com fome ainda assim existe a insatisfação e a tendência a viver em conflito, a clamar e reclamar? A destruir. Acho que isso explica o porque foi preciso dizer: Não matarás! Foi preciso dizer e é preciso reforçar sempre: Não matarás! O texto em si já havia terminado, mas essa ideia apareceu e não quis deixá-la sobrando então não sei se terá algum sentido. Este texto deveria ser arte e se for arte não precisa ter sentido. Se for outra coisa estamos todos perdendo tempo.Tempo é dinheiro e como do segundo entendo pouco não tem problema.
22/04/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Quem é esse menino??
O Mundo está em estado de suspensão esperando o que tem a dizer um jovem russo-americano. Qual a motivação para ter atentado contra a vida de uma população inteira? Teriam eles a ilusão infantil de que não seriam pegos? Teriam ligação com algum grupo radical? Ana Karenina transgride conscientemente na literatura e colhe as consequências de seus atos. Quantos personagens da literatura, do cinema, da música, das artes plásticas transgridem e quebram regras? Quantos jogos de videogame incitam a violência? Uma grande conspiração religiosa-político-social ou a simples vontade de fazer o mal, de transgredir e cruzar a linha entre o certo e o errado? Seriam apenas simples delinquentes ou parte de um perigoso grupo de fanáticos religiosos? Ou ainda fruto da tão propagada globalização. A meu ver as fronteiras físicas estão condenadas a deixar de existir, ser americano, europeu, asiático, africano está perdendo o sentido. Ser oriental ou ocidental também. Estamos diante de um novo Ser Humano, fruto da tecnologia, da miscigenação cultural. É preciso lembrar que sempre existiram transgressores e “jovens espartanos”. Todo ser vivo deve estar em constante estado de alerta, só que este “estado” está nos custando muito caro, vivemos com um medo constante que nos tem paralisado quando a ameaça real surge. Que diferença tem entre este atentado, de Boston, do que acorreu há poucos anos na França ou que ocorre nas embaixadas pelo mundo? A pessoa hoje tem que cuidar o que come,para não engordar ou para não emagrecer demais, o que assiste na TV, a forma como escova os dentes, o que lê, a forma como faz exercícios, o que pensa, o que experimenta, teme o outro, teme os golpes, teme os assaltos, os atentados, as guerras, mesmo que sejam distantes. “Me gustan los estudiantes que marchan sobre las ruinas,” ouço no rádio na voz de Mercedes Sosa, uma música de Violeta Para, referente a um antigo tempo. Acho que existe sim uma ideologia por trás da ação destes jovens, precisamos identificá-la e compreender para começar a delinear como pensa e age este novo Ser Humano, quais suas aspirações. Você deve estar se perguntando, ou deveria, o que uma blogueira brasileira tem com isso? Eu mesma me pergunto isso, porque pensar nisso? Acho que porque estamos aqui vivendo esse mundo, testemunhando essa história, somos parte de um todo que está cada dia mais integrado. Uma ação de um indivíduo reflete no todo. O todo sente o impacto desta ação, logo “o todo” reage. As Coréias praticamente foram esquecidas, o problema lá acabou? Penso que não há a constante ameaça e muito menos a segurança absoluta. Deveriamos viver mais o presente e usufruir de um dia depois do outro: “carpe diem quam minimum credula postero”... Seria muito bom para o mundo que esse menino sobrevivesse e explicasse o que passou pela sua cabeça. Acredito que não passe de um delinquente influenciado por um ou mais “terroristas”. Os pais, mães,gestores públicos e educadores do mundo precisam entender esse jovem para “cuidar” de seus filhos e não permitir que se tornem Ele.
21/04/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Cães Gigantes: um dilema ético.
Há quatro anos ganhei de dia das mãe uma Fila Gigante, Léa Leoa, um doce de cachorro, mas que foi planejado para ser grande. Eu havia solicitado aos meus familiares que não adquirissem mais cães de grande porte porque nossa casa fica num terreno não nivelado e tem muitas escadas e os cães acabam se machucando, fui acusada de ser pessimista. Bem logo no início a cachorrinha teve que enfrentar uma cirurgia para corrigir uma hérnia de umbigo e aproveitamos para fazer a castração. Depois disso como era uma filhotona e gostava de brincar acabou rompendo os ligamentos, tem dores ao levantar e os veterinários dizem este cão está muito pesado tem setenta quilos, mas foi projetado para ser gigante, sabíamos disso. Esta semana ela fez a vacina num dia e no outro amanheceu enorme, mutio inchada, teve uma distensão gástrica, por sorte a veterinária veio correndo e evitou uma torção do estômago. Mas lá vai a Léa Leoa para a clínica, ser sedada, entubada é preciso chamar um taxi dog que carregue um animal tão grande. Vai ter que passar por restrição alimentar, medicação,exames... Fico pensando se este “mercado” é fiscalizado e se é certo manipular os animais por cruzamento para que sejam cada vez maiores? Será que estes criadores de cães gigantes sabem o que estão fazendo? Na semana passada ameaçaram aqui em casa de comprar um irmão da Léa Leoa, fui absolutamente contra e quero deixar isto “registrado em ata”: Sou contra criarem cães cada vez maiores, porque eles sofrem muito pela megalomania de alguns criadores, que querem ganhar medalhas e concursos. Adoro a minha cachorra, mas acho que ela está sofrendo por coisas que não deveria, penso que que as doenças dela são devido ao tamanho e seu tamanho é esse devido a um cruzamento de uma mãe enorme e um pai enorme. Vai acabar acontecendo com os filas e os dogue alemães o mesmo que aconteceu com os pitbuls: se tornarão inviáveis pelo tamanho ao invés de ser pela ferocidade. Acho que criadores, veterinários e mães e pais de cachorros deveriam pensar nisso, para o bem deles. É muito triste ver um cachorro se contorcendo de dor no estômago, ontem achei que ela ia explodir na minha frente.
11/04/2013
Fernanda Blaya Figueiró
A sabedoria renovadora do Fogo!
A natureza é perfeita! Em nosso estado uma grande área de reserva ecológica foi queimada,na Reserva do Taim, deixando um sentimento de revolta na gente. Acredito que o fogo tem um propósito, o de limpar a terra e de fortalecer as especies. A humanidade está aos poucos perdendo essa percepção: a morte é parte de um processo da natureza.Tememos a morte, mesmo do capim, mas ele vai morrer um dia. Podemos tirar deste evento uma boa lição ou lamentar e chorar, o que também é humano e tem momentos que é a única coisa a ser feita. Partindo da premissa de que o fogo na reserva foi acidental e que o combate a ele foi eficiente, não negligente, a chuva veio e o fogo foi vencido. Quantas espécies morreram? Quanto material genético deixou de existir? Quanto tempo levará para se reerguer? Quero traçar um paralelo a uma outra realidade: o fogo que vem destruindo a economia mundial como ela era. Pode parecer repetitivo, já abordei outras vezes esse assunto, muita gente tem abordado e a mídia está cansando todo mundo com isso. Voltando a metáfora, quantas vezes o mundo passou por mudanças radicais ao longo da história? A natureza não poupa os fracos, parece uma frase perversa, mas acredito que essa perversidade está em nós. O sistema financeiro está fraco e debilitado. Algumas peças vão se mexer no tabuleiro e aprenderemos as novas regras e dançaremos uma outra melodia. Em tudo: relações de trabalho, não digo emprego pois acredito que está fadado a terminar; relações interpessoais incluindo laços familiares como vínculos matrimoniais; nossa relação com Deus; nossa relação com a natureza; nosso conceito de comunidade, incluindo as relações de poder estatal. O momento atual, ou talvez seja sempre assim é como um rolo compressor que se coloca em movimento, destrói algo para construir outra coisa e estagna, ou repousa, num certo patamar até entrar novamente em ação. Lembrei do “Todos os homens são mortais” de Simone de Beavoir, também estou a me repetir. Ou de "The Langoliers" de Stephen King. As nações em crise, como Grécia, Espanha, Chipre precisam segurar o choro e reagir. Precisam se reinventar. Fácil falar, difícil de fazer. Mas as vezes quem está de fora pode dar um olhar diferente para um problema. O Brasil sempre esteve em algum tipo de crise e sempre reagiu por ser constituído de um povo criativo e miscigenado. Um povo que veio de lugares devastados por guerras, por impasses, por cataclismos, por escravidão, e encontrou aqui um povo novo com outros hábitos e outra forma de viver. Não gosto do termo “Descobrimento da América” acho injusto,ela não estava encoberta, nem era invisível, muito menos inabitada, prefiro “Chegada até a América”. A sensação que tenho é de que muito em breve teremos a “Chegada a um outro lugar” ou a um outro entendimento. Talvez até ao Mundo Virtual, que já é real e esse Mundo nos encontre. Nos mostre nossa própria potencialidade e nos fira com sua Independência de nós e com a existência de seres que ainda não conhecíamos. Mas que talvez sempre tenham existido como os habitantes do novo continente. Esse fogo destrutivo foi acidental e está sendo combatido com as armas que conhecemos mas precisamos perceber e entender a chuva e as possibilidades de renovação. O que virá pode ser melhor e mais forte e será identificado primeiro por quem estiver com a mente mais aberta e com os sentidos em alerta. É preciso vencer o choro. Coloquei este último ponto e pensei quanta bobagem, será?
04/04/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Bloqueio criativo existe.
Há alguns dias estou com um tipo de bloquei criativo, tento escrever e não consigo, então acabei escrevendo algumas crônicas, dois contos infantis. Muito estranho porque tinha decidido que não escreveria mais contos, muito menos infantojuvenis. Gostei dos dois, talvez tenha voltado aos contos no Floriano de Pano... A sensação que fico é de que não autogoverno meu trabalho com a palavra. Ou estou momentaneamente sem assunto. Então é isso por hoje. Só espero que não seja auto sabotagem...
03/04/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Serviço Doméstico
Os trabalhadores domésticos estão festejando seus novos direitos, isso é ótimo. Acredito que inicialmente a novidade irá ser benéfica já a longo prazo creio que o número de servidores irá cair, impactando a economia. Não que eu tenha uma bola de cristal, mas porque isso já aconteceu em outros países. Ontem eu ouvi um senhor comentando que na construção civil já há uma falta de profissionais, qualificados então falta mais ainda. Disse ele. “os velhos estão voltando a ativa porque a “gurizada” não quer mais pegar no pesado.” No serviço doméstico está acontecendo a mesma coisa, vai ficar tão caro empregar e a mão de obra é tão desqualificada que as casas terão que ser incrementadas com maquinário e os serviços dispensados. Ou como acontece em outros locais vai aumentar o emprego de trabalhadores ilegais como imigrantes, foragidos do sistema prisional etc... Para mim a imagem que fica é do filme Biutiful com Javier Bardem, para quem não assistiu, o filme fala sobre a exploração do trabalho de imigrantes ilegais e a decadência de todo um sistema de emprego, já indicava a forte crise que a Espanha e outros países estão passando. Então é de se perguntar: os trabalhadores não teriam direito aos novos benefícios? Acho que tem sim, só que o Estado tem que entender quais são os impactos de suas decisões. Como vai intermediar essa nova forma de relação trabalhista. O empregador vai ter que avaliar a relação custo benefício antes de contratar. Por exemplo para uma professora que trabalha quarenta e quatro horas semanais e tem dois filhos, gastos com aluguel, alimentação, escola, transporte, segurança, lazer... Será que vai caber em seu orçamento contratar uma empregada doméstica e um contador para fazer depósito de fundo de garantia e administra os outros encargos? Já a economia informal acredito que vai decolar, eu mesma já há muitos anos contrato apenas diaristas autônomas, elas trabalham por dia recebem e são suas próprias empreendedoras, acho essa relação muito mais saudável e eficiente. A diarista tem a liberdade de permanecer com as empregadoras que se adapta e as empregadoras também tem mais liberdade de decisão e um ônus muito menor. E o empregado vai ter que se qualificar melhor.Como chegamos ao equilíbrio?
29/03/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Acabou o problema de redações no Brasil
O MEC providenciou uma diretriz para solucionar o problema das famigeradas redações do ENEM,
o exame será mais rigoroso. Que bom assim a “classe média alta” não terá mais que ver seus filhos convivendo com a “classe média baixa”, os pais pagam verdadeiras fortunas para a formação dos filhos e corriam o risco de vê-los tendo que dividir o mesmo espaço, a educação particular, com “personas non gratas” que cometem erros,. Essa “gritaria” toda é muito compreensível a linguagem é uma forma de classificar as pessoas, acho que o “furo” desta polêmica é mais em baixo, tem mais coisa por trás desse assunto. No meu condomínio trabalhava um garoto de jardineiro, com muito esforço conseguiu concluir o segundo grau, prestou aprova do ENEM, foi agraciado pelo Prouni, trabalhou durante todo o curso de administração e se formou. Fico imaginando os obstáculos que teve que vencer para conviver com seus colegas, não soube mais notícias suas mas acho que hoje ele trabalha na área. Então, magicamente, todos os problemas de educação serão solucionados com um rigor maior no processo de seleção, usando uma metáfora podemos dizer que serão desligados os aparelhos que mantém doentes do SUS para abrir mais vagas para os pacientes que pagam convênio, segundo uma gíria o SUS-PLUS, enquanto os pacientes “ricos” são submetidos a um caríssimo prolongamento da vida. A palavra “assassinar” foi confundida com “raciocinar” pelos peritos da polícia em rede nacional.Acho que deveríamos trabalhar mais no conceito de educação continuada, o fim do ensino médio é uma etapa, o fim do curso superior outra, mas o profissional vai se aperfeiçoando ao longo da vida toda. Clarisse Lispector trabalha bem esse assunto numa cena em que a personagem “Macabéa” de “A hora de estrela” precisa digitar inúmeras vezes uma simples carta, tendo no supervisor um “professor”, então o problema é bem mais antigo do que se imagina. Os filhos da classe média alta não vão digitar cartas, nem memorandos, os das classes baixas encontram seus cinco minutos de fama num “atropelamento”. Além disso engana-se quem imagina que esse é um problema apenas brasileiro.
22/03/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Anna Karenina, adorei!!
Hoje consegui assistir ao filme Anna Karenina, o que dizer? Indicar filmes é um grande problema porque gosto é gosto e não se discute, mesmo assim diria que é um filme que precisa ser visto no cinema. Mistura as linguagens da literatura,música, dança, teatro, artes visuais com maestria e sem que uma seja mais evidente do que a outra. O final é esmagador misturando sentimentos de culpa, raiva, revolta, compaixão... Assisti a um especialista falando que Tolstoi foi criticado em alguns momentos por escrever numa linguagem coloquial, rompendo com a escrita da época e que teria sofrido com algumas alterações em seus textos, atualíssimo para nós que vivemos uma confusão linguística. A imagem do Senhor ceifando o trigo ao lado do Empregado para mim ganha o filme, as coisas estão mudando o tempo todo e ao mesmo tempo continuam as mesmas. O mundo hoje, dezenove de março de dois mil e treze, está assustado com as mudanças que se apresentam, a Europa nos últimos anos vem sofrendo com coisas que já havia superado como desemprego, fome, doenças, instabilidade financeira. A proteção que o “nome de família” na época do filme podia dar hoje é dada pelos grandes bancos. A insegurança e o risco estão batendo a nossa porta, hoje não são preceitos morais que podem trazer a desdita. O risco assumido hoje é onde colocar o dinheiro? Propriedades, ouro, ações, produção? Viver as grandes paixões ou não? Você está pronto para perder alguns privilégios?
19/03/2013
Bulling dominical e nacional.
A mídia brasileira está “apavorando” os alunos e tomando alguns para Cristo por causa de algumas redações do ENEM, fico pensando nos alunos que tiveram sua escrita dissecada em público e mostrada em rede como um crime contra a purificada língua portuguesa. Só li manchetes e ouvi alguns “especialistas”. Ninguém comentou o dano que a exposição desses estudantes fará a sua autoestima e nem o medo que vai causar nos outros alunos que serão submetidos a vexação pública.
A mídia despiu estes estudantes e expôs em praça pública, “separou os membros”, salgou e pôs o dedão indicando os piores momentos dos textos. Senhores jornalistas peguem seus textos de quando saíram do segundo grau, leiam por três minutos, escorram e comparem com os textos de quando saíram das suas respectivas faculdades, misturem aos seus atuais escritos e cuidem para não vomitar e ter palpitações. Caso o enjoo não passe procurem ler e entender a prescrição dos seus médicos de confiança ou levem até um farmacêutico especialista em decifrar códigos antigos. Ao se deslocar até a farmácia cuidem com as marquises que os engenheiros assinam pois se uma cair sobre suas cabeças terão que recorrer aos advogados e ao dicionário para decifrar o que eles lhes explicaram. Se tudo isso os deixar estressados procurem um psicólogo, não esquecendo de levar o dicionário... Mas calma! Nem tudo no mundo está perdido, ouvi dizer que em breve todo mundo terá um chip no cérebro conectado ao google e ninguém mais terá dúvidas quando a receita de macarrão. Se teremos três minutos de Paz? Vocês também querem tudo né! Nunca estão satisfeitos.
19/03/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Nem esquerda, nem direita: algumas divagações!
O mundo anda mudando rápido e assustadoramente, as ideologias não estão conseguindo acompanhar esta mudança. Vem da velha Roma a sacudida que era necessária: o Papa renuncia e atrai o olhar do Povo da Igreja. Um comediante inicia uma mudança real no mundo da política, atrai o olhar do cidadão comum. É sim possível pensar no mundo com um olhar diferente. Será que as academias também não ficaram para trás com discursos presos aos conceito de Direita e Esquerda, Capitalismo, Socialismo, Comunismo? A globalização mudou a forma de ação dos agentes sociais, agora precisa renovar a forma de ação dos Estados. Não é mais possível que a sociedade carregue nas costas os imensos corpos das instituições estatais, porque com toda a tecnologia e avanços nos sistemas as repartições públicas continuam ineficientes e pesadas? Ouvi na televisão que serão abertas inúmeras vagas novas por concurso público, que perfil deve ter essa nova força que vai entra nas estatais? Será que precisa realmente de tantos funcionários? Como organizar as coisas para que haja mais eficiência? Se as atividades realizadas pelo serviço público fossem bem feitas o Brasil não estaria muito mais competitivo? Ou melhor: o que o Brasil precisa e deve produzir? Há um planejamento de ações? Ou as coisas vão acontecendo ao léu? Que tipo de demanda o Mercado de Trabalho necessita? Onde faltam empregados qualificados? Onde sobram vagas?
Todos estes questionamentos fazem parte de um amadurecimento que estamos fazendo, um pensamento sobre o Brasil pelo cidadão comum, como o comediante italiano fez. É possível diminuir o poder dos políticos e deixar a comunidade participar das decisões. O conceito de sustentabilidade também tem que ser aprofundado e entendido, o país não pode parar, tem que crescer para sobreviver, mas se as tomadas de decisão forem bem feitas a tendência é a deste crescimento ser real e não um inchaço. Quais são as principais atividades que o nosso país deve incentivar e quais mercados deve buscar? Tanto na área tecnológica, agropastoril, quanto industrial e de lazer, produtos, serviços. Será que o brasileiro não poupa por que no governo Color de Mello houve o sequestro das poupanças? Ou por que a poupança não rende quase nada e não garante segurança ao pequeno aplicador? E a corrupção? Estamos combatendo ou estamos perdendo a guerra pela melhor utilização dos recursos públicos. Há um plano para o Brasil ou o barco está a deriva? Vejo, como cidadã comum, um lindo futuro par o país, as pessoas estão mais conscientes de seu papel na sociedade e estão agindo com maior responsabilidade, claro que tem grupos que não se encontram e acabam nas drogas e caem nas margens da sociedade, esse é um problema profundo e para ser solucionado, ou entendido, é preciso chegar ao conhecimento da complexa natureza humana e das diferenças individuais e coletivas. Acredito que o Brasil tem como evitar trilhar alguns caminhos que outras nações passaram, o que levou a comunidade da Europa a crise? Como evitar que ela venha para cá? Na minha opinião o brasileiro tem uma grande capacidade de adaptação e cria as soluções, por exemplo a economia informal sustenta grande parte das famílias. A moradia popular é feita com recursos próprios as casas das favelas não são hipotecáveis e isso é uma grande vantagem, são casas próprias e estão sendo melhoradas na medida em que a população está melhorando de renda. Como o Estado pode auxiliar sem tirar a autonomia das comunidades? O Rio de Janeiro tem mostrado boas ações de pacificação e de acesso aos benefícios do estado com a participação popular. Mas gerou um outro problema, que poderíamos chamar de “ação repelente”, tirou os traficantes dos morros e espalhou pelo país. Uma ação mais eficiente deveria combater a entrada de drogas no país, coibir a comercialização, combater o consumo com ações socioeducativas, desarticular o poder paralelo que atua dentro das penitenciárias... Eu comecei o texto avisando que se tratavam de divagações. É preciso abandonar o capitalismo, que basicamente é industrial e baseado no acúmulo de capital, de riqueza. E é preciso abandonar o comunismo: que é basicamente um Estado que se intromete de mais na vida e propõe o fim da propriedade. Acho que o novo que está surgindo prima pela liberdade responsável. Estamos todos ligados, as ações de uns refletem nas dos outros. Um post como este, aparentemente inútil pode levar as indagações a quem realmente pode responder e isso está transforando a sociedade. A rede mundial de comunicação. Os partidos políticos ainda são fundamentais, talvez tenham que ser repensados e adaptados a nova realidade.
02/03/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Vigiada noite de Porto Alegre
Esta semana as câmeras de vigilância da Guarda Municipal de Porto Alegre captaram o linchamento de um morador de rua no centro da cidade, próximo a porta lateral do Mercado Público. Impossível não ligar a cena da vida real a do recente filme “Os miseráveis”, baseado no livro do grande escritor Vitor Hugo. As cenas condensadas do caminho que a protagonista trilha até as ruas ao encontro da morte parece com o video. Quem povoa o centro da cidade às quatro e trinta da madrugada? Antigamente seria Mario Quintana voltando de um passeio literário, Lupicínio Rodrigues saindo tardiamente do Dona Maria. Talvez houvessem alguns passos embalados por boas cervejas e algumas gargalhadas soltas no ar pelo simples prazer de estar vivo. Em tempos remotos seriam marinheiros, chapas, pescadores,mulheres da noite. Hoje? Uma gente assustada que sobrevive a noite, os mesmos do filme. Jovens, adultos e o poder público, além da sua ausência. Houve uma pequena época da minha vida em que vendia livros pedagógicos em escolas dos bairros de Porto Alegre, durante o dia alguns bairros ficam com as ruas vazias e a sensação ao circular por eles é de que a qualquer momento alguém pode pular na nossa frente, não há policiamento. Quando retornava ao centro da cidade me sentia no lugar mais seguro do mundo. Há um corre-corre e um agito que põe tudo em movimento, basta segurar seus pertencer e andar rápido que parece que você é do centro e nada acontece a quem é do centro. Os assaltos, confusões acontecem com os visitantes, mesmo os moradores dos bairros. Hoje moro em Viamão outro município,mas vou ao centro duas ou três vezes por semana, tanto de uma como de outra cidade. Há muitas cidades dentro de uma cidade. A realidade da noite é outra. Antigamente o “manto escuro da noite” acobertava uma “fauna” diferente. Quem são? Em dois mil e seis escrevi um conto “Ano Novo”, em que a personagem principal é Madá, alguém do centro. Uma jovem de classe média que usa drogas e vive a noite do centro. Liguei a moça chutando o morador de rua a minha personagem, seria algo que ela faria. Esse texto é quase uma releitura de um personagem criada por meu tio José Blaya, no livro “Basta dizer que amei Natacha Pietova”, uma novela que fala em mulheres que beiram a loucura. Ele era psiquiatra, então me pareceu que olhou para a loucura “de um lado do divã”, o do terapeuta. Madá deveria ser um contraponto, olhar a “loucura” por dentro. Um garoto uma vez me indagou: porque? Disse que não compreendia Madá pois ela “tinha tudo” e jogava fora.Jogava com a vida. Perdi os arquivos do texto e não pretendo digitar novamente, pois teria que praticamente reescrever tudo. Não acho isso certo com um período histórico, reescrever, limpar os erros e acertar os ponteiros, tira a beleza da inexperiência, foi meu primeiro livro. Ter tudo, ou não ter nada talvez não seja a questão. O homem que finaliza o vídeo tem nas mãos um pedaço de laje, provavelmente parte do material de um conserto na calçada, eleva os braços e desfere o golpe, talvez o fatal. Esse homem está entorpecido pelo ódio. Talvez seja o mesmo ser que espanca a personagem de Vitor Hugo até a morte. Porto Alegre, Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, será que tem diferença? As barricadas do filme mostram que logo após as grandes contendas há uma anistia que apaga os traços das ações e faz as coisas voltarem ao mesmo ponto. O Mercado hoje estava fervilhando de gente, a gente do centro, do dia. Fui procurar hoje informações sobre uma poetisa Nina Gualdi, comprei um livro seu e queria saber quem foi ou é, não achei nada. Só sei que foi casada com um promotor de justiça e o matou com dois tiros, foi condenada e cumpriu a pena. Faz parte de um dicionário de escritores. Queria saber mais, só não sei porque. Acho que escritores não comerciais, como eu, tendem a cair no esquecimento, isso é bom. Essa escrita é viva enquanto acontece, não precisa ser lembrada é vivida no ato de escrever. É a laje adormecida, tomara que nunca seja jogada.
27/03/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Prematura Campanha Presidencial.
Campanha, na metade do mandato? Tem tanta coisa para acontecer, incluindo uma Copa do Mundo. Meu palpite para a eleição é que a Dilma já está eleita, tem mantido aproximadamente 60% de aprovação. Quanto a Copa, acho difícil o Brasil ganhar, até por que é uma Copa do Mundo, se fosse fácil todo mundo era campeão. Acho que o governo da Dilma, não votei nela, está sendo muito melhor do que o do Lula e está superando as expectativas, trouxe seriedade para o governo. Já os escândalos do PT, como o Mensalão e um recente que envolveu uma alta funcionária do governo, tem sido uma prova, para mim, que o PT está seguindo os mesmos passos do PMDB, do PTB, do PSDB, perdeu a identidade. Ver os políticos do Mensalão comemorando junto os “Dez Anos no Poder”, só serviu para mostrar que os atos deles são aprovados pela militância e de conhecimento do partido. Militância que demonstrou claramente, com as hostilidades à blogueira cubana, que idolatra Fidel e Cuba, o que é muito compreensível, esse pessoal parece que ficou congelado nos anos sessenta. Será que a gente não pode pensar em coisas diferentes, pra variar um pouquinho?
A nossa sorte é que, nem que queiram, os militares tomam conta dessa bronca de novo.
Assisti ao filme do ET, na televisão, acho que é dos anos oitenta. Lembro que na época achávamos o máximo os bairros planejados dos americanos, as ruas organizadinhas. Pessoas saiam daqui para prestar serviços lá, como garçonetes, manicures,diaristas... Pois lá todos tinham casa, Raul Seixas disse uma vez que o lixo mais limpo do mundo era americano, pois uma vez perambulando pelas ruas comeu do lixo... Tenho uma ideia: a de que o Brasil está sempre vinte ou trinta anos atrasado com relação aos Estados Unidos, agora aqui o crédito avança, os serviços prestados estão melhores remunerados, quem se organiza tem seu carro, o Grande Bem. Acho que a maior vantagem dos últimos governos, que começou com o Fernando Henrique Cardoso foi a de não atrapalhar.Então está ótimo! Vamos em frente. Só que quem, nas classes populares e média, adquiriu uma certa estabilidade tem que cuidar para não perder, achando que é pra sempre.
Queridos amigos da imprensa façam uma gentileza: “ Deixem as eleições para depois da Copa”, o Brasil tem tanta coisa para fazer. São tantos prazos esgotando, tanto projeto inacabado, de estradas, de hospitais, de presídios, escolas. Como vai a obra faraônica que deveria escoar água para o sertão? Uma que já consumiu um valor exorbitante e parou. Façam um favor ao povo brasileiro e perguntem a um político quanto custa um metro quadrado de uma obra? Depois busquem isso na realidade e comparem? Quanto custa um saco de arroz na merenda escolar e quanto no varejo? Quanto o governo paga por um produto ou serviço? Acabou o Carnaval é hora do Brasil voltar a funcionar.
22/02/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Seja bem vinda, Yoani Sánchez!
A visita da cubana Yoani ao Brasil está sendo pedagógica para o povo brasileiro, uma mulher que veio dizer de Cuba algo diferente do que muitas pessoas pensam, do que a propaganda oficial veicula. Para a “esquerda radical” Cuba é o Paraíso na Terra, veneram Fidel como se fosse um grande Deus e não um ditador autoritário e que manteve à “força militar” um povo submetido a sua vontade. Essas pessoas que estão protestando foram criadas dentro de movimentos quase “religiosos”, com vídeos, músicas de louvação e apego a símbolos como Cuba e Fidel. É muito bom que ela tenha vindo para cá, para que o brasileiro lembre de defender a democracia, ela não é eterna. Em nome do “Irmão do Enfil”, ou de todos os que foram torturados e mortos durante a última ditadura no Brasil é preciso ouvir o que Ayoni tem para dizer e garantir que leve do Brasil uma boa imagem. Existe uma “tribo” que venera um Fidel construído romanticamente como um Salvador, mas existem "outras tribos” que já deixaram essa ideia idealizada, tanto do comunismo como do capitalismo. Essa é uma retórica que aos poucos vem perdendo força, mas algumas pessoas ainda estão condicionadas a elas. Eles e Nós. Direita e Esquerda. Yoani é uma grande e forte mulher, que seja bem vinda ao Brasil e receba aqui o tratamento que merece, o de um ser humano que quer contar as coisas que sabe e viveu, sobre uma realidade que é “vendida” com uma poderosa ideologia. Ela é parte do povo Cubano e deve ser respeitada. O que pensa a nossa Presidente sobre as hostilidades, o Brasil está pronto para receber bem?
19/02/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Ufa, o meteoro já passou!
“ A economia mundial está precisando de uma boa sacudida” Fernanda Blaya Figueiró
Esta frase escrevi em vinte e dois de janeiro de dois mil e treze na crônica: “ Fator X”... Gostaria que tivesse sido uma sacudida simbólica, mas o Universo não recebe assim, brincadeirinha... O meteoro que caiu na Rússia, causou estragos, feriu pessoas, mas por sorte não ofereceu um risco maior. A pergunta que fica e que já deve ter sido feita é se essa onda de tsunamis, tempestades, acordar de vulcões e etc... tem ou não relação com a passagem do corpo celeste. Ao cair deslocou energia, estilhaçou vidros, rompeu paredes, não teria afetado o ciclo das marés e a energia do Planeta? Os antigos Maias o aguardavam? Terão estes fragmentos sinais de possibilidade de vida ou de terem trazido consigo novas doenças? Quem reclamar que não tenho competência para fazer esta pergunta está totalmente certo, é pura curiosidade. Já a economia acredito que por vias tortas será também sacudida. O cuidado com o Planeta se torna cada dia mais importante e a necessidade de segurança nas Usinas Nucleares se torna cada dia mais urgente. O que teria acontecido se o Meteoro tivesse atingido uma Usina Nuclear? Na Rússia, na Coreia do Norte, no Brasil, na Alemanha, nos Estados Unidos ou em qualquer canto do mundo? Não precisaria um governante decidir, se acidentalmente, algo provocasse uma colisão. Por um breve espaço de tempo o arsenal bélico nuclear manteve a Paz entre as nações. Mas talvez aos poucos tenha que ser abandonado e aposentado. Quais são os benefícios e quais os riscos, para a humanidade, do uso da energia nuclear? E o estudo dos fragmentos do meteoro? Quantas possibilidades abre para o nosso autoconhecimento? O que o Universo espera, ou planeja para nós? Nesta amplitude contextual a crise não perde um pouco de importância? São muitas indagações e uma certeza, no fim vai dar certo. Às vítimas desejo uma boa recuperação e a comunidade que conte com a ajuda de todos para reconstruir a cidade. Foi ruim, mas poderia ter sido muito pior.
18/02/2013
Fernanda Blaya Figueiro
Evitando os erros do Iraque
Se o mundo pudesse retornar a dez anos atrás, será que a guerra do Iraque teria acontecido? Que carnaval mais cheio de notícias... A renúncia do Papa, testes nucleares na Cória do Norte, o mundo pós fim do mundo está tumultuado. Que coisa doida, parece que há uma desarmonia no ar, se eu fosse norte americana não iria querer um conflito assim. Acho que quem deve liderar a solução para os problemas da ásia é a ásia quem sabe o Japão ou a China? Essa notícia parece uma isca jogada no rio para pescar peixe gordo.O Carnaval aqui no Brasil perdeu para esse Carnaval Mundial, essa grande onda de noticias bombásticas. Eu não ia escrever nada sobre isso, parece tão absurdo que alguém aqui em Viamão possa ter uma opinião formada, mas talvez essa seja a nova realidade. Porque não se usa a energia para melhorar a vida dos outros em vez de criar o medo e a guerra?
12/02/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Uma autêntica quaresma.
O Papa surpreendeu o Mundo anunciando a sua renúncia durante o Carnaval, fazendo desta quaresma um tempo diferente de reflexão e espiritualidade. A pergunta que faço é:- O nome do novo Papa é de interesse de quem? Apenas para a comunidade Católica Apostólica Romana Praticante. O Papa, seja ele quem for, fala para sua comunidade religiosa. Mesmo que suas palavras pesem sobre todas as pessoas,são dirigidas aos católicos e definem diretrizes de ação dentro do contexto religioso.Esse seria um bom momento para uma “avaliação”, quem, nos dias de hoje, ainda é católico, logo: foi batizado, guarda os domingos para a oração, fez primeira comunhão, a crisma, o casamento diante de Deus, ou votos de se dedicar a Igreja, confessa,comunga e reza o Credo, frequentando uma só religião. Eu não me encaixo nesta descrição, acredito em Deus, na Santa Igreja Católica, mas acredito também em outras manifestações e explicações para a minha Ligação com Deus. Acompanho a escolha do novo Papa com carinho e atenção, mas não com devoção. Talvez a Igreja católica tenha encolhido um pouco, nos tempos atuais, mas ganhou em qualidade, já que ser católico hoje é uma opção e não mais uma imposição, como em tempos remotos. Essa renúncia do Papa vai separar o joio do trigo dentro da instituição. Para os outros religiosos esse é um tempo de aguardar e seus cultos em nada são modificados. Para os não religiosos ou agnósticos esse assunto simplesmente não é de seu interesse. Já para os católicos devotos é um importante período de reflexão: o que esperar do novo Papa, o que sentir neste período de mudança. A cor da quaresma é o Roxo, que leva a um recolhimento, esta vivência espiritual pode levar a um fortalecimento da verdadeira Fé em Cristo. A medicina popular diz que as vezes é preciso uma “sangria” para limpar o organismo e acredito que é essa “terapia” que o Papa, em sua sabedoria, propõe a comunidade católica. Os discursos e Bulas Papais são dirigidos a uma parte, hoje pequena, da humanidade. Precisamos entender a diversidade de pensamentos e as transformações pelas quais a humanidade passa, mas principalmente garantir que ajam ideias diferentes e comunidades ecléticas. A globalização vem padronizando alguns comportamentos e tirando das pessoas a sua cultura. Talvez esse seja um bom momento para que cada um faça sua própria reflexão. Você que chegou até esse fim de texto é um Católico? O que significam para você as palavras ditas por um Papa?
Fernanda Blaya Figueiró
12/02/2013
Briga de Cachorro Grande
A palavra final bem que poderia ser do Povo, agora o que isso significa? O Povo Brasileiro está cansado de ter políticos corruptos, um Estado burocrático e ultrapassado. O tripé Legislativo, Judiário e Executivo parece estar de brincadeira, será que o Mensalão vai ficar por isso mesmo, com os políticos corruptos soltos e exercendo cargos importantes? Já a reforma da previdência dos funcionários públicos, talvez eu tenha entendido errado, mas parece que a aposentaria dos Marajás vai acabar. Isso é bom, provavelmente irá modernizar a administração pública. Essa briga entre os três poderes poderia levar a uma diminuição do poder dos poderes. Talvez o Brasil precise de uma adequação do entendimento do papel de cada cidadão na sociedade. Os políticos estão poderosos demais e o Estado interferindo além da conta na vida do país. Um ranço dos tempos de colônia? Uma herança cultural ou ainda um estado característico de países subdesenvolvidos. Acho que está na hora de redimencionar o Status dos políticos, eles são importantes e poderosos, mas não tanto quanto parece. Acho que por um lado a própria mídia elevada demais a importância dos políticos. O país pode crescer e se fortalecer apesar deles. Enquanto eles brigam as pessoas comuns criam as alternativas para viver melhor.
05/02/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Propaganda Intrusiva
Vivemos num mundo cada dia mais cercado de propagandas, de tudo e de todas as formas pelo telefone, na televisão, na internet, nas ruas... Isso vai poluindo a mente, acho que em determinado ponto ela acaba sendo uma contrapropaganda. Vai irritando e incomodando. Já atendo ao telemarketing respondendo que não compro nada por telefone. As vezes a pessoa insiste e abandono a ligação. Quando comecei meu blog enviava os textos para algumas pessoas, agora não envio mais, pois acho que acaba sendo cansativo para o outro,alguns posto nas redes sociais, onde a pessoa pode optar por ler ou não e todos nos blogs. Uma vez recebi um telefonema perguntando se eu conhecia uma determinada pessoa, vou chamar de J, eu confirmei pois ela havia trabalhado em minha casa. Passou um tempo e começaram a ligar, de uma empresa de cobrança, informei que J não trabalhava mais na minha casa e que não sabia de seu paradeiro. Fazem mais de cinco anos que ligam para minha casa perguntando por J. Chegaram ao cúmulo de fazer uma gravação: Por favor avisar a J que entre em contato com a empresa... Se hoje alguém me pedir para confirmar se o conheço não atenderei ao pedido. J desapareceu e meu número de telefone ficou ligado a ela. Pensei inclusive em mandar suspender o telefone, não fiz pois preciso da linha para ter acesso a internet. Quanto a empresa de cobrança, ou a financeira que ela usou tenho por este nome verdadeira ojeriza, vejo os funcionários entregando panfletos na rua, oferecendo crédito sem consulta ao SPC, e mil e outras promessas. Fornecem crédito de forma aloucada e com juros altos para pessoas que provavelmente não tem como pagar, as empresas criam este problema... Agora vem ocorrendo uma outra coisa o tal cadastro positivo e fidelização através de cadastramento e promessas de descontos, além da oferta dos cartões exclusivos de determinadas lojas.Eu prefiro pagar um pouquinho a mais e não fazer cadastro do que ter alguém me enchendo de propagandas que não solicitei por e-mail ou por telefone. Sem falar na “propaganda política” até para candidatos a síndico. Propaganda é uma coisa importante? Sim, no mundo de hoje é essencial, nada sobrevive sem ela. Mas como tudo na vida em excesso esgota e não faz mais efeito ou faz o efeito inverso.
03/02/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Obrigada aos Deuses do Cinema
O cinema tomou um lugar na vida da gente simples,como eu, na narrativa popular, diria que é uma transformação do Teatro. O Ser hoje é menos nobre do que o Parecer Ser. Fui assistir a nova versão de “Os Miseráveis!”. Falta alguma coisa no filme até a pequena Cosette entrar em cena e depois parece que a magia do afastamento da realidade acontece. Algo leva todo o contexto a um ponto de superação e sublimação. Morrer não é a questão, mas sim deixar de viver por uma coisa maior. Quem não acredita em Deus não deve perder tempo indo ao cinema. Mas a principal fé que se reforça é a no Ser Humano. A voz cristalina da menina, o chamado do menino: Nós crianças sabemos a hora de lutar, não se chuta um cão por ser um filhote, que ele... O desespero da mãe...O ímpeto do jovem em lutar e morrer e a complacência do homem velho em aceitar o fim de um tempo. Ao poupar minha vida mesmo assim me matou- o dilema do sobrevivente. Olhe para baixo! Sai do cinema e uma senhora pedia esmolas. Não me comoveu. Ela é parte do que sempre existiu. Quem sou eu? Ou quem eu pareço ser? Assisti a três bons filmes e agora estou como em "coma cultural".
Fernanda Blaya Figueiró
P.S. Esqueci, os dois outros filmes foram Amor e Lincoln... Adorei todos, mas principalmente "Os Miseráveis"
01/02/2013Forinho 2013
Este ano participei do Forinho durante o turno da manhã e uma tarde, dividindo o Espaço da Poesia com o poeta Mario Pirata, que trabalhou com a gurizadinha no turno da tarde. Foram seis dias de muita atividade, com grupos de crianças e adolescentes, a minha atividade com eles foi baseada no Poema Terra Viva -Viva Terra, que escrevi no ano passado especialmente para o Forinho, este ano escrevi o “Astro Poeminha” que não funcionou muito, pois há muitas atividades e eles não tem concentração para uma atividade longa e um pouco também porque ainda não encontrei bem como trabalhar a ideia, quem sabe com o tempo encontro o tom. Durante esse tempo solicitei a eles que deixassem um recadinho, um pensamento ou um desejo para o Planeta ou para o futuro. Muita coisa bonita ficou escrita e compilei em um livrinho artesanal. Paz, amor, fim da violência, um planeta limpo, vários desejos desfilaram nas folhas.Mas uma frase me chamou muito a atenção, de autoria de Richard, ele não escreveu a sua idade mas acredito que mais ou menos doze anos: “Não queria que ninguém fosse pobre!” Esse é um desejo de um menino alegre, de uma comunidade de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social. Ele não escreveu que quer ser rico ou que quer sair da pobreza. Escreveu que não queria que “ninguém fosse pobre”. Achei esse pensamento de uma generosidade e amplitude. Num mundo que muitas vezes é baseado na competição, na vitória sobre o outro, no egocentrismo, ter um pensamento assim autêntico e belo é muito bom. No sarau que participamos, na segunda-feira, perguntei as “meninas” qual era a sua motivação para enfrentar uma temperatura de 35º, as três horas de uma tarde de janeiro para ler. O que nos fazia estar ali, no Stand da saúde, que sentido tinha? Concluímos que se com nossa leitura conseguíssemos nos sentir melhor já estaríamos melhorando a nossa saúde e se conseguíssemos melhorar, através da palavra, a vida de uma criança, por alguns minutos, nossa atividade já teria sido vitoriosa. O Fórum Temático este ano se dispôs a pensar em Democracia, cidade e sustentabilidade – não recordo se nessa ordem. Então, mesmo que por vias tortas, acredito que refletimos sobre esse tema. Não acompanhei as discussões oficiais, ouvi alguns depoimentos truncados sobre o evento e sua identidade, sobre uma certa dificuldade de diálogo e de adesão, como se a Política Partidária estivesse permeando os grupos. Acho que é uma parte da construção de um evento: - O que é, nos dias de hoje, O Fórum Social Temático que acontece em Porto Alegre em janeiro? Tem ainda uma referência com o Fórum de Davos? É um espaço amplo, democrático, apartidário, aberto a todos os credos, a todas as formas de pensamentos do acadêmico, erudito ao popular? Tem “dono”? Eu passo pelo Fórum, mais pelo Forinho, mas não integro o evento. Apenas acompanho. Acho que para o bem das próximas edições seria bom que houvesse essa “catarse” para que as pessoas que fazem ou participam entendam melhor a sua natureza. Pelo pensar das crianças o desejo maior parece que é o de Paz. Paz e Amor!Lembra antigos movimentos...
31/01/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Fator X
Adorei essa ideia de colocar a possibilidade de vida fora do Planeta Terra como um fator de risco para os empreendedores, li sobre isso na imprensa, que indica que o Fórum de Davos irá abordar essa temática. Isso é muito legal. A economia mundial está precisando de uma boa sacudida, estamos observando o fim da era do emprego, no meu ponto de vista. Cada ser humano será seu próprio empreendedor. As máquinas farão o serviço pesado e a produção não será mais a forma de gerar renda. Produzir se tornou caro e ineficaz. Sindicatos, leis, contratos tudo deverá em breve ser reestruturado. Então que beleza imaginar que o “Capital” do mundo vai ser aplicado na vida fora da Terra. Aqui em compensação tudo pode girar em converter a energia e a matéria-prima em produtos para os humanos que viverão em outros planetas. Ouvi hoje que a população de Portugal está encolhendo, as pessoas tem poucos filhos, vivem muito e não geram riquezas. Então o defasado discurso que a humanidade cresce sem freios não é verdadeiro. Claro que em outros lugares do mundo a pessoas de mais. Portugueses tem praticamente no mundo todo, só está faltando em Portugal.A crise no Mundo não é por falta de dinheiro. É pela falta de possibilidade do dinheiro gerar mais dinheiro. Vamos mandar os ricos explorarem o Universo, pode ser esta a nova descoberta da “América”. A humanidade não gosta de estagnação e o modelo atual está pedindo para ser mudado. Crescimento Econômico e Riqueza são ilusões. Os investidores precisam achar uma forma de manter a ilusão de que seu dinheiro é verdadeiro, que está bem aplicado, crescendo e que nunca, nunca, nunca vai acabar. Se a hora é de falar em ir embora do Planeta é por que algo de novo tem que “pintar no front”. A gente pode dizer qualquer coisa nessas horas e num repente a saída aparece. Quem sabe a nova corrida ao ouro já começou e você está aí paradinho, com sua poupança e seus chinelinhos e seu concorrente está já com as mulas preparadas e as ferramentas afiadas?
22/01/2013
Fernanda Blaya Figueiró
A busca de nossa identidade
Semana passada meu marido recebeu uma visita da “Neguinha”, uma velha amiga, ela entre outras coisas buscava notícias, perguntou se por acaso ele teria alguma fotografia de sua infância em Cachoeira do Sul. Quando me relatou isso dizendo que não acreditava ter nenhum documento eu imediatamente lembrei que tinha sim, ela aparecia numa antiga fotografia entre as crianças que comemoravam um aniversário seu. Ontem tivemos tempo de revisar os álbuns guardados e encontramos quatro fotografias em que ela está e uma em que aparece sua mãe. “Neguinha”, meu primeiro apelido, logo minha xará, hoje é formada em biblioteconomia e conta que todos seus filhos estão bem e levam uma boa vida. Inclusive meu marido, sem saber, estava indignado com um de seus filhos que andou fazendo um gol no Inter. Uma das coisas que me chamou atenção nesta história foi ela relatar que não recorda de si mesma. Esse papel de construção da auto imagem que a fotografia faz é vital para a memória. Essas fotografias estão guardadas por anos e contam preciosas histórias, nelas ela vai se encontrar sorridente e de olhos brilhantes, fazendo posses que recordam Michel Jackson quando criança. Uma infância feliz, que deve ter tido seus desafios, mas que a conduziu a uma vida de sucesso. Revendo os álbuns muitas coisas aparecem, sábado assisti ao filme “Amor” e numa das cenas a protagonista solicita as fotografias e se emociona com a beleza da vida “A longa vida” conclui ela, uma idosa que enfrenta uma doença terminal. A beleza da vida é isso alguns momentos de felicidade registrados na memória ou em algumas fotografias. Um velho amigo nosso “Seu Baiano”, aos oitenta e tantos anos enfrenta também a perda de energia que a velhice traz. Há poucos anos viuvou e tem no carinho da família o apoio e o cuidado que precisa neste momento em que suas forças começam a faltar. Trabalhador e sonhador, foi ele quem conduzia a construção de nossa casa, acho que para o Baiano o céu vai ser um canteiro de obras na companhia dos amigos e um baile com a sua Dona Eva. Jogador de futebol do Esporte Clube Avenida, na juventude, obreiro pela vida a fora. Foi um dos trabalhadores que ajudou a erguer o Beira Rio mesmo sendo Gremista até a alma. Eram outros os tempos. Adora contar histórias e ouvir boa música, principalmente “Samba de Gafieira”. Conta que há muitos anos foi contratado para trabalhar no Barro Vermelho, para quem não conhece um distrito de Cachoeira e que no fim de semana se arrumou todo e foi se divertir, chegou no Baile e foi informado que não poderia entrar pois era um baile só de Branco, perguntou então onde teria outro lugar, perto da barca tinha um outro clube. Quando chegou lá foi informado que também não poderia entrar pois era um Baile só de Negros. Perdeu a noite e nunca mais esqueceu a história. Seu Baiano nasceu nas Minas, logo um gaúcho nato, ganhou o mundo e com dona Eva construiu uma linda família. O que une essas histórias? Uma antiga teia de relacionamentos que vai moldando as histórias de uma comunidade. Eu lembro que nos fundos da Padaria do Comércio havia um Clube “O Independente” que era frequentado só pela comunidade Negra e se dedicava ao carnaval e os outros, principalmente o Comercial, que na minha juventude já aceitavam associados de todas as etnias.Todos a baixo dos trilhos, lá “no alto” tinha uma outra vida social, praticamente desconhecida para mim. Mas a música passava pelas paredes e a cidade inteira ouvia o samba, as modinhas, as valsas, boleros, o rock, a música clássica... Nos dias de hoje, ainda bem, isso não existe mais. A necessidade de contar essas história é a de manter esses tempos vivos e aprender com eles as coisas boas e não permitir que as ruins retornem a acontecer. O Brasil está enfrentando uma epidemia de uso de drogas e tenho certeza que vai vencer, assim como novos desafios irão aparecer e assim é a vida, feita de desafios, como a simples busca de uma imagem que nos diga como nós eramos e ajude a formar a identidade de quem somos.
21/01/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Haja galeto!!
Seria bom a Receita Federal pedir os recibos e a Polícia Federal acompanhar essa confissão coletiva de culpa.
Não tem Crônica, ou teríamos que fale em "Crônica de Uma morte Anunciada", Todos os Petistas e simpatizantes sabiam.
Fernanda Blaya Figueiró
17/01/2013
PS: A militância do PT organizou um galeto para angariar fundos para pagar a multa dos seus políticos acusados de corrupção, condenados pelo esquema do Mensalão, explico pois algumas pessoas não sabiam da notícia. Então fica essa impressão de que estão de acordo com seus corruptos e apoiam o que fizeram ou era de conhecimento de todos, ou quem sabe até o modo como o partido funciona.
Liberdade de criação artística
A liberdade é, para mim,uma das coisas mais difíceis de entender. O que é “ser livre”? Um pássaro que atravessa o mundo de uma ponta a outra é livre ou é prisioneiro da migração? Sempre achei que o corpo é uma prisão para a alma, que a liberdade é um “estado de ser” abstrato e intangível. A vida humana é totalmente dependente de um conjunto de ações do outro. Para uma pessoa comer é preciso que tenha dinheiro, que alguém tenha produzido um alimento, alguém tenha distribuído, alguém tenha comercializado e alguém tenha transformado. Depois é preciso se livrar dos dejetos e sem essa simples cadeia de eventos todos morreríamos de fome ou doenças. Dentro desta estrutura alguns tem maior ou menor acesso do que os outros a possibilidade de ter. Nós vivemos dentro deste sistema e de tempos em tempos há pequenas mudanças estruturais, ou sociopolíticas. Todos nós somos totalmente dependentes uns dos outros e dependendo de como nos movemos na paisagem social temos alguns privilégios.Nunca seremos totalmente independentes e livres. Sou livre para ir e vir se tiver o valor do ticket ou se tiver combustível para andar. No mundo da arte o meu limite não existe. Não tenho certeza. Tudo é permitido dentro do espaço da criação artística? Seria a única forma de expressão totalmente livre? Livre inclusive da verdade? Conheço um Ser Biônico que tem inúmeros braços e movimenta cada um num compasso próprio. Transita entre as pessoas com senho franzido e por onde passa nasce todo o alimento da alma humana, não distingue raça, cor, gênero ou condição social. Alguns o acham medonho outros adorável. Não atende por nome algum, não compartilha nada com o mundo, não segue lei alguma. Há quem diga que é alado e eterno.Mas é preso ao meu pensar.De que adiantaria então soltar no mundo um ser assim tão prisioneiro? Uma mosquinha solta-se da teia de uma aranha, ganha uma perde a outra. A mosca continua viva, até quando, a aranha sem alimento, sobreviverá?A teia fica esquecida, até a chegada do pano. Mesmo que ajam infinitas histórias acontecendo alguém vai querer saber do meu ser biônico e seu alimento para a alma. Grande invenção essa da alma, resolve bem o dilema. Não seria mais fácil entender do que se é prisioneiro?Neste texto somos totalmente presos a energia elétrica, sem ela nada neste texto existiria, pelo menos não nesse tempo. Além disso essa construção, como já foi explicado, depende totalmente da minha mente e a ela está vazia, ou não estaria abordando tema tão sem sentido. A pergunta é sempre o que o texto não diz? Está preso a um bloqueio temporário de imaginação e a uma vontade de mascarar alguma coisa. O vento jogou folhas secas no teclado. Que metido. A matéria-prima da imaginação é o mundo como ele existe e algumas distorções que ele nos permite fazer. As folhas secas moídas entre as palmas das minhas mãos viraram farinha. Farinha de folha seca serve para alguma coisa?
14/01/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Abismo sócio politico?
Parece haver uma força maior, vinda das profundezas de um espírito ruim, que olha para a América Latina e seu povo como quem olha para uma latrina: lugar de despejar dejetos. Tomar conhecimento da realidade dos países é chocante a corrupção, violência, desigualdades sociais, miséria tudo num lindo cenário. Já o lado oficial olha como quem está no paraíso, crescimento econômico, empregabilidade, fartura de recursos naturais... Como se ainda houvesse colossais diferenças entre os países ricos e os pobres. Em qualquer parte do mundo é mais fácil de sobreviver nos dias de hoje do que a meio século atrás, tiro esta opinião da minha mente, não de dados estatísticos. Corrupção, miséria e violência estão presentes em todos os lugares, apenas em escalas diferentes. Parece que o mundo ficará insustentável, mas isso também parece uma simples retórica.Se os problemas com os dejetos é que levam anos para desaparecer e se eles se tornarem o combustível do futuro teremos muito combustível para queimar. Venho pensando, insistentemente, que o trabalho deveria ser reinventado. Não é mais possível viver da produção. Não é racional viver da produção. De que forma as pessoas vão ser mensuradas e remuneradas?Não sei. Será que a nova sociedade terá lugar para políticos? Como seria uma humanidade sem estados e sem política? O que mantém as pessoas pacificamente aceitando a vida que estão levando? Faço parte da Classe média brasileira e já fazia antes, posso afirmar que a vida para nós melhorou, a sensação de insegurança ligada a falta de recursos financeiros diminuiu muito, a sensação de estar vivendo em um país livre, de ser parte da história, aumentou com o fim da ditadura, a sensação de segurança com relação a violência urbana, incluindo o trânsito essa piorou, muitíssimo. A sensação de que os políticos estão indo mal é a mesma, sempre desconfiamos dos políticos, eles estão correspondendo a nossa expectativa. No que confio? Em Deus! Calma! Não precisa atirar pedras... Confio na nossa relação com o Universo, melhorou? Ou no que a ciência afirmar. Parte da minha família é de origem portuguesa, outra espanhola e as outras, não muito divulgadas, são uma mistura de índio, negro e muitas outras etnias, então acredito no fado, no destino. De que de alguma forma, mágica, tudo vai dar certo. E esse legado acredito que mantém a ordem no nosso universo. Os povos estão cansados de ideologias e de guerras, as pessoas comuns, como eu, estão tocando a vida. Vivendo. Estou aqui aguardando as novidades, visito as grandes shoppings como quem recebe a visita de uma carroça de ambulantes, cheia de quinquilharias desnecessárias, mas que proporciona grande alegria. As pessoas transitam pela Terra de um lado para o outro, como os velhos andarilhos faziam, esse trânsito mistura tudo e ao mesmo tempo pasteuriza, tira a identidade, iguala. Acredito que as mudanças que o mundo espera serão suaves e imperceptíveis. Não serão uma ruptura e sim uma acomodação a novas realidades. O medo da violência e das drogas vai manter as pessoas em estado de vigília, ninguém quer cair na margem e correr o risco de acabar na sarjeta. Uma grande parte da humanidade vai continuar em situação de perigo, frágil, desvalida, sustentando a ilusão da situação da maioria e uma pequena parte continuará nas alturas, vivendo fora do senso comum, sendo idolatradas pela beleza, dotes físicos, incluindo a inteligência ou pelo dinheiro.Qual a razão desta crônica existir, nenhuma, sou escritora e estou escrevendo, fazendo meu trabalhinho. Estou chateada de ver um político acusado de corrupção brincando com o povo e um partido que foi criado para combater a corrupção mergulhado nela até o pescoço. Ao me indignar percebi que na verdade sempre foi assim. E que a minha indignação é também retórica.Aceitamos essa porcalhada por que é conveniente.
04/01/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Ponto para a corrupção.
Genuinamente o Brasil é uma nação corrompida, de vereadora a deputado. E as pessoas se perguntam como o Brasil não cresceu mais? Escândalos atrás de escândalos e ainda se espera que o Capital Estrangeiro venha para cá. Como? Como confiar num País que da à raposa a chave do galinheiro? Enquanto a Venezuela mobiliza a atenção do mundo, ou seria do submundo? A Argentina está naufragando em arrastões, o Uruguai? Colômbia? Haiti? Temos o Chile, para salvar a lavoura.Ufa! Sim a verdade virá à tona, o terceiro mundo está caindo, caindo, caindo, tanto quanto o primeiro. Roubai brasileiros, roubai como vossos governantes vem fazendo. Corrompei, fraudai! Que é isso que se espera de vós.Abram as portas das cadeias, encham as ruas de crack, entregue a população a miséria. Esse é o Brasil, até março ou até o fim de dois mil e treze vai ter que conviver com a vergonha. José Genoíno recebendo salário de deputado é uma vergonha, decidindo a vida do País um absurdo. Gostaria de ter a opinião do nobre Tiririca a respeito desse fato. Pois só os artistas e os loucos podem se opor a isso. É impossível escrever sobre essa realidade.
04/01/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Diálogo com um poema que ninguém leu
O poema “As personas” fala sobre um aspecto da poesia que tange com a loucura. Duas coisas alimentam a literatura: sexo, vejam os tons de cinza vendendo como água, e loucura. Nenhum dos dois deixa de ser um velho Tabu. Sexo todo mundo faz e entende e louco todo mundo é um pouco. Quando escrevi meu primeiro livro meu irmão, apelidado de Kid, disse: - Isso não passa de intimismo feminino. Como se fosse um demérito. Essa semana me disse, seis anos depois, Bukowski dizia que para escrever poesia é preciso... algo parecido com ser proletário. Borges, Pessoa, Bandeira,Lorca, Meireles, diriam a mesma coisa? Ninguém mais vai escrever como eles, pois eles eram únicos. Há alguns anos o Tatata Pimental disse mais ou menos que a literatura gaúcha e mesmo brasileira não tinham nada de novo. Dizia:- A gente vai na feira do livro e não encontra nada, só lançamentos de donas de casa que juntaram um dinheirinho e fizeram um livro... Como se essa energia não valesse nada, hoje digo que ele tinha razão. Não tem nada para ler de novo e isso não é culpa de donas de casa, ou de alguns médicos e advogados. Isso é um processo de transição. Ao Kid peço que se liberte de ler a mim. Ponto. Os parentes, amigos e inimigos não precisam ler o que escrevemos, muito menos precisam gostar. Até por que eu tenho uma percepção de que escrevo as vezes bem e as vezes mal. Agora imaginem a autora dos tons de cinza, que não li um pouco por preguiça, um pouco por que abandonei romances faz muito tempo e um pouco pelo preconceito gerado pela crítica. Ela agora terá que satisfazer um leitor que não quer literatura e sim sexo. E esse leitor é insaciável, logo terá que fazer seu protagonista “rasgar os fundilhos” sua protagonista descerá ao inferno e chegará a Sodoma e Gomorra e ainda não será o suficiente. Vai ser violentada e possuída em todos os poros e talvez chegue um dia a sarjeta ou a um fétido apartamento, entorpecida de whiskey e apática quanto as ruas e a vida fora da sua decadência e nem assim será uma escrita digna do Velho. Pode furar todas as suas artérias com cocaína e nunca será nada além de um personagem do século XXI, escrita neste tempo e dentro da capacidade de sua autora. Já a loucura ela também é insaciável e pouquíssimo entendida, não passa de entretenimento barato para vender bilhete e remédio, ou whiskey. Mesmo que ninguém leia, o que não é verdade, ou que ninguém goste, o que também não é, vou continuar escrevendo, mesmo que a literatura não me queira, não sei o que houve de errado, mas como diria o Tatata acabou. A literatura como era não existe mais, eu transito entre o velho e o novo. Faço parte do passado como quem ainda escreve sonetos. Perdi o tempo e o leitor do Velho vive preso a um passado que não retorna, é anacrônico. Por mais “leituras” que uma escritora tenha ela vai acabar escrevendo a si mesma. Já pedi muitas vezes ao leitor que não gosta do que eu escrevo que não me leia mais. É simples. Aos outros digo eu sei que vocês estão aí, alguns por curiosidade outros para copiar, outros por que ficam entretidos, outros só para poder se irritar. Não vendo meu peixe, deixo navegar livremente.Concordo com o Kid, oTatata e com Bukowski, não tem nada bom para ler no momento. O Poema? Que poema?
01/01/2013
Fernanda Blaya Figueiró
Textos do blog 2014
Proseando um pouco sobre o último poema- 05/02/2014
Acho que vou ter que me explicar melhor, não quero o exército nas ruas, o exército já está nas ruas, talvez as pessoas ainda não tenham percebido. Uma força armada é importante e necessária em qualquer país do mundo atual. Agora um avião da força área, pilotado por um militar altamente treinado, que tem um custo enorme para a sociedade, ser responsável por levar uma “autoridade” para fazer um implante de cabelo, enquanto o poder paralelo vai tomando conta do país, é um absurdo. Ano passado foi Florianópolis que viveu estado de sítio, Rio e São Paulo vivem isso há anos. Minas Gerais viveu a morte de uma moça por que ela era mãe de um filho de jogador de futebol e ele simplesmente mandou matar a mulher por questões financeiras e acabou revelando uma realidade de violência que as pessoas desconheciam. Porto Alegre convive com naturalidade ter um “presídio central” como se fosse algo normal, como se presidiário não fosse ser humano. Militares são funcionários públicos, como professores, como auditores, como cientistas, porteiros, juízes, promotores, motoristas e toda a sorte de cargos que existem para manter a estrutura básica funcionando. Reduzidos a burocratas sentados nos quarteis não servem para nada. Transformados em políticos, muito menos. Então para que eles existem? Para levar alguém para colocar cabelo na careca? Não pode ser, né? Eles existem para agir em casos graves como, por exemplo, se alguma outra nação ameaçar a “soberania” do país. Então se uma “força” não exterior, mas interior, põe uma população enorme em situação de risco e exitem milhares de funcionários públicos treinados para agir, porque manter essa energia levando políticos para implantar cabelos? Só faz sentido ter forças armadas se for para utilizar nos casos em que a lei permitir. Um professor universitário só se justifica se for alguém que vai ensinar, um médico só se for cuidar de doentes, uma faxineira se for limpar um local público, não a casa de uma pessoa.Um juiz se for julgar, um motorista público só pode existir se sua função for dirigir para uma causa pública, não pode, por exemplo, levar a esposa de alguém no cabeleireiro. Nada contra ir ao cabeleireiro ou cuidar da beleza. Ficar mais bonito faz bem, mas vai de táxi, ou de ônibus. Só tenha cuidado para que não joguem fogo no ônibus ou assaltem o motorista do táxi. Qual estado brasileiro, ou quais cidades, vão estar vivendo o horror no ano que vem? Espero que não seja o meu estado, a minha cidade, nem a de ninguém.
Fernanda Blaya Figueiró
Marginalização na adolescência 14/01/2014
O Estatuto da Criança e do Adolescente foi criado há mais de vinte anos para regulamentar os direitos e deveres da sociedade com relação as crianças e os jovens. Mas alguma coisa parece não ter funcionado muito bem, os conselhos tutelares, que deveriam ser um espaço de conciliação, de acompanhamento das famílias parece que não cumprem este objetivo. As crianças e o adolescentes acabaram se tornando alvo do crime, pela imunidade, podem cometer crimes graves sem serem punidos. Crimes que são fomentados por criminosos adultos, e isso não acontece só no Brasil. Crimes praticados por adolescentes são uma realidade em várias partes do mundo. Como reverter essa realidade? É um desafio e tanto, a educação vem perdendo o seu poder de transformação do ser humano, as religiões estão defasadas, a cultura foi massificada. Na África recentemente um shopping foi alvo de uma ação terrorista de cunho étnico e político, aqui no Brasil grupos de adolescentes tem tirado o sossego das autoridades criando confusões nas praias, com os famosos arrastões e agora nos shoppings. A tensão está aumentando muito e é hora de reagir. Os shoppings estão entrando na justiça para assegurar a segurança de seus usuários e estão certos. A Constituição assegura a liberdade de reunião e está certa. Em tempos recentes o povo brasileiro não podia se reunir livremente. Os pais e professores destes adolescentes não tem mais autoridade sobre eles. Se reunir em shoppings é um direito? Sim, mas destruir e aterrorizar não. Hoje tudo é monitorado, filmado, rastreado…. Bem e o Conselho Tutelar? Não seria fácil identificar esses jovens? Cadastrá-los e transformar a sua ação destrutiva em uma ação construtiva? Talvez até com a ajuda do shopping, de seus usuários, da mídia, dos logistas. Criar para esse público um desafio que não seja o de “querer se tornar marginal”. Quem são esses garotos, quem são seus pais, onde eles estudam e porque não vão ao shopping dentro das normas que a instituição determina? Como reverter isso sem “criminalizar”? Já o outro grupo, o de menores que estão sendo aliciados por criminosos e que foram educados em ambientes profundamente violentos e realmente marginal, para eles é preciso uma política pública de ressocialização. Um esforço maior para encontrá-los e uma ação conjunta para recuperá-los. Uma lei que pretende proteger a criança e o adolescente não pode acabar sendo usada para colocá-los na mira de quadrilhas. Vinte e tantos anos mudaram a sociedade e talvez o ECA tenha que ser amplamente discutido e talvez modificado.
Essa meninada dos shoppings só quer uma aventura, quer ter uma história para contar, mas se continuar assim serão barrados, como se fossem pessoas inferiores e isso não leva a nada, só a um conflito de classes e de etnias. Tem como pegar a onda se formando e agir antes que as coisas piorem, antes que se torne incontrolável. E repito: isso não acontece só no Brasil e com uma pequena parcela de crianças e de adolescentes. A grande parte da população tem a proteção e a educação que a lei indica, tem o acesso aos direitos fundamentais e conhece seus direitos bem como seus deveres. Logo que essas notícias circularam eu pensei os shoppings vão se tornar “clubes fechados de compras”, mas isso seria lamentável. Quanto mais discriminação entre as pessoas maior será a tensão, gerando mais conflitos. Essa população tem que ser bem-vinda aos shoppings e educada a se comportar uma vez estando lá. O estado de alerta de lojistas, de empresários, de bancários é tão grande que as vezes constrange até o consumidor comum, afasta das compras. Essa conjuntura toda faz parte do início do milênio que estamos vivendo, faz parte do sistema social, da forma como a sociedade foi sendo construída. Estamos vivendo uma nova realidade e aos poucos precisamos nos adaptar a ela. Essa geração não está perdida, nem fadada a nada, está sem limites. É uma geração que não sabe, e não quer saber, ouvir “não”. Mas vai precisar aprender a ouvir. Nós pedagogos temos nossa parcela de culpa, assim como a mídia, como os psicólogos, os pais,os assistentes sociais, o Estado. Pode correr pelos corredores do shopping e sair roubando? Não! O que acontece se alguém faz isso? Nada. Agora por decisão da justiça se alguém fizer isso será impedido de ir ao shopping. Se a regra for clara o adolescente vai saber qual é a punição que pode receber e vai poder decidir se corre ou não o risco. Quanto aos pais terão um argumento a mais para alertar e educar os filhos, para impor os limites para a ação deles no mundo. Quanto ao governo cabe, além de mediar isso com as instituições responsáveis, criar as condições reais para que esses jovens tenham oportunidades de trabalho e de levar uma vida melhor, além de criar lugares para lazer e diversão saudáveis e construtivos. Rebeldia na adolescência é uma coisa muito normal, educar um jovem adolescente é um desafio enorme.Mas não é impossível.
Fernanda Blaya Figueiró
Hora luz, hora sombra. 20/01/2014
Nós sabemos que a violência existe, nem por isso precisamos vivê-la, pelo menos não no cinema nas artes, na televisão. Tem como evitar que essa realidade dura se perpetue? Somos luz e sombra, hora luz, hora sombra. A vida é a eterna escolha entre essas duas realidades, não viemos ao mundo para sofrer, nem para sermos poupados do sofrimento, viemos para superar. Há alguns dias que não assitia a um filme no cinema, uma das coisas que mais gosto de fazer, porque não me sentia atraída pelas sinopses e pelas histórias. Hoje abri o jornal e lá estava: A grande beleza. O título não me chamou muito a atenção mas a ideia, de um passeio pelas belezas de uma grande cidade como Roma, sim. Eu teria chamado o filme de “As Belas Artes”, porque, para mim, é disso que se trata, da busca do Belo em várias linguagens. “Eu não nasci para as belezas do mundo”, ou algo similar, diz uma das muitas personagens complexas do filme. Todos nós nascemos para as belas coisas. Nenhum de nós veio a este mundo para sofrer. Ironicamente o filme mostra uma bela sala em que só as princesas tem acesso e alguns poucos eleitos. Mas a imagem mais bela “o voo dos flamingos” acontece a céu aberto, ao alcance de qualquer um. O filme também pergunta “e de nós o que vai ficar?” Tudo não passa de um truque. Estar aqui, ou não estar, ser luz ou ser sombra. Isso iniciou como um poema mas tem informação desnecessária demais então acabou assim um pensamento.
Fernanda Blaya Figueiró
Educação em pauta 22/01/2014
Este ano haverá em Porto Alegre um fórum da educação, achei uma ideia muito boa, quem trabalha na área precisa de espaços para pensar e refletir sobre a sua atuação. Em Viamão participo de um fórum permanente de cultura onde procuramos agir para melhorar a cultura na cidade especificamente. Educação e cultura sempre andam lado a lado e fazem parte da base de uma convivência social que vai determinando a ação das pessoas no mundo. Este ano não pretendo participar do Forinho, evento paralelo voltado ao público infantil, já participei de outras edições e acho que tem que haver uma rotatividade de pessoas, de ideias, basicamente de ventos novos, se não vira só uma festa anual. Ontem estava assistindo a um programa de televisão sobre o turismo na Cidade do Cabo, na África do Sul, e uma senhora, uma empresária bem-sucedida, deu um depoimento que achei muito importante, dizia ela que vinha de uma família pobre, que seu pai havia morrido quando ela era jovem, com dezoito anos, e que teve que ajudar a mãe a sustentar os irmãos. Isso deve ter acontecido a mais ou menos uns trinta anos, logo em pleno tempo do Apartheid, ela precisava de um passe para poder estar na cidade e para poder trabalhar, sem saber o que fazer começou a produzir salgados e outras comidas típicas e a vender de forma ambulante, uma história que podia ter acontecido em qualquer parte do Brasil. Mas ela disse algo que cabe bem a nossa realidade, foi algo parecido com essa frase “eu tinha a ilusão que para fazer sucesso teria que ter uma formação ( educação formal)...E eu não tive.” Isso é muito importante essa senhora construiu uma bela casa, um negócio promissor, ajudou a mãe a criar os irmãos e construiu a sua própria família, fazendo aquilo que tinha competência: cozinhar os alimentos de sua tradição cultural. Cultura, educação e desenvolvimento econômico se encontraram, sem os mitos de que só faz sucesso quem “estuda muito”. E ela continuou “se você tiver um sonho e acreditar nele tudo vai dar certo” ou uma frase parecida com essa, não gravei as palavras textuais. Estamos, neste início de milênio, vivendo uma realidade fantástica, nossos mitos e tabus estão caindo. O que é ser alfabetizado? É ter a capacidade de decodificar o código da escrita. Um aluno que não consegue entender os textos da escola, mas que consegue bater longos papos na internet com os seus iguais, jovens que tem a mesma “linguagem”, que consegue jogar, postar fotos, editar imagens está alfabetizado na sua cultura. Quem tem que correr atrás do prejuízo é a escola, que talvez esteja defasada e presa a conceitos antigos sobre o que é ser educado. Não que eu ache que todo o currículo está errado, não está pois as novas gerações tem o direito de ter acesso a todo o patrimônio cultural e de conhecimento que foi construído até hoje. Porém achar que os jovens precisam ser todos iguais em conhecimento, na minha opinião ( nem posso dizer na minha humilde opinião, pois não é uma coisa humilde talvez até seja arrogante) é um erro. Um jovem que saiba fazer uma “massa de cimento” pode ter um conhecimento tão importante quanto o jovem que sabe manipular produtos químicos num laboratório. Nós brasileiros ainda guardamos preconceitos com algumas atividades. Como se alguns trabalhos fossem coisa para “fracassados”. Isso pode destruir uma nação. Esses dias soube de uma garota filha de pais formados em direito, super bem colocados, que passou para pedagogia, levei um susto. Pensei mas essa menina vai ser pedagoga? Ela estudou nas melhores escolas de Porto Alegre e vai para uma profissão desacreditada, pouco remunerada. Logo em seguida fiquei super feliz, pois essa menina vai seguir seu sonho. Nós temos expectativas preconceituosas, não no sentido pejorativo, criamos “barreiras” e conceitos sobre o que os jovens devem fazer e sobre quem eles serão na sociedade. Se um jovem for analfabeto será um “fracassado”.Não. Seria maravilhoso que todos os jovens fossem bem alfabetizados, mas há também um futuro promissor para o jovem que acreditar em si mesmo. Todos os jovens que estudam nas melhores escolas serão médicos, advogados, cientistas... Não. Serão o que eles quiserem e sonharem ser. Que bom que temos pedagogas com uma formação básica boa. A pior coisa que pode acontecer a um jovem é um adulto olhar para ele e dizer: “ você não serve para nada”, se ele ficar bravo e reagir será como a senhora que foi fazer salgados, se ele acreditar é que será um problema grande. Só que a grande maioria não tem a força de espírito para reagir a uma sentença dessas. Então economia, bem estar social, felicidade, educação, saúde, cultura andam juntas. Como nossos alunos poderão passar pela experiência da estar na escola da melhor forma possível? Essa é, para mim, a grande questão. Com que competência eles sairão do outro lado, depois de passar dez ou vinte anos dentro do sistema escolar, de ter vinte ou mais professores, pedagogos, diretores de escola, conselheiros tutelares, psicólogos, agentes administrativos, seguranças, merendeiras... Que resultado tem toda essa energia? E no caso do aluno que não se encaixar no conteúdo programático oficial, que alternativas a sociedade vai criar para ele? O Brasil está enfrentando um dos grandes problemas do atual sistema global que é a violência. Não quis escrever aumento da violência, pois penso que a humanidade já viveu períodos de muito maior violência do que este. “Eu quero aquilo que você tem”, poderíamos estar falando de um grande imperador querendo um território de um outro povo, ou um ditador querendo a posse da cadeira de um chefe de estado, mas falamos de pessoas armadas, com armas de fogo ou com um cargo público ou privado, de todas as classes sociais, que atuam sozinhas ou em grupos organizados para, com o uso da força armada ou econômica, conseguir aquilo que querem. Esta semana ouvi uma frase “ O Brasil não precisa de mais escolas, precisa de mais presídios”... Será?
Há uma tentativa, acho que de de grupos políticos, de criar um certo descrédito sobre a gestão do país. Claro que coisa graves acontecem e precisamos pensar nelas, a principal é a corrupção em segundo a burocracia, que atravancam as coisas. Um outro problema é a falta de dados confiáveis, só para ilustrar, ouvi pela imprensa que o brasileiro é o povo mais feliz na semana passada, agora o brasileiro é o povo sexualmente mais insatisfeito. A taxa de empregabilidade cresceu, o índice de inadimplência diminuiu, o consumo caiu alarmantemente... Se formos tentar entender essas notícias parece que cada “instituto” cria suas pesquisas e não há um verdadeiro panorama do desenvolvimento social. E porque divulgar tabelas todas as semanas? Que confiabilidade estes “estudos” tem e para que servem? Isso também é "educação". Finalizando essa “milonga longa” essa semana encontrei uma moça que era diarista, inclusive adorava ser, tinha orgulho de sua profissão. Ela tem três filhos e quando teve o último tomou uma decisão: parar de trabalhar. Perguntei “Como vão as coisas?” “Vão bem.” ela responde. Está certa gastaria mais colocando os três filhos na escola ou contratando alguém para ficar com eles no turno inverso, do que ficando em casa, cuidando da educação dos próprios filhos, seu marido tem um patamar de salário que é o suficiente para a manutenção da casa. Essa é uma brasileira bem resolvida e feliz com a suas decisões, tem aproximadamente trinta anos o primeiro grau completo, está fazendo o segundo, tem uma grande formação cultural de base, é bem alfabetizada. Faz parte dos dados estatísticos de quem não está procurando emprego. Talvez esse seja o ponto que a discussão sobre educação tem que chegar, o ponto que falo no início, qual é o “produto” gerado pela energia de passar pelo sistema de educação. Além do tempo que os alunos estão na escola, estão vivendo a escola, no que a escola os ajuda na tomada de decisões no seu futuro, como ajuda na caminhada? Se a escola fosse um pouquinho melhor e isso não se trata de “ter mais dinheiro”, pois o sistema de educação é um dos mais ricos no Brasil, acho que não precisaríamos construir mais presídios.
Fernanda Blaya Figueiró
Aberta a nova temporada de protestos 24/01/2014
Haja paciência! Se eu fosse da imprensa ignoraria essa “nova onda” pois quanto mais atenção receber maior fica, a não ser que eles queiram que cresça. Tem coisas mais legais e importantes para abordar, “as coisas” que ando escrevendo vão acabar se repetindo, pois o ano parece que vai repetir o ano passado passo a passo. Mario Quinta tem um ótimo poema sobre isso “Eu nada entendo da questão social. Eu faço parte dela, simplesmente.” é um ótimo resumo da ópera. Se não vamos falar sobre política e sociedade resta só sexo e religião, dois outros assuntos bem polêmicos, além de obsessões pela comida, o ser humano tem que ter tais medidas, o ser humano não pode, ou pode fazer tais coisas, tais itens devem fazer parte da dieta, tais itens não.Que saco! Isso já esgotou também. Beleza a pessoa deve usar tal tendência, deve evitar tal cor. As novelas e a programação das agendas culturais. O esporte provavelmente será o foco da atenção. Como ser ou o que postar nas redes sociais também, acho impressionante como as pessoas estão criticando umas as outras via “posts” com frases e indiretas nas redes sociais. Uma coisa bem interessante que poderia acontecer é melhorar as atividades na internet. Esse é um assunto e tanto: como ocupar melhor o tempo em frente ao computador? Como aproveitar a ferramenta maravilhosa que é a internet? Vou tirar o ano para ser simplesmente parte da questão, uma parte “a parte”. Será um grande desafio desconectar a arte da realidade, falar definitivamente sobre uma realidade que não existe, a que existe parece está em profundo processo de deterioração e isso pode ser muito bom.
Fernanda Blaya Figueiró
“Manifestantes?” 26/01/2014
Eu não iria mais falar sobre isso, mas a força do hábito é maior, que diferença existe entre os “bandidos” que atearam fogo em um ônibus com pessoas dentro e que resultou na morte de uma menina e estes “manifestantes” que incendiaram um fusca com uma família inteira dentro? Nenhuma! Não tem nenhuma diferença, só a de que uns são tratados como bandidos outros como “políticos”. Por sorte as pessoas que estavam no interior do fusca não tiveram o mesmo fim da menina e dos outros ocupantes do ônibus. Esses “manifestantes” vão sair de agora até a copa infernizando a vida do povo comum até termos uma tragédia? Serão precisas quantas mortes para que eles parem na cadeia? Fazer manifestações políticas é uma coisa, sair queimando pessoas em automóveis ou quebrando e destruindo é outra, quanto aos vídeos que geram será que cobrem os prejuízos que causam? Por exemplo poderia ser aplicado a estes “manifestantes” a mesma forma de controle que tem sido usada para controlar torcedores violentos, em dia de jogos eles tem que comparecer a uma delegacia. Acho que os “manifestantes violentos” também poderiam ser identificados e passar as “manifestações” na delegacia, além de pagarem com a arrecadação dos vídeos os prejuízos causados pelas depredações que fazem. Claro que eles não vão poder e nem vão querer assistir aos jogos da copa. Talvez devam assistir as partidas limpando a bagunça que fizeram. Não pode ter copa para eles.
Fernanda Blaya Figueiró
“ Brasil preso a lei do eterno retorno”. 27/01/2014
Pela primeira vez, desde o início dos protestos, há uma real ameaça a democracia brasileira, agora que o tempo passou e o movimento ganhou um formato intelectual, ou seja a massa ganhou um objetivo criado por uma “elite”, o objetivo apareceu claramente em faixas e no discurso: “a privatização das empresas de transporte”. A imprensa parece anestesiada e um pouco contaminada com “a falta de eficiência do transporte em metrópoles”, ainda reafirma mas são concessões, que jogo está escondido nisso? Canais de televisão e rádio também são “concessões”, vão querer acabar com a iniciativa privada nos meios de comunicação também? O Brasil compra, vende participa ativamente da economia mundial, “estatizar” serviços seria um retrocesso e tanto. A presidente passeia em Cuba, um pedacinho pequeno do mundo que embala os sonhos dos antigos comunistas brasileiros. Tinha uma música que pode servir de metáfora: “O Haiti não é aqui, o Haiti é aqui”... “Cuba não é aqui, Cuba quer ser daqui.” O que está entrando em colapso são as metrópoles, não só o “sistema de transporte das metrópoles”. Nada é feito em termos de um “Plano Nacional de Mobilidade Urbana”. Não houve um Plano, as metrópoles foram crescendo, crescendo e hoje estão enfrentando os problemas advindos da falta de planejamento urbano. Então pare tudo: construção civil, antes de permitir novos alvarás de torres gigantescas é preciso saber: onde ficarão os carros, haverá água e luz suficiente para a nova demanda, haverá meios de transporte, coleta de resíduos, esgoto? Mas não como os alvarás envolvem um funcionalismo corrupto, nada disso é levado em conta.Vamos quem sabe rever também as concessões dos meios de comunicação, avaliar a qualidade da programação, a isenção política na geração de notícias, a possibilidade de haver monopólio dos veículos de comunicação. Uma pessoa me disse esta semana: estamos de volta a 64. Inicialmente argumentei que a conjuntura internacional é outra, que não há a ameaça do Brasil mudar para o bloco comunista, ou melhor que praticamente inexiste o “bloco comunista”.Agora ver faixas pedindo “estatização”, algo que recentemente houve com as concessões de pedágios das estradas gaúchas (ainda não sabemos no que vai dar) é preocupante. Será que os grandes do mundo vão aceitar esse passo para trás? Qual o volume de “capital” que está envolvido em comprar e vender para o Brasil? Agora vivemos numa democracia, com pluralidade de ideias, com possibilidade de pensamentos divergentes, de correntes políticas diversas, com discursos bem fundamentados. Faltam sim partidos de confiança, políticos confiáveis. Não sou contra “um grupo de pessoas querem estatizações”, sou contra as estatizações e essa é a minha opinião. Se essa ideia prevalecer e for predominante um dia: tudo bem viveremos isso. Quanto a conjuntura internacional, vem mudando radicalmente nos últimos anos. A “Zona comum do Euro” está começando a parecer uma grande e incontrolável bagunça, mas aqui só sabemos o que a imprensa nos permite saber. Repetir 64 seria uma grande bobagem, O Brasil e a América Latina só perderam com o tempo das “ditaduras” que “nuestros hermanos” também estão em uma situação bem complicada ao que tudo parece. A questão dos protestos é política, a “Copa” é só uma desculpa, não tem nada a ver, está sendo usada para manipulação da opinião pública. Preocupação com a saúde, educação, segurança, são jargões políticos, criar mais grandes monstros estatais para pendurar a “companheirada” está fora do tempo e seria um absurdo, se a iniciativa privada não dá conta da qualidade da mobilidade urbana estatizar acabaria de vez com qualquer possibilidade de crescimento das cidades e de desenvolvimento do país. Os pouco “metrôs e ônibus” teriam que durar mais uns vinte anos, até a perdida na história Cuba está abrindo o mercado para o novo só a antiga esquerda brasileira para falar em estatizações... Não percebem que são hoje o governo, só sabem atirar pedra e estão estilhaçando a própria vidraça.
Fernanda Blaya Figueiró
Uma crise de autoridade política 30/01/2014
A greve dos ônibus em Porto Alegre vai servir de termômetro para a solução do problema do reajuste da passagem nos outros estados e cidades, é público e notório que o valor da tarifa está defasado. O combustível subiu, o número de ônibus depredados subiu, o salário mínimo subiu, alguns impostos foram reduzidos, mas a conta não fecha. A lei manda que uma parte da frota circule e ontem nenhum ônibus saiu das garagens. A lei impede que empresas participem da greve e parece que até o prefeito da cidade tem dúvidas sobre se não existe um “conluio”. O medo de uma “nova onda gigantesca de protestos” parece ter paralisado a autoridade política brasileira, isso nos leva a perguntar: “ estamos diante de uma crise de autoridade?”. Porto Alegre é a primeira capital a enfrentar o problema neste ano, acho que a solução do problema aqui vai influenciar a tomada de atitudes em outras partes do país. Passe livre é uma reivindicação absurda, uma vez que o Brasil é um país capitalista, para usar um transporte é preciso pagar pela passagem, para comprar comida é preciso ter dinheiro, que normalmente se adquiri trabalhando. Nossa organização é baseada no “capital” as empresas aqui vivem porque existe um “lucro”. Estou “chovendo no molhado” mas parece que nossas crianças não sabem disso, uma coisa tão simples assim. O ter tudo de graça da internet ainda não tem como saltar as ruas e se tornar uma regra. Se não tem luz “faz um gato”, se não tem TV a cabo “faz um gato”, se não tem água “faz um gato”, se não tem dinheiro para a passagem “pula a catraca”, se não tem o tênis da moda “rouba um plaboy”. Onde isso vai terminar? Talvez com uma grande convulsão social e dai “Porto Alegre” passa a ser um problema bem maior, pois essa é a lógica de praticamente o mundo inteiro. Quando as autoridades vão enfrentar o perigo? O “suicídio político” a ferocidade de uma imprensa que não quer se comprometer e ser tachada de “reacionária”, além de ser limitada pelo politicamente correto? Acha correto um jovem queimar pessoas em um carro e acha errado um policial reagir a um “manifestante” que, em fuga, logo resistindo a prisão, ameaça um policial caído.Onde estão as imagens anteriores deste fato ocorrido em São Paulo, o que o “anjinho” fez antes de ser perseguido pela polícia, porque fugiu e não parou quando recebeu a ordem de parar? O Brasil vai precisar de líderes que tenham a coragem de enfrentar o problema e não de protelar. Senhores jornalistas quando uma autoridade policial emite uma ordem: pare! O sujeito que recebeu está ordem deve parar, ou está em fuga. Se um empresário estiver, ou uma classe de empresários, fazendo um acordo com seus empregados para forçar a elevação da tarifa através da greve, podem uns serem demitidos e os outros perderem seus contratos de concessão. Se um Juiz determinar que um terço da frota deva circular a ordem tem que ser cumprida ou o Prefeito pode se encrencar, a autoridade policial pode se encrencar, as empresas e os lideres sindicais podem se encrencar. O que não pode acontecer é o medo de um protesto trancar um país que é, pelo menos no momento, norteado pelo sistema capitalista. Uma greve como a de Porto Alegre, com mais de três dias vai ter um impacto na economia do país inteiro. As pessoas não “brincam” de trabalhar, trabalham! O transporte público existe para movimentar a economia, para fazer as cidades funcionarem, não para a gurizada andar de um lado para o outro sem pagar tarifa. Vamos ver onde essa “marolinha” vai acabar.
Fernanda Blaya Figueiró
Sou o expectador comum31/01/2014
Lembro de já ter afirmado isso, mas de tempos em tempos é bom repetir.Minhas percepções, ou seriam angústias, são as mesmas de todos os tempos, por isso são repetitivas e talvez enfadonhas. Esse será um texto longo acredito, quem não gostar pode ir embora agora. Onde fica o ponto de equilíbrio entre a livre associação entre as pessoas e o controle do Estado? Seria possível num país de longa tradição burocrática simplificar o seu modo de ser? Não sou especialista em nada, minha escrita parte da observação, do ócio, da simples e pura observação. Se hoje nossas autoridades resolverem que vão agir de forma equilibrada e justa, o povo voltaria a acreditar e entraria nos eixos? Não somos melhores nem piores do que os outros somos reedição dos tempos antigos.Eu deveria acreditar mais no “valor” do meu olhar. Somos levados a ter a convicção que esse saber advindo do ócio, da arte popular tem pouca “valia”. Sei muito pouco sobre Ezra Pound, mas o canto 45, não sei em que ano foi escrito, fala na Usura.
“...Usura oxida o cinzel
Ela enferruja o ofício e o artesão
Ela corrói o fio no tear”... pg 239
A tensão que há neste poema, parece um pouco a tensão que se ouve na voz das pessoas.
Em algum momento o poeta larga a expressão “CONTRA NATURAM”. Contra a natureza, mas presente ao longo da história da humanidade.
No canto seguinte há uma breve lista:
...“CINCO milhões de jovens sem emprego
QUATRO milhões de adultos analfabetos
15 milhoes de 'vocações desajustadas', ou seja com pequena
chance para o empregos
NOVE milhões de pessoas por ano vítimas de acidentes
industriais previsíveis
Cem mil crimes violentos”...
“,d.c.1935” pg 244
Seria possível evitar os anos de 1935 a 1945, ou é natural e cíclico? As pessoas sabem o que querem? Ou vão aumentando a tensão, aumentando até explodir? Aqui gostaria de ter um “ponto de luz” onde não houvesse nem a apologia a guerra, nem a paz permanente. O Canto LI, pg 258, repete algumas partes e esse repetir talvez seja o poeta nos dizendo olha as coisas repetem.
Não falo do Brasil, nem de um pequeno conflito, falo da tensão que parece estar se formando como uma tempestade que vai fechando o horizonte. Uma vez me disseram que eu tinha uma tendência a ver as coisas mais cinzas do que são. Acho que o equilíbrio está em saber que há dias de sol, dias nublados e dias de sol com nuvens. Que há tempestades e bonanças. Falamos em coisas boas acontecendo, coisas não tão boas, coisas ruins e muito ruins.
Usura talvez hoje seja uma outra coisa, crédito e juros, que permitem a uns e exclui a outros. Mas parece que algumas coletividades repetem antigos ciclos, se colocam numa situação complicada. Buscam a má sorte. Ou ainda caem na lábia dos que buscam desestabilizar para tirar melhor proveito.De quem vive da energia do caos.
Perdi o fôlego, esse era para ser um texto bem livre, bem solto e bem novo. Mas é velho, muito velho esse texto. Não vale a pena mesmo.
Fernanda Blaya Figueiró
Continuando - 01/02/2014
Hoje assisti a dois filmes "Lola: uma Mulher Alemã" e "A menina que roubava livros". Dois filmes esteticamente bem diferentes mas ambos situados na Alemanha no período próximo a II Guerra Mundial. O primeiro tem personagens que parece que vivem nos dias de hoje, o filme mostra a forma como um funcionário público, que se muda para uma cidade mergulhada na corrupção, vai sendo contaminado e corrompido. Há uma cena em que o empresário chefe de um esquema de corrupção troca de lugar inúmeras vezes com o prefeito, sentando em sua cadeira. O período é entre as duas guerras e toda a comunidade parece fazer parte do mesmo problema, tudo está para mudar e eles vivem normalmente sem a preocupação em como vai terminar a “negociata”. Apenas se aproveitam da corrupção. No segundo filme a guerra está começando, e também trata da vida normalmente acontecendo dentro do tempo de guerra. Em várias partes do mundo neste exato momento tem pessoas vivendo as barricadas, ou a guerra já contabilizando os mortos, deixando cicatrizes nas pessoas, destruindo o que havia, dominando pelo medo. O medo que falta no primeiro filme sobra no segundo, os personagens da sociedade corrompida não temem nada, acham que tudo está bem e que vai continuar assim, que são intocáveis. Os personagens do período da guerra temem tudo e não acreditam em nada não tem esperanças. As duas grandes guerras já produziram inúmeros trabalhos de literatura, cinema, música, teatro, dança, artes plásticas. Muitas teses e estudos já devem ter sido feitos sobre elas. Muitas mágoas e memórias ruins já foram apagadas pelo tempo.O que aprendemos com tudo isso?
Nos dias de hoje acho que não entraríamos mais num grande conflito envolvendo todos os países, mas pequenas disputas e uma guerra diferente, mesclada nas cidades, disfarçada como “violência urbana”, mas que afeta a todos. Estamos “perambulando” pelo mundo, em constante movimento, indo de um país para o outro, de um continente para o outro, voltando a origem, modificando a paisagem nesse “andarilhar”. A guerra exatamente como já aconteceu dificilmente retornará, mas os eventos que foram corrompendo as relações entre as pessoas, pois ai que o problema começa, e que depois vai ganhando uma maior importância, são os mesmos: intolerância partidária, ódio por uma pessoa ser de um grupo ético, ou de um credo religioso, corrupção, desvalorização ou super valorização de um segmento ou classe social, desvalorização da vida, banalização da morte, excesso ou ausência de autoridade, e o dinheiro... A pergunta que fica é tem como segurar esse “trem”, modificar as ações? Evitar que pequenos conflitos virem grandes problemas.
Fernanda Blaya Figueiró
Uma pá de cal. 06/02/2014
Roubaram.Foram julgados. Foram presos.Estão pagando a multa devida e cumprindo a pena.O Brasil, para avançar, precisa jogar uma pá de cal nesta história do Mensalão. A única coisa que ainda está aberta é a fuga de um deles, que está já localizado e identificado. Esta novela está começando, se será deportado, se será preso, se perderá bens e se devolverá o dinheiro interessa a todo mundo. Antigamente os corruptos e criminosos de outros países, pelo menos no cinema, sempre acabavam fugindo para o Brasil, usufruindo do fruto de seus crimes em belas praias e na maior impunidade do mundo. Agora a realidade inverte isso, que bom, teremos muito assunto para tratar. Há uma enorme corrupção no Brasil, sim. Como no resto do mundo. Com o Mensalão os crimes contra o dinheiro do povo vão diminuir? Provavelmente sim, mas não vão acabar, porque a sociedade está organizada de uma forma que deixa uma margem grande para que a corrupção aconteça. Com a maior fiscalização e com o risco aumentado com o tempo se corromper e corromper ao outro não será rentável, o risco será muito grande. Vão inventar novas formas de burlar a lei? Sim. E novas formas de combate terão que se adaptar ao jogo. Agora é o tempo de voltar a acreditar nas instituições. Porque o Mensalão incomodou tanto? Porque as pessoas acreditavam que o partido dos trabalhadores era um partido diferente, as pessoas estavam embevecidas com a pluralidade partidária, acreditavam nas ideologias, queriam um governo de “esquerda” e não de “centro esquerda”. Sonhavam com uma democracia idealizada, utópica. Uma vez escrevi um poema que depois perdi, ou eliminei, não lembro, dizia mais ou menos: “ agora o PT é uma estrela... Cravada nas costas do povo”. Era uma alusão ao poema de Elis Regina e ao sentimento de traição que os escândalos deixaram. Esse para mim foi na época o sentimento: 'Vocês não foram colocados aí para isso.” Votei no Lula até a primeira eleição, acho que só no segundo turno, depois não votei mais. Agora é a hora do país se repensar, de surgirem lideranças novas e um novo eleitor. As coisas não vão mudar magicamente no Brasil e nem em lugar nenhum. Há um jogo político amplo e além fronteiras muito maior do que a capacidade de tomada de decisão de líderes nacionais. Há um mercado e um poderio transversal que já ultrapassa a autoridade local, o mundo já mudou. As pessoas vão ficar um pouco chateadas com a minha colocação, mas por exemplo, eu acho que Mandela foi libertado porque estava na hora, muito mais do que pelo protesto das pessoas ou pela sua figura. Um momento histórico estava acabando e outro reiniciando. Ou o Muro de Berlim, outro momento marcante de mudança, acabou porque surgiram as condições para isso. A luta e a resistência das pessoas foi importante, mas não foi pesada o suficiente para a virada. No ano passado uma blogueira cubana esteve no Brasil e foi quase que impedida de expressar a sua visão sobre seu país, agora uma médica diz estar se sentindo enganada e temendo voltar para casa e ser punida pela sua decisão de não mais fazer o jogo no qual estava inserida. Não era a realidade que ela encontrou aqui a ilusão que tinha quando deixou o seu país. Eu vivo insistindo que o Brasil está atrasado no mínimo vinte anos com relação aos outros países, talvez os países do terceiro mundo estejam. Outros países e cidades já enfrentaram e enfrentam os problemas que nós temos, como a violência urbana, o excesso de uso de drogas, os congestionamentos e a possibilidade de desabastecimento, de falhas em serviços essenciais, como fornecimento de luz, de água potável, de alimentos. A própria questão da propriedade da Terra é um problema enorme. A questão indígena é um grande problema, ouvi estes dias que uma comunidade inteira estava prestes a perder a sua terra porque um laudo antropológico dizia que os índios tinham o hábito de “andarilhar”, a humanidade inteira sempre “andarilhou”. Então uma enorme faixa de terra produtiva será entregue aos índios e as “ONGs” estrangeiras, para que os índios andarilhem e famílias inteiras serão jogadas em favelas, com uma mão na frente e outra atrás. Essas famílias não são objeto de estudo da antropologia? Não são seres humanos organizados e que também tem o seu direito de “não andarilhar” e sim o de se fixar na terra que compraram ou que foram incentivados a “ocupar”.Eles, antropologicamente, são um grupo que acreditar na propriedade. Para mim o maior impasse que temos que enfrentar é o de termos uma legislação farta, talvez bem construída, mas mal executada. Não só pelo poder executivo, mas pela sociedade como um todo. Leis, planos, normas, protocolos, nada é bem conhecido e cumprido. E talvez esse emaranhado de coisas acabe facilitando a sensação de que não faz mal dar uma “burladinha na lei”, que no fim não dá em nada. Neste sentido há inúmeros jargões e ditados; “ só ladrão de galinhas é que vai em cana”, “cadeia é para pobre”... O país acompanhar a prisão dos “mensaleiros” foi muito bom, saber que a “corda está encurtando” também. A realidade pode estar mudando, se para melhor ou para pior vamos ter que descobrir. Se por intermédio de um movimento interno ou externo também só descobriremos com o tempo. Nossas pequenas atitudes e nosso poder de decisão vai pesar? Acho que muito pouco, mas alguma coisa vai acontecer, acredito que se “usarmos a força do pensamento” de forma positiva o Universo irá moldar a nossa realidade de uma forma melhor, se mantivermos o nossos olhos abertos e ouvirmos mesmo as hipóteses mais absurdas com capacidade crítica e menos paixão, a tendência será a de termos menos ilusões e logo menos desilusões. As pessoas ao se desiludiram com o mensalão se desiludiram consigo mesmas, agora espiam a sua culpa dividindo o fardo. Uns negam que foi feita a justiça, acham que foi feita uma perseguição, já que era assim antes, outros acham que a pena foi branda. Mas o Brasil de hoje, mesmo com todas as suas dificuldades, na minha opinião, é muito melhor do que antes. Mesmo com a violência, os engarrafamentos, a corrupção, a baixa escolaridade de grande parte da população, as dificuldades com o manejo da terra, há mais esperança agora do que antes. Muita coisa ainda precisa melhorar, a propaganda do governo é falsa, tanto quanto a propaganda da oposição, a verdade fica num meio termo. E há interesses estrangeiros em manter o país “dependente” de alguma forma. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Precisamos ver de forma mais clara a nós mesmos e aos outros países.
Ficou um texto meio “torto” mas publico igual.
Fernanda Blaya Figueiró
Protestos ou "ação terrorista". 08/02/2014
Estou temporariamente sem meu computador, que foi para o conserto,é uma sensação bem estranha e meio "doida" porque parece que ficarei "desligada" por um tempo. Estou usando o computador da minha filha, mas não é a mesma coisa. Isso me fez perceber que a possibilidade de ficar sem o computador é bem angustiante. Mas ao mesmo tempo bem libertadora. O Brasil agora está super preocupado com a violência que atingiu um cinegrafista, no Rio, a tempos que os protestos ganharam uma conotação diferente, um incentivo a violência, pela violência. Ainda não está claro de onde partiu esta onda de ataques e a tentativa de desestabilizar o país, que na minha opinião, é forjada fora daqui. A Rússia ontem deu um show de beleza na abertura dos jogos olímpicos de inverno. Mostrou as inúmeras transformações que passou ao longo da história, a importância da arte, do sonho, das ideias. Erros e acertos. Aqui no Brasil um policial federal , durante uma manifestação, disse que a Polícia Federal não tem recursos, nem financeiros nem humanos, para fazer o trabalho de segurança para a Copa do Mundo, achei maravilhosa essa declaração, ele continuou dizendo que o Exército vai ter que ajudar. Faltam cinco meses para o evento e alguém teve a coragem de dizer o que ninguém quer ouvir, os protestos que ainda estão acontecendo estão fora de controle e parecem mais uma ação voluntária, planejada e com claras intenções políticas. Uma ação que mais se aproxima do "terrorismo" do que de uma reinvindicação política e social. Estão usando a atenção que a "Copa do Mundo" trouxe para o país como uma arma para dar a impressão de que a sociedade está pior do que realmente está. Para mim isso tem a ver com uma tentativa de manter o país sub-desenvolvido e menos "poderoso". A semana passada assiti a um filme chileno "Glória" que mostra como a mesma sensação que estamos vivendo aqui se reproduz lá. Os personagens do filme em determinado momento dizem que tudo o que foi construído no país parece que está sendo agora destruído. Hoje assisti a um antigo filme "o leão de sete cabeças", fala sobre a ilusão de uma luta pela independência na África, a manipulação do desejo do povo. Agora que um cinegrafista foi atingido e que a realidade da violência está ficando mais clara, as coisas podem mudar. Nossa população está sendo incitada a "revolta", está sendo manipulada para criar uma situação caótica. Imagens de um país destruído, a Síria, chocam esta manhã quente de sábado. Não é isso o que o povo quer. É só o direito de se expressar, o combate a corrupção e o uso correto do dinheiro público. No ano passado eu falei em uma reunião do "Conselho Municipal de Cultura" que na minha opinião o Estado não é Pai( provedor do sustento dos artistas) e um senhor me disse "Mas também não é filho "( sustentado pelo pai). Essa parece ser uma discussão boba, com termos populares, mas no fundo o que estamos buscando é uma melhor definição e eficiência sobre o papel do Estado e o do Cidadão, o que compete a um e o que compete ao outro( não tem ponto de interrogaçaõ neste teclado). fiquei apavorada com a imagem da semana passada em que um fusca é queimado com pessoas dentro. Passou batido, ganhou pouca importância, eram pessoas comuns. Espero do fundo do coração que o cinegrafista sobreviva e que os responsáveis pela tentativa de assassiná-lo sejam presos, julgados, cumpram pena, tudo dentro do que a lei estabelece. O Brasil não quer viver novos períodos de escuridão e de medo. Não quer conviver com novos "desaparecimentos", com censura, com exílio. Tem uma antiga canção do Gonzaguinha que diz mais ou menos isso "Eu preciso ter consciência do que represento neste exato momento". Falando em relações interpessoais. Mas serve também para a nossa relação com o Estado, e a tomada de consciência tem que ser bilateral. O que cada um de nós faz, pensa, e representa neste exato momento. É preciso tomar um choque de realidade logo para não se dar conta de que foi usado quando já for tarde de mais. Que os governantes tenham a sensibilidade de saber que neste momento representam a possibilidade do país se tornar melhor. Que a copa pode dar ao povo a sensação de que somos capazes, de que nossa arte, nosso pensamento, nossa sociedade é tão boa como as de primeiro mundo. Elevar a auto estima da população, o Brasil tem problemas, sim muitos. Mas são problemas universais, enfrentados por todos os países. É possível reverter os problemas sem recorrer a violência.
Fernanda Blaya Figueiró
Patético! 09/02/2014
Se entregou voluntariamente um dos rapazes que participou do ataque ao cinegrafista Santiago durante manifestações no Rio. Sua entrevista foi simplesmente patética, estava lá por acaso, não participou, não conhecia o outro rapaz, parecia um seminarista comportado que brigou com o diretor da escola. E o mais impressionante não falou em momento algum sobre os motivos de sua adesão ao movimento. Não há nem terrorismo, nem ação política, só um bando de jovens baderneiros que não tem a menor noção do que estão fazendo. Claro que estão sendo incentivados e manipulados por alguém que sabe exatamente o que quer, tumulto e notícia. A semelhança de discurso entre o jovem e os torcedores do Corintians que mataram um jovem com um "sinalizador" é assustadora: não tinham a intenção de machucar ninguém, estava no conflito "na boa", está arrependido e assustado com a repercussão do fato. Mães e pais brasileiros acordem e orientem seus filhos para não se envolverem com essa "palhaçada". O jovem que tem vinte e tantos anos, logo já deveria saber responder por seus atos, agora vai cair na realidade. Estão a meses destruíndo coisas, soltando bombas na polícia, ateando fogo em objetos, destruíndo o patrimônio público e privado, criando caos e conflitos "tipo de boa". E o outro rapaz, que foi baleado no conflito anterior, o que aconteceu com ele, saiu de cena... A polícia não vai apreender o computador desse jovem e investigar as suas conexões, o Brasil precisa saber o que de fato está gerando os conflitos e quem está oculto manipulando essa "gurizada medonha". Não só o Brasil, mas como o resto do mundo, pois o que acontece aqui também acaba acontecendo em outros países.Qual é a ideologia que está camuflada nessa onda de protestos... Não tem mais "brincadeira" de protestar. Quem está "pagando o pato" é o povo pobre que precisa do ônibus e que está, no caso de Porto Alegre, sem transporte há quase duas semanas e pagando quase o dobro do valor da passagem por um transporte irregular, perigoso e de péssima qualidade. Não venham querer estragar o Brasil. E o país que vai receber a copa depois de nós sabe a encrenca que vai estar puxando para si... O rapaz que deu a entrevista e que participou do conflito agora será co-autor de uma tentativa de homicídio, mas parece não ter conteúdo político nenhum, estava só "zoando" como quem vai a uma festa. Talvez nunca tenha usado um ônibus. Tem mesmo que estar assustado e com medo, imaginem a angústia de seus pais e amigos. Provavelmente vai acabar na cadeia. Um estudante, trabalhador que "ferrou" com a própria vida, da mesma forma que alguns jovens que se envolvem com drogas, crimes e outros problemas.
Fernanda Blaya Figueiró
Que vergonha!! "Protestos" terminaram em homicídio. 10/02/2014
O Brasil deveria estar de Luto, não só pelo Cinegrafista Santiago, mas pela democracia. Termina mal, muito mal essa "onda de protestos", sua morte pesa sobre a sociedade brasileira. Nos Estados Unidos o "terrorista" que soltou uma bomba durante uma corrida pode pegar Pena de Morte. Aqui a onda de violência que foi tomando conta das "manifestações" acabou fora de controle. Há um movimento, organizado o suficiente para ter como contratar "advogados criminalistas", há um comando, que ao que tudo indica queria influenciar o depoimento do jovem que foi preso. Então há muitos responsáveis pela morte do cinegrafista, não só o rapaz que passou o artefato e o que acendeu e jogou, mas toda a cúpula do movimento. Que parece estar vinculado a siglas partidárias, o que seria de extrema gravidade. A "manifestante" Sininho, que pelo jeito é porta voz de uma organização, talvez tenha que deixar a "Terra do Nunca" e se tornar adulta o suficiente para responder com que verba estão comprando bombas, máscaras para evitar as bombas de efeito moral, panfletear e "fazer a cabeça" dos jovens. Quais são os reais objetivos dessa baderna? Onde estão as últimas imagens da câmera que ele trazia consigo ao ser atacado? Todos os manifestantes que estiveram na praça armados são de uma forma ou outra responsáveis pelo resultado, pois qualquer um teria feito o mesmo: teria lançado "torpedos" na multidão e na polícia, como vem fazendo há meses. Foram preparados para ferir e infelizmente matar. É profundamente lamentável que as coisas tenham tomado este rumo, a sociedade não concorda com isso, pelo menos uma grande parte da sociedade. Isso não é exercício da cidadania é incitação ao crime e pelo que transparece, uma incitação a violência pela violência. Se a política partidária estiver envolvida então a coisa fica mais feia e mais desonrosa, criar tumulto com fins de angariar votos e desestabilizar os governos seria uma catástrofe. Se incentivado por organismos exteriores seria pior. Então estamos num momento grave e que não permite a "brincadeira". Cada mãe, cada pai, cada professor que incitou os grupos a se tornarem violentos deve agora refletir. Podia ser o seu filho atingido ou poderia ser o seu filho o agressor.
Fernanda Blaya Figueiró
Ligando pontinhos-15/02/2014
As vezes parece que as pessoas não estabelecem relação entre as coisas. O medo da volta de "opressão" do tempo da ditadura miliar está criando na nossa sociedade uma perniciosidade. Quando ônibus estão sendo queimados para intimidar a ação do Estado, colocando a vida de pessoas em risco, assim como o patrimônio das empresas e o funcionamento das cidades podemos sim falar que existe uma ação terrorista, pois é uma ação que, através do medo, impõe um cerceamento da liberdade. Grupos que, a mando de presidiários ou de traficantes, matam e ferem, destroem e queimam estão impondo a sua vontade a força e com base no terror que geram nas comunidades. Ninguém fala, ninguém denuncia, ninguém reage, por medo. Calam as comunidades para se livrar da ação da polícia, que muitas vezes está mesmo errada.
Já as "manifestações" trouxeram a tona um grande problema: a política no Brasil ainda faz uso do "coronelismo". Contratar mercenários, capangas,cangaceiros, pau-mandados, milicianos ou seja lá como se denominam estes "manifestantes remunerados" ou "cabos eleitorais de aluguel" é uma prática antiga e antidemocrática. Ouvi na televisão que o cinegrafista Santiago foi a primeira vítima fatal dos protestos. Meu Deus! No ano passado a polícia invadiu uma favela com o "caveirão" e matou vários "manifestantes", parece também que no ano passado uma pessoa caiu de um viaduto no meio de um tumulto. Então ele foi o primeiro jornalista vítima fatal, não o primeiro brasileiro, que os outros também eram cidadãos. Como reverter isso sem cair no totalitarismo? Esse parece ser o desafio maior. A impressão que fica é de que os jovens estão agindo impulsivamente remunerados ou não e "dopados" por um sentimento de revolta.
Quais são os "interesses" como diria o velho Leonel Brizola ocultos nesta onda de protestos? A política brasileira está contaminada pelos "interesses". Não seria a grande reserva de petróleo que está no famoso pré-sal o motivo deste olhar das "forças malévolas do Mundo" para cá? Não que eu acredite que haja uma ou outra nação por trás destes movimentos ou um ou outro grupo, mas uma energia gananciosa, que quer desestabilizar o país para tomar conta do nosso petróleo. A imagem que me vem é a do personagem do "Senhor dos anéis" , um ser destruído pela ganancia, "Me precioso", atraído pela força maligna de um objeto desejado por todos. Devemos ligar pontinhos entre as notícias, protestos, protestos da população pobre, rolezinhos, milicias fazendo "justiça com as próprias mãos", corrupção desenfreada... Tudo isso faz parte de uma só paisagem. Os atores de sessenta e quatro estão ofendidos com as comparações que os dois períodos históricos que surgiram no imaginário da população comum, pois se acham mais importantes do que os atuais atores. Mas me pergunto será que na época eles sabiam o que estavam vivendo ou foi no exílio que construíram os pilares de sua ação, que deram sentido e "contaram uma história"? É só uma hipótese, não é uma denúncia. Esses rapazes, que tem mais de dezoito anos, logo perfeitamente cientes das consequências de seus atos, será que se sabiam "mercenários" ou agora estão construindo uma retórica sobre sua atuação? Quem está dando a eles a explicação sobre quem são e sobre o que representam?
Voltando a ideia de ligar pontinhos, será que a educação no Brasil é de fato tão ruim? E a saúde? Porque o foco fica só no que está errado e na parte "ruim da sociedade? Não seriam os "interesses"? Quem e porque quer nos convencer de que tudo está perdido?
Nós poetas somos mais abertos a perceber "as energias" do mundo, a sentir as alegrias e as tristezas do mundo. É quase um estado comum a todos os poetas sentir as dores e os prazeres do mundo. Tudo o que afeta uma comunidade afeta a seus integrantes. Quando as energias do mundo estão desequilibradas parece que algo muito ruim está para acontecer, uma sombra oculta o sol e o lado escuro da humanidade aparece com toda a sua força e essa força precisa ser combatida com fé e esperança. De tempos em tempos nos enfrentamos com a fragilidade de nossa passagem pelo mundo e do próprio mundo que habitamos. Essa fragilidade da sociedade afeta a crença das pessoas e abre espaço para a ação do "grande mal". Cria argumentos para que o cidadão comum queira se torar um "justiceiro". Que pessoas boas aceitem que não há remédio senão o cidadão comum atacar a bandidagem. Esse é um sentimento terrível, pois ele abre as portas para que as pessoas aceitem o inaceitável e então a Guerra se apresenta e as pessoas pensam: se não há outra coisa, que ela venha! Então cheios de um sentimento de que é preciso viver esta realidade as pessoas marcham para um longo período de degredo. Não podemos nos deixar levar pelos "interesses" escusos que nos querem convencer há aceitar uma guerra eminente e necessária. Não! Não é necessária! As coisas não estão tão feias. Nossas crianças sabem muitas coisas importantes e tem um conhecimento que é só seu, que talvez não seja mensurável nos padrões que querem impor ao mundo todo. Sabem cantar, sambar, sabem fazer quadradinho de oito, sabem sobreviver em condições que muita gente não sobreviveria. São felizes com um dia de sol para bater uma bolinha no campinho, ou uma volta na praia. Não precisam de quadras luxuosas para serem bons. Sabem construir e sorrir e gostam da vida. Alguns caem sim na desgraça, mas no mundo todo tem uma parcela de seres humanos que cai. Talvez isso seja só uma parte da humanidade como outra qualquer, uma parte da natureza do ser humano. Tem um "valor" que não é mensurável na nossa sociedade, deixem de medir o mundo por tabelas e passem a ver o dia-a-dia das comunidades para compreender que ninguém aqui quer tristeza. O povo quer alegria e coisas boas. Uma vez contei histórias numa aldeia indígena na Lomba do Pinheiro e o professor disse que "Nós(índios guaranis) não queremos tristeza!" . O Brasil tem como acomodar o desejo e a insatisfação de índios e não índios, com facilidade, o que talvez esteja atrapalhando o diálogo são os "interesses". Alguém que manipula o desejo das pessoas e cria uma retórica para satisfazer a sua necessidade e obter "Meu precioso".
Fernanda Blaya Figueiró
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