Minha amada matilha foi cruel mas não tanto.

Minha amada matilha foi cruel mas não tanto. Pensei em não escrever sobre isso,mas o assunto se impõs,minha matilha matou uma mamãe gambá, é a segunda nos últimos meses, ou dentro do mesmo mês. Acordei 6h e pouco, com o 'furdunço', o vento e chuva com granizo de ontem derrubaram um 'penico' infantil e a matilha claro que destruiu, pensei, foi isso. Mas um dos cães continuava angustiado e chato, então fui dar comida e no canil estáva a morte, com todo o seu impacto dramático. E os filhotinhos agonizando, gambás são marsupiais, o que fazer? Já tentei em outros momentos salvar as crias, mas é muito difícil, ainda mais que eram muito pequenos, então deixei a natureza seguir seu curso. O Tand enlouqueceu, pegou um por um dos filhotes vivos, só os ainda vivos e largou no tapete da sala e latia afastando os outros cães, nenhum agrediu as pequenas vidinhas, eu avisei a ele que não adiantaria e para acalmá-lo enrrolei os filhotes e levei para o mato, sei que não vão sobreviver; que como são da APP da frente da minha casa, estão em superpopulação.Não há predadores, os gatos sumiram, só tem dois, então o equilíbrio se foi, há muitos gambás e poucas tocas e comida. O vilão foi o Salsão, suculento e cheiroso na pequena horta, nunca consigo ter horta aqui, porque as formigas, os passarinhos e os gambás ficam tentados a entrar no pátio e acabam com as verduras. Há bons supermercados perto e ter horta é só um passa tempo. A matilha está envergonhada, pelos cantos, quietos em luto, sabem que é delito grave agredir filhotes, sabem que erraram, não entendi como a mamãe gambá estava presa no canil fechado, talvez tenha sido agredida perto da horta e tenha conseguido fujir, mas tombou no caminho. Estas são coisas da 'Mãe Natureza', interferir ou não interferir? Como toda pessoa de origem judaico cristã sinto uma enorme culpa por ter chegado tarde, podia ter salva a mamãe gambá e assim os filhotes, mas fui lenta. Como pessoa com parte da origem pagã e meio bruxa, acho natural e espero que a natureza recicle e use essa energia. Se fosse pessoa prática, não sou, acharia uma grande perda de tempo esse textinho, quem pensaria na morte de um gambá? Porque escrever sobre isso? Então vocês preferiam falar sobre o que? Os horrores dos Talibãns,as constantes brigas das bolhas políticas no Brasil, da violência urbana diária que cresce e cada dia parece pior, dos vulcões e possibilidades de tissunamis? Da fofoca política cansativa e desgastante... Então a matilha volta a ser bom assunto. Deve sim ter muitas boas coisas sobre as quais escrever, mas não encontro. Fernanda Blaya Figueiró

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