Auxílio.

Auxílio. O Brasil está saíndo da crise Covid 19, os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário trocaram farpas, mas estão em 'harmonia', então as benditas reformas vão acontecer e o esperado crescimento econômico também. Uma enorme parcela da população brasileira está fora do mercado formal, é preciso urgentemente uma forma de equalizar essa demanda toda, o auxílio emergencial movimentou a economia, agora não pode ser mantido porque não há recursos, já havia o projeto Bolsa Família que atingia uma parte desta população. O desafio agora é como ter um tipo de auxílio financeiro que chegue a quem realmente precisa, pois parte da classe média aproveitou indevidamente o programa de assistência que seria para os mais pobres, sem que a assistência acomode a população e faça com que dependa do Estado. Então já tinhamos o Bolsa família que veio de outros programas, mas que não chegava a muitas pessoas, agora precisamos de um novo programa, um auxílio não emergencial mas que leve a emancipação financeira. Uma vez, há muitos e muitos anos escrevi um texto em que dizia que "O Brasil é como ter o motor de uma Ferrari instalado num fusca" ou algo parecido, ou seja temos tudo para ser um excelente país mas não conseguimos desenvolver todo o potencial financeiro. Grande parte da população não tem educação mínima, vive em casebres sem saneamento básico, sem transporte acessível, sem saúde de qualidade e sem condições de ser empregada, o que fazer sobre isso? Nessa nova fase do nosso desenvolvimento precisamos olhar para essa gente, quem são, o que são capazes de fazer, como gerar renda suficiente para ser distribuída? Essa parcela da população precisa um dia andar sozinha, muitos 'mentem' sobre suas situações para atingir as exigências para receber auxílio, algumas aberrações aconteceram, como o uso da verba para o mercado de drogas, ou para quem não precisava, mas se de alguma forma o Estado conseguir manter o auxílio com alguma forma de contrapartida da população, que seria a diminuição da violência urbana, a qualificação da população com cursos para volta ao mercado de trabalho formal ou mesmo informa. Organizar a iniciativa informal com registro, pagamento de impostos, previdência, para que o sistema possa prover o auxílio por tempo indeterminado até que as famílias voltem a ter autosustentabilidade. Se o país produzir mais, comprar e vender mais, movimentar corretamente a economia pode gerar a renda necessária para auxiliar essa população até o ponto de que não necessite mais. Não é possível que no "celeiro do mundo" tenham famílias passando fome, nem tem porque nesse enorme território as pessoas viverem amontoadas em favelas violentíssimas, em que num caso terrível, um menino viveu meses dentro de um barril, sendo privado de alimentos por um pai e uma madrastas maus, que tinham tudo do bom e do melhor e para o menino não davam nada, estavam matando ele aos poucos ,na míngua, por pura maldade com tudo a sua disposição. Esse caso horrível mostra o que pode estar acontecendo em outros lugares e como não nos envolvemos com as coisas, a ponto de deixar chegar a essa quantidade de gente sem quase nada. A miséria no Brasil é incompatível com as possibilidades do país, tem lugar, energia e matéria prima para que todos saíam da estagnação e voltem a produzir, que possam planejar suas famílias e auto sustento. O que, como, com que recursos, com que fomento, agora os Três Poderes vão resolver, existem para isso, para organizar, planejar a sociedade e mediar os conflitos. A população vai fazer sua parte,buscando as oportunidades, uma parte infelizmente é tão desprovida de tudo que será tutelada até o fim da vida, então é preciso levar os jovens dessa população para o trabalho, achando vagas para suas habilidades. Ter o fim da desigualdade ou a diminuição entre as classes passa por entender quem é o povo brasileiro, no que pode contribuir para o crescimento e como modificar o Estado para ter a verba para auxiliar os pobres e eradicar a miséria. Se nos tornarmos muito produtivos e eliminarmos o câncer da corrupção, do funcionalismo disfuncional, do empreendedorismo de ocasião,em que o empreendedor só pensa no seu sucesso e não na empresa e nos colaboradores, podemos um dia ter um país melho. Não um Império por que impérios são degradantes, mas um bom lugar para viver e criar os filhos. Eleições são um assunto para o segundo semestre de 2022, antes é só para criar crise e alimentar jornalismo de quinta categoria. Tem coisas boas para pensar, tem a alongada crise covid e seus desdobramentos, vão surgir coisas ao longo do ano, vai ser difícil chegar a um novo patamar de desenvolvimento, mas aos poucos é possível. Fernanda Blaya Figueiró

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