Consumo não é o vilão.

Consumo não é o vilão.

Esta é uma época marcada pelo consumo de presentes de Natal e de muitas alegrias e frustrações, o consumo em si não é uma coisa ruim o excesso sim. Como em tudo o que falta é equilíbrio e sistemas que evitem o acúmulo excessivo de qualquer coisa. Quando fechamos o foco num  determinado ponto perdemos a visão geral, estou refletindo sobre a fala do Papa pois ela está repercutindo na imprensa aqui no Brasil. Ele disse mais ou menos que não é preciso acumular e sim partilhar, é parcialmente verdade isso, pois o consumo gera empregos, logo renda, PIB, impostos... O excesso de consumo gera doença como todos os excessos, sujeira é ruim, mas aversão a ela pode levar a transtornos, magreza é bom, o excesso dela gera doença, o mesmo para gordura, para sexo, para consumo, até para oração. Orar é bom, mas orar obsessivamente é ruim, confiar em Deus é bom, confiar cegamente que Deus resolverá tudo em sua vida é ruim. Partilhar é bom, partilhar tudo é ruim. Tentar se manter jovem é bom, negar o envelhecimento faz mal. Caridade é bom, caridade excessiva vicia o caridoso e o carente. Nossa sociedade tem que ir mudando os seus valores e formas de ralação com o capital, com o consumo e com a vida. Liberdade, tristeza e felicidade também precisam andar em equilíbrio. Mas, você vai perguntar como limitar a felicidade e a liberdade, isso é ridículo, não é, a minha liberdade vai até onde se sobrepõe a do outro, a minha felicidade não é permanente, ela oscila, com dias ruins, com obstáculos, com desafios, mas volta. É preciso consumir e acumular o suficiente para partilhar, então consumir em parte, partilhar em parte e pagar as taxas e impostos para a real distribuição da renda, para que essa renda, essa energia circule e gere a igualdade de condições.
Muitas foram as tentativas de igualar artificialmente as pessoas, não funciona, nossa sociedade é complexa, idólatra e hierárquica, basta ver como os grandes em qualquer assunto são respeitados e admirados.
Não estou criticando o Papa, ele deve ter medido suas palavras e talvez seja a hora de falar sobre isso, ele com sua autoridade e cientistas, economistas, políticos com a deles.
A pergunta que levanta é muito boa: o que está gerando a distância abismal entre as pessoas? É o acúmulo excessivo de bens e renda, a falta de partilha? Tem como mudar isso individualmente, já que ele fala a cada pessoa, não aos estados e corporações. Se a comunidade decidir modificar essa realidade consegue? Onde fica a saúde financeira entre consumir, partilhar e guardar?

Fernanda Blaya Figueiró

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