Trabalho Escravo não é piada de mal gosto
A Ministra dos Direitos Humanos, por seus procuradores, dizer mais ou menos que receber R$ 30.000,00
por mês é exercer trabalho escravo é um absurdo, triste, muito triste com quem
realmente trabalha sem receber nada. Ela não é obrigada a ser Ministra, nem a
receber a aposentadoria, pode, se quiser, largar tudo e voltar a ativa em outra
função, pode ir embora do Brasil, pode ficar se quiser, pode escrever livros,
dar palestras para complementar sua precária renda( isso é uma piada, por favor,
um salário desses é um luxo no Brasil), não deveria por numa petição de
solicitação de acúmulo de salários, que excede ao teto do funcionalismo, uma “bravata”
dessas...
Trabalho escravo é aquele em que o sujeito por dívida ou por
prisão é obrigado a servir a outro, pela força das armas, com ameaça a sua vida
ou de familiares, ou por falta de alternativa. Trabalhadores em regime de escravidão
moderna vendem o próprio corpo, sua energia para sair da miserabilidade, para sobreviver.
A nossa sociedade está perdendo os parâmetros mínimos de
entendimento... Trabalho escravo é algo hediondo, horrível, as pessoas eram acorrentadas,
espancadas, humilhadas, eram produtos, no passado, perdiam a dignidade, hoje
são obrigadas a exaustivas horas de trabalho em fábricas por serem
descartáveis, paupérrimas, por pertencerem a Estados Totalitários ou a gangs e
máfias, em troca de comida e abrigo...
Escravidão faz lembrar dor, medo, opressão, massacre,
morte... Não é possível que este argumento, que já foi retirado de pauta,
seja aceito. Não pode, num país em crise com milhões de desempregados, uma
assombrosa dívida da previdência uma autoridade brincar assim, com um tema tão
sério, já havia o Ministro Gilmar Mendes cometido uma gafe nesse sentido.
Acho que estamos em nosso Inferno Astral, nada mais horrível
pode acontecer...Assim espero.
Não quer trabalhar sem receber acumulado, está se sentindo
explorada, renuncie e fique em casa com sua aposentadoria. Faça como todo mundo
gaste menos do que ganha que as finanças se acomodam.
Os escravos dos tempos antigos devem estar bastante indignados
neste dia dos mortos...
Se eles pudessem ser ouvidos nos diriam para valorizar a
liberdade que ainda temos... Não existem os limites que nos colocamos, somos
livres mais do que nunca, grande parte da humanidade nesse momento não pode
sair de onde está, porque há armas apontadas para si, não pode comer porque não
há o que comer, não pode partir porque não há para onde partir... Muitos
virarão a noite do dia dos mortos rompendo a barreira da lei para poder levar
um pão, um copo de leite para casa... Alguns amanhecerão entre grades, virando
mão de obra escrava para o tráfico de drogas, traficarão para permanecer vivos,
para pagar o tributo da cadeia... Alguns vão nesse dia encontrar a morte porque
alguém ficou sem nada... A maldade é semeada entre as pessoas e cresce na
desigualdade e na pressão da sociedade.
Alguns seres humanos são essencialmente bons e outros maus, mas todos
tem dentro de si força e fraqueza, somos livres, mas não todos. Gerar um emprego dentro do que a lei ordena
não é escravizar alguém, é dar a ele a oportunidade de seu sustento, essa
leviandade com alguns termos está nos estraçalhando como comunidade. Afinal o que é ser um escravo moderno?
Fernanda Blaya Figueiró
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