Pardalzinho Manuel Bandeira
Esta semana meus cachorros mataram cinco filhotes de passarinhos, odeio isso. Odeio! Quando eu era pequena fui alfabetizada ainda na pré escola, no Colégio João Neves da Fontoura. Tia Regina era minha professora, mãe do repórter Reginho, bem naquela época morava numa casa que apelidamos de “Mansão dos Horrores”, hoje é uma linda casa, toda restaurada, na época era pouco cuidada, nos fundos havia um grande pátio, entre ele e a casa um quarto de serviço.Nesse quartinho, onde hoje é o escritório de advocacia do meu tio eram colocados todos os livros em desuso, entre eles uma cartilha de alfabetização azul, que tinha sido de meu irmão mais velho, nela havia um poema de Manuel Bandeira o Pardalzinho, todas as tardes eu fugia para lá ficava horas lendo o mesmo poema, como hoje as crianças usam o vídeo game. Nele uma menina chamada Sacha encontrava um passarinho, tinha a gaiola desenhada em um suporte como o do desenho do piupiu, eu adorava aquele poema e o fim em que ela ao não conseguir salvar a pequena vida enterrava e desejava que houvesse um céu dos passarinhos.Eu pensava que se há céu para passarinhos haveria um para mim também. Então odeio que matem passarinhos, amo minha matilha, mas não gosto desse lado animal dela. Fico realmente triste em perder estas pequenas alminhas puras. Manuel Bandeira é um poeta maior para mim só por este poema. Um dia houve uma faxina e o livro se foi. Anos se passaram e um dia comentei com uma amiga, atendente de pré-escola, e ela disse essa história tinha na minha cartilha é um poema de Manuel Bandeira, eu não fazia a menor ideia disso então com o Google voltei a encontrar meu amigo poema. É lindo.
Fernanda Blaya Figueiró
P.S. Meu marido que estudou a primeira série na mesma escola de meu irmão Colégio Jacuí disse que esse poema era um exercício, em uma folha mimeografada. Professora Madalena brincava com a turma, dizia que o Ivo da cartilha era o seu marido, que tem o mesmo nome... Ele só lembra da gaiola desenhada. e do "Eva viu a uva. Ivo viu a Eva".... disso eu também lembro.
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