Reencarnação Parte III
Eu avisei lá no primeiro texto que era longo o monólogo, se você leitor ainda está ai é por sua própria e livre vontade, não diga depois que perdeu tempo vindo até aqui. Rupturas, bem sei pouquíssimo sobre o Medalhão de Proteção que recebi do amigo Penai, sei muito pouco sobre a China e seus costumes, mas sei que essa peça veio de uma avenida de São Paulo, que a peça foi rompida pelas mãos de uma criança e não há nada mais nobre que o puro coração de uma criança, sei que a mim os dois animais expressos lembram dois Dragões, mas podem ser Dois Tigres, ou alguma outra representação. Mas o conhecimento tem duas derradeiras fontes, uma passam pelos olhos, outra vem no cordão umbilical, a sabedoria dos olhos me diz que a peça é bela, a sabedoria do cordão umbilical me diz que é poderosa e que a ruptura era necessária.Qualquer artesão de meia pataca olharia a peça e a restauraria num piscar de olhos, mas prenderia novamente os meus dragões ou um meu o outro de Penai. O conhecimento dos olhos, ouvidos, nariz, tato e boca é passado por andar nas ruas, provar veneno e iguarias,sentir o frio e o calor, o sol queimando a pele, o som da aterradora morte ou o choro da nova vida, é lido nas paredes das ruas em livros, o conhecimento do cordão umbilical é profundo, intuitivo, conectado ao solo e mantém o corpo e a mente unidos num só objetivo, não é ser feliz, é ser. As pessoas perderam isso ser é mais do que ser feliz, a felicidade é parte do complexo conceito de ser. Em algum momento digo que a maioria de nós renascerá na pobreza, ricos tem muito poucos filhos, que são disputadíssimos por longas gerações, a maioria nascerá de uma mãezinha jovem, perdida em sonhos, um pai que não sabe o que é ser pai, em meio a alguma tragédia, vivida em choupanas ou estrebarias, será recebido com espanto e medo as vezes e tem um só objetivo ao abrir os pequenos olhos: ser. Em algum momento do livro do subsolo a personagem diz algo com, não encontrei a citação exata: “Você fala como se vive nos livros”... Isso é de uma gravidade profunda e ele responde em outra passagem algo semelhante a isso:“ eu sei que ela me compreendia melhor até do que eu”. Compreendia com os dois saberes o passado pelo cordão e o adquirido, imprimido no ser pelos sentidos, ao longo da existência, ao longo da longa cadeia que nos liga a Adão e Eva... Que nem tudo eram flores no Paraíso Perdido, então nós intelectuais orgânicos, para usar um termo de Gramsci, orbitamos e estamos conectados aos dois conhecimentos, o orgânico e o universal, aqui o que aconteceu no Brasil ganha uma dimensão muito avassaladora: os pseudos intelectuais tramaram desde os anos sessenta, em seus subsolos fétidos, a tomada do poder, seduziram o povo com seus endereços, sofreram profundamente com medo que o povo respondesse ao chamado e quando o povo aceitou e acreditou, limpou sua suja morado, ventilou os cômodos, com seu trabalho esses pseudos qualquer coisa, abusaram da boa vontade do povo, jogaram no chão e fizeram porquices muito antigas, vermes de má conduta, porque até os vermes podem se arrepender, agora que estão na Casa dos Mortos, choram e se dizem doentes. Não há prisão ou exílio bom, mesmo que seja numa casa cheia de luxo, como a que Pablo Escobar mandou construir para si, era um lugar medonho. Algumas rupturas existem para que as novas gerações conheçam o subsolo, porque todos nós temos algo que nos liga ao submundo que é no fundo o Humos, sem ele não há renovação da Humanidade. Ninguém veio ao mundo para sofrer, nem para ser poupado do sofrimento. Nós mães do mundo precisamos deixar que nossas crias sofram um pouco, com dor e pesar no coração, mas é preciso. Isso Liza, sabia não passado a ela por livros e leituras mas pelo sangue de “gente comum”. A gente comum, como a maioria de nós, quando é traída sabe o que fazer, colocar tudo numa balança e olhar atentamente o fiel. Não se engana um povo inteiro e se espera que ele não parta, ele parte. E justamente para o momento da partida é que vamos ao longo da vida nos preparando, momento de deixar de ser de um jeito, para ser de outro. Lobo ou Cordeiro, Leopardo ou Gazela, quando essas entidades antigas acordam dentro da gente poucos segundos temos para reagir, se estivermos dopados, entorpecidos pela vaidade viramos adubo. Perdeu tempo, querido amigo leitor?
Olhem a complexidade das coisas, estou aqui concentradamente tetando escrever e há um conflito no pátio, a matilha briga, estão em litígio, e me dizem “Vovó, há um camundongo sujo aqui”... Sim, há, o dia vai ser longo para esse bichinho, foi descoberto, procurei uma pedra pesada para tapar a toca mas de pouco vai adiantar, a matilha removeu a pedra, todos se acham nessa hora grandes generais, você vai ainda dizer que é só uma pequena coincidências e que Bruxas não existem e eu vou acreditar.
Fernanda Blaya Figueiró
Pretinha com sua postura de Brigadiana, só olha, se precisar agirá. deixa comigo seus olhos não parecem dizer?? Deixa os meninos brincarem...


















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