Forma aceitação e inconformidade
Hoje assisti a três ótimas exposições uma da obra de Vasco Prado no Santender e as outras duas no MARGS de Alexandre Pinto Garcia - na sala negra então não fotografei, mas muito interessante,forte e suave ao mesmo tempo, e Juarez Machado. Não fui ao segundo andar pois muita informação ao mesmo tempo é ruim de administrar. Sai da exposição de Vasco Prado muito contente com o volume, a naturalidade, a bela expressão de seus traços e representações da natureza, do ser humano, do corpo. Fiquei com a impressão de uma aceitação da forma, de uma simplicidade pueril, típica de outro tempo. Já a obra de Juarez Machado, que não conhecia, me pareceu uma festa muito triste e uma inconformidade típica da nossa sociedade, luxo, vazio,uma mãe aprisionadora , um pai ausente nos casacos vazios, uma salutar incoerência entre o discurso da parede e a extensa obra. Talvez não seja a mãe severa ou o pai ausentes que aprisionem o artista e sim uma ideia de mundo amplamente consolidada pela educação e sociologia de que somos o produto da ação destes outros personagens sobre nós. Não acredito muito, quem nós somos é muito mais complexo do que um conjunto de interações e ações. O mal estar ou o bem estar que sentimos no palco chamado sociedade são nossa parte na construção de nosso personagem. As ideias moldam a nossa autopercepção, a propaganda de como devemos ser tenta nos molda mais do que a nossa própria essência. Vasco Prado retrata o ser humano simples do sul, lendas, imaginário, formas familiares e poéticas. Um ser em traços leves, expressões de solidão e de intimidade. Cada um produto de seu tempo e todos com muita força expressiva, solidão, solitude,companheirismo, maldade e bondade, aceitação, inconformidade, luz e sombra.Homens assombrados por mulheres. Um ser humano, um país , uma sociedade são muito mais do que aparentam ser, mais do que um útero aprisionador, o medo da morte, da finitude é real, é tangível, é o retorno ao desconhecido, liga o início e o fim. Quando um artista retrata algo encontra o olhar do outro e esse olhar é limitado ao que a obra apresenta ou o que esconde e a capacidade ou a forma com que o outro compreende. Talvez nada disso que eu percebi seja assim. No fundo somos nós quem decidimos como contamos nossa percepção sobre vida e morte.Não tem a menor importância o que eu penso sobre o que vi estou só ocupando o tempo. As grades não existem, no fundo elas não existem, nem as imaginárias molduras.
Fernanda Blaya Figueiró




























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