Será Tempo de Partir?
Ir para onde? No mundo
todo neste momento há pessoas que estão se indagando sobre se ainda
é possível viver bem onde estão, a Europa e os Estados Unidos
recebem enxurradas de imigrantes e refugiados. Em grande parte da África
e do Oriente Médio a vida está quase impraticável com governos
autoritários, guerrilhas e seitas destrutivas com valores e
princípios ultrapassados e limitadores. Grande parte da América
Latina vive momentos de uma profunda crise, falta de perspectiva de
futuro, economia estagnada, inflação, aqui no Brasil uma enorme
incapacidade técnica da maioria da população, que está apta
apenas para serviços mais rudes e menos tecnológicos, índices
alarmantes de violência urbana e drogadição. Assisti a poucos dias
um filme sobre a China pré segunda guerra mundial, invadida pelos
japoneses e em uma guerra civil sangrenta “As
Crianças de Huang
Shi”,
é uma história sobre guerra e elas são muito similares,
genocídios, orfandade, fome, miséria, violência e uma profunda
tensão social e ideológica.
A hora de partir é a temática do filme. A guerra se aproxima
do orfanato e é preciso seguir. É preciso abandonar a lavoura na
hora da colheita, o esforço de manter a vida acontecendo com uma
pseudo normalidade apesar da brutalidade da guerra. A Crise no Brasil
vai passar, já passamos por cosias muito ruins, esse período de
Operação Lava Jato está sendo opressor mas vai devolver o país a
uma normalidade de funcionamento que havia sido perdida. Usar o
dinheiro publico para infra-estrutura, saúde , educação e para
permitir que a economia volte a crescer. Se não houvessem durante as
últimas décadas e séculos “saqueado” a riqueza do país para
permitir a formação de algumas fortunas falsas e enriquecimento
ilícitos teríamos um outro cenário. Mas, como diz Chico Xavier,
ninguém pode fazer um novo começo, mas pode iniciar agora um novo
final. As sociedades, os países,as famílias, as fortunas tem um
ciclo igual a tudo que o ser humano faz e que é parte da natureza,
pensar que algo inicia, se desenvolve e finda. Vamos iniciar uma nova
era de prosperidade e controle sobre a corrupção, porque ela é
também parte da natureza. A corrupção é o cupim na madeira que
vai levar o tronco a morte. É a ventania de sexta que destruiu
árvores, postes, carros, virou barco, quebrou vidraças, arrancou
chaminés e feriu. Por sorte sem óbito. É tempo de reerguer para
uns e de partir para outros. É tempo de punir uns para que a energia
vital da comunidade volte a circular, é preciso abrir os olhos,
estar atento as oportunidades e ao que está acontecendo. Criar
oportunidade de emprego e renda para a grande massa de pessoas
desqualificadas e para a grande massa de profissionais com alta
formação e sem ocupação. É tempo de treinar as pessoas no que
elas tem de melhor e no que são capazes de fazer. Liberar a energia
criativa aproveitando o caos para chegar a uma nova fórmula. Se os
partidos políticos estão corroídos pela corrupção que deixem de
existir para que algo melhor floresça de suas cinzas, assim como as
empresas corruptoras, os políticos corrompidos. Deixe que partam ou
expulse-os do poder. Mude o comando. Tome as rédeas da situação,
isso está errado, eu não aceito mais. Não vou falar mais em
impeachment porque a sociedade brasileira está cansada e o Congresso
já deu sinais evidentes que não é confiável, a CPI da Petrobras
foi uma das piores coisas que já assisti um jogo de empurra-empurra,
uma falsidade enorme e não resultou em nada. Políticos, servidores,
doleiros e empresários mentiram por meses em rede nacional, os
parlamentares que acobertaram o pior escândalo de corrupção da
história recente do mundo, são os mesmos que agora irão tomar a
atenção para si e desviar o assunto, criar briguinhas de
“mentirinha”, fofoquinhas sobre se Bolsonaro e Maria do Rosário
são no fundo amantes que se adoram. Quanto a decisão do Supremo
Tribunal Federal sobre o assunto, acho que algo nesse importante
episódio pareceu falso. Foi bom porque a sessão em que foi eleita a
“comissão” de impeachment foi um ato bárbaro e indigno, com
socos, quebra de urnas, teatro de má qualidade para entreter um
público a beira da morte. Não foi um ato cívico sério e dentro
do regulamento, foi uma jogatina, só que o julgamento do ato não
pareceu também isento e sério. A coisa está feia, vai piorar e o
povo vai pagar caro por este desgoverno todo que envolve Executivo,
Legislativo e Judiciário. 2016 precisa ser diferente de 2015, para
mim o correto seria ver o fim do governo Dilma, a cassação de
Eduardo Cunha, Delcídio Amaral, Renan Calheiros e todos os que
aparecerem, mas acho que isso não vai acontecer, infelizmente. A
retomada do crescimento vai ser via economia informal e
empregabilidade criativa (o povo vai achar uma forma de sobreviver).
Abusos haverão com certeza. Mercado negro, mercado de drogas,
contrabando de gente, mercadoria, influência, escravagismo,
desrespeito. Tempos de partir? Como saber? E para onde?
Fernanda Blaya Figueiró
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