Porco como arma anti muçulmanos: um absurdo.

Porco como arma anti muçulmanos: um absurdo.


Li no facebook um post sobre a Dinamarca impor o consumo de porco em escolas infantis para preservar a "cultura", mas ofende os refugiados, nem sei se é verdade, é um absurdo! Em outra postagem li que estão fabricando munição com carne de porco para matar muçulmanos e não permitir que cheguem ao céu. Porque não falar sobre as diferenças e respeitar a cultura destes povos. será melhor do que incitar a discriminação. A propaganda na nossa era tem um poder impressionante, se a temática for se tornando de ódio entre os povos e etnias vai ganhar adeptos, mesmo entre as pessoas que inicialmente não concordam com isso. Olhar para o imigrante como um ser humano não como um "não comedor de porcos". Aos refugiados cabe também o papel de mostrar que estão no país que os acolhe para somar e não para dividir, eles tem que aceitar as leis e normas do país que os acolhe incluindo respeito a diversidade sexual, religiosa, alimentar. Impuro é essa pensamento: constranger crianças da pré-escola a comerem algo que ofende a cultura de seus ancestrais seria como fazer um ocidental comer seu cachorrinho ou gatinho de estimação.Esse caminho da segregação não dá certo, melhor seria a Dinamarca ser mais direta em suas decisões e fechar as fronteiras, virar as costas para esse povo , assim ele segue para outro lugar.O melhor caminho seria devolver a Síria para os sírios refugiados, os países africanos para seu povo. Trabalhar pela Paz e permitir que essa comunidade volte para casa em segurança. Assisti a semana passada a um documentário sobre a II Guerra e quando ela termina o cenário é de destruição e morte, o mesmo que hoje existe nas cidades Sírias, esse é o cenário da Guera, de qualquer guerra. Fome, abuso, violência, morte, destruição são parte da guerra e só terminam com o retorno da Paz. O que a Europa quer? Olhem para essas pessoas como quem olha para um ancestral que algum dia teve que "bater as sandálias" para não levar nem o pó da terra natal. Nunca entendi corretamente a "Lei do eterno retorno" ,ela tem um lado transcendental e um lado lógico prático, mas não estaria a humanidade repetindo padrões de ação- reação? Não estaria a Europa centralizando a atenção do mundo e revivendo um passado recente de dor e morte? O que eu, uma blogueira brasileira, tenho com isso? Nada, mas todos os meus ancestrais, em algum momento da história, tiveram que partir. Há bons e maus da minha linhagem que é sim muito antiga, nos leva a Adão e Eva ou ao casal primordial da África, os nossos ancestrais, de toda a humanidade, são o mesmo casal, um único casal, se comiam porco? Não sei. Todos somos um. Então fazer uma criança sofrer a humilhação de ingerir algo que para sua cultura é impuro é terrível. Impor medo as crianças dinamarquesas de seus colegas de creche é devastador. A Europa pode "se livrar de um carma" e viver este desafio com mais inteligência e sabedoria. Pode romper a lei de reviver um tempo de dor e escuridão. Não lembro a frase textual de Nietzsche mas copiei e colo aqui "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!“ Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim?" Não permita, não aceite a segregação, o racismo, o ódio que se instale em seu coração, ainda é tempo. Não reviva o medo, a fome, a destruição. Não puxe para si a má sorte. Aos refugiados pergunto quem são vocês? Que parcela de seu sofrimento poderia ter sido evitada? Qual a sua participação nesta formação de um pensamento anti muçulmano. Vamos nos dar as mãos, eu como porco, mas não como cães e gatos. Eu como trigo mas não quiabo. Detesto quiabo. Não lembro de já ter provado mas detesto, devo ter comido em outro tempo remoto e perdido na memória.

Fernanda Blaya Figueiró

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