Cacofonia?

Cacofonia?

Pensei em cacofonia como um antônimo de sinfonia, não sei se cabe a comparação, mas o Brasil parece uma orquestra sem maestro, ou um time de futebol sem técnico. Parece que todos os dias milhões de brasileiros acordam, vão para seus postos de trabalho, cumprem a jornada, voltam e nada acontece. Legisladores legislam, juristas julgam, executivos executam, trabalhadores, nem preciso dizer o que fazem( se f.), a boa educação não permite, jornalistas correm atrás de notícia, médicos medicam, professores ensinam, policiais prendem... Mas será que de fato há uma ação coordenada, será que esse movimento todo resulta em algo? Quantas leis são criadas em todo o país num mês? Quantas realmente são necessárias e eficazes? Quantas morrem paradas? Onde estavam os fiscais, os auditores, os funcionários que deveriam ter detectado toda esta roubalheira? Estavam no Facebook.? Eles saíram de suas casas entraram nos seus escritórios, olharam suas pautas, bateram o ponto e pronto, serviço prestado, salário recebido e todo mundo feliz. E na Petrobras? E no meu computador? Meu computador funcionou todos os dias do ano, não tenho chefe pois sou autônoma. Então não tenho parte nisso tudo? Tenho, estou viva, vivo no Brasil. Vou viver para ver o que vem pela frente, como vai ser esta nova etapa da vida do país. Até quanto vão existir países? Não sei acho que logo a geopolítica vai mudar, o mundo vai mudar. Não será porque isso tudo não funciona mais, será porque alguém vai pensar em uma coisa melhor, mais lucrativa, eficiente, mais evoluída. Não sei se será por bem ou por força. Nós talvez demoremos para perceber, algo já mudou. Esta cacofonia onde um fala e outro não entende, onde um tenta cantar e outro gritar, vai durar pouco. Algo vai substituir essa realidade.
Eu tinha uma brilhante idéia e ela fugiu, danada. Onde foi parar, demorei para decidir se escrevia mais um texto ou não. Há! Lembrei:
O Papa, deve ter sido um “pestinha” quando pequeno, deve ter levado uns croques nas orelhas e algumas palmadas no bumbum. Eu dava palmadas nos meus filhos. Levava quando pequena, meus irmãos também, meus pais, apanhavam pra valer. Minha avó, tem quase noventa anos, seus olhos se enchem de lágrimas quando conta que ganhava do Papai Noel uma varinha para apanhar, menina criada por parentes, seus pais haviam morrido de Tuberculose. Então para nós latino-americanos que já fomos pobres um tapinha é parte do contexto. O contexto mudou hoje é chamado de tortura, o que é errado. Agora se for um espancamento é tortura, se for um abuso de autoridade é tortura, se machucar é tortura, é crueldade, pode matar. Se for um leve tapinha não é nada de mais. O problema reside no limite, que não é o mesmo para todas as pessoas, crianças sensíveis são mais assustadas, o mísero tapinha pode afetar a vida toda. Crianças mais fortes aguentam mais, mas provocam mais, logo o limite pode facilmente ser ultrapassado. O Papa talvez tenha pensado na absolvição dos pais em não julgá-los cruéis, ou na quantidade de crianças no mundo que viram delinquentes. Esta semana assisti um filme muito bom “Em um mundo melhor”. Essa questão do tapa é o centro do filme, um médico, uma boa pessoa recebe um tapa de um “brutamontes” e não reage, seu filho já vinha sendo vítima de bullying na escola e encontra um protetor, quem quiser assista ao filme. As implicações da violência são incontroláveis. O Brasil vive quase a barbárie neste assunto, aqui um menino foi recentemente morto pelo pai médico, a madrasta enfermeira e a uma assistente social. Se Almodovar apresentasse um roteiro assim as pessoas duvidariam disso, de lá para cá inúmeras crianças e adolescentes foram mortos por adultos, pais, policiais, comparsas, traficantes. Aqui o tapinha é mais uma lei inútil, mais uma coisa criada para não dar em nada. Eu digo que não sirvo mais nem para educar um filhotinho, estou com uma em casa é tanta energia que leio sobre o assunto, tento aplicar os conhecimentos e ela tá ganhando, não aguento a hora de crescer e sossegar. Tapinhas leves no focinho dei e ela parou de me morder, deve haver um evoluído método que não conheço. Comprei mordedores, bolinhas, entrego o jornal depois de lido, então tô me esforçando para domar a ferinha, sem ser com comida, porque é um outro problema eles acabam obesos. O Papa tem muito conhecimento e vai saber refletir sobre o peso de sua palavra. Carnaval, quaresma e páscoa. Extravasar e recolher tudo a seu tempo.

Fernanda Blaya Figueiró






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