Como fazer de 2015 um bom ano.

Como fazer de 2015 um bom ano.


A classe média já está sentindo os impactos das mudanças na economia, primeiro a conta de luz, o preço de serviços e alguns alimentos pesam no orçamento. Comer em restaurantes está mais caro, roupas estão em liquidação, gasolina mais cara. Como mudar a realidade? Acho que cortando, serviços e supérfluos, evitando o famigerado cartão de crédito e segurando um pouco o consumo. Isso vai gerar desemprego, então acho( quem sou eu para falar) que quem tem um emprego e está pensando em mudar deveria esperar um pouco. Se o governo parar de fazer compras superfaturadas os preços irão cair automaticamente. O próprio governo está gerando inflação ao pagar por produtos e serviços muito mais do que valem, remunera em demasia serviços e empresas e essa população inflaciona o mercado. A iniciativa privada não tem como competir com o governo pela mão de obra. Na semana passada ouvi o diálogo de uma senhora com dois rapazes todos trabalhadores da mesma pequena empresa do ramo de alimentação, ela disse: “- Não vejo a hora de sair, porque trabalho o mês todo para ganhar mil reais...”. Essa senhora tem o direito de achar que é mal remunerada, pode e deve buscar um trabalho a sua altura, ou com a remuneração que deseja, pode achar a remuneração baixa. Para o pequeno empregador o trabalho dela custa quase o dobro, se colocar vale transporte, vale refeição, FGTS, INSS... Será que o empregador consegue ter lucro ou só cria movimento, só “troca dinheiro”. É preciso vender muita comida, contar com bons fornecedores, com bons funcionários, com diversos fatores para que esses mil reais que são insatisfatórios para a trabalhadora atinjam uma pequena margem de lucro. Fiquei tentada a perguntar como seria a vida dela sem os mil reais mensais, mas não quis criar polêmica na fila. Se ela decidir fazer salgados e vender, seu plano, ganhará mais? Não sei pois terá que se esforçar muito uma vez que há inúmeras pessoas vivendo de fazer e vender salgados. Mas essa conversa só revela uma insatisfação generalizada. É péssimo para o empregado trabalhar se sentindo explorado, para a empresa ter um trabalhador assim, para o cliente também porque o mal humor passa para o atendimento. Como manter a moral da tropa elevada? Fazer a população ter conhecimento que funcionários públicos, políticos e empresários desviaram bilhões de reais, sem fazer nada enquanto a maioria se acaba todo o mês para pagar as contas é uma violência enorme, omitir é pior ainda. Quem tem iniciativa e um pouco de capital acaba pensando muito antes de se arriscar. O Brasil precisa de um consumo consciente, que evite a inflação e movimente o país financeiramente e de um governo confiável, o que é bem mais difícil, diante da atual crise de credibilidade de todos os partidos e políticos. Há bons políticos, empresários, servidores, trabalhadores no meio? Com toda a certeza, em todas as siglas partidárias, empresas, repartições públicas, mas estão sendo contaminados pelo descrédito. Se a senhora sair do emprego outra pessoa será contratada e ela talvez venha a ganhar mais, o que a mantém trabalhando numa colocação insatisfatória? Ela é livre, pode sair da fila e pedir as contas, só que ela quer ser demitida para ter acesso ao fundo e ao seguro desemprego, esse acho que é um nó do nosso sistema, é um ponto que tem que mudar. O mercado de trabalho mudou e as leis não. O governo anunciou mudanças e agora parece que vai retroagir, só que daqui a pouco vai ser tarde e a vaga ruim da senhora pode deixar de existir, pode se tornar prejudicial e não gerar mais renda. Empresa sem geração de renda cai em dívidas e fecha, então não adianta aumentar impostos. Claro que não é simples assim, que não é tão automático o processo de ação-reação, os economistas estudam anos para chegar a fórmulas e preços, eu sou uma blogueira que ganha mais estando em casa do que “trabalhando fora”, eu dou menos prejuízo a economia doméstica ficando em casa. Talvez eu seja como esta senhora. Fiz contas há poucos anos e sair de casa para dar aulas era mais caro do que pagar alguém para cuidar dos meus filhos e da casa. Criar um negócio é mais arriscado do que escrever, publicar no blogue é muito mais barato do que editar livros que ninguém compra, pois para vender é preciso escrever coisas que as pessoas querem ouvir, coisas comerciais. Por sorte meu marido é um advogado bem sucedido e ganha por nós dois. Trabalho voluntário já fiz muito e cansei então fico com muito tempo e essa possibilidade é fértil para a escrita. Mesmo assim me dou o direito de considerar minha escrita como trabalho e de falar sobre trabalho. Apesar de todo o pessimismo acho que o povo brasileiro vai encontrar o equilíbrio entre consumo, remuneração e renda. Vai saber decidir entre permanecer em seu posto de trabalho ou arriscar e mudar. Apertar o cinto no que for preciso, nem mais nem menos. Como o Brasil já passou por inúmeras crises, o povo tem uma sabedoria, um conhecimento. O que realmente está assustando é a violência urbana, essa tira o sono, porque paralisa e ameaça. Empresários em 2015 denuncie a corrupção, não aceite o jeitinho, a morosidade para levar propina, faça a sua parte para colocar a economia nos eixos, políticos do bem cuidem da política, trabalhadores cuidem de seus postos de serviço, zelem por seu emprego, consumidor não se acanhe, viva com moderação mas viva, mantenha as coisas acontecendo, de preferência sem cheque especial. Bancos cuidem de seus clientes, limitem o endividamento. Políticos entrem na linha ou deixem a vida pública. Imprensa seja responsável por suas notícias, sem pânico e sem omissão. 2015 vai ser um bom ano, apertado mas um bom ano.Utopia? Não leia então você é livre...



Fernanda Blaya Figueiró

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