Até onde vai a
liberdade?
Ontem um
cidadão brasileiro foi executado na Indonésia, país que aplica a
pena de morte, ele entrou no país com uma grande quantidade de
drogas e foi punido dentro da lei. Aqui seria preso, passaria um
tempo na cadeia e voltaria as ruas, talvez nem estivesse mais vivo,
lá ele foi preso, julgado, condenado e executado. Ele tinha um
passaporte, tinha o direito de ir e vir até que cometeu um erro e
foi condenado, porque levou uma grande quantidade de drogas para um
país em que há a pena de morte? Porque correu o risco de perder a
vida? Todos os integrantes do tráfico de drogas são pessoas que
arriscam a vida, arriscam perder a liberdade e serem mortos, dentro
ou fora da lei, por dinheiro. O ópio. “A religião é o ópio do
povo”, o ópio seria a religião do povo? Se alguns extremistas
religiosos bebessem e se divertissem mais não seriam tão radicais?
A atualidade precisa enfrentar esse assunto: porque o ser humano
necessita do ópio ou de uma religião alucinante? Porque usamos
tanta energia para tentar manter a sobriedade do povo? O que é a
violência praticada por seres humanos? Humanidade, liberdade,
igualdade são uma realidade ou uma ilusão? O povo indonésio tratou
todos os acusados com igualdade(independente de sua nacionalidade),
restringiu sua liberdade (por terem cometido um crime) e retirou sua
humanidade dentro de um processo legitimo. Aplicar a pena de morte
vai diminuir o tráfico de drogas na Indonésia? Não tem como saber,
mas aqui a forma como o governo está conduzindo a questão das
drogas tem gerado um alto nível de violência, pena de morte aqui
não resolveria, mas algo precisa mudar na forma de entendimento do
que é o mundo das drogas e os impactos no país. As pessoas estão
ficando paralisadas pelo medo de andar nas ruas, de ir as compras, de
circular pelo país. Se a droga move verdadeiras fortunas é porque
há um enorme consumo, quem é o consumidor deste enorme mercado?
Porque pessoas livres, que podem ir e vir acabam prisioneiras do
medo ou do consumo de drogas? Todos os seres humanos são de fato
iguais? Ou tem os mesmos direitos? O que é a Humanidade? O que
significa ser um ser humano nos dias de hoje? Ciência, religião e
drogas afetam a vida de todos da mesma forma?
Algumas
pessoas reclamaram que minha escrita é cheia de interrogações e
tem poucas afirmações, de fato se aproxima da arte e se distância
do jornalismo ou da ciência. Escrevo para viver, ou vivo ao
escrever, mas sem compromisso com a verdade, só com a minha
percepção. Respostas são para especialistas, minha especialidade é
a divagação diante do mundo e da folha em branco.
Fernanda
Blaya Figueiró
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