Bom negócio, mal negócio, erro de avaliação? E outras coisas...
Metade das empresas brasileiras fecha antes de completar dois anos, metade dos empreendedores avalia mal suas iniciativas. Eu não sou diferente, tive uma pequena empresa, com outros sócios. No começo era tudo euforia, depois a realidade vai caindo, juros altos, inadimplência, concorrência, aluguel caro, custos de telemarketing elevadíssimos... Três anos e pouco após o início a grande dúvida investir mais, tentar de novo ou fechar? Fechar é perder tudo o que foi investido e ficar com pequenas dívidas, investir é correr o risco de buscar o prejuízo ou até a superação. Fechamos, dos males o menor, sem dívidas trabalhistas, sem dívida com credores, ficaram pendentes alguns impostos e um pequeníssimo saldo de um banco que na época não quis negociar. Mas quando pensamos no negócio avaliamos planilhas de desempenho, possibilidades do mercado, custos da estrutura e tudo parecia que ia dar certo. Compra-se junto com um empreendimento um sonho. Quando alguém poderia imaginar, por exemplo, que uma refinaria de petróleo nos Estados Unidos da América fosse fracassar comercialmente? Pode ter havido corrupção? Pode! Em todas as partes do mundo há corrupção, o Brasil não é privilegiado em maus políticos. É preciso descobrir? Sim. Mas a empresa não pode sofrer, porque houve nesse período um rebaixamento dos EUA, o Brasil perdeu? Sim. Mas não tanto como perderam outras economias na velha recessão americana de 29,o “crash” . O grande irmão do norte pode estar tentando interferir na nossa economia?Pode. Mas ele também precisa de nós, os sete, nove, dez, vinte ou mais “maiores” precisam que o Brasil vá bem. Nós precisamos, por exemplo, que a Argentina vá bem. A política brasileira precisa amadurecer e ficar nos eixos para manter a máquina funcionando. Que eixos? Respeitar a Constituição. Honrar contratos. Investir na justiça social. Manter o equilíbrio entre os três poderes. Respeitar as instâncias de pactuação com a sociedade civil, os conselhos. Assim nossos irmãos grandes e pequenos, do sul, leste ou oeste podem dormir tranqüilos. Se houveram problemas de corrupção na compra da refinaria a quem compete fazer investigação e punir os responsáveis? Políticos fazem política, polícia policia, justiça julga. Será que nesse caso os papeis não estão trocados? Nós, bobos da corte, perguntamos ao rei o que ele pensa, se ele se enfurece fazemos firula e saímos de fininho.
Aqui perto houve um crime hediondo, um pai inescrupuloso, uma madrasta má e uma comparsa (triângulo não amoroso ou do mal, que o mal existe, o bem existe, entre eles pouca coisa existe) mataram um adolescente com requintes de crueldade e motivo fútil: a herança do menino. O menino procurou ajuda, buscou adultos, mas foi em vão, demorou muito o desenrolar da ação legal. Como a menina da caixinha de fósforo, o menino deve ter acendido muitas luzes e deve ter sonhado com a mesa farta, a casa quentinha, o abraço da vó. Ele deve ter sido socorrido pelos anjos e o grande mal, de não ter ou ter muito dinheiro, que perpassa as duas histórias serve para dar um bofetão na cara da gente. Isso na nossa cara, pois ele, o dinheiro, rege absoluto. Quem tem, quem não tem. Essa é nossa floresta, nela o lobo está escondido, a casinha de doces é uma armadilha, o maçã mata. A grande e bela maçã vermelha pode ter veneno. Povo brasileiro vá pelo caminho longo, que pra se tornar grande não tem atalho.
Ontem partiu deste mundo um cão campeão Tigrão, viveu quatorze anos e nunca teve medo de nada, olhou para a morte e disse: tô pronto. Grande Tigrão. Esse nunca teve medo, se errou corrigiu e foi em frente. Com ele aprendemos a ir até o limite, muitas brigas tivemos e muitas lutas travamos lado a lado, ele aprendeu e ensinou. Sempre teve o reconhecimento e o amor de nossa família. Hoje na parada de ônibus uma mãe tinha um bebê no colo, uma menina pequena numa mão e um garoto na outra, que saiu de perto dela e foi advertido com puxão de orelha. Olhei firme para ela, que puxou o menino e ficou com medo. Claro, com a atual publicidade sobre o caso do menino que foi morto pelo pai, as pessoas estão assustadas. E ficar assustado não é bom. Essa mãe precisa dividir as tarefas, deve estar sobrecarregada, e achar outra forma de advertir o menino. Não é uma má mãe ou uma má pessoa, precisa de um olhar de repreensão e entender os limites até onde pode ir. O Tigrão nunca baixou a cabeça para ninguém, mas nunca precisou atacar, aprendeu o limite para viver bem e aprendemos o limite de nossa ação com ele. Assim se constrói uma relação forte,amorosa, longa e duradoura.
Fernanda Blaya Figueiró
P.S. Encontrei, por acaso, um velho documento olhem só, sempre foram feitos resumosEssa acho que é a vovó da Petrobras: "Companhia Mattogrossense de Petroleo"
P.S. Encontrei, por acaso, um velho documento olhem só, sempre foram feitos resumosEssa acho que é a vovó da Petrobras: "Companhia Mattogrossense de Petroleo"
Festa de niver com o Pai, João Gabriel.
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