Ninguém concorda com o erro, mas ele é humano.



Ninguém concorda com o erro, mas ele é humano.


Ontem morreu um jovem baleado por um erro de um policial, a população indignou-se: com razão. A reação ao erro do policial foi violenta e aterrorizou todo um bairro em São Paulo: sem razão.
Agora vou propor um exercício, imagine-se sendo um policial e atendendo a um chamado num bairro violento de uma grande cidade, luzes acessas, sirene ligada, você não tem como saber como será recebido. Você terá poucos segundos para avaliar a situação e tomar uma atitude. Nesse caso o policial errou, engatilhou a arma sem necessidade. É horrível imaginar perder um filho por erro de um policial. Por erro de motorista. Por erro de médico. Por erro de juiz. Por erro de jornalista. Por erro de promotor. Por erro de professor. Por erro de  cozinheiro. Por erro de psiquiatra. Por erro de porteiro. Por erro de diarista. Por erro de engenheiro. Por erro de veterinário. Por erro de político. Por erro de biólogo. Por erro de mãe. Por erro de meteorologista. Por erro de músico. Por erro de poeta. Por erro de religioso. Por erro, por erro, por erro. Eu já fui professora de pré-escola, uma vez um menino colocou na boca um reloginho de plástico e a fivela se soltou. Peguei o menino virei no banheiro e sacudi, no mesmo momento voltou a respirar, mas eu não voltei a sala de aula. Meu erro foi permitir que um objeto que pode obstruir a respiração chegasse as mãos de uma criança pequena. Por sorte, mais do que por juízo, meu erro daquele momento não resultou no óbito do aluno.Então cada profissão tem seus riscos e seus desafios. A população enfurecer e linchar o policial que errou ou um outro não vai retificar o erro, só vai piorar a tensão para a próxima abordagem. Você que está lendo este post nunca errou na vida inteira? As vezes é preciso refletir, é o momento em que uma profissão tem que ajudar a outra, mediar a relação entre uns e outros. Como diminuir a tensão: contando com o acerto, de cozinheiros, de músicos, de juízes, de policiais, de médicos, de jornalistas…. E assim por diante. 


Fernanda Blaya Figueiró  

Comments

Unknown said…
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