A força da Lei

A força da Lei


Vou escrever agora sobre algo que tenho pouco domínio logo com total liberdade de especulação, deve ler só quem está disposto a perder alguns minutinhos. Há alguns anos inscrevi um livro meu num concurso de literatura realizado pelo IEL, no edital de lançamento do concurso constava a exigência de que os livros inscritos tivessem o devido depósito legal. Bem o edital foi prorrogado e a exigência retirada, fiquei muito indignada na época e retirei meu livro do dito concurso, porque eu achava um absurdo o Governo do Estado não cumprir uma Lei Federal. Na minha cabeça a lei deveria ser cumprida. Estamos realizando pelo Fórum Permanente de Cultura de Viamão um estudo sobre a legislação do município referente a cultura e encontramos um número enorme de leis, a maioria sem ser aplicada. A conclusão que chego, lembrem que é a conclusão de uma leiga e não de uma especialista, é de que as leis não são feitas para serem cumpridas. Então eu pergunto teria como cumprir todas as leis do Brasil? Se alguém resolvesse levar o negócio da legislação a sério e colocar em aplicação todas as leis o que aconteceria? Para que servem as leis se não é para serem cumpridas? Depois do episódio do IEL eu desisti de fazer livros ou registrar as coisas que escrevo junto a Biblioteca Nacional, porque perdeu o sentido. Outro dia uma senhora me indagou se eu faria livros novos. Respondi: não. Começamos nosso levantamento no início do ano e de lá par cá tem seis novas leis. Seis meses seis leis relativas a cultura. Chegamos ao título da crônica: que força tem essas Leis todas?
Amanhã vamos fazer uma Sessão Especial na Câmara de Vereadores sobre este tema. Ainda teremos que solicitar mais leis, para adequar o município nas exigências do MinC para a efetivação do Sistema Municipal de Cultura.
As pessoas estão falando muito numa reforma política e acho que esta cultura de ter lei para tudo e de no fundo não ter leis efetivas deve ser abordado. Falo em Viamão porque moro aqui, mas acredito que essa realidade deve acontecer em outros municípios, nos estados e mesmo na união. Acho que para termos uma legislação forte ela deveria ser bem estudada e embasada para não precisar ser substituída quase que imediatamente a sua publicação. Essa reforma política deveria pensar também na formação dos legisladores, não que tenham que ser acadêmicos, mas que para ser candidato um político tenha pelo menos dois anos de formação, em legislação, em administração de coisas públicas, ou outra forma de acesso a educação e cultura política. Também o eleitor deveria ser informado sobre o que pode esperar de vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e de um presidente.
A nossa cidadania está amadurecendo mesmo estando longe de ser um ato consciente. Algumas pessoas não gostaram das minhas opiniões sobre as recentes manifestações, mas continuo achando que a maioria dos manifestantes não sabia bem o que estava fazendo. Talvez sempre tenha sido assim.
Perguntamos: Que leis nós temos? Que leis queremos? Que leis devemos cumprir? Que leis tem de fato força de lei? Quais assuntos são objeto de lei? Entramos nisso meio por acaso e aos poucos fomos sendo tomados por um desânimo. São muitas leis e parece que no fundo não tem lei alguma.

Fernanda Blaya Figueiró


Para quem ficou curioso a lista está no blog do FCV www.forumpcv.blogspot.com.br

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