Perdendo um pouco de
tempo.
Passei hoje por uma
biblioteca e tive a grata satisfação de encontrar poemas de Bertol
Brecht pude passar alguns minutos imersa num outro mundo.
Guerra,fome, delação permeiam a escrita. De alguém que entrega seu
vizinho para ter sossego e tem que lidar com o trágico espancamento na
escada, ao próprio poeta que se indaga porque seu nome deveria ser
lembrado, quando talvez devesse ser esquecido. A antiga luta humana
contra a opressão. Porque devemos revisitar momentos sombrios de
nossa história? Porque eles nunca deixam completamente de existir.
Quanta coisa acontece neste momento que simplesmente ignoramos? Para que em nosso “edifício" haja um pouco de sossego?
Escrever, pensar, fazer arte não são tarefas ingênuas, o entendimento do escrito, do pensado e da arte feita independem de seu criador. O reclamar, o clamar fazem parte de todas as comunidades, a forma como as coisas vão acontecendo não. A magnitude que uma ação ou uma ideia vai tomar é uma parte da construção do futuro que ninguém controla. Uma simples abertura de um livro e a leitura de um poema abre uma fenda que pode gerar um pequeno deslocamento de neve na superfície ou uma profunda mudança na estrutura da montanha que acabe num cataclismo, que nos soterre. É um nome presente e impactante Bertold Brecht nos dia de hoje, nos fala que havia uma resistência, uma oposição e um sentimento profundo de humanidade. Eu ando um pouco desligada e prefiro ler assim fragmentos, em poucos minutos, vigiado pelo atento olhar da bibliotecária. Não sei essa leitura é minha ou se é do meu tempo. O poeta narra a prisão de um homem por distribuir panfletos de uma ideologia e a angústia de um juiz que não queria prendê-lo pois era pai de muitos filhos e um deles já havia morrido de fome... Pergunta a ele se não havia sido corrompido por uma ideia o homem responde que seu filho tinha sido corrompido pela fome. Se o menino do poema não houvesse morrido teria mudado o curso da História? Ou a História tem seu próprio curso, entre altos e baixos, e nossas ações não interferem nela? Tenho em casa um livro dele de poemas e canções escolhidas, não sei por quem, mas são bem diferentes dos que li hoje. O bom dos poetas é isso eles apresentam coisas diferentes, os prosadores são mais retilíneos, acho. A verdade é que ando um pouco sem ideias e essa falta do que ter para dizer me causa um certo incômodo e uma sensação de que tudo o que trilhei até aqui foi em vão. Mas isso é tentar descobrir se será ou não lembrado e porque ou por quem, é uma certa necessidade de controlar a arte. Um controle impossível de algo que independe de mim, mas que também assombrou outras pessoas. A sombra do esquecimento é tão dolorosa quanto a do possível reconhecimento. É difícil viver o próprio tempo, escrever no próprio tempo, ler o passado e não tentar prever o futuro. A Escrita, talvez como a História, siga seu próprio curso. Se os grandes podiam pensar sobre o peso do seu escrito eu também posso. Isso me deixa mais humana e próxima da minha limitação. Peço a quem por acaso ler esse texto que não me venha indagar sobre ele. Certamente estarei numa outra sintonia e não vou compreender suas indagações e as imagens construídas. Minhas ideias fenecem muito rápido e depois voltam a impressão que tenho é de que este é um velho texto meu que voltou das férias. Quantas histórias sobre crianças exploradas e famintas há no mundo? Porque isso volta a acontecer? Porque mesmo onde não há crianças com fome ainda assim existe a insatisfação e a tendência a viver em conflito, a clamar e reclamar? A destruir. Acho que isso explica o porque foi preciso dizer: Não matarás! Foi preciso dizer e é preciso reforçar sempre: Não matarás! O texto em si já havia terminado, mas essa ideia apareceu e não quis deixá-la sobrando então não sei se terá algum sentido. Este texto deveria ser arte e se for arte não precisa ter sentido. Se for outra coisa estamos todos perdendo tempo.Tempo é dinheiro e como do segundo entendo pouco não tem problema.
Quanta coisa acontece neste momento que simplesmente ignoramos? Para que em nosso “edifício" haja um pouco de sossego?
Escrever, pensar, fazer arte não são tarefas ingênuas, o entendimento do escrito, do pensado e da arte feita independem de seu criador. O reclamar, o clamar fazem parte de todas as comunidades, a forma como as coisas vão acontecendo não. A magnitude que uma ação ou uma ideia vai tomar é uma parte da construção do futuro que ninguém controla. Uma simples abertura de um livro e a leitura de um poema abre uma fenda que pode gerar um pequeno deslocamento de neve na superfície ou uma profunda mudança na estrutura da montanha que acabe num cataclismo, que nos soterre. É um nome presente e impactante Bertold Brecht nos dia de hoje, nos fala que havia uma resistência, uma oposição e um sentimento profundo de humanidade. Eu ando um pouco desligada e prefiro ler assim fragmentos, em poucos minutos, vigiado pelo atento olhar da bibliotecária. Não sei essa leitura é minha ou se é do meu tempo. O poeta narra a prisão de um homem por distribuir panfletos de uma ideologia e a angústia de um juiz que não queria prendê-lo pois era pai de muitos filhos e um deles já havia morrido de fome... Pergunta a ele se não havia sido corrompido por uma ideia o homem responde que seu filho tinha sido corrompido pela fome. Se o menino do poema não houvesse morrido teria mudado o curso da História? Ou a História tem seu próprio curso, entre altos e baixos, e nossas ações não interferem nela? Tenho em casa um livro dele de poemas e canções escolhidas, não sei por quem, mas são bem diferentes dos que li hoje. O bom dos poetas é isso eles apresentam coisas diferentes, os prosadores são mais retilíneos, acho. A verdade é que ando um pouco sem ideias e essa falta do que ter para dizer me causa um certo incômodo e uma sensação de que tudo o que trilhei até aqui foi em vão. Mas isso é tentar descobrir se será ou não lembrado e porque ou por quem, é uma certa necessidade de controlar a arte. Um controle impossível de algo que independe de mim, mas que também assombrou outras pessoas. A sombra do esquecimento é tão dolorosa quanto a do possível reconhecimento. É difícil viver o próprio tempo, escrever no próprio tempo, ler o passado e não tentar prever o futuro. A Escrita, talvez como a História, siga seu próprio curso. Se os grandes podiam pensar sobre o peso do seu escrito eu também posso. Isso me deixa mais humana e próxima da minha limitação. Peço a quem por acaso ler esse texto que não me venha indagar sobre ele. Certamente estarei numa outra sintonia e não vou compreender suas indagações e as imagens construídas. Minhas ideias fenecem muito rápido e depois voltam a impressão que tenho é de que este é um velho texto meu que voltou das férias. Quantas histórias sobre crianças exploradas e famintas há no mundo? Porque isso volta a acontecer? Porque mesmo onde não há crianças com fome ainda assim existe a insatisfação e a tendência a viver em conflito, a clamar e reclamar? A destruir. Acho que isso explica o porque foi preciso dizer: Não matarás! Foi preciso dizer e é preciso reforçar sempre: Não matarás! O texto em si já havia terminado, mas essa ideia apareceu e não quis deixá-la sobrando então não sei se terá algum sentido. Este texto deveria ser arte e se for arte não precisa ter sentido. Se for outra coisa estamos todos perdendo tempo.Tempo é dinheiro e como do segundo entendo pouco não tem problema.
Fernanda Blaya Figueiró
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