A sabedoria renovadora
do Fogo!
A natureza é perfeita! Em nosso estado uma grande
área de reserva ecológica foi queimada,na Reserva do Taim,
deixando um sentimento de revolta na gente. Acredito que o fogo tem
um propósito, o de limpar a terra e de fortalecer as especies. A
humanidade está aos poucos perdendo essa percepção: a morte é
parte de um processo da natureza.Tememos a morte, mesmo do capim, mas
ele vai morrer um dia. Podemos tirar deste evento uma boa lição ou
lamentar e chorar, o que também é humano e tem momentos que é a
única coisa a ser feita. Partindo da premissa de que o fogo na
reserva foi acidental e que o combate a ele foi eficiente, não
negligente, a chuva veio e o fogo foi vencido. Quantas espécies
morreram? Quanto material genético deixou de existir? Quanto tempo
levará para se reerguer? Quero traçar um paralelo a uma outra
realidade: o fogo que vem destruindo a economia mundial como ela era.
Pode parecer repetitivo, já abordei outras vezes esse assunto, muita
gente tem abordado e a mídia está cansando todo mundo com isso.
Voltando a metáfora, quantas vezes o mundo passou por mudanças
radicais ao longo da história? A natureza não poupa os fracos,
parece uma frase perversa, mas acredito que essa perversidade está
em nós. O sistema financeiro está
fraco e debilitado. Algumas peças vão se mexer no tabuleiro e
aprenderemos as novas regras e dançaremos uma outra melodia. Em
tudo: relações de trabalho, não digo emprego pois acredito que
está fadado a terminar; relações interpessoais incluindo laços
familiares como vínculos matrimoniais; nossa relação com Deus;
nossa relação com a natureza; nosso conceito de comunidade,
incluindo as relações de poder estatal. O momento atual, ou talvez
seja sempre assim é como um rolo compressor que se coloca em
movimento, destrói algo para construir outra coisa e estagna, ou
repousa, num certo patamar até entrar novamente em ação. Lembrei
do “Todos os homens são mortais” de Simone de Beavoir,
também estou a me repetir. Ou
de "The
Langoliers"
de Stephen
King. As nações em crise, como Grécia, Espanha,
Chipre precisam segurar o choro e reagir. Precisam se reinventar.
Fácil falar, difícil de fazer. Mas as vezes quem está de fora pode
dar um olhar diferente para um problema. O Brasil sempre esteve em
algum tipo de crise e sempre reagiu por ser constituído de um povo
criativo e miscigenado. Um povo que veio de lugares devastados por
guerras, por impasses, por cataclismos, por escravidão, e encontrou
aqui um povo novo com outros hábitos e outra forma de viver. Não
gosto do termo “Descobrimento da América” acho injusto,ela não
estava encoberta, nem era invisível, muito menos inabitada, prefiro
“Chegada até a América”. A sensação que tenho é de que
muito em breve teremos a “Chegada a um outro lugar” ou a um outro
entendimento. Talvez até ao Mundo Virtual, que já é real e esse
Mundo nos encontre. Nos mostre nossa própria potencialidade e nos
fira com sua Independência de nós e com a existência de seres que
ainda não conhecíamos. Mas que talvez sempre tenham existido como
os habitantes do novo continente. Esse fogo destrutivo foi acidental
e está sendo combatido com as armas que conhecemos mas precisamos
perceber e entender a chuva e as possibilidades de renovação. O que
virá pode ser melhor e mais forte e será identificado primeiro por
quem estiver com a mente mais aberta e com os sentidos em alerta. É
preciso vencer o choro. Coloquei este último ponto e pensei quanta
bobagem, será?
Fernanda
Blaya Figueiró
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