O Voto


O Voto

O voto é um ato de confiança, quando votamos em alguém estamos delegando a essa pessoa a tarefa de agir em nosso nome. Nós somos o Povo, infelizmente na cultura brasileira ainda há resquícios de antigas políticas que tornavam o voto um produto. As pessoas trocavam o seu direito de votar por um benefício pessoal, as vezes até por comida, por um “cargo” no governo. Acho muito importante as campanhas que estão circulam nos meios de comunicação de educação para o exercício da cidadania, o voto não é “negociável”! Mesmo que alguns políticos ainda usem esta artimanha para chegar ao poder. O Brasil passou por uma longa ditadura, dos ano sessenta aos oitenta, depois passou por uma euforia, o retorno a democracia, depois por várias decepções, incluindo os inúmeros escândalos envolvendo a corrupção, o “impeachament” de um presidente. Isso tornou corriqueira as más ações com relação as coisas públicas. Em todas as esferas o jeitinho tomou conta das isntituições, não por maldade, mas por “cultura” ou pela falta de cultura. Os partidos que chegaram ao poder foram repetindo as mesmas ações dos partidos que estavam no poder antes. Levando a um descrédito do voto e nas instituições políticas, como isso pode mudar? Com um amadurecimento da “Nação Brasileira”, já vencemos a ingenuidade de achar que só ser uma democracia resolveria os problemas. Não basta! Precisamos melhorar o país sem a ilusão de que de uma forma mágica, com uma varinha de condão, os problemas irão desaparecer. Alguns problemas sérios precisam ser enfrentados com sabedoria, por exemplo a questão da “estabilidade” no serviço público, será que isso é saudável para a gestão pública e mesmo para o funcionário público? Outra coisa o hábito que se criou de gerar “cargos de confiança” ou seja o inchaço da máquina pública com pessoas que não são concursadas e que estão ali por “apoiar” algum candidato. Será que há necessidade de tantos “CC” e há uma forma de limitar isso? O Brasil é um território imenso, com isso a administração dos Municipios tem que ser melhor, a administração dos Estados tem que funcionar bem para que a União possa ser administrada de forma eficáz e atingir a toda a população. Claro que isso não vai acontecer de uma hora para outra, a cultura do uso errado do voto está entranhada na mente da população. Se "todo mundo faz" não tem problema. Não podemos nos iludir imaginando que iremos ter uma “terra de leite e mel”, como um paraíso ou nirvana, mas podemos construir um país melhor. Um lugar com mais segurança, saúde, cultura, educação, renda... para mais pessoas. Isso inclui um país que controle questões como das drogas, do desmatamento, da violência nas comunidades de baixa renda, das populações carcerarias, da corrupção, da mobilidade urbana, do uso responsável dos recursos naturais... Muita coisa já me melhorou no Brasil como nação, mas muita coisa ainda tem que ser feita. Não brinque com o seu voto, faça dele um instrumento de transformação da realidade, sem a ilusão de que essa transformação será mágica.Na construção de um país melhor não há mágica há um processo de tomada de consciência da função de cada um com relação ao todo. 

Fernanda Blaya Figueiró
23 de setembro de 2012.



Recebi de uma amiga, Ieda Radünz, um texto de Raquel de Queiroz de 1947, que tem muita similariedade e logo uma sabedoria de outros tempos mas que encaixa nos dias de hoje, fiquei feliz que minah pequena reflexão lembra a de uma grande escritora, retirei do blog  http://ruiaith.blogspot.com.br/2010/09/votar-texto-de-raquel-de-queiroz-de.html

Texto de Raquel de Queiroz -Revista O Cruzeiro - 11/01/1947
"Votem irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva. Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o governo, quando é ruim, ele é que nos dá a surra, ele é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da boca dos nossos filhos e nos faz apodrecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo. E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar este ou aquele candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto. E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar este ou aquele candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez.
Lembre-se de que o voto é secreto.
Se o obrigam a prometer, prometa. Se tiveres medo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem medo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à força, e escute apenas a sua consciência."

Comments

luis fonte said…
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