Livro
III De Poemas ou
Todas
as mendigas tem o teu nome
Autoria:
Fernanda Blaya Figueiró
E-Book
Direitos
autorais de propriedade da escritora
Proibido
Copiar
Viamão
- 2012
Introdução
“A
Velha (Maria)
Sou
mendiga, e não tenho quem me veja.
…
Despertei,tinha
a morte nos meus braços
E
chorei,porque eu era a mãe de Deus”
Fernando
Pessoa
Hoje
encerro o Livro III de Poemas, uma coletânea de poemas que escrevi
do "Poemas do Deserto" para cá. Espero não esquecer nada, meu
computador apresenta sinais de cansaço e temo perder essa produção,
claro que é toda publicada no blog, as tabuletas dos dias de hoje.
Como minha escrita é pouco comercial produzo aquilo que a "Literatura
Oficial Brasileira" chama de “lixo cultural”. Mas como todo lixo
hoje não vale nada, quem sabe um dia venha a ser necessário, quando
os produtos pasteurizados perderam o prazo de validade. Iria terminar
essa fase com um poema que queria chamar de “Todas as mendigas se
chamam Maria”. Na minha experiência, de alimentadora de mendigas, sei que quando se dá uma moeda e se pede em troca o nome de quem estendeu a mão a resposta é Maria, se não for a moeda foi para uma charlatã.
Tenho a "Maria Grampinho" de Cora Coralina como exemplo e hoje,
tentando tirar vida dessa máquina que apitava como quem está
sofrendo, precisava esperar o tempo de recuperação, ao abri um
livro encontrei os versos acima, que contém todo o meu poema.
Ando com esse problema de quem escreve, os Grandes Mestres Escreveram
Tudo. Então para nós ficam as migalhas. Precisamos sobreviver com
elas. Sou como mendiga da literatura, a que vive das sobras do
conhecimento alheio. Quando me propus a fazer essa coletânea pensei
em ir já fazendo um arquivo único com todos os poemas, mas tenho um
monte de prosa perdida e inútil no meio, no fim salvei três ou
quatro poemas e o resto esta cada um num arquivo. Devo levar o dia
nisso. Minha minha alma é pequena, mestre, minha alma é pequena,
por isso não sei se vale a pena. Meu próximo projeto se a máquina
não morrer antes, será um diálogo com essa Maria Mendiga de
Sabedoria. Pensei e vou misturar, nesse arquivo, a prosa literária e
a poesia. A prosa sobre as cosias como política, corrupção,
cinema, arte, vou deixar morrer. Que morrer vamos todos mesmo um dia.
Então vou seguir o blog é muito mais fácil do que procurar arquivo
por arquivo. Tinha separado poemas até 29 de dezembro de 2011, então
2012 vai ser do meu blog, da Linna já está praticamente tudo
compilado ou seria sepultado? A coletânea Poemas do Deserto, está
em alguns post muito antigo dividida em duas parte, só por questões
práticas, são um só documento. Recentemente fui indagada do porque
não elaboro mirabolantes “projetos” aproveito esse espaço para
justificar então: há muitos anos atrás... participei de uma
atividade cultural e resolvi, na minha santa ingenuidade, criar um
texto literário e encaminhar ao poder público para avaliação. O
texto chama-se Rota Náutica Cultural e está publicado no blog de
Linna Franco, minha personagem infanto-juvenil. Na época eu fui a
secretaria de cultura da cidade que moro e entreguei ao então
secretário uma cópia do texto e ele disse: Oh, que belo! Irei ler!
Buenas, desci as escadas e encontrei uma pessoa, falei sobre o texto
e voltei a sala de secretario e o texto já havia saído para uma
outra gaveta. Bom, duas semanas depois retornei ao estabelecimento e
perguntei sobre o texto. Um funcionário me disse - Oh! Lemos sim,
mas... Entendi tudo. Anos depois voltei a mesma secretaria em
companhia de um amigo, senhor Newton que, em reunião com outro
secretário, perguntou inocentemente por um “projeto” que havia
encaminhado ao secretário anterior, que não era o mesmo de anos
atrás, e este com o peito estufado disse: tudo o que o outro fez nós
abandonamos, mas faça novamente que “EU” tomo as... Isso nos
leva a perceber porque os escritores criam cidades imaginárias, para
se livrar das cidades reais. As vezes ainda me pego falando em coisas
que existem, por hábito, mas não faz bem para a literatura. Para
escrever é preciso estar livre, do mercado editorial, do poder
publico e do leitor. Lembro agora de um fragmento de texto do livro “
Confesso que vivi”, de Neruda, ele diz em determinado momento que
há livros de mais no mundo e solicita que não os enviem, pois não
tem como ler tudo, fala que a poesia acaba sendo de poeta para poeta
e não vê sentido nisso. E isso é verdade, nem tudo o que é
escrito é lido. A literatura mesma é feita de mitos e histórias,
muitos escritores tem um nome famoso, mas não são lidos, daí se
conclui que é preciso escrever por escrever, não para ser lido e
assim atingir a liberdade da arte, que consiste em não servir para
nada.
Fernanda
Blaya Figueiró
15
de setembro de 2012
De como morreu
uma antiga arte
Achar que antigamente a arte era livre do mercado
É um erro
Toda a arte é de alguma forma prisioneira
Não vou mais perder tempo com isso
Nenhum livro é livre
Tenho tentado libertar meu inconsciente mas acho que
Não é tão fácil assim, somos treinados para policiar todas as
Nossas ações, reações e pensamentos
Minha cadeia de pensamentos acaba superficial
É como caminhar em um bairro desconhecido a
Cidade esconde particularidades em um conjunto de ruas
Acho que o verdadeiro fluxo do inconsciente não pode ser ordenado
Como coisas que conhecemos
Mas nunca vivenciamos
Uma pessoa me perguntou como terminou a novela
Digo que terminou em Pizza, ninguém sabe mais o enredo
Todos os personagens desapareceram sem deixar marca alguma
Os mesmos atores estão na novela nova, representando os mesmos personagens, como se alguns atores desconhecem a sua independência do personagem que é emprestado a eles
A corrupção no Brasil é cultural. É o famoso jeitinho.
Fiquei muito feliz de abandonar o barco furado
De não ver meu nome numa lista suspeita
Já apostei no meu cavalo
Mas tirei o foco mudei o curso
Faz muito calor aqui
3 de dezembro de 2011
Achar que antigamente a arte era livre do mercado
É um erro
Toda a arte é de alguma forma prisioneira
Não vou mais perder tempo com isso
Nenhum livro é livre
Tenho tentado libertar meu inconsciente mas acho que
Não é tão fácil assim, somos treinados para policiar todas as
Nossas ações, reações e pensamentos
Minha cadeia de pensamentos acaba superficial
É como caminhar em um bairro desconhecido a
Cidade esconde particularidades em um conjunto de ruas
Acho que o verdadeiro fluxo do inconsciente não pode ser ordenado
Como coisas que conhecemos
Mas nunca vivenciamos
Uma pessoa me perguntou como terminou a novela
Digo que terminou em Pizza, ninguém sabe mais o enredo
Todos os personagens desapareceram sem deixar marca alguma
Os mesmos atores estão na novela nova, representando os mesmos personagens, como se alguns atores desconhecem a sua independência do personagem que é emprestado a eles
A corrupção no Brasil é cultural. É o famoso jeitinho.
Fiquei muito feliz de abandonar o barco furado
De não ver meu nome numa lista suspeita
Já apostei no meu cavalo
Mas tirei o foco mudei o curso
Faz muito calor aqui
3 de dezembro de 2011
Relendo o
mundo
O mundo, o mundo
É mundano
Hoje a felicidade é
Um imperativo tão
Poderoso
Responde ela a todos os anseios
Humanos
Que mentira
Que bela mentira
Liberdade, igualdade, humanidade
Fraternidade, solidariedade, justiça
O Imperativo agora é
Imensurável, subjetivo, impessoal
O ouro da nossa era é a
Constante felicidade
Impressa em fotografias
Publicada no complexo mundo social da
Face exposta e latejante
O Ser Humano Coisa
Sorri em todas as fotografias
Está sendo engando e sorri
Está sendo violado e agradece
Está sendo roubado e aplaude
A felicidade impera
No horror
Maquiagem e rendas pretas
Enobrecem a morte
O Vermelho sangue
Banha as telas e a
Explosão dos corpos
Domina os jogos
E isso é pura felicidade
Mate todos seus adversários e
Ganhe um exclusivo ensaio fotográfico com a morte
A face da morte nas revistas e no
Cinema
É branca, bela e sedutora
Vende remédios e mais remédios
Exames e fórmulas de combate
Fórmulas de se manter vivo por mais tempo
Quanta felicidade!
Tenho, sim
Uma renda preta
Mas é de Bruxa e
Batizada
É uma renda de noite
De vez em quando sou muito feliz
Mas nas outras sou muito triste
E tem até as vezes em que não sou nada disso
4 de dezembro de 2011
O mundo, o mundo
É mundano
Hoje a felicidade é
Um imperativo tão
Poderoso
Responde ela a todos os anseios
Humanos
Que mentira
Que bela mentira
Liberdade, igualdade, humanidade
Fraternidade, solidariedade, justiça
O Imperativo agora é
Imensurável, subjetivo, impessoal
O ouro da nossa era é a
Constante felicidade
Impressa em fotografias
Publicada no complexo mundo social da
Face exposta e latejante
O Ser Humano Coisa
Sorri em todas as fotografias
Está sendo engando e sorri
Está sendo violado e agradece
Está sendo roubado e aplaude
A felicidade impera
No horror
Maquiagem e rendas pretas
Enobrecem a morte
O Vermelho sangue
Banha as telas e a
Explosão dos corpos
Domina os jogos
E isso é pura felicidade
Mate todos seus adversários e
Ganhe um exclusivo ensaio fotográfico com a morte
A face da morte nas revistas e no
Cinema
É branca, bela e sedutora
Vende remédios e mais remédios
Exames e fórmulas de combate
Fórmulas de se manter vivo por mais tempo
Quanta felicidade!
Tenho, sim
Uma renda preta
Mas é de Bruxa e
Batizada
É uma renda de noite
De vez em quando sou muito feliz
Mas nas outras sou muito triste
E tem até as vezes em que não sou nada disso
4 de dezembro de 2011
O que melhor eu sei
fazer é olhar
Olho a “faxina” e penso
Ela deveria se estender
A estados e municípios
Depois penso que se deveria
Ter um sistema comunitário
De controle. Abandono a ideia
Pela lembrança das notícias
Sobre o famigerado Sistema
De Delação que há pouco
Assombrou a Europa
Controle, medo, denuncismo
Levam a opressão
A erros, vingança, tirania
Como então revalorizar a ética e
Diminuir o espaço da corrupção?
Como fazer a sociedade voltar
A ser mais justa sem o uso da coação policial
Ou emocional
Sem um dedo apontado de Deus ou de vizinhos
A América é a filha rejeitada da Europa
Os filhos da América são o excedente
Da população da Europa, da Asia e da África
Esse meu olhar é de espanto, é dos indígenas
É de quem tenta entender o que está acontecendo
Mais de quinhentos anos tem este meu olhar
Atônito
Ser brasileiro é ser este ser Múltiplo
Que nunca sabe exatamente a que memória vai recorrer
É ser aquele que foi arrancado do seio da mãe África
O que foi expulso, pela fome ou falta de oportunidade, da Europa
O que não coube na Ásia
Aquele que estava aqui quando o vento trouxe as caravelas.
Esse é o olhar de quem já viu tudo
Do que sabe que as coisas se repetem
Que dorme de olho na porta e
Ouvido no mato
Esse ser que toca tambor, bebe mate,
Tece renda, atua em todos os palcos
Desempenha todos os papeis.
Quem quer prever o futuro olha para o presente com a luz do passado.
Fernanda Blaya Figueiró
5 de dezembro de 2011
Olho a “faxina” e penso
Ela deveria se estender
A estados e municípios
Depois penso que se deveria
Ter um sistema comunitário
De controle. Abandono a ideia
Pela lembrança das notícias
Sobre o famigerado Sistema
De Delação que há pouco
Assombrou a Europa
Controle, medo, denuncismo
Levam a opressão
A erros, vingança, tirania
Como então revalorizar a ética e
Diminuir o espaço da corrupção?
Como fazer a sociedade voltar
A ser mais justa sem o uso da coação policial
Ou emocional
Sem um dedo apontado de Deus ou de vizinhos
A América é a filha rejeitada da Europa
Os filhos da América são o excedente
Da população da Europa, da Asia e da África
Esse meu olhar é de espanto, é dos indígenas
É de quem tenta entender o que está acontecendo
Mais de quinhentos anos tem este meu olhar
Atônito
Ser brasileiro é ser este ser Múltiplo
Que nunca sabe exatamente a que memória vai recorrer
É ser aquele que foi arrancado do seio da mãe África
O que foi expulso, pela fome ou falta de oportunidade, da Europa
O que não coube na Ásia
Aquele que estava aqui quando o vento trouxe as caravelas.
Esse é o olhar de quem já viu tudo
Do que sabe que as coisas se repetem
Que dorme de olho na porta e
Ouvido no mato
Esse ser que toca tambor, bebe mate,
Tece renda, atua em todos os palcos
Desempenha todos os papeis.
Quem quer prever o futuro olha para o presente com a luz do passado.
Fernanda Blaya Figueiró
5 de dezembro de 2011
Devoluto
Silêncio
Não
conheço mais o silêncio
Exacerbado
Há
uma infinidade de partículas no ar
Denso
A
realidade esta coberta por uma camada de sujeira
Erro
Tem
algo se dissolvendo
Decomposto
Esse
mundo está em acelerado estado de decomposição
Bom
Isso
é muito bom é revigorante
Tenho
Um
claro e lúcido rumo
Fernanda Blaya
Figueiró
08 de dezembro
Um
sonho de poema
Sonhei
com um lindo poema
Essa
noite
Ao
acordar não recordei como era
Só
recordo que era lindo
Tênue
Leve
Translucido
Abordava
a controversa questão do
Tempo
Da
eterna luta entre cordeiros e lobos
De
como sobreviver aos leões e
Atravessar
a ponte
Entre
agir e se omitir
É
preciso ser muito forte
Para
habitar o mundo do
Poema
A
opressora vontade da
Palavra
Quem
imaginava que eu fosse uma
Descobriu
que eu era outra pessoa
Do
sonho restou pouco
Este
poema é uma construção
Não
expressa a beleza que deveria
Fernanda
Blaya Figueiró
26
de dezembro de 2011
Canto
do Ano Novo
Conta
o conto
Reza
a lenda
Trança
a renda
Por
encomenda
Sempre
estou
Onde
deveria
Ano
vai
Ano
vem
Ano
que vem
Vou
correr estrada e
Subir
o topo da mais alta
Montanha
Ano
que vem
Traço
planos de
Grandes
feitos e
Conto
os seus efeitos
Ano
que vem
Traz
na garupa
Grandes
constelações e
Alinhamentos
Ano
que vem
Tem
história boa
Para
contar ou
Encantar
Que
venha o mágico
Ano
com sua tropa de
Velhas
novidades
Bem
fresquinhas
Entro
no ano com a
Força
de São Jorge
A
benção do Deus Menino
De
Maria e José
Esqueço
os erros e
Agradeço
os acertos
Assim
o ano novo
Será
bendito
Fernanda Blaya
Figueiró
O
traçado
Escrevo
para mim mesma
As
cigarras estão cantando forte
As
formigas fazendo o carreiro
O
vento brinca com os cabelos das
Árvores
e com meus sonhos
O
operário quebra pedra com a
Melodia
dos séculos e milênios
O
bentivi na cerca
Busca
as minhocas que na Terra
Afundam
a semente da figueira
O
Sol a tudo assiste e a chuva
Logo
deve cair
Milagre?
Rola
uma folha na calçada de pedra
Quebrada
e a vida se
Recria
na misteriosa luz e sombra
Da
mata nativa
Não
é milagre
O
maior problema da problemática humana
Esta
na pergunta
Como
tudo começou?
Não
começou
Simples
assim
Ou
sempre existiu ou não existe
De
onde viemos?
Já
estávamos aqui
Para
onde vamos?
Para
lugar nenhum
Que
sentido tem tudo isso
Não
tem sentido tem os sentidos
Fernanda
Blaya Figueiró
29 de dezembro de
2011
Poema de ontem
Poema
de ontem
Algumas
pessoas se sentiram
Ofendidas
pelo poema de ontem
Não
as entendo
Porque
insistem
Em
ler poemas dos quais não gostam?
São
os viciados em sofrimento
Conheço
muitos
Ou
As
vítimas em potencial
É
um poema
Niilista?
Não
sei se é
Provavelmente
sim
Mas
rodamos e rodamos sobre o mesmo eixo
Como
aros de bicicletas
Sem
sair do lugar gerando movimento
Nunca
vi um aro que não estivesse ligado a uma roda
Girando
no mesmo lugar
Já
a bicicleta
Está
se desloca sobre uma grande roda
Não
fugindo muito a mesma estagnação
É
a ação pela ação
O
movimento pelo movimento
E
se tudo fosse muito simples?
Como
chamariamos uns aos outros?
De
iguais
Meu
pensar vale tanto quanto o teu
Meu
conhecimento me torna igual a ti
Meu
desconhecimento também
Foi
uma minhoca quem
Plantou
a figueira
O vento, o sol e a chuva a
O vento, o sol e a chuva a
Alimentaram
e as formigas, os bentivis e
As
pessoas dela se orgulham sem lembrar da
Pequena
minhoca
Se
o aro pudesse navegar solto pelo universo
Talvez
pudesse alcançar um novo entendimento
Perguntar
novas coisas
Apenas
pelo velho hábito de perguntar
Posso
agora afirmar que
Nunca
houve um início do mundo
Com
a certeza de que só veio até esta sentença
Quem
quis
Não sei se há limite entre arte e ciência
Entre literatura e filosofia
Entre intelectual acadêmico e orgânico
Todos nós somos dotados da faculdade de
Pensar
Não sei se há limite entre arte e ciência
Entre literatura e filosofia
Entre intelectual acadêmico e orgânico
Todos nós somos dotados da faculdade de
Pensar
Fernanda
Blaya Figueiró
31
de dezembro de 2011
Teatro
Municipal
Neste
antigo prédio existia o
Primeiro
Teatro da cidade
Deviam
ser negras ou vermelhas as
Antigas
cortinas que
Com
o tempo devem ter desfiado
Desbotado
Das
cadeiras não deve ter restado nem os
Cacos
assim como do palco e do frontão que
Separava
o público do palco
Mesmo
assim a arte da representação
Sobreviveu
nas ruas
Como
é opressor o silêncio das
Salas
abandonadas
Mesmo
com todas as reformas a
Densa
camada de
Massa
acrílica que cobriu as paredes
Que
no lugar do palco hoje fique a cozinha
No
lugar da orquestra as gôndolas de frios e saladas
Na
platéia as mesas e o espaço
Ao
cair da noite, ao fechar o
Restaurante
o velho Teatro se
Restaura
Seus
antigos artistas vagam
Perdidos
pelas ruas a
Contar
caducas histórias
De
grandes feitos
Das
noites de gala
De
sala cheia
De
maquiagem caprichada
Os
amores inesquecíveis as
Velhas
rixas e malandragens
As
escadas laterais denunciam a
Verdadeira
e antiga natureza das coisas
Foi
dada a cidade um lugar para sonhar e
Logo
em seguida foi roubada a ilusão
Ainda
existem artistas vagando em busca de
Um
lugar para estar
Parece
que a cidade tem uma pequena conta a
Ajustar
Fernanda
Blaya Figueiró
5
de janeiro de 2012
Ooh
de Casa!!!!
Quem
vem lá?
O
terno do dia de Reis
Se
aprochegue minha porta abro para os bons amigos
minha
porta fecho para os malvados
Somos
três e vossa permissão pedimos
Para
cantar sobre o bom menino
Dia
de Reis é dia de festa
De
comer doces e lembrar das coisas boas
Os
Reis a minha casa são bem vindos
Que
tragam a chuva que anda escassa
O
perfume da Terra Molhada a
Regar
o ouro milho
Se
não neste no outro ano
Que
esta é Terra fértil e bendita
Gente
Buena
Não
se apoquente que uma hora Chove
Guarde
o grão seco
Do
ano molhado
Para
o ano falhado
No
Rio Grande é assim
É
preciso ter força para aguentar o
Repuxo
que o mar é revolto.
Fernanda
Blaya Figueiró
06 de janeiro
Chapéu
de Verão
Parece
que todo adulto tem no
Fundo
do coração escondida uma criança
Isso
é a mais pura verdade
A
Boneca Mukua tem um encanto
Um
quebrante não muito escondido
Que
faz brincar a vovó como se fosse
Uma
guriazinha
Adivinhem
só
Sobrou
um restinho da linha
Pobre
linha
Parecia
que não serviria para nada
Mas
a crocheteira sentada ao pé da Porteira
Não
podia ver sobrinha e foi muito ligeirinha
Com
a agulha certa e sem a medida
Acertou
em cheio
Com
a mágica transformação
De
bater agulha
Bem
na hora certa
Restinho
de linha virou
Chapéu
de Verão
E
o Sol estava tão forte...
07 de janeiro
O
mundo é dominado pela palavra
Igualdade
Ninguém
quer
As
pessoas precisam adorar
Liberdade
É
uma ilusão
A
liberdade traz responsabilidade
Fraternidade
É
um discurso
Fraternidades
são grupos restritivos
Humanidade
É
um jogo
Onde
sobrevive o mais forte
Conhecimento
Uma
construção
Legitima
as desigualdades
Amor
Um
comodo sistema
De
proteção
Ódio
Um
incomodo sistema
De
vingança
O
outro
Padrões
De
ação reação
A
força do verbo domina nossa
Mente
A
palavra bem utilizada
Transforma
o mundo
Para
melhor ou para pior
Quando
você fala sobre alguém
Revela
aquilo que realmente pensa
Quando
contamos uma história ela
Acontece
Preste
atenção a tudo o que você anda
Falando
e descubra quem são as pessoas com
As
quais você decidiu viver
E
ouça a si mesmo
O
que você aceita e o que condena no outro?
Ouça
as palavras da sua construção
Do
que você se orgulha e do que se arrepende
Acabo,
mais uma vez, percebendo
Que
tudo está como deveria e
Repete
algum padrão
Nosso
livre arbítrio é limitado
Sempre
foi
Mas
é uma belíssima construção
“Você
é o único responsável pelo
Caminho
que seus pés marcaram?”
Fernanda
Blaya Figueiró
12
de janeiro de 2012
É
a vida !
A
tão esperada chuva chegou
Demorou
um pouco mas chegou
Veio
justificando tanta coisa
Acertando
tanto ponteiro
Você
deve estar se perguntando
-Vamos
combinar que este interlocutor é
Irreal,
como toda a comunicação que não comunica.
Porque
abordar um assunto assim
Tão
cotidiano
A
quem poderá interessar essa banalidade
Nós
vivemos cotidianamente
Temos
que fazer mais uma combinação
Estamos
limitados ao que somos e
Nossa
construção é feita a imagem e
Semelhança
Depois
que terminam os problemas da falta de chuva
Temos
os problemas da presença da chuva
Por
isso as vezes parece que tudo foi solucionado e
Os
problemas retornam
Será
que a crise econômica que o mundo está vivento é
Real
Será
que as crises não são um velho hábito
Uma
manipulação da realidade
Se
isso é um poema?
Provavelmente
não
Fernanda
Blaya Figueiró
13
de janeiro de 2012
É
a vida !
A
tão esperada chuva chegou
Demorou
um pouco mas chegou
Veio
justificando tanta coisa
Acertando
tanto ponteiro
Você
deve estar se perguntando
-Vamos
combinar que este interlocutor é
Irreal,
como toda a comunicação que não comunica.
Porque
abordar um assunto assim
Tão
cotidiano
A
quem poderá interessar essa banalidade
Nós
vivemos cotidianamente
Temos
que fazer mais uma combinação
Estamos
limitados ao que somos e
Nossa
construção é feita a imagem e
Semelhança
Depois
que terminam os problemas da falta de chuva
Temos
os problemas da presença da chuva
Por
isso as vezes parece que tudo foi solucionado e
Os
problemas retornam
Será
que a crise econômica que o mundo está vivento é
Real
Será
que as crises não são um velho hábito
Uma
manipulação da realidade
Se
isso é um poema?
Provavelmente
não
Fernanda
Blaya Figueiró
13
de janeiro de 2012
Energia
perdida?
Eu
ia começar este texto dizendo que tenho uma bela Dog Alemã chamada
Bessi Patrolinha, mas ter não é a palavra correta. Bessi tem a
avançada idade de treze anos, para um cão de grande porte significa
estar aqui a mais tempo do que a expectativa de vida. Em novembro de
mil novecentos e noventa e oito estávamos procurando um cão de
guarda pois mudaríamos de um apartamento para nossa atual casa,
tínhamos uma ovelheira, Gorducha da Água Doce, que só faltava
falar. Fomos até a Morungava, um bairro de Gravataí, quando
chegamos o portão foi aberto, entramos e fomos cercados por uma
enorme família de dogues. Estávamos em dúvida se ficaríamos com
um dos cachorrinhos e a proprietária nos olhou e disse: - Vocês não
vão levar um dos filhotinhos? Nos olhamos e a Bessi estava entre
nossos pés puxando e mordendo os cordões dos sapatos. Gorducha
olhava apavorada de dentro do carro então precisávamos decidir
logo, acho que fomos escolhidos por ela. Com a singela quantia de
150, 00 reais ( acho que o Brasil já tinha esta moeda) colocamos a
“filhotona” no porta-malas. Gorducha andava há anos de carro e
nunca havia descoberto que o porta-malas era ligado a frente por uma
“portinha”, Bessi precisou de dois minutos para dar uma cabeçada
e abrir o forro, assim descobrimos seu temperamento forte e
imperativo, mas profundamente meigo e fiel. Com o tempo Gorducha nos
deixou e muitos outros cães dividiram a vida conosco e cada um teve
a sua história, sua personalidade e suas próprias características.
Mas todos foram fiéis e nos amaram incondicionalmente. Na semana
passada nossa “velhinha” teve uma desidratação devido ao forte
calor, ficou cansada, lenta, sem conseguir se levantar sozinha, mas
lutando bravamente pela vida. Enquanto estou escrevendo este texto
ouvi seu chamado e fui levá-la até a grama para fazer suas
necessidades, primeiro puxo seu dorso até que firme as patas
dianteiras, depois empurro seus quartos para que fique em pé e assim
seguimos. Até quando? Não sei, mas com a Bessi aprendi a viver a
vida passo a passo, ela sempre exigiu muito da vida e sempre
conseguiu tudo de “seus humanos”, retribuindo com cuidado, amor,
carinho e dedicação. Nunca deu um passo para trás se adquiria um
privilégio não abandonava mais, seus paninhos, sua cama dentro de
casa, suas “manhas”. Vou sentir muito a sua falta o dia em que
não estiver mais aqui, mas sei que lá no céu dos cachorros vai ser
uma correria danada para deixar tudo como a Bessi exige. Algumas
pessoas tem dificuldade em entender a relação entre as pessoas e
seus animais de estimação. Somos seres sociais e nossa sociedade
está deficiente, está deformada pela competição excessiva, o
individualismo e o egocentrismo. Recebemos muitas mensagens, que na
minha opinião contradizem nossa natureza, de que para ser feliz é
preciso ser “autônomo, livre, poderoso, forte, independente”. O
Homem da atualidade é assim... a Mulher é assado. Ficamos muito
ocupados em tentar ser “de determinada forma” e acabamos não
sendo nada. Já a nossa relação com os animais é autêntica, eles
são quem são e nós podemos ser quem realmente somos: algumas
vezes amorosos outras irritados e sem paciência; algumas vezes
alegres, outras tristes. E nossos amigos animais sabem disso e não
nos cobram falsas atitudes. Bessi aos poucos perde sua energia vital
e uma hora vai partir, mas até lá vai vivendo com sabedoria. Não
tem como explicar, para quem não entende, esse amor.
Muros
É
verde ou dourada a época da
Minha
existência
Aos
poucos desacredito neste
Complexo
discurso
Vejo
o aparecimento
De
uma fala intransponível
Entre
facções
Façam
seus muros
Mas
não esqueçam de deixar
Janelas
e portas para que
O
sol e o ar possam entrar
Construções
muito seladas
Mofam
com o tempo
Um
pouco de ar fresco
Faz
bem
Fernanda
Blaya Figueiró
16
de janeiro de 2012
A
Glória de Ser
Quanta
bela coisa já
Fez
o Ser Humano
Quanta
beleza
Já
produziu a arte
A
melhor colheita é a
Repartida,
Compartilhada
Uma
pequena pausa
Antecede
os grandes movimentos
Neste
momento estamos assim
Numa
pausa entre dois movimentos
Não
tão profunda que peça o aplauso
Nem
tão tênue que seja despercebida
Não
colherei os frutos da minha
Semeadura
e isso tem um bom lado
A
semente que dorme no ventre da
Terra
por mais tempo desperta
Numa
outra época
Testemunha
dois mundos
Não
estarei mais aqui quando estes versos forem lidos
Leio
minhas antigas angústias e esperanças e
Não
recordo a que história a que momento
Estão
ligadas
Estou
experimentando
Viver
sem planos
Escrever
para nada
Sem
ideologia
Seria
possível?
A
Glória pela Glória de Ser
Fernanda
Blaya Figueiró
18
de janeiro de 2011
Como
a seca
as
múltiplas faces
da
sociedade
da
saciedade
nada de novo
no
horizonte
estamos
quase
no
final do
segundo
mês de
um
ano muito esperado
vivemos
uma seca
das
mais antigas e
a
colheita vai ser fraca
a
velha tradição do dinheiro e
propriedade
mudando de
mãos
as
gentes que anseiam pelo fim
do
capitalismo estão contentes
como
se iludem
um
sistema tão sólido não
há
de cair tão facilmente
sem
resistência
sem
dor e sangue
ao
que tudo indica o
dia
que acabar
será
substituído por algo
tão
ruim quanto
ruim
para uns
bom
para outros
estéril
para uns
fértil
para outros
não
tem como ser bom
para
os interesses de todos
como
a seca
Fernanda
Blaya Figueiró
19
de fevereiro de 2012
Se
Eu
fosse
Eu
fosse
uma
Deusa
Seria
Ísis
Pena
que sou só uma mulher
Escolhi
para o feriado a poesia de
Sylvia
Plath
Não
conhecia
As
grandes obras de artes despertam um êxtase,
meio
perturbador, no leitor
Dos
dezoito aos quarenta a vida é densa, difícil de entender
depois
parece que acalma
aparentemente
acalma...
Acho
que se algumas mulheres chegassem a passar a barreira dos
quarenta
não se matariam
Assustadora
é a beleza dos versos do desespero
Alguns
significados não consegui decifrar
Mas
ler poesia estrangeira é assim mesmo
Muda
o código e faltam alguns sentidos ocultos e culturais
Mesmo
com esta limitação gostei muito
Precisava
ler algo bom
Os
romances morreram para mim
não
tenho mais concentração suficiente para eles
prefiro
estas bofetadas da poesia
talvez
eu acorde
O
cervo desenhado na capa é tão frágil e capturável
tão
necessitado de cuidado
de amor
de amor
Comprei
o livro um pouco pela capa e por
algumas poucas frases “É então isso o mar, esta enorme suspensão.”... Fui fisgada e valeu,
algumas poucas frases “É então isso o mar, esta enorme suspensão.”... Fui fisgada e valeu,
Que
lindo!!!
Minha
poesia se libertou da prosa
não
aguentava mais prosear
Fernanda
Blaya Figueiró
19
de fevereiro de 2012
Falando
no amor?
Mas
tudo já foi dito sobre o amor
Choveu
bastante e isso para a Terra foi amor
Ventou
e havia amor no ar
O
amor
Anda
a meu lado
Em
minha companhia
As
casas são repletas de amor
Gostaria
que as pessoas soubessem
Que
o que eu escrevo
Não
é necessariamente o que eu vivo
Poeta
precisa ser lido
Não
assistido
Os
atores é que sabem encantar na atuação
Os
retóricos são fluentes com a palavra falada
Nós
com a escrita
Porque,
como diria o Rei do Futebol
O
Edson não o Pelé e
Nisso
tem uma grande sabedoria
Quem
me encontra na rua, num café
Não
encontra a pessoa que escreve e
Sim
a que está sentindo, absorvendo o mundo
A
que elabora, a que transforma está
Aqui
Sentada
e inserida neste mundo o do Texto Escrito
Não
da gramática
Do
imaterial mundo da palavra
Acho
que isso é a abstração
Já
eu que ando por aí sou distraída
As
vezes sinto que as pessoas querem
Que
eu fale sobre poemas que já foram
Os
amo sim, apaixonadamente
Mas
depois de publicados
Eles
fenecem
Meu
tempo, brilhante ou escuro, é esse aqui,
Um
minuto antes da
Publicação
Depois
Muitas
vezes me distancio do escrito e olho
Com
alguma criticidade mas
Como
leitor e não mais como parte dele
Para
poder escrever outros
Fernanda
Blaya Figueiró
23
de fevereiro de 2012
Olá!!!
Tem
alguém aí?????
Que
quietude
Que
sensação estranha
De
quem são estes olhos
Escondidos
na escuridão
Esse
hálito morno e fétido
Denunciando
uma presença
Ouço
a sofrega respiração e
o
batido errado do vossos corações
Quanto
ódio há neste
Anonimato?
Nunca
gostei de quem se oculta sob
O
pretexto de não ser reconhecido
São
perigosos estes falsos
Profetas
do caos
Eu
os ouço e os conheço
Não
adianta fingir e se esconder
A
única vantagem de uma pessoa grande
É que fica muito difícil de ficar despercebida
É que fica muito difícil de ficar despercebida
Se
não tens coragem de assinar algo
Não
escrevas pois o anonimato sempre cai e
O
Verdadeiro nome aparece
Sempre!
Fernanda
Blaya Figueiró
24
de fevereiro de 2012
Os
Butiás da Avenida Mauá
Estive
hoje andando a colher imagens
Sobre
a legalidade colhi uma frase entre tantos registros
Fala
numa antiga plataforma política dos idos de
Sessenta
que prometia combater a corrupção.
O
dia está lindo e
Mais
estranho que ter belos e nutritivos
Frutos
caídos no chão é tentar entender o
Enraizamento
Da
Corrupção na nossa sociedade
Nomes,
rostos, fatos, arte
Natureza
Civilização,
ação, transformação
Estagnação
Sombra,
luz, loca emoção
Vai
entender os coquinhos do mundo
Minha
salada de frutas virou e
Soltou
o aroma doce da vida
A
moça que encontrei na escada
Caminho
entre andares da exposição
Digo
é sempre bom virar as
Coisas
mudá-las de lugar
Cria
outra perspectivas
Aquele
“ainda bem que somos magrinhas”
Soou
como uma boa falsa verdade e parar
Nos
degraus permite um minuto de panorâmica
Fotografia,
aroma, palavra, melodia
Havia
uma totalidade entre o interior e o exterior
Das
coisas
Ouvi
dizer que Porto Alegre completa anos
Deixo
esta humilde percepção de uma linda manhã de fim
De
verão
Não
sei bem porque ganhei esta trégua de euforia
Nuvens
pesadas turvarão minha visão? É um ciclo
Como
outro qualquer.
Fernanda
Blaya Figueiró
Ingenuidade
Tenho um celeiro repleto de sonhos
Transbordam ideias e emoções
Boas e más
Que as más existem também e
É preciso saber disso
Não se pode viver num mundo de suspiro
É preciso ter noção do amargo
Ninguém entende os felinos
Que andam nos muros, nos telhados ou
Pesam no campo e nas florestas seus corpos volumosos
Todo o felino tem um olhar inquietante
Contundente, pouco confiável
Transparente
No meu celeiro os felinos combatem as
Ratazanas e guardam os sonhos da
Maldade do mundo
Fernanda Blaya Figueiró 20 de março de 2012
Sobrenatural
Ter acesso ao Sobrenatural é uma Capacidade de alguns de nós
O natural é tão impossível e
Improvável quanto o Além do natural só é mais
Facilmente aceito
Por ser a percepção da maioria
E talvez seja uma percepção tolhida
Para fazer funcionar a máquina da
Interação do ser humano no mundo
O metafísico é um produto da nossa mente
Mas isso não significa que não exista
É preciso estar aberto para as outras
Possibilidades da existência
É preciso que uma sociedade tenha loucos e
Permita que eles se expressem
Em alguns momentos a loucura é importante
O lado bom na loucura
A loucura que cria e não a que destrói
Minha piramide seria assim construída:
Ter acesso ao Sobrenatural é uma Capacidade de alguns de nós
O natural é tão impossível e
Improvável quanto o Além do natural só é mais
Facilmente aceito
Por ser a percepção da maioria
E talvez seja uma percepção tolhida
Para fazer funcionar a máquina da
Interação do ser humano no mundo
O metafísico é um produto da nossa mente
Mas isso não significa que não exista
É preciso estar aberto para as outras
Possibilidades da existência
É preciso que uma sociedade tenha loucos e
Permita que eles se expressem
Em alguns momentos a loucura é importante
O lado bom na loucura
A loucura que cria e não a que destrói
Minha piramide seria assim construída:
A
Amor
Natural
Aberto
ao
Sobrenatural
O
Deus A Deusa
Equilíbrio
Cósmico
Sustentando
o Universo
Aos amigos do Pronaus Rosa Cruz Viamão.
Fernanda Blaya Figueiró
21 de março de 2012
Hoje
eu estou sem assunto
Que
estranhamento isso causa
Minhas
amigas bruxas estão soltas
Por
isso essa ventania toda
Chiiiiiiiiii
Chia o vento
Não
decifro
Não
entendo seu chiado
Não!
Não fui eu a chamá-las
Não
fui eu a soltá-las de sua
Clausura
mas quem o fez
Não
sabia bem o que fazia
Estão
em festa
Varrendo
o mundo com suas vassouras
Assustando
com sua estética
“É
a ética da profissão!” A ética do roubo e das
Coisas
arranjadas. O cheiro da latrina do hospital
O
esparadrapo superfaturado. O caixinha
Acho
que vieram fazer sangria
Emplastro
ou fumegar
Tem
jogo de cartas marcadas e agora é
Público
e sabido
Pior
é que vem de longe essa “ética”
As
bruxas com seu poder
Varrem
um pouco da pó
Mas
é tanto do pó que a “faxina”
Vai
ser só onde o olho vê
Onde
o povo dança
Levanta
o tapete
Viu
no que dá se achar sem assunto?
Fernanda
Blaya Figueiró
27
de março de 2012
As
velhas ideologias
Estão
morrendo
Todas
as antigas ideias sobre o mundo
Um
mundo desprovido de ideias é
Como
a terra lavrada pronta para receber
A
nova semente
Claro
que a plantação será a mesma
Mas
essa possibilidade do novo
Traz
esperança e preocupação
O
que seria de nós sem uma grande
Preocupação
para dar sentido ao fazer diário?
Fernanda
Blaya Figueiró
Posted 5th
April by Fernanda
Blaya Figueiró
Galeria
de vaidades
Todos
meus ídolos
Já
pularam para o outro lado
Eu
mesma sou do outro lado
Do
lado translúcido do conhecimento
Mesmo
que este meu corpo seja pesado e denso
Minha
alma é leve e livre
Livre
de ilusões?
Que
ilusão!
Gente
nasce neste momento e
Gente
parte neste momento
Os
anciãos são testemunha disso
Não
existe verdade sobre uma pessoa
Cada
ser remanescente vai contar
Algo
e neste algo é
Sobre
alguém e sobre um lugar
Sobre
um fato, uma invenção
Toda
história é uma ilusão
Haverão
mágoas e decepções
Ilusões
rompidas e mitos
Verdades
e mentiras e com o tempo
As
verdades se consolidarão e
Assustarão
Amor,
Amar, Amo, Ame, Amém
Meu
parco saber não vale
Vale,
não vale, vale, não vale
Fernanda
Blaya Figueiró
8
de abril de 2012
Cativo
“Você
é responsável pelo que cativa”
Até
um ponto o da
Emancipação
Amor
cativo aprisiona
Amor
cativo corrói
O
verdadeiro amor liberta
Fernanda
Blaya Figueiró
21
de abril de 2012
Mesa
para uma pessoa
Hoje
o mundo dedicou-se a refletir sobre a Terra
E
a mim coube uma parte pequena no discurso
A
Terra reflete em mim
Como
é Bela, Poderosa e Forte
Ando
preocupada, não deveria,
Com
a radicalização do discurso
“eco-
guerrilheiro”
Guerreiros
são guerreiros
Sempre
existiram
São
pessoas predispostas a guerra
Que
usam qualquer artifício para
Conseguir
a Guerra
Não
aceito este discurso do “dedo apontado”
De
um pensamento que quer se tornar verdade a
Força
A
Terra não é motivo de guerra e nem
Pertence
a facção nenhuma
Vamos
sim cuidar do planeta e de sua comunidade
De
Vida Única
Buscando
as soluções não a delação
Com
respeito ao outro e a suas ideias e
Seu
“tempo de amadurecimento”
Caminho
pela Terra em Estado de Solitude e
Há
uma beleza neste silêncio profundo do andar
Sozinho
em meio ao público
Fernanda
Blaya Figueiró
Posted 22nd
April by Fernanda
Blaya Figueiró
Sobra
do tempo
A
planta sobe belamente até a
Janela
de pedras
A
chuva fria encharca a terra seca
Uma
dádiva no fim do verão a possibilidade de
Renovação
As
plantas sorriem para a tarde
Nada
sobra no tempo de ser
Vamos
partir e nossos Castelos
Vão
ficar
Que
sentido há nisso?
Nenhuma
energia é perdida
Fernanda
Blaya Figueiró
1
de maio de 2012
Espaço
Interior
Eu
sou essa casca
Com
a qual as pessoas estão acostumadas
Mas
também sou essa densa massa interior
Que
quase ninguém conhece
Nem
quem me conhece há muito
Nem
meus leitores mais antigos
Tem
dias que flutuo e em outros me sinto soterrada
E
as duas sensações são verdadeiras
A
vida é uma experiência solitária
E
é assim com todo mundo
As
outras pessoas da vida da gente
São
importantes e necessárias
Mas
são outras pessoas
Acho
que é assim para todo mundo
Fernanda
Blaya Figueiró
7
de maio de 2012
O
quarto de bonecas: um conto sob encomenda.
Observe
que me foi encomendado um conto, eu venho disfarçando e
desconversando mas quem encomendou me encontra e diz: e a história,
já escreveu? Penso que normalmente a história nunca sai como a
encomenda. E também já faz tempo que deixei a arte dos Contos, são
normas e prisões de mais que os contistas inventaram para poder
“julgar”, ou quem sabe classificar, de 01 a 10, ficam atribuindo
notas uns aos outros. Que coisa. Mas em meio a esta noite acordei
contando esta história que se segue: O quarto de bonecas. Por um
uivo muito forte dos cães e nem era dos meus, pois fui verificar,
acordei em meio ao conto. Não sou uma pessoa covarde e decidi que
assim que o sol apontasse no céu sentaria e escreveria a história.
Só que o sol nasceu, preparei o café, tratei dos cães e quando ia
lavar a louça do dia anterior, o conto voltou. Com uma força
criativa própria e autodidática. Mas totalmente diferente do
encomendado e como autora que sou, a maiorias dos contistas não tem
domínio sobre sua obra atende as normas do mercado e não a força
da criação. Resolvi contar exatamente o que o conto queria e
não o que a encomenda pedia. Onde salvarei, uma vez que não tenho
mais uma pasta para contos? Entre os poemas, já que crônica não é.
Dona
Gertrude ou simplesmente Gerta vive em meio as fantasias, em sua casa
há um grande e espaçoso quarto as altas janelas pintadas de branco,
adornadas com belas cortinas bordadas a mão, iluminam o seu interior
de paredes cobertas de papel florido. Um capricho! A cama de ferro
fundido e colchão macio tem uma colcha de retalhos feita por ela.
Anos levou para deixar tudo assim bonito e decorado. Gerta sempre
trabalhou, quando era pequena precisava recolher gravetos para o
fogo, alimentar os porcos e amassar o pão. Tinha pouco mais de dez
anos quando foi mandada para o colégio interno, lá aprendeu a
bordar, passar, lavar, rezar, pedir esmolas. Como odiava aquilo,
vestir um uniforme surrado e ir pedir esmola para o orfanato, as
freiras diziam que a esmola engrandece quem doa e dá humildade a
quem pede. É preciso um coração puro e humilde para pedir esmolas.
Mas Gertrude sentia vergonha e humilhação, assim acreditava que seu
coração não era puro. Um domingo no mês podia ir até a Colônia
e ficar perto da mãe e dos irmãos. A casinha de madeira era
cheirosa e limpa, a mãe sentava na ponta da mesa e lia para todos. O
Pai era caldado e ausente, ouvia tudo e sacudia a cabeça: - Não
enche a cabeça das crianças com bobagens, dizia irritado, a vida da
gente é só trabalhar e pagar conta. O cabelo da mãe tinha um
brilho e seu corpo exalava um calor que no colégio não tinha. Em
casa era Gerta, a menina de ouro, que estudava para ser freira. Dos
oito irmãos cinco ainda eram vivos. Depois da missa a comunidade se
reunia para o almoço da paróquia e Gerta tinha que pedir esmola
para a Igreja. Lembrava que era um tempo feliz mas difícil. A noite
a mãe servia cuca e linguiça, a melhor coisa que havia no mundo, o
pai então falava da Guerra. Prometa para seu pai que não vai ter
filhos, porque os filhos da gente acabam indo para a guerra ou para
as fábricas. Ele falava de seu irmão mais velho que havia sido
esmagado por uma peça com defeito na fábrica. Falava também do
Tempo da Grande Guerra, que o havia mandado para este País. O pai
havia perdido tudo, veio com a cara e a coragem buscar abrigo na casa
do tio. Casou, se estabeleceu, ganhou confiança, só que seu coração
permaneceu amargo. Na segunda pela manhã tinha que pegar o ônibus e
voltar para escola, nem sempre era frio, mas a estrada deixava o
calor para trás. Gertrude sentia um frio interior, que fazia doer os
ossos e o peito. Na escola um dia confessou que queria voltar e o
padre disse: Filhinha a vida vai sempre pra frente, não volta... No
fim do mês serás algo que ninguém em tua família é, uma
enfermeira. Imagina a emoção de teus pais, formar a filha. Quinze
anos e as meninas ricas debutavam usando longos vestidos bordados,
pelas internas do colégio, usariam sapatos altos e fitas nos
cabelos. O Padre tinha razão o pai e a mãe quase não aguentavam de
orgulho. Na Colônia foi organizada uma grande festa. Gerta , a
pedido do padre, conseguiu muitos donativos para a construção do
hospital. A esmola tinha mudado de nome e ela já não se sentia tão
mal. Conseguiu emprego antes mesmo do verão e só ia em casa duas ou
três vezes no ano. O tempo foi passando,a maioria das amigas casou.
A Colônia ficava cada dia mais longe. Já passava dos trinta anos
quando casou. Seu companheiro já tinha cinco filhos, dois do
primeiro casamento, dois do segundo e um com uma garota que deu no
pé. A pequena Martinha criou com se fosse sua. - Amanhã ela vem
aqui me visitar, contou para a visita. Sabe a Martinha la já tem
duas filhas. Se as bonecas são delas. Não! São minhas, dizia
Gerta, eu abro todos os dias o quarto , para arejar, depois sento na
cama e penteio uma por uma. Uma vez por semana troco as roupinhas e
quando está frio coloco blusa de lã e sapatinhos combinado, eu que
tricotei tudo isso. Guardo no armário com sachê de lavanda e folhas
de louro. Meu marido acha engraçado, eu com essa idade, quase
oitenta, brincando de bonecas... Mas sabe, no fundo elas são minhas
filhinhas... Não contei mas eu olhava a mãe e via o brilho de seu
olhar, o calor de seu corpo e pensava... Um dia vou ser assim, só
que não deu... É a vida. A pessoa que me encomendou este conto
contou que Gerta brilhava, seus olhos se iluminavam com as bonecas.
Ela dizia que se fosse uma formiga seria operária, sabia disso,
precisava fazer. Fazer sempre alguma coisa. Gertrude foi mãe na
tardia hora da fantasia, que une a menina, a mulher e a senhora. Essa
é a sabedoria da Grande Mãe, se transformar como a lua no céu.
Fernanda
Blaya Figueiró
25
de abril de 2012
Sobra
do tempo
A
planta sobe belamente até a
Janela
de pedras
A
chuva fria encharca a terra seca
Uma
dádiva no fim do verão a possibilidade de
Renovação
As
plantas sorriem para a tarde
Nada
sobra no tempo de ser
Vamos
partir e nossos Castelos
Vão
ficar
Que
sentido há nisso?
Nenhuma
energia é perdida
Fernanda
Blaya Figueiró
1
de maio de 2012
Espaço
Interior
Eu
sou essa casca
Com
a qual as pessoas estão acostumadas
Mas
também sou essa densa massa interior
Que
quase ninguém conhece
Nem
quem me conhece há muito
Nem
meus leitores mais antigos
Tem
dias que flutuo e em outros me sinto soterrada
E
as duas sensações são verdadeiras
A
vida é uma experiência solitária
E
é assim com todo mundo
As
outras pessoas da vida da gente
São
importantes e necessárias
Mas
são outras pessoas
Acho
que é assim para todo mundo
Fernanda
Blaya Figueiró
7
de maio de 2012
Dalva
nome de estrela
Para
Dalva e Jane
O
quarto de Dalva guardava um encantamento protegido por um segredo:
quando era pequena não tinha bonecas. Um dia olhou para o céu e sua
estrela esta lá, resplandecente, iluminada, sozinha no imenso azul
escuro. Estrela, estrelinha, que é só minha dá-me uma linda
boneca. Lá no céu a estrela ouviu e lamentou. Dalva, Dalvinha, um
dia, um dia teu desejo realizo. A menina cresceu, cresceu. Todas as
noites olhava para a amiga e sabia que um dia, um dia seu sonho seria
real. Não dá para dar mole para a vida, logo a menina cresceu e mãe
se tornou. Um dia, um dia, passou pela frente de uma vitrine, seus
olhos notaram que no alto havia uma estrela luzidia, iluminando uma
linda boneca. Dalva, Dalvinha ela pareceu ouvir e a boneca pareceu
sorrir. Na bolsinha carregava uma nota bem novinha. Que destino ela
tinha? A poupança. Poupança? Que palavra popozuda. Pé ante pé a
senhora, que já era vó na lojinha entrou. Uma linda mocinha olhou
para ela e disse:- a vovó quer uma ajuda? Seu olhinhos brilhavam de
alegria e a boneca parece que respondia. Quanto custa essa boneca,
perguntou meio ofegante. Uma nota - disse a mocinha- Vai levar? O
coração de Dalva pulava como o de Dalvinha, quando ela era
pequeninha, a boneca parecia uma estrela brilhante. A nota pesava na
carteira, que bobeira.- O que os outros vão pensar? Dalva, Dalvinha,
hoje é o dia, hoje é o dia, a nota respondia. Embrulho pra
presente? - pensou! Embrulha pra presente, respondeu, com um alívio.
A estrela na ponta da vitrine soluçava de alegria. Dalva, Dalvinha
chegou em casa com o pacote mas sem coragem. Seu marido, que já era
bem velhinho, baixou o jornal, tirou os óculos e curioso perguntou:-
Dalva, que presente é esse, quem te deu? Envergonhada ela contou
tudo, tudinho. Seus olhinhos estavam opacos e cabisbaixos. O que ele
pensaria? Então ele levantou e abriu uma caixinha, lá dentro sabem
o que havia? - Um avião vermelho, de menino rico, que quando ele era
pequeno não tinha. Dalva colocou o pacote sobre a mesa e aos poucos
foi tirando o embrulho, todo de estrelas, que a mocinha havia feito.
Retirou a caixa, a cordinha que amarava o pescoço dela, como sempre
sonhara e deu um abraço na sua primeira bonequinha, que cheirava a
flores do campo, A boneca usava um vestido todo rendado e o cabelo
comprido. Estrela, estrelinha hoje tu é só minha. O marido riu de
sua felicidade e entendeu o que acontecia. Dalva, Dalvinha nunca
duvide: um pedido feito para uma estrela sempre acontece, um dia um
dia...
Fernanda
Blaya Figueiró
Posted 8th
May by Fernanda
Blaya Figueiró
A
Bessie, nossa cachorrinha estava muito velinha e precisando de muitos
cuidados então passei a ter sentimentos e sonhos estranhos. Queria
tê-la para sempre comigo, mas não queria mais vê-la sofrendo, com
dor, com dificuldade para andar, comer, beber, levando “tombos” a
toda hora, precisando de ajuda o tempo todo, chamando no meio da
noite e sem a a possibilidade de falar, só com o olhar e o latido
rouco de quem tem pouca força. Há algumas semanas sonhei que havia
enterrado uma pessoa viva, noutras que não conseguia respirar. Acho
que isso é normal e hoje encontrei um artigo sobre esse “luto
antecipado ”http://revistaseletronicas.pucrs.br fiquei
contente pois relata sentimentos e pensamentos que eu tive. Não por
um ser humano, mas por um cão. Amor é amor, não sei se há
separação entre ser humano amado ou ser vivo amado. A hora mais
complicada para mim não foi o sepultamento, foi a hora de dar comida
aos outros cães. Tem um pote a menos para servir. Uma caminha a
menos para arrumar. E a sensação de alívio por ela não estar mais
sofrendo e a culpa por esta sensação, foi substituída pela amarga
realidade de que ela não está mais aqui. Como a Drª Cristina
estava junto e atestou então sua morte foi real, não foi enterrada
viva, com meu sonho me atormentava. Esse encontro com a “dona
morte” sempre nos lembra que ela vem para todo mundo, mais cedo ou
mais tarde. Com dor e um longo padecimento ou repentinamente. Quem
fica aqui tem que aproveitar o sol, por aquele que partiu e não pode
mais. Tem que “latir” para dizer: - Estou vivo, não enterrado
vivo. Achei que não deveria escrever sobre isso, mas outras pessoas
podem aproveitar o texto, nem que seja para achar que é uma grande
asneira e um sentimentalismo bobo. Que pensem!
18
de maio
A
sombra
Não tenhas medo, Passarinho
É tua sombra que na pedra está
Projetada
São teus o longo e aterrorizante
bico e as famigeradas garras
Mais profundamente há a
Sombra da sombra
Espera o meio dia e tudo isso
Passará, Passarinho
Ao meio dia dançaremos nas nuvens e
Brincaremos com as estrelas
Fernanda Blaya Figueiró
20 de junho de 2012
Não tenhas medo, Passarinho
É tua sombra que na pedra está
Projetada
São teus o longo e aterrorizante
bico e as famigeradas garras
Mais profundamente há a
Sombra da sombra
Espera o meio dia e tudo isso
Passará, Passarinho
Ao meio dia dançaremos nas nuvens e
Brincaremos com as estrelas
Fernanda Blaya Figueiró
20 de junho de 2012
Ilusão?
Talita,
Antonieta e Francis trabalhavam na loja de ferramentas da esquina de
uma antiga cidade brasileira. Sabe que não tem muita importância o
nome da cidade, já que a grande parte delas se parece muito, então
basta imaginar uma cidade metropolitana criada nos entornos de uma
outra grande cidade e pronto temos nosso cenário. No dia quinze de
dezembro, já fazem dois anos, a sorte delas mudou, a loja fechou.
Primeiro porque os tempos são outros as ferramentas são vendidas em
grandes lojas e poucas pessoas ainda as utilizam. A maioria das
coisas vem pronta e descartável, muitas vezes consertar é mais caro
do que comprar algo novo. As obras são feitas por grandes
empreiteiras, que tem fornecedores diretos. Segundo porque seu
Rosário faleceu e o prédio valia muito, então os herdeiros queriam
transformar em um edifício de vinte andares. Na loja trabalhavam as
três e seu Rosário. No edifício irão morar duzentas famílias,
cada andar terá dez apartamentos, cada apartamento terá um box de
garagem. Normalmente em um apartamento moram três pessoas então no
lugar fixo de trabalho de quatro pessoas passarão a dividir o mesmo
espaço seiscentas pessoas. Nos dias mais movimentados do ano a loja
recebia entorno de duzentas ou trezentas pessoas, na maioria dos dias
não passavam de cem. Talita e Antonieta atendiam no balcão, seu
Rosário ficava no Caixa e nas compras, controle de estoque, toda a
papelada. Francis cuidava da limpeza, do cafezinho, da
correspondência. Seu Rosário morreu de repente, tinha a saúde de
um touro, foi visitar o irmão e não voltou mais. Pegou todo mundo
de surpresa, a loja estava funcionando normalmente e o dr. Gusmão
veio dar a notícia, pediu que fechassem as portas e colocasse um
recado para os clientes: Fechado por motivo de luto. A elas disse que
deveriam ir para casa e esperar. Esperar uma ova! Decididas foram
prestar sua última homenagem ao patrão. Sua presença causou um
certo incomodo nos familiares, uma gente bem arrumada. Dr. Gusmão
foi delicadamente agradecer a presença delas e informar que logo
entraria em contato sobre a situação. Situação? Seu Rosário nem
tinha esfriado e todos falavam na situação. Francis foi quem chamou
as amigas para tomar um cafezinho e disse que achava que a presença
delas estava sendo um problema. Não deixaram de notar que o velório
tinha poucas pessoas e um ar de obrigação. Antonieta achou que elas
deveriam sair de fininho. Talita disse que provavelmente todas
estavam sem emprego. A realidade parece que bateu na porta da
cafeteria, a vida delas mudaria. A loja nunca mais abriu as portas, o
estoque foi vendido por uma bagatela, as mobílias viraram pó na
demolição. Cada uma delas recebeu uma pequena indenização pelos
anos de serviço e esse foi o fim de uma era. O novo edifício foi
inaugurado com pompa e luxo, os herdeiros brigaram pela divisão do
valor da venda dos apartamentos e nunca mais se falaram. Quinze de
dezembro virou um dia marcante para as três amigas, elas sempre se
reuniam para falar do “tempo da loja” e dos causos de seu
Rosário. Cada uma refez a sua vida, continuou em frente, no início
foi difícil ter perdido a loja, o chefe, a sua função, mas com o
tempo as coisas voltaram PRO lugar. Seu Rosário sempre dizia:
“Meninas, a vida é uma grande Ilusão! A desilusão é uma coisa
sadia, quebra a ilusão, por alguns momentos e a gente pode ver a
realidade. E como é bruta a realidade de uma história, por isso é
preciso sonhar!”. Quando elas se reuniam, para lembrar, lá no
fundo ouviam o velho jargão: “Meninas, vamos abrir as portas?” E
uma risada debochada: “É hoje! É hoje que o velho Rosário
enriquece...”
Fernanda
Blaya Figueiró
25
de junho de 2012
Perdi
algo
E
continuo aqui
Não
tem um lugar para esse pensamento
Antigamente
os pensamentos viviam em livros
Hoje
eles se dissolvem tão rápido que pensar
Se
tornou inútil
Então
o ser humano
Age,
Age, Age
Sem
pensar
Os
pensamentos perderam o emprego
Estão
livres
Não
são mais escravos
Ledo
engano vive quem acha que
Vive
um mundo sem ideologia
Tudo
isso foi pensado
Arquitetado
por alguém
Até
esse descrédito do
Velho
hábito de pensar
Quando
esse poema,
se
é que é um poema,
Cair
na rede
Já
será velho
Nada
mais envelhece com lentidão
Nem
o pão
Fernanda
Blaya Figueiró
27
de junho de 2012
Leveza
Não
se pode optar por ela
É
quase como descontruir uma
Casa
pedra por pedra
Haverão
grandes
Mistérios
Coisas
esquecidas
Não
se sabia das formigas
Nem
do mofo ou da umidade
Ninguem
notou quem teceu teias e
Furou
o reboco
A
leveza vem por conta própria e
Desaparece
assim sem aviso
Ficou
bonita esta antiga janela
Que
já não abrem nem fecha
Essa
pedra que ainda guarda o charme
Do
desfeito
Fernanda
Blaya Figueiró
1
de Julho de 2012
Errei
o tempo
Contei
erroneamente os degraus
Da
escada no tempo da descida
Esse
desequilíbrio cria uma sensação de
Quebra
no cotidiano das coisas
O
sarcasmo é uma poderosa arma
Das
pessoas
Acho
legal!
Não
me incomoda
Esse
passo em falso
Que
pode levar a uma queda
Ontem
fiz tanto empenho em
Esvaziar
a mente mas não consegui
Acho
que a companhia dos canhões me deixou combativa
Que
ironia
Deve
haver algum poema escondido naquela prosa toda
Mas
Pelo
jeito
Ando
pouco iluminada
Para
a poesia
Fernanda
Blaya Figueiró
19
de julho de 2012
Um
conto contado
Estou
aqui pensando em um exercício de oficina, não gosto de exercícios
de oficina. Não acho bom para livre criação, se é que existe uma
livre criação, ficar preso exercitando, agora confesso que gosto
menos ainda de receitas. Na minha cozinha nunca usei receitas por
isso as vezes acerto e em outras erro. Mas a vida é assim. Vamos
exercitar: a proposição foi minha, é verdade.
A
proposta foi ler o conto Coco verde e Melancia de Simões Lopes Neto
e escolher, aleatoriamente 5 palavras, não necessariamente palavras
típicas, só palavras e propor algo novo.
Nosso
grupo lê mais poesia do que prosa então a proposta é escrever e
ler prosa para o próximo encontro, para variar um pouco.
O
Conto Contado
Tenho
guardada na MEMÓRIA a visão de uma RAMADA de cipó COBREADO que
balançava furiosamente batendo no dorso de um Tobiano, que de VENTA
aberta empinou o corpo e saiu num trote marchado rumo ao campo
aberto, em total INDEPENDÊNCIA. O cipó se esparramava por todo o
matagal,com sua ramada pendurada entre maricás,butiazeiros,
figueiras e brincos de princesa. O Tobiano aventado desapareceu sem
deixar rastro, deixando o cavaleiro solito da vida... Solito? Solito,
solito não! Que este conto contado é uma velha história do tempo
dos amores proibidos. Essa velha coruja, que já ouviu muito causo,
que já viu muita coisa neste mundão velho de Deus, vai lhe
recontar, rapidinho, o acontecido. Os tempos eram de peleia, os dias
sombrios e secos, o gado andava magro, o rio barrento. E alguém
disse: este amor não pode ser. Foi o que bastou. Se não pode ser
daí é que será. Quem proibiu o mato não sabe, porque motivo,
muito menos. Coisa de gente. Que gente gosta destas coisas de proibir
e de libertar. Proibi para libertar, liberta para proibir. Vive pra
lembrar, lembra pra esquecer... E o proibido foi encontrar abrigo nas
ramadas cobreadas do cipó da mata. No tempo que tinha isso de ter
mata. Tempo antigo. Anoitecia, o sol deitava o cabelo no céu
tingindo ele de um alaranjado que só aqui no pampa acontece, os
proibidos tinham a doçura e a ternura do amor novo. Que o amor é
coisa muito boa, nos primeiros tempos. Chegaram no dorso do Tobiano,
que foi amarrado, sem a montaria, no pé de uma grande árvore, pra
descansar o lombo. Nisto apareceu uma cobra. Chiiiiiiiiiiiii,
Chiiiiiiiiiiiiiii! Pucutum,pucutum,pucutum... A Proibida arregalou os
olhos e o proibido foi logo tratando de encontrar um jeito de acalmar
a amada. Hu.Hu.Hu... Piei para ajudar! Disse ele que o Tobiano
haveria de voltar e que a cobra já havia partido. Ah, as cobras...
Nunca perdem a chance de dar uma forcinha pra uma amor proibido. O
vento soprou os longos cabelos da amada, que as amadas mantem longos
cabelos, como os cipós cobreados, na pele forte do amado, que os
amados tem uma pele forte, como os brados de independência. Todas as
boas histórias de amor acontecem no tempo da juventude. Com a ajuda
da cobra, do vento e da lua, que nessa hora já dominava o horizonte,
o amor proibido aconteceu. Hu,hu,hu... Dizem que foi desse amor que
nasceu... Não! Não foi a humanidade, que essa era uma história
mais antiga. Nasceu desse amor um conto contado, dissimulado. Coco
Verde e Melancia? Não sei não seu moço, não é bem o que a coruja
tem guardado na memória... Que as corujas guardam os segredos bem
guardados... Hu,hu,hu...
Fernanda
Blaya Figueiró
Para
o encontro do grupo de leitura da ACF
A
maçã
E
Se
Existir?
Com
que espanto
Com
que falta de jeito
Com
que sorriso encabulado
chegam
ao mais céu
os
que
sempre
negaram
Coma
vagarosamente este fruto desta possibilidade é só uma possibilidade
Fernanda
Blaya Figueiró
Sonhar
acordada
Ando
pouco ocupada com o meu mundo
Mas
ele continua aqui vivo
Brilhante
e escuro
Paralelo
Único
Quieto
Misterioso
Como
andar de pés descalços pela terra úmida
Estar
entre suas próprias sombras
Descobrir
vultos escondidos e formas antigas
Clareiras
e aguadas
E
uma história bela ou não
Preciso
de uma nova história como as
Aves
precisam de uma poça de chuva
Para
afundar a cabeça, tomar golinhos de vida
Sacudir
as penas e brincar
Meu
mundo é completo e muito muito
Melhor
que este Mundo
Que
mais parece uma longa espera
Poucas
das coisas que se diz ou faz tem algum
Sentido
Fernanda
Blaya Figueiró
Posted 1st
August by Fernanda
Blaya Figueiró
Um sopro de vida
As
mais belas cantigas
São
cheias de cor
Tem
a profunda humanidade que
Toda
a dor tem
São
repletas de memórias e de
Perfumes
que a realidade não conhece
Todo
o canto diz a mesma coisa
Este
ser está vivo
Eu
ser estou vivo
As
cantigas que eu ouço
Os
poemas que leio dizem
Aqui
houve uma vida
Sonhei
outro dia que
Estava
num pregão
Muito
antigo
Uma
casa de penhores
Onde
se pisava entre toras de madeira e do chão emanava
O
som de um passo firme
Fui
resgatar uma antiga melodia
Que
eu havia penhorado
A
felicidade tem um tom púrpura
Como
uma canção composta pelo vento
Fernanda
Blaya Figueiró
4
de agosto de 2012
Haverá??
Tenho
uma sensação
De
que em minha trincheira
Dentro
de minha própria trincheria,
Cavada
por estas mãos calejadas
Há
um inimigo
E
todos sabem que trincheiras não se constroem
Sozinhas
Que
ninguém cava valos, ou empilha sacos de areia
Ninguém
vira a ampulheta sozinho
Todos
os pêlos da minha nuca estão erriçados e os
Meus
sentidos estão aguçados
Meu
olhar turva nestes momentos
Quem
é?? De onde vem??
Quais
são suas armas??
Pode
ser qualquer um e
Vir
de qualquer lugar
Trajando
qualquer disfarce
Só
conseguem transpor a barreira do medo
Os
suicidas e os guerreiros
Todos
que dão o passo sem volta
Que
não tem mais como desistir
Já
morreram
Apenas
aguardam
Em
todas as trincheiras há um traidor
A
sorte foi lançada e aguardo
Aguardo
com todos sentidos aguçados
Aqui
neste espaço não há mais medo
Que
antes do fim da batalha sou eu ou o inimigo
Fernanda
Blaya Figueiró
-
Posted 12th
August by Fernanda
Blaya Figueiró
Janela do Tempo
Quanta
coisa acontece no mundo
Estou
só matando o tempo
Sentindo
a energia das coisas
Minha
pergunta é o que está oculto?
Acho
que produzi muita coisa em palavras
Com
medo de que a palavra me faltasse
O
drama das grandes cidades é a futilidade
Da
vida contemporânea em que as horas se
Tornam
quase eternidades
O
que fazer com o tempo não é um dilema novo
Nenhum
dilema é novo
É
uma característica da aceleração da vida de consumo
Fernanda
Blaya Figueiró
21
de agosto de 2012
O
Mundo está precisando
De
um magnífico musical
Americano
Esplêndido
Clássico
Perfeito
Uma
história de amor
Poder,
dor e morte
Um
conto de superação
Que
nos lembre o quanto somos grandes e poderosos
Que
sacuda a civilização
Tirei,
recentemente, um ogro de sua toca e
Pobrezinho
era tão sem sal
Sem
vida
Acho
que um bom musical colocaria as coisas no lugar
Quem
sabe um épico grego
A
Grécia bela
A
Grécia de Apolo
De
Atena
Chega
de mediocridade!!!!!!!!!!!
Amiguinhos
do cinema
Façam!!!!
Criem a solução!!!!!
Fernanda
Blaya Figueiró
Posted 1
week ago by Fernanda
Blaya Figueiró
O Entardecer da Humanidade
Resumo
da ópera
Sobre
as nuvens encontram-se Atena e Apolo
Do
alto olham para a humanidade
Data:
O Ano Maia
Horário:
O entardecer da humanidade
Pauta:
O sentido da vida
Sonoplastia:
Carmina Burana
O
imaginário diálogo entre os deuses sobre os rumos da humanidade é
travado sob a égide da arte.
-Apolo!Protesto! Pelo bem da verdade, é grega, romana, anglo-saxônica, americana,oriental, africana, essa prosa??
- Bela Atena! O mundo adora novamente o dinheiro que reina soberano! Diga-me que diferença faz ?Ainda há essa separação das vozes
- Apolo, Apolo! Os mortais perderem o medo dela??? Dão seus pescoços a guilhotinas erradas? Falam e não ouvem... Esse parece o minuto que antecedeu ao das grandes guerras! Dizem eles: não há mais a guerra! E ela se avoluma vai se configurando diante de seus olhos cegos... Enquanto houver homens haverá a guerra. A fortuna do mundo aonde anda?
- Não havia lastro para a fortuna. Era feita da matéria desse nuvem. Acumulou tanto ficou pesada, mas chover não choveu. Os astros alinhados beberam a água que cria a fortuna do homem. Tem sede o cão, o gado, o pasto. Tem sede o homem.
- Calma! Em breve beberão a urina dos astros e tudo retornará! Como sempre tem acontecido desde que aqui estamos. Queres um gole do meu bom vinho retirado das pedras dos velhos castelos.
- No vinho a verdade! Que queres ouvir de mim? Ó oráculo de Delfos??
- Qual a tua soturna estratégia?Encho tua taça?
- Claro, jovem Apolo. Esperar, esperar, esperar!! A Fortuna muda como a lua, lembra a velha cantata. É ingrata e geniosa. Recebi de uma mortal, das mais comuns, um apelo!
-Um apelo! De intercessão?
- Uma súplica! Em nome do que mais adoro: a arte
- Arte!
- Atacaram o Teatro!
- O Teatro! Então foi por medo da verdade? Como os mortais temem a representação, os grandes feitos, as belas edificações. Lamentável! Querem tirar dos jovens a possibilidade de serem grandes, reduzindo-os a meros ruminantes. Pão e circo. O pão está contaminado e o circo banhado em sangue.
- Que me dizer, querido Apolo, qual visão temos deste entardecer?
-Melancólica a luz entre a saída do sol e a chegada da lua. Vais atender a prece?
- Ainda não decidi. Minha espada ainda está guardada. Chorai, chorai, chorai!!!!O choro também rega a Terra.
-Apolo!Protesto! Pelo bem da verdade, é grega, romana, anglo-saxônica, americana,oriental, africana, essa prosa??
- Bela Atena! O mundo adora novamente o dinheiro que reina soberano! Diga-me que diferença faz ?Ainda há essa separação das vozes
- Apolo, Apolo! Os mortais perderem o medo dela??? Dão seus pescoços a guilhotinas erradas? Falam e não ouvem... Esse parece o minuto que antecedeu ao das grandes guerras! Dizem eles: não há mais a guerra! E ela se avoluma vai se configurando diante de seus olhos cegos... Enquanto houver homens haverá a guerra. A fortuna do mundo aonde anda?
- Não havia lastro para a fortuna. Era feita da matéria desse nuvem. Acumulou tanto ficou pesada, mas chover não choveu. Os astros alinhados beberam a água que cria a fortuna do homem. Tem sede o cão, o gado, o pasto. Tem sede o homem.
- Calma! Em breve beberão a urina dos astros e tudo retornará! Como sempre tem acontecido desde que aqui estamos. Queres um gole do meu bom vinho retirado das pedras dos velhos castelos.
- No vinho a verdade! Que queres ouvir de mim? Ó oráculo de Delfos??
- Qual a tua soturna estratégia?Encho tua taça?
- Claro, jovem Apolo. Esperar, esperar, esperar!! A Fortuna muda como a lua, lembra a velha cantata. É ingrata e geniosa. Recebi de uma mortal, das mais comuns, um apelo!
-Um apelo! De intercessão?
- Uma súplica! Em nome do que mais adoro: a arte
- Arte!
- Atacaram o Teatro!
- O Teatro! Então foi por medo da verdade? Como os mortais temem a representação, os grandes feitos, as belas edificações. Lamentável! Querem tirar dos jovens a possibilidade de serem grandes, reduzindo-os a meros ruminantes. Pão e circo. O pão está contaminado e o circo banhado em sangue.
- Que me dizer, querido Apolo, qual visão temos deste entardecer?
-Melancólica a luz entre a saída do sol e a chegada da lua. Vais atender a prece?
- Ainda não decidi. Minha espada ainda está guardada. Chorai, chorai, chorai!!!!O choro também rega a Terra.
Fernanda
Blaya Figueiró
7
de setembro de 2012
Como
nascem os déspotas?
Se
você tivesse a chance de frear os déspotas e tiranos
Você
faria?
Se
você se aproximasse muito dos monstros
Monstro
se tornaria?
Os
déspotas nascem da passividade
Do
medo do confronto
Sempre
que nascem tiranos há
Uma
vila de gente fraca
Uma
falta de gente forte
Casas
saqueadas e civilizações queimadas
Ausência
do estado e
Estado
de sítio
Supervalorização
da morte e
Desvalorização
da vida
Abuso
de poder e
Direitos
violados
Muita
gente boa pereceu para que
Nós
tenhamos hoje essa vida
É
em nome dessa gente que
É
preciso viver essa liberdade
Com
responsabilidade
Não
aceitando nenhuma forma de despotismo
Nem
a da nossa própria mente
De
achar que tem uma solução
Nunca,
nunca, nunca
Há
uma só solução
Fernanda
Blaya Figueiró
08 de setembro de
2012
Estilhaços
Comprei
hoje um livro antigo
Páginas
amareladas guardam o cheiro
De
guardado tem capa dura em cinza e a
Finesse
de trazer só o título e o tradutor
Foi
impresso em 1919, em Portugal
Na
“Advertência” duas páginas charmosamente
Foram
rasgadas, o mofo trabalhou as folhas e
Um
furo vai da contracapa a página 115
Faminta
traça nos leva a seguinte sentença
“ Quem
eu sou?Parte da força, que,empenhada no mal,
o
bem promove.
Fausto
Não
te percebo o enigma.
Mephistopheles
Sou
o espirito.”
…
dizes
que é parte e eu te ve-jo completo!”
Há
um detalhe este livro
Pertenceu
a Belmonte de Macedo
Gravou
seu nome em caneta tinteiro
Quem
foi?
Não
sei, só sei que deu seu nome a uma rua
Sua
imagem é ligada a uma casa de religião
Logo
em seguida há um emaranhado
Já
em esferográfica indecifrável
Para
não quebrar antigo rito
Grafo
meu nome com a caneta
A
única que tenho em mãos
Será
que foi lido ou esquecido num canto de armário?
A
vendedora o conhecia com a minúcias de uma amante
Ciumenta
Português
bem antigo, totalmente decifrável
Colhi
pequenas flores de jasmim do poeta, cinamomo e da
Pitangueira
só as que as formigas ainda não haviam devorado
Assim
o próximo comprador saberá que estamos quase na primavera
Mas
Não
era sobre isso esse poema
Apesar
de ser
Inicialmente
queria falar sobre
Um
tiro no escuro ou
Sobre
um arremesso
Só
que faltou uma caneta entre minhas coisas e
A
ideia foi passando por uma mutação
Sem
registro
Ao
abril o livro em busca do fim do furo
Chego
a esse esclarecimento
O
fragmento é parte do completo
E
tudo está explicado
Meu
poema morre assim
Sem
necessidade de ser escrito
Só
lembro que seria em uma noite tomada
Pela
tempestade e que a luz dos astros estava enterrada
De
repente um apagão trazia para uma sinistra rua a
Respiração
pesada e a consciência do som dos próprios
Passos
O
peso da noite
A
dúvida que surge no escuro
Peguei
um pedaço de pedra estava febril
Joguei
em um arbusto que sacudiu
Um
zunido e um pequeno estrondo
E
a luz voltou
Olhei
para a minha mão e vi
Estava
marcada pelo calor da pedra
Seria
o fragmento de um corpo celeste
Decaído?
Fernanda
Blaya Figueiró
13
de setembro de 2012
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