Poema de ontem



Poema de ontem

Algumas pessoas se sentiram
Ofendidas pelo poema de ontem

Não as entendo
Porque insistem
Em ler poemas dos quais não gostam?

São os viciados em sofrimento
Conheço muitos
Ou
As vítimas em potencial

É um poema
Niilista?
Não sei se é
Provavelmente sim

Mas rodamos e rodamos sobre o mesmo eixo
Como aros de bicicletas
Sem sair do lugar gerando movimento
Nunca vi um aro que não estivesse ligado a uma roda
Girando no mesmo lugar

Já a bicicleta
Está se desloca sobre uma grande roda
Não fugindo muito a mesma estagnação

É a ação pela ação
O movimento pelo movimento
E se tudo fosse muito simples?

Como chamariamos uns aos outros?
De iguais

Meu pensar vale tanto quanto o teu
Meu conhecimento me torna igual a ti
Meu desconhecimento também

Foi uma minhoca quem
Plantou a figueira
O vento, o sol e a chuva a
Alimentaram e as formigas, os bentivis e
As pessoas dela se orgulham sem lembrar da
Pequena minhoca

Se o aro pudesse navegar solto pelo universo
Talvez pudesse alcançar um novo entendimento
Perguntar novas coisas

Apenas pelo velho hábito de perguntar
Posso agora afirmar que
Nunca houve um início do mundo

Com a certeza de que só veio até esta sentença
Quem quis
Não sei se há limite entre arte e ciência
Entre literatura e filosofia

Entre intelectual acadêmico e orgânico
Todos nós somos dotados da faculdade de
Pensar


Fernanda Blaya Figueiró
31 de dezembro de 2011

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