Catarse ou profecia
As religiões são um
elo entre a humanidade e a sua origem, buscam criar um sentido para a
nossa existência. Como a explicação mais aceita e respeitado no
momento é a vinda dos meios acadêmicos cria esta sensação de que
é a única. Sendo a única possibilidade se torna dogmática e
fechada. Não tenho nada contra a ciência , bem pelo contrário,
acho maravilhoso estar aqui neste momento e poder testemunhar este
mundo. Um mundo em que não há mais Profetas e sim Projeções. Não
há mais Visões e Oráculos, há Planejamento e Relatórios. Mas, o
mundo continua o mesmo e o futuro a Deus pertence, mesmo com toda a
tecnologia e “avanço” da nossa forma de viver, ainda não temos
o Destino nas nossas mãos. Ninguém sabe exatamente qual é o nosso
fado, a que estamos fadados. Nem se há ou não um sentido nesta
caminhada, que ainda é o movimento que melhor define a existência
humana sobre o Planeta, uma jornada de ação e transformação da
natureza. Talvez a nossa natureza seja a de brigar com as forças da
natureza. Não aceitamos a nossa humanidade e a nossa condição
animal. O mito de que "ser humano" é mais e melhor do que ser uma
pedra, um vegetal ou um outro animal perpassa os tempos. Nesta
caminhada construir e destruir é parte da ação e da interação do
fazer. Antigamente plantava-se para colher, alimentando a tribo. Hoje
é para alimentar uma longa cadeia de coisas absurdas. Nesta semana
morreram centenas de Pinguins na costa gaúcha, os cientistas acreditam
que tenha sido de frio e fome. Acabaram as sardinhas, estão
todas enlatadas e em breve, assim que vencer a validade, irão para o
lixo e os pinguins morrem de fome. Fora as outras espécies que não
foram morrer na praia, que estas provavelmente estão desaparecendo
das redes de pesca. Mas o pescador tem que viver! Tem em harmonia com
o mar. Que não está para peixe. Uma profecia atual é a de que em
breve, muito breve, não haverão mais pinguins, peixes e pescadores.
Haverá um grande “Dilúvio” pois as águas sem vida vão
evaporar mais e vai chover mais e as cidades litorâneas, como
Atlântida, serão perdidas. Todas perdidas. Mas Deus, ou alguns
núcleos de estudos, salvará alguns genes de pinguins, de peixes e
de pescadores, numa grande arca e quando o dilúvio passar, depois de
uns quarenta anos ou séculos, a vida renascerá. Talvez com o mesmo
erro do antigo “Dilúvio” que foi o de ter salvo junto um ser
autodestrutivo. Ou isso foi obra do destino? Seria esse o destino da
humanidade acabar com as outras espécies e com a sua própria
alimentação? Ah! Sim! Neste entremeio haverão guerras, gripes,
mortes e fomes. A espécie saiu do controle e a natureza está
reagindo tentando tomar as rédeas. Tudo isso, como todo o resto é
sabido, não é fruto desconhecido. A nossa percepção só tem
paradigmas para perceber o revelado, por isso teme e nega o obscuro.
As novas relevações são irrelevantes. Estamos vivos para matar e
morrer. Viu o quanto fica complicado levantar o holofote para a
ideologia? Melhor mesmo é “deixar quieto” o bicho homem
caminhando na escuridão.
Fernanda Blaya Figueiró
22 de julho de 2012
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