Poema - Catadora

Catadora

Para Mario Quintana

Catei um vento
Que vinha do rio
Catei um tempo
Que vinha!!

Vinha? É a mãe do Vinho?

Veio e viu e venceu

Será que o amamos tanto quanto
Devíamos

Devemos
Oh, não!
Não devemos

Esse vento que irmana os tempos
Foi se embora, foi se embora

Não se espante passarinho
O rio murmura bem baixinho

O poeta está em casa
O poeta já saiu
O poeta da bengala se livrou
É que

O Tempo e o Vento
São sempre os mesmos
Mas essa é uma outra longa e bela história

Poeta passe o bule que teu amigo escritor
Pacientemente espera

Que bagunça é essa? Grita a rua...

pois não sabes?
São as velhas paredes do majestoso hotel
Que se põem novamente a
Cochichar...


Fernanda Blaya Figueiró

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