Vereador de Caxias tem que se desculpar publicamente, errou feio.
Meu Deus, é cada notícia cabeluda, um vereador de Caxias do Sul se expressou mal e ofendeu os trabalhadores encontrados em condições análogas a escravidão, e todos os baianos. Os trabalhadores retirados pela Polícia de uma situação terrível não deviam de fato estar trabalhando bem, porque estavam sendo amedrontados e mal tratados. Eles não tem culpa alguma do que aconteceu, este vereador tem que se desculpar, tem imunidade para falar, mas não pode ser xenofóbico. Este caso todo é terrível e indica que coisas hediondas como a venda de seres humanos como mão de obra barata existe, é revoltante e tem que ser investigado a fundo, pois podem ter mais trabalhadores sendo explorados não só no RS, como na Bahia e no Brasil inteiro. Ou será que isto foi uma evento isolado e a maioria das prestadores de serviço de mão de obra são legais e cumprem as exigências da justiça do trabalho?
Esta notícia é preocupante o que liga o RS a Bahia, quem trouxe estas pessoas, como convenceram elas a saírem de seu Estado e vir para cá?
Se houver a participação de policiais a coisa fica muito mais séria ainda.
Os baianos são cidadãos brasileiros trabalhadores, gostam sim de praia e festa e isso não é crime nenhum, a gauchada gosta também, e se diverte nas horas de folga, trabalha nas horas de trabalho, o resto é preconceito as vezes alimentado por folclore. A fala dele é feia e disforme, mas é preciso atenção pois podem ter mais pessoas assim oprimidas, quem ele conhece que não trabalha direito? Quanto a qualidade do trabalhador argentino é também uma generalização xenofóbica e fora de contexto.
Somos todos brasileiros, gaúchos e baianos e não procede ter este tipo de fala agressiva, em outros estados há preconceitos com gaúchos também e não deveria.
As empresas se não fiscalizaram a empresa contratada erraram também, pois podem estar financiando grupos criminosos que se aproveitam da miséria para enganar as pessoas.
Um fato é grave, os trabalhadores dizem que eram ameaçados e suas famílias também, será que a polícia na Bahia está pronta para proteger eles? Pelo jeito são pessoas muito necessitadas em busca de trabalho e sustento, merecem a atenção e a proteção do Estado, da União e de seu Município. Não é um caso só para o RS investigar.
A miséria é o pano de fundo de toda esta história horrível, ter pessoas desesperadas por emprego e sustento sendo enganadas por criminosos.
Não contrate empresas desse tipo sejam elas de onde forem, isto o vereador deve ter pensado ao dizer estas bobagens, mas para que as empresas contratantes tenham segurança para terceirizar seus serviços o Estado tem que fiscalizar alojamentos, condições de trabalho, uso de equipamentos de segurança, atenção a carga horária, a alimentação , remuneração. Ah, mas isso é uma utopia, é querer um país que não existe, só no mundo da fantasia. Então vamos fantasiar para que estas coisas boas aconteçam, que nossa sociedade evolua e não aceite que trabalhadores sejam tratados dessa forma.
Fica o alerta para que outras empresas se liguem e busquem informações sobre os serviços que tem contratado, em qualquer setor isso pode acontecer.
A polícia deve também investigar e aprofundar a fiscalização para que coisas assim não se repitam. Ok num universo de milhares de trabalhadores é difícil, mas não impossível de fazer.
A Pandemia gerou um enorme desemprego, a informalidade compete com a empregabilidade formal, então é todo um conjunto de coisas que precisam ser enfrentadas e que levem a geração de emprego e renda mais qualificada. A falta de formação de mão de obra qualificada é outra questão grave, passa por décadas de desqualificação da educação.
O furo desta notícia pode ser mais profundo, estamos talvez vendo a ponta da ponta do iceberg. Tem pano pra manga, um dia vamos nos tornar um país mais desenvolvido. Pelas séries e programas de TV que passam parece que isso acontece no mundo inteiro, com os ambulantes e trabalhadores ilegais. Lembrei do filme Biutiful, que aborda o trabalho análogo a escravidão na Espanha de anos atrás.
Complicadíssimo isso tudo, o RS está sendo alvo destas empresas porque aqui há trabalho sazonal e pouca mão de obra qualificada, isso abre espaço para os aproveitadores.
A violência urbana aumentada em Caxias e na região é parte desta situação toda? Qual o mecanismo social que está envolvido nesta história, como o empreendedor pode proteger seu negócio e as cidades protegerem seus cidadãos?
Os contratos estavam com o valor normal de mercado ou era uma pechincha?
Fernanda Blaya Figueiró
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