Para os gordofóbicos.
Ontem fui a um lugar, não descrevo pois o lugar em si não tem nada neste texto, mas esgueirando num canto havia um ser magro, alto e extremamente gordofóbico, fez piadas sobre gordofobia e olhei profundamente em seus olhos, ele se achava por certo engraçado, de fato, era um palhaço maldoso. Sim, sou uma pessoa gorda, de 54 anos, não tenho medo da gordura e nem ódio, mas tenho ódio ao ódio contra a gordura ou outra característica física ou cognitiva que tente diminuir o outro. Tive pena daquele ser das trevas cuspindo sua maldade como se nada voltasse para ele, voltará.
O mal é um tipo de tentação, tem gente que o alimenta e depois se assusta quando ele dá as caras. Eu, gordofóbico, capaz, diria aquela criatura... Foi só uma brincadeira para descontrair, sem problemas, sem drama, verdade.
Uma fobia é um medo, um medo irracional, então estava eu diante de um ser doente, seu ódio ao diferente é so uma máscara para disfarçar seu ódio, não pode odiar o outro por sua cor, gênero, etnia, religião,idade então odeia porque é diferente ou talvez porque se ache superior, é um merda na verdade.
Lembrei de todos os gordofóbicos que conheci ao longo da vida, dos rudes e grotestos como o que falo aos rebuscados e pseudo instruídos, tudo o que combatemos no fundo faz um pouco parte de nós mesmos, talvez eu seja ou já tenha sido gordofóbica, ou preconceituosa em outros momentos, é muito possível e provável, todos somos e errar é parte de nós, mas acertar também, refletir, pensar, tomar consciência das coisas.
A vida pode e é muito simples, basta seguir o curso, em alguns momentos regir, humanamente reagir e devolver a grosseria ou o apoio, amor, afeto, bondade.
Para mim esta experiência foi ótima, para mudar um pouco o foco, a política aqui mostrou tudo o que há de pior nas pessoas, e na sociedade. Foi um festival de maldades que reverbera, incomoda, atrapalha, então falar sobre outra coisa, mesmo que também seja uma forma de política ou um padrão estético é bom.
Há alguns lugares que tem um padrão único, como uma tribo, corte de cabelo, tonalidade das roupas, tamanho das pessoas, um tipo de 'marca', então quando alguém fora daquele núcleo fechado entra causa pavor.
Há alguns dias eu já queria falar sobre isso, mas faltava a oportunidade de não vincular a um vídeo ou série de TV. Adoro ainda séries de TV, mas não escrevo mais sobre elas, pois a crítica hoje é uma coisa mal vista, tanto quanto a aparência dos gordos, causa asco em algumas pessoa, é a doença delas, não a minha.
A verdade é que pessoas gordas são mais felizes e alegres, não se escondem para rir do outro, riem de si mesmas. Isso incomoda muito, tudo o que não é o 'normal' de um grupo é considerado desleixo ou loucura, não é verdade, tem sim os desleixados, e não são criminosos, e os loucos , tambem, não são.
A independência do olhar do outro e de sua opinião sobre nós é uma alivio e uma liberdade impagável. Poder não ser 'perfeito' é libertário e serve também para a política no seu entendimento mais amplo.
Durante mais de 20 anos, depois da ditadura de direita a esquerda se vitimizou e criou o discurso de ódio contra todo o período e o pensamento liberal, mas nunca disseram que eles fizeram o mesmo ou pior do que a direita fez, nas terríveis ditaduras comunistas. A queda do Muro de Berlin foi o fim da maldade de esquerda e aqui o discurso continuou homogêneo e distorcido, esquerda e direita são a mesma coisa, parte do mesmo bloco histórico. Hoje as duas ideologias são diferentes do que na época da Revolução Francesa, ou das Grandes Guerras, até mesmo da Guerra Fria, agora no Mundo pós Pandêmico e Desglobalizando são outra coisa, mas com base no que foram antes, formas de chegar ao poder,só. A eleição aqui foi uma fraude aceita para evitar o pior ou cair numa armadilha,Fora Ladrão! A censura foi um ataque das mídias convencionais pois perderam o poder sobre a opinião e de narrativa. Gente como eu, fora do padrão normal da atualidade pode escrever, textos feios, que revelam coisas que ninguém quer saber, seus defeitos e virtudes.
Ontem então com meu belo corpo gordinho, com minha estética própria invadi a seara de um ser armado até os dentes com suas convicções sobre, estética, saúde e outras formas de preconceito e doutrinas, certamente era uma pessoa sem assunto algum, como eu, que estou perdendo ou ganhando meu tempo neste monólogo.
O ataque a um 'padrão estético' diferente é tribal, a necessidade do conservadorismo de hoje de salvar a família, vem da constante tentativa da esquerda e de partes da medicina, da mídia, da sociologia de dividir esta união entre as pessoas, tudo é culpa da família, sem ela a sociedade seria mais bela? Será? Não acredito nisso. Nem na tentativa de 'eliminar' Deus da vida das pessoas, um risco para o autoritarismo de esquerda. Então se você quer incomodar seja alegre, feliz, do seu jeito, em seu núcleo e com seus amigos ou em sua religião.
Não espere das Forças Armadas que tomem o poder e criem a revolta que a esquerda quer, isso é uma armadilha. Mantenha sua fé, sua estética, sua liberdade, fale, escreva, jogue, trabalhe, viva naturmente e sem medo da inflação e da opressão. A resitência agora será sutil e não violenta, não significa que quem acredita que deve ainda acampar nas portas dos quarteis não o faça, se para você esta é a melhor estratégia, mantenha, cada um pode agir como achar melhor.
Nós sobrevivemos a ditadura da direita nos anos 60 a 80 e agora estamos imersos na da esquerda nos terríveis anos Lula-Dilma-Temer, a quem diga que FHC também foi um pré ditador, agora houve uma quebra na sequencia com 4 anos de Bolsonaro e a volta da Ditadura Lula Ladrão. Há extremismos nas duas ideologias e moderação também. Tudo isso é natural da política no Brasil e no Mundo, muita gente aqui já pensa em fugir, porque se vê em risco, muitos cairão nas mãos das máfias de tráfico humano ou serão mal vistos em países ricos, outros se darão bem, como muitos esquerdistas que fugiram e vivem vidas de luxo no exterior graças a terem saído do Brasil.
O que virá? Nada de novo no Front.
Fernanda Blaya Figueiró
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