Um segredo da rua do arvoredo.
Natal é o nascimento de Jesus, para melhor saber sobre esta linda e verdadeira história suba até a Catedral. Aqui falaremos de festa de Papai Noel e seus presentes, das brincadeiras, das cartinhas, das belas melodias, de pura ficção.
Aqui o lugar é de conto e brincadeira, sente-se em sua cadeira:
Não sei, pois bem, começo dizendo que nada sei sobre quem plantou as 12 árvores em fila bem retinha, na régua, parece cabelo bem aparado...
12 Figueiras, lindas e majestosas, por seus caules, acredite se quiser, devem ter mais de 200 anos.
Peraí!! 200 anos?? Fala sério??
Não sei, disse eu, acredito que mais ou menos 200 anos, que foram plantadas nisso não duvido, que na natureza as sementes voam longe... Uma teria cai na Duque, outro na General Auto, uma nasce aqui, outra mais alí, um pouco embolado, quem sabe mais afastado...Não seria assim enfileiradas.
Foram plantadas, com certeza, mas por quem... nada sei, nem exatamente quando a Rua do Arvoredo guarda bem seus segredos. São tão lindas as árvores que ainda estão na praça perfiladas como Rainhas de festa ou debutantes.
Cada árvore é um segredo, um mistério da semente eclodido, de gotas de chuva aliadas ao sol elas crescem e crescem e crescem...
Neste Natal luzes coloridas suas copas usarão, do meio fio da calçada de baixo até a lá de cima, que a subida é longa e sinuosa, escadas e portões, quadra de ginástica e frontões.
O Palácio tem muros fortes e segredos muito guardados, como é bonito e arejado, as 12 Figueiras sabem de tudo, nada delas escapa, mas calma, não são fofoqueiras.
A escola fica no meio,era escola Normal, é antiga, Francisco de Paula,seria aquele bom cantor?
Não, o cantor é Benito...Era um Professor uruguaio brasileiro,um diretor... Muita história tem... De armazem a colégio...História bem sabida...
Neste cenário vamos contar as boas novas, as muitas festas, e deixar de lado os causos tristes, eles são do mundo também. A gente tem o poder de ao chegar num novo lugar entender suas energias as boas e as nem tanto...
Uma noite de Natal é sempre cheia de esperanças, um conto tem que pelo menos um personagem ter...
Novo ou velho, conhecido ou não, brincalhão ou ranzinza...
Depois ao contar nossa história por favor simplifique, pegue só a parte que melhor encaixar no seu palco.
Bem, cenário formado, às 12 Figueiras pergunto, qual é o segredo?
Vrummm, Vrummm, Vrummm naquele Natal o vento andava medonho, sacudindo tudo, vinha do rio, subia os morros, descia correndo ladeira a baixo, moinhos e redemoinhos as folhas formavam, as 12 figueiras eram ainda novinhas, faceiras, escabeladas, fininhas feito fita,tinham poucos frutos, muitos ninhos e passarinhos...
A rua era passagem de carruagens, pense bem ,faz muito tempo, as moças usavam roupas compridas saias longas e os rapazes boinas e sapatos de couro feito a mão.Faz um tempão.
Pocotó, pocotó, pocotó... Naquele tempo nem tinha muitos automóveis, só bondes,e passavam lá longe, e sim,os navios atracavam toda hora no porto, grandes e pequenos, fortes ou fraquinhos.
Vocês conseguem imaginar um mundo sem carros?Sem Televisão, telefone?
Calma não é história de terror, era assim, sim, pode pesquisar.
Houve um tempo que nem luz a rua tinha, que o arvoredo devia ter muitas frutas e sombra... Imaginem.
Bem o sonho de Francisquinho, o filho do ferreiro,era ter um cavalinho só seu, seu nome seria Pocotó... De tanto ouvir os cavalos relinchando e na rua batendo suas ferraduras, bem cascasqueados e limpos, de um lado para o outro.
Papai do Céu, se eu me comportar no Natal posso ter um cavalinho?
Um cavalinho?? Casa de ferreiro espeto de pau, onde ele morava não teria como morar um cavalo, sua casa não tinha estrebaria... Papai Noel pensou e pensou, como atender a esse pedido?
No Polo Norte, junto as renas e os duendes Noél pensou e se as 12 Figueiras pequenos galhos ao Francisquinho doassem? Lembram do vento, que soprava forte e sapeca?
Pois então ele lá do outro lado do mundo o pedido soprou: Nóel pediu pequenos galhos e folhas para um cavalinho montar... Pocotó, pocotó, pocotó, Pocotó ele se chamará.Para Paula e as meninas façam carruagens e bonecas...
A noite chegava, a rua se iluminava de velas e cantigas, a Procissão só parava ao soar do sino: Blom blom, blom... Bate o sino pequenino sino de Belém já nasceu o Deus menino... Paz na Terra ... Deus menino a nos abençoar... Não sei se lá no tempo antigo esta canção era conhecida...
Mas Pocotó os tempos correu, levou a esperança e a alegria para as crianças, Noél as vezes inventa, noutras improvisa, mas atende a todo mundo...
E olha que o mundo é muito grande... Feche os olhos só um pouquinho,pocotó, pocotó, pocotó, o cavalinho de galhos está passando...
Fernanda Blaya Figueiró
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