Sobre o documentário Os filhos de Sam.

Sobre o documentário Os filhos de Sam. Assisti a impressionante série sobre a trajetória do jornalista Maury Terry, seu obsessivo trabalho investigativo sobre crimes em série em NY nos fim dos anos 70. Não sei se houve uma conspiração ou não, mas que o mal existe acredito que sim e que pessoas dedicas a desvendar estes mistérios são boas pessoas. Ele morreu cedo, mas tinha um histórico de abusos de cigarro e álcool e provavelmente depressão por lutar a invisível e desagradável batalha contra o mal. Direita ou indiretamente a ideologia do mal levou o demoníaco assassino, não escreverei seu nome, pois deve ser esquecido, a cometer os crimes, acho pelo longo relato e principalmente pelos retratos falados que agiu em conjunto com outros assassinos. Não acredito que a polícia da época falhou, mas que abafou para não amedrontar a população. Quem matou os outros assassinos? Os membros de uma seita para 'eliminar arquivo vivo" ou forças da sociedade que agem silenciosamente? Há uma "mão negra do Estado"? Foi a impressão que eu fiquei, as autoridades sabiam que parte dos achados de Maury eram verdade, mas para preservar a ordem e sociedade não puderam dar crédito a ele. Um dos entrevistados resume bem a coisa: "A política é a política". Oh... nós aqui que o digamos.. Existe na minha opinião humilde a luta entre forças das trevas e da Luz . A escuridão, devassidão, drogadição e os assassinatos podem ter sido sob influência de forças ocultas, o amor, o sexo saudável, a festa a brincadeira, até a bebida e as drogas fazem parte da sociedade e da liberdade , experimentar coisas na juventude também, mas depois é preciso a volta a normalidade. Como no carnaval, a multidão vive 4 dias de loucura e depois todo mundo volta a ser quem é dentro de limites. Só que para algumas pessoas a 'viagem é sem volta'. Este assassino se não tivesse sido preso continuaria matando, virou seu vício, os outros membros da seita "As Crianças" devem ter continuado com suas perversões e maldades. O 'vigia ' era mesmo a assassino da universitária, mas pode ter agido sob influência da seita física ou vibracionalmente. Eu acredito no poder da luz e da oração, mas em contrapartida também no assédio de forças malignas em pessoas suscetíveis a elas e fracas espiritualmente. Acredito que os lugares tem memória e forças e que no caso dos esgotos, eles chamavam a degradação e a maldade. Sujo, escuro, úmido, pegajoso, obscuro, fonte para a maldade se manifestar. Sim, acredito que pode ter havido uma conspiração terrena e metafísica, muita gente desejando o mal e ele aparece. A cura é a luz, a bondade, o belo. Se Maury tivesse lido Baudelaire teria se desvinculado a tempo de viver mais tranquilamente, combateu o bom combate, uma hora a guerra termina, é preciso que termine. Se puxar o fiozinho da maldade como ele quis fazer vamos ao início de tudo, em alguma caverna ancestral alguém corrompeu um cão do inferno e o usou para matar e dominar ou seus pares pelo medo e de forma violenta. Cães e Homens são bons e maus ao mesmo tempo isso nos levaria a lenda ameríndia de que cresce em nosso peito a força que mais alimentamos, é preciso estar consciente e conectado consigo mesmo. Maury teve uma bela vida, o medo das mentes obsessivas é irreal , alguns de nós estamos aqui justamente para escrever, ver, pensar, se certo ou não o leitor, o espectador, vai decidir dentro do seu conhecimento e cultura. O jornalista Maury se não fosse determinado nesta história seria em outra, se perdeu ao tentar entender o "Todo", este é muito grande e devastador e se soubermos de tudo não saímos mais do lugar, perdemos a capacidade de nadar e afundamos no abismo. Foi certo sua luta e foi certa a atitude das autoridades em tampar o bueiro. Autoridade X Autoritarismo, Religiosidade X Fundamentalismo, Bem X Mal, Jornalismo X Criação literária, Verdade X Imaginação... E se tudo for ilusão? Fernanda Blaya Figueiró Ao Leitor *tradução do poema “Au Lecteur”, de Charles Baudelaire baudelaire “A tolice, o erro, o pecado, a mesquinhez Ocupam nossos espíritos e viajam por nossos corpos, E nos alimentam de nossos amáveis remorsos, Assim como o mendigo alimenta seus vermes. Nossos pecados são teimosos, nossos arrependimentos são frouxos; Nós nos confessamos com persistência , Mas retornamos alegremente pela estrada lamacenta, Com a ilusão de que nossas lágrimas lavam nossas manchas. Sobre o travesseiro do mal, está escondido o Diabo Que docemente consola nosso espírito, E quando o metal puro de nossa vontade se evoca Ele vira vapor pelas obras deste, que age sem ser visto. É o diabo que move seus filhos e até os manuseia! E só nos é possível enxergar coisas boas naquilo que é repugnante; Todos os dias caminhamos para mais perto do Inferno, Sem medo, dentro das trevas que nos cercam. Assim como um vagabundo beija e suga O seio murcho que lhe oferta uma prostituta, Roubamos por acaso qualquer carícia que recebemos Para espremê-la até o fim assim como esprememos uma laranja velha. Espesso, a fervilhar, assim como um milhão de parasitas, Em nosso crânio cresce uma multidão demônios, E, toda vez que respiramos, a morte suspira em nossos pulmões, Como um rio invisível, com surdos murmúrios. Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada Não bordaram ainda com desenhos finos A história de nossos inúteis destinos, É que nossa alma arriscou pouco, ou quase nada. Em meio às hienas, às serpentes, aos chacais, Aos símios, escorpiões, abutres e panteras, Aos monstros ululantes e às viscosas feras, Em meio ao lodo infâme de nossos vícios, Um é o mais feio, mais iníquo, mais imundo! Sem grandes gestos ou sequer lançar um grito, Da Terra, por puro prazer, faria um só detrito E um bocejo imenso engoliria o mundo; É o Tédio! – O olhar que foge ao mínimo de emoção, Em vão sente prazer no sonho, enquanto fuma ervas finas. Tu o conheces, leitor, esse monstro delicado – Hipócrita leitor, Meu espelho – Meu irmão.”

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