Mais uma vez a ti retornei, Cachoeira.
Hoje completo 54 anos neste plano de existência, li muitas homenagens e belas recordações de Cachoeira do Sul,nas sábias palavras de muitos escritores. A cidade a cada um toca de alguma forma diferente, alguns natos outros acolhidos e enraizados nela. Somos agora irmãos de Academia, ainda não nos conhecemos, mas aos poucos iremos formar laços.
O Pelerine nos une em forma e nos torna iguais, capa negra, fio dourado nos lembra dos prados, das noites, da lua. A lua esteve lá, assistiu a tudo, platinada, no meio da neblina, coberta pelas nuvens do frio, é a mesma que em 1968 me viu vir ao mundo, e a todos que ali estavam, neste e no outro plano, se existir, que para que ele exista é preciso acreditar, ter fé, eu tenho, respeito quem não tem, quem acredita em outra coisa, na matéria, podemos coexistir, nós diferentes em conceitos e ideias.
Não vou me alongar muito, trago o Clube Comercial, o Roque Gonçalves, O Rio Branco, acho que o João Neves da Fontoura no Jardim de Infância, os passos ecoados nas frias e quentes noites de festas e magia, trago a Rua Pinheiro Machado, a Biblioteca na Moron, estantes de conhecimento e descobertas, de livros lidos outros folhados... As Bandas, as flores, as conversas, as empoeiradas estradas vicinais levando da cidade ao campo, do pasto de volta ao concreto. De concreto? As vezes creio que é tudo concreto em outras que nada disso passa de um sonho, dos bons aos pesadelos. Do dia a noite...
Me reconheceu, Cachoeira? Ou sai daí cedo de mais?
Eu sou de uma trupe grande Blaya,Figueiró, Dos Santos, Ouriques,Simões Pires, Lobato, Neto,por empréstimo Salzano, são tantos os ancestrais que nestas terras passaram, são tantas vidas vividas e sonhos conquistados,ou frustrados, tantos que virão e aqui estão.São tantos amigos que tive, eles são parte de tudo, nem sempre de tudo recordo, é uma cilada a mente da gente. Eu sou vocês todos nestas palavras, as boas são nossas as nem tanto são minhas.
Uma pelerine, uma capa, uma tenda ou oca, um movimento, um tempo, uma cidade, para mim literatura é arte, para alguns é sabedoria, para outros não existe. Para nós acho que é a vida e como com tudo na vida as vezes andamos de mãos dadas, noutras nos apartamos. Tem momentos de pura magia, outros de dúvida e angústia...
Eu sou uma escritora, se boa, se não, se, se ,se. Se? Se!
Pelerine rodando, Terra girando, Lua em rota, tudo de novo..
Eu escrevo aqui, sem impressão, só na rede.
Fernanda Blaya Figueiró
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