Amo esse velho poema meu.

Amo esse velho poema meu. Eu gostava muito de escrever poemas, pela liberdade linguística, hoje escrevo prosa e verso na mesma página e com a mesma liberdade. Noutro dia um amigo me perguntou qual é 'minha cidade", respondi: Minha cidade sou eu mesma. É verdade, onde vou, onde estou a Fernanda está presente com toda sua simplicidade, complexidade e dicotomias, então sou um pouco das cidades todas nas quais pisei. Quando participei da Coletânea Raízes de Viamão, algumas pessoas criticaram minha presença no livro,porque havia poetas bem mais antigos e respeitados que não fizeram parte do livro, só que eles não quiseram, muitos foram convidados e não compareceram. Outros, como eu, aceitaram o convite, algumas pessoas na época acharam que eu era uma ingênua util a serviço da Prefeitura, uma bobagem, lembro que chegaram a dizer que eu não estaria na publicação, no fim havia vários textos meus... Só que eu tenho raízes em Viamão, sempre soube, mas não exatamente qual ancestral, agora sei Faustina Correa Pires,( Faustina Corrêa Corrêa Pires Data de nascimento:1745 Local de nascimento: Viamão, Viamão, Rio Grande do Sul, Brazil Falecimento: Família imediata: Filha de Romualdo Corrêa e Eusébia Pires Monteiro, Filho Esposa de Manuel Carvalho da Silva) então esta antiga ancestral nasceu e viveu em Viamão, acho que depois seus descendentes foram para Cachoeira, logo tenho ligações ancestrais antigas com esta cidade e parece que também com Capivari, antes Viamão, onde parece que era a "Data" de Matheus Simões Pires e Catharina Ignácia Gonçalves Borges, tenho ancestrais em Santa Maria, Blaya, Simões Pires, Peres e muitos nomes, Formigueiro, Cachoeira do Sul, onde nasci, com o litoral onde vou há cinquenta e três anos, mais recentemente criei laços em Lavras do Sul, mais antigamente São Sepé e Rio Pardo. Sou das antigas cidades gaúchas e das novas, minha avó índia era de Corrientes, e muita gente de Portugal e Espanha, Marrocos e seus arredores. Então sou policidadã do Mundo. Morei duas vezes em Porto Alegre,adora nossa capital. Para mim todos estes ancestrais são presentes, eles caminham, anda por aqui em meus pés, correm nas minhas veias e eu vou continuar, em algum parente futuro. Minha cidade são meus pensamentos, neles tenho muitos mundos e gosto de ser assim, as vezes caio e logo levanto.Não sei como é a vida e o pensar das outras pessoas, as que dizem que são normais. Meu normal é assim, minha Terra é: A Terra. Vou mudar um pouco os seriados que ando assistindo,são muito belicosos, agora estou vendo Fauda, o caos, e me parece que a Terra Santa nunca será pacificada, tão bela e disputada, nesta vida não pretendo ir até lá ver com meus olhos, toda a Terra é Santa e Caótica, pois somos assim, nós a humanidade. Segundo meu amigo Fernando Pessoa "a metafísica é uma consequência de estar mal disposto." Eu sou de todas as cidades onde andei e de nenhuma, estou sempre dentro de minha ancestral caverna, tenho a ilusão de ver o Alefh e não sei bem o que dizer. Porque o mestre Fernando Pessoa deixou sua obra para a posteridade?Que mistérios ele conhecia e desconhecia? Jesus pode ter dito "A casa do pai tem muitas moradas" e Einstein “Quando um homem se senta ao lado de uma mulher bonita por uma hora parece que passou um minuto. Mas se ele se sentar em cima de um fogão quente por um minuto parece que passou mais de uma hora. Isso é relatividade”. Eu sei que tem muitos momentos em que parece que não estou em mim e isso é metafísica pura acontecendo, assuta se ninguém estiver no comando, mas acho que isso é o mais próximo da morte que existe, em algum momento o corpo perde o comando e a alma volta para o Universo, que acredito sim na continuidade metafísica da alma, etérea, leve, livre. Minha Terra sou eu e minhas minhocas... Fernanda Blaya Figueiró "A loucura como uma metáfora poética Quando um poeta diz o sol é azul Temos uma metáfora Digo nos verdes prados dos meus olhos Dormem a gazela e o leopardo Nunca sei bem qual deles há de acordar Primeiro Tenho ladeado a loucura, como um olhar Poético - Essa mulher é louca? – perguntam-me com uma malícia muito antiga - É da parte da Santa Inquisição? – respondo, sem susto Quando uma bruxa senta ao lado de um padre Sentam com eles milênios de preconceito e opressão Esses poderosos inquisidores tinham por hábito Jogar na fogueira toda e qualquer mulher que ousasse Pensar, falar, amar, dançar, pintar a boca, As devassas! Senti que minha poesia foi usada contra mim Ainda bem que nos conhecemos profundamente e Nada se coloca entre nós, nenhum abismo colossal Feito de ódio ira nos envenenar. A poesia como metáfora poética é libertadora Não confessional Confesso que tenho pena de alguém que Acredita ter nas mãos a chave da porta do céu e do inferno Quando tem apenas uma belíssima metáfora Senti na pele o fogo do preconceito e peço, gentilmente, Não me tomem para Cristo, nem me convide para ser o Churrasco de suas Cruzadas. Palavras cruzadas, que fique claro. Viamão, 4 de agosto( mês de cães doidos) de 2009. Fernanda Blaya Figueiró

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