Continuando a prosa de ontem:Justiça seja feita, eu também fui uma mãe severa.
Ontem eu falei sobre um pouco do que lembro dos 'tempos da ditadura',no ambito pessoal, lembro do peso que havia no ar e no medo constante das pessoas, no desgaste que causava, preciso dizer que era comum e parte da época colocar os filhos de castigo, que eram bem menos severos do que os aplicados as gerações anteriores, o pessoal criado no "tempo das Guerras", da ditadura Getúlio. Bem eu fui mãe em 85 na abertura política, mas reproduzi em menor escala lógico, o que aprendi na prática, também tive filhos birrentos, mas mais calmos do que eu era, tentava punir com conversa e muitas vezes um olhar severo já bastava,até palmadas as vezez, de leve. Meu medo era que se envolvessem com drogas, porque era o medo de todos os pais naquele tempo, ou que não estudassem, talvez tenha exagerado na régua, mas como saber? E a depressão sempre me acompanhou, horas leve, horas mansa, horas adormecida, faz parte de quem eu sou, e aprendi a viver com ela e domá-la, não acredito nas drogas psicológicas, acho que solucinam algumas coisas e criam outros problemas, para mim ser mais depressivo é natural, para algumas pessoas, incomoda outras e cada um pode ser livre para conviver com esta característica.Acho que as pessoas todas são difentes e o tentar que todas fiquem padronizadas é um erro, há lugar para as diferenças.
Os anos 80 foram de muita alegria e esperança, tinham também seus desafios, principalmente para pais jovens e iniciando a vida econômica, mas a possibilidade da democracia aerou o Brasil, tirou o peso morto do medo dos ombros das pessoas. Com o tempo porém as inúmeras decepções com os líderes e a perda de controle sobre a violência urbana foram novamente pesando e refletindo nas relações interpessoais e na sociedade.O constante êxodo rural e das cidades pequenas para as metrópoles em busca de oportunidades ,a desigualdade crescente, o déficit de moradias e os inúmeros 'planos econômicos', tentativas de acertar as contas públicas afetaram a vida e principalmente a esperança de que o Brasil saísse do atoleiro e se tornasse melho. Escândalos e mais escândalos foram desgastando a política. Anões do Orçamento,Caça aos Marajás, Mensalão, Petrolão,Cleptocracia, toda estas invetigações e roubalheiras desenfreadas fazem parte do nosso pesadelo, por isso algumas pessoas pensam que uma nova Ditadura poderia frear o desregramento, não acredito nisso. Agora os Talibãs venceram no Afeganistão,quem inaginaria isso? A Venezuela está destruída, Cuba é uma pequena ilha atormentada por um governo extremista e violento, a mais longa ditadura da América Latina, não consegue se livrar desta praga do Castrismo. A América inteira sofre com a questão das drogas e seus cartéis. Aqui o Supremo Tribunal Federal prende deputados por questões políticas, proíbe um cantor de falar e todos olham preocupados para isso, com razão.
Uns querem a ditadura de direita de volta,mas esquecem que toda a ditadura assim que se consolida elimina os que a apoiaram, subjuga todos, outros querem usar o discuros inflamado para ter em fim a tão sonhada por eles, ditadura de esquerda ou do proletariado( hoje seria do narcotráfico) pois não há aqui esse sujeito o proletário mais. A força econômica está no campo novamente e depende muito de maquinário e de tecnologia. O homem do campo quer trabalhar em paz, o trabalhador desse setor na maioria é bem remunerado e satisfeito com seu fazer.Quem tem emprego não quer se envovler em política e quer estabilidade para manter seu emprego, quem não tem se reinventou e está no mercado informal.
Eu não quero ditadura, mas não quero também essa insegurança toda urbana, política e financeira. Os inúmeros golpes financeiros que surgem a cada dia são assustadores. A vaidade e briga entre os poderosos, que usam a mídia para aparecer é revoltante, o constante ataque de parte da mídia parece que fomenta a discódia, a Internet precisa ser entendida, hoje é parte da democracia.Que rumos tudo vai tomar? Não sabemos, mas é parte da conquista diária da democracia esta constante discussão. Essa minha prosa toda sou só eu existindo, incomodo um pouco? Pode ser, falo bobagens? Talvez, mas sou ainda livre para manifestar a minha visão desse mundo, que é minha e o leitor é livre para não ler se o incomoda.
Eu existo, talvez uma existência imperfeita, como todas, incômoda em alguns momentos como uma roupa apertada, mas parte de um tempo imperfeito e confuso.
Eu sou uma escritora, não uma boa escritora ou uma intelectual formada, minha escrita é assim, como o meu tempo, imperfeito, se o futuro me mandar calar, eu calo, aprendi cedo a esperar a hora.Sigo olhando e sentindo o mundo, como ele se apresenta para mim... Perdeu tempo vindo até aqui?
Fernanda Blaya Figueiró
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