Semana de Páscoa Cristã.
Nesta época lembramos todos os anos do sofrimento e ressureição de Jesus, uma história que marcou a humanidade. No que você ainda acredita? A fé cristã mudou ao longo das últimas décadas, surgiram novas religiões evangélicas, a Igreja Católica perdeu alguns fiéis, o espiritismo cresceu aqui no Brasil.
Eu acredito em Deus, em Jesus, no Espírito Santo, em Maria, nos Anjos e Santos, mas também na natureza, em cada pessoa há Deus ou Universo, ou as emanações de espíritos. Há um espírito das florestas, das águas, da terra, do fogo, dos ares, o vento é um elemento que nos liga ao desconhecido, ao mundo superior, acredito que há um submundo tenebroso e seus seres e que é preciso se afstar disso tudo.
No que se tornou a complexa fé cristã?
Os ritos de páscoa são muito dolorosos e tristes, tem a alegria e júbilo do domingo, depois tudo volta a ser como é,a vida segue. O sofrimento de Jesus teria nos libertado e este sofrimento rememorado anualmente não sei se é a melhor forma de lembrar, mas são os ritos e a tradição cristã, é como a vida e a morte são explicadas a muitas pessoas.
Para mim Deus é bom, Jesus é bom, foi parte de um tempo de guerras e lutas, uma vez lembro de ter escrito que os padres deveriam casar e viver suas vidas mais naturalmente, parece que este não é uma questão entre os próprios religiosos, mas a comunidade cristã pode ter opinião sobre isto, principalmente nestes últimso anos em que muitos casos de desvios de conduta foram denunciados, o celibato não parece ser uma coisa natural. Talvez seja um tabu, talvez as notícias ruins todas sobre a religião e seus religiosos afaste as pessoas das suas paróquias, esta é uma semana da Páscoa de um ano de covid, onde muitas pessoas perderam a vida, onde todo mundo de alguma forma foi atingido e sofreu por não poder sair, por perder o emprego, adoecer ou ter parentes e amigos doentes. O Mundo passa por uma profunda mudança e nestas horas as fés são testadas, as crenças e mitos.
Esta está sendo uma semana especialmente santa, estamos em provação.
Ontem terminei de assistir ao seriado de TV Shitsel, muito bom, diferente dos dois primeiros acredito que esta temporada foi marcada pelas críticas as duas anteriores, abordou a rejeição a filmar a vida da comunidade, com a dificuldade de encontrar figurantes, a dificuldade de superar a perda de algém, a importância da arte, da memória, dos antigos ensinamentos. Explicou o porque das vestes, dos hábitos, as dificuldades de aceitação do outro, de outras etnias da mesma fé, então isso é bem parecido com o que acontece no cristianismo, sempre há divergências e convergências e somos livres para moldar o destno, mesmo que em linhas tortas as coisas já estejam escritas. A ciência tem também seus caminhos e desafios,o vírus mostrou isso, foi uma correria para encontrar saídas.
"Eles estao todos presentes' ou algo assim no fim do episódio resume o que somos, uma cadeia de eventos, nossas dores não são só nossas, nem nossas alegrias e conquistas. Eles estão todos presentes, para uns como espíritos, para outros como memória, ou gravados nos genes. Somos fortes o suficiente para estar aqui e há sim "mais coisas entre os céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia". Os Judeus podem vestir o que acreditam que devem , os Padres podem ser celibatários, os Muçulmanos podem usar suas vestes e tudo está certo. Médicos usam jaleco, advogados terno masculino ou feminino, pedreiros aventais... São tantas coisas fora de uso que ainda se usa que não tem diferença alguma.
As pessoas são naturalmente cheias de hormônios e ocilações e acredito que as tentativas de igualar todos e tentar um só quadrado, uma só verdade ou esteriótipo é um erro, brincar de Deus e tentar moldar os seres a machadada não dá certo, um dia vamos aprender a interagir com o diferente, com a liberdade e o estilo de cada ser. As pessoas e os povos são diferentes, mas profundamente iguais, essencialmente somos todos um só ser, somos todos filhos do mesmo Deus, acreditando ou não nele.
Uma Feliz Páscoa.
Fernanda Blaya Figueiró
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