Como escrever em tempos de censura?

Como escrever em tempos de censura? Escrevendo. Esse deputado Daniel Silveira será cassado, não há mérito em ser preso, ele não se torna um 'mártir' do sistema, porque usou um linguajar muito inadequado e indigno do cargo, se tivessemos uma imprensa livre, isenta e não ativista teriamos agora uma coletânea de frases usando ameaças bem mais graves e linguagem bem mais imprópria de outros políticos e autoridades, como não temos a retórica é de que isso nunca aconteceu, mentira. É normal aqui ter 'barraco', nos chamam de república de bananas, o que não é verdade, mas somos sim briguentos. O deputado está sendo condenado pela imprensa porque é apoiador do Presidente Bolsonaro e como eles não conseguem destruir sua imagem agora têm um prato cheio. "O AI-2, de 27 de outubro de 1965, aumentou de 11 para 16 o número de ministros do Supremo Tribunal Federal, para garantir maioria a favor do regime militar. Estipulou ainda que civis fossem julgados pela Justiça Militar "para repressão de crimes contra a segurança nacional ou as instituições militares" Não entendo esse medo do AI5 ou de seu fantasma: "Elaborado em 13 de dezembro de 1968 pelo então ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva, o AI-5 entrou em vigor durante o governo do presidente Costa e Silva em represália violenta ao discurso do deputado Márcio Moreira Alves na Câmara dos Deputados, em 2 de setembro de 1968. No discurso, o deputado propôs um boicote ao militarismo ("Quando não será o Exército um valhacouto de torturadores?") e pediu ao povo brasileiro que ninguém participasse nas comemorações do Dia da Independência do Brasil, além de sugerir uma greve que chamou de Lisístrata, para as esposas dos militares enquanto a democracia não fosse restaurada.[5] Evidentemente, o decreto veio na esteira de ações e declarações de um grupo, conhecido dentro dos militares como linha-dura, que não queria devolver o poder aos civis. Em outras palavras, era mais um pretexto para implementar medidas recomendadas pelos militares desde julho de 1968. Ele foi o instrumento que faltava para a ditadura, focada na figura do presidente, acabar com os direitos políticos de dissidentes e intervir nos municípios e estados. Sua primeira medida foi o fechamento do Congresso Nacional até 21 de outubro de 1969.[6] Antes do AI-5, 19 homens já haviam sido mortos por grupos armados de esquerda, dentre eles, um jornalista (Edson Régis de Carvalho), 4 PMs, um soldado (Mário Kozel Filho) e um sargento (Carlos Argemiro Camargo) do Exército Brasileiro e dois militares de exércitos estrangeiros, Charles Chandler e Maximilian Von Westernhagen.[7]" .... Então uma passadinha rápida pela Wikipedia e lá está a explicação para o medo atávico do AI 5, ele fechou a casa, motivado pelo discurso de ódio da época contra o governo da época. Teriam os atuais integrandes medo real de um "Fechamento do Congressoou do Supremo"?Acredito que não. Primeiro porque as autoridades militares já afirmaram que não vão se meter nessa ronha, que a sociedade civil tem que se livrar da corrupção e do desregramento, só agirão em ações pontuais de controle da violência urbana como aconteceu no Rio e parece que não resolveu nada não lembro o termo... era não sei que da Ordem.Segundo, a ditadura militar aqui fez parte da Guerra Fria, o mesmo que acontecia aqui aconteceu em outras partes do Mundo e os abusos de Estado foram de ambos os lados da guerra ideológica, muita gente morreu e foi torturada ou abusada em ambos os regimes Capitalista e Socialista-Comunista, as famosas esquerda e direita. Havia ditadura de toda a forma e crueldade no Mundo inteiro ,de esquerda e de direita. Era uma guerra violenta, urbana, disfarçada e cruel, não declarada por isso fria, com um só objetivo: Dinheiro ou Poder. Isso hoje pode estar acontecendo e não sabemos. 2021 - Deputado preso é quase rotina no Brasil, na Lava Jato era por corrupção, peculato, desvio de dinheiro, evazão de divisas e outras arbitrariedades, agora por ofender autoridades inseguras e paranóicas. Porque um Marrombeirinho não pode intimidar o Judiciário, tudo bem, puxou uns ferros, mas não é um 'perigo real', se conseguisse 'mobilizar' o povo talvez fosse, mas o povo quer trabalho, auxílio, paz e possibilidade de crescimento. Nem o vírus tirou a calma do povo, que apoia o governo usa máscara e toca a vida. Nem proibir o Carnaval fez as pessoas se incomodarem pois querem o Bem maior, a Paz na sociedade, não vai ser mais um deputado preso, por não ter "freio na língua" que vai tirar o sossego das pessoas. Vamos aqui combater o narcotráfico, a violência urbana, a imigração ilegal e escravocrata, nada contra o migrante que busca um lugar ao sol, mas sim contra as máfias que criam crise, destroem as sociedades para usar as pessoas como mercadoria. Quanto aos políticos e os juristas, que se entendam. Porque o discurso de ódio da época era legitimo e de agora não é? Entender a ditadura e desmistificar a retórica da esquerda levou ao radicalismo de direita e deu a pessoas desinformadas o discurso de ódio atual. Logo o equilíbrio retorna e duas grandes narrativas se formam, para uns foi assim, para outros foi assado. Para mim ontem foi um dia idiota, com trapalhadas e medo irracional, o Deputado abusou da liberdade de expressão e esta sem responsabilidade leva a repressão e autoritarismo. O risco é da sociedade se acovardar e não frear a sanha de poder dos Ministros. Vocês foram autoritários ao prender um deputado por suas ideias, podem ter acertado em tentar frear um discurso de ódio, mas foram vocês "isentos, imparciais,retos"? Cabia a vocês tomar essa atitude em defesa de si mesmos e seus cargos? Foi a prisão a medida certa? A imprensa pressiona para que ele seja mandado para a cadeia e jogada a chave fora, eu acredito que vai ser mesmo isso que vai acontecer. O Executivo não tem nada com isso, então é preciso divulgar que essa atitude radical foi tomada pela Justiça e será discutida no Legislativo, que as Forças Armadas nada tem a declarar ou se quer foram chamadas para atuar, que esta 'briga' é política entre instituições e individual entre os atuais Ministros do Supremo e um Deputado acho que Federal para ter toda essa repercussão. Sairá deste triste episódio uma nova diretriz,mais severa e colocará um limite a liberdade de expressão, a comédia( essa já existe claramente), a arte e quando se limita a arte ela aflora, aparece e se reinventa. Ai de Mim... Ninguém vai fechar o Congresso ou os Tribunais, nem derrubar Presidente, é só uma natural acomodação pós grandes movimentações dos tecidos sociais, se haverão mártires? Não sei. Antes que alguém reclame, esta retórica de imaginários diálogos é normal na litaratura e dramaturgia e anormal e estranha nas ciências, admissível nas filosofias. Estas são frases e pensamentos livres que não compõe nenhum sistema ou verdade, nem são coerentes, são falácia . Um exercício de escrita criativa e livre, mas nem por isso irresponsável ou insignificante. Tchau. Fernanda Blaya Figueiró

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