ô abre alas que eu quero passar...
A má qualidade da política e do jornalismo atual tirou das pessoas a energia criativa, é muito ruim assistir a decomposição dos sistemas, estamos inseridos num ambiente muito corrompido, isso vai passar, sempre passa, mas é desgastante. Essa noite na cidade em que moro um ex policial militar foi morto por traficantes num bairro violento, Santa Isabel, que já foi berço do carnaval de Viamão. mas atualmente vive essa realidade opressiva da violẽncia urbana das grandes metrópoles brasileiras. Há poucos anos era um bairro alegre, com arraial, carnaval e outros festejos de massa, que aconteciam sem problemas, já era violento, mas não tanto e nas partes mais pobres, é um importante colégio eleitoral da cidade, local de milhares de casas e comércios, tomara que logo retome a segurança e a paz.
A situação no Ceará é alarmante, beira ao surrealismo, um político psicopata usar uma máquina para ameaçar os policiais, que não deveriam ter se amotinado e nem tomado o quartel, ser 'abatido' em legitima defesa de pessoas em situação de risco é assustador. A péssima política, o péssimo serviço público de segurança, levam a uma péssima economia e assim por diante, recessão leva a salários ruins pois não tem de onde sair a verba e nessa barafunda o crime cresce, mata até ex policiais na certeza de que nada vai acontecer. Estariamos aqui como a Colõmbia da "Era do terrível Pablo Escobar"? Ou a Itália da operação "Mãos Limpas".
A Política-os Trẽs Poderes- a Imprensa - o Funcionalismo Público- a Iniciativa Privada estão se engalfinhando e permitindo que o crime se fortaleça?
Um minutinho de silêncio nesse Carnaval pela memória do ex policial assassinado, que não temeu o crime e morreu como mártire nessa 'guerra urbana não declarada'.
Viamão uma bela cidade.
São tantas má notícias sobre a cidade que ela precisaria de um bom banho de sal grosso, precisaria do amor de quem ainda acredita em seu potencial, nossas cidades ainda voltarão a ser mais seguras, é preciso esperança e trabalho. O povo de Viamão é forte, trabalhador, vai superar as mazelas, encontrar novas forças e lideranças capazes de renovar a cidade e combater a corrupção. Em breve vou para o litoral, meu sonho se tornará realidade, gosto de Viamão, de suas ruas, sua água de ótima qualidade, o verde exuberante, o clima, essa é uma cidade que semrpe foi guerreira, palco de muitas batalhas ao longo da história, agora tem que combater o mal maior da atualidade a corrupção que gera desigualdade social. Vou sentir falta de minhas árvores, de meus amigos e desse verde da mata atlântica que ainda resta, não vou sentir falta das más notícias e da sensação de que não adianta tentar mudar a cidade e seus atores políticos, o esforço da comunidade para ser bem administrada é enorme e a corrupção parece ser maior, acaba por vencer momentaneamente. Mas, esse é um 'mal do século', atinge praticamente o mundo inteiro, a liderança está nas mãos dos ganaciosos, no Mundo Inteiro, o dinheiro é mais importante que os seres e isso vai ser corrigido porque vai começar a dar prejuízo.
Demorei muito para assistir ao filme 12 anos de escravidão, pensei mais maldade e coisas ruins, não tinha vontade de ver, mas ontem vi, a cena do protagonista deixando a escravidão e nela os seus companheiros é tocante, como o olhar espantado do homem que entra na loja e vê o seu igual entre os 'livres', desfrutando da liberdade e indiferente ao sofrimento alheio. Quanto mais corrompida a sociedade se torna mais más as pessoas ficam, bem como as ruas e os becos, mas a sociedade do filme mudou, a 'escravidão' como era deixou de existir, outras formas de opressão foram criadas, e novas formas de combate também. Essa é a roda da vida acontecendo, ou o "Mundo de César". A jovem no filme assediada e mal tratada tenta contratar a própria morte, exatamente como a frase: "Me dá uma corda para que tire minha vida" dita por um menino Norte Americano nessa semana, com isso ele disse a sociedade: Vocês são cruéis! Ele foi acolhido por gigantes e seu exemplo pode mudar as relações entre os jovens, vai levar um tempo como no filme em que a escravidão levou tempo ainda para acabar e a maldade também. As pessoas boas são a maioria da Humanidade, precisam fazer o seu melhor para que a sociedade melhore. Eu desisti de escrever literatura, talvez um dia volte a poesia, mas tenho visto poesia em muitas coisas, assim como a crueza da corrupção e seus efeitos.
"Ô abre alas que eu quero passar", é uma antiga marchinha de carnaval, tem como abrir alas sem patrolar e oprimir, tem lugar ao sol para todo mundo e vamos construir isso.
Fernanda Blaya Figueiró
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