Maratona Ertugrul: O Grande Guerreiro Otomano...


Maratona Ertugrul: O Grande Guerreiro Otomano...

Ontem terminei de assistir a épica série de TV sobre o início do Império Turco Otomano, achei maravilhosa, não tenho mais escrito sobre cinema ou TV porque as pessoas não querem saber da opinião do outro, chamam de spoiler e outras chatices.
A série é emocionante do início ao fim, uma jornada para conquistar território e poder, formar uma nação baseado na espiritualidade. Os atores são maravilhosos e toda a produção muito bem feita, reconstituição da vida nômade, hábitos e costumes e um surpreendente ensino sobre uma cultura pouco conhecida que é o Islã, infelizmente nos dias de hoje a religião foi utilizada indevidamente por grupos extremistas que fizeram guerras cruéis e ações odiáveis, a religião prega o amor e o respeito, a luta só em caso de injustiça e naquele contexto histórico de formação de estados.
Historicamente a saga poderia ter sido contada também por Templários, Cristãos Ortodoxos, Mongóis e os inúmeros 'inimigos" que aparecem. A narrativa respeita estas histórias e conta a sua 'versão' acredito que com base na obra do sábio religioso  Ibn  al Arabi , que ao longo da série suporta espiritualmente as tribos e serve de bastião para a formação moral e educativa. As teofanias que acontecem são lindamente representadas, existe além deste mundo físico o espiritual ou metafísico e eles andam juntos, nada acontece sem o consentimento de Deus, alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, o mundo é uma constante provação. Achei isso excelente pois se nos dias de hoje alguém falar nessa presença de Deus logo é chamado de louco... Se testemunhar que algo de Divino existe nas coisas e que nem todo mundo vê é chamado de 'esquizofrênico', não é mais permitido no nosso mundo dominado pela drogadição psiquiátrica ter emoções fortes como raiva, medo, insegurança, ansiedade e muito menos essa percepção do divino, isso hoje pela ciência e pela lei é chamado de loucura e o ser que por um acaso for tolo de falar é compulsoriamente internado e destituído de direitos. Na série medicina, ciência, política, estadismo e religião estão interligadas e não se chocam, claro que é um romance e neles só se conta o lado poético de tudo, não é a verdade, é uma criação poética, mas é muito elucidativa de como a sociedade foi se afastando de Deus e perdendo o sentido da vida. Conheço muito pouco desta tradição religiosa, só de ouvir falar, há muçulmanos no nosso estado, muitos turcos, sírios e libaneses, muitos mouros, ou portugueses e espanhóis de origem moura, mas a cultura aqui é pouco difundida. Eu gosto de todas as religiões e de histórias bem contadas, e adorei a série. O Bem e o Mal existem no inimigo e no amigo, em qualquer religião ou família, os conchavos, discussões, brigas eternas pelo poder e a compaixão, o perdão, a fraternidade são constantemente testadas, muito legal essa produção.
Fiquei com vontade de ler algum texto do sábio Arabi, não sei se é fácil a sua leitura mas deve ser muito interessante.
Quando Bin Ladem morreu escrevi um dia antes um poema, e depois de ver a série entendi melhor meu poema. Na época fiquei muito curiosa, vi uma casa quadrada, homens armados e um tipo de vitória, no outro dia ou logo depois, o homem foi morto. Deletei o poema com o tempo, mas havia colocado numa coletânea e nem sabia,então ainda tenho...  bem eu acredito em Deus, em Bruxas só penso que não somos más, só temos coisas boas e más , como todas as religiões tem. Ouvi o vento naquele dia e só hoje entendi, quem matou este ser foram seus ancestrais e por que Deus assim quis. Meu poema é pobre, escrevi como entendi a palavra que não conhecia,
I chá- lá" "é uma frase: "Se Deus quiser!

Quem anda bruxas a soltar



Que as bruxas estão soltas

quem pode negar



Estão trançaditas as crinas dos

Cavalos do pago



I chá- lá

I chá- lá grita o vento e assovia



Batendo a sua porta a pedir um bocado de sal

Credo em cruz, cruz em credo



Daí logo a elas o que solicitam

Um punhado de sal e lembra bem



O que desejas a uma bruxa a ti

Três vezes retorna



I chá- lá

I chá- lá grita o vento e assovia



Não destampe os bueiros e

Nem atice os luzeiros



Que estas que dançam descalças a

Revolver a boa terra



Retornem logo ao sossego de seus lares

Com muita paz e harmonia



Se há nestas paragens gente buena

Que calmamente as tranças desfaçam



I chá- lá

I chá- lá grita o vento e assovia



As bruxas a suas casas retornaram e trota

Sossegada a tropilha no pago



30 de abril de 2011


Fernanda .



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