Mistérios nas antigas páginas de um livro.
Acredito que o livro não mais exista, era lindo, suas ilustrações meticulosas falavam dos mares, do pacífico, dos velhos tempos... O tempo não existe sem a gente para contar o passar das horas, o número de luas e sóis, os ventos e as chuvas... O tempo é eterno, um eterno passar. Estou sem os óculos por isso estas letras grandes... Há uma perdida página, perdida no tempo, sozinha sobreviveu ao livro, anda, vai, volta, e nela há tanta magia que ninguém no lixo posta. Não sei quem foi Helena, mas ganhou um capítulo. Mares do Pacífico se não me falha a memória, que ela é uma coisa doida mesmo, toda memória é invenção? Ou só algumas?Não sei.
Esta página merece um quadro se tornar, é guerreira, bela, forte, mexe com a imaginação. Uma enseada, duas palmeiras, um monte ao fundo... Onde seria? A que tempo pertence? Por quem foi suavemente traçada?
Helena os tempos hoje são de arrepiar a alma, são densos, complexos, ou talvez seja sempre a mesma coisa. Vejo aqui, só de passagem onde estou, duas palmeiras, um montinho e um vale que pode um dia enseada ter sido, todo o resto é fruto do fazer, do labor, duas palmeiras, são duas palmeiras, o mar é ainda o mar em quase toda a parte, o montinho, um montinho e as pessoas são as mesmas de outros tempos.
Talvez tenham descendentes seus aqui, ou você partiu do mundo sem fruto deixar? Helena, o mar dia desses trouxe a praia um tubarão, de dentes muito afiados, aparentemente jovem, perdido nas águas superficiais, que dor, pobre serzinho, perdeu-se de seu cardume, teria sido envenenado? Buscava duas palmeiras, um montinho e uma enseada ou foi surpreendido pela bela vista perigosa. O mar não está fácil nem para os tubarões, mas a vida continua e estamos nos adaptando ao novo planeta. Sabes que a Terra já não é mais uma menina? Pois é, as casas dos homens são como as dos marimbondos, muito complexas, com vias e ruas a ligarem umas as outras e passeios...
A beleza e o mistério desta página acho que está nas bordas rasgadinhas, o canto dobrado a muitos anos, as manchas da umidade que criaram movimento, arte do tempo. Tempo de arte.
Há tanta coisa acontecendo, a tanto tempo que essa miragem se tornou bela, onde seria esta enseada, em bico de pena traçada?
Os mistérios do mundo, são lindos os mistérios e seus silêncios...
Fernanda Blaya Figueiró
P.S. P.S. Lembrei o título do Livro Histórias do Pacífico Sul, acho.
Acredito que o livro não mais exista, era lindo, suas ilustrações meticulosas falavam dos mares, do pacífico, dos velhos tempos... O tempo não existe sem a gente para contar o passar das horas, o número de luas e sóis, os ventos e as chuvas... O tempo é eterno, um eterno passar. Estou sem os óculos por isso estas letras grandes... Há uma perdida página, perdida no tempo, sozinha sobreviveu ao livro, anda, vai, volta, e nela há tanta magia que ninguém no lixo posta. Não sei quem foi Helena, mas ganhou um capítulo. Mares do Pacífico se não me falha a memória, que ela é uma coisa doida mesmo, toda memória é invenção? Ou só algumas?Não sei.
Esta página merece um quadro se tornar, é guerreira, bela, forte, mexe com a imaginação. Uma enseada, duas palmeiras, um monte ao fundo... Onde seria? A que tempo pertence? Por quem foi suavemente traçada?
Helena os tempos hoje são de arrepiar a alma, são densos, complexos, ou talvez seja sempre a mesma coisa. Vejo aqui, só de passagem onde estou, duas palmeiras, um montinho e um vale que pode um dia enseada ter sido, todo o resto é fruto do fazer, do labor, duas palmeiras, são duas palmeiras, o mar é ainda o mar em quase toda a parte, o montinho, um montinho e as pessoas são as mesmas de outros tempos.
Talvez tenham descendentes seus aqui, ou você partiu do mundo sem fruto deixar? Helena, o mar dia desses trouxe a praia um tubarão, de dentes muito afiados, aparentemente jovem, perdido nas águas superficiais, que dor, pobre serzinho, perdeu-se de seu cardume, teria sido envenenado? Buscava duas palmeiras, um montinho e uma enseada ou foi surpreendido pela bela vista perigosa. O mar não está fácil nem para os tubarões, mas a vida continua e estamos nos adaptando ao novo planeta. Sabes que a Terra já não é mais uma menina? Pois é, as casas dos homens são como as dos marimbondos, muito complexas, com vias e ruas a ligarem umas as outras e passeios...
A beleza e o mistério desta página acho que está nas bordas rasgadinhas, o canto dobrado a muitos anos, as manchas da umidade que criaram movimento, arte do tempo. Tempo de arte.
Há tanta coisa acontecendo, a tanto tempo que essa miragem se tornou bela, onde seria esta enseada, em bico de pena traçada?
Os mistérios do mundo, são lindos os mistérios e seus silêncios...
Fernanda Blaya Figueiró
P.S. P.S. Lembrei o título do Livro Histórias do Pacífico Sul, acho.

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