Nova Previdência, um teste de fogo para o governo.

Nova Previdência, um teste de fogo para o governo.

Uma saudável  mudança está acontecendo na forma como as notícias oficiais estão chegando ao telespectador no Brasil, os pronunciamentos estão sendo divulgadas coletivamente pela NBR, uma televisão aberta estatal, ontem houve uma longa coletiva de imprensa sobre a PEC da Previdência, todos os jornalistas presentes puderam fazer perguntas para os técnicos e para a área política, isso incomodou um pouco me pareceu alguns jornalistas que queriam ouvir o Presidente, que esteve no Congresso levando o documento, mas não deu entrevistas individuais. Porque esta mudança está acontecendo? Acredito que porque os jornais e revistas tem sido muito agressivos com a Política, há muito tempo, vivemos de notícias bombásticas, de escândalos e de notícias ruim, isso cansou e fez com que a comunicação chegasse a isso, ter que colocar uma distância entre o governo e a imprensa, as autoridades estão se preservando ao ter porta voz, comunicados oficiais, isso é muito bom. Em determinado momento, não recordo quem perguntou ao secretário geral da Previdência Rogério Marinho se o governo estava evitando 'enfrentar' a imprensa, ele respondeu que tinha sido indicado para falar pelo governo e estava ali disponível respondendo as dúvidas da imprensa. Gente, "enfrentar' é um termo de guerra, o governo tem algum inimigo declarado na mídia? Tem que se dobrar para alguma empresa, negociar a 'paz' como se negocia com um outro exército? Será que há uma ação articulada para desestabilizar os governos? Não acredito nisso. Se o novo governo tem essa estratégia de comunicação isso tem que ser respeitado. A imprensa quer jogar Bolsonaro nas cordas, socar até dar um nocaute? Ele ou o Brasil 'devem' algo para agiotas e devem ter medo, ou a relação com a imprensa é de respeito e saudável? Se mudou é preciso se adaptar, críticas e análises construtivas são maravilhosas pois podem detectar falhas, pontos fracos do projeto e estes serem corrigidos, a comissão da Câmara que vai analisar isso deve ter especialistas no assunto, a imprensa tem os seus, as universidades também, todos devem acompanhar o projeto  para que  ele seja o melhor possível.
A relação entre governo e imprensa mudou porque estava muito desgastada, Bolsoanro terá que em algum momento dar entrevistas para as diversas emissoras, como fizeram todos os Presidentes, mas não com a frequência que acontecia antes, ele fez bem em delegar a cada Ministério a comunicação sobre suas pastas. O caso Berbianno foi muito grave, mostra que as coisas não serão fáceis, mas não pode atrapalhar a agenda do governo e as profundas mudanças que a administração pública precisa passar.
Bolsonaro terá que  ter mais cuidado ao se comunicar para não ser chantageado e não ficar refém de inimigos próximos. acredito que esse caso foi um grande mal entendido, sobre o que os Ministros podem fazer, qual a autonomia que tem. O país é enorme, tem inúmeros Ministérios e eles tem que entrar em harmonia, o Presidencialismo é um sistema que acumula muitas funções numa só pessoa, Bolsonaro que pode e deve delegar tarefas mas não pode perder o controle sobre o todo pois responde por cada um dos agentes do Primeiro Escalão.
Os Partidos Políticos tem que ser investigados muito de perto para que não sejam usados como foi o PT como fachada para corrupção e desvios fenomenais de verbas. Se ficar comprovado o uso ilegal de verbas do Fundo Partidário os partidos e os políticos envolvidos tem que ser punidos imediatamente para que não levem esse esquema para dentro das estatais.
A imprensa deveria fazer um 'mea culpa' pois liberdade de imprensa não significa falta de responsabilidade sobre seus atos, seu fazer, é a Imprensa o maior poder da atualidade? Esse 'poder' é democrático ou absolutista? A imprensa precisa também de limites de ação ou se tornou  mais poderosa que os outros poderes? Acredito em liberdade com responsabilidade, não em liberdade absoluta.
Fernanda Blaya Figueiró

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