Não estou isentando a responsabilidade do Flamengo.
Ontem escrevi que acho que o incêndio no CT do Flamengo foi uma acidente, isso não isenta o clube e ou as autoridades de serem responsabilizadas, mas aqui no Brasil parece que tudo virou crime, e essa mentalidade tem que mudar.Existem instituições em pleno funcionamento e cada uma cumpre um papel, a imprensa deveria informar, mas está investigando, acusando e julgando quase tudo e todos, um pouco pela mudança na forma da comunicação, algo que vai muito além da função que as mídias exerciam antes, a entrada de cidadão comum como formador de opinião, até o meu blog que é pouco lido, mas essa energia modificou as relações e todos estamos avançado nas outras esferas. Eu me vejo como um olhar artístico ou talvez sensível, não como uma narradora histórica, só como uma provocadora, mais do que uma escritora de 'verdades'. A imprensa, ou parte dela, tem dito algumas notícias como 'verdade absoluta' e meio sem aprofundamento. Por exemplo o CT tinha ou não Álvara de Funcionamento? É aprovado ou não pelo CREA o uso de instalações pré fabricadas e de containers? Pode ou não ter sido um mero acidente? A imprensa parece determinada a achar um bode e colocar na sala para responder pelas possíveis falhas, por exemplo não teria que ter um sinal sonoro com um detector de fumaça, ou espargidores de água que diminuíssem a possibilidade do fogo se alastrar rapidamente? Pode ter sido um acidente, pode ter sido um acidente agravado por falhas na construção, pode ter sido um incidente, pode muita coisa, mas é preciso o tempo de investigação, a calma para que as famílias vivam seu luto e possam sentir a tristeza da tragédia e a busca por reparação e cuidado para que não aconteça em outros lugares, tudo isso pode ser melhor informado? Sem criar um 'pânico coletivo'? Essa narrativa bombástica é cansativa, será que acontece apenas aqui ou é parte de uma mudança global e que precisa ser entendida?
Minha escrita é exagerada, tenho consciência disso, não tenho competência para abordar a maioria dos assuntos, mas faço por hábito de escrever e porque surte efeito, alguém bem mais capaz que eu aproveita a indagação e pinça, pelo menos imagino que sim, transforma em outra coisa e isso é a atualidade acontecendo.
Eu não tenho a menor competência para afirmar foi um acidente, mas isso cria uma possibilidade, será que foi um acidente?
Hoje é 10 de fevereiro de 2019, verão quentíssimo no Brasil, tempestades e outras manifestações extremas da natureza, quantos jovens e mesmo adultos estão em acampamentos, albergues nas praias, retiros religiosos, centros de treinamento, grupos de teatro, de escoteiros? Sei lá são tantas atividades extra curriculares que as famílias buscam para preencher as férias escolares que até assusta, quantas vezes esses eventos, como a Jornada da Juventude, abrigam muita gente em lugares improvisados? Não que o Flamengo não vá responder por isso, vai, assumiu o risco ao alojar os jovens, deve ter seguro sobre a propriedade e outras garantias da vida moderna, mas isso tudo tem lugar e hora para acontecer. Estamos aprendendo da pior forma possível, após as tragédias, é preciso ter planejamento para que haja prevenção e não negligência.
Os times, igrejas, albergues, escolas, hotéis, aeroportos, fábricas tem que olhar e revisar suas instalações, para evitar que algo assim repita e mesmo com todas as precauções podem ocorrer acidentes, precisamos ter essa consciência e a imprensa oficial deveria ter mais cautela para ser agente de informação, não de execução de pena, nada contra as investigações jornalísticas sérias, só contra a 'narrativa do medo' e o sensacionalismo que acaba rondando a atenção em busca de audiência. Tenho a impressão que antes havia a notícia, a informação mas não essa narrativa histérica, em que há 24h de exposição de imagens de devastação, talvez eu esteja errada, mas isso poderia ser pinçado e estudado pela própria mídia. Quantas horas cada canal gastou com a tragédia, por exemplo, de Brumadinho? Tudo o que foi noticiado ajudou ou atrapalhou as investigações oficiais e feitas pelas autoridades?
Eu escrevo muito então pode sim ter incoerências e mudanças na minha narrativa, parece que tem alguém buscando furos no meu vago pensar, e há milhares eles oxigenam a minha mente, são como os furinhos do queijo deixam mais aroma, textura, cor... "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião sobre tudo". Nós nascidos sob o signo de Gêmeos, almas de Gêmeos, somos assim, tudo depende do vento, pra que lado ele está soprando?
Não ia escrever nada hoje, mas deu vontade, fazer o que??
Fernanda Blaya Figueiró
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