Um velho conto.
Sem autoria, encontrei um documento antigo com uma palestra ou conto para ser lido, uma oratória bela e simpática. Do conto não vou falar, que se está assim perdido é por ser seu destino, mas do objeto sim. Uma antiga folha amarelada parecendo papel de embrulhar pão, mais estreito e mais longo que os papeis de hoje. O conto datilografado com esmero e cuidado, uma anotação em caligrafia no verso da última folha com ditos perdidos no tempo. Traça, sim comido por elas.
Cada um é o que consegue ser, hoje em dia isso meio que se perdeu, a gente passou a ser não o que é, mas o que projeta que é, ou o que projetam em nós que somos. A matéria de toda a nossa produção é a mesma, nós que escrevemos, estamos apenas mostrando quem somos, quem achamos que somos, quem queríamos ser, como é nosso tempo, quais nossos medos e esperanças, nossas grandezas e nossas mesquinharias.
Minha escrita está assim, comida pelas traças, essas gulosas, alguns pequenos fragmentos perdi na memória, outros tantos vagam em posts perdidos, não há sentido e essa é a grande beleza dela. Olhem que folha linda.
Fernanda Blaya Figueiró

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