Hoje é o décimo dia que falta para 2019 entrar em cena.

Hoje é o décimo dia que falta para 2019 entrar em cena.

Essa fotografia tirei há alguns anos numa exposição sobre a vida do contista e poeta gaúcho João Simões Lopes Neto, um bom escritor e ruim negociante, fez vários empreendimentos que não tiveram sucesso.
O Café Cruzeiro nascia em novembro de 1897, sei pouco sobre sua obra, já li alguns de seus contos e acho uma linguagem muito boa. Fiz um conto com palavras de um conto seu para uma oficina.
Durou pouco o Cruzeiro, como duraram pouco as várias tentativas de moeda com esse nome, se há um legado nesse longo período pós redemocratização no Brasil foi o Real, inicialmente Cruzeiro Real, não sei se assim como o intervalo democrático não é a moeda de mais tempo de duração. O Real nos deu uma noção: isso está caro, isto está dentro do preço. Eu posso viver com tantos Reais, isso eu posso consumir, isso não. Atualmente a valorização do dólar e o impraticável financiamento do consumo, por conta dos juros abusivos, imorais quase uma usura oficial estão abalando o movimento da economia. O povo está sendo educado financeiramente na chibata, se deve cai num ostracismo, o 'nome sujo na praça' mas logo sai, aprendemos a domar o leão do custo de vida, nem todo mundo, porque gostamos de gastar bem, viver bem, comer bem e tudo isso é caro. Qual é a história do Real? Hoje 1 Dólar custa 3,9 Reais, então povo é hora de segurar as compras. O café, esse nosso amigo, a xícara custava 0,50 centavos, hoje em alguns lugares chega a 7,00 , claro que em shoppings e cafeterias especializadas o preço inclui segurança, design, qualidade do grão, especialização do gourmet, etc... Mas é muito, Simões Lopes enfrentou esse problema, pelo que li, seu produto tinha muita qualidade e preço muito alto, além de outros problemas de gestão que deve ter enfrentado... A linha branca, pois quem compra percebe que eletrodomésticos e móveis populares não acompanharam essas altas, há mais estabilidade, são bens mais caros, o problema aqui são os juros, o povo ainda pensa no tamanho da parcela e não no valor total pago pelo produto, então um refrigerador pago a vista sai em torno de R$ 1200, 00 os mais comuns , mais ou menos 307 dólares, em 10 parcelas vai a aproximadamente 1500,00 dependendo da loja ou do cartão, há ainda 'garantia estendida' algo que as lojas usam para negociar o preço, um tipo de seguro, 384 Dólares aproximadamente, 80 dólares de juros, é muito. O consumidor acha mais fácil pagar 150 reais ao mês do que passar 10 meses economizando e pagar 300 reais a menos, ou manter o velho produto na ativa. Para movimentar o setor o governo criou um incentivo onde o consumidor entrega seu refrigerador velho e compra o novo parcelado com juros subsidiados, para consumidores de baixa renda, não sei se vingou isso. Eu não sou economista, sou consumidora e acho que muitos preços estão abusivos, pela lembrança do preço com o real um pouco mais valorizado. O juros é abusivo assim porque há muito calote, quem já teve negócios no Brasil sabe disso, e o calote tem uma origem a venda mal feita, o custo mal calculado, o fluxo de caixa que não funciona e a necessidade de recorrer aos bancos, uma loteria que leva muitos empreendimentos como o Café Cruzeiro a falirem. Fora a ilusão de que manter uma empresa é fácil, basta abrir uma portinha e tudo serão flores, basta que o 'empregado' seja dono dos meios de produção que vira empregador, não é verdade. O mercado é algo muito maior, precisamos superar esse mal entendido, um empreendimento é como uma vida, está nas mãos de todos do empreendedor, dos seus empregados, dos governos ( municípios, estados e união vivem da arrecadação de impostos), do sistema financeiro, da comunidade, dos fornecedores, da rede de distribuição e da 'conjuntura interna e externa'. Onde uma falhar mata-se a galinha dos ovos de ouro que é a empresa. Nessa lógica doméstica e simplificada, a visão do consumidor, percebemos que os países ricos são coautores da miséria dos seus compatriotas e dos países pobres. O que na atualidade mais gera dinheiro: Fé, drogas e juros. Precisamos superar isso, como? Pois então, quantas coisas esses personagens já causaram, acho que até a implantação do comunismo na China. Coloco a fé junto porque aqui estamos descobrindo João de Deus, uma versão nacional de Osho (por sinal tem textos dele maravilhosos, mas foi um homem que criou uma 'seita' e acabou cometendo atos ilícitos, por isso o comparativo). Não sei como.
Em dez dias começa um novo governo aqui e desejo que consiga amenizar os graves problemas de distribuição de renda que o Brasil enfrenta, o povo brasileiro cria formas de viver, e essa energia tem que ser canalizada e bem gerenciada, tanto a formal como a informal, pois é impossível não lidar com a informalidade, a questão toda penso que é o Real, como ter uma moeda forte o suficiente para dar segurança para o consumo, mas que não cause estagnação ou inflação ou estaginflação?
Espero que a economia aliada a política e as forças vivas da sociedade consigam alavancar o desenvolvimento humano no nosso país e que o lapso de 'educação e cidadania' que elevou os índices de violência urbana seja sanado, nada sozinho vai resolver. Não existe caminho fácil, o caminho está sendo o tempo inteiro construído, precisamos da energia dos países estrangeiros e eles da nossa, as bases dessa relação fará com que a migração entre em níveis normais, a geração de renda e emprego também.
Tem um livro muito interessante que ensina um pouco sobre isso, faz anos que não leio mas se chama "quem mexeu em meu queijo', há muitos outros também, só que esse é clássico. Precisamos entender que o processa de bem estar social só será realidade a hora que tiver energia para todos, segurança absoluta não existe, sempre haverá um nível de perigo e de desafio, mas esta insegurança toda tem que acabar.
Há um ensinamento do I Ching ,não saberei as palavras exatas, talvez nem a essência correta, mas o que apreendi, limitado a minhas bases culturais e capacidade cognitivas, mas é mais ou menos até que momento se manter a tensão, ou o seu empreendimento e seria mais ou menos até o momento em que ainda se pode alcançar um objetivo, é preciso largar uma tarefa se ela já está perdida ou se já está completa, nesse momento é hora de distensionar, o corpo não aguenta a tensão permanente, nem os corpos que criamos as empresas, os partidos, os templos. Uma hora a guerra termina, vem tempos de paz e uma hora a paz termina, o equilíbrio alcançado não é permanente. E nós aqui nos Brasil desequilibramos muito e isso também não é permanente. Vamos nos abrir para um momento de mudanças profundas, nosso queijo sumiu é preciso ir atrás de novas fontes de energia, assim caminha a humanidade e o novo vem embasado no antigo.
Quanto bobagem... Sei lá! Vou tomar um café que esse conto faliu.
Fernanda Blaya Figueiró

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