A sabedoria.



A sabedoria.


 ... entregue a seu passatempo favorito: olhar o mundo.  Fernando Blaya, meu tio mais jovem.

Recebi de um coração poeta este lindo pensamento, compartilho essa velha vontade e sabedoria da poesia do olhar; olhar o mundo, ser parte dele e se recolher quando achar que é a hora. A sabedoria é construída com o tempo, escrever liberta, há um saber consolidado e um em construção. Ninguém por mais erudito que seja sabe tudo, é preciso vários olhares sobre o mundo para criar uma paisagem confiável, volumosa, crível. Nada disso aqui parece fazer muito sentido, então aos poetas cabe a tarefa de construir imagens, dar as pessoas um alívio na falta de sentido do cotidiano. Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro não são tarefas para todos, só plante uma árvore onde ela possa ficar, onde seu frutos alimentem a terra, sua biodiversidade, só tenha um filho se for a hora certa, se for possível, se não for ame o que a vida lhe trouxer; escreva um livro se quiser, se achar que é para si. Há tantas outras coisas a fazer, ler o livro já escrito, amparar os filhos que precisam, comer os frutos das árvores já plantadas, sentar a sua sombra e olhar o mundo.
Fim de ano e a balança na nossa frente, jogue a balança fora, tudo valeu a pena, as coisas grandes e as pequenas, o que seria do mundo sem a poesia?
A cátedra dos poetas é o Mundo, esse Velho querido que se apresenta ao nosso olhar pela manhã. Há um canto estridente de cigarras aqui, no meu cantinho de mundo, o sol doura as folhagens e anuncia o calor desse verão. 2018 finda. 2019 nasce. Só para os pequenos seres humanos, que contam o tempo para entender a Terra e seus ciclos.
Esse é o Mundão Velho de Deus acontecendo displicentemente e nos desafiando.
Fernanda Blaya Figueiró
P. S. Hoje pela manhã escrevi este texto e estava esperando meu tio autorizar ouso de sua frase, diria que os dois textos de hoje se completam. Ele é um  adorador de rock.

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