A pequena Índia enterrada viva. Foi Tupã quem mandou desenterrar.


A pequena Índia enterrada viva. Foi Tupã quem mandou desenterrar.

Anno 2018  do Calendário do Senhor.
O Brasil luta contra a corrupção e o abismo que separa as ‘classes sociais’ neste ano pesado muita instabilidade nos assombra. O mundo de hoje cultua o aborto como solução para evitar o sofrimento de mães muito jovens ou sem condições financeira e de seus filhos indesejados, que são retirados do útero interrompendo a sua vida com remédios ou cirurgia. Numa tribo urbana uma bisavó e uma avó Índias decidem, dentro de sua tradição, enterrar uma pequena Índia recém nascida viva, para evitar seu sofrimento futuro e da mãe, o pai é de “outra tribo”, sabe-se lá se esta foi uma gestação fruto de um relacionamento consentido ou não. Então podemos dizer que estas duas mulheres executaram seu tipo cruel de ‘aborto’, dentro do que manda sua cultura, que é anterior a chegada do intruso “colonizador”. Mas, estamos em 2018 e a sociedade não pode aceitar que um ser vivo seja enterrado vivo, pois isso é uma tradição cruel e violenta, então a cultura tem sim que se adaptar a civilidade, a lei e a ordem. É preciso punir estas duas mulheres para que uma nova cultura se estabeleça e a velha atitude seja abandonada, pois elas moram em casas modernas, com problemas modernos, alimentação atual, tudo atual, devem ter televisão,  é certo que tenham, então é também certo que aprendam as novas normas. Quanto a nossa sociedade que se horrorizou com o ato terrível do enterro de um ser vivo  indefeso, tem que pensar no aborto também como a eliminação voluntária de uma vida, decidida pelos avós, mães, pais e ou médicos. A versão indígena desse ato é bem repugnante.

Foi assim, numa manhã quente de outono, o ar na tribo estava pesado e triste, a Bisavó Índia, anciã e matriarca, veio para ajudar a jovem Avó a sepultar um problema, a Mãezinha sentia as dores do parto, não sabia de nada, não entendia ainda a vida, não sabia a má sorte que uma criança pode trazer se criada sem pai. Não sabia da fome, do preconceito, das tradições. Assim que a natureza cumpriu seu curso e a Bebê nasceu a Mãezinha sentiu um cansaço, um aperto no peito. A menina nasceu morta disseram-lhe... Morta. Não teve chorinho e a pequena cova já estava feita. Com a ajuda dos ancestrais, com a reza forte da Bisavó, o consentimento da Avó, o que tinha que ser foi feito... Com cantos de dor a tribo dançou e pediu proteção a Tupã. A Terra recebeu o pequeno corpo e um respiro, não se sabe como, um respiro e havia vida, vida difícil, vida de fome e miséria ou a morte? Tupã mandou vir homem branco, em carro e o enterro foi suspenso. De hoje em diante Tupã, e ninguém pode contraria suas ordens, decidiu que não mais se mata recém nascido, seja por que motivo for. Tribo que matar atrairá desgraça e dor, muita dor. De hoje em diante Tupã manda: Índio, Índia,  Cacique e Pajé  obedecem, a nova tradição é levar mãezinha Índia no Posto, exigir da Funai um Cartão para alimentar a nova vida. Exigir respeito, cuidado e amor. Exigir remédio e vacina...
Foi Tupã quem mandou desenterrar a pequena Índia, Bisavó, Avó, Pai, Mãe, Cacique e Pajé tem que aceitar e obedecer. Toca o tambor que avisa: Tupã mandou desenterrar. Foi Tupã.Tradição mudou, proibiu enterrar qualquer Bebê na Tribo, mandou levar toda mãe índia no Posto, quem desobedecer traz má sorte e dor para toda Tribo. Tupã mandou!


Fernanda Blaya Figueiró

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