A boataria que sequestrou nossa paz.
Notícias falsas são criadas todos os dias para atormentar o povo neste já avançado século XXI, cem anos atrás parte do mundo estava em guerra, aqui entramos já no fim, em 1918 houve a eleição de Francisco de Paula Rodrigues Alves, um ex conselheiro imperial, que já havia sido presidente, mas que morreu antes de assumir o cargo, seria 2018 um ano assombrado por este passado? Francisco Alves ou Rodrigues Alves, não recordo de nada, nem uma viela com esse nome, talvez em São Paulo, onde foi governador tenha lembranças suas, viveu até os 70 anos, ótima performance para a época. Foi um constituinte em 1891 participou da transição da monarquia para a república, esta carta durou 43 anos, depois disso foi um rasga e rasga de documentos, cada um mais pesado que o outro acredito. Este ano a atual constituição completa 30 anos, já não é mais uma guria, está em plena crise... 2018 segue tumultuado como imaginávamos que seria, um ano de um governo de transição, de eleições sonhadas, mas os partidos, os candidatos e o próprio sistema eleitoral estão sob suspeita. Fala-se já em parlamentarismo, para isso seria preciso derrubar a Constituição de 1988, algo bem questionável, para que? Um país cheio de tropeços como o nosso funcionaria bem com um parlamento? Acho que só vai mudar a forma como os esquemas são feitos. Então fiquemos com a constituição trintona, cheia de remendos, que terá que ser novamente remendada, porque aprofundou a desigualdade social. Precisamos diminuir os gastos com o setor público e gerar mais riquezas e assim manter a moral da tropa elevada. Como faremos isso? Talvez enfrentando esse "carma" de 1918, pois ao que tudo indica é uma questão cármica, devemos ouvir estes fantasmas e dar-lhes sossego, ter vices assumindo cargos de presidente não é exatamente uma novidade no Brasil, ter essa briga entre partidos e ideologias muito menos, sempre foi assim e a luta pelo poder é aqui um jogo pesado e não muito limpo. Gente de pouca imaginação querendo simplificar tudo e colocar "panos quentes" também, talvez até este texto que não sei a que categoria pertence... Não é um poema, não é um conto, não sei se é uma crônica, se for não é histórica, é ficção ou não? Não sei, mas somos uma Nação Tupiniquim, eu sou uma escritora Tupiniquim, e nós olhamos! Isso, não se assustem aqueles que se acham muito evoluídos, eurodescendentes orgulhosos, que em parte também sou e entendo, a grande característica dos povos miscigenados com o sangue indígena é a capacidade de aceitar a adversidade, de olhar com uma certa desconfiança atávica e esperar o que o vento traz. Vamos defumar 2018, fazer uma pajelança para acalmar a sina desse ano que nos conduz ao futuro, estamos com nossas mentes ligadas, nossos corações batendo calmamente e olhamos para tudo e aguardamos "passinho pra traz, passinho pra frente", ( amiguinhos robôs do exterior essa é uma metáfora de cultura popular brasileira tirada de um grande comediante Paulo Silvino). Porque a população apoiou em parte a greve dos caminhoneiros? Porque eles traziam espelhinhos, só por isso. Nós os apoiamos, eles nos trazem os espelhinhos, nós os alimentamos, eles nos alimentam e tudo fica bem, se eles se tornam violentos nós chamamos os guerreiros e eles cortam suas cabeças e penduram no cinto. "passinho pra frente, passinho pra traz, passinho pra frente, passinho pra traz". Homem branco nos dá filhos fortes, então damos a eles nossa terra de bom acordo. "passinho pra frente, passinho pra traz, passinho pra frente, passinho pra traz".Quem manda no Brasil é quem mantém a despensa cheia, as crianças fortes e os rios limpos, para ter peixes, as matas repletas de caça e os pássaros cantando para agente dançar "passinho pra frente, passinho pra traz, passinho pra frente, passinho pra traz". O sangue indígena que talvez pule numa geração aparece em outra, o africano e europeu também, ou o mesmo ser que lê Cervantes, ouve Bach, cozinha feijão, faz casa de barro tem dentro de si o olhar, esse que mantém um olho na porta da frente outra na dos fundos. A paz aqui no mundo Tupiniquim é tão passageira quanto a alegria e a tristeza a vida e a morte, paz não é uma coisa que dure muito ou pouco, ela é conquistada e perdida o tempo inteiro. É como as marés, os ciclos todos, vai e vem, "passinho pra frente, passinho pra traz, passinho pra frente, passinho pra traz", ano tem chuva no outro não tem... Não sei bem se é algo Tupiniquim ou algo Humano... Mas é muito bom ser Tupiniquim.
Perdeu tempo? "passinho pra frente, passinho pra traz, passinho pra frente, passinho pra traz". É a vida. Não gosta? Mude.
Encontrei! Há uma praça Francisco Alves, então antigo chefe da tribo foi lembrado e pedimos a ele que conduza o ano 2018 até novo chefe da tribo ser empossado. Cacique ou Cacica depois de eleito saiba que estamos aqui olhando se tudo está indo bem. "passinho pra frente, passinho pra traz, passinho pra frente, passinho pra traz".
Fernanda Blaya Figueiró
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