Um pouco de prosa solta.
Um dia desses qualquer, um bem comum, duas falsas mendigas
atravessavam uma avenida movimentada, com mentiras aplicavam pequenos golpes
nos transeuntes... Precisamos de seu dinheiro para irmos lá longe no Monte, a
passagem custa 18,00... Viemos para uma
consulta e ficamos desprevenidas, gastamos com remédios, emendavam uma mentira
na outra e riam por dentro de suas falsas afirmações. Eram claramente duas
mentirosas, ganhavam a vida malandramente. Ela vai trocar a nota, ouvi de suas
bocas maldosas, perceberam que ganhariam alguns trocados... Eram dois seres sem
a menor importância, destes que movimentam as cidades e se acham muito
espertos. Quem seriam estas duas mentirosas? Pouco importa. O mais importante é
saber se livrar delas, suas auras estavam repletas de sombras e sem brilho
nenhum, você sabe do que falo, não? Então entregue a esmola é preciso se livrar
da má energia dessas pessoas, das falsas mendigas, das verdadeiras nada se tem
a temer. Elas receberam pequenas migalhas e partiram vitoriosas. Sei quem são,
lembrei que não gostam de minha pessoa, porque não recordo, ou foi porque não
quis mais assinar sua revista. Peguem a ficha e vão para o fim da fila – pensei
- quem escreve sobre política não é muito bem quisto e é preciso saber conviver
com isso, elas são o que são: duas mentirosas. Por que contar suas histórias então,
por puro entretenimento, pessoas assim andam
por aí tumultuando as redes sejam elas virtuais ou reais, criam polêmica pela
satisfação que sentem, por prazer e sarcasmo. Estamos diante de um ano eleitoral
e a realidade se apresenta com toda sua crueza: não dá para confiar em ninguém
nem na política, nem na polis.
O Mundo como era está deixando de existir, Graças a Deus!!
Existindo ele ou não.
Aceitamos a derrota dos sistemas sociais como quem aceita um
diagnóstico medonho: é fatal. E agora? O poder que emana do povo virou essa
malandragem toda. A mentira dominou o cenário e divertiu o público, mas a
verdade apareceu e colocou os pingos nos iis.
É gravíssima a notícia de que a vereadora Marielli foi
assassinada provavelmente a mando de um político e de um miliciano ex policial,
um apenado perigo, ela estaria atrapalhando a malandragem pesada, não a que
pede trocados nas esquinas, mas a que gira Bilhões em dinheiro sujo, dinheiro
da cadeia produtiva da morte, essa que tem sangue na boca de fumo, no
contrabando, no roubo. Há muito que o poder oficial e o paralelo andam de mãos
dadas como dois mentirosos aplicando golpes nas ruas e nas cidades. Em quem
confiar? No instinto. Bandido é bandido, polícia é polícia, essa distinção tem
que ser feita. Policial não vira bandido, se age como sempre foi bandido. Bandido
que vira polícia continua sendo bandido. Então esse ex policial é um bandido
perigoso, sempre foi, aliado a um falso
político mandou matar de forma cruel e violenta uma opositora, removeu um
obstáculo, agora a verdadeira Polícia terá que descobrir o que ele pretendia
conseguir que ela estava impedindo. Os jovem viraram no mundo “buchas de canhão”
para servir a estes bandidos todos, eles usam a juventude em favor próprio como
os estelionatários que cobravam aluguel no prédio incendiado no Rio, usavam o
patrimônio público abandonado e mal gerido para si, viviam da exploração dos
miseráveis, por falência do sistema atual, por negligência do Estado, da mesma
forma que os políticos usam o que é de todos como se fosse seu.
Não importa se as eleições forem vencidas por corruptos, porque
se a “Polícia voltar a ser Polícia” e não permitir que a bandidagem se infiltre
em seus quadros e as instituições todas começarem a cumprir melhor suas funções
o governante que tomar posse dos cargos mais elevados ou dos mais básicos terá
que obedecer as leis. Sendo de esquerda ou de direita nenhum político pode usar
o cargo para enriquecer a si e aos seus e sim para gerenciar o patrimônio
público respeitando os limites legais. Porque os bandidos assaltam escolas, postos
de saúde, amedrontam as comunidades, fazem barricadas, fecham ruas, enchem tudo
de lixo, vivem em vielas mal iluminadas? Porque o Estado permite e se omite,
abrindo espaço para essa energia ruim.
Trabalho e renda estão no cerne, na base de todo este
problema, falta oportunidades de auto sustentação para muitas pessoas e isso
cria as condições para que a violência se instale e a guerra urbana se apresente
como verdade. É mentira, não precisamos viver oprimidos assim, como encontrar o equilíbrio
entre o público e o privado? Entre as aspirações do indivíduo e da coletividade?
Quem se importa com o que está acontecendo, quem entende e pode enfrentar esse
desregramento todo? Quem pode separar a política, a polícia e a bandidagem? Aos
poucos as coisas estão entrando nos eixos, a sociedade vai conseguir mudar essa
realidade toda. O que está acontecendo aqui já aconteceu em outros países e
civilizações e foi superado. É parte do poder esses ciclos de construção e
degradação, não precisamos andar envergonhados, nada disso é novo. Nós vamos
evoluir.
Fernanda Blaya Figueiró
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