Marcela Temer salvou o cachorrinho do filho. Parabéns!!
Marcela Temer é uma mãe que reagiu rápido e resgatou o cachorrinho do filho, fez bem, qualquer mãe faria o mesmo. Já afastar sua segurança por desobediência achei exagerado, a primeira dama corria perigo de vida? Se sim a agente tinha que ter ajudado, era sua função, se não seria desvio de função. Mas, o cachorrinho está bem, ela também a agente não foi solidária mas não sei se cometeu algo errado. Se alguém atirasse na Primeira Dama o que ela faria? O certo talvez fosse chamar os bombeiros e esperar um resgate dentro dos protocolos, mas poderia ser fatal a demora para o cão então ela agiu bem. Essa agente é o retrato do funcionalismo público deve receber uma grana para proteger a família presidencial, mas mesmo estando em seu posto não faz nada. Mães para protegerem os filhos viram leoas, e leoas não confiam em outras que não correspondem a suas funções, como ela vai confiar que essa agente fará algo se seu filho estiver em perigo?
O mundo está estranho, alguns pactos de silêncio estão sendo rompidos, o escândalo de pedofilia no mundo do esporte está rendendo muitas revelações, fiquei pensando em até que ponto os jogos de poder e sexuais entre crianças e adolescentes são normais e quando extrapolam? Sempre que há um adulto envolvido já há abuso e perversão, mas e entre jovens mais velhos e crianças ou entre crianças o que é aceitável e o que é anomalia? No caso relatado pelo ginasta Diego Hipólyto sem sombra de dúvida houve um abuso de poder dos jovens mais velhos e segundo ele com o consentimento dos técnicos, ele relata que sofreu com isso e conseguiu superar a violência, que falar sobre o assunto foi um alívio. Como este relato pode ajudar a sociedade a evoluir e exigir respeito ao outro?
Com estas denúncias a questão do abuso e da violência sexual deixa de ser algo do mundo feminino, como muitas vezes é dito, para se tornar uma questão universal que independe de sexo, classe social, etnia. As vezes acho que estamos indo para um caminho de controle excessivo da sexualidade, como uma onda de conservadorismo e puritanismo, então saber o que é "normal" e o que é "anormal" é muito importante, para pais, professores e toda a sociedade tanto na infância, na adolescência quanto na vida adulta, quais os limites das "brincadeiras", das piadas, dos comentários jocosos? Como a pessoa se defende de possíveis ataques? Estas questões são só códigos comportamentais ou são casos de polícia? Achei interessante que Diego Hipólyto tenha ocultado o nome dos jovens mais velhos,até porque passados todos estes anos não teria como provar o que aconteceu, mas "eles" sabem quem são e devem agora estar furiosos ou envergonhados, vão se vingar? É um risco que o atleta correu ao quebrar esse "pacto de silencio", ainda teremos muito assunto a tratar porque para ele é passado, está superado, ele é um campeão, mas para muitos adolescentes é a realidade ainda, tanto para abusados como para abusadores.
O próprio "trote" de calouros em universidades já vem sendo objeto de atenção por, em alguns casos, se tornarem abusivos e até mesmo estabelecer hierarquia entre os alunos, os que mandam e os que obedecem, e isso refletiria na vida profissional depois. Tomara que este assunto renda um esclarecimento dos limites das relações entre as pessoas e os mecanismos de proteção que existem...
Estamos numa selva?? Como preparar os filhos para se defenderem nela??
Fernanda Blaya Figueiró
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