Últimos dias de um verão.




Últimos dias de um verão.
Aos poucos a natureza revigora a vida no pátio, encontrei uma estranha estrutura, uma casinha feita como se fosse esponja, branca com pequenas bolhas cheias de ar, quem será que ali morava? Parece abandonada, já deve ter cumprido seus desígnios. Logo descubro que se trata de um casulo de bicho da seda. Quanta honra ter tão importante visita, como chegou até aqui? Voando, provavelmente, voando. Teria vindo lagarta ainda? Há muita vida escondida nas pequenas coisas, ninguém se ocupa muito delas...
- Dona jardineira uso suas folhas de figueira e de presente deixou um pequeno casulo, meu lenço... Branquinho, limpinho, fofinho...
-Dona mariposa, agradeço a pequena alegria de fim de verão... Como é bonitinho esse longo fio tecido. E veja quem aqui está a bela borboleta de asas brancas lembra que a paz trás assim, sem susto.
-Estou polinizando a pedido de mãe natureza, um pouco de vida levo de um lado para o outro, nas minhas frágeis patinhas vai o alimento tão desejado... Os butias tão aromáticos convidam, o araçá maduro perfuma de longe... Pobre pitangueira teve poucas flores neste verão seco.
Logo, logo adentra o outono, tão misterioso, com seu caducar de folhas, usa o fio longo que lhe deixei para colher as folhas que alimentam a terra. Nossa Terra que está em constante transformação, tão sábia e bonita.
Aproveitem amigas o fim deste verão, ele foi duro e sisudo, cheio de coisas e está já se recolhendo, de malas prontas para a longa viagem pelo planeta...
- Calma, estou ainda aqui, mais uns dias, não dou ao outono um só minuto, ele que espere, ainda tenho muita energia, depois durmo, durmo e durmo, a primavera no norte vai preparando minha chegada triunfal... Deixo um recado os homens: vocês nunca vão acabar com a gente, se cuidem e andem na linha... Oh bichinho que gosta de futricar, esse, mas vai fazendo, desfazendo, se movimentam mais que ave migratória... Deve ter vindo o casulo junto com alguma coisa do oriente, talvez num navio pesado, ou num saco de estopa cheio de especiarias... É assim que tudo acontece, as coisas vão trocando, caminhando, mudando... Um fio longo de seda liga tudo no mundo, vai, vem e forma... um grande casulo...
Então estamos todos dentro de um grande e etéreo casulo de tramas... Que bonito é...
Fernanda Blaya Figueiró

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