O Brasil vive uma crise de Autoridade


O Brasil vive uma crise de Autoridade.
Como fomos parar no fundo do poço? Acho que porque o nosso país, na Constituição Federal de 1988 complicou tanto as coisas que hoje ela é a mais “emendada” de todas, claro que deve ser uma de mais longa duração. Nosso país tem muita dificuldade de conseguir manter o “Estado Democrático de Direitos” que hoje, mais do que nunca, está ameaçado. O que ameaça nossa democracia? A corrupção e a falta de autoridade, o medo de cair no autoritarismo fez da nossa sociedade uma confusão, ninguém segue totalmente as leis porque elas são um emaranhado de lacunas. Ninguém pode exercer autoridade porque será execrado como autoritário, o pai e a mãe delegam a educação a escola, que no caso de “aluno problema”, encaminha para a psiquiatria, onde o aluno vira paciente, se não funcionar, “o ser” cai na rede da assistência social e vara da infância e juventude. Educar virou um complexo sistema fragmentado onde ninguém realmente exerce a autoridade, na sociedade é a mesma coisa, os pequenos ‘jeitinhos” vão se tornando lucrativos e acabam se tornando estelionatos, roubos, assassinatos, etc...
É proibido usar drogas, mas nada acontece a quem usa, só a alguns que comercializam, os grandões ficam pouco tempo na cadeia; é proibido cobrar propina mas só alguns são presos, os grandes corruptos ficam soltos, logo é uma loteria, o funcionário público ou privado, empresário, político e todos os envolvidos avaliam a necessidade de mais e mais dinheiro e uma improvável punição, além dos vícios de origem, alguns “procedimentos legais” são feitos para serem burlados, é o “normal”. Como ficou claro no julgamento da chapa Dilma/ Temer, todos os partidos participaram da corrupção,todos os políticos do país cometeram o mesmo crime, o Tribunal Eleitoral sabia? Se sabia agiu para coibir ou deitou na sombra? Se o Tribunal, na figura de seus funcionários tivesse exercido corretamente sua autoridade não teríamos o roubo de Trilhões de Reais, um dos maiores assaltos aos cofres públicos do mundo, se a Receita Federal tivesse diminuído o espaço para a sonegação teria encontrado esse enorme furo. Porque não fez? Porque o Sistema todo está viciado, além da fragmentação,a mesma na questão da educação, as diferentes instituições não se comunicam, logo há uma confusão sobre o que compete a quem e ninguém exerce a autoridade de chegar num partido e exigir que funcione dentro da lei. Os partidos corrompidos “eliminam” os partidários que não participem dos “esquemas” e “fortalecem” os políticos que aceitam as regras, que fazem parte da corrupção. Nas Estatais o mesmo acontece a progressão na carreira é influenciada pela política como foi demonstrado no caso da Petrobras, são colocados nos postos mais altos os mais corruptos e coniventes com os “esquemas de corrupção”, claro que não se pode generalizar, há bons funcionários, há contratos sãos, não pode ser tudo errado, mas houve ao longo dos últimos 30 anos da Constituição Federal, algum mecanismo que não funcionou bem e permitiu a degradação de todo o sistema político e social. Não acho que o problema seja a CF em si, mas a falta de autoridade e a leniência com a informalidade e os roubo, ou corrupção, que foi corroendo a sociedade. Esta semana a polícia gaúcha chegou a um bairro “favelizado” em Porto Alegre, o Morro da Glória, que até há pouco tempo era muito valorizado, como o Morro Santa Tereza, mas foi sendo tomado pelo crime, na reportagem os membros da facção criminosa usavam uniforme, estabeleceram barricadas, afugentaram os moradores e tomaram posse do território para si, usando o terrorismo, as armas e a força, eles não observam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Propriedade, o direito a vida, não seguem a CF, nem as leis, estão estabelecendo um poder paralelo violento e o Estado perdeu a autoridade para eles, nestes guetos. Algo que é “normal” no Rio de Janeiro e em outros estados e cidades está sendo implementado aqui, as ruas estão sendo tomadas por cracolândias, os bandidos não tem mais medo da polícia, estão armados e são ultra violentos. Enquanto isso os Ministros do STF levam quatro horas batendo papo, se quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha e não cumprem o seu papel, não exercem a autoridade que receberam, e mais não querem ser criticados por isso. “O senhor é uma pessoa horrível”... Só ele ou o coletivo ao qual ele pertence?
Será que o povo brasileiro sabe viver no Estado Democrático de Direito?
Esta semana temos a Páscoa, a população cristã no Brasil vem encolhendo, ou talvez esteja muito fragmentada, a Páscoa se tornou um feriado para comprar chocolate e peixe. Neste feriadão muita coisa vai acontecer, como sempre, depois dele o STF terá que decidir se Lula Jararaca será ou não preso, já recebeu uma "liminar” de liberdade, que aponta para a aceitação do Habeas Corpus, ou seja ele só será preso, se condenado, após esgotadas todas as possibilidade de defesa, isso vai levar muito tempo, pois é o ‘normal’ da tramitação. Enquanto isso os esquemas que ele e seu partido instituíram continuam, provavelmente essa mesma leniência será aplicada a sua candidatura, vão achar um “jeitinho” dele continuar além de livre, desimpedido para concorrer, nesse meio tempo os bandidos do Morro da Glória já estarão todos soltos e voltarão ao seu território, vão matar algum morador que não aceite a sua autoridade e a culpa será atribuída ao morador que ‘palhaço’ não entendeu como as coisas funcionam nesses tempos, surgirão milícias para combater esses abusos, as milícias se tornarão opressoras . E o eleitor terá a sua disposição os mesmos candidatos que roubaram Trilhões de Reais?
Agora a grande, fundamental questão é como retomar a autoridade sem recorrer ao autoritarismo? Os pais terão que voltar a ser pais, os professores autoridade na sala de aula, os agentes da lei... Deveríamos ter a correção das lideranças, o que não vai acontecer, “eles” vão continuar roubando livremente.Podemos ter a mudança na família e nas comunidades, se você souber de uma criança andando sozinha para a escola informe a polícia, para que os pais sejam chamados a cumprirem suas obrigações, se sua rua foi tomada por facções avise as autoridades ou sai antes que seja morto. Muita gente está optando por abandonar o Brasil pois suas profissões perderam espaço, deixaram de existir os empregos, não conseguem mais sustentar suas despesas e não tem outra alternativa, quem fica é que terá que atuar na mudança, até o ponto em que as autoridade percebam quem são e se não podem mais agir corretamente que deixem o lugar para quem ainda acredita no sistema e pode exercer autoridade de fato.
Então Moro no Morro, até que as coisas voltem a patamares aceitáveis de civilidade. 
Fernanda Blaya Figueiró

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