Mais um candidato a Ritalina...


Mais um candidato a Ritalina...
Quem não gosta de polêmicas, por favor, não leia.
Ontem estive conversando com uma pessoa e ela contava que conhece uma criança, mais uma, que vai começar a usar Ritalina, a droga da moda, para toda e qualquer criança que não vá tão 'bem' na escola. O assunto é complicadíssimo, a quem defenda a medicação já em crianças pequenas para diminuir o "déficit", não seria mais fácil flexibilizar a escola? Porque todas as crianças tem que ter "atenção longa, concentração apurada, obediência"? Não estará a escola exigindo deles um comportamento padronizado e errado?
Curiosa, fui dar uma lidinha na bula do remédio : Ritalina é uma anfetamina... Como? Como os médicos prescrevem a crianças, que tem o cérebro em formação, uma droga do tipo anfetamina?
Fui chamada por essa pessoa de ignorante, que crianças com TDAH tem que ser medicadas, que patatipatatá... Que eu não deveria falar sobre o que não sei... De fato, não sei...
Certo essa pessoa tem razão se a criança precisa ser medicada então que seja, mas não concordo com a censura sobre o assunto, porque a ciência erra as vezes, a educação erra...
Os EUA está enfrentando uma epidemia de drogadição em analgésicos e outros remédios legais que viciam. Será que é certo medicar tanto as pessoas?
O jovem Nikolas Cruz, que matou vários alunos numa escola lá, era acompanhado e medicado desde criança, era doente ou adoeceu? Que ele não deveria ter acesso a armas isso é incontestável, mas seu caso pode ser fruto de aprofundamento de doenças por uso excessivos de drogas? Será que nossa sociedade não está ao tentar controlar tudo criando síndromes, vícios e doenças? "Perguntar não ofende", diziam os antigos, só que perguntar neste tema tabu não só ofende como é taxado de 'burrice". Porque são muitas crianças usando a droga, logo há um "mercado" todo que gira em torno do "diferente", querendo tornar esse diferente um "normal". Quem sabe não seria de traçar uma linha do tempo na curta vida desse jovem que será provavelmente condenado a morte, não sou contra nem a favor, pois acredito que para ele a recuperação ou ressocialização deve ser impossível. Mas talvez entender como ele se tornou tão doente a ponto de cometer esses crimes bárbaros e a influência da medicação em sua vida pode ajudar a evitar que se criem outros "problemas" como ele. Esse caso tem vários diferencias ele está vivo, não foi abatido, tem a questão de como acessou as drogas e de como foi se tornando quem é. Claro que ele não pode ser transformado em "cobaia", nem sofrer tortura, mas pode ser estudado dentro do que prevê a lei, a declaração universal dos direitos humanos.
Pode me chamar de ignorante, burra, louca, mas são tantos conhecidos com filhos e netos com problemas, que já não é de hoje que acho que tem algo muito exagerado. Eu convivi a vida toda com a depressão e Graças a Deus, consegui escapar dela e acho que muito era só mito sobre a tal "saúde mental' um tabu, como outro qualquer amplamente valorizado em nossa época, glamorizado pelo cinema, literatura e outras artes, então hoje acho que fui uma pessoa extremamente sensível e alegria e tristeza são fenômenos "normais", só que tem profundos preconceitos.
Talvez tudo isso não tenha nada a ver com diagnóstico, ou com comportamento, pode até ser pela alimentação, por contato com agrotóxicos, com falta de esperança, falta de fé, até de dificuldades de convivência, expectativas exageradas sobre a inteligência e desempenho escolar.
Perguntar ou contestar ofende e incomoda, mas é bom, pois na elaboração das respostas podem surgir elucidações.
Fernanda Blaya Figueiró

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