Retórica do medo.
Na semana passada uma moça me disse que em sua região estava havendo sequestros de crianças para fins de retirada de órgão, algo que seria hediondo, que temia a volta as aulas, ela disse que recebeu mensagem por WhatsApp para ter muito cuidado com um carro branco e uma van preta... Fiquei curiosa e fui pesquisar sobre o assunto, não encontrei relatos de ocorrências assim, parece que isso é uma notícia falsa antiga que foi usada em cidades paulistas e agora reaparece aqui no RS, algo como o jogo "Baleia azul", que também criou medo, depois se descobriu que algumas notícias eram inventadas... Esse é um novo evento, ou talvez a reinvenção dos velhos boatos, que sensibilizam e amedrontam as pessoas, como os vídeos de maus tratos a animais e pessoas, quem cria isso e com que intenção?
Quanto do medo que as pessoas estão vivendo é real e quanto é provocado por notícias falsas? Quem ganha com essa retórica do medo, as vezes parece que algumas comunidades são alvo de ataques de vírus, vivem esse medo excessivo como se ele fosse verdadeiro, a escola, a rua, o comércio, o ônibus tem que ser locais seguros e confiáveis, para que a sociedade funcione dentro da normalidade. Ir as compras, festejar as datas importantes, ter fé na vida é muito importante, as pessoas precisam começar a reagir a essa construção do pânico coletivo, ao receber uma notícia assim o que fazer? Primeiro acho que é testar, ou googar, só que é preciso uma boa conexão para gastar tempo conferindo os dados, depois se nada for encontrado acho que seria encaminhar para as mídias rádio, TV, sites, jornais, para que eles prestem o serviço de verificação ou em casos graves para a polícia, os conselhos dos animais, das crianças, dos idosos...
Quanto do medo cotidiano é real e quanto é criado? Medo dos assaltos, da violência, da maldade humana, medo da feiura, medo da doença, da obesidade, dos golpes financeiros, medo da própria sombra... São tantos medos que é preciso desmistificar, há maldade? Sim, mas há também bondade, há perigos nas ruas sim, mas há também cuidados, solidadriedade, proteção. Antes de gastar dias, horas e talvez meses enredado em algum tipo de medo verifique o tamanho real do problema, olhe a notícia, sacuda, coloque no sol e veja o seu real tamanho. Há maldades contra crianças? Sim. É preciso que os pais tenham atenção? Sim, mas não que tenham medo além da conta. Acompanhe seu filho até a escola espere na saída se for preciso, faça grupos de pais ou vizinhos que cuidem do trajeto entre a escola e a casa, em caso de violência procure a direção da escola, em caso de bullying denunciem aos professores, converse com seus filhos, mas não tire da escola, porque isso é o que o medo quer provocar.
Para que nossa sociedade volte a normalidade, algo que precisamos depois de anos de escândalos políticos e de notícias reais sobre o crescimento da violência, é de confiança, objetivos, metas, sonhos. Se a escola não está boa participe das reuniões de professores, mude a escola mas não deixe de exigir o direito a educação de seus filhos, se há alguma ameaça real exija que as autoridades encontrem a tal van preta ou o carro branco, mas se isso é uma tentativa de intimidação bloquei o número que enviou a mensagem. Essas pequenas atitudes podem modificar seu dia. Que notícia é essa, que poder real ela tem sobre mim? O que eu posso fazer e o que não posso? Em quem posso confiar? Essas são pequenas atitudes que vão ir colocando as coisas no lugar.
Fernanda Blaya Figueiró
Na semana passada uma moça me disse que em sua região estava havendo sequestros de crianças para fins de retirada de órgão, algo que seria hediondo, que temia a volta as aulas, ela disse que recebeu mensagem por WhatsApp para ter muito cuidado com um carro branco e uma van preta... Fiquei curiosa e fui pesquisar sobre o assunto, não encontrei relatos de ocorrências assim, parece que isso é uma notícia falsa antiga que foi usada em cidades paulistas e agora reaparece aqui no RS, algo como o jogo "Baleia azul", que também criou medo, depois se descobriu que algumas notícias eram inventadas... Esse é um novo evento, ou talvez a reinvenção dos velhos boatos, que sensibilizam e amedrontam as pessoas, como os vídeos de maus tratos a animais e pessoas, quem cria isso e com que intenção?
Quanto do medo que as pessoas estão vivendo é real e quanto é provocado por notícias falsas? Quem ganha com essa retórica do medo, as vezes parece que algumas comunidades são alvo de ataques de vírus, vivem esse medo excessivo como se ele fosse verdadeiro, a escola, a rua, o comércio, o ônibus tem que ser locais seguros e confiáveis, para que a sociedade funcione dentro da normalidade. Ir as compras, festejar as datas importantes, ter fé na vida é muito importante, as pessoas precisam começar a reagir a essa construção do pânico coletivo, ao receber uma notícia assim o que fazer? Primeiro acho que é testar, ou googar, só que é preciso uma boa conexão para gastar tempo conferindo os dados, depois se nada for encontrado acho que seria encaminhar para as mídias rádio, TV, sites, jornais, para que eles prestem o serviço de verificação ou em casos graves para a polícia, os conselhos dos animais, das crianças, dos idosos...
Quanto do medo cotidiano é real e quanto é criado? Medo dos assaltos, da violência, da maldade humana, medo da feiura, medo da doença, da obesidade, dos golpes financeiros, medo da própria sombra... São tantos medos que é preciso desmistificar, há maldade? Sim, mas há também bondade, há perigos nas ruas sim, mas há também cuidados, solidadriedade, proteção. Antes de gastar dias, horas e talvez meses enredado em algum tipo de medo verifique o tamanho real do problema, olhe a notícia, sacuda, coloque no sol e veja o seu real tamanho. Há maldades contra crianças? Sim. É preciso que os pais tenham atenção? Sim, mas não que tenham medo além da conta. Acompanhe seu filho até a escola espere na saída se for preciso, faça grupos de pais ou vizinhos que cuidem do trajeto entre a escola e a casa, em caso de violência procure a direção da escola, em caso de bullying denunciem aos professores, converse com seus filhos, mas não tire da escola, porque isso é o que o medo quer provocar.
Para que nossa sociedade volte a normalidade, algo que precisamos depois de anos de escândalos políticos e de notícias reais sobre o crescimento da violência, é de confiança, objetivos, metas, sonhos. Se a escola não está boa participe das reuniões de professores, mude a escola mas não deixe de exigir o direito a educação de seus filhos, se há alguma ameaça real exija que as autoridades encontrem a tal van preta ou o carro branco, mas se isso é uma tentativa de intimidação bloquei o número que enviou a mensagem. Essas pequenas atitudes podem modificar seu dia. Que notícia é essa, que poder real ela tem sobre mim? O que eu posso fazer e o que não posso? Em quem posso confiar? Essas são pequenas atitudes que vão ir colocando as coisas no lugar.
Fernanda Blaya Figueiró
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